Mostrando postagens com marcador Fauna Marinha Cearense. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Fauna Marinha Cearense. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Aterrinho da Praia de Iracema: a beleza por baixo d'água!

Quem passa pelo aterrinho da Praia de Iracema muitas vezes subestima a beleza viva que pode ser encontrada lá. Pela manhã encontramos uma bela paisagem de uma parte da orla de Fortaleza, com seus grandes de luxuosos hotéis e condomínios contrastando com o brilho do sol do nosso Ceará refletindo no mar, nos Verdes Mares Cearenses. Ao entardecer ficamos deslumbrados com o por-do-sol à oeste em meio a suas cores dispostas no céu e o brilho crepuscular que toca os espigões e a Ponte Metálica.

Por-do-sol no aterro da praia de Iracema. (Foto por Anderson Arcanjo)
À noite, a feirinha movimenta o local, com produtos de artesanato, pessoas caminhando, andando de patins, bicicleta. Ao fim da noite e começo de manhã o movimento cessa como se todo aquele turbilhão de informações que passam durante todo o dia tivesse simplesmente desaparecido. Bem, isso é um rotina que, embora possa ser narrada na voz de belos poetas cearenses chegando ao ponto de se tornar poesia, pode esconder uma beleza infinita: a beleza apenas vista por aqueles que mergulham.

Peixe Cirurgião (Acanthurus chirurgus) encontrado na Praia de Iracema.
Há muita aversão em se banhar nas águas dos aterros da Praia de Iracema. Mas isso decorre do desconhecimento do real potencial natural que há em torno dos espigões que tangencia os aterros. São comuns mergulhadores que, ao concluir seu curso de Open Water Diver ou em seus primeiros mergulhos aqui na orla de Fortaleza, se surpreendem com o que consegue observar em riqueza de peixes, corais, moluscos, algas, e uma infinidade de belezas vistas. Sabemos que a visibilidade varia bastante entre os espigões pois a água apresenta-se mais parada, mas isso pode ser positivo, pois torna-se recanto calmo para reprodução dessas espécies.

Baiacu-de-espinho (Diodon holacanthus).
A depender do dia do mergulho e das condições da água são comuns observar cardumes de peixes, sendo possível nadar ao lado deles. Lagostas, camarões, peixes; são possíveis de ser avistados em mergulhos no aterro.
Peixe Cirurgião (Acanthurus chirurgus) encontrado na Praia de Iracema.
Vale muito conferir todas essas beleza, apesar do principal problemas possível de ser visto: o lixo que é descartado nas proximidades dos aterros como prova do desconhecimento ou desprezo pelas belezas naturais por eles resguardadas.

Lixo em decomposição em meio à vida subaquática no Aterrinho.
Por isso, é fundamental que nós, mergulhadores, tenhamos o cuidado de informar à sociedade como um todo da importância desse ambiente marinho para a conservação da vida marinha, bem como para a manutenção da prática de mergulho em nossa cidade, seja divulgando informações, fotos, vídeos; ou convidando as pessoas para mergulhar em nossa orla. Recai sobre nós a obrigação de monitorar, fiscalizar e cuidar desse nosso objeto de diversão que tanto é importante para a vida de todo o planeta, o ambiente natural marinho.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Raias e Tubarões: primos bem próximos

Com o planeta possuindo grandes mares, não é de se espantar que esse ambiente natural possua uma grande diversidade animal. Basta mergulhar para poder desfrutar de toda essa riqueza natural. São cores, formatos, tamanhos; variações que fascinam até o mais experiente mergulhador. Na costa cearense não é diferente!
Diversidade de peixes ósseos no Parque Estadual Marinho da Pedra da Rica do Meio no Ceará!
Não seria espanto falar que os peixes dominam e ocupam muito bem os mares e oceanos do nosso planeta. E são nesses mares onde os animais possuem diferentes modificações corporais para melhor obter alimentos, fugir de predação, conseguir parceiros para reprodução. Mas, muitas vezes, não temos muita noção de quais animais são representantes desses "peixes".


Peixes: quem são?

Didaticamente, o grande grupo dos peixes é dividido em Peixes Cartilaginosos, que são aqueles que não possuem processos de ossificação característico, e os Peixes Ósseos, os que possuem esqueleto ósseo com minerais associados à esses ossos. O Peixes Ósseos correspondem ao padrão de peixe que temos, aqueles animais marinhos ou dulcícolas, possuindo toda aquela estrutura de espinha rígida, variam muito em forma, tamanhos, cores.

Quimera.
Já os Peixes Cartilaginosos, que correspondem aos Tubarões, as Raias e as Quimeras, são animais que possuem uma estrutura corporal sustentada por cartilagem, um tecido pouco rígido, mas bastante flexível.

As Quimeras são exclusivamente marinhos de grande profundidades, com cauda em forma de chicote, nadadeira dorsal com espinhos característico e 3 pares de aberturas laterais, que correspondem à fendas branquiais, para respiração.

