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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Porque não devemos ter medo de tubarões?

Tubarão Lixe e mergulhador em Fernando de Noronha

Tubarões são animais marinhos, que pertencem ao grupo dos elasmobrânquios, os peixes-cartilaginosos. Esses animais que podem medir de 12 metros de comprimento como o tubarão-baleia, até 20 centímetros de comprimento como o tubarão-lanterna.

No século 16 s tubarões eram chamados de ''cachorros do mar'', o nome tubarão só foi mencionado apenas em 1569 por um marinheiro, Sir John Hawkings, que usou a expressão ''sharke'', tubarão em inglês. Assim firmando um nome oficial ao animal.

Os tubarões atualmente são vistos como um perigo, mas eles exercem funções primordiais dentro do ecossistema marinho. O tubarão-tigre tem grande importância ecológica além de sua estada na cadeia alimentar, onde essa espécie normalmente procura sua caça em águas rasas em formações de camas de algas, ele vai em busca de peixes-boi e tartarugas, que se alimentam dessas camas. Porém os peixes-boi e as tartarugas evitam esses locais para não serem caçados, então os tubarões-tigre vão em busca em águas mais profundas, deixando a cama de algas livre para peixes e crustáceos se desenvolverem, compactuando com a pescaria humana e o uso recreativo.
Lixas no Naufrágio Macau, em Fortim

Outra função importante desses animais é a manutenção da salubridade dos oceanos, os tubarões como os leões ou outro carnívoro terrestre se alimenta dos animais mais fracos, doentes, feridos ou mortos. contribuindo com a manutenção de infecções e doenças nas populações de peixes e outros animais marinhos. Esses animais são muito visados também na medicina, onde podem exercer várias atividades, uma delas é o extrato da sua cartilagem que é usada no tratamento de doenças osteo-articulares e de queimaduras.

A alimentação desses animais é baseada em:
Os tubarões carnívoros seguem uma dieta regular de peixes, crustáceos, lulas, polvos, tartarugas, 
raias, leões marinhos e outros tubarões.
Os tubarões filtradores se alimentam de animais microscópicos, zooplânctons, fitoplânctons e macro-algas.

Os tubarões são animais tidos como ameaçadores e perigosos, mas poucos tubarões realmente são perigosos e atacam os seres humanos propositalmente, muitos ataques ocorrem como uma forma de erro, como os tubarões carnívoros podem nós confundir com usuais presas, como tartarugas ou leões marinhos. Os tubarões que mais podem exercer ameaça aos humanos são os: Tubarão-branco, tubarão-touro e tubarão-tigre.

O Tubarão-branco quando ataca um ser humano foi por erro de identificação: o surfista, banhista ou mergulhador são confundidos com o potencial alimento. 

O Tubarão-touro também podem atacar por erro de identificação da presa, mas uma das causas de maior ataque é a relação de banhistas ou mergulhadores como invasores, pois essa espécie é bastante territorialista. O tubarão-touro se sente desprotegido com a presença humana. Porém essa é uma informação pouco informada aos frequentadores das prais.

Já o Tubarão-tigre na maioria de seus ataques está em procura de tartarugas pela costa, e por sua visão pouco aguçada como as outras espécies, confundi o surfista, banhista ou mergulhador como uma presa.

A relação dos homens com os tubarões está muito abalada, o motivo são os ataques que os seres humanos sofreram ao longo do tempo desses animais e a pouco informação gerada em cima desses acontecimentos, levando a população ficar desinformada das causas reais dos acontecimentos.  A maioria dos ataques podem não vir dos animais, por se sentirem ameaçados ou com necessidade de alimentação, muitos desses animais não são vilões dos oceanos, são calmos e podem até interagir de forma positiva com banhistas e mergulhadores, como o tubarão-dormidor e o tubarão-lixa, muito
Tubarão-lixa encontrado na Praia de Fortim.
encontrado no Ceará, uma característica desses animais é que ficam no fundo do mar, são formas de atividades noturnas, assim passando a maioria do dia dormindo. Um dos problemas em ataques com essas espécies é de forma provocativa, onde o animal for perturbado de alguma forma, mexendo em sua cabeça ou puxando sua calda. Assim levantando uma questão muito importante relacionada a esses animais e suas interações com os homens: Quem realmente é o vilão?

O mar é o ambiente desses animais, onde eles desempenham suas funções como todo os outros animais, seja marinho ou terrestre. Mas quando há uma perturbação no ambiente esses animais também sofrem, mesmo sendo visto como um animal muito forte. Um dos casos de maior pertubação no ecossistema marinho é na Praia de Boa Viagem em Recife, onde há um número elevado de registros de ataques desses animais. Porém as causas porque esses ataques ocorrem não é totalmente difundida, assim levando o animal a ser caçado e ainda mais reforçando a imagem vilã do tubarão.

O que provavelmente ocorreu na Praia de Boa Viagem foi o fechamento dos rios que desaguavam no mar, impedindo o acesso dos animais aos rios em busca de alimento, a criação do Porto de Suape que acaba trazendo muitos detritos com os navios, esses detritos acabam sejam despejados no mar, sem acesso aos rios os tubarões vão em busca de alimento onde há mais incidência de peixes e outros animais, perto da orla, pois onde estão os detritos deixados pelos navios criando um novo ecossistema. Sem fazer um apontamento da pesca desenfreada e sem fiscalização, mais um fator importante nessa perturbação, retirando o alimento desses animais.

O Ataque em Fernando de Noronha
Fernando de Noronha é muito visado por suas belezas naturais e por não haver essa ''ameaça animal'' aos frequentadores. Após 20 anos de monitoramento na área foi registrado o primeiro ataque a um banhista no mês de dezembro de 2015. Fernando de Noronha é um local muito preservado, onde se há um equilíbrio entre a vida marinha e a interatividade humana, quando se pretende mergulhar há uma precaução, onde o mergulhador deve contatar uma empresa regularizada para poder fazer seu mergulho. Os banhistas não fogem as regulamentações do lugar, onde todos devem usar coletes para poder desfrutar as belezas naturais do local.

