Mergulhador no Cabeço do Arrastado, no Parque Estadual Marinho.
Para quem gosta de mergulhar, encontrar uma grande diversidade de animais e vegetais em seus mergulhos é a melhor parte e principal objetivo para a maioria. Não precisa conhecer e conseguir identificar cada ser vivo que conseguimos visualizar para ficarmos encantados com suas diversas formas, cores, movimentos. Peixe cor-de-rocha ao vermelho e amarelo intensos; pequenos e grandes mamíferos; coloridas e curiosas algas.
Sabemos o quão importante são esses seres vivos para a manutenção do equilíbrio do ambiente aquático, bem como sua importância para os animais terrestres, seja como presas ou predadores. Mas nem sempre vemos todos os seres vivos que estão ao nosso redor, e na água não poderia ser diferente.
Diversos animais bem pequeninos tem no solo marinho sua moradia e ambiente para busca de alimento. Outros tem unicamente as rochas, seja pelo fato de não conseguir nadar livremente, seja pelo fato de apenas conseguir andar. E são esses os seres vivos que mais sofrem impactos que podem comprometer suas vidas.
Esponjas e corais encrostados
em rochas marinhas.
Nos cursos de mergulho aprendemos a manter sempre os nossos equipamentos presos ao nosso corpo, para que eles não saiam arrastando na areia e pedras, danificando a vida subaquática. Mas poucos de nós somos orientados a não mexer em tudo o que vemos. Bem, até somos, mas com o enfoque em nossa segurança, não na preservação do meio.
Mergulhar com equipamentos soltos que arrastam no chão ou que possam bater em rochas; bater as nadadeiras em corais, esponjas; tocar indiscriminadamente nos animais; remover, mover, virar rochas; todas essas ações são potenciais agressoras ao meio ambiente aquático.
Mergulhador próximo ao solo,
mas mantendo uma boa flutuabilidade.
"Mas, então a solução seria não mergulhar mais?"
Claro que não! O mergulho é motivador de preservação em muitas áreas importantes para a dinâmica ambiental. Além de ser com a ajuda do mergulho que podemos estudar a vida aquática e entender melhor esse ambiente ainda dotado de muitas descobertas!
"Então, como faço pra mergulhar e não prejudicar o meio?"
Então, além de evitar fazer o que já foi dito, entender que toda e qualquer ação tomada em um mergulho acarreta muitas consequências; estar informado das ações que podem ser executadas e, principalmente, das que devem ser evitadas; mergulhar com profissionais qualificados para que possam lhe orientar antes, durante e depois do mergulho.
"Quero mergulhar tranquilo e não quero ficar lembrando de todas essas recomendações! Qual a principal delas?"
Mergulhe conscientizado, principalmente para continuar desfrutando de tudo o que você verá!
Realizaremos no dia 8 de junho de 2016 um super evento de limpeza de praias em parceria com Prefeitura de Fortaleza, a organização Limpa Brasil e o Projeto A Mar! Convidamos nossos amigos e clientes mergulhadores a se voluntariar conosco nesta linda ação!
O Mar do Ceará dispões de 20 vagas para nossos amigos e clientes mergulhadores. Sua reserva deve ser feita através do email mardoceara@gmail.com até o dia 6 de junho e, logicamente, está condicionada ao número de vagas. Todo o equipamento será fornecido gratuitamente aos participantes pelo Mar do Ceará! As cargas de ar que serão utilizadas pelos mergulhadores foram patrocinadas pela Conecta Consultoria Contábil! Outros queridos patrocinadores que abraçaram a causa foram: Academia Espaço Corpore Saúde, Uptime Soluções e Tomodachi Sushibar!
Não é mergulhador? Você também pode participar do evento! A ação contará com mergulhadores para limpeza submersa, praticantes de rapel para a coleta de resíduos nos quebra-mares e voluntários para coleta na praia e ações de conscientização aos transeuntes!
Local de Encontro: Tenda que ficará em frente ao Hotel SONATA, Av. Beira Mar 848.
Vestimenta: Leves e confortáveis, óculos e de preferência bonés.
Checkin: 07h00min - 07h59min
Começo da coleta: previsão de 08h00min
Término da coleta: previsão até 12h00min
- Haverá Certificado -
Chegue no horário para ajudar na organização da ação, pois precisamos dar a confirmação dos participantes e as devidas instruções.
Coral-Sol do gênero Tubastraea no Petroleiro do Acaraú, no Ceará. Foto: Marcus Davis. Todos os direitos reservados.
No Ceará existe naufragado a 20 milhas náuticas da costo um navio conhecido como Petroleiro do Acaraú. Este naufrágio permanecia sem identidade até ser corretamente identificado como o petroleiro norte americano Eugene V R Thayer naufragado em abril de 1942 quando foi canhonado por um submarino italiano... tudo isso aconteceu aqui no litoral cearense e sua história foi recentemente publicada no Atlas de Naufrágios do Ceará.
O petroleiro Eugene V R Thayer.
Fantásticas histórias a parte, passados os tempos sombrios da Segunda Guerra Mundial, agora a ameaça é outra. O litoral brasileiro vem sendo colonizado por espécies invasoras que habitam outros mares e, quando chegam aqui, causam um desequilíbrio ambiental.
O coral-sol é uma espécie que pertence ao gênero Tubastraea, natural do Oceano Pacifico. As espécies localizadas no Petroleiro do Acaraú por Marcus Davis e confirmadas pelos doutores Marcelo Oliveira Soares e Pedro Carneiro do Laboratório de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará são Tubastraea tagusensis e T. coccinea. Elas tiveram seus primeiros registros no Brasil pela Bacia de Campos provavelmente trazidos por incrustação em plataformas de petróleo. Em 2006 foi identificada por pesquisadores na Bahia e em 2014 em Sergipe. Acreditava-se que ele não havia ultrapassado o litoral de Pernambuco... até agora.