Os Tubarões são animais com corpo geralmente fusiforme, marinhos, carnívoros, com nadadeiras peitorais pares e separadas da cabeça e com 5 a 7 pares de fendas branquiais. 

Tubarão com 5 fendas branquiais vistas á direita da nadadeira peitoral.
As Raias possuem essas fendas branquiais ventrais em 5 pares, nadadeiras peitorais grandes e unidas aos lagos da cabeça e corpo achatado.

Mergulhador em contato com raia. 5 pares de fendas branquiais ventrais bem evidentes.
As Quimeras, por apresentar hábito mais profundo, torna sua visualização em mergulho recreativo difícil, sendo bem mais comum observar os Tubarões e as Raias.


Tubarões e Raias: são tão iguais assim? Sim, mas possuem algumas diferenças.

Os Tubarões e as Raias são geralmente chamados de Elasmobrânquios, ou seja, são bem próximos quanto a suas características corporais e genéticas.

O que difere tubarões de raias é claramente o formato de seus corpos. Os tubarões possuem um corpo, como dito, fusiformes, bem característico deles, que corresponde aquele formato parecido com um torpedo; enquanto que as raias são 'achatadas dorso-ventralmente', ou seja, são mais planas. Quanto ao seu formato, tubarões são claramente nadadores e seu formato acaba por melhorar seus cortes na água; já as raias, geralmente ficam enterradas, tendo seu corpo achatado como vantagem.
Corpo achatado da Raia.
Essa diferença de comportamentos foi permitida devido a diversas modificações que ocorreram ao longo do processo evolutivo desses animais. É comum falar que as raias são tubarões achatados! Isso porque houve toda uma movimentação corporal para que esse achatamento favorecesse essa nova atuação das raias.

Tubarões possuem fendas branquiais laterais, enquanto raias possuem essas mesmas fendas branquiais ventrais. Além disso os tubarões possuem um par de nadadeira peitoral visivelmente separada da cabeça, enquanto que nas raias essa diferenciação é dificultada, pois há uma fusão entre essas partes corporais.

Ainda mais, tubarões se locomovem por movimentação de sua nadadeira caudal, já as raias usam as nadadeiras peitorais como 'asas', 'voando' pelas águas. A boca deles possuem localizações diferente: a de tubarões é frontal, a de raias é ventral. Entre outras características que diferenciam Tubarões de Raias.


Certo! Agora, temos como diferenciar machos e fêmeas?

Cláspers presentes no tubarão
macho à esquerda.
A reprodução dos peixes cartilaginosos é feita por fecundação interna, ou seja, o macho introduz seus gametas na fêmea. Produzem normalmente poucos filhotes e, sim, tem como diferenciar machos e fêmeas.

Os machos possuem uma adaptação nas nadadeiras pélvicas chamada de Clásper, que são adaptados para introdução de gametas na cloaca da fêmea. Ou seja, só há presença dessa modificação em machos. Normalmente é de fácil visualização em machos adultos, na região da barriga, ventral, deles.


E sua ecologia e conservação?

Tubarões são tratados como vilões assassinos brutais dos mares. Raias são as vilãs por matarem usando o 'ferrão' da cauda. Bem, sabemos que não é bem assim! (E essa ideia deve ser riscada mesmo!)

"Encantadora de tubarões": mergulhadora em contato com tubarão.
Muito do que tememos nesses animais são consequências da indústria cinematográfica com seus grandes filmes mostrando somente o comportamento selvagem e brutal de alguns indivíduos, de algumas espécies. Mas há uma grande diversidade desses organismos, inclusive para mergulhos recreativos em grandes aquários mundo a fora.

Para quem mergulha com frequência, se deparar com raias e tubarões não é algo tão desesperador. Isso pelo fato de saber que basta não se comportar com movimentos bruscos, não tentar tocar indiscriminadamente nesses animas. São raros os acidentes envolvendo mergulhadores bem treinados e responsáveis e esses animais, ou seja, eles não são vilões!

Modelo realizando ensaio fotográfico
em meio à tubarões.
Mas essa ideia de monstros assombrosos ameaça muitas espécies animais, e com os tubarões a raias não é diferente. Mas já foi dito aqui no blog do Mar do Ceará que não devemos ter medo dos tubarões, ainda mais por saber que os principais registros de visualizações de tubarão no litoral cearense corresponde ao Tubarão-Lixa, que apresenta raros ou nenhum registro de agressividade; sendo inclusive objeto de muitos estudos por apresentar facilidade com a vida em cativeiro para estudos.

Lembrando que ataques, quando ocorrem, são decorrentes de aumento do estresse animal causado por perturbações em seus ambientes naturais.

Agora, sabendo que Tubarões e Raias são tão parecidos, mesmo como suas diferenças; sabendo como identificar e diferenciar machos de fêmeas, e sabendo que eles não são vilões, quando será seu próximo mergulho?