O ataque ao banhista ocorreu no dia 21 de dezembro deste ano, ao um turista que estava na praia do Sueste, uma das mais frequentadas do lugar. A vítima foi o contador Márcio de Castro Palmas, de 32 anos. Onde ele relata que estava no mar com profundidade de dois metros observando os peixes, quando observou uma movimentação, com a água turva ele não pode observar o animal de fato. Mas ele relata que não foi muito bem informado sobre tubarões na área, sendo restrita apenas ao fato que haviam tubarões pequenos e que não tinham força de lhe machucar. O animal que atacou o turista foi um tubarão-tigre, que foi constatado pela mordida do animal. Como citado anteriormente esses animais tem a visão pouco limitada, e a água com visibilidade turva como relatada pelo turista evidencia o fator de o tubarão estaria em busca de seu alimento, as tartarugas. Confundindo o contador que estava de colete salva-vidas com uma presa. O que é mal informado pela mídia é o fato de que na praia do Sueste não ocorrem apenas tubarões-lima e tubarão-lixa, que vivem em águas mais profundas, e não possuem dentição para arrancar algum membro de uma pessoa ou animal, por sua adaptação de alimentação. Ocorre também o tubarão-tigre, como é omitido pela mídia, no local há um grande número de tartarugas que são alimento pra esse animal, assim um turista observando essas tartarugas se torna visado, sendo confundido com uma.

Ataques no Ceará
Na nossa terra também temos tubarões, mas há poucos ataques aos frequentadores das praias, onde quando se mergulha se encontra em maior quantidade o tubarão-lixa, que é um animal dócil e de fácil interação. Onde cabe ao frequentador se informar do histórico da praia com um salva-vidas ou bombeiros, para saber os riscos de sofrer um ataque.
Tubarão-lixa preso em rede fantasma.


Devemos atentar que esses animais são silvestres e seguem seu instinto de alimentação como outros animais, a maioria dos problemas de ataques é a interação de forma totalmente negativa a vida marinha. Essa vida está sendo ameaçada de todas as formas possíveis, onde ela é frágil e tende a se desenvolver menos. Não só os tubarões sofrem com a pesca desenfreada, a descarga de lixo nos mares, teste com bombas em meio aos mares fragilizando e matando muitas formas marinhas.


Os tubarões são pescados a toneladas todos os dias, e mutilados, para o uso no prato de sopa de barbatana de tubarão. Não se descrimina fêmeas grávidas, filhotes ou adultos em períodos reprodutivos, não se tem nem a pesca de forma sustentável, sendo criada em cativeiro o que seria o correto para o consumo, não sendo retirada de seu habitat natural para o prato de alguém. Mas isso ocorre com qualquer vida terrestre. Foi capturado mais de 1,500 toneladas de tubarões azuis para o uso em culinária, em 2008, como informa o Ministério do Meio Ambiente. Tentando combater esse crime ambiental em 2014 foi publicada uma Instrução Normativa Interministerial, pelos Ministério da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente, exigindo o desembarque de tubarões e raias com todas as nadadeiras aderidas ao corpo, sendo retiradas após fiscalização, garantindo a erradicação da prática errônea.

Mergulhador Ruver Bandeira mergulhando com tubarões-cinzentos-do-recife, Em Nassau, Bahamas.
É importante atentar que esses animais, quando em seus ecossistemas totalmente equilibrados e não sofrendo essa interação negativa, são totalmente estáveis e pode-se mergulhar e observa-los de perto com pouca porcentagem de risco, como são animais silvestres deve-se sempre atentar a instruções de como agir e obedecê-las, tendo precaução em todos os momentos em que estiver em contato com os animais, conversar com mergulhadores experientes e buscar instrução é a melhor forma de se obter essa experiência única e engrandecedora da observação e conhecimento da vida marinha.

Os mergulhadores tem esse prazer de ver mais de perto esses animais, o mergulho com tubarões é totalmente viável, quando se  tem consciência ecológica de preservação, o vislumbre dessas formas de vida já uma dádiva concedida. 

Mergulho com tubarão Galha Preta em Abrolhos (BA).


Tubarão-Lixa solto de uma Rede de Pesca por Mergulhadores, Naufrágio Macau.
              
Referências:
http://noticias.terra.com.br/ciencia/animais/nao-ha-motivo-para-ter-medo-de-tubarao-afirma-biologo,781eb30ff54f0410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html
http://pt.wikihow.com/Superar-o-Medo-de-Tubar%C3%B5es
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/e-para-ter-medo/
http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/ameaca_a_tubaroes_desestabilizam_ecossistemas.html
http://topbiologia.com/menor-tubarao-do-mundo/
http://www.mundodosanimais.pt/peixes/fotos-tubaroes/
http://mundo-marinho.mundoentrepatas.com/os-tubaroes.htm
http://www.naturezaeconservacao.eco.br/2015/02/tubaroes-sera-mesmo-que-sao-os.html
http://www.saudeanimal.com.br/tubarao.htm
http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/ameaca_a_tubaroes_desestabilizam_ecossistemas.html
http://www.felixlandiamg.com.br/portal/index.php/component/content/article/22-ultimasnoticias/938-por-que-os-tubaroes-atacam-os-seres-humanos
http://www.biologo.com.br/tubarao/ataque.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tubar%C3%A3o#Etimologia_e_significado
http://navegadormarroquino.blogspot.com.br/2013/01/brasil-tubaroes-assassinos-ou-vitimas.html
http://ambienteediversidade.blogspot.com.br/2013/07/causas-dos-ataques-de-tubarao-em-recife.html
http://www.oeco.org.br/blogs/especies-em-risco/27234-o-pacifico-tubarao-lixa/
http://ciencia.hsw.uol.com.br/ataques-de-tubarao.htm
http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2015/12/bati-nele-para-soltar-mas-ja-estava-sem-braco-diz-vitima-de-tubarao.html
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/12/banhista-atacado-por-tubarao-em-fernando-de-noronha-perde-um-braco.html
http://www.opovo.com.br/app/fortaleza/2015/01/30/noticiafortaleza,3385593/relembre-casos-de-tubarao-na-orla-cearense.shtml

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Esponjas do Mar: são Animais ou Plantas?