Compartimentos do naufrágio completamente tomados pelo Coral-Sol. Foto: Marcus Davis. Todos os direitos reservados.
A notícia é vista com receio pela comunidade científica:
Pelo jeito é Tubastraea tagusensis; muito triste que chegou no Ceará, temos até então apenas registros em plataformas de Sergipe o mais para nordeste. O MMA, Ibama e Icmbio estão bem sensibilizados e fazendo um Plano Nacional de Monitoramento e Controle do Coral-Sol no Brasil. Este registro é importante neste sentido. Esclareço que o vetor de introdução é incrustação em plataforma de petróleo e etc, não é agua de lastro. Vocês podem ver maiores informações no Facebook do Projeto Coral Sol (Joel Creed, UERJ)
Foto: Marcus Davis. Todos os direitos reservados.
Resta saber como ele chegou aqui. Este foi o único avistamento, e não são conhecidos outros locais colonizados pela espécie. No entanto, os porões e áreas abrigadas do naufrágio estão completamente tomados por ele. Nesse caso a história do navio também pode ajudar. O Eugene VR Thayer estava em rota da Argentina para Venezuela, é possível que a espécie tenha sido introduzida ainda neste período? Ou sua chegada é mais recente?
Existem outros locais na área habitados por este ser? Como salvar as espécies nativas? Segundo pesquisadores os corais-sóis são agressivos a espécies nativas, como o coral-cérebro do gênero Mussismilia, espécies endêmicas do litoral brasileiro que agora estão em risco. Essas questões estão sendo estudas por especialistas, mas normalmente este é um caminho sem volta como o caso do peixe-leão no Caribe.
As tartarugas encontradas são medidas, pesadas, fotografadas e marcadas pelos profissionais do Projeto Tamar.
O Projeto Tamar, criado em 1980 pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal-IBDF, atual Ibama-Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, é um projeto que visa a preservação de tartarugas marinhas. Tamar tem origem de Tartaruga Marinha e atua em pesquisas, monitoramentos, educação socioambiental.
Estagiária do Projeto fixando a etiqueta de marcação. Parte do trabalho do Tamar é identificar as tartarugas encontradas
Tartaruga-Oliva.
Hoje seu reconhecimento é internacional como uma bem sucedida experiência de conservação marinha e é usada como modelo para outros países, principalmente pelo fato de envolver as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho socioambiental.
O Projeto Tamar atua em nove estados brasileiros, percorrendo mais de 1.000 km de áreas costeiras visando a preservação de áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso de cinco espécies de tartarugas que ocorrem em nosso país (Tartaruga-cabeçuda, Tartaruga-verde, Tartaruga-de-pente, Tartaruga-de-couro e Tartaruga-oliva).
Tartaruga-Cabeçuda.
Hoje a expressão Tamar passou a designar o Programa Nacional de Conservação de Tartarugas Marinhas, atuando em cooperação entre o Centro Brasileiro de Proteção e Pesquisa das Tartarugas Marinhas-Centro Tamar, vinculado à Diretoria de Biodiversidade do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade-ICMBio, órgão do Ministério do Meio Ambiente, e a Fundação Pró-Tamar, instituição não governamental, sem fins lucrativos, fundada em 1988 e considerada de Utilidade Pública Federal desde 1996.
Tartaruga-de-Couro ou Gigante.
Além do trabalho direto com as tartarugas marinhas, o projeto visa a conscientização ambiental para somar forças em seu trabalho. A responsabilidade social também é levada em consideração, principalmente na geração de emprego e renda para a população que participa em suas ações ou na confecção de artesanato que é vendido pela loja do projeto.
Com o uso de tecnologia, o Projeto Tamar, fazendo uso de localizadores via satélite, monitora as rotas de tartarugas de 2001 e seus resultados são voltados para entender o processo de migração e deslocamento natural delas, concluindo, recentemente, que as tartarugas são riqueza internacional, uma vez que elas percorrem mares de países dos continentes Africano e Americano, sendo necessário uma cooperação internacional na preservação de recurso natural.
No Ceará o Projeto Tamar possui sede na praia de Almofala, no município de Itarema, 190 km de Fortaleza, em uma comunidade indígena, considerada como último reduto dos Tremembé no litoral oeste do Ceará. O projeto monitora 40km de praias, além de locais de desembarque, venda de peixes e mercados públicos.
Pesagem de uma das três
tartarugas encontradas
As tartarugas encontradas nos currais de pesca da região são recolhidas pelo Tamar para reabilitação ou apenas para marcação, coleta de dados, etc. Acompanhamos o trabalho desses profissionais em Itarema, CE.
No estado a Tartaruga-Verde é o centro das atenções, pois elas comumente sofrem com as pescas irregulares ou utilizando equipamentos e técnicas que prejudicam a tartaruga, como redes, currais e caçoeiras.
Portanto é importante que estejamos ciente de projetos que visam a preservação dos ecossistemas naturais, uma vez que eles são nosso principal ambiente de diversão, além do fato de serem fundamentais para a manutenção da vida no planeta.
Acompanhamos o trabalho desses profissionais em Itarema
A Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos, mais conhecida por Aquasis foi fundada em abril de 1994, no Ceará. É uma organização civil que não objetiva obter fins lucrativos, fundada a partir da equipe de um grupo de estudo, o GECC (Grupo de Estudo de Cetáceos do Ceará) que atuava desde 1992 pesquisando e conservando os mamíferos marinhos do estado do Ceará, ampliando sua abrangência de atuação a fim de envolver as espécies mais ameaçadas do estado.