Referências:
Livro: POUGH, F. Harvey; A vida dos vertebrados. 4. ed. - São Paulo : Atheneu Editora, 2008.

Fotos: 
http://misteriosdomundo.org/wp-content/uploads/2016/04/peixes.jpg;
http://1.bp.blogspot.com/-L0ZZFnNxcGs/TZ79deZb75I/AAAAAAAAAkQ/6HxuCKupblw/s1600/quimerabox.jpg;
http://mundo-marinho.mundoentrepatas.com/imagenes/os-tubaroes.jpg?phpMyAdmin=PfqG0iessiXP%2C5Zcan9pxZp0nv2;
http://noticiasdatv.uol.com.br/media/_versions/mega_shark_space_free_big.jpg;
http://tucuna.com.br/portal/wp-content/uploads/2014/09/tumblr_l307eraEEs1qzou5ko1_1280.jpg;
https://thefisheriesblog.files.wordpress.com/2014/07/female-shark-and-male-shark-with-claspers2.jpg;
https://lh3.googleusercontent.com/-S9PugpFSZ_c/TW8BKKCf_JI/AAAAAAAADTg/TValokV_7p8/s1600/Heliotrygon+gomesi.jpg;
http://www.arthurcaliman.com.br/_upload/magazine/news/ft_zoom_ft_zoom_14_AleSocci-GreenPixel_Bahamas--10jpg018122015092044jpg503032016232732.jpg;
http://s2.glbimg.com/w7-N3zj-uQJ0leH3KweAZ05I5Ds=/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2014/08/06/jiquvzyd.jpg.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Ameaça: Coral Sol identificado no Ceará

Coral-Sol do gênero Tubastraea no Petroleiro do Acaraú, no Ceará. Foto: Marcus Davis. Todos os direitos reservados.

No Ceará existe naufragado a 20 milhas náuticas da costo um navio conhecido como Petroleiro do Acaraú. Este naufrágio permanecia sem identidade até ser corretamente identificado como o petroleiro norte americano Eugene V R Thayer naufragado em abril de 1942 quando foi canhonado por um submarino italiano... tudo isso aconteceu aqui no litoral cearense e sua história foi recentemente publicada no Atlas de Naufrágios do Ceará.
O petroleiro Eugene V R Thayer.

Fantásticas histórias a parte, passados os tempos sombrios da Segunda Guerra Mundial, agora a ameaça é outra. O litoral brasileiro vem sendo colonizado por espécies invasoras que habitam outros mares e, quando chegam aqui, causam um desequilíbrio ambiental.

O coral-sol é uma espécie que pertence ao gênero Tubastraea, natural do Oceano Pacifico. As espécies localizadas no Petroleiro do Acaraú por Marcus Davis e confirmadas pelos doutores Marcelo Oliveira Soares e Pedro Carneiro do Laboratório de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará são Tubastraea tagusensis e T. coccinea. Elas tiveram seus primeiros registros no Brasil pela Bacia de Campos provavelmente trazidos por incrustação em plataformas de petróleo. Em 2006 foi identificada por pesquisadores na Bahia e em 2014 em Sergipe. Acreditava-se que ele não havia ultrapassado o litoral de Pernambuco... até agora.

Compartimentos do naufrágio completamente tomados pelo Coral-Sol. Foto: Marcus Davis. Todos os direitos reservados.

A notícia é vista com receio pela comunidade científica:
Pelo jeito é Tubastraea tagusensis; muito triste que chegou no Ceará, temos até então apenas registros em plataformas de Sergipe o mais para nordeste. O MMA, Ibama e Icmbio estão bem sensibilizados e fazendo um Plano Nacional de Monitoramento e Controle do Coral-Sol no Brasil. Este registro é importante neste sentido. Esclareço que o vetor de introdução é incrustação em plataforma de petróleo e etc, não é agua de lastro. Vocês podem ver maiores informações no Facebook do Projeto Coral Sol (Joel Creed, UERJ)
Foto: Marcus Davis.
Todos os direitos reservados.
Resta saber como ele chegou aqui. Este foi o único avistamento, e não são conhecidos outros locais colonizados pela espécie. No entanto, os porões e áreas abrigadas do naufrágio estão completamente tomados por ele. Nesse caso a história do navio também pode ajudar. O Eugene VR Thayer estava em rota da Argentina para Venezuela, é possível que a espécie tenha sido introduzida ainda neste período? Ou sua chegada é mais recente? 

Existem outros locais na área habitados por este ser? Como salvar as espécies nativas? Segundo pesquisadores os corais-sóis são agressivos a espécies nativas, como o coral-cérebro do gênero Mussismilia, espécies endêmicas do litoral brasileiro que agora estão em risco. Essas questões estão sendo estudas por especialistas, mas normalmente este é um caminho sem volta como o caso do peixe-leão no Caribe.

