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quinta-feira, 11 de abril de 2019

Prefeitura de Fortaleza irá soterrar recifes de coral

https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2018/07/26/prefeitura-assina-ordem-de-servico-para-obras-da-nova-beira-mar.ghtml

Quanto vale o metro quadrado no bairro mais nobre de Fortaleza? Isso é algo fácil de ser precificado. Sabemos precificar bens e serviços que utilizamos diretamente em nosso dia. Mas quanto vale o metro quadro de floresta amazônica? Não só o terreno, mas a floresta em si e os serviços biológicos que esta presta para a humanidade. A Amazônia já foi (e talvez ainda seja) considerada o pulmão do mundo e ainda assim sofre constantemente com a degradação do desmatamento, construção de barragens, etc. A floresta Amazônia está acima do solo e à vista de todos. Ainda assim o cenário é péssimo, o que nos levam a pensar na riqueza biológica escondida sob o mar. Todos aqueles peixes, recifes de coral, esponjas, tartarugas, lagostas, golfinhos... A riqueza biológica presente em um metro quadrado de um recife biológico é mil vezes maior que a riqueza presente na mesma área de floresta amazônica. Isto significava a grosso modo que existe mil vezes mais elementos vivos em uma porção de um recife biológico do que na mesma área de floresta amazônica.

Dia 12 de abril de 2019, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio irá assinar os contratos da obra de engorda da faixa de praia que vai soterrar diversos recifes de corais existentes na orla. Um crime ambiental desse porte no meio da cidade de Fortaleza só é possível porque está escondido dos olhos da maioria. Há alguns anos atrás os protestos foram intensos ante a construção do viaduto na Avenida Engenheiro Santana Junior para desafogar o tráfego na região nas proximidades do Shopping Iguatemi. Claro que não deu em nada e o viaduto foi construído da mesma forma. Nada estranho aí visto que pouco depois o foi construída uma torre empresarial praticamente dentro do Rio Cocó, o que também não traz espanto já que em 2011 foi soterrado um naufrágio possivelmente secular ao lado da Ponte Metálica

Nada estranho acontece hoje em Fortaleza, cidade do boto-cinza, patrimônio natural do município.

O trecho da faixa de praia a ser ampliado corresponde à Avenida Desembargador Moreira, no Meireles, até o espigão da Rua João Cordeiro, na Praia de Iracema, com o aumento de 80 metros da faixa de areia mar adentro.
A obra de engorda será dividida em dois trechos: o primeiro compreendido entre os espigões da Rua João Cordeiro e da Avenida Rui Barbosa, prevê o acréscimo da faixa de praia e o Aterro da Praia de Iracema ficará com uma área total de 71 mil m² de área.
O segundo trecho consiste no aumento da faixa de praia entre a Av. Rui Barbosa e a Av. Desembargador Moreira, criando assim um novo aterro com cerca de 81 mil m² de área, possibilitando a ampliação do calçadão. (Prefeitura de Fortaleza, https://www.fortaleza.ce.gov.br/noticias/prefeitura-de-fortaleza-apresenta-projeto-de-requalificacao-da-avenida-beira-mar, acessado em 11/04/2019)

Alguns vídeos do que será soterrado:




Em 2016 um grupo organizado por mergulhadores, biólogos e especialistas prôpos a Prefeitura a criação de um Santuário Marinho na mesma área proposta. Aparentemente é obvio que a cidade não precisa de santuários marinhos.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Pesca fantasma ameaça fauna do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio

Rede retirada do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio
No último domingo, dia 31 de março, a Mar do Ceará fez uma operação para o Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio. O ponto de mergulho era a pedra que dá nome ao parque. O que deveria ter sido mais um mergulho, numa área de proteção, tornou-se uma operação de retirada de uma rede de pesca, com um momento triste.

O mar estava excelente, tranquilo e sem ondas. Pouco vento facilitando a navegação e quando caímos na água visibilidade de mais de 15 m. A primeira coisa que eu notei é que a quantidade de peixes na pedra havia reduzido. Eu mergulho no parque desde 1999 e notei logo que o fundo estava um pouco deserto. Mesmo assim, alguns peixes, umas barracudas e muita vida encrustada: esponjas, algas e os
Tartaruga morre presa em rede de pesca
corais recobrindo a pedra. Bonito como sempre.

Mas com pouco tempo a visão de uma rede começa a estragar o mergulho. Uma rede de pesca que não deveria estar no parque. Não bastasse a rede, uma vítima. Presa a rede o corpo de uma tartaruga já começava a mostrar sinais de decomposição. Para ver o vídeo completo clique AQUI.

Quando uma rede é abandonada, ficando presa no fundo ou flutuando, ela continua de certa forma pescando e denominada pesca fantasma. Para saber mais sobre pesca fantasma clique AQUI e sobre a pesca fantasma no litoral cearense. A Mar do Ceará já fez outras operações de resgate de animais e retiradas de rede de pesca. Sempre que possível e com todo o cuidado necessário mergulhadores não só da Mar do Ceará recolhem redes e armadilhas de pesca.

Além disso, pesquisas recentes mostram que mais de 46% do lixo plástico do Pacífico é composto de restos de artes de pescas (redes, linhas e afins). Fazendo milhares de vítimas ao longo do ano, esse lixo é uma ameaça real.

Repensar nossa alimentação, o que comemos, de onde vem o que comemos é muito importante para garantir recursos para o futuro. Redes que pescam indiscriminadamente deveriam ser banidas e alternativas implementadas. A pesca predatório e o abandono de redes combatido. Da próxima vez que for consumir um pescado qualquer que seja reflita sobre suas escolhas, pesquise, se informe e se possível procure as autoridades responsáveis e pressione para que atividades prejudiciais ao meio ambiente sejam erradicadas.
Galera presente na operação de 31 de março


Fonte:
https://www.bloomberg.com/opinion/articles/2018-06-07/plastic-straws-aren-t-the-problem
https://mercyforanimals.org/straws-arent-the-real-problem-fishing-nets

domingo, 18 de novembro de 2018

Como interagir com a vida marinha?


Antes de todo mergulho a expectativa é sobre o que se poderá encontrar durante o mergulho. Quem nunca mergulhou ou pelo menos não naquele ponto começa a perguntar: o que eu posso ver aqui. A grande maioria procura os animais, os corais e sempre há esperança de ver animais grandes. Tartarugas, golfinhos, baleias, etc. A maioria fica empolgado com a visão desses animais e nem sempre a interação ser humano/mergulhador com animais é intencionalmente errada. Assim sendo, vale a pena lembrar que há um código de etiqueta a se respeitar quando interagindo com a vida animal.

Mas não é somente mergulhando que encontramos com a vida selvagem. Em muitas praias formam-se poças de marés em piscinas rochosas que juntam peixes, moluscos e outras formas de vida. Mesmo na ausência de poças de marés um banhista pode facilmente encontrar com diferentes formas de vida. E aí? Estou dentro da água e vejo uma tartaruga enorme o que eu faço?

Primeiro: Não tocar! Nunca. Nossa pele tem bactérias e outros organismos que são comuns ao nosso corpo, mas em outros organismos isso pode fazer muito mal para eles. Além disso, nossas unhas podem arranhar e machucar muitas formas de vida. Mesmo se você estiver de luva não é uma boa ideia.

Se você estiver mergulhando nunca fique em pé, ou "pegue" carona ou se agarre com os animais. Isso pode machucá-los e/ou estressá-los. Pense o seguinte: se você estivesse de boas na sua casa e alguém entrasse sem pedir licença e sentasse no seu colo, como você se sentiria? Não somente como mergulhador(a) mas como ser humano, contato com a vida marinha deve ser evitado ao máximo.