A Aquasis trabalha, a mais de 20 anos, não só com animais marinhos. Ela desenvolve projetos também com aves e ambientes costeiros e continentais de grande importância ecológica. São programas dela:
Programa de Conservação de Aves Ameaçadas, trabalhando com o Soldadinho-do-Araripe, o Periquito-Cara-Suja, Maçarico-do-Papo-Vermelho e aves migratórias;
Programa de Conservação de Mamíferos Marinhos, atuando na conservação e estudo de mamíferos marinhos que ocorrem no Ceará, no noroeste do Rio Grande do Norte e no Piauí, principalmente o Boto-Cinza e o Peixe-Boi Marinho; que, até 2001, era ainda parte o então extinto GECC;
Programa de Áreas Protegidas, criado em 2010, que atua reconhecendo e protegendo ambientes de grande importância ecológica, principalmente na criação e implementação de áreas de proteção no Ceará visando preservar áreas fundamentais para conservação de espécies animais como matas úmidas e estuários; articulando, hoje, a criação de três Unidades de Conservação (UC) – Refúgio de Vida Silvestre Peixe-boi Marinho, Área de Proteção Ambiental Litoral Leste do Ceará e uma Unidade de Proteção Integral Soldadinho-do-Araripe.
Estuário do Rio Pacoti - CE.
E o Programa de Educação Ambiental, visando conscientizar a sociedade de importância de conservação dos ambientes e animais, atuando em campanhas de conscientização e envolvimento da comunidade por meio dessa educação sobre a importância regional, nacional e, até, mundial das espécies tratadas. Claro, se não houver ajuda dos membros da comunidade, a luta pela conservação das nossas belezas naturais é bastante dificultada.
Por meio de critérios levando em conta os riscos que as espécies correm, a Aquasis atribui Áreas Prioritárias de atuação, são elas:
A Bacia dos rios Timonha e Ubatuba (CE), pela presença do Peixe-Boi marinho, de aves migratórias, de manguezais e de ilhas estuarinas;
A Chapada do Araripe (CE, PE, PI), pelo Soldadinho-do-Araripe, por outras aves ameaçadas, pela mata úmida e por importantes recursos hídricos;
O Maciço de Baturité (CE), pelo Periquito-Cara-Suja, por aves ameaçadas e pela presença de mata úmida;
Quixadá (CE), pelo Periquito-Cara-Suja;
O Litoral leste do Ceará, pela presença de Peixe-Boi, pelos bancos de algas e plantas marinhas, pelas falésias, aves migratórias e pela pesca artesanal;
E a Região Metropolitana de Fortaleza, por apresentar o Boto-Cinza e pra ordenamento da expansão urbana.
Áreas de Prioridade da Aquasis.
Mas como podemos ajudar?
Por meio da associação aos projetos da Aquasis. São eles o Projeto Arca de Noé, que arrecada fundos por meio da conta de luz (Coelce) para apoiar as ações de conservações dos animais marinhos e aves ameaçados; o Adote um Peixe-Boi, que atua nos cuidados com peixes-boi órfãos com alimentação, medicamentos e cuidados, por meio de doações pelo PagSeguro ou PayPal, e o Projeto Manatí, que atua no monitoramento de encalhes, resgate, reabilitação e educação ambiental para conservação do Peixe-Boi Marinho, que abre edital para voluntários que queiram trabalhar nessa área.
Não há dúvidas da importância do papel da Aquasis na manutenção das belezas que tanto apreciamos, seja no mar ou em terra mesmo. Por isso é importante nos conscientizarmos e ajudar a Aquasis em sua luta constante.
Referências:
Aquasis - http://www.aquasis.org/
Adote um Peixe-Boi - http://www.aquasis.org/apoiar.php?id_apoiar=9
Projeto Arca de Noé - https://sites.google.com/a/aquasis.org/arcadenoe/
Projeto Manatí - http://www.projetomanati.org.br/aquasis/pt-br/manati/home
O boto-cinza (Sotalia guianensis) é um golfinho de pequeno porte que apresenta uma coloração acinzentada podendo variar de tom para mais claro ou mais escuro e com nadadeira dorsal triangular e pequena. É um mamífero aquático que pode atingir pouco mais de 2 m de comprimento, pesando cerca de 120 kg. Sua distribuição é costeira da América Central (Nicarágua) até o sul do Brasil (Santa Catarina).
Boto-cinza na enseada do Mucuripe.
(Foto: O Povo)
São, muitas vezes, vistos bem próximos da orla, geralmente pela manhã bem cedo e fim de tarde. Em pesquisas recentes, foi constatada uma preferência de ocorrência desses animais por cerca de 800m de distância da costa, quase sempre próximos a construções humanas como espigões, portos, marinas e estaleiros, pois essas construções os auxiliam no aprisionamento e captura de peixes.
Possuem expectativa de vida de cerca de 30 anos e idade média de maturação sexual começando com cerca de sete anos nos machos e entre cinco e oito anos nas fêmeas. A gestação deles pode durar 12 meses e os filhotes já nascem com cerca de 90 cm.
Grupo de boto-cinza. (Foto: Opovo)
São predadores considerados de topo, ou seja, está mais alto na cadeia alimentar, alimentando-se de peixes, crustáceos, moluscos, geralmente encontrados em regiões mais fundas, podendo ainda ser obtidas por meio de interações com outros botos do seu grupo.
São animais que vivem em grupos que podem conter, em média, 15 indivíduos e procuram, na costa, águas mais amena para sua sobrevivência, mas são bastante afetados pelas ações humanas que, podem algumas vezes ajudar, mas na maioria delas atrapalham na manutenção da vida desses animais.
O Risco
Mancha de resíduos levados ao
mar por água de chuva em Fortaleza.
A poluição da costa com o despejo irregular de esgoto, bem como de águas poluídas provindas de rios e galerias de chuva também poluída são o principal agressor desses animais, uma vez que as águas poluídas levam micro-organismos que geram doenças nos botos.