Saiba mais
O Ceará e a II Guerra Mundial: O Afundamento do "SS Eugene V R Thayer" e o "Petroleiro do Acaraú" - Mais um navio identificado no Ceará?

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Projeto Tamar: mais de 30 anos cuidando das nossas tartarugas marinhas!

As tartarugas encontradas são medidas, pesadas, fotografadas e marcadas pelos profissionais do Projeto Tamar.
O Projeto Tamar, criado em 1980 pelo antigo Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal-IBDF, atual Ibama-Instituto Brasileiro de Meio Ambiente, é um projeto que visa a preservação de tartarugas marinhas. Tamar tem origem de Tartaruga Marinha e atua em pesquisas, monitoramentos, educação socioambiental.

Estagiária do Projeto fixando a etiqueta de marcação. Parte do trabalho do Tamar é identificar as tartarugas encontradas

Tartaruga-Oliva.
Hoje seu reconhecimento é internacional como uma bem sucedida experiência de conservação marinha e é usada como modelo para outros países, principalmente pelo fato de envolver as comunidades costeiras diretamente no seu trabalho socioambiental.

O Projeto Tamar atua em nove estados brasileiros, percorrendo mais de 1.000 km de áreas costeiras visando a preservação de áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso de cinco espécies de tartarugas que ocorrem em nosso país (Tartaruga-cabeçuda, Tartaruga-verde, Tartaruga-de-pente, Tartaruga-de-couro e  Tartaruga-oliva).

Tartaruga-Cabeçuda.
Hoje a expressão Tamar passou a designar o Programa Nacional de Conservação de Tartarugas Marinhas, atuando em cooperação entre o Centro Brasileiro de Proteção e Pesquisa das Tartarugas Marinhas-Centro Tamar, vinculado à Diretoria de Biodiversidade do Instituto Chico Mendes da Biodiversidade-ICMBio, órgão do Ministério do Meio Ambiente, e a Fundação Pró-Tamar, instituição não governamental, sem fins lucrativos, fundada em 1988 e considerada de Utilidade Pública Federal desde 1996.
Tartaruga-de-Couro ou Gigante.
Além do trabalho direto com as tartarugas marinhas, o projeto visa a conscientização ambiental para somar forças em seu trabalho. A responsabilidade social também é levada em consideração, principalmente na geração de emprego e renda para a população que participa em suas ações ou na confecção de artesanato que é vendido pela loja do projeto.

Com o uso de tecnologia, o Projeto Tamar, fazendo uso de localizadores via satélite, monitora as rotas de tartarugas de 2001 e seus resultados são voltados para entender o processo de migração e deslocamento natural delas, concluindo, recentemente, que as tartarugas são riqueza internacional, uma vez que elas percorrem mares de países dos continentes Africano e Americano, sendo necessário uma cooperação internacional na preservação de recurso natural.

No Ceará o Projeto Tamar possui sede na praia de Almofala, no município de Itarema, 190 km de Fortaleza, em uma comunidade indígena, considerada como último reduto dos Tremembé no litoral oeste do Ceará. O projeto monitora  40km de praias, além de locais de desembarque, venda de peixes e mercados públicos.

Pesagem de uma das três
tartarugas encontradas
As tartarugas encontradas nos currais de pesca da região são recolhidas pelo Tamar para reabilitação ou apenas para marcação, coleta de dados, etc. Acompanhamos o trabalho desses profissionais em Itarema, CE.

No estado a Tartaruga-Verde é o centro das atenções, pois elas comumente sofrem com as pescas irregulares ou utilizando equipamentos e técnicas que prejudicam a tartaruga, como redes, currais e caçoeiras.

Portanto é importante que estejamos ciente de projetos que visam a preservação dos ecossistemas naturais, uma vez que eles são nosso principal ambiente de diversão, além do fato de serem fundamentais para a manutenção da vida no planeta.

Acompanhamos o trabalho desses profissionais em Itarema


Referências:
http://www.projetotamar.org.br/index.php;
http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/docs-plano-de-acao/pan-tartarugas/livro_tartarugas.pdf;

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Aquasis: além do mar, no ar!



A Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos, mais conhecida por Aquasis foi fundada em abril de 1994, no Ceará. É uma organização civil que não objetiva obter fins lucrativos, fundada a partir da equipe de um grupo de estudo, o GECC (Grupo de Estudo de Cetáceos do Ceará) que atuava desde 1992 pesquisando e conservando os mamíferos marinhos do estado do Ceará, ampliando sua abrangência de atuação a fim de envolver as espécies mais ameaçadas do estado.

