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quinta-feira, 11 de abril de 2019

Prefeitura de Fortaleza irá soterrar recifes de coral

https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2018/07/26/prefeitura-assina-ordem-de-servico-para-obras-da-nova-beira-mar.ghtml

Quanto vale o metro quadrado no bairro mais nobre de Fortaleza? Isso é algo fácil de ser precificado. Sabemos precificar bens e serviços que utilizamos diretamente em nosso dia. Mas quanto vale o metro quadro de floresta amazônica? Não só o terreno, mas a floresta em si e os serviços biológicos que esta presta para a humanidade. A Amazônia já foi (e talvez ainda seja) considerada o pulmão do mundo e ainda assim sofre constantemente com a degradação do desmatamento, construção de barragens, etc. A floresta Amazônia está acima do solo e à vista de todos. Ainda assim o cenário é péssimo, o que nos levam a pensar na riqueza biológica escondida sob o mar. Todos aqueles peixes, recifes de coral, esponjas, tartarugas, lagostas, golfinhos... A riqueza biológica presente em um metro quadrado de um recife biológico é mil vezes maior que a riqueza presente na mesma área de floresta amazônica. Isto significava a grosso modo que existe mil vezes mais elementos vivos em uma porção de um recife biológico do que na mesma área de floresta amazônica.

Dia 12 de abril de 2019, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio irá assinar os contratos da obra de engorda da faixa de praia que vai soterrar diversos recifes de corais existentes na orla. Um crime ambiental desse porte no meio da cidade de Fortaleza só é possível porque está escondido dos olhos da maioria. Há alguns anos atrás os protestos foram intensos ante a construção do viaduto na Avenida Engenheiro Santana Junior para desafogar o tráfego na região nas proximidades do Shopping Iguatemi. Claro que não deu em nada e o viaduto foi construído da mesma forma. Nada estranho aí visto que pouco depois o foi construída uma torre empresarial praticamente dentro do Rio Cocó, o que também não traz espanto já que em 2011 foi soterrado um naufrágio possivelmente secular ao lado da Ponte Metálica

Nada estranho acontece hoje em Fortaleza, cidade do boto-cinza, patrimônio natural do município.

O trecho da faixa de praia a ser ampliado corresponde à Avenida Desembargador Moreira, no Meireles, até o espigão da Rua João Cordeiro, na Praia de Iracema, com o aumento de 80 metros da faixa de areia mar adentro.
A obra de engorda será dividida em dois trechos: o primeiro compreendido entre os espigões da Rua João Cordeiro e da Avenida Rui Barbosa, prevê o acréscimo da faixa de praia e o Aterro da Praia de Iracema ficará com uma área total de 71 mil m² de área.
O segundo trecho consiste no aumento da faixa de praia entre a Av. Rui Barbosa e a Av. Desembargador Moreira, criando assim um novo aterro com cerca de 81 mil m² de área, possibilitando a ampliação do calçadão. (Prefeitura de Fortaleza, https://www.fortaleza.ce.gov.br/noticias/prefeitura-de-fortaleza-apresenta-projeto-de-requalificacao-da-avenida-beira-mar, acessado em 11/04/2019)

Alguns vídeos do que será soterrado:




Em 2016 um grupo organizado por mergulhadores, biólogos e especialistas prôpos a Prefeitura a criação de um Santuário Marinho na mesma área proposta. Aparentemente é obvio que a cidade não precisa de santuários marinhos.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Pesca fantasma ameaça fauna do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio

Rede retirada do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio
No último domingo, dia 31 de março, a Mar do Ceará fez uma operação para o Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio. O ponto de mergulho era a pedra que dá nome ao parque. O que deveria ter sido mais um mergulho, numa área de proteção, tornou-se uma operação de retirada de uma rede de pesca, com um momento triste.

O mar estava excelente, tranquilo e sem ondas. Pouco vento facilitando a navegação e quando caímos na água visibilidade de mais de 15 m. A primeira coisa que eu notei é que a quantidade de peixes na pedra havia reduzido. Eu mergulho no parque desde 1999 e notei logo que o fundo estava um pouco deserto. Mesmo assim, alguns peixes, umas barracudas e muita vida encrustada: esponjas, algas e os
Tartaruga morre presa em rede de pesca
corais recobrindo a pedra. Bonito como sempre.

Mas com pouco tempo a visão de uma rede começa a estragar o mergulho. Uma rede de pesca que não deveria estar no parque. Não bastasse a rede, uma vítima. Presa a rede o corpo de uma tartaruga já começava a mostrar sinais de decomposição. Para ver o vídeo completo clique AQUI.

Quando uma rede é abandonada, ficando presa no fundo ou flutuando, ela continua de certa forma pescando e denominada pesca fantasma. Para saber mais sobre pesca fantasma clique AQUI e sobre a pesca fantasma no litoral cearense. A Mar do Ceará já fez outras operações de resgate de animais e retiradas de rede de pesca. Sempre que possível e com todo o cuidado necessário mergulhadores não só da Mar do Ceará recolhem redes e armadilhas de pesca.