O avanço humano ao mar com a construção de espigões, marinas e estaleiros, acaba por fragilizar os ambientes ao quais os Botos-cinza estão presentes, dificultando na exploração do ambiente e obtenção de alimentos desses animais.
A presença de lixo sólido também agride sua integridade. Ao estudar o conteúdo estomacal de botos-cinza que morreram encalhados, pesquisadores constataram a presença de plástico, podendo relacionar a morte e posterior encalhe do animal com o material encontrado.
Lixo descartado irregularmente na
Beira Mar de Fortaleza.
Além disso, a pesca desordenada também representa perigo para o boto-cinza, seja reduzindo seus recursos ou mesmo na morte de alguns indivíduos, o que prejudica ainda mais na manutenção de grupo animal na nossa costa.
A importância
Como falado anteriormente, os Botos-Cinza (Sotalia guianensis) são predadores de topo, o que acarreta numa grande importância ecológica: a manutenção do equilíbrio do ecossistema. Assim, o boto-cinza regula a quantidade de organismos que vivem próximos a eles, seja predando diretamente, seja predando seus predadores.
Boto-cinza encontrado morto na Beira Mar de Fortaleza apresentando marcas de rede de pesca.
A manutenção do equilíbrio costeiro que é realizada em parte pelos botos-cinza é fundamental para a continuidade de uma importante atividade econômica do estado do Ceará: a pesca. Um desequilíbrio desse ecossistema acarretaria um prejuízo ecológico e financeiro de grande proporção.
Além disso, o turismo é uma fonte econômica importante e a presença desses animais na nossa orla de Fortaleza pode ainda atrair o turismo com a demonstração de belezas naturais do nosso estado, com os incríveis saltos fora da água que eles podem fazer, divertindo a todos que os visualizam.
Boto-cinza observado na enseada
do mucuripe. Foto por Yuri Alexsander, em 24/06/2011.
Em um recente levantamento desses animais, apenas 41 deles foram foto-identificados na enseada do Mucuripe, aqui em Fortaleza-CE, e esse número é bastante preocupante uma vez que não era tão difícil assim vê-los na Praia de Iracema, na Beira Mar, mas as visualizações estão cada vez mais reduzidas.
A conservação
Os Botos-Cinza foram declarados Patrimônio Natural de Fortaleza por meio da Lei nº 9949 de 13 de dezembro de 2012. A lei, além de objetivar proteger o boto-cinza na enseada do Mucuripe, tornou o dia 8 de junho, dia considerado como Dia Mundial dos Oceanos, como o Dia do Boto-Cinza Sotalia Guianensis.
Lei que declara o boto-cinza patrimônio natural de Fortaleza (Diário Oficial, 14/12/12).
A Aquasis possui um programa de monitoramento do Boto-cinza (Sotalia guianensis) desde 2009, observando, acompanhando e fazendo estudos com esse grupo de animais. O Projeto Manatii, também da Aquasis, trabalha no manejo, resgate, acompanhamento, estudo, de alguns mamíferos marinhos, entre eles o peixe-boi e o boto-cinza.
Então, não há dúvidas da importância da manutenção das espécies marinhas para a permanência desse ecossistema que tanto utilizamos, seja mergulhando, pescando ou mesmo num simples banho de praia, por isso é fundamental desenvolvermos consciência do uso desses ambientes a fim de reduzir ao máximo a degradação que podemos gerar neles.
As estrelas-do-mar são animais que pertencem ao Filo Echinodermata e à Classe Asteroidea, na qual são conhecidas aproximadamente 1.500 espécies viventes de estrelas-do-mar. São parentes próximas de animais como o pepinos-do-mar, a bolacha-da-praia, o ouriço-do-mar, pois pertencem ao mesmo Filo.
Oreaster reticulatus
Os Asteroidea possuem o corpo em forma de estrela, que se move livremente e que consiste em um conjunto de braços, ou raios que se projetam de um disco que se localiza na parte central do corpo do animal. Apesar do endoesqueleto de carbonato de cálcio, esses animais possuem grande flexibilidade corporal.
São animais que rastejam lentamente sobre rochas, conchas, ou vivem sobre fundos arenosos ou de lama. São encontrados em todo o mundo, inclusive em grande parte da costa cearense, em cidades como Barroquinha, Fortaleza, Caucaia, São Gonçalo do Amarante e Cascavel.
Astropecten marginatus
A maioria das espécies de Asteroidea possuem cinco braços, mas o número de braços é variável e pode chegar a até quarenta braços ou mais. A coloração também não é padrão, podendo existir animais vermelhos, alaranjados, azuis, roxos ou verdes, ou exibir combinações de cores.
Grande parte das espécies de estrelas-do-mar têm um tamanho por volta de doze a vinte e quatro centímetros de diâmetro, mas existem exceções que o corpo tem menos de dois centímetros de diâmetro, ou espécies como Pycnopodia helianthoides, que é tipicamente vista nos Estados Unidos e no Canadá, que pode ter quase um metro de envergadura.
Luidia senegalensis
As estrelas que habitam a costa cearense não são nocivas ao ser humano (existe apenas uma espécie de estrela-do-mar que é venenosa e não existem registros dela no Brasil), mas mesmo assim devemos ter cuidado com esses animais, pois manipulando de forma errada, podemos matar ou ferir o animal. As espécies mais comuns no litoral cearense são Echinaster echinophorus, Luidia senegalensis, Astropecten marginatus e Oreaster reticulatus e podem ser encontradas em praias arenosas, lagoas costeiras, estuários com manguezais, recifes de arenito e recifes de praia.
Estrelas-do-mar costumam se alimentar de outros animais como corais, ostras e poríferos (esponjas-do-mar).