A Aquasis trabalha, a mais de 20 anos, não só com animais marinhos. Ela desenvolve projetos também com aves e ambientes costeiros e continentais de grande importância ecológica. São programas dela:
  • Programa de Conservação de Aves Ameaçadas, trabalhando com o Soldadinho-do-Araripe, o Periquito-Cara-Suja, Maçarico-do-Papo-Vermelho e aves migratórias;
  • Programa de Conservação de Mamíferos Marinhos, atuando na conservação e estudo de mamíferos marinhos que ocorrem no Ceará, no noroeste do Rio Grande do Norte e no Piauí, principalmente o Boto-Cinza e o Peixe-Boi Marinho; que, até 2001, era ainda parte o então extinto GECC;
  • Programa de Áreas Protegidas, criado em 2010, que atua reconhecendo e protegendo ambientes de grande importância ecológica, principalmente na criação e implementação de áreas de proteção no Ceará visando preservar áreas fundamentais para conservação de espécies animais como matas úmidas e estuários; articulando, hoje, a criação de três Unidades de Conservação (UC) – Refúgio de Vida Silvestre Peixe-boi Marinho, Área de Proteção Ambiental Litoral Leste do Ceará e uma Unidade de Proteção Integral Soldadinho-do-Araripe.
Estuário do Rio Pacoti - CE.
  • E o Programa de Educação Ambiental, visando conscientizar a sociedade de importância de conservação dos ambientes e animais, atuando em campanhas de conscientização e envolvimento da comunidade por meio dessa educação sobre a importância regional, nacional e, até, mundial das espécies tratadas. Claro, se não houver ajuda dos membros da comunidade, a luta pela conservação das nossas belezas naturais é bastante dificultada.
Por meio de critérios levando em conta os riscos que as espécies correm, a Aquasis atribui Áreas Prioritárias de atuação, são elas:
  • A Bacia dos rios Timonha e Ubatuba (CE), pela presença do Peixe-Boi marinho, de aves migratórias, de manguezais e de ilhas estuarinas;
  • A Chapada do Araripe (CE, PE, PI), pelo Soldadinho-do-Araripe, por outras aves ameaçadas, pela mata úmida e por importantes recursos hídricos;
  • O Maciço de Baturité (CE), pelo Periquito-Cara-Suja, por aves ameaçadas e pela presença de mata úmida;
  • Quixadá (CE), pelo Periquito-Cara-Suja;
  • O Litoral leste do Ceará, pela presença de Peixe-Boi, pelos bancos de algas e plantas marinhas, pelas falésias, aves migratórias e pela pesca artesanal;
  • E a Região Metropolitana de Fortaleza, por apresentar o Boto-Cinza e pra ordenamento da expansão urbana. 
Áreas de Prioridade da Aquasis.


Mas como podemos ajudar? 

Por meio da associação aos projetos da Aquasis. São eles o Projeto Arca de Noé, que arrecada fundos por meio da conta de luz (Coelce) para apoiar as ações de conservações dos animais marinhos e aves ameaçados; o Adote um Peixe-Boi, que atua nos cuidados com peixes-boi órfãos com alimentação, medicamentos e cuidados, por meio de doações pelo PagSeguro ou PayPal, e o Projeto Manatí, que atua no monitoramento de encalhes, resgate, reabilitação e educação ambiental para conservação do Peixe-Boi Marinho, que abre edital para voluntários que queiram trabalhar nessa área.

Não há dúvidas da importância do papel da Aquasis na manutenção das belezas que tanto apreciamos, seja no mar ou em terra mesmo. Por isso é importante nos conscientizarmos e ajudar a Aquasis em sua luta constante.

Referências:
Aquasis - http://www.aquasis.org/
Adote um Peixe-Boi - http://www.aquasis.org/apoiar.php?id_apoiar=9
Projeto Arca de Noé - https://sites.google.com/a/aquasis.org/arcadenoe/
Projeto Manatí - http://www.projetomanati.org.br/aquasis/pt-br/manati/home
http://servidorsemace.blogspot.com.br/2012/09/estado-de-conservacao-do-meio-ambiente.html

domingo, 20 de março de 2016

Golfinhos na Beira Mar em Fortaleza: quem são os botos-cinza?

Boto-cinza Sotalia guianensis. (Foto: O Povo)
O boto-cinza (Sotalia guianensis) é um golfinho de pequeno porte que apresenta uma coloração acinzentada podendo variar de tom para mais claro ou mais escuro e com nadadeira dorsal triangular e pequena. É um mamífero aquático que pode atingir pouco mais de 2 m de comprimento, pesando cerca de 120 kg. Sua distribuição é costeira da América Central (Nicarágua) até o sul do Brasil (Santa Catarina).

Boto-cinza na enseada do Mucuripe.
(Foto: O Povo)
São, muitas vezes, vistos bem próximos da orla, geralmente pela manhã bem cedo e fim de tarde. Em pesquisas recentes, foi constatada uma preferência de ocorrência desses animais por cerca de 800m de distância da costa, quase sempre próximos a construções humanas como espigões, portos, marinas e estaleiros, pois essas construções os auxiliam no aprisionamento e captura de peixes.