Por João Ravelly

As Esponjas do Mar são os organismos mais simples dentre aqueles que possuem muitas células, os multicelulares. São consideradas bastante plesiomórficas, ou seja, que conservam muitas características basais que estavam, com poucas mudanças, presentes no ancestral bem antigo.


Diversidade de Esponjas.
São animais que não apresentam órgãos ou tecidos verdadeiros, constituídos, basicamente, por uma massa celular embebida em uma substancia gelatinosa e enrijecida. Apresentam crescimento variado desde eretas bem simples a bastante ramificada, além de incrustadas nas rochas e perfuradoras de conchas. A forma de crescimento desses animais pode variar conforme as condições ambientais diversificando seu tamanho de poucos milímetros a metros de diâmetro, tendo seu crescimento sustentado por um conjunto de filamentos compostos de carbonato de cálcio ou sílica podendo ainda possuir uma malha de fibras orgânicas composta por esponginina.


Diversidade de formas de vida de Esponjas.
Apresentam coloração forte como forma de proteção contra a radiação solar ou como defesa de predadores, uma vez que na natureza cores fortes comumente indicam perigo. Ocorrem desde águas mais rasas a águas profundas de forma que seus indivíduos adultos crescem fixos a rochas, naufrágios e, até mesmo, em solos inconsolidados. 

No mundo todo há registro de cerca de 8 mil espécies de esponjas com cerca de 150 de água doces. No Brasil são encontradas 330 delas com 44 espécies de água doce. No Ceará esse grupo de animais ainda é pouco estudado, tendo sido registrado menos de 60 espécies ocorrendo no estado.


As esponjas são utilizadas por diversos outros organismos (crustáceos, equinodermos, poliquetas, peixes) como local de proteção e desova uma vez que o corpo desses animais apresenta uma complexa organização tubular, pela qual a água passa carregando alimento. Outra relação curiosa é o fato deles também hospedarem microorganismos como bactérias, fungos, algas, e utilizarem de compostos por eles produzidos como forma de nutrição, podendo até 50% do volume corporal da esponja ser representado por esses organismos. 


Associações de Esponjas com outros organismos.

O corpo das esponjas, como já foi dito, é constituído por uma rede de tubos que variam em número e complexidade. A entrada desses tubos é chamada de Óstios que são poros numerosos, enquanto que os Ósculos, que são as saídas, são aberturas maiores e em número reduzido. Possuem uma cavidade interna chamada de Espongiocele ou Átrio, que recebe o fluxo de água dos canais do corpo do animal e conduz para o óstio.

Estrutura corporal de uma Esponja.

Essa conformação corporal pode ser classificada de três formas. A primeira são as Asconóides, mais simples, são organismos tubulares e afilados, crescem em grupos. A segunda são as Siconóides, também são tubulares, mas apresentam uma parede corporal mais espessa e mais complexa com câmaras e um revestimento diferenciado na espongiocele. A última é bem mais complexa e apresentam um porte maior, são as Leuconóides, que são a maioria em águas rasas e em água doce.


Formas estruturais das Esponjas.
Suas células são diferenciadas e realizam funções diferentes. Dentre elas as que são de fundamental importância para as esponjas são os Coanócitos, um tipo de célula das esponjas que são responsáveis por gerar, com a movimentação de seus flagelos, um fluxo de água que carrega partículas de alimento para as esponjas, além de retirar essas partículas com um colarinho que fica na base do flagelo.
A alimentação delas é por filtração pelos coanócitos, que retiram da água partículas e as passa célula a célula; por relação com microorganismo, ou, no caso das mais especializadas, por predação de pequenos crustáceos, sendo elas bastante confundidas com hidras de cnidários por apresentar espículas modificadas que lembram os tentáculos deles.


Quanto à reprodução, as esponjas podem se reproduzir por Fragmentação, quando acidentalmente uma parte do indivíduo e arrancada e ela apresenta a capacidade de gerar um novo indivíduo; Brotamento, quando partes especializadas do animal geram uma protuberância que depois se desprende do animal e gera um novo, podendo formar estruturas de resistência a intempéries do meio; ou de forma Sexuada quando coanócitos e arqueócitos se diferenciam em gametas e são liberados pra fecundação na coluna d’água ou ser fecundado no indivíduo que produz o óvulo e só ser liberado quando formar uma larva Parenquímela que se fixará e constituirá um novo indivíduo.


Reprodução por brotamento em Esponjas.
As esponjas pertencem ao Filo Porifera, recebendo esse nome por conter poros, e possuem três Classes: Calcarea, esponjas calcárias, marinhas, pequenas e em forma de vaso; Hexactinellida, que são conhecidas como “esponjas de vidro” por possuírem espículas de sílica, vivem em águas de 400 a 900 metros de profundidade; e Demospongiae, que são 95% das esponjas vivas atualmente e são as mais conhecidas.
Esponja encontrada em mergulho.

Os peixes, as tartarugas, as estrelas do mar, os moluscos, são os principais predadores das esponjas, sendo eles responsáveis por controlar o crescimento delas, além da competição por recurso com outros organismos como os corais

As esponjas possuem uma grande importância ecológica, econômica, social, histórica e cultural. Na ecológica são valiosíssimas ao filtrar a água retirando matéria orgânica pra se alimentar, servem de alimentos para outros animais, relacionam-se com microorganismos, servem de bioindicador. Na histórica, cultural e social as “esponjas de vidro” são usadas em alguns países como símbolo de amor entre os casais, além das esponjas sem espículas que foram e são usadas como esponja de banho.


Diversidade marinha.
São economicamente importantes na extração de medicamentos como o Aciclovir que é antiviral, o Citarabina e o Eribulina que são anti-oncogênico; são usadas como filtro pra retirar partículas da água; geram prejuízos em cultivos de moluscos, pois algumas perfuram as conchas deles, entre diversas outras importâncias que podem não ter sido descobertas ainda.


Por isso devemos preservar esses animais, evitando quebrá-las e coletá-las sem fins científicos, preservando seus predadores e suas presas, para garantir um equilíbrio do ecossistema marinho para podermos aproveitar ao máximo de suas belezas.




Fontes:
Livro - Zoologia dos Invertebrados Barnes, Robert D. - Ruppert, Edward E. - Fox, Richard S.;
*As imagens e vídeos foram retirados da internet e todos os direitos devem ser atribuídos à seus idealizadores.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Corais: como vivem e por que estão sofrendo branqueamento?

Mergulhador junto a corais e esponjas em Natal, RN.
Os Corais
São animais do filo dos Cnidários e do táxon Anthozoa. O nome desse filo veio da palavra knide que tem origem no latim e significa urtiga (o que remete a característica dos animais desse filo provocarem "queimaduras") e além de ser o filo dos corais, é o filo dos polipos, medusas, anêmonas, caravelas e de outros animais. O táxon dos Anthozoa ou "Animais-flor" é uma subdivisão dos Cnidários e é a classe dos corais, anêmonas, gorgônias entre outros tipos de animais.
Polychaeta sobre um conjunto de corais

Os corais são carnívoros oportunistas (capturam as presas quando elas nadam ou derivam em contato com eles) e podem se reproduzir de forma clonal, por brotamento ou fragmentação. Portanto, se um mergulhador que não controla a sua flutuabilidade ou não possui consciência ecológica, quebra os corais ao entrar em contato com eles, estará prejudicando a reprodução desse animal.

Um recife de coral não é formado apenas por corais, mas por um conjunto de seres vivos que vivem associados à outros animais e fazem com que o recife seja um ecossistema altamente complexo e rico em vida marinha. Os corais secretam um exoesqueleto de carbonato de cálcio (aragonita), o que faz com que o recife esteja sempre sobre uma "grande rocha".

Enquanto uma colônia de corais está viva, carbonato de cálcio novo é depositado abaixo dos tecidos vivos. Essa deposição aumenta o diâmetro e a espessura do exoesqueleto do coral, o que faz com que o tamanho do recife aumente.

A deposição de carbonato de cálcio e o crescimento do animal variam diária e sazonalmente com a temperatura e com a luz. Assim, muitos corais exibem faixas de crescimento sazonais como os anéis das árvores, que podem ser evidenciados em imagens de radiografia que determinam a idade e a taxa de crescimento do ser vivo. Muitos corais crescem somente 0,3 a 2,0 centímetros por ano. Os corais normalmente são encontrados em ambientes de águas rasas nos trópicos, ensolaradas e pobres em nutrientes.

Alguns desses animais realizam mutualismo (associação entre dois seres vivos que gera benefício aos dois) com algas fazendo com que os corais fiquem com a tonalidade desses organismos fotossintetizantes, as algas oferecem derivados da fotossíntese e oxigênio ao coral em troca de habitat protetor e nutrientes como fosfato (PO4), amônia (NH3) e gás carbônico (CO2).

Mergulhador e coral no Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio.


O Branqueamento
Em condições adversas, esses animais expelem parte ou todas as algas que estão associadas. Com a perda das algas pigmentadas, o esqueleto calcário branco é, então, visível através do tecido transparente, e é dito que o coral sofreu branqueamento. Os estresses causadores do branqueamento podem ser sub ou sobre iluminação, excesso de exposição UV, flutuação de salinidade e mudanças de temperatura.

Em razão de muitos corais viverem em temperaturas da água perto do limite superior letal, uma elevação de temperatura de apenas 1°C pode ser suficiente para induzir o branqueamento. Episódios extensos de branqueamento de corais, registrados nos últimos 20 anos, podem ser ligados ao efeito estufa.

O branqueamento de um coral não é sempre completo e não resulta sempre na mortalidade do coral, especialmente se o período de tensão ambiental não for prolongado.

Apesar de belos, esses animais podem ferir o ser humano devido a presença de estruturas chamadas de coanócitos que provocam as "queimaduras" características do filo desse animal. Diante disso, nunca pegue em corais pois você pode se machucar ou machucar o animal.

Fotos:
Marcus Davis

Referências:
  • Zoologia dos Invertebrados de Ruppert, Edward E. 7° edição, 2005
  • Ecologia: De Indivíduos a Ecossistemas de Begon, Michael 4° edição 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Pesca com Ponteira Explosiva no Ceará

por Paula Christiny
Tiro com ponteira explosiva. Fonte: http://www.guns.com/


Em uma de suas expedições ao Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio, que está localizado no litoral do município de Fortaleza, a equipe do Mar do Ceará encontrou um cartucho de munição de espingarda calibre 12, conhecida pelo alto poder destrutivo. Este achado levanta a questão sobre o que ele estaria fazendo ali, já que, existem leis que têm como objetivo de proteger o local, uma dessas medidas proibiriam artefatos como esses no parque.
Cartucho calibre 12 encontrado no Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio

Depois de pesquisas na internet, pode se afirmar que a presença daquele cartucho prova que a modalidade de pesca com ponteira explosiva está acontecendo no Estado. Durante a pesquisa percebe-se que o assunto é tratado de forma indireta, sendo discutido apenas em fóruns relacionados à pesca ou sites estrangeiros. Tal prática, que é extremante nociva ao ambiente marinho, pelo visto, infelizmente, não é novidade em águas cearenses, como é citado nesse fórum:


Pesca com ponteira explosiva se trata do uso de uma ferramenta conhecida como ponteira ou powerhead presa ao arbalete de pesca com arpão, sendo que o cartucho é disparado junto ao arpão. Tais artefatos são utilizados originalmente na eliminação de grandes predadores como tubarões e jacarés.

O Powerhead. Fonte: http://www.guns.com/
Os powerheads estão disponíveis em grande variedade no mercado estrangeiro, principalmente no norte americano. Podem ser utilizados com munição de pistola, fuzil e espingarda de calibre 12, 22 e 357. No Brasil a venda é proibida, já que os mesmos se encaixam na categoria de arma de fogo, que são definidas por peritos como: engenhos mecânicos destinados a lançar projéteis, pela ação explosiva de gases oriundos da combustão da pólvora. 

É importante dizer que o uso do powerhead é crime, pois o Estatuto do Desarmamento criminaliza o transporte de munição, em desacordo com a lei ou regulamentação vigente. 

Estatuto do Desarmamento - Lei 10826/03 | Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003:

Art. 14. Portar, deter, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição, de uso permitido, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar.
Pena - reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.
Parágrafo único. O crime previsto neste artigo é inafiançável, salvo quando a arma de fogo estiver registrada em nome do agente. (Vide Adin. 3.112-1)

Além disso, o IBAMA proíbe o uso de determinados engenhos explosivos na pesca, como está explicitado na lei federal 9.605, de 12 de fevereiro de 1998:

Art. 35. Pescar mediante a utilização de:
I – explosivos ou substâncias que, em contato com a água, produzam efeito semelhante;

Mesmo assim, diante de leis que proíbem as práticas citadas, elas ainda ocorrem na região Nordeste, como nesse outro fragmento retirado da internet:



Encontrar uma prova da ocorrência deste tipo de atividade no Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio é alarmante. Ele é morada de complexos recifes de corais e outras espécies marinhas que compõe um verdadeiro paraíso para a vida marinha. Todo esse ecossistema é muito sensível e delicado, o parque foi criado visando preservar a fauna e a flora da área. Com a criação do espaço vieram uma série de restrições que buscam diminuir os danos causados pelos humanos, algumas delas tratam da pesca. Onde são proibidas as modalidades de pesca: com caçoeira; pesca submarina, seja com compressor ou arpão; pesca de arrasto; o infrator está sujeito às penalidades cabíveis. É permitida apenas a pesca artesanal e esportiva com linha e anzol. 

Relatos mostram o quanto um tiro com a ponteira pode ser nociva ao animal, isso quanto não põe outros pescadores em risco:

Depois do que foi dito ao longo do texto, fica claro os perigos da pesca com ponteira explosiva. O Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca é um frágil presente da natureza, onde qualquer intervenção pode trazer danos irreversíveis. Cabe a cada um que é seu usufrutuário ser um vigilante e um protetor daquele local.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Fauna Marinha Cearense - Lanceta

Lanceta no Cabeço do Balanço, Parque Estadual Marinho, Fortaleza, CE

por Antonio Williame

Nome científico: Acanthurus chirurgus

Nomes comuns: Peixe-cirurgião, cirurgião, lanceta.

Status internacional: Não Ameaçado.

Distribuição: Peixe tropical encontrado no Atlântico Ocidental, em uma região que se estende desde Massachusetts (EUA) até São Paulo (BR), passando pelo Golfo do Mexico e o Caribe, além da Costa Oeste Africana. 

Habitat: Peixe associado a recifes de corais submersos ou áreas rochosas, encontrado em profundidades que variam de 2 a 25 m e temperaturas que variam de 22 a 25° C. 

Tamanho: Alcançam até 39 cm de comprimento. 

Descrição: Esta espécie é caracterizada por possuir corpo comprimido lateralmente, apresentando coloração cinza, que pode variar ao marrom, com presença de 10 barras verticais escuras, estreitas e espaçadas na região lateral. Apresentam nadadeiras levemente marginadas com coloração azul, com presença de espinhos e raios nas nadadeiras dorsal e anal. A principal característica que da o nome popular a essa espécie, é a presença de dois espinhos afiados na forma de bisturi, presentes no pedúnculo caudal, um em cada lado do corpo do animal, marginado por um anel azul. O animal usa esses espinhos para se defender de predadores. 

Dieta: Forrageiam algas e detritos incrustrados em rochas e recifes de corais para se alimentar durante o dia, seus dentes são dispostos em uma única fileira e são especializados para arrancar algas do substrato, um órgão semelhante a uma moela presente no intestino, ajuda a triturar o alimento ingerido. 

Reprodução: Apesar de apresentarem hábitos diurnos, a desova acontece durante a noite, em grandes agregações de desova quando as águas se aquecem, normalmente na lua cheia. Cada fêmea libera milhões de ovos que são fertilizados pelos machos, cada ovo possui menos que um milímetro de diâmetro e flutua na coluna d’água graças a uma gotícula de óleo que diminui sua densidade. Os ovos eclodem em 24 horas, as minúsculas larvas são translúcidas e comprimidas lateralmente em forma de diamante, com uma cabeça em forma de triângulo apresentando olhos grandes. As nadadeiras peitorais são proeminentes, somente após atingirem de 2 a 6 mm de comprimento as nadadeiras dorsal e anal se desenvolvem. O “bisturi” começa a se desenvolver a partir de 13 mm de comprimento. As espinhas dorsais e anais proeminentes se reduzem, enquanto o bisturi fica maior. A metamorfose completa leva cerca de uma semana, os juvenis crescer rapidamente, atingindo a maturidade sexual em apenas nove meses. 

Curiosidades: Formam cardumes e devido sua beleza, é cultivado em aquários como espécie ornamental e facilmente encontrado nos mares cearenses. 


Fonte: 
FishBase 
Florida Museum of Natural History

domingo, 13 de outubro de 2013

Fauna Marinha Cearense - Baiacú Cofre


Baiacú Cofre na Pedra da Risca do Meio em Fortaleza.

Nome científico: Acanthostracion polygonia

Nomes comuns: Baiacú de Chifre, Baiacú Cofre.

Status internacional: Não Ameaçado.

Distribuição: Na costa oeste do Atlântico de New Jersey nos EUA ao sul do Brazil, incluindo Antilhas e Caribe, mas ausente no Golfo do México.

Habitat: Peixe recifal encontrado em recifes submersos de 3 a 80m.

Tamanho: Máximo 50cm.

Descrição: Possui padrões hexagonais distribuídos por todo o corpo com a área entre eles dourada ou branca. Coloraçao azulada no ventre, lados e nadadeira.

Dieta: Alimenta-se de pequenos camarões, esponjas e algas. 

Curiosidades: Muito comum nos mares do nordeste, apresenta reações diversas a mergulhadores.

Fonte:
FishBase
Humann, DeLoach; Reef Fish Identification - Florida, Caribbean, Bahamas; 3a Edição, New World Publications, Inc.

domingo, 12 de maio de 2013

Fauna Marinha Cearense - Galo de Bodega

Cardume de Galos no Naufrágio do Macau, em Aracati, CE.
Nome Científico: Selene vomer

Nomes comuns: Galo, Galo de Bodega, Lookdown

Status internacional: Não Ameaçada.

Distribuição: É comum da Florida ao sul do Uruguai. Ocasionalmente encontrada todo o Atlântico ocidental.

sábado, 30 de março de 2013

Fauna Marinha Cearense - Guarajuba Amarela


Nome Científico: Canax bartholomaei

Nomes comuns: Guarajuba, Guarajuba Amarela, Yellow Jack

Distribuição: Atlântico sul e Caribe da Florida ao sul do Brasil.

Habitat: Nadam ao redor de recifes submersos, mais comuns em recifes off-shore.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Fauna Marinha Cearense - Salema



Nome Científico:  Anisotremus virginicus

Nomes comuns: Salema, Salema branca, Frade, Ferrugem

Status internacional: Não Ameaçada.

Distribuição: Atlancico ociendal, da Florida ao sudeste do Brazil, incluindo Golfo do México e Caribe.

Habitat: Recifes, de 2 a 30m de profundidade.

Tamanho: Médio 25cm / Máximo 41cm.

Descrição: Corpo listrado com amarelo e prata azulado. Possui duas listras pretas na cabeça: uma vai da boca a parte superior do olho e a outra na altura das guelrras. da nadadeira dorsal a nadadeira peitoral.

Peso: Máximo 930gr.

Dieta: Se alimenta a noite de moluscos, equinodermos, crustáceos e anelídios.

Curiosidades: Muito como nos recifes da Pedra da Risca do Meio e naufrágios da região.

Fonte:
FishBase

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Fauna Marinha Cearense - Peixe Pedra



Nome científico: Scorpaena plumieri

Nomes comuns: Peixe Pedra (Ceará), Peixe Escorpião(Sudeste), Mangangá (Bahia);

Distribuição: Na costa oeste do Atlântico de New Jersey nos EUA ao sul do Brasil, incluindo Antilhas, Caribe e Golfo do México.

Habitat: Peixe recifal encontrado em recifes submersos de 5 a 60m.

Tamanho: Máximo 45cm.

Descrição: Possui três barras escuras verticais na nadadeira caudal, várias tonalidades de marrom e pontos brilhantes na parte de trás de suas nadadeiras laterais.

Dieta: Alimenta-se de pequenos peixes e crustáceos;

Curiosidades: Muito comuns nos recifes da Pedra da Risca do Meio e do litoral do Ceará como um todo. Permanece imóvel camuflado no fundo. No dorso possui espinhos com veneno que pode causar dores e fortes inflamações. Recomenda-se cuidado.

Fonte:
FishBase
Humann, DeLoach; Reef Fish Identification - Florida, Caribbean, Bahamas; 3a Edição, New World Publications, Inc.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Fauna Marinha Cearense - Mero


Nome Científico: Epinephelus itajara

Nomes comuns: Mero, Merote (pequeno), Garoupa, Canapú.

Status internacional: Criticamente em perigo!

Distribuição: No Atlântico Ocidental da Florida ao sul do Brasil, incluindo Caribe e Golfo do México; Atlântico Oriental do Senegal ao Congo, sendo raro na ilhas Canárias

Habitat: Estuários e próximo a recifes e naufrágios, a uma profundidade média inferior a 46m chegando a 100m.

Tamanho: Médio 150cm / Máximo 250cm.

Descrição: Espinhos dorsais (total): 11; Raios dorsais (total): 15-16; Espinhos anais 3; Raios anais : 8. Cabeça alongada. Nadadeiras anteriores menores que as toráxicas. As bases das nadadeiras anteriores, posteriores com manchas claras en sua coloração verde escura.

Peso: Máximo 455 kg.

Dieta: Se alimenta basicamente de crustáceos, principalmente a lagosta. Mas também pode se alimentar de tartarugas, peixes e até arraias.

Curiosidades: Um peixe dócio apesar do seu tamanho, não se assustando facilmente na presença de mergulhadores. Pode emitir sons, como "estouros" para afugentar predadores. São avistados com certa frequencia em grandes naufrágio no Ceará.


Fonte:
FishBase

terça-feira, 13 de março de 2012

Fauna Marinha Cearense - Tartarugas de Pente

Tartaruga de Pente, em Marambáias da Risca do Norte, Fortaleza, CE

Nome Científico: Eretmochelys imbricata

Nomes comuns: de pente ou legítima

Status internacional: Criticamente ameaçada (classificação da IUCN)

Status no Brasil: Criticamente ameaçada

Distribuição: é considerada a mais tropical de todas as tartarugas marinhas e está distribuída entre mares tropicais e por vezes sub-tropicais dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico, sendo muito comum no Ceará.

Habitat: prefere recifes de corais e águas costeiras rasas. Pode ser encontrada, ocasionalmente, em águas profundas

Tamanho: até 114 cm de comprimento curvilíneo de carapaça no Brasil

Peso: podem pesar até 150kg

Casco (carapaça): quatro placas laterais de cor marrom e amarelada, que se imbricam como telhas e dois pares de escamas pré-frontais

Cabeça: relativamente pequena e alongada. A boca se assemelha ao bico de um falcão e não é serrilhada. Dois pares de escamas pré-frontais

Nadadeiras: anteriores (dianteiras) e posteriores (traseiras) com duas unhas (garras)

Dieta: esponjas, anêmonas, lulas e camarões; a cabeça e o bico estreitos permitem buscar o alimento nas fendas dos recifes de corais

Estimativa mundial da população: 34 mil fêmeas em idade reprodutiva

Curiosidades: Desova no litoral norte da Bahia e Sergipe; e no litoral sul do Rio Grande do Norte. Há ainda outras áreas com menor concentração de desovas, mas que devem ser ressaltadas: Paraíba, Ceará e Espírito Santo. Há evidências de desovas regulares, mas também em menor número, no estado de Pernambuco e no norte do Rio Grande do Norte.


Fonte:

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Fauna Marinha Cearense - Tartaruga Verde

Tartaruga Verde (Aruanã) no Cabeço do Balanço, um dos pontos do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio em Fortaleza, CE.
Nome Científico: Chelonia mydas

Nomes comuns: Verde ou Aruanã

Status internacional: Ameaçada (classificação da IUCN)

Status no Brasil: Vulnerável

Distribuição: ocorre nos mares tropicais e subtropicais, em águas costeiras e ao redor das ilhas, sendo freqüente a ocorrência de juvenis em águas temperadas

Habitat: habitualmente em águas costeiras com muita vegetação (áreas de forrageio), ilhas ou baías onde estão protegidas, sendo raramente avistadas em alto-mar

Tamanho: até 143cm de comprimento curvilíneo de carapaça

Peso: geralmente até 200kg. O maior registro no mundo foi de 395kg

Casco (carapaça): quatro pares de placas laterais de cor verde ou verde-acinzentado escuro; marrom quando juvenis

Cabeça: pequena, com um único par de escamas pré-frontais e uma mandíbula serrilhada que facilita a alimentação

Nadadeiras: anteriores (dianteiras) e posteriores (traseiras) com uma unha visível

Dieta: varia consideravelmente durante o ciclo de vida: enquanto filhote é uma espécie onívora com tendências à carnivoria, tornando-se basicamente herbívora a partir dos 25/35cm de casco. Alimentam-se basic

Estimativa mundial da população: 203 mil fêmeas em idade reprodutiva

Curiosidades: As desovas ocorrem principalmente nas ilhas oceânicas, Ilha da Trindade (ES), Atol das Rocas (RN) e Fernando de Noronha (PE). Na costa brasileira, áreas de desova secundárias ocorrem no litoral norte do estado da Bahia. Esporadicamente ocorrem também ninhos nos estados do Espírito Santo, Sergipe e Rio Grande do Norte.

*Nota do Autor: Temos visto com frequência exemplares dessa espécie no Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio, em Fortaleza, CE.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A Lagosta no Ceará: do desprezo ao declínio


Lagosta Cabo Verde


Um breve resumo da exploração comercial da lagosta no Ceará

Quem diria que há 60 anos atrás nossas praias eram infestadas de lagostas, animal que hoje é difícil de se ver até em águas mais profundas. Isto só acontecia porque as lagostas eram desprezadas como alimento pelos cearenses da época. Já naqueles tempos a lógica dos pescadores ainda que inocente tinha algo de preservacionista: não se comia as lagostas pois elas eram consideradas as "mães" dos camarões e se as pescassem não haveria mais camarões, crustáceos já explorados comercialmente na ocasião.

A lagostas andavam livremente pelas praias e pelos recifes a beira mar do Mucuripe e Iracema. O absurdo é tanto que as vezes era necessário até espanta-las! Foi somente em 1952 com a chegada do casal francês Charles Dell'Eva e Lúcia Paulette Dell'Eva que essas iguarias passaram a ser consumidas pelos fortalezenses. A historia da família Dell'Eva dá um artigo a parte: veterano da segunda guerra, Dell'Eva veio ao Brasil por acaso quando partira da França em busca de novas oportunidade em Caracas, na Venezuela. Vieram a bordo do pequeno barco Bluette e aportaram no Maranhão. Depois de algumas empreitadas o casal fora convidado para trabalhar no restaurante do Náutico Atlético Cearense, clube que na época era um local de prestígio na sociedade onde se reunia a nata da "aristocracia" cearense. Depois de alguns anos como chef do resturante Náutico, Charles recebeu uma proposta irrecusável do Ideal Clube, concorrente do Náutico. Resolvidas as formalidades o Ideal passou então a ser alvo de manchetes dos jornais da época em que exaltavam as habilidades do chef francês. Este casal francês também foi responsável pela criação do restaurante "Lido", na Praia de Iracema.

Em 1955 apareceu por estas bandas o norte-americano Devis Hakerman Morgan, ex-coronel da Força Aérea America que serviu no nordeste durante a II Guerra e que explorou ilegalmente a lagosta, exportando toneladas principalmente para a França onde era amplamente valorizada. Seja como for, Morgan montou a primeira empresa de beneficiamento do crustáceo no país e em menos de cinco anos já existiam pelo menos outras sete.

Não se sabe ao certo mas provavelmente entre 1956 e 1958 naufragou próximo ao quebra-mar do Titan que na época ainda estava sendo construído, um barco com cerca de 30m de comprimento chamado Denise que trazia consigo seis ou sete imigrantes europeus. Esses náufragos viajavam com destino a América Central mas alguns dias após terem partido da Europa seu motor explodiu e a embarcação ficou a deriva. Passaram cerca de 50 dias a mercê das correntes quando se chocaram contra o espigão do Mucuripe durante a noite. Acolhidos pela família Dell'Eva, entre eles estava um outro francês chamado Paul Mattei que logo foi convidado para trabalhar no restaurante da família. Mattei não demorou a perceber a oportunidade de negócio, conseguiu alguns investidores e montou sua própria empresa de exportação de lagosta.

Assim como os Dell'Eva e apesar de ser uma figura controversa, Paul Mattei é considerado um dos responsáveis pelo desenvolvimento da indústria da lagosta no Estado. O desenvolvimento foi tanto que logo os franceses que eram nossos principais clientes se interessaram em explorar o pescado. No início da década de 60 pescadores franceses eram avistados com frequência pescando em nossas águas. Este fato gerou um entrave que ficou conhecido como a Guerra da Lagosta.
Lagosta ovada. Foto Marcus Davis.

Hoje o crustáceo não é mais abundante. Na verdade é até difícil de encontrar em áreas costeiras sendo necessário se afastar dezenas de quilômetros para vermos algumas. O comércio da lagosta hoje está em declínio no Ceará. As histórias daquela época sobre a abundância de espécies marinhas parecem hoje irreais. Métodos de pesca ilegais, desrespeito aos períodos de defeso são apenas alguns fatores que contribuem para o sumiço da lagosta e de outras espécies. Devemos lembrar que os vários métodos e pesca são apenas meios para saciar a demanda do crescente e desenfreado crescimento populacional que necessita cada vez mais alimentos. Os prognósticos não são muito favoráveis ao meio ambiente.


Fontes:
Caravelas, Jangadas e Navios - Uma História Postuária; Rodolfo Espinola; Editora Omni 2007.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Lagostas do Ceará: A Vermelha e a Verde!

Aprenda a diferenciar as duas espécies de lagosta mais comuns no Ceará!

Lagosta Vermelha
 A Lagosta "Vermelha" tem tonalidades mais claras, com patas roxas até a metade e amarelas até a extremidade. Normalmente crescem mais e e são mais abundantes, sendo observadas em praticamente todos os mergulhos realizados no Ceará.



Lagosta Verde
A Lagosta "Verde", ou "Cabo Verde" (em referencia a cauda) tem tonalidades escuras e esverdeadas, suas patas são listradas do início ao fim sendo também esverdadas próximo às extremidades. Não crescem tanto como as vermelhas.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Fauna Marinha Cearense - Beijupirá

(Beijupirá no Cabeço do Manuel Salvador, Paracuru, CE)
Nome Comum: Beijupirá, Cação de Escamas, Cobia (inglês).


Nome Científico: Rachycentron canadum

Família: Rachycentriae

Distribuição Geográfica:
É um peixe de ocorrência circumtropical e subtropical. No Atlântico ocorre da América do Norte ao Sul, muito comum no nordeste do Brasil. No Ceará são observados próximos a naufrágios e grandes recifes em mar aberto.

Descrição e Comportamento:
Tem um formato alongado similar a um torpedo. Sua cor pode variar do cinza a marrom escuro. Tem o maxilar inferior projetado para frente e nadadeira caudal bifurcada. São peixes de águas abertas podendo nadar nos arredores de recifes. São muito curiosos e se aproximam muito de mergulhadores que as vezes, pelo seu formato, os confundem com tubarões, por este motivo são também chamados de cação de escamas (em alusão ao tubação lixa).



Fontes:
Humann, DeLoach; Reef Fish Identification - Florida, Caribbean, Bahamas; 3a Edição, New World Publications, Inc.

Foto: Marcus Davis

quinta-feira, 17 de março de 2011

Fauna Marinha Cearense - Parú-Branco


Nome Comum: Parum, Parú, Enxada, Parú Branco.

Nome Científico: Cheatodipterus faber

Família: Ephippidae

Distribuição Geográfica:
Ocorre no Atlantico da America do Norte ao Sul. Comum na Florida, Bahamas com aparições ocasionais no Caribe. No Ceará é comum avistarmos cardumes com mais de 20 indivíduos.

Descrição e Comportamento:
Sua coloração varia de prata ao cinza com listras verticais escuras que vão desaparecendo com a maturidade. Seu formato lembra o símbolo de espadas do baralho. Aproximam-se sem medo e muitas vezes envolvem os mergulhadores aparentemente atraídos pelas bolhas.


Fontes:
Humann, DeLoach; Reef Fish Identification - Florida, Caribbean, Bahamas; 3a Edição, New World Publications, Inc.
Foto: Marcus Davis

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Fauna Marinha Cearense - Xilas

Xilas no Naufrágio dos Remédios.
Foto: Marcus Davis
Nome Comum: Xila, Xila-branca, Xira, Sapurana

Nome Científico: Haemulon aurolineatum

Família: Haemulidae

Distribuição Geográfica:
São comuns da Florida ao sul do Brasil. São bastante abundates no Ceará.

Descrição:
Corpo branco-prateado com listras horizontais amarelas. Algumas variações podem apresentar uma mancha preta no início da nadadeira caudal. São normalmente encontradas em cardumes que variam de tamanho capazes até prejudicar a visibilidade em pontos de mergulho.


Fontes:
Humann, DeLoach; Reef Fish Identification - Florida, Caribbean, Bahamas; 3a Edição, New World Publications, Inc.
BrasilMergulho.com