Não alimente os animais. Tartarugas comem águas vivas. Alguns peixes comem algas ou corais. Isso não é a mesma coisa que comer pão ou arroz e feijão. Nossa alimentação pode fazer muito mal aos animais. Mesmo animais domésticos como cães e gatos não devem comer a maioria das coisas que os seres humanos comem.

Fica parecendo que na interação humano/mergulhador com os animais não se pode fazer nada. Mas é claro que há muito o que fazer! Tire quantas fotos você conseguir ou quiser. Filme, filme tudo o que vier pela frente! E mostre para todos que puder! Os animais precisam de alguém falando por eles. As pessoas costumam olhar os mares e oceanos e esquecer que há vida aos montes lá. Esquecer que não devemos poluir, pescar demais ou destruir habitats.

Entre para algum grupo de proteção animal. Ou pergunte na sua operadora/escola de mergulho como você pode contribuir para ajudar os animais e a vida marinha.

Aprenda sobre os animais. Sempre que filmar ou fotografar algo diferente pergunte para alguém. Sabendo, conhecendo algo temos a tendência a se preocupar mais e cuidar mais. Garanta que futuras gerações possam desfrutar da companhia do que é uma boa parte dos mergulhos: a vida.


Fonte:
https://www2.padi.com/blog/2018/08/27/responsible-marine-life-interactions-dos-donts/?utm_source=silverpopmailing&utm_medium=email&utm_campaign=WCA64%20-%20PAM%20-%20Dear%20Fellow%20Diver%20-%20en%20-%20Oct%202018%20-%20Web%20(1)&utm_content=americas&spMailingID=20391807&spUserID=NDYwOTYwMzY2MTQ0S0&spJobID=1360873492&spReportId=MTM2MDg3MzQ5MgS2

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Parque Estadual Marinho Pedra da Risca do Meio - Um tesouro escondido!





“E Euclides lhe propôs [...] que descesse com ele, ainda que só para ver esse outro céu debaixo do mundo que eram os fundos de corais.”
Gabriel García Márquez, em “O amor nos tempos do cólera”.

O mergulho na única área de proteção estadual marinha do Ceará, a Pedra da Risca do Meio, é
um convite para amantes de esportes radicais ou para quem busca conhecer a biodiversidade
presente nos corais que existem no litoral de Fortaleza


O barco risca lentamente as águas calmas e esverdeadas da enseada do Mucuripe em direção ao Atlântico azul e agitado. Ao entrar de vez no oceano, a embarcação balança para um lado e para o outro, mas continua determinada e brava, encarando de frente as ondas que tentam impedir o caminho. Para trás, fica uma Fortaleza nublada de uma típica manhã de janeiro de ventos médios. À frente, o céu, com poucas nuvens brancas e esparsas, une-se com o mar.
Para quem não é acostumado com o ritmo das ondas, a viagem de quase duas horas põe à prova até os estômagos mais fortes. Ao final, quando o barco para no meio da imensidão de água, de onde a Capital não passa de uma tênue silhueta, mal se pode imaginar que sob as águas está o tesouro escondido da Pedra da Risca do Meio ‒ única unidade de conservação marinha estadual do Ceará.
Estamos no Cabeço do Balanço, um dos pontos de mergulho localizados nos 33 km² de área do parque. Começa a preparação. 
Os mergulhadores vestem e conferem os equipamentos para entrar na água, um a um. Logo em seguida, guiados por uma corda presa ao fundo do mar, vão descendo aos poucos em direção aos corais. No chamado “mergulho de batismo” ‒ primeira experiência de submergir com cilindros de oxigênio em águas abertas ‒ a sensação é de estranhamento, mas também de liberdade. A adrenalina está a mil. 




O agito das ondas na superfície diminui após alguns metros de mergulho, onde já é possível ter uma excelente visibilidade. A descida exige cuidados, devido ao aumento da pressão atmosférica à qual estamos acostumados. Em terra, o corpo humano recebe uma atmosfera de pressão ‒ o que equivale a um quilo por centímetro quadrado do corpo ou uma coluna de ar sobre cabeça. 
A cada dez metros de profundidade dentro d’água, a pressão aumenta mais uma atmosfera. Por isso, descida e subida precisam ser lentas, dando tempo ao corpo para se adaptar às mudanças fisiológicas. À medida que nos aproximamos dos corais no fundo do mar – com cerca de 18 metros de profundidade ‒, a flora e a fauna ficam mais ricas, e nos deparamos com cardumes de peixinhos multicoloridos, lagostas, moreias, esponjas, algas e tubarões. É como se todos fizéssemos parte de um aquário gigante. 




Nessa hora, é possível se afastar um pouco da corda que serve de guia e explorar os arredores. O oxigênio vindo dos cilindros deixa a boca seca, mas nada que atrapalhe a diversão do passeio. Após aproximadamente meia hora, é hora de retornar à superfície. Em êxtase, fica a sensação de esse ser o tipo de experiência que é preciso ter pelo menos uma vez na vida.

A criação do parque também tinha como objetivo a preservação da pesca artesanal. “Essa é uma área muito usada pelos jangadeiros” conta o mestre em Engenharia de Pesca Marcelo Torres, idealizador e primeiro gestor do parque



BIODIVERSIDADE MARINHA 
A importância do Parque Marinho da Pedra da Risca do Meio vai além dos seus limites. Por ser um ambiente de recifes, ele tem a função de “berçário marinho”, onde as espécies podem se reproduzir em ambiente protegido, além de servir como importante fonte de alimentação. “Essas áreas são as mais produtivas e de maior riqueza da vida marinha”, ressalta o professor Marcelo de Oliveira Soares, do Instituto de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará (UFC). 
No local, são encontradas diversas espécies de vegetais e animais. Entre estas, pelo menos 11 estão ameaçadas de extin- ção ‒ como os peixes cioba, badejo amarelo e mero; as tartarugas comum, verde e de pente e o tubarão martelo. 
A criação do parque também tinha como objetivo a preservação da pesca artesanal. “Essa é uma área muito usada pelos jangadeiros”, conta o mestre em Engenharia de Pesca Marcelo Torres, idealizador e primeiro gestor do parque. 
Segundo ele, havia uma preocupação, na época, de que a pesca predatória poderia pôr em risco a quantidade de pescado no local. O nome do parque vem do fato de as formações rochosas existentes no local serem conhecidas pelos pescadores como “riscas” ou “cabeços”. E a unidade de conservação fica na porção central da área ‒ por isso “Pedra da Risca do Meio”. 
De acordo com Marcelo Soares, as pesquisas científicas ainda são incipientes na região marítima entre o Ceará e o Amazonas. Entretanto, cada vez mais são encontrados ambientes de corais nesse trecho, o que era desconhecido até bem pouco tempo.