Possuem expectativa de vida de cerca de 30 anos e idade média de maturação sexual começando com cerca de sete anos nos machos e entre cinco e oito anos nas fêmeas. A gestação deles pode durar 12 meses e os filhotes já nascem com cerca de 90 cm.

Grupo de boto-cinza. (Foto: Opovo)
São predadores considerados de topo, ou seja, está mais alto na cadeia alimentar, alimentando-se de peixes, crustáceos, moluscos, geralmente encontrados em regiões mais fundas, podendo ainda ser obtidas por meio de interações com outros botos do seu grupo.

São animais que vivem em grupos que podem conter, em média, 15 indivíduos e procuram, na costa, águas mais amena para sua sobrevivência, mas são bastante afetados pelas ações humanas que, podem algumas vezes ajudar, mas na maioria delas atrapalham na manutenção da vida desses animais.


O Risco
Mancha de resíduos levados ao
mar por água de chuva em Fortaleza.
A poluição da costa com o despejo irregular de esgoto, bem como de águas poluídas provindas de rios e galerias de chuva também poluída são o principal agressor desses animais, uma vez que as águas poluídas levam micro-organismos que geram doenças nos botos.

O avanço humano ao mar com a construção de espigões, marinas e estaleiros, acaba por fragilizar os ambientes ao quais os Botos-cinza estão presentes, dificultando na exploração do ambiente e obtenção de alimentos desses animais.

A presença de lixo sólido também agride sua integridade. Ao estudar o conteúdo estomacal de botos-cinza que morreram encalhados, pesquisadores constataram a presença de plástico, podendo relacionar a morte e posterior encalhe do animal com o material encontrado.

Lixo descartado irregularmente na
Beira Mar de Fortaleza.

Além disso, a pesca desordenada também representa perigo para o boto-cinza, seja reduzindo seus recursos ou mesmo na morte de alguns indivíduos, o que prejudica ainda mais na manutenção de grupo animal na nossa costa.


A importância
Como falado anteriormente, os Botos-Cinza (Sotalia guianensis) são predadores de topo, o que acarreta numa grande importância ecológica: a manutenção do equilíbrio do ecossistema. Assim, o boto-cinza regula a quantidade de organismos que vivem próximos a eles, seja predando diretamente, seja predando seus predadores.
Boto-cinza encontrado morto na
Beira Mar de Fortaleza apresentando
 marcas de rede de pesca.

A manutenção do equilíbrio costeiro que é realizada em parte pelos botos-cinza é fundamental para a continuidade de uma importante atividade econômica do estado do Ceará: a pesca. Um desequilíbrio desse ecossistema acarretaria um prejuízo ecológico e financeiro de grande proporção.

Além disso, o turismo é uma fonte econômica importante e a presença desses animais na nossa orla de Fortaleza pode ainda atrair o turismo com a demonstração de belezas naturais do nosso estado, com os incríveis saltos fora da água que eles podem fazer, divertindo a todos que os visualizam.

Boto-cinza observado na enseada
 do mucuripe. Foto por Yuri Alexsander, em 24/06/2011.

Em um recente levantamento desses animais, apenas 41 deles foram foto-identificados na enseada do Mucuripe, aqui em Fortaleza-CE, e esse número é bastante preocupante uma vez que não era tão difícil assim vê-los na Praia de Iracema, na Beira Mar, mas as visualizações estão cada vez mais reduzidas.

A conservação
Os Botos-Cinza foram declarados Patrimônio Natural de Fortaleza por meio da Lei nº 9949 de 13 de dezembro de 2012. A lei, além de objetivar proteger o boto-cinza na enseada do Mucuripe, tornou o dia 8 de junho, dia considerado como Dia Mundial dos Oceanos, como o Dia do Boto-Cinza Sotalia Guianensis.

Lei que declara o boto-cinza patrimônio natural de Fortaleza (Diário Oficial, 14/12/12).

A Aquasis possui um programa de monitoramento do Boto-cinza (Sotalia guianensis) desde 2009, observando, acompanhando e fazendo estudos com esse grupo de animais. O Projeto Manatii, também da Aquasis, trabalha no manejo, resgate, acompanhamento, estudo, de alguns mamíferos marinhos, entre eles o peixe-boi e o boto-cinza.

Então, não há dúvidas da importância da manutenção das espécies marinhas para a permanência desse ecossistema que tanto utilizamos, seja mergulhando, pescando ou mesmo num simples banho de praia, por isso é fundamental desenvolvermos consciência do uso desses ambientes a fim de reduzir ao máximo a degradação que podemos gerar neles.