Bolacha-da-praia
As bolachas-da-praia ou bolacha-do-mar são relativamente parecidas e constantemente confundidas com as estrelas-do-mar, esses animais também são Echinodermatas e assim como as Asteroidea, estão amplamente distribuídas no litoral cearense, inclusive nas praias de Fortaleza. Elas também não oferecem riscos ao ser humano, mas possuem o corpo ainda mais frágil que o das estrelas-do-mar, sendo ainda mais sensíveis ao contato.
Ao retirar esses animais de dentro do mar, eles morem por não conseguirem respirar fora d'água.
Todos os seres vivos têm importância na natureza, e animais como esses são de fundamental importância para o ecossistema marinho, além de deixar o mar colorido e mais bonito. Temos que preservar os oceanos e cuidar desses animais, para sempre termos o que observar ao mergulhar. Além do fato de que quando estamos cuidando da natureza, estamos cuidando da nossa vida na Terra.
Referências
Zoologia dos Invertebrados de Edward E.Ruppert, 7° edição
Equinodermos do Ceará: Caracterização dos registros cearenses presentes na Coleção do Laboratório de Invertebrados Marinhos do Ceará (LIMCE). Marcos Vieira da Silva1 , Daislany Andreia da Silva Alves1 , Felipe Augusto C. Monteiro1, 2 & Helena Matthews-Cascon1 . 1. UFC - Universidade Federal do Ceará. 2. IFCE - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará.
Biota Marinha da Costa Oeste do Ceara, de Helena Matthews-Cascon e Tito Monteiro da Cruz Lotufo
Os animais mortos que foram fotografados pertencem à Coleção do Laboratório de Invertebrados Marinhos do Ceará (LIMCE).
Os animais vivos foram fotografados em aulas de campo da Prof. Helena Matthews-Cascon
Pequeno tubarão lixa preso nas redes fantasma no Naufrágio Macau. Foto: Marcus Davis.
O naufrágio Macau está localizado no litoral do município de Aracati, localidade detentora de uma das grandes colonias de pesca do Estado. De lá todos os dias partem dezenas de embarcações de pequeno porte para a captura de seres marinhos. Esses pescadores profissionais utilizam diversos métodos para terem sucesso na sua atividade.
O primeiro método que nos vem a cabeça quando pensamos em pesca é a linha e o anzol. Outras estratégias podem ser adotadas pelos pescadores como o uso de manzuás (armadilhas que mantém o pescado vivo até que seja retirado do mar), os currais (armadilhas fixas na área entre marés que aprisionam o pescado durante a preamar para que seja depois recolhido, na baixamar), as redes de espera que são instaladas em determinado local e depois recolhidas com os peixes já mortos em sua malha. Existe ainda outra forma de pesca menos tradicional que é a caça submarina: mergulhadores submergem, escolhem o pescado e o fisgam com arpões. Essas metodologias são as mais comuns em nosso litoral
O problema é que nem sempre tradicional significa sustentável e alguns desses métodos são mais predatórios do que outros. Vamos analisar cada um deles.
A linha e anzol apesar de ser o método mais popular de captura não é dos mais ecologicamente corretos: mesmo com o uso de iscas específicas qualquer peixe pode ser fisgado, inclusive aqueles que não são o alvo da atividade. Logicamente que os peixes não escolhidos podem ser devolvidos ao mar, mas não antes de sofrer um estresse considerável ao ser fisgado e emergido (sua bexiga natatória pode estourar durante a emersão) que pode ser fatal para a presa não selecionada. Frequentemente linhas, anzóis e chumbadas são perdidas poluindo o leito marinho.
Os manzuás ou armadilhas submersas são posicionadas em determinado local com iscas para atrair as presas que adentram na armadilha e não mais conseguem sair. O pescador retorna um ou dois dias depois e recolhe as armadilhas colhendo o resultado da pesca. Com a escolha da isca pode-se, de certa forma, selecionar as presas. No entanto, caso a boia que marca a localização da armadilha seja perdida, o manzuá pode se tornar uma armadilha fantasma e todo o pescado aprisionado perdido.
Os currais são estruturas construídas na área entre marés e que utilizam suas variações para capturar o pescado. Os peixes entram na estrutura (parecida com um labirinto) durante a maré cheia e ficam aprisionados quando a maré seca. Apesar de ser um método ecologicamente correto pois mantém as presas vivas até que estas possam ser selecionadas e devolvidas ao mar, não é um método muito seletivo pois mesmo que seja solta posteriormente, qualquer espécie pode ser capturada.
A caça submarina se for praticada com consciência, respeito pela legislação vigente e pelos seres marinhos pode ser o mais correto e seletivo método de pesca. Isto por que o mergulhador tem a oportunidade de observar e selecionar com precisão o alvo da sua atividade. No Brasil a caça submarina desportiva só pode ser praticada sem equipamentos de mergulho autônomo (ou seja, o mergulhador não pode respirar embaixo d'água), em outros países a atividade pode ser praticada com o uso de aparelhos de mergulho, mas é extremamente fiscalizada e legislações locais devem ser seguidas a risca. O problema da caça submarina no Brasil é que a grande maioria dos praticantes não tem consciência ambiental, não respeitam o defeso nem as leis que regulam a atividade e não tem respeito pela vida marinha, utilizando equipamentos de mergulho não para selecionar, mas para capturar ecossistemas inteiros.
As redes de espera são possivelmente o método mais cruel, menos seletivo e mais predatório existente. Pescadores posicionam redes imensas (muitas vezes com hum quilometro de extensão) ancoradas e marcadas com boias. Dias depois recolhem as redes e como resultado, toda e qualquer espécie pode ser capturada. Muitas vezes tartarugas e outras espécies protegidas são trazidas para superfície já mortas, afogadas. Apesar do funcionamento normal desta metodologia ser por si só predatório, o grande problema acontece quando as redes se soltam de sua ancoragem e vagam pelo oceano capturando e matando nossas preciosidades da amazônia azul.