Além disso, pesquisas recentes mostram que mais de 46% do lixo plástico do Pacífico é composto de restos de artes de pescas (redes, linhas e afins). Fazendo milhares de vítimas ao longo do ano, esse lixo é uma ameaça real.

Repensar nossa alimentação, o que comemos, de onde vem o que comemos é muito importante para garantir recursos para o futuro. Redes que pescam indiscriminadamente deveriam ser banidas e alternativas implementadas. A pesca predatório e o abandono de redes combatido. Da próxima vez que for consumir um pescado qualquer que seja reflita sobre suas escolhas, pesquise, se informe e se possível procure as autoridades responsáveis e pressione para que atividades prejudiciais ao meio ambiente sejam erradicadas.
Galera presente na operação de 31 de março


Fonte:
https://www.bloomberg.com/opinion/articles/2018-06-07/plastic-straws-aren-t-the-problem
https://mercyforanimals.org/straws-arent-the-real-problem-fishing-nets

quarta-feira, 20 de março de 2019

Orcas desaparecendo do Pacífico: você sabia?

Fonte: Mark Carwardine
As orcas (Orcinos orca) são grandes mamíferos marinhos popularizadas pelos shows em parques aquáticos e aquários ao redor do mundo. Algum tempo atrás, um documentário sobre orcas em cativeiro trouxe a luz os problemas de se capturar, transportar e manter esses grandes animais. Isso praticamente fechou alguns dos shows mais famosos do mundo.

Fonte: Mark Carwardine
Mas longe dos olhos de todo mundo, as orcas estão em eminente risco de simplesmente desaparecer. No Nordeste do Pacífico a população atingiu o menor número de indivíduos já registrado nos últimos 30 anos. Apenas 74 animais ocupam essa área agora. Mais alarmante ainda é que nos últimos três anos nenhum nascimento foi registrado.

Uma orca não é uma baleia, mas na verdade um parente próximo dos golfinhos. Elas vivem em águas frias ao redor do mundo. Por alimentarem-se de filhotes de focas e outros animais, acabaram recebendo o apelido de baleia assassina. Apesar de haver alguns registros de acidentes com orcas em cativeiro não existe registro de acidentes com esses animais quando soltos na natureza. Isso permite que em algumas partes do mundo você possa mergulhar com esses animais fantásticos.

É possível mergulhar (mergulho livre) com orcas na Noruega, em um local de pesca desses animais. De acordo com mergulhadores da região é totalmente seguro porque as orcas são muito precisas e parecem saber o que estão fazendo enquanto nadam e pescam. Ou seja, elas não vão nem te atacar nem se jogar por engano em cima dos mergulhadores. 
Fonte: Mark Carwardine

Estudos têm sido feitos para preservar a diversidade genética desses animais. Se quiser saber mais clique aqui. Mas as causas do desaparecimento ainda não são claras. Poluição, mudanças climáticas, sobrepesca que teria afetado toda a teia alimentar e consequentemente reduzido a quantidade de alimento para estes animais, enfim, a lista de motivos é enorme. 

Apesar de não serem comumente encontrados no litoral brasileiro, pois preferem águas frias, orcas já foram avistadas no litoral brasileiro. Mesmo não sendo da nossa fauna, cabe a todos nós, não somente mergulhadores, conhecer e preservar. Sem contar que você pode incluir na sua lista de mergulhos a fazer: mergulhar com orcas. 



Fonte:
https://english.netmassimo.com/2018/10/11/a-new-genetic-project-to-save-the-pacific-northwest-orcas/
http://www.blackfishmovie.com/
https://www.scubadiving.com/sea-watch-orcas

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Dia Mundia da Limpeza


Há dez anos nascia o movimento Let's do it! um movimento de limpeza para conscientizar as pessoas sobre o descarte de materiais em locais indevidos. Pouco a pouco o mundo foi aderindo e hoje cerca de 150 países fazem parte. No Brasil, quase todos os estados aderiram e foram mais de 360 cidades participando do evento que ocorreu no último sábado, 15 de setembro.
Concentração no Beach Park para a limpeza pela praia.

A Mar do Ceará não podia ficar de fora. E em parceria com o Beach Park foi organizada uma limpeza subaquática contando com a participação de cerca de 16 mergulhadores dos mais diversos níveis de certificação. A concentração ocorreu na área do parque e de lá os grupos dispersaram. A maior parte foi para a areia e os arredores do parque, enquanto os mergulhadores se dirigiram para o estuário do rio Pacoti.


O estuário do Rio Pacoti fica na praia de Cofeco, Fortaleza, Ceará. Para realizar a limpeza no estuário a Mar do Ceará mobilizou cerca de 16 mergulhadores, todos voluntários nos mais diversos níveis de certificação, desde iniciantes a dive masters. Houve o apoio de um jet ski, para recolher lixos maiores (um pneu por exemplo) como já foram encontrados.

A visibilidade não estava muito boa nesta ocasião, mas ainda assim os mergulhadores conseguiram tirar alguns sacos de lixo. A maior parte do lixo consistia em plástico. Muitas sacolas plásticas, garrafas e tampas e alguns pedaços de plástico.

A ação durou a manhã quase toda. Os mergulhadores, em dupla, percorreram a margem do estuário, por cerca de 30 metros. Muito lixo fica preso nas raízes das árvores de mangue ou nas pedras que margeiam o rio. A pouca visibilidade dificultou a ação e menos do que o que se esperava foi coletado.

Mas fica a mensagem: precisamos repensar o uso de plástico. Principalmente o plástico descartável e de uso único, como as sacolas. Esses materiais geralmente correspondem a maior parte do lixo coletado em ações como essa. Além disso, refletir sobre o que não se pode ver. O estuário encontra-se relativamente longe de aglomerados urbanos e ainda assim a quantidade de lixo é enorme. Não é porque não se vê que não machuca. O lixo que produzimos está por aí. É hora de repensar e reduzir!

Até o próximo ano, quando a ação se repetir e com certeza contar com a adesão de mais pessoas, mais cidades, vamos refletir sobre nossas escolhas. A única maneira de resolver de vez o problema do lixo é reduzir, repensar nossas escolhas todos os dias. Recusar a sacola plástica, a luva plástica, adotar um copo e usar o mesmo copo o máximo de vezes possível.


domingo, 5 de novembro de 2017

Seminário de 20 Anos do Parque Estadual Marinho Pedra Da Risca do Meio




Distante cerca de 18 quilômetros do Porto do Mucuripe, o Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio é local de contato com a fauna e flora marinha para mergulhadores há 20 anos. Com pontos variando entre 15 e 30 metros de profundidade, o retângulo com 33,20 km² abriga caminhos que unem as histórias de mergulhadores com o mar. Totalmente submerso, o local é a única Unidade de Conservação Marinha do Estado do Ceará.

No próximo dia 16 de novembro, acontecerá mais um evento em comemoração aos seus 20 anos. Mesas redondas, palestras, relatos de experiências e muita informação!
Mergulhadores, amantes do mar, curiosos sobre o assunto, todos estão convidados para discutir e compartilhar conhecimentos e experiências sobre o Parque.

Data: 16/11/2017
Local: Auditório do Parque do Cocó
Horário: 8h ás 17h

As inscrições podem ser feitas por meio do link abaixo: 

Faça sua inscrição até o dia 14. As vagas são limitadas!




Realização: Secretaria do Meio Ambiente - CE

Parceiros: LABOMAR, Mar do Ceará, SESC, AQUASIS, Verdeluz, Gtar, IPOM, Capitania dos Portos, BPMA, IBAMA, TAMAR

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Mais um Clean Up Day concluído com sucesso!



A campanha "Clean Up The World" que se repete todo ano, sempre no terceiro fim de semana de setembro, tem conquistado cada vez mais voluntários, organizações não-governamentais e empresas de diversos setores, interessados em promover atividades em prol da preservação ds nossos mares. 

Pelo sexto ano consecutivo, conseguimos reunir mergulhadores e não mergulhadores voluntários, em Fortaleza, para recolher resíduos submersos na Praia de Iracema e em sua orla. O Clean Up Day 2017 aconteceu no último dia 30, e resultou no recolhimento de 200 quilos de lixo!! Plásticos, bitucas de cigarro, latas, papel, garrafas pet... foi um dia de faxina!
Todos juntos com o mesmo objetivo!

Ficamos muito felizes com a adesão da comunidade e das empresas apoiadoras.
Essa ação de conscientização ambiental faz com que todos reflitam sobre a importância de preservar e cuidar do nosso meio ambiente. 












Nosso planeta agradece!!


terça-feira, 16 de maio de 2017

Como os peixes absorvem o oxigênio da água?

Sabemos que os peixes retiram da água o oxigênio que utilizam para o funcionamento de seus organismos. E é nela que eles depositam os gases produtos desse funcionamento. Para nós, que vivemos fora d'água, a nossa troca gasosa é feita entre nossos pulmões, que captam o ar da atmosfera, e, sob pressão, troca o oxigênio (O2) pelo dióxido de carbono (CO2) com os vasos sanguíneos que estão em contato com a superfície dos alvéolos (bolsas presentes nos pulmões).
1. Esquema demonstrando as pressões parciais para ocorrência das trocas gasosas entre o pulmão e o vaso sanguíneo.
Para que um órgão seja eficiente na captação de oxigênio ele deve ter uma área de superfície grande, por isso a maioria é cheio de dobramentos denominados invaginações (para dentro) ou evaginações (para fora). Além disso deve ser composto por membranas bem finas e deve ser vascularizado por por muitos vasos sanguíneos.

2. Brânquia de peixe apresentando
coloração avermelhada devido
ao intenso fluxo sanguíneo.
Muitos dos animais terrestres são pulmonados, mas em insetos as trocas gasosas são feitas entre tubulações e os vasos deles, não tendo um órgão específico. Com peixes o órgão responsável são as brânquias. Bem finas, repleta de vasos sanguíneos e dotada de muitas ramificações na forma de evaginações, formando lamelas, que são estruturas em forma de lâminas bem finas.
3. Esquema mostrando as brânquias
de um peixe, suas estruturas e detalhes.
Um mecanismo chamado de Contra Corrente é o principal responsável por viabilizar as trocas gasosas em peixes. Esse mecanismos consiste na passagem do fluxo sanguíneo pelas estruturas das brânquias em um sentido oposto ao fluxo da água. Isso expões a água em contato maior com o sangue pouco oxigenado, realizando as trocas gasosas entre a água mais rica em oxigênio com o sangue, mais rico em dióxido de carbono.

Esse sistema é muito comum na maioria dos animais que possuem brânquias, pois aumenta a eficiência desse órgão nas trocas gasosas. Mas ele pode ser complementado com o nado do peixe. Como ele faz? Ele nada com a boca e com seu opérculo, 'tampinha' que protege as brânquias, levemente abertos, permitindo que, com o nado, a água passe por suas brânquias de maneira constante, melhorando, ainda mais, sua captação de oxigênio.

5. Esquema mostrando o fluxo daágua pelas brânquias do peixe.
Mas não seria possível que eles respirassem também fora d'água, já que o ar tem bem mais oxigênio? Não, pois os peixes necessitam que suas brânquias estejam na água para, a partir dela, absorver o gás que precisa. Mas há peixes capazes de respirar 'fora d'água', os chamados peixes pulmonados. Mas essa forma de obtenção de ar é usada em momentos de extrema necessidade como falta de oxigênio na água ou, ainda, seca periódica.

6. O peixe Periophthalmus argentilineatus é capaz de se locomover fora da água respirando por pulmões rudimentares.
No caso de seca, alguns peixes que resistem na lama possuem essa segunda opção de respiração, a pulmonada, bem menos eficiente que a por brânquias, mas necessária para manter seus órgãos vitais trabalhando lentamente até que se restabeleça a disposição de água com oxigênio dissolvido.

Assim como nós, cada animal na natureza apresenta modificações decorrentes de milhares de anos de evolução tornando-o hábil à explorar o ambiente em que vivem. Alguns, como nós, desenvolve técnicas para explorar outros ambientes, como os equipamentos de mergulho, mas isso não gera mudança em nossos organismos. Por isso ainda possuímos muita dificuldade em submergir a grandes profundidades, ação facilmente realizada pelo organismos que vivem na água como os peixe abissais, e ainda assim possuem suas limitações.

Conhecer todas essas limitações é estar preparado para dominar novos ambientes em que elas permitem-nos dominar. Estar consciente de suas ações, em boa forma física e ativamente treinado são cuidados básicos para um bom mergulho, afinal somos terrestres dentro d'água. Mergulhe consciente!

Referências:
Livro: Fisiologia Animal - Adaptação e Meio Ambiente. Knut Schmidt-Nielsen, 5 ed.;
            A Vida dos Vertebrados. F. Harvey Pough, 4 ed.;
Link: https://netnature.wordpress.com/2011/05/15/a-grande-conquista/
Imagens:
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAYfAAA/cap-20-equilibrio-acido-basico-hidro-eletrolitico
http://4.bp.blogspot.com/-7ta6AUtjuWY/TdASauNgZuI/AAAAAAAAALg/P6MiOWxLpOw/s1600/x1.jpg
https://netnature.files.wordpress.com/2011/05/periophthalmus-argentilineatus.jpg
http://s5.static.brasilescola.uol.com.br/img/2015/08/branquias.jpg
https://lh6.googleusercontent.com/-8RX0xZ_tW0Q/U_yqUHnJZTI/AAAAAAAAEtc/9yz-q4VLW0g/w873-h616/20.jpg

domingo, 12 de março de 2017

Nossas tartarugas estão doentes! - A Fibropapilomatose

Tartaruga verde morta na Praia do Aterro possivelmente devido fibropapilomatose, em dezembro de 2016. Esta doença foi primeiro registrada no Havaí em 1958 e infelizmente vem sendo observada em todo o mundo.
Recentemente tivemos dois contatos (na Praia do Aterro) com tartarugas apresentando esses tumores aqui em Fortaleza. Ainda não tinha visto nem ouvido falar até ano passado quando George Almeida fotografou uma tartaruga debilitada essas feridas na Praia do Aterro. Pesquisando um pouco, parece que é bem mais comum do que imaginávamos. 

Segundo Eduardo Lima, coordenador regianal do Projeto Tamar em Almofala, CE;
Trata-se de uma tartaruga popularmente conhecida como aruanã/tartaruga verde. Esse animais são comuns no estado do Ceará pois utilizam a costa como área de alimentação e crescimento permanecendo por aqui longos períodos até o retorno a suas áreas de desovas de origem. Essa tartaruga particularmente esta com uma doença conhecida como fibropapilomatose que pode a vir causar a morte do indivíduo por acomedimento de outras doenças em conjunto. Esse animal é um indivíduo juvenil, que caso estivesse vivo poderia chegar a medir até 1,30 metros de casco e pesar mais de 350 kg. Encalhes ao longo da costa brasileira é bastante comum por interação com pescarias ou doenças. Sabe-se que a Pesca é a principal causa desses encalhes, juntamente com a ingestão de resíduos sólidos (lixo).
Creio que não poderia explicar melhor que esse artigo do biólogo Guellity Marcel do site Eu Quero Biologia.

por Guellity Marcel
A fibropapilomatose (FP) é uma doença infecciosa que ocorre principalmente em tartarugas-verdes (Chelonia mydas), mas também em outras espécies ao redor do mundo. Foi primeiramente documentada como uma doença rara, no Havaí em 1958, mas a sua prevalência tem aumentado drasticamente nessas últimas décadas. Acredita-se que é uma doença causada por um agente viral (herpevírus). O meio de transmissão ainda é desconhecido, mas devido a alta prevalência da doença em ambientes costeiros, perto de atividades humanas, como agricultura e atividades industriais, acredita-se que a poluição do ambiente marinho facilite a expressão da doença. Esse resumo apresenta informações sobre a FP, proporcionando o melhor entendimento da doença.
Um indivíduo juvenil.

O interessante desta doença é o porque que ela afeta muito mais as tartarugas verdes, sendo que as tartarugas marinhas habitam diversas regiões do mundo. Das sete espécies de tartarugas existentes nos oceanos, cinco podem ser encontradas nos mares brasileiros: Caretta caretta (tartaruga cabeçuda ou amarela); Chelonia mydas; Eretmochelys imbricata (tartaruga de pente); Lepidochelys olivacea (tartaruga oliva) e Dermochelys coriacea (tartaruga de couro ou gigante) (Robert, 1986; Santos, 1994).

No Brasil, a maior população de tartarugas marinhas pertence à espécie C. mydas e se encontra na ilha de Trindade (Filippini, 1988). Algumas espécies estão ameaçadas de extinção devido à pesca, predação de ovos e poluição do habitat natural.

Características da Tartaruga-verde
A tartaruga verde recebe esse nome devido à presença das quatro placas laterais de cor verde ou verde-acinzentado escuro, é uma tartaruga marinha da família Cheloniidae e o único membro do género Chelonia (Tamar). Chega a atingir 139 cm de comprimento curvado da carapaça e 300 kg de peso, representando, deste modo, a maior tartaruga marinha de carapaça rígida. As características que a distinguem das outras tartarugas são a sua cabeça pequena e redonda e a carapaça sem rugosidades.

Sua alimentação varia consideravelmente durante o ciclo de vida: até atingirem 30 cm de comprimento, alimentam-se essencialmente de crustáceos, insetos aquáticos, ervas marinhas e algas; acima de 30 cm, comem principalmente algas; é a única tartaruga marinha que é estritamente herbívora em sua fase adulta (Tamar).

Fibropapilomatose
A fibropapilomatose (FP) é uma doença caracterizada por causar múltiplos tumores na epiderme (alcançando desde 0,1 cm até 30 cm de diâmetro) que afetam principalmente tartarugas verdes jovens e imaturas (HERBST et al., 1995). Esses tumores são freqüentemente encontrados ao redor do pescoço, olhos, boca, nadadeira e/ou cavidade oral, regiões inguinal e axiliar (LU et al., 1999). Os tumores surgem a partir de uma proliferação das células epidérmicas (papilomas), fibroblastos dérmicos (fibromas), ou ambos (fibropapilomas) (SMITH AND COATES, 1938).
Detalhe dos tumores.

Já foram descrita a presença de fibromas em órgãos internos, como pulmão, fígado, rins e trato gastrointestinal, provocando alterações na flutuabilidade, pressão, parênquima, necrose do fígado, insuficiência renal e por fim obstrução intestinal (HERBST, 1994). 

A FP também afeta atividades diárias desses animais infectados, como alimentação, locomoção ou visão. Tartarugas em estágio avançado da doença apresentam fraqueza, anemia regenerativa, cegueira, (MATUSHIMA et al., 2001), hipoproteinemia, elevação de enzimas hepáticas (DAHME & WEISS, 1989), diminuição progressiva da contagem de linfócitos, basófilos e eosinófilos e aumento progressivo de heterófilos e monócitos (MATUSHIMA et al., 2001).

A morfologia dos tumores varia de liso a semelhante à couve-flor, com algumas projeções pontiagudas pequenas variando de tamanho sendo que os maiores podem apresentar ulcerações e tecido necrótico. A pigmentação varia chegando a apresentar cor branca, cor-de-rosa, vermelha, cinzenta, roxa ou preta (RHODES, 2005). (Figura abaixo):

Como você pode ver na figura, esses tumores estão em forma de couve-flor, ou seja a forma que causa mais danos às tartarugas-verdes. 

No Brasil, o primeiro registro da doença foi no estado do Espírito Santo em 1986, e desde então ocorrências foram frequentemente observadas nas áreas de alimentação; os registros pareciam indicar um aumento da ocorrência: 3,2% em 1997; 10,6% em 1998; 10,7% em 1999 e 12,4% em 2000. (BAPTISTOTTE, 2005).
Todas as fotos são do mesmo indivíduo
encontrado na Praia do Aterro.

Apesar da tartaruga-verde ser a mais afetada, estudos recentes têm registrado a doença em outras espécies, incluindo tartaruga-olivacea (Lepidochelys olivacea ), tartaruga-de-kemp (Lepidochelys kempii )e a tartaruga-comum (Caretta caretta). Embora muitos fatores foram suspeitos de causar a FP, os últimos relatos incriminam o herpesvírus (HERBST et al., 1998). 

Etiologia (causa da doença)
A FP está associada a um herpevírus, um herpevirus associado a fibropapilomatose quelóide (Chelonid Fibropapilomatose – Associated Herpevirus -CPHV), que está presente em todos os tumores de ocorrência natural e induzidos experimentalmente com filtrados acelulares de tumor. (LACKOVICH et al., 1999 e HERBST et al., 1999).

Tratamento
O tratamento constitui-se na retirada cirúrgica dos tumores, felizmente a taxa de sobrevivência de tartarugas verdes após a cirurgia está acima de 90 por cento (MATUSHIMA et al, 2001). 

Conclusão 
Detalhe, os tumores estão espalhados
 pelo corpo do animal.
A fibropapilomatose é uma doença caracteriza por múltiplos tumores nas regiões de pele macia. Afeta principalmente tartarugas-verdes juvenis, que são importantes para a reprodução. Esses tumores afetam atividades diárias dessas tartarugas, como alimentação, respiração, visão e a locomoção. Tartarugas em estágios mais avançados da doença apresentam fibromas em órgãos viscerais afetando o funcionamento dos 
mesmos, ocasionando a morte. Além disso, as tartarugas que apresentam essa doença ficam mais suscetíveis a predadores e as linhas de pesca. 

Acredita-se que a poluição ao ambiente tem um importante papel no desenvolvimento da doença, pois tartarugas que estão presentes na costa desenvolvem mais a doença do que os indivíduos que vivem em água mais profundas.

Agora, só resta saber a associação entre a poluição e o Herpevírus CPHV para determinar definitivamente o porque das tartarugas-verdes serem tão afetadas assim.

Referências:
  • ROBERT, T. 1986. Biologia dos vertebrados. 5ª ed., São Paulo, Roca, 508 p.
  • SANTOS, E. 1994. Zoologia brasílica. Belo Horizonte, Vila Rica, 263 p.
  • FILIPPINI, A. 1988. Ilha da Trindade. Ciências Hoje, 45:28-35.
  • HERBST, L.H.; KLEIN P.A. Green turtle fibropapillomatosis: Challenges to assessing the role of environmental cofactors, 1995.
  • LU Y; AGUIRRE A.A; WORK T.M.;BALAZS G.H.; NERURKAR V.R.; YANAGIHARA R. Identification of a small, naked virus in tumor-like aggregates incell lines derived from a green turtle, Chelonia mydas, with fibropapillomas, 1999.
  • SMITH, G. M., AND COATES C. W. Fibroepithelial growths of the skin in large marine turtles, Chelonia mydas (Linnaeus). Zoologica, NY 23: 93–98, 1938.
  • MATUSHIMA, E.R; LONGATTO FILHO , A.;DI LORETTO , C.;KANAMURA, C.T.; SINHORINI, I.L.;GALLO, B.;BAPTISTOLLE, C. Cutaneous papillomas of green turtles: a morphological, ultrastructural and immunohistochemical study in Brazilian specimens, 2001.
  • DAHME, E; WEISS, E. Anatomia Patológica Especial Veterinária Zaragoza (Espanha): ed Acribia, p 133-134, 1989.
  • RHODES, K.H, Dermatologia de Pequenos Animais Consulta em 5 minutos Rio de Janeiro: ed Revinter, p, 357-360, 2002.
  • BAPTISTOTTE,C. Caracterização espacial e temporal da fibropapilomatose em tartarugas marinhas da costa brasileira. Tese (Doutorado em Ecologia Aplicada) – Universidade de São Paulo – Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz“ , Piracicaba, 2007.
  • HERBST, L.H; GREINER, E.C.; EHRHART, L.M.; BAGLEY, D.A.; and KLEIN, P.A. Serological association between spirorchidiasis, herpesvirus infection, and fibropapillomatosis in green turtle from Florida, 1998.
  • HERBST, L.H.; E.R. JACOBSON; P.A. KLEIN; G.H. BALAZS; R. MORETTI; T. BROWN, and J.P. SUNDBER. Comparative pathology and pathogenesis of spontaneous and experimentally induce fibropapillomatosis of green turtles (Chelonia mydas). Vet. Pathol. 36:551-564, 1999.
  • LACKVICH, J.K., D.R. BROWN, B.L. HOMER, R.L. GARBER, D.R. MADER, R.H. MORETTI, A.D. 
  • PATTERSON, L.H. HERBST, J. Oros, E.R. JACOBSON. S.S. CURRY, and P.A. KLEIN. Association of herpesvirus with fibropapillomatosis of the green turtle Chelonia mydas and the loggerhead turtle Caretta caretta in Florida. Dis. Aquat. Organ. 37:89-97, 1999.

Fonte 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Quem são os Cetáceos?



Os cetáceos conseguiram, através da evolução, especialização que lhes permitem passar todo o seu ciclo de vida no ambiente aquático. Esse grupo teve que responder às necessidades de natação, mergulho, comunicação e procura de alimento num meio totalmente distinto dos seus ancestrais terrestres.

A palavra Cetáceos, vem do latim cetus que significa grande animal marinho e do grego ketos que quer dizer monstro marinho. Os cetáceos abrangem animais com formas e tamanhos variados. Desses exemplares existe os que mal ultrapassam a um metro de comprimento, como também animais que medem cerca de 25 metros. Pelo nome, anteriormente explicado, esses animais podem ser marinhos- que se distribuem por todos os oceanos- mas também possuem espécies que estão na maioria dos grandes rios de todo o mundo, desde as águas quentes do equador até às águas frias dos polos. Atualmente é reconhecido mais de 80 espécies.


Os cetáceos são peixes? 

Os cetáceos englobam as baleias, botos e golfinhos e são mamíferos, já os peixes pertencem ao filo Chordata e são exclusivamente aquáticos, que difere, os peixes dos cetáceos, é que esses últimos são mamíferos. Até o século XX as baleias, botos e golfinhos eram incluídos na “Ordem Cetacea”, entretanto, diversos trabalhos publicados recentemente, mostrando a proximidade dos cetáceos e dos artiodátilos. Atualmente, se considera que ambos devem estar juntos dentro da Ordem Artiodactyla, ficando os cetáceos na infraordem Cetacea

Cauda de uma Cachalote
Fonte: http://www.aquaacores.com.pt/
Durante muito tempo se pensou que os representantes dos cetáceos, como as baleias e os golfinhos, eram peixes onde esses “peixes” teriam uma particularidade de esguichar água. Realmente os cetáceos podem parecer com alguns peixes. Os golfinhos e os botos podem parecer em particular com os tubarões, pela forma do corpo. As vezes alguns banhistas e surfistas levam sustos pela similaridade, pois possuem barbatanas dorsais, laterais e caudais, mas se verificarmos com atenção observamos algumas diferenças. A melhor maneira de distinguir um Cetáceo de um peixe, é visualizar a sua cauda, Pois a cauda de um Cetáceo é horizontal e sua movimentação é de baixo para cima, enquanto a cauda de um peixe é vertical e a movimentação é lateralmente.
Os Cetáceos por serem mamíferos, apresentam ainda diferenças fisiológicas.
Estes animais homeotérmicos, possuem sangue quente, respiram pelos pulmões através de um espiráculo, no caso dos cetáceos, que fica localizado em cima da cabeça na parte dorsal. Suas crias crescem em placentas e são amamentadas através de glândulas mamárias. Este grupo está completamente dependente do meio marinho para completar o seu ciclo de vida, sendo os hipopótamos o grupo de animais terrestres evolutivamente mais próximos.


Divisão dos cetáceos

Os cetáceos, pelas características que cada indivíduo apresenta, são subdivididos em três subordens: Subordem Archaeoceti, Subordem Odontoceti e Subordem Mysticeti

  • Subordem Archaeoceti
Ilustração de um arqueocetos
Fonte: geologicalman.blogspot.es
Esta subordem pode também ser chamada de Arqueocetos. Os arqueocetos incluem todos os cetáceos extintos. São os cetáceos primitivos, portanto deram origem aos misticetos e odontocetos. Uma das características que separa dos demais cetáceos é sua dentição diferenciada, e também o orifício respiratório, que ficava situado entre a ponta do bico e a região dorsal da cabeça. Alguns pesquisadores dizem que os arqueocetos, mais primitivos, possuíam quatro membros e tinham hábitos de anfíbios. Apresentava essa transição entre os mamíferos terrestres e aquáticos, antes de se adaptarem por completo ao meio aquático.

  • Subordem Mysticeti
Baleia jubarte se alimentando
Fonte: http://ipevs.org.br/blog/?tag=imagens
Os misticetos, também chamados de Mysticeti, tem como representantes as grandes baleias. Entre elas a baleia azul que é considerado o maior animal vivo do mundo, chegando a medir 30 metros. Uma das características desses animais é   não terem dentes. Em vez de dentes possuem muitas barbatanas. Essas barbatanas são estruturas córneas similares à unhas que ficam enraizadas na parte superior da boca e se organizam em forma de um triângulo reto comprido. A parte externa é macia e a parte interna possui uma forma de franja para poder filtrar os alimentos. A dieta alimentar dos misticetos é basicamente de zooplanctons e de pequenos crustáceos. Algumas espécies também tem o costume de predar cardumes de peixes de pequeno porte. 

Orifício duplo em misticetos
Fonte: masterok.livejournal.com
Outra característica da subordem Mysticeti é que possuem o crânio simétrico, com um par de orifício respiratório situado no alto da cabeça. Os machos, dessa subordem, são menores do que as fêmeas. Normalmente são solitários, exceto no período de reprodução e nas áreas de alimentação.

De maneira generalizada os representantes dos misticetos são subdivididos em família segundo a presença ou ausência de sulcos ventrais, como também ao número destes. Estes sulcos estão relacionados diretamente com o tipo de alimentação e a estratégia alimentar realizadas por cada família. 
  • Família Balaenidae
  • Família Neobaleanidae
  • Família Eschrichtiidae
  • Família Balaenopteridae

  • Subordem Odontoceti
Esta ordem abrange o maior número de espécies, sendo que algumas delas são fluviais. E, as marinhas podem ser costeiras oceânicas, podendo ocorrer ao longo da borda da plataforma continental. 

Dentição de uma orca
Os odontocetos, assim também conhecidos, são indivíduos que irão apresentar dentes que podem variar entre 2 a 200. Geralmente são todos iguais e existe apenas uma dentição, portanto não há substituição de dentes durante ao longo da vida. Sua dieta é de peixes de vários tamanhos e cefalópodes. No caso das orcas, devoram animais como focas e pinguins, há também registro de se alimentarem de filhotes de baleia. 


Delphinapterus leucas brincando em
fazer bolhas
Fonte: biologiavida-oficial.blogspot.com.br
Diferentes dos misticetos, o crânio dos odontocetos são assimétricos. Em algumas espécies a região rostral e frontal são bastante desenvolvidas, em outras, a boca é alongada para frente de formato perecido com um “bico” longo e agudo. O orifício respiratório é único e apresentam biossonar. Os machos normalmente são maiores que as fêmeas. Vivem em bandos e o comprimento pode variar de 1,5 metros a 17 metros. Os odontocetos abrangem as “baleias-de-bico”, as orcas, todos os botos e golfinhos e a cachalote que é o maior representante dessa subordem.

Existe várias divergências entre diversos autores., e maneira geral são 10 famílias, devido ao grande número de espécies viventes, representando 85% das espécies viventes de cetáceos. 
  • Família Iniidae
  • Família Platanistidae 
  • Família Lipotidae
  • Família Pontoporiidae 
  • Família Monodontidae
  • Família Phocoenidae
  • Família Delphinidae 
  • Família Ziphiidae 
  • Família Physeteridae
  • Família Kogiidae

boto-vermelho
Fonte: http://epoca.globo.com
Para os interessados em visualizar os cetáceos, saibam que praticamente em todo o litoral brasileiro pode se encontrar tais representantes. Os golfinhos são os mais abundantes desde o litoral sul ao sudeste. Nas águas nordestinas, o golfinho mais conhecido é o golfinho-rotador. Sua maior concentração fica no Arquipélago de Fernando de Noronha. 

As baleias têm maior concentração no litoral sul e sudeste do Brasil, mas é em águas nordestinas que algumas preferem se reproduzir, como é o caso da baleia-jubarte que vão para o Arquipélago dos Abrolhos, no sul da Bahia. O cetáceo que pode ser encontrado em águas fluviais é boto, podendo ser encontrado em águas brasileiras tanto na Bacia Amazônica como no Orinoco.


Cetáceos encontrados no Ceará

Foram registradas 23 espécies de mamíferos marinho, no estado do Ceará, sendo 22 cetáceos e 1 sirênio. O que mais chama atenção são os encalhes de boto-cinza (Sotalia guianensis), que representam quase 60% desses registros. O encalhamento pode ser ocasionado por doenças patógenas- que acabam desorientando os animais- e, infelizmente, por ameaças de origem humana. Por se tratar de uma espécie costeira vem sofrendo diversas ações antrópicas negativas. As famílias, de cetáceos, que podem ser encontradas no Ceará são:

Infraordem Mysticeti
  • Família Balaenopteridae

Infraordem Odontoceti
  • Família Physeteridae
  • Família Kogiidae
  • Família Zipdiidae
  • Família Delphinidae

Referências





http://www.aquasis.org/subprograma.php?id_oquefazemos=6

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Restos de materiais de pesca retirados do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio

Material de pesca artesanal retirado da Pedra da Botija, a 24m de profundidade. Este ponto fica dentro dos limites do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio, Fortaleza, CE.

Grande quantidade de chumbadas.
No dia 24 de dezembro mergulhamos na Pedra da Botija dentro do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio (PEMPRM). A quantidade de restos de petrechos de pesca artesanal nos chamou atenção e dedicamos nossos mergulhos a remover a maior quantidade possível desse lixo.

O PEMPRM foi criado em 5 de setembro de 1997 pela Lei Estadual 12.727 que proíbe várias atividades predatórias mas permite a pesca artesanal dentro dos seus limites a fim de preservar as tradições pesqueiras da comunidade do Mucuripe. Apesar de ser um santuário da vida marinha, o Parque sofre com a falta de recursos para manejo e fiscalização.

Encontramos muitas esponjas presas nas linhas de pesca abandonadas. Aparentemente o azol fica preso às estruturas rígidas dos corais e o pescador se ver obrigado a cortar a linha na superfície, abandonando o restante, cerca de 20 a 30m de nylon, 250g de chumbo e azol, no mar. Este material mantém-se preso ao recife. A mercê da correnteza o nylon enrola-se às esponjas fragilizando a estrutura da mesma que pode se quebrar durante os maiores swells e facilitando um novo enrosco pelo pescador. Além disso, o próprio azol pode prender-se e danificar a estrutura da planta.



As imagens acima mostram diferentes espécies de esponjas presas nas linhas. 

O que parece sustentar essas teorias além da grande quantidade de linhas é a ausência de grandes esponjas neste local e em outros constantemente visitados por pescadores e que apresentam grande quantidade de petrechos de pesca.

Apesar dos problemas ainda é um lugar maravilhoso!