Boto-cinza com filhote.
Conheça mais!
Referências:
Imagens:


segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

As estrelas-do-mar: pedacinhos do céu que vivem no mar

Echinaster echinophorus

As estrelas-do-mar são animais que pertencem ao Filo Echinodermata e à Classe Asteroidea, na qual são conhecidas aproximadamente 1.500 espécies viventes de estrelas-do-mar. São parentes próximas de animais como o pepinos-do-mar, a bolacha-da-praia, o ouriço-do-mar, pois pertencem ao mesmo Filo.

Oreaster reticulatus 
Os Asteroidea possuem o corpo em forma de estrela, que se move livremente e que consiste em um conjunto de braços, ou raios que se projetam de um disco que se localiza na parte central do corpo do animal. Apesar do endoesqueleto de carbonato de cálcio, esses animais possuem grande flexibilidade corporal.

São animais que rastejam lentamente sobre rochas, conchas, ou vivem sobre fundos arenosos ou de lama. São encontrados em todo o mundo, inclusive em grande parte da costa cearense, em cidades como Barroquinha, Fortaleza, Caucaia, São Gonçalo do Amarante e Cascavel.

Astropecten marginatus 
A maioria das espécies de Asteroidea possuem cinco braços, mas o número de braços é variável e pode chegar a até quarenta braços ou mais. A coloração também não é padrão, podendo existir animais vermelhos, alaranjados, azuis, roxos ou verdes, ou exibir combinações de cores.

Grande parte das espécies de estrelas-do-mar têm um tamanho por volta de doze a vinte e quatro centímetros de diâmetro, mas existem exceções que o corpo tem menos de dois centímetros de diâmetro, ou espécies como Pycnopodia helianthoides, que é tipicamente vista nos Estados Unidos e no Canadá, que pode ter quase um metro de envergadura.

Luidia senegalensis 


As estrelas que habitam a costa cearense não são nocivas ao ser humano (existe apenas uma espécie de estrela-do-mar que é venenosa e não existem registros dela no Brasil), mas mesmo assim devemos ter cuidado com esses animais, pois manipulando de forma errada, podemos matar ou ferir o animal.

As espécies mais comuns no litoral cearense são Echinaster echinophorus, Luidia senegalensis, Astropecten marginatus e Oreaster reticulatus e podem ser encontradas em praias arenosas, lagoas costeiras, estuários com manguezais, recifes de arenito e recifes de praia. 

Estrelas-do-mar costumam se alimentar de outros animais como corais, ostras e poríferos (esponjas-do-mar).

Bolacha-da-praia
As bolachas-da-praia ou bolacha-do-mar são relativamente parecidas e constantemente confundidas com as estrelas-do-mar, esses animais também são Echinodermatas e assim como as Asteroidea, estão amplamente distribuídas no litoral cearense, inclusive nas praias de Fortaleza. Elas também não oferecem riscos ao ser humano, mas possuem o corpo ainda mais frágil que o das estrelas-do-mar, sendo ainda mais sensíveis ao contato.

Ao retirar esses animais de dentro do mar, eles morem por não conseguirem respirar fora d'água.

Todos os seres vivos têm importância na natureza, e animais como esses são de fundamental importância para o ecossistema marinho, além de deixar o mar colorido e mais bonito. Temos que preservar os oceanos e cuidar desses animais, para sempre termos o que observar ao mergulhar. Além do fato de que quando estamos cuidando da natureza, estamos cuidando da nossa vida na Terra. 


Referências
  • Zoologia dos Invertebrados de Edward E.Ruppert, 7° edição
  • Equinodermos do Ceará: Caracterização dos registros cearenses presentes na Coleção do Laboratório de Invertebrados Marinhos do Ceará (LIMCE). Marcos Vieira da Silva1 , Daislany Andreia da Silva Alves1 , Felipe Augusto C. Monteiro1, 2 & Helena Matthews-Cascon1 . 1. UFC - Universidade Federal do Ceará. 2. IFCE - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará.
  • Biota Marinha da Costa Oeste do Ceara, de Helena Matthews-Cascon e Tito Monteiro da Cruz Lotufo
  • Os animais mortos que foram fotografados pertencem à Coleção do Laboratório de Invertebrados Marinhos do Ceará (LIMCE).
  • Os animais vivos foram fotografados em aulas de campo da Prof. Helena Matthews-Cascon 

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Pesca Fantasma: mais um tubarão solto de redes de pesca abandonadas!

Pequeno tubarão lixa preso nas redes fantasma no Naufrágio Macau. Foto: Marcus Davis.
O naufrágio Macau está localizado no litoral do município de Aracati, localidade detentora de uma das grandes colonias de pesca do Estado. De lá todos os dias partem dezenas de embarcações de pequeno porte para a captura de seres marinhos. Esses pescadores profissionais utilizam diversos métodos para terem sucesso na sua atividade.