Neste fim de semana retornamos ao Naufrágio Macau após seis meses de inatividade neste ponto para encontrar uma triste realidade: o naufrágio estava completamente coberto por redes fantasma, como acontece todo ano no início da temporada de mergulho. Imagine você, leitor, uma estrutura com mais de cem metros de comprimento completamente tomada por pedaços de redes de pesca. As principais entradas para o naufrágio estavam bloqueadas. Os peixes que tentassem sair ou entrar seriam aprisionados e morreriam. Um pequeno tubarão lixa lutava agoniado contras as redes que o prendiam e outras espécies foram encontradas já mortas. No dia seguinte estaria morto e três dias depois estaria decomposto. Como a decomposição no mar é muito mais rápida que na superfície nos perguntamos quantas outras espécies teriam sido mortas antes da nossa chegada.
Tubarões são animais marinhos, que pertencem ao grupo dos elasmobrânquios, os peixes-cartilaginosos. Esses animais que podem medir de 12 metros de comprimento como o tubarão-baleia, até 20 centímetros de comprimento como o tubarão-lanterna.
No século 16 s tubarões eram chamados de ''cachorros do mar'', o nome tubarão só foi mencionado apenas em 1569 por um marinheiro, Sir John Hawkings, que usou a expressão ''sharke'', tubarão em inglês. Assim firmando um nome oficial ao animal.
Os tubarões atualmente são vistos como um perigo, mas eles exercem funções primordiais dentro do ecossistema marinho. O tubarão-tigre tem grande importância ecológica além de sua estada na cadeia alimentar, onde essa espécie normalmente procura sua caça em águas rasas em formações de camas de algas, ele vai em busca de peixes-boi e tartarugas, que se alimentam dessas camas. Porém os peixes-boi e as tartarugas evitam esses locais para não serem caçados, então os tubarões-tigre vão em busca em águas mais profundas, deixando a cama de algas livre para peixes e crustáceos se desenvolverem, compactuando com a pescaria humana e o uso recreativo.
Lixas no Naufrágio Macau, em Fortim
Outra função importante desses animais é a manutenção da salubridade dos oceanos, os tubarões como os leões ou outro carnívoro terrestre se alimenta dos animais mais fracos, doentes, feridos ou mortos. contribuindo com a manutenção de infecções e doenças nas populações de peixes e outros animais marinhos. Esses animais são muito visados também na medicina, onde podem exercer várias atividades, uma delas é o extrato da sua cartilagem que é usada no tratamento de doenças osteo-articulares e de queimaduras.
A alimentação desses animais é baseada em:
Os tubarões carnívoros seguem uma dieta regular de peixes, crustáceos, lulas, polvos, tartarugas,
raias, leões marinhos e outros tubarões.
Os tubarões filtradores se alimentam de animais microscópicos, zooplânctons, fitoplânctons e macro-algas.
Os tubarões são animais tidos como ameaçadores e perigosos, mas poucos tubarões realmente são perigosos e atacam os seres humanos propositalmente, muitos ataques ocorrem como uma forma de erro, como os tubarões carnívoros podem nós confundir com usuais presas, como tartarugas ou leões marinhos. Os tubarões que mais podem exercer ameaça aos humanos são os: Tubarão-branco, tubarão-touro e tubarão-tigre.
O Tubarão-branco quando ataca um ser humano foi por erro de identificação: o surfista, banhista ou mergulhador são confundidos com o potencial alimento.
O Tubarão-touro também podem atacar por erro de identificação da presa, mas uma das causas de maior ataque é a relação de banhistas ou mergulhadores como invasores, pois essa espécie é bastante territorialista. O tubarão-touro se sente desprotegido com a presença humana. Porém essa é uma informação pouco informada aos frequentadores das prais.
Já o Tubarão-tigre na maioria de seus ataques está em procura de tartarugas pela costa, e por sua visão pouco aguçada como as outras espécies, confundi o surfista, banhista ou mergulhador como uma presa.
A relação dos homens com os tubarões está muito abalada, o motivo são os ataques que os seres humanos sofreram ao longo do tempo desses animais e a pouco informação gerada em cima desses acontecimentos, levando a população ficar desinformada das causas reais dos acontecimentos. A maioria dos ataques podem não vir dos animais, por se sentirem ameaçados ou com necessidade de alimentação, muitos desses animais não são vilões dos oceanos, são calmos e podem até interagir de forma positiva com banhistas e mergulhadores, como o tubarão-dormidor e o tubarão-lixa, muito
Tubarão-lixa encontrado na Praia de Fortim.
encontrado no Ceará, uma característica desses animais é que ficam no fundo do mar, são formas de atividades noturnas, assim passando a maioria do dia dormindo. Um dos problemas em ataques com essas espécies é de forma provocativa, onde o animal for perturbado de alguma forma, mexendo em sua cabeça ou puxando sua calda. Assim levantando uma questão muito importante relacionada a esses animais e suas interações com os homens: Quem realmente é o vilão?
O mar é o ambiente desses animais, onde eles desempenham suas funções como todo os outros animais, seja marinho ou terrestre. Mas quando há uma perturbação no ambiente esses animais também sofrem, mesmo sendo visto como um animal muito forte. Um dos casos de maior pertubação no ecossistema marinho é na Praia de Boa Viagem em Recife, onde há um número elevado de registros de ataques desses animais. Porém as causas porque esses ataques ocorrem não é totalmente difundida, assim levando o animal a ser caçado e ainda mais reforçando a imagem vilã do tubarão.
O que provavelmente ocorreu na Praia de Boa Viagem foi o fechamento dos rios que desaguavam no mar, impedindo o acesso dos animais aos rios em busca de alimento, a criação do Porto de Suape que acaba trazendo muitos detritos com os navios, esses detritos acabam sejam despejados no mar, sem acesso aos rios os tubarões vão em busca de alimento onde há mais incidência de peixes e outros animais, perto da orla, pois onde estão os detritos deixados pelos navios criando um novo ecossistema. Sem fazer um apontamento da pesca desenfreada e sem fiscalização, mais um fator importante nessa perturbação, retirando o alimento desses animais.
O Ataque em Fernando de Noronha
Fernando de Noronha é muito visado por suas belezas naturais e por não haver essa ''ameaça animal'' aos frequentadores. Após 20 anos de monitoramento na área foi registrado o primeiro ataque a um banhista no mês de dezembro de 2015. Fernando de Noronha é um local muito preservado, onde se há um equilíbrio entre a vida marinha e a interatividade humana, quando se pretende mergulhar há uma precaução, onde o mergulhador deve contatar uma empresa regularizada para poder fazer seu mergulho. Os banhistas não fogem as regulamentações do lugar, onde todos devem usar coletes para poder desfrutar as belezas naturais do local.
O ataque ao banhista ocorreu no dia 21 de dezembro deste ano, ao um turista que estava na praia do Sueste, uma das mais frequentadas do lugar. A vítima foi o contador Márcio de Castro Palmas, de 32 anos. Onde ele relata que estava no mar com profundidade de dois metros observando os peixes, quando observou uma movimentação, com a água turva ele não pode observar o animal de fato. Mas ele relata que não foi muito bem informado sobre tubarões na área, sendo restrita apenas ao fato que haviam tubarões pequenos e que não tinham força de lhe machucar. O animal que atacou o turista foi um tubarão-tigre, que foi constatado pela mordida do animal. Como citado anteriormente esses animais tem a visão pouco limitada, e a água com visibilidade turva como relatada pelo turista evidencia o fator de o tubarão estaria em busca de seu alimento, as tartarugas. Confundindo o contador que estava de colete salva-vidas com uma presa. O que é mal informado pela mídia é o fato de que na praia do Sueste não ocorrem apenas tubarões-lima e tubarão-lixa, que vivem em águas mais profundas, e não possuem dentição para arrancar algum membro de uma pessoa ou animal, por sua adaptação de alimentação. Ocorre também o tubarão-tigre, como é omitido pela mídia, no local há um grande número de tartarugas que são alimento pra esse animal, assim um turista observando essas tartarugas se torna visado, sendo confundido com uma.
Ataques no Ceará
Na nossa terra também temos tubarões, mas há poucos ataques aos frequentadores das praias, onde quando se mergulha se encontra em maior quantidade o tubarão-lixa, que é um animal dócil e de fácil interação. Onde cabe ao frequentador se informar do histórico da praia com um salva-vidas ou bombeiros, para saber os riscos de sofrer um ataque.
Tubarão-lixa preso em rede fantasma.
Devemos atentar que esses animais são silvestres e seguem seu instinto de alimentação como outros animais, a maioria dos problemas de ataques é a interação de forma totalmente negativa a vida marinha. Essa vida está sendo ameaçada de todas as formas possíveis, onde ela é frágil e tende a se desenvolver menos. Não só os tubarões sofrem com a pesca desenfreada, a descarga de lixo nos mares, teste com bombas em meio aos mares fragilizando e matando muitas formas marinhas.
Os tubarões são pescados a toneladas todos os dias, e mutilados, para o uso no prato de sopa de barbatana de tubarão. Não se descrimina fêmeas grávidas, filhotes ou adultos em períodos reprodutivos, não se tem nem a pesca de forma sustentável, sendo criada em cativeiro o que seria o correto para o consumo, não sendo retirada de seu habitat natural para o prato de alguém. Mas isso ocorre com qualquer vida terrestre. Foi capturado mais de 1,500 toneladas de tubarões azuis para o uso em culinária, em 2008, como informa o Ministério do Meio Ambiente. Tentando combater esse crime ambiental em 2014 foi publicada uma Instrução Normativa Interministerial, pelos Ministério da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente, exigindo o desembarque de tubarões e raias com todas as nadadeiras aderidas ao corpo, sendo retiradas após fiscalização, garantindo a erradicação da prática errônea.
Mergulhador Ruver Bandeira mergulhando com tubarões-cinzentos-do-recife, Em Nassau, Bahamas.
É importante atentar que esses animais, quando em seus ecossistemas totalmente equilibrados e não sofrendo essa interação negativa, são totalmente estáveis e pode-se mergulhar e observa-los de perto com pouca porcentagem de risco, como são animais silvestres deve-se sempre atentar a instruções de como agir e obedecê-las, tendo precaução em todos os momentos em que estiver em contato com os animais, conversar com mergulhadores experientes e buscar instrução é a melhor forma de se obter essa experiência única e engrandecedora da observação e conhecimento da vida marinha.
Os mergulhadores tem esse prazer de ver mais de perto esses animais, o mergulho com tubarões é totalmente viável, quando se tem consciência ecológica de preservação, o vislumbre dessas formas de vida já uma dádiva concedida.
Mergulho com tubarão Galha Preta em Abrolhos (BA).
Tubarão-Lixa solto de uma Rede de Pesca por Mergulhadores, Naufrágio Macau.
Por João Ravelly As Esponjas do Mar são os organismos mais simples dentre aqueles que possuem muitas células, os multicelulares. São consideradas bastante plesiomórficas, ou seja, que conservam muitas características basais que estavam, com poucas mudanças, presentes no ancestral bem antigo.
Diversidade de Esponjas.
São animais que não apresentam órgãos ou tecidos verdadeiros, constituídos, basicamente, por uma massa celular embebida em uma substancia gelatinosa e enrijecida. Apresentam crescimento variado desde eretas bem simples a bastante ramificada, além de incrustadas nas rochas e perfuradoras de conchas. A forma de crescimento desses animais pode variar conforme as condições ambientais diversificando seu tamanho de poucos milímetros a metros de diâmetro, tendo seu crescimento sustentado por um conjunto de filamentos compostos de carbonato de cálcio ou sílica podendo ainda possuir uma malha de fibras orgânicas composta por esponginina.
Diversidade de formas de vida de Esponjas.
Apresentam coloração forte como forma de proteção contra a radiação solar ou como defesa de predadores, uma vez que na natureza cores fortes comumente indicam perigo. Ocorrem desde águas mais rasas a águas profundas de forma que seus indivíduos adultos crescem fixos a rochas, naufrágios e, até mesmo, em solos inconsolidados.
No mundo todo há registro de cerca de 8 mil espécies de esponjas com cerca de 150 de água doces. No Brasil são encontradas 330 delas com 44 espécies de água doce. No Ceará esse grupo de animais ainda é pouco estudado, tendo sido registrado menos de 60 espécies ocorrendo no estado.
As esponjas são utilizadas por diversos outros organismos (crustáceos, equinodermos, poliquetas, peixes) como local de proteção e desova uma vez que o corpo desses animais apresenta uma complexa organização tubular, pela qual a água passa carregando alimento. Outra relação curiosa é o fato deles também hospedarem microorganismos como bactérias, fungos, algas, e utilizarem de compostos por eles produzidos como forma de nutrição, podendo até 50% do volume corporal da esponja ser representado por esses organismos.
Associações de Esponjas com outros organismos.
O corpo das esponjas, como já foi dito, é constituído por uma rede de tubos que variam em número e complexidade. A entrada desses tubos é chamada de Óstios que são poros numerosos, enquanto que os Ósculos, que são as saídas, são aberturas maiores e em número reduzido. Possuem uma cavidade interna chamada de Espongiocele ou Átrio, que recebe o fluxo de água dos canais do corpo do animal e conduz para o óstio.
Estrutura corporal de uma Esponja.
Essa conformação corporal pode ser classificada de três formas. A primeira são as Asconóides, mais simples, são organismos tubulares e afilados, crescem em grupos. A segunda são as Siconóides, também são tubulares, mas apresentam uma parede corporal mais espessa e mais complexa com câmaras e um revestimento diferenciado na espongiocele. A última é bem mais complexa e apresentam um porte maior, são as Leuconóides, que são a maioria em águas rasas e em água doce.
Formas estruturais das Esponjas.
Suas células são diferenciadas e realizam funções diferentes. Dentre elas as que são de fundamental importância para as esponjas são os Coanócitos, um tipo de célula das esponjas que são responsáveis por gerar, com a movimentação de seus flagelos, um fluxo de água que carrega partículas de alimento para as esponjas, além de retirar essas partículas com um colarinho que fica na base do flagelo.
A alimentação delas é por filtração pelos coanócitos, que retiram da água partículas e as passa célula a célula; por relação com microorganismo, ou, no caso das mais especializadas, por predação de pequenos crustáceos, sendo elas bastante confundidas com hidras de cnidários por apresentar espículas modificadas que lembram os tentáculos deles.
Quanto à reprodução, as esponjas podem se reproduzir por Fragmentação, quando acidentalmente uma parte do indivíduo e arrancada e ela apresenta a capacidade de gerar um novo indivíduo; Brotamento, quando partes especializadas do animal geram uma protuberância que depois se desprende do animal e gera um novo, podendo formar estruturas de resistência a intempéries do meio; ou de forma Sexuada quando coanócitos e arqueócitos se diferenciam em gametas e são liberados pra fecundação na coluna d’água ou ser fecundado no indivíduo que produz o óvulo e só ser liberado quando formar uma larva Parenquímela que se fixará e constituirá um novo indivíduo.
Reprodução por brotamento em Esponjas.
As esponjas pertencem ao Filo Porifera, recebendo esse nome por conter poros, e possuem três Classes: Calcarea, esponjas calcárias, marinhas, pequenas e em forma de vaso; Hexactinellida, que são conhecidas como “esponjas de vidro” por possuírem espículas de sílica, vivem em águas de 400 a 900 metros de profundidade; e Demospongiae, que são 95% das esponjas vivas atualmente e são as mais conhecidas.
Esponja encontrada em mergulho.
Os peixes, as tartarugas, as estrelas do mar, os moluscos, são os principais predadores das esponjas, sendo eles responsáveis por controlar o crescimento delas, além da competição por recurso com outros organismos como os corais. As esponjas possuem uma grande importância ecológica, econômica, social, histórica e cultural. Na ecológica são valiosíssimas ao filtrar a água retirando matéria orgânica pra se alimentar, servem de alimentos para outros animais, relacionam-se com microorganismos, servem de bioindicador. Na histórica, cultural e social as “esponjas de vidro” são usadas em alguns países como símbolo de amor entre os casais, além das esponjas sem espículas que foram e são usadas como esponja de banho.
Diversidade marinha.
São economicamente importantes na extração de medicamentos como o Aciclovir que é antiviral, o Citarabina e o Eribulina que são anti-oncogênico; são usadas como filtro pra retirar partículas da água; geram prejuízos em cultivos de moluscos, pois algumas perfuram as conchas deles, entre diversas outras importâncias que podem não ter sido descobertas ainda.
Por isso devemos preservar esses animais, evitando quebrá-las e coletá-las sem fins científicos, preservando seus predadores e suas presas, para garantir um equilíbrio do ecossistema marinho para podermos aproveitar ao máximo de suas belezas.
Fontes: Livro - Zoologia dos Invertebrados Barnes, Robert D. - Ruppert, Edward E. - Fox, Richard S.; *As imagens e vídeos foram retirados da internet e todos os direitos devem ser atribuídos à seus idealizadores.