PLANO DE MANEJO 
Após quase 20 anos de criação, o Parque Marinho da Pedra da Risca do Meio ainda não possui plano de manejo. Entretanto, essa realidade deve mudar em breve. 
De acordo com o secretário do Meio Ambiente do Ceará, Artur Bruno, já foram captados recursos para elaborar o documento, que deve ser redigido e finalizado durante o próximo ano. “O plano de manejo é o documento mais importante de uma unidade de conservação, porque faz um diagnóstico da área e, a partir dele, propõe uma gestão qualificada, definindo o que pode e não pode ser feito naquele espaço”, explica o secretário. 
Além disso, também será preparado um plano de gestão para o local. O parque foi uma das seis unidades de conservação marinhas do Brasil contempladas pelo edital GEF-Mar, que será a fonte dos recursos para elaborar o plano de manejo. 
Ele é mantido por meio de doações ao Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) ‒ implementado pelo Banco Mundial ‒ e cofinanciado pela Petrobras. A seleção foi feita por meio do Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), do Ministério do Meio Ambiente (MMA)


META DISTANTE 
Com 8.500 km de costa e 4,5 milhões de km2 de área marítima, o Brasil ainda está longe de atingir a meta de 10% de conservação prevista na Convenção sobre Diversidade Biológica. O texto, redigido durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Eco-92), realizada no Rio de Janeiro, tinha o ano de 2010 como prazo para atingir a meta. Segundo o coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste (Cepene), Leonardo Messias, “apenas 0,7% (da área total) são unidades de conservação, considerando os ambientes costeiros e marinhos (estuários, mangues, dunas, costões, lagoas costeiras e mar)”. 
Na avaliação dele, isso “está muito longe de um total que seja significativo”. Entretanto, Leonardo Messias ressalta que há boas perspectivas de melhorar esse número, já que há propostas de criação de outras unidades em andamento, além da ampliação de algumas já existentes. Ele lembra que a criação dessas unidades é importante, pois o País possui atividades que impactam negativamente o ecossistema marítimo ‒ como pesca, petróleo e mineração. 
De acordo com o secretário do Meio Ambiente do Ceará, Artur Bruno, não há perspectiva de criação de novas unidades de conservação marinhas no Estado. “Não é nosso objetivo aumentar a quantidade de unidades, é fazer com que elas funcionem bem”, explica. Essa opinião é compartilhada pelo mestre em Engenharia de Pesca Marcelo Torres. “Do que adianta a gente ampliar e não fiscalizar? É muito melhor ter uma área pequena, mas que funcione, que tenha fiscalização, plano de manejo, do que criar mais áreas para cumprir uma meta de 10% e não ser, na prática, um parque”, comenta.


AMEAÇAS AO PARQUE 
A pesca predatória com as chamadas redes caçoeiras (rede de arrasto), além do uso de compressores de ar para a captura de peixes ornamentais, lagostas e outras espécies são algumas das ameaças ao parque. 
Além disso, a poluição e falhas na fiscalização colocam em risco a integridade do parque marinho. “Infelizmente, não existe fiscalização, somente algumas ações pontuais. A gente sabe que tem todo tipo de pesca lá”, alerta o professor Marcelo Soares. 
Já o instrutor de mergulho e idealizador do Parque, Marcelo Torres, cita o uso de tambores para a pesca de lagosta no local. “Esses tambores não são lavados, têm muito produto químico [...] Virou uma terra de ninguém. É lamentável a situação em que se encontra o parque hoje”, critica. Outro sinal da ausência de fiscalização citado por Marcelo Torres era a existência de um avião Bandeirantes que havia caído no parque e se tornado um dos principais pontos de mergulho. Entretanto, o equipamento foi desmontado e retirado, possivelmente para ser vendido como sucata. 
O secretário do Meio Ambiente, Artur Bruno, reconhece as falhas no monitoramento e informa que há denúncias de que a área está poluída, inclusive com equipamentos descartados por mergulhadores. Atualmente, a Sema não possui barco próprio para fiscalização do local. 
De acordo com Artur Bruno, é estudada uma parceria com o Labomar/UFC, que permitiria o uso de equipamentos da instituição, tanto para pesquisa como para fiscalização. “Temos que conseguir um barco para que possa ter um calendário de fiscalização. O desafio é começar a fazer ainda este ano”, ressalta.


ECOTURISMO 
O Parque Marinho da Pedra da Risca do Meio tem potencial forte para o ecoturismo, principalmente para o chamado “turismo de mergulho”, já que pessoas de todo o País que já praticam o esporte buscam novos lugares para conhecer e explorar. Segundo Marcus Davis, da operadora Mar do Ceará, há grande demanda por mergulhos na unidade de conservação. No caso da Pedra da Risca do Meio, devido à profundidade, não é possível realizar o mergulho com amadores ‒ é preciso antes fazer cursos na área e obter certificação. 
“O parque tem pontos que exigem certificação de nível básico e também avançado, que habilita a ir mais fundo”, informa Marcus Davis. “É diferente de ir para Fernando de Noronha, onde (o turista) faz o curso rápido e pode mergulhar na profundidade de 10 metros”, explica a turismóloga Izaura Lila Lima, gestora da unidade de conservação. Além disso, na avaliação dela, pesam contra o uso turístico a distância do parque em relação ao litoral e a realização de mergulhos apenas no primeiro semestre do ano ‒ os ventos fortes dificultam a ida ao local e a visibilidade subaquática entre agosto de dezembro. 
Marcus Davis defende ainda mais divulgação para o local e sugere, por exemplo, a criação de um espaço na orla onde turistas, e mesmo cearenses, possam conhecer a biodiversidade presente na Pedra da Risca do Meio. 




Para quem quer vivenciar a experiência, é possível obter a certificação em operadoras de mergulho localizadas no Ceará. A Mar do Ceará, por exemplo, está no mercado desde 2009. O curso básico pode ser feito em oito dias. 
Há também cursos avançados, de primeiros socorros, de resgate, além da possibilidade de conhecer outros pontos de mergulho existentes no Ceará. Ao final, os participantes recebem certificação pela Professional Association of Diving Instructors (Padi) ‒ Associação Profissional de Instrutores de Mergulho, em tradução livre.


SERVIÇO 
Operadora de Mergulho Mar do Ceará Endereço: Av. João Pessoa, 5834 ‒ Posto
Damas ‒ Montese. 
Site: mardoceara.blogspot.com.br/ 
Contato: (85) 99764 6553 / 98744 7226
Valor: O curso básico custa a partir de R$ 1.110



Texto: Geimison Maia
Fotos: Marcus Davis

Fonte: Revista Plenário
Para fazer download da revista completa em pdf clique aqui:

terça-feira, 16 de maio de 2017

Como os peixes absorvem o oxigênio da água?

Sabemos que os peixes retiram da água o oxigênio que utilizam para o funcionamento de seus organismos. E é nela que eles depositam os gases produtos desse funcionamento. Para nós, que vivemos fora d'água, a nossa troca gasosa é feita entre nossos pulmões, que captam o ar da atmosfera, e, sob pressão, troca o oxigênio (O2) pelo dióxido de carbono (CO2) com os vasos sanguíneos que estão em contato com a superfície dos alvéolos (bolsas presentes nos pulmões).
1. Esquema demonstrando as pressões parciais para ocorrência das trocas gasosas entre o pulmão e o vaso sanguíneo.
Para que um órgão seja eficiente na captação de oxigênio ele deve ter uma área de superfície grande, por isso a maioria é cheio de dobramentos denominados invaginações (para dentro) ou evaginações (para fora). Além disso deve ser composto por membranas bem finas e deve ser vascularizado por por muitos vasos sanguíneos.

2. Brânquia de peixe apresentando
coloração avermelhada devido
ao intenso fluxo sanguíneo.
Muitos dos animais terrestres são pulmonados, mas em insetos as trocas gasosas são feitas entre tubulações e os vasos deles, não tendo um órgão específico. Com peixes o órgão responsável são as brânquias. Bem finas, repleta de vasos sanguíneos e dotada de muitas ramificações na forma de evaginações, formando lamelas, que são estruturas em forma de lâminas bem finas.
3. Esquema mostrando as brânquias
de um peixe, suas estruturas e detalhes.
Um mecanismo chamado de Contra Corrente é o principal responsável por viabilizar as trocas gasosas em peixes. Esse mecanismos consiste na passagem do fluxo sanguíneo pelas estruturas das brânquias em um sentido oposto ao fluxo da água. Isso expões a água em contato maior com o sangue pouco oxigenado, realizando as trocas gasosas entre a água mais rica em oxigênio com o sangue, mais rico em dióxido de carbono.

Esse sistema é muito comum na maioria dos animais que possuem brânquias, pois aumenta a eficiência desse órgão nas trocas gasosas. Mas ele pode ser complementado com o nado do peixe. Como ele faz? Ele nada com a boca e com seu opérculo, 'tampinha' que protege as brânquias, levemente abertos, permitindo que, com o nado, a água passe por suas brânquias de maneira constante, melhorando, ainda mais, sua captação de oxigênio.

5. Esquema mostrando o fluxo daágua pelas brânquias do peixe.
Mas não seria possível que eles respirassem também fora d'água, já que o ar tem bem mais oxigênio? Não, pois os peixes necessitam que suas brânquias estejam na água para, a partir dela, absorver o gás que precisa. Mas há peixes capazes de respirar 'fora d'água', os chamados peixes pulmonados. Mas essa forma de obtenção de ar é usada em momentos de extrema necessidade como falta de oxigênio na água ou, ainda, seca periódica.

6. O peixe Periophthalmus argentilineatus é capaz de se locomover fora da água respirando por pulmões rudimentares.
No caso de seca, alguns peixes que resistem na lama possuem essa segunda opção de respiração, a pulmonada, bem menos eficiente que a por brânquias, mas necessária para manter seus órgãos vitais trabalhando lentamente até que se restabeleça a disposição de água com oxigênio dissolvido.

Assim como nós, cada animal na natureza apresenta modificações decorrentes de milhares de anos de evolução tornando-o hábil à explorar o ambiente em que vivem. Alguns, como nós, desenvolve técnicas para explorar outros ambientes, como os equipamentos de mergulho, mas isso não gera mudança em nossos organismos. Por isso ainda possuímos muita dificuldade em submergir a grandes profundidades, ação facilmente realizada pelo organismos que vivem na água como os peixe abissais, e ainda assim possuem suas limitações.

Conhecer todas essas limitações é estar preparado para dominar novos ambientes em que elas permitem-nos dominar. Estar consciente de suas ações, em boa forma física e ativamente treinado são cuidados básicos para um bom mergulho, afinal somos terrestres dentro d'água. Mergulhe consciente!

Referências:
Livro: Fisiologia Animal - Adaptação e Meio Ambiente. Knut Schmidt-Nielsen, 5 ed.;
            A Vida dos Vertebrados. F. Harvey Pough, 4 ed.;
Link: https://netnature.wordpress.com/2011/05/15/a-grande-conquista/
Imagens:
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAYfAAA/cap-20-equilibrio-acido-basico-hidro-eletrolitico
http://4.bp.blogspot.com/-7ta6AUtjuWY/TdASauNgZuI/AAAAAAAAALg/P6MiOWxLpOw/s1600/x1.jpg
https://netnature.files.wordpress.com/2011/05/periophthalmus-argentilineatus.jpg
http://s5.static.brasilescola.uol.com.br/img/2015/08/branquias.jpg
https://lh6.googleusercontent.com/-8RX0xZ_tW0Q/U_yqUHnJZTI/AAAAAAAAEtc/9yz-q4VLW0g/w873-h616/20.jpg

domingo, 12 de março de 2017

Nossas tartarugas estão doentes! - A Fibropapilomatose

Tartaruga verde morta na Praia do Aterro possivelmente devido fibropapilomatose, em dezembro de 2016. Esta doença foi primeiro registrada no Havaí em 1958 e infelizmente vem sendo observada em todo o mundo.
Recentemente tivemos dois contatos (na Praia do Aterro) com tartarugas apresentando esses tumores aqui em Fortaleza. Ainda não tinha visto nem ouvido falar até ano passado quando George Almeida fotografou uma tartaruga debilitada essas feridas na Praia do Aterro. Pesquisando um pouco, parece que é bem mais comum do que imaginávamos. 

Segundo Eduardo Lima, coordenador regianal do Projeto Tamar em Almofala, CE;
Trata-se de uma tartaruga popularmente conhecida como aruanã/tartaruga verde. Esse animais são comuns no estado do Ceará pois utilizam a costa como área de alimentação e crescimento permanecendo por aqui longos períodos até o retorno a suas áreas de desovas de origem. Essa tartaruga particularmente esta com uma doença conhecida como fibropapilomatose que pode a vir causar a morte do indivíduo por acomedimento de outras doenças em conjunto. Esse animal é um indivíduo juvenil, que caso estivesse vivo poderia chegar a medir até 1,30 metros de casco e pesar mais de 350 kg. Encalhes ao longo da costa brasileira é bastante comum por interação com pescarias ou doenças. Sabe-se que a Pesca é a principal causa desses encalhes, juntamente com a ingestão de resíduos sólidos (lixo).
Creio que não poderia explicar melhor que esse artigo do biólogo Guellity Marcel do site Eu Quero Biologia.

por Guellity Marcel
A fibropapilomatose (FP) é uma doença infecciosa que ocorre principalmente em tartarugas-verdes (Chelonia mydas), mas também em outras espécies ao redor do mundo. Foi primeiramente documentada como uma doença rara, no Havaí em 1958, mas a sua prevalência tem aumentado drasticamente nessas últimas décadas. Acredita-se que é uma doença causada por um agente viral (herpevírus). O meio de transmissão ainda é desconhecido, mas devido a alta prevalência da doença em ambientes costeiros, perto de atividades humanas, como agricultura e atividades industriais, acredita-se que a poluição do ambiente marinho facilite a expressão da doença. Esse resumo apresenta informações sobre a FP, proporcionando o melhor entendimento da doença.
Um indivíduo juvenil.

O interessante desta doença é o porque que ela afeta muito mais as tartarugas verdes, sendo que as tartarugas marinhas habitam diversas regiões do mundo. Das sete espécies de tartarugas existentes nos oceanos, cinco podem ser encontradas nos mares brasileiros: Caretta caretta (tartaruga cabeçuda ou amarela); Chelonia mydas; Eretmochelys imbricata (tartaruga de pente); Lepidochelys olivacea (tartaruga oliva) e Dermochelys coriacea (tartaruga de couro ou gigante) (Robert, 1986; Santos, 1994).

No Brasil, a maior população de tartarugas marinhas pertence à espécie C. mydas e se encontra na ilha de Trindade (Filippini, 1988). Algumas espécies estão ameaçadas de extinção devido à pesca, predação de ovos e poluição do habitat natural.

Características da Tartaruga-verde
A tartaruga verde recebe esse nome devido à presença das quatro placas laterais de cor verde ou verde-acinzentado escuro, é uma tartaruga marinha da família Cheloniidae e o único membro do género Chelonia (Tamar). Chega a atingir 139 cm de comprimento curvado da carapaça e 300 kg de peso, representando, deste modo, a maior tartaruga marinha de carapaça rígida. As características que a distinguem das outras tartarugas são a sua cabeça pequena e redonda e a carapaça sem rugosidades.

Sua alimentação varia consideravelmente durante o ciclo de vida: até atingirem 30 cm de comprimento, alimentam-se essencialmente de crustáceos, insetos aquáticos, ervas marinhas e algas; acima de 30 cm, comem principalmente algas; é a única tartaruga marinha que é estritamente herbívora em sua fase adulta (Tamar).

Fibropapilomatose
A fibropapilomatose (FP) é uma doença caracterizada por causar múltiplos tumores na epiderme (alcançando desde 0,1 cm até 30 cm de diâmetro) que afetam principalmente tartarugas verdes jovens e imaturas (HERBST et al., 1995). Esses tumores são freqüentemente encontrados ao redor do pescoço, olhos, boca, nadadeira e/ou cavidade oral, regiões inguinal e axiliar (LU et al., 1999). Os tumores surgem a partir de uma proliferação das células epidérmicas (papilomas), fibroblastos dérmicos (fibromas), ou ambos (fibropapilomas) (SMITH AND COATES, 1938).
Detalhe dos tumores.

Já foram descrita a presença de fibromas em órgãos internos, como pulmão, fígado, rins e trato gastrointestinal, provocando alterações na flutuabilidade, pressão, parênquima, necrose do fígado, insuficiência renal e por fim obstrução intestinal (HERBST, 1994). 

A FP também afeta atividades diárias desses animais infectados, como alimentação, locomoção ou visão. Tartarugas em estágio avançado da doença apresentam fraqueza, anemia regenerativa, cegueira, (MATUSHIMA et al., 2001), hipoproteinemia, elevação de enzimas hepáticas (DAHME & WEISS, 1989), diminuição progressiva da contagem de linfócitos, basófilos e eosinófilos e aumento progressivo de heterófilos e monócitos (MATUSHIMA et al., 2001).

A morfologia dos tumores varia de liso a semelhante à couve-flor, com algumas projeções pontiagudas pequenas variando de tamanho sendo que os maiores podem apresentar ulcerações e tecido necrótico. A pigmentação varia chegando a apresentar cor branca, cor-de-rosa, vermelha, cinzenta, roxa ou preta (RHODES, 2005). (Figura abaixo):

Como você pode ver na figura, esses tumores estão em forma de couve-flor, ou seja a forma que causa mais danos às tartarugas-verdes. 

No Brasil, o primeiro registro da doença foi no estado do Espírito Santo em 1986, e desde então ocorrências foram frequentemente observadas nas áreas de alimentação; os registros pareciam indicar um aumento da ocorrência: 3,2% em 1997; 10,6% em 1998; 10,7% em 1999 e 12,4% em 2000. (BAPTISTOTTE, 2005).
Todas as fotos são do mesmo indivíduo
encontrado na Praia do Aterro.

Apesar da tartaruga-verde ser a mais afetada, estudos recentes têm registrado a doença em outras espécies, incluindo tartaruga-olivacea (Lepidochelys olivacea ), tartaruga-de-kemp (Lepidochelys kempii )e a tartaruga-comum (Caretta caretta). Embora muitos fatores foram suspeitos de causar a FP, os últimos relatos incriminam o herpesvírus (HERBST et al., 1998). 

Etiologia (causa da doença)
A FP está associada a um herpevírus, um herpevirus associado a fibropapilomatose quelóide (Chelonid Fibropapilomatose – Associated Herpevirus -CPHV), que está presente em todos os tumores de ocorrência natural e induzidos experimentalmente com filtrados acelulares de tumor. (LACKOVICH et al., 1999 e HERBST et al., 1999).

Tratamento
O tratamento constitui-se na retirada cirúrgica dos tumores, felizmente a taxa de sobrevivência de tartarugas verdes após a cirurgia está acima de 90 por cento (MATUSHIMA et al, 2001). 

Conclusão 
Detalhe, os tumores estão espalhados
 pelo corpo do animal.
A fibropapilomatose é uma doença caracteriza por múltiplos tumores nas regiões de pele macia. Afeta principalmente tartarugas-verdes juvenis, que são importantes para a reprodução. Esses tumores afetam atividades diárias dessas tartarugas, como alimentação, respiração, visão e a locomoção. Tartarugas em estágios mais avançados da doença apresentam fibromas em órgãos viscerais afetando o funcionamento dos 
mesmos, ocasionando a morte. Além disso, as tartarugas que apresentam essa doença ficam mais suscetíveis a predadores e as linhas de pesca. 

Acredita-se que a poluição ao ambiente tem um importante papel no desenvolvimento da doença, pois tartarugas que estão presentes na costa desenvolvem mais a doença do que os indivíduos que vivem em água mais profundas.

Agora, só resta saber a associação entre a poluição e o Herpevírus CPHV para determinar definitivamente o porque das tartarugas-verdes serem tão afetadas assim.

Referências:
  • ROBERT, T. 1986. Biologia dos vertebrados. 5ª ed., São Paulo, Roca, 508 p.
  • SANTOS, E. 1994. Zoologia brasílica. Belo Horizonte, Vila Rica, 263 p.
  • FILIPPINI, A. 1988. Ilha da Trindade. Ciências Hoje, 45:28-35.
  • HERBST, L.H.; KLEIN P.A. Green turtle fibropapillomatosis: Challenges to assessing the role of environmental cofactors, 1995.
  • LU Y; AGUIRRE A.A; WORK T.M.;BALAZS G.H.; NERURKAR V.R.; YANAGIHARA R. Identification of a small, naked virus in tumor-like aggregates incell lines derived from a green turtle, Chelonia mydas, with fibropapillomas, 1999.
  • SMITH, G. M., AND COATES C. W. Fibroepithelial growths of the skin in large marine turtles, Chelonia mydas (Linnaeus). Zoologica, NY 23: 93–98, 1938.
  • MATUSHIMA, E.R; LONGATTO FILHO , A.;DI LORETTO , C.;KANAMURA, C.T.; SINHORINI, I.L.;GALLO, B.;BAPTISTOLLE, C. Cutaneous papillomas of green turtles: a morphological, ultrastructural and immunohistochemical study in Brazilian specimens, 2001.
  • DAHME, E; WEISS, E. Anatomia Patológica Especial Veterinária Zaragoza (Espanha): ed Acribia, p 133-134, 1989.
  • RHODES, K.H, Dermatologia de Pequenos Animais Consulta em 5 minutos Rio de Janeiro: ed Revinter, p, 357-360, 2002.
  • BAPTISTOTTE,C. Caracterização espacial e temporal da fibropapilomatose em tartarugas marinhas da costa brasileira. Tese (Doutorado em Ecologia Aplicada) – Universidade de São Paulo – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz“ , Piracicaba, 2007.
  • HERBST, L.H; GREINER, E.C.; EHRHART, L.M.; BAGLEY, D.A.; and KLEIN, P.A. Serological association between spirorchidiasis, herpesvirus infection, and fibropapillomatosis in green turtle from Florida, 1998.
  • HERBST, L.H.; E.R. JACOBSON; P.A. KLEIN; G.H. BALAZS; R. MORETTI; T. BROWN, and J.P. SUNDBER. Comparative pathology and pathogenesis of spontaneous and experimentally induce fibropapillomatosis of green turtles (Chelonia mydas). Vet. Pathol. 36:551-564, 1999.
  • LACKVICH, J.K., D.R. BROWN, B.L. HOMER, R.L. GARBER, D.R. MADER, R.H. MORETTI, A.D. 
  • PATTERSON, L.H. HERBST, J. Oros, E.R. JACOBSON. S.S. CURRY, and P.A. KLEIN. Association of herpesvirus with fibropapillomatosis of the green turtle Chelonia mydas and the loggerhead turtle Caretta caretta in Florida. Dis. Aquat. Organ. 37:89-97, 1999.

Fonte 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Quem são os Cetáceos?



Os cetáceos conseguiram, através da evolução, especialização que lhes permitem passar todo o seu ciclo de vida no ambiente aquático. Esse grupo teve que responder às necessidades de natação, mergulho, comunicação e procura de alimento num meio totalmente distinto dos seus ancestrais terrestres.

A palavra Cetáceos, vem do latim cetus que significa grande animal marinho e do grego ketos que quer dizer monstro marinho. Os cetáceos abrangem animais com formas e tamanhos variados. Desses exemplares existe os que mal ultrapassam a um metro de comprimento, como também animais que medem cerca de 25 metros. Pelo nome, anteriormente explicado, esses animais podem ser marinhos- que se distribuem por todos os oceanos- mas também possuem espécies que estão na maioria dos grandes rios de todo o mundo, desde as águas quentes do equador até às águas frias dos polos. Atualmente é reconhecido mais de 80 espécies.


Os cetáceos são peixes? 

Os cetáceos englobam as baleias, botos e golfinhos e são mamíferos, já os peixes pertencem ao filo Chordata e são exclusivamente aquáticos, que difere, os peixes dos cetáceos, é que esses últimos são mamíferos. Até o século XX as baleias, botos e golfinhos eram incluídos na “Ordem Cetacea”, entretanto, diversos trabalhos publicados recentemente, mostrando a proximidade dos cetáceos e dos artiodátilos. Atualmente, se considera que ambos devem estar juntos dentro da Ordem Artiodactyla, ficando os cetáceos na infraordem Cetacea

Cauda de uma Cachalote
Fonte: http://www.aquaacores.com.pt/
Durante muito tempo se pensou que os representantes dos cetáceos, como as baleias e os golfinhos, eram peixes onde esses “peixes” teriam uma particularidade de esguichar água. Realmente os cetáceos podem parecer com alguns peixes. Os golfinhos e os botos podem parecer em particular com os tubarões, pela forma do corpo. As vezes alguns banhistas e surfistas levam sustos pela similaridade, pois possuem barbatanas dorsais, laterais e caudais, mas se verificarmos com atenção observamos algumas diferenças. A melhor maneira de distinguir um Cetáceo de um peixe, é visualizar a sua cauda, Pois a cauda de um Cetáceo é horizontal e sua movimentação é de baixo para cima, enquanto a cauda de um peixe é vertical e a movimentação é lateralmente.
Os Cetáceos por serem mamíferos, apresentam ainda diferenças fisiológicas.
Estes animais homeotérmicos, possuem sangue quente, respiram pelos pulmões através de um espiráculo, no caso dos cetáceos, que fica localizado em cima da cabeça na parte dorsal. Suas crias crescem em placentas e são amamentadas através de glândulas mamárias. Este grupo está completamente dependente do meio marinho para completar o seu ciclo de vida, sendo os hipopótamos o grupo de animais terrestres evolutivamente mais próximos.


Divisão dos cetáceos

Os cetáceos, pelas características que cada indivíduo apresenta, são subdivididos em três subordens: Subordem Archaeoceti, Subordem Odontoceti e Subordem Mysticeti

  • Subordem Archaeoceti
Ilustração de um arqueocetos
Fonte: geologicalman.blogspot.es
Esta subordem pode também ser chamada de Arqueocetos. Os arqueocetos incluem todos os cetáceos extintos. São os cetáceos primitivos, portanto deram origem aos misticetos e odontocetos. Uma das características que separa dos demais cetáceos é sua dentição diferenciada, e também o orifício respiratório, que ficava situado entre a ponta do bico e a região dorsal da cabeça. Alguns pesquisadores dizem que os arqueocetos, mais primitivos, possuíam quatro membros e tinham hábitos de anfíbios. Apresentava essa transição entre os mamíferos terrestres e aquáticos, antes de se adaptarem por completo ao meio aquático.

  • Subordem Mysticeti
Baleia jubarte se alimentando
Fonte: http://ipevs.org.br/blog/?tag=imagens
Os misticetos, também chamados de Mysticeti, tem como representantes as grandes baleias. Entre elas a baleia azul que é considerado o maior animal vivo do mundo, chegando a medir 30 metros. Uma das características desses animais é   não terem dentes. Em vez de dentes possuem muitas barbatanas. Essas barbatanas são estruturas córneas similares à unhas que ficam enraizadas na parte superior da boca e se organizam em forma de um triângulo reto comprido. A parte externa é macia e a parte interna possui uma forma de franja para poder filtrar os alimentos. A dieta alimentar dos misticetos é basicamente de zooplanctons e de pequenos crustáceos. Algumas espécies também tem o costume de predar cardumes de peixes de pequeno porte. 

Orifício duplo em misticetos
Fonte: masterok.livejournal.com
Outra característica da subordem Mysticeti é que possuem o crânio simétrico, com um par de orifício respiratório situado no alto da cabeça. Os machos, dessa subordem, são menores do que as fêmeas. Normalmente são solitários, exceto no período de reprodução e nas áreas de alimentação.

De maneira generalizada os representantes dos misticetos são subdivididos em família segundo a presença ou ausência de sulcos ventrais, como também ao número destes. Estes sulcos estão relacionados diretamente com o tipo de alimentação e a estratégia alimentar realizadas por cada família. 
  • Família Balaenidae
  • Família Neobaleanidae
  • Família Eschrichtiidae
  • Família Balaenopteridae

  • Subordem Odontoceti
Esta ordem abrange o maior número de espécies, sendo que algumas delas são fluviais. E, as marinhas podem ser costeiras oceânicas, podendo ocorrer ao longo da borda da plataforma continental. 

Dentição de uma orca
Os odontocetos, assim também conhecidos, são indivíduos que irão apresentar dentes que podem variar entre 2 a 200. Geralmente são todos iguais e existe apenas uma dentição, portanto não há substituição de dentes durante ao longo da vida. Sua dieta é de peixes de vários tamanhos e cefalópodes. No caso das orcas, devoram animais como focas e pinguins, há também registro de se alimentarem de filhotes de baleia. 


Delphinapterus leucas brincando em
fazer bolhas
Fonte: biologiavida-oficial.blogspot.com.br
Diferentes dos misticetos, o crânio dos odontocetos são assimétricos. Em algumas espécies a região rostral e frontal são bastante desenvolvidas, em outras, a boca é alongada para frente de formato perecido com um “bico” longo e agudo. O orifício respiratório é único e apresentam biossonar. Os machos normalmente são maiores que as fêmeas. Vivem em bandos e o comprimento pode variar de 1,5 metros a 17 metros. Os odontocetos abrangem as “baleias-de-bico”, as orcas, todos os botos e golfinhos e a cachalote que é o maior representante dessa subordem.

Existe várias divergências entre diversos autores., e maneira geral são 10 famílias, devido ao grande número de espécies viventes, representando 85% das espécies viventes de cetáceos. 
  • Família Iniidae
  • Família Platanistidae 
  • Família Lipotidae
  • Família Pontoporiidae 
  • Família Monodontidae
  • Família Phocoenidae
  • Família Delphinidae 
  • Família Ziphiidae 
  • Família Physeteridae
  • Família Kogiidae

boto-vermelho
Fonte: http://epoca.globo.com
Para os interessados em visualizar os cetáceos, saibam que praticamente em todo o litoral brasileiro pode se encontrar tais representantes. Os golfinhos são os mais abundantes desde o litoral sul ao sudeste. Nas águas nordestinas, o golfinho mais conhecido é o golfinho-rotador. Sua maior concentração fica no Arquipélago de Fernando de Noronha. 

As baleias têm maior concentração no litoral sul e sudeste do Brasil, mas é em águas nordestinas que algumas preferem se reproduzir, como é o caso da baleia-jubarte que vão para o Arquipélago dos Abrolhos, no sul da Bahia. O cetáceo que pode ser encontrado em águas fluviais é boto, podendo ser encontrado em águas brasileiras tanto na Bacia Amazônica como no Orinoco.


Cetáceos encontrados no Ceará

Foram registradas 23 espécies de mamíferos marinho, no estado do Ceará, sendo 22 cetáceos e 1 sirênio. O que mais chama atenção são os encalhes de boto-cinza (Sotalia guianensis), que representam quase 60% desses registros. O encalhamento pode ser ocasionado por doenças patógenas- que acabam desorientando os animais- e, infelizmente, por ameaças de origem humana. Por se tratar de uma espécie costeira vem sofrendo diversas ações antrópicas negativas. As famílias, de cetáceos, que podem ser encontradas no Ceará são:

Infraordem Mysticeti
  • Família Balaenopteridae

Infraordem Odontoceti
  • Família Physeteridae
  • Família Kogiidae
  • Família Zipdiidae
  • Família Delphinidae

Referências





http://www.aquasis.org/subprograma.php?id_oquefazemos=6

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Onde está o ar respirado pelos peixes e outros organismos aquáticos?

Não é de hoje que sabemos da capacidade que os peixes têm de respirar debaixo d'água. Mas poucos de nós sabe da dificuldade que é respirar dessa maneira. Tudo isso vem da dificuldade de se obter oxigênio na água, pois só é possível captar o oxigênio que esteja dissolvido nela. E isso pode representar problemas para os animais que necessitam dele.

1. Bolhas de ar na água simbolizando os gases dissolvidos nela.
Para os organismos terrestres, o ar está repleto de oxigênio. A composição do ar atmosférico seco, sem umidade, é de 20,95% desse gás, disponível a uma pressão de 760 mmHg. A medida que subimos montanhas essa concentração de quase 21% permanece constante, mas a dificuldade de respirar em altitudes decorre da pressão parcial (pO2) que diminui, dificultando a troca gasosa nos pulmões, que ocorre de onde a pressão é maior para a menor, ou seja, do pulmão (pO2= 104 mmHg) para o sangue (pO2= 40 mmHg).
2. Esquema demonstrando as pressões parciais para ocorrência das trocas gasosas entre o pulmão e o vaso sanguíneo.
Na água, a solubilidade do oxigênio gasoso é de 34,1 ml /litro a 15°C. Isso quer dizer que em 1 litro de água a 15°C podem ser dissolvidos 34,1 ml de gás oxigênio. Isso parece razoável, mas esse valor pode variar conforme os fatores ambientais, entre eles a temperatura, a quantidade de sais e a pressão.

3. Solubilidade dos gases (O2, N2 e CO2) na água.
Quanto mais quente for um líquido que apresenta gás, menos esse gás fica retido, como facilmente podemos notar em um refrigerante quente, que as bolhas saem rapidamente, dando a ideia de que ele 'explodiu'. Quando está no copo, bolhas são vistas subindo nas paredes do copo, pois, a medida que o refrigerante esquenta, o gás perde solubilidade e vai saindo. A diferença é que no refrigerante o gás é o dióxido de carbono, o CO2.

4. Bolhas no refrigerante demosntrando a presença de gás (CO2) dissolvido, perdendo solubilidade a medida que esquenta.
Assim como a temperatura, o aumento da quantidade de sais na água diminui a solubilidade. Por isso na água salgada tem uma quantidade de gases dissolvidos menor que na água doce. Diferentemente da pressão que, quanto maior a pressão, maior a solubilidade do gás naquele meio. 

5. Esquema de experimento mostrando a interferência do aumento da pressão no aumento da solubilidade do gás na água.
Voltando ao refrigerante, quando ele ainda não foi aberto podemos notar que a garrafa PET está mais rígida que quando ele é aberto. Isso deve-se ao fato de, ao ser aberto, aquele 'tchisss' equilibra as pressões internas na garrafa com a do meio externo. Era essa pressão que mantinha parte do gás dissolvido. Tanto que depois de aberto, mesmo que refrigerado, ele fica 'sem gás'.

6. Garrafas PET fechadas mostrando-se mais rígidas devido a pressão interna ser alta. 
Ao nível do mar, a pressão é constante de 760 mmHg, o conhecido 1 ATM. A medida que mergulhamos essa pressão aumenta. Esse aumento ajuda na manutenção de uma quantidade de oxigênio nessas águas. Junto com a profundida, a temperatura normalmente cai, ajudando, também, na solubilidade do oxigênio nessas águas.

Nos corpos d'água a quantidade de gases dissolvido é equilibrada constantemente, pois há contato com o ar atmosférico e, até que a água esteja com quantidade máxima de gás dissolvido, chamada de saturada, ocorre intercâmbio entre os gases da água com os do ar. Mantendo esse equilíbrio.

O problema está quando há um aumento da temperatura da água. Comum em poças de água, piscinas na praia, pois a pequena quantidade de água exposta à luz do sol aquece, evapora uma parte e os sais ficam em uma quantidade menor de água. Ou seja, água quente e com mais sais. A solubilidade do oxigênio cai gradativamente. Além disso o consumo desse gás pelos organismos presentes ali ajuda na redução dele na água, podendo levar a morte daqueles organismos.

7. Bolhas de ar formadas na água pelo aumento da temperatura com consequente redução da solubilidade.
O mesmo ocorre em águas onde são descartados resíduos de refrigeração de motores, como em usinas nucleares. A água aquece, reduz a quantidade de oxigênio e alguns organismos sensíveis já morrem pela temperatura, outro morrem pela incapacidade de conseguir o oxigênio que necessita, pois seus órgão respiratórios só conseguem retirar o oxigênio da água.

Quando mergulhamos levamos em nossos cilindros uma reserva de ar para respirarmos durante o mergulho. Logo desenvolveremos tecnologia para retirar o oxigênio da água para usarmos em nossa respiração subaquática. Será? Bem, enquanto isso não ocorre, nos resolvemos com a carga dos cilindros, deixando essa capacidade para seus organismos capacitados naturalmente.


Referências:
Livro: Fisiologia Animal - Adaptação e Meio Ambiente. Knut Schmidt-Nielsen, 5 ed.;
            A Vida dos Vertebrados. F. Harvey Pough, 4 ed.
Imagens:
http://alunosonline.uol.com.br/upload/conteudo_legenda/d9bb470261b63b5bbfd93a57e4b3cf1e.jpg
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAYfAAA/cap-20-equilibrio-acido-basico-hidro-eletrolitico
http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/07/carbonatacao-450x342.jpg
http://images.slideplayer.com.br/30/9522823/slides/slide_5.jpg
http://alunosonline.uol.com.br/upload/conteudo/images/pressao%20de%20um%20gas.jpg
http://lemanjue.com.br/wp-content/uploads/Por-que-nao-devo-consumir-refrigerantes-730x375.jpg
https://desafioint.files.wordpress.com/2014/07/o8exdc.jpg?w=584

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Arraias e tubarões cearenses - características e espécies


Tubarões Lixa no Petroleiro do Acaraú, CE.


O litoral do Estado do Ceará mede aproximadamente 570 km de extensão, onde 19 municípios fazem fronteira com o mar. Apresentando grande extensão de praias arenosas, onde algumas vezes é interrompido por dois tipos de formação: os afloramentos rochosos e os recifes de praia. Diferentes habitats resultam de várias adaptações pelos organismos que buscam condições ambientais propícias para melhor desenvolver suas funções vitais. Isso não é diferente com seres vivos que são encontrados nas aguas marinhas cearense.

Os organismos que mais dominam a maioria dos ecossistemas marinhos são os peixes. A maioria dos peixes marinhos fazem parte da comunidade nectônica, isto é, são seres que têm a capacidade de movimentos ativos e são capazes de nadar e vencer as correntes marítima, e com isso apresentam uma ampla distribuição geográfica, podendo habitar tanto a coluna d’água, quanto apresentar uma estreita relação com o substrato. No Brasil são 1.298 espécies marinhas, mas o conhecimento sobre a diversidade desta fauna ainda não é completamente definido, a cada ano esse número vai aumentando, assim presume-se que a riqueza de peixes seja ainda maior. Para o estado do Ceará são 179 espécies de peixes registradas, dentre eles estão os elasmobrânquios, representados pelas arraias e tubarões.

Os elasmobrânquios são peixes com esqueleto cartilaginoso, possuem grandes maxilares superiores e inferiores, têm de cinco a sete aberturas branquiais separadas. Estão distribuídos em todos os oceanos: em águas tropicais, subtropicais, temperadas e frias. Podem ocorrer desde regiões costeiras até grandes profundidades, ocupando numerosos ambientes como recifes de corais, estuários e águas oceânicas, desde a superfície até áreas profundas.



Função ecológica e a pesca

Os elasmobrânquios constituem um grupo importante para a manutenção dos mecanismos que ocorrem nos ecossistemas aquáticos, motivo esse por ocuparem o topo da cadeia trófica, assim acabam participando de maneira acentuada no equilíbrio de energia no ambiente em que vivem. Essa grande função ocorre também nos mares cearense. Mas os elasmobrânquios estão sofrendo ameaças de sobrepesca existente em aguas alencarinas, isso por conta que de vez ou outra é alvo das pescarias de pequeno porte e na maioria das vezes artesanais, onde quase não existem embarcações munidas especificamente para a pesca de tubarões e raias. Os tubarões são geralmente capturados por barcos que utilizam espinhéis, redes de emalhar ou de arrasto de fundo, com a finalidade de capturar outros recursos pesqueiros. As raias são capturadas principalmente por embarcações artesanais que usam a pesca com anzóis. A sobrepesca além de diminuir o número de indivíduos também atrapalha na identificação dos mesmos, pois muitas das pescas de elasmobrânquio é apenas identificada como cação e raias. 

Uma das alternativas, para tentar reverter o quadro de ameaça sobre as arraias e os tubarões, é o investimento e aplicação do turismo sobre esses animais, onde já acontece em várias regiões do globo terres, como o mergulho, onde é uma boa oportunidade das pessoas conhecerem o verdadeiro temperamento desses animais e estudar esses seres vivos. Segundo registros em literatura cientificas, são cerca de 58 espécies de elasmobrânquios que estão sob o mar cearense. Onde estão distribuídos em 21 famílias, elas são: Hexanchidae; Squalidae; Etmopteridae; Somniosidae; Dalatidae; Ginglymostomatidae; Rhincodontidae; Pseudocarchariidae; Alopiidae; Lamnidae; Triakidae; Scyliorhinidae; Carcharhinidae; Sphyrnidae; Pristidae; Narcinidae; Rhinobatidae; Rajidae; Urolophidae; Dasyatidae; Gymnuridae; Rhinopteridae; Myliobatidae; Mobulidae:



Espécies registradas no Ceará

Tubarões
Os tubarões possuem corpos cilíndricos, com caracteristicas hidrodinâmicos, aberturas branquiais nas laterais da cabeça, nadadeiras destacadas da cabeça e nadadeiras caudais bem desenvolvidas.

  • Hexanchidae:
Heptranchias perlo (Tubarão-de-sete-guelras); Hexanchus griseus (Tubarão-de-seis-guelras); 

  • Squalidae:
Cirrhigaleus asper (Cação-bagre); Squalus cubensis (Galhudo-cubano ou cação-bagre); Squalus grupo megalops (cação–gato); Squalus mitsukurii (Tubarão-bagre ou cação-bagre)

  • Etmopteridae:
Etmopterus bigelowi (Cação-lanterna)

  • Somniosidae: 
Centroscymnus owstoni (xara-preta)

  • Dalatidae:
Isistius brasiliensis (tubarão-charuto)
Tubarão Lixa na Pedra do Paraíso, CE

  • Ginglymostomatidae:
Ginglymostoma cirratum (tubarão-lixa)

  • Rhincodontidae:
Rhincodon typus (tubarão-baleia)

  • Pseudocarchariidae:
Pseudocarcharias kamoharai (tubarão-crocodilo)

  • Alopiidae:
Alopias superciliosus (tubarão-raposa-de-olho-grande ou cação raposa)

  • Lamnidae:
Carcharadon carcharias (tubarão branco); Isurus oxyrinchus (Tubarão-anequim); 

  • Triakidae: 
Mustelus canis (Cação-cola-fina ou boca-de-velha); Mustelus higmani (Cação-diabo)

  • Scyliorhinidae: 
Scyliorhinus sp. (Scyliorhinus besnardi ou Scyliorhinus haeckelii (Cação-gato-pintado))

  • Carcharhinidae:
Carcharhinus acronotus (Tubarão-flamengo); Carcharhinus falciformis (Tubarão-lombo-preto); Carcharhinus leucas (Tubarão-cabeça-chata); Carcharhinus limbatus (Tubarão-salteador ou galha-preta); Carcharhinus longimanus (Tubarão-galha-branca); Carcharhinus obscurus (Tubarão-fidalgo); Carcharhinus perezi (Cação-coralino); Carcharhinus plumbeus (Tubarão-galhudo); Carcharhinus porosus (Cação-azeiteiro); Carcharhinus signatus (Tubarão-toninha); Galeocerdo cuvier (Tubarão-tigre ou jaguara); Negaprion brevirostris (Tubarão-limão); Prionace glauca (Tubarão-azul); Rhizoprionodon lalandii (Cação-frango ou rabo-seco); Rhizoprionodon porosus (Tubarão-pintadinho ou rabo-seco); Carcharhinus maou (Tubarão-galha-branca-oceânico)
Peixe Serra em meio a cardume de xilas

  • Sphyrnidae: (panan/martelo)
Sphyrna lewini (Tubarão-martelo-entalhado); Sphyrna mokarran (Tubarão-martelo-grande); Sphyrna tudes (Cambeva); Sphyrna tiburo (Cambeva-pata); Sphyrna zygaena (Tubarão-martelo-liso); 

  • Pristidae:
Pristis perotteti (Peixe-serra); Pristis pectinata (Peixe-serra)



Arraias
Arraia manteiga no Naufrágio do Pecém
As raias apresentam corpo deprimido dorso-ventralmente, fendas branquiais na porção ventral da cabeça, nadadeiras peitorais fundidas à cabeça e nadadeiras caudais bem desenvolvidas ou em forma de chicote.

  • Narcinidae:
Narcine brasiliensis (Treme-treme)

  • Rhinobatidae:
Rhinobatos lentiginosus; Rhinobatos percellens (cação-viola)
Treme-treme em Abrolhos, BA

  • Rajidae:
Dipturus sp. (Dipturus leptocauda ou Dipturus mennii ou Dipturus trachyderma); Breviraja cf. spinosa

  • Urolophidae:
Urotrygon microphthalmum

  • Dasyatidae:
Dasyatis americana (manteiga); Dasyatis guttata (bico-de-remo); Dasyatis marianae (arraia-de-fogo); Dasyatis geijskesi; Pteroplatytrygon violácea; Himantura cf. schmardae
Cação Viola em Abrolhos, BA 

  • Gymnuridae:
Gymnura altavela; Gymnura micrura

  • Rhinopteridae:
Rhinoptera bonasus; Rhinoptera brasiliensis 

  • Myliobatidae:
Aetobatus narinari (pintada ou chita)

    Arraia de Fogo, Pedra da Risca do Meio, CE
  • Mobulidae:
Manta birostris (Raia-jamanta); Mobula thurstoni (Raia-manta-mirim)