O primeiro método que nos vem a cabeça quando pensamos em pesca é a linha e o anzol. Outras estratégias podem ser adotadas pelos pescadores como o uso de manzuás (armadilhas que mantém o pescado vivo até que seja retirado do mar), os currais (armadilhas fixas na área entre marés que aprisionam o pescado durante a preamar para que seja depois recolhido, na baixamar), as redes de espera que são instaladas em determinado local e depois recolhidas com os peixes já mortos em sua malha. Existe ainda outra forma de pesca menos tradicional que é a caça submarina: mergulhadores submergem, escolhem o pescado e o fisgam com arpões. Essas metodologias são as mais comuns em nosso litoral

O problema é que nem sempre tradicional significa sustentável e alguns desses métodos são mais predatórios do que outros. Vamos analisar cada um deles. 

A linha e anzol apesar de ser o método mais popular de captura não é dos mais ecologicamente corretos: mesmo com o uso de iscas específicas qualquer peixe pode ser fisgado, inclusive aqueles que não são o alvo da atividade. Logicamente que os peixes não escolhidos podem ser devolvidos ao mar, mas não antes de sofrer um estresse considerável ao ser fisgado e emergido (sua bexiga natatória pode estourar durante a emersão) que pode ser fatal para a presa não selecionada. Frequentemente linhas, anzóis e chumbadas são perdidas poluindo o leito marinho.

Os manzuás ou armadilhas submersas são posicionadas em determinado local com iscas para atrair as presas que adentram na armadilha e não mais conseguem sair. O pescador retorna um ou dois dias depois e recolhe as armadilhas colhendo o resultado da pesca. Com a escolha da isca pode-se, de certa forma, selecionar as presas. No entanto, caso a boia que marca a localização da armadilha seja perdida, o manzuá pode se tornar uma armadilha fantasma e todo o pescado aprisionado perdido.

Os currais são estruturas construídas na área entre marés e que utilizam suas variações para capturar o pescado. Os peixes entram na estrutura (parecida com um labirinto) durante a maré cheia e ficam aprisionados quando a maré seca. Apesar de ser um método ecologicamente correto pois mantém as presas vivas até que estas possam ser selecionadas e devolvidas ao mar, não é um método muito seletivo pois mesmo que seja solta posteriormente, qualquer espécie pode ser capturada.

A caça submarina se for praticada com consciência, respeito pela legislação vigente e pelos seres marinhos pode ser o mais correto e seletivo método de pesca. Isto por que o mergulhador tem a oportunidade de observar e selecionar com precisão o alvo da sua atividade. No Brasil a caça submarina desportiva só pode ser praticada sem equipamentos de mergulho autônomo (ou seja, o mergulhador não pode respirar embaixo d'água), em outros países a atividade pode ser praticada com o uso de aparelhos de mergulho, mas é extremamente fiscalizada e legislações locais devem ser seguidas a risca. O problema da caça submarina no Brasil é que a grande maioria dos praticantes não tem consciência ambiental, não respeitam o defeso nem as leis que regulam a atividade e não tem respeito pela vida marinha, utilizando equipamentos de mergulho não para selecionar, mas para capturar ecossistemas inteiros.

As redes de espera são possivelmente o método mais cruel, menos seletivo e mais predatório existente. Pescadores posicionam redes imensas (muitas vezes com hum quilometro de extensão) ancoradas e marcadas com boias. Dias depois recolhem as redes e como resultado, toda e qualquer espécie pode ser capturada. Muitas vezes tartarugas e outras espécies protegidas são trazidas para superfície já mortas, afogadas. Apesar do funcionamento normal desta metodologia ser por si só predatório, o grande problema acontece quando as redes se soltam de sua ancoragem e vagam pelo oceano capturando e matando nossas preciosidades da amazônia azul. 

Neste fim de semana retornamos ao Naufrágio Macau após seis meses de inatividade neste ponto para encontrar uma triste realidade: o naufrágio estava completamente coberto por redes fantasma, como acontece todo ano no início da temporada de mergulho. Imagine você, leitor, uma estrutura com mais de cem metros de comprimento completamente tomada por pedaços de redes de pesca. As principais entradas para o naufrágio estavam bloqueadas. Os peixes que tentassem sair ou entrar seriam aprisionados e morreriam. Um pequeno tubarão lixa lutava agoniado contras as redes que o prendiam e outras espécies foram encontradas já mortas. No dia seguinte estaria morto e três dias depois estaria decomposto. Como a decomposição no mar é muito mais rápida que na superfície nos perguntamos quantas outras espécies teriam sido mortas antes da nossa chegada.

Soltamos o bebê-lixa e retiramos 80% das redes fantasmas que estavam depredando o naufrágio apenas para termos a certeza de que em breve o Macau estará novamente coberto por redes. Este é o terceiro tubarão lixa que soltamos de redes fantasma no Naufrágio Macau desde 2011. Quantos outros morreram antes da nossa chegada? 

Esperamos que esta matéria seja um alerta para as autoridades intensificarem a fiscalização e protegem melhor nosso patrimônio. 

Veja também: