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quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Uma Coincidência: Dois navios da Segunda Guerra naufragados no Ceará!

Um LST e um LCT da II Guerra, ambos naufragados no Ceará. Imagem ilustrativa.
É de conhecimento comum que vários navios de diversas nacionalidades naufragaram em nosso litoral durante a Segunda Guerra Mundial. O fato curioso é algo que aconteceu em nossos mares após a Guerra. Para entendermos melhor vamos primeiro a um pouco de história...

O intenso esforço de guerra acelerou a produção industrial em todo o mundo. Armas, munições, tanques, aviões e, principalmente, navios eram extremamente necessários para vencer. Como maioria do transporte em larga escala e por grandes distâncias era feita através dos mares, milhares de embarcações foram construídas com os mais variados propósitos: transporte, combate, desembarque, etc. A intensa expansão industrial produziu milhares dos chamados "vasos de guerra".

Com o ataque a Pearl Harbor e a entrada dos EUA no conflito no início dos anos 40, sua marinha precisava de meios para desembarcar suas tropas nas praias do Pacifico e da Europa, e por este motivo encomendaram centenas de embarcações chamadas LCT's (Landing Craft Tank) e LST's (Landing Ship Tank). Essas embarcações foram inicialmente desenvolvidas pela Royal Navy, sendo posteriormente fabricadas em larga escala pela US Navy.

Diferença entre o LST e o LCT.
Os LCT's eram embarcações capazes de transportar e desembarcar rapidamente e em qualquer praia até 5 tanques de pequeno porte. Não eram utilizados para navegar grandes distâncias apesar de seu alcance chegar a 700 milhas náuticas. Em suas várias versões, tinha até 36m de comprimento.

Planta básica do LCT.
Já os LST's eram navios maiores desenhados para cruzar os mares com grande quantidade de carga por longas distâncias. Com seus quase 100m de comprimento tinham um alcance de até 9.000 mn e podiam carregar até 18 tanques ou 33 caminhões! Apesar de fortemente armado seu propósito era desembarcar os equipamentos após a poeira da balha baixar.

Diagrama Esquemático de um LST.
O problema foi que após a guerra os EUA não sabia o que fazer com tantas embarcações. Muitas foram deliberadamente afundadas no mar assim como tanques e outros veículos como aconteceu com grande parte desses equipamentos no Pacifico pois era mais barato do que transportar tudo de volta para os Estados Unidos. Outras foram usadas como alvos em exercícios militares a exemplo da frota japonesa em Truk Lagoon. Algumas foram sucateadas e outras tantas foram vendidas para marinhas de diferentes partes do mundo, sendo algumas destas convertidas em cargueiros a serviço de variadas companhias mercantes.

Um LST. Imagem ilustrativa.
E foi este fato que colocou em nossos mares duas embarcações fabricadas durante a Segunda Guerra, ambas nos Estados Unidos, e por enorme coincidência ambas utilizadas para o transporte e desembarque de tropas e que agora jazem naufragadas no litoral leste do Estado, quase anônimas.

Uma delas foi comprada por uma companhia mercante no Rio de Janeiro no início da década de 50. Era um LST que foi reformado e transformado em navio cargueiro batizado "Macau". Seu naufrágio está registrado no livro Naufrágios e Afundamentos na Costa Brasileira, na data de 22 de dezembro de 1961, quando pegou fogo e incendiou-se.

Croqui do Naufrágio dos Remédios.
O outro é um LCT cujo o passado ainda é pouco conhecido. Alguns contam que naufragou em 1986, pertencia a Marinha de Guerra Brasileira e que seu nome era Nossa Senhora dos Remédios. Já outros dizem que pertencia a uma companhia mercante e que já fora até utilizada para o abastecimento da ilha de Fernando de Noronha. Seja qual for sua historia, o fato é que a cerca de 7 mn da Praia do Uruaú existe um LCT naufragado a 16m de profundidade cujo o nome ainda pode ser lido em alto relevo no casco: "CYPRESS". Menor e logo abaixo também pode-se ler: "US ARMY", ao contrário de US Navy como muitos poderiam imaginar.

Naufrágios da Costa Leste.
A coincidência: duas embarcações fabricadas pelos EUA, durante a II Guerra, para desembarque de tropas, naufragaram com um intervalo de tempo de 25 anos no litoral leste do Ceará a menos de 13 mn uma da outra!

1 mn = 1,852 km


Vídeos Recomendados
http://www.youtube.com/watch?v=5TJfsp0iWTw - Remédios/Cypress.
http://www.youtube.com/watch?v=K2DOy7pa1xM - Macau





Texto
Marcus Davis

sábado, 16 de julho de 2011

Arqueólogos localizam submarino alemão U-513 na costa de Santa Catarina


A família Schurmann, que vive embarcada há 20 anos em aventuras pelos mares do mundo, anunciou ter encontrado os destroços de um submarino nazista que foi abatido pelas forças aliadas no litoral de Santa Catarina durante a 2ª Guerra Mundial.

Os restos do submarino alemão U513, afundado por um avião americano em águas territoriais brasileiras durante a Segunda Guerra Mundial, foram encontrados a 75 m de profundidade próximo ao litoral catarinense, informaram nesta sexta-feira cientistas.

O submarino nazista, que chegou a afundar um navio mercante brasileiro, foi encontrado em um local do Oceano Atlântico próximo às praias de São Francisco do Sul (SC). "Por enquanto, só podemos confirmar que o submarino foi encontrado na quinta-feira à noite. Foi o que nos informou por sinal via satélite do alto-mar Vilfredo Schurmann, que comanda a operação", disse o oceanógrafo Rafael Medeiros, pesquisador da Universidade do Vale do Itajaí (Univali).

terça-feira, 21 de junho de 2011

Por Dentro de um Submarino da II Guerra - USS Bowfin

USS Bowfin (SS-287) - The Pearl harbor Avenger
Vista da torre do submarino
Poucos de nós temos a oportunidade de realizar nossos sonhos de criança. Eu tive essa sorte. Filho de mergulhadores, minha infância girou em torno do mar e do mergulho. Filmes de submarinistas e com eles a II Guerra ilustravam minhas brincadeiras de criança com isso veio a curiosidade de desvendar o mistério do interior de um desses vasos de guerra submersíveis. Foi aos 25 anos de idade que realizei esse sonho ao visitar Pearl Harbor, no Havaí, EUA. Esta base militar localizada nestas ilhas paradisíacas foi palco de umas das mais ofensivas batalhas entre japoneses e americanos onde estes últimos foram massacrados. 

Vítimas do SS 287
No aniversário de hum ano desta batalha, em sete de dezembro de 1942 era lançado em algum lugar do território norte americano o submarino USS Bowfin, batizado de submarino da vingança. Seu palco de guerra seria na ásia para combater justamente os japoneses que destruíram Pearl Harbor em um ataque traiçoeiro. O Bowfin teve grande sucesso. Após nove patrulhas chegou ao final da guerra com uma contagem incrível de 39 navios mercantes japoneses, 01 francês que fazia parte de um comboio japonês, 04 navios militares também japoneses além de muitos outros danificados.

O autor no submarino
Hoje o USS Bowfin ou SS-287 faz parte do complexo histórico de Pearl Harbor e está aberto a visitação. É possível percorrer toda a extensão do submarino, desde a sala de torpedos de vante a até a ré. Está perfeitamente conservado e guarda vários objetos da época. As visitas não são guiadas, mas o visitante recebe um rádio ao pagar a taxa de $10 para entrar no sub que dá explicações (em inglês) sobre o que estiver vendo. É sem dúvida uma viagem no tempo.

Além de visitar o submarino, o ticket também dá direito a entrada no Museu de Submarinos do complexo. Nele estão vários objetos e relíquias da evolução dos subs a artefatos pertencentes a tripulação do Bowfin.

Assista agora o vídeo gravado no interior do submarino! 



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pearl Harbor: "O dia da Infâmia"

Entrada do Complexo Historico de Pearl Harbor. Detalhe veteranos tem vaga reservada no estacionamento.

O dia era 7 de dezembro de 1941. A Segunda Guerra Mundial devastava a Europa. Alemanha, Japão e Itália se uniram em busca de novos mercados para bens produzidos por suas industrias. Os Estados Unidos da América ainda não entrara no conflito, mas era apenas uma questão de tempo, ou melhor, pouco tempo. Dias antes uma frota de seis porta-aviões carregando 353 aviões japoneses partia de sua terra natal com destino ao seu alvo: a base naval norte americana de Pearl Harbor onde estava ancorada toda a frota Norte Americana do Pacifico, cerca de 30 navios de guerra.

Imagens da Batalha


O Japão ainda não havia declarado guerra aos Estados Unidos, o telegrama formal seria entregue ainda naquela manha, logo após o inicio dos ataques traiçoeiros. 353 aviões japoneses partiram de navios porta-aviões localizados a 12 milhas da ilha de Oahu onde estava a base. As primeiras bombas foram lançadas pela primeira leva de aviões as 7:55 da manha.

Museus, Memoriais, Submarinos e
Navios de Guerra
No ataque vários navios foram afundados, campos de pouso foram destruídos e aeronaves bombardeadas além das perdas materiais cerca de 1.900 marinheiros e soldados americanos perderam suas vidas. Foi o maior e mais traiçoeiro ataque em solo americano arquitetado por uma naçao. Um excelente estratégia de guerra que entrou para a historia "O dia da Infâmia".

Hoje Pearl Harbor além de uma base naval é uma das atraçoes da ilha havaiana de Oahu e um local onde a guerra ainda pode ser vista, sentida e ouvida para que nunca seja esquecida. Museus, memoriais e navios de guerra podem e devem ser visitados.

No complexo "Pearl Harbor Historic Sites" estão verdadeiras relíquias para aficionados em II Guerra e historia naval. Entre elas destacamos o Memorial do USS Arizona, o Museu de Pearl Harbor, o submarino americano USS Bowfin, o Museu de Submarinos, o navio de guerra USS Missouri e o Museu de Aviação do Pacifico.

1.177 homens perderam as vidas e 900 ainda permanecem dentro do naufragio
Memorial do USS Arizona
O Navio de Guerra USS Arizona é um dos símbolos do ataque a Pearl Harbor. Violentas explosões devastaram o navio e sua tripulaçao. O casco do Arizona tocou o fundo nos 20 primeiros minutos do ataque levando consigo 1.177 vidas. O antigo navio ficou completamente destruído e não pode ser reaproveitado, além disso 900 corpos ainda permanecem dentro do navio sendo assim considerado um túmulo de guerra. Em 1957 o governo dos EUA, o governo do Havai e a iniciativa privada construíram o Memorial do Arizona sobre os restos do navio, e um local para relembrarmos as vidas perdidas naquele dia. Os nomes dos marinheiros estão pra sempre gravados nas paredes do memorial e partes do navio emergem na maré seca apenas para lembrarmos que apesar do tempo o massacre aconteceu de verdade.  Para chegarmos até ele é necessário pegar um barco que faz o transporte a cada 15 minutos. Hoje os veteranos que desejarem descansar em paz ao lado dos colegas que se foram podem ter suas cinzas depositadas dentro do interior do naufragio.

O Museu de Pearl Harbor
Ao chegarmos do memorial a visita ao museu de Pearl Harbor se faz necessária. La é possível entender melhor o ataque e observar artefatos retirados do navio. Os restos de um torpedo aéreo japonês que realmente explodiu é um dos artefatos mais interessantes, bem como uma maquete em escala do naufrágio do USS Arizona e do Memorial e roupas manchadas de sangue usadas por aquele quesocorreram os feridos.

USS Bowfin. O Submarino da Vingança
O Submarino USS Bowfin
USS Bowfin vista da torre
O submarino SS287 ou USS Bowfin é também conhecido como o submarino da vingança porque foi o que mais afundou embarcacoes japonesas. O submarino é aberto a visitação e é possível visitar boa parte dele. A visita se inicia pelo convés onde podemos descer para a sala de torpedos de vante, seguimos pelo compartimento dos oficiais, sala de comando, sala de comunicacoes, acomodacoes da tripulação, sala de maquinas, sala de controles eletricos, finalizando com a a sala de torpedos de ré. E incrível imaginarmos a vida a bordo de embarcacoes como essa, observar os detalhes e imaginar a angustia da espera. As tripulacoes de submarinos, seja qual fosse a causa, pela sua coragem são verdadeiros heróis.

Esses copinhos de isopor eram iguais sendo que o da esquerda foi levado a 1300m de profundidade
O Museu de Submarinos
Para mergulhadores é uma atracao a parte. Dezenas de artefatos nos lembram a evolução dessas embarcacoes. Um item exposto é o hélice do primeiro submarino japonês capturado, encalhado em uma das ilhas de Oahu, assim como a ficha do primeiro prisioneiro feito pelos americanos na segunda guerra tripulante do submarino. Outro artefato interessante é um copinho de isopor deformado devido a pressão após ser levado a 1.300m de profundidade.

USS Missouri, onde foi assinada a rendiçao japonesa
USS Missouri
Ao lado do memorial do Arizona esta ancorado o navio de guerra USS Missouri que também se encontrava em Pearl Harbor no dia do ataque. No entanto sua importância se da porque foi em seu convés que foi assinada a rendição japonesa em setembro de 1945, no exato local encontra-se um marco comemorativo do fim da guerra. O navio não esta mais em serviço e esta aberto a visitação, é possível visitar boa parte de suas instalacoes, seu interior, sala de comando, etc. Em seu convés estão seus imensos canhões, metralhadoras em 270m de comprimento e 60 metros de altura.

Novas aeronaves recem adquiridas pelo Museu de Aviação do Pacifico
Museu de Aviação do Pacifico
Varias aeronaves podem ser vistas no museu. São dezenas de aviões, helicópteros e artefatos relacionados a aviação. A direcao do museu recentemente adquiriu novos aviões para exposição. La também se encontram os resto de um Zero, avião japonês que após o ataque fez um pouso forcado na ilha de Ni'hau. Seu piloto escapou do pouso e foi acolhido por descendentes de japoneses que ali moravam. Após ser descoberto foi morto após uma luta difícil pelo havaiano que o descobriu.

Texto e Fotos
Marcus Davis


(Obs.: Teclado em Ingles, desculpem os erros ortograficos)

terça-feira, 12 de outubro de 2010

U-507: Um Relato sobre o Afundamento do Submarino que "empurrou" o Brasil para a II Guerra Mundial

(Submarino U-507 sendo atacado por um avião norte-americano no litoral cearense)

Em agosto de 1942 o submarino alemão U-507 comandado pelo capitão-de-corveta Harro Schacht afundou cinco navios brasileiros em menos de 3 dias. Este ato indignou o povo brasileiro que exigiu a entrada do Brasil ao lado dos Aliados na Segunda Guerra Mundial.

Em uma missão posterior  o U-507 também afundou o navio inglês SS Baron Dechmont, atualmente conhecido como "Navio do Pecém" e naufragado a 30km da praia que deu nome ao naufrágio. Após torpedear três navios mercantes ingleses este submarino foi atacado por um avião da US Navy Air Force que decolou de Fortaleza em 13 de janeiro de 1943 as 5:00 da manhã. Depois deste ataque o submarino cessou qualquer contato com sua base e  não retornou à mesma.    

Foi no dia 13 de janeiro que o U-507 encerrou sua quarta patrulha após 47 dias no mar. O Tenente Aviador Lloyd Ludwig e sua tripulação decolaram no dia 2 de janeiro a bordo do avião Catalina PBY 10 do esquadrão norte-americano VP83, com a missão de dar cobertura aérea a comboios aliados entre Natal e Belém. Logo após a primeira decolagem, avistaram 3 botes salva-vidas repletos de sobreviventes, provavelmente do MV Oakbank. Após dez dias voando entre as bases de Belém, Fortaleza e Natal receberam a informação de que um submarino estava seguindo um comboio nas proximidades de Fortaleza..."

Veja agora o relato do afundamento do submarino alemão mais importante para história do Brasil pelo Ten. Aviador Lloyd Ludwig. O ataque aconteceu no litoral do extremo norte do Ceará.

Agora as palavras do Ten. Ludwig:
No dia 12 de janeiro, chegamos a Fortaleza após o anoitecer. Nós “emprestamos” dois galões de combustível de avião a um taxista para que nos levasse a um hotel local. Depois de jantar e tomar uma garrafa de cerveza e nos recolhemos por volta das 23 horas. Antes do sol nascer já estávamos a caminho do aeroporto. [Quando chegamos] Nosso avião estava com as luzes do interior acesas e o radiomen Seaman Second Class R.O. Siemann e o mecânico de avião Aviation Mechanic Mate First Class (AMM1c) R.K Gernhofer, estavam bem acordados. Gernhofer me entregou uma mensagem de Natal informando que um submarino alemão estava seguindo um comboio e nos deu instruções para agir.

Antes de partirmos eu e a tripulação, mais precisamente o co-piloto Ten. Mearl Taylor e Ensign Harry Holt, o navegador, o radiomen e os dois artilheiros chamados Merrick e Thurston, revisamos nosso plano. Nós não usaríamos o intervalometer quando lançássemos as cargas de profundidade, pois houve casos em que elas travaram. Nós voaríamos a 6.000 pés [aproximadamente 2.000m] de altitude usando a cobertura das nuvens quando possível. Se fizéssemos um ataque, eu lançaria duas cargas de profundidade usando o controle manual, ou seja, as duas de bombordo. Mearl no assento do co-piloto soltaria manualmente a da direita e aí Harry, ajoelhado entre nós soltaria a última. Com sorte eles as lançariam com dois ou três segundos de intervalos.

Gernhofer ficou encarregado de avisar a base quando estivéssemos atacando. Os dois artilheiros operariam as metralhadoras .50 e não atirariam até que eu ou Mearl os ordenasse. Nós voaríamos 50 milhas a frente do provável percurso do comboio e iríamos ao seu encontro. Desta forma nós estaríamos olhando a favor do sol, o que aumentaria nossa chance de surpreender o inimigo.

Ninguém comentou quando nós o passamos pelo meu lado. Seja lá o que foi, fosse sorte ou as noites mal dormidas e as nuvens abaixo, eu não o vi. Logo depois Mearl se inclinou e disse “Aquilo parece um pc boat?”. Só precisei olhar uma vez: “É um sub!”.

Parece que aconteceu tudo de uma vez, a força foi cortada, nariz [do avião] abaixado, alarme de aviso soando postos de batalha e as carga de profundidade armadas. Harry Holt veio para a frente e se ajoelhou entre Mearl e eu. Logo nós estávamos em um mergulho excedendo 200 nós de velocidade. Nos aproximávamos do submarino pela proa e ainda nenhum sinal que ele nos avistara. Pareceu muito tempo, mas em questão de segundos descemos para 1.200 pés. O sub tinha nos avistado e começava a submergir. Nós diminuímos o mergulho, mas o nariz do avião ainda estava baixo. Aumentamos a força do motor para mantermos a velocidade. Mearl já estava prestes a empurrar a soltar as bombas do lado direito. Harry estava na esquerda. Eu estava com o pickeral, o mecanismo de soltar as bombas, em minhas mãos. Nós estávamos quase lá e o sub tinha acabado de submergir, estava apenas com a torre de comando sendo inundada. Nós estávamos a menos de 100 pés e ainda descendo. Eu pressionei o pickeral mirando um pouco depois da torre de comando. Então Mearl e Harry também soltaram as suas cargas de profundidade.

Ainda bem que todas as quatro cargas foram lançadas pois nós estávamos a menos de 25 pés e a perda de de 2.000 pounds [1 tonelada] nos ajudou a ganhar altitude. Logo nós estávamos em uma curva ascendente para a esquerda. Eu olhei pra trás e que vista! Pareciam as cataratas de Niágara viradas de cabeça para baixo, um paredão de água foi lançado para o ar, não em quatro colunas, mas em uma só. Nós circulamos os destroços, jogamos duas bombas de fumaças mas não vimos nada do submarino excerto os vestígios das cargas de profundidade. Harry Holt voltou para o compartimento de comunicação, marcou nossa posição e avisou a base do ataque. Eu perguntei pelo rádio “Alguém viu o comboio?”. Eu acho que foi o capitão de aeronaves AMM2c J.W Dickson na torre que respondeu “Nós o passamos mais ou menos 5 minutos antes de iniciarmos o ataque.”

Eu passei os controles para Mearl seguir até o comboio e me voltei para a tripulação e perguntei:

“Vocês viram onde as cargas de profundidade caíram?”

“Sim!”

“Pareceu ter atingido o submarino?”

“Logo antes da torre de comando.”

“O que vocês acharam do ataque?”

“Achei que nós íamos bater nele!"

"Bem, foi bem perto mesmo, mas mantenhas os olhos na fumaça enquanto puder, nós estamos voltando para avisar ao comboio."

O Tenente Ludwig contatou o cruzador Omaha que estava escoltando o comboio. O navio de guerra se deslocou para o local do ataque mas falhou em encontrar qualquer evidência da destruição do U-boat. Um relatório foi enviado para o escritório de inteligência do esquadrão VP83 e no dia seguinte Ludwig e sua tripulação fizeram um ataque simulado em uns arbustos próximos a Natal. O esquadrão deu ao Tenente Ludwig e sua tripulação crédito por causar pouco estrago ao submarino, mas o U-507 não sobreviveu ao ataque.  

O U-507 foi ao fundo levando consigo 4 prisioneiros britânicos: o comandante do MV Oakbank, o comandante do SS Baron Dechmont - Navio do Pecém - chamado Donald MacCallum e o imediato e o comandante do SS Yookwood. Seu afundamento só foi confirmado após o fim da Guerra.


Tradução:
Marcus Davis Andrade Braga


Fontes:

quinta-feira, 4 de março de 2010

U-164: Um Relato Sobre o Primeiro Submarino Afundado na Costa do Brasil Durante a II Guerra Mundial

     O submarino alemão 164, ou Underseeboat 164, foi o primeiro afundado na costa brasileira. O fato se deu em 6 de janeiro de 1943 quando o submarino foi avistado por Billie Goodell, um engenheiro de vôo, mecânico e canhoneiro oficial de um avião catalina norte-americano, enquanto voltava de uma missão. O U-164 afundou ao largo da costa do Ceará.

(Posição estimada do afundamento do U-164, US Navy.)      

Leia a seguir os comentários de Billie Goodell sobre ao fundamento do U-164:

     Você deve ter lido diferentes relatos sobre o primeiro afundamento realizado pelo nosso esquadrão [VP-83]. Bom, como era “meu avião" digo aqui como foi. Nós estávamos cobrindo uma área ao norte de um comboio de aproximadamente 50 navios. Quando estávamos ao largo da costa de Belém fomos rendidos por um outro esquadrão que veio nos substituir. Então pousamos em Belém para abastecer e passar a noite. O piloto era o lt. Ford” e o co-piloto o ltjg. Dawkins. Nos encontramos no avião na manhã seguinte o Sr. Ford perguntou a nós se queríamos voltar [voando] sobre a selva ou sobre o mar.
     Como não houve resposta ele decidiu no “cara ou coroa”. O resultado foi a rota sobre mar. Decolamos e seguimos para o sul. A tripulação estava cansada das longas horas que passamos no ar nos dias anteriores então dissemos a eles para dormir um pouco e descansar. Nesse meio tempo eu estava na estação posterior sentado próximo a metralhadora .50 [que ficava dentro do avião e atirava através de portinholas sob a asa].
Nós estávamos voando a 3.000 pés [cerca de 1000 metros] sobre mar aberto. Eu estava com um par de binóculos tentando ver a linha do horizonte, onde o céu e mar se encontram. O céu estava um tanto nublado, mas eu conseguia ver “pedaçinhos” de mar azul de vez em quando. Em uma dessa aberturas avistei um rastro branco e um submarino ao lado de onde estávamos. Chamei lt. Ford e disse que tínhamos um sub às 11 horas. Ele disse que não o tinha localizado ainda. Eu já tinha desamarrado a metralhadora quando fizemos uma curva suave à esquerda e pôs o [nosso] “Catalina 83P2” em um mergulho íngrime. 
     Ele [o piloto] o havia localizado e estava indo direto para a morte [do submarino]. Eu comecei a atirar com a metralhadora [da portinhola] que ficava sob a asa. Nós podíamos ver a tripulação no convés, a maioria estava tomando banho. Eles tentaram armar os canhões de convés, mas nunca conseguiram. Lt. Ford lançou duas cargas de profundidade uma de cada lado [do submarino]. Eu continuei atirando enquanto as bombas explodiam o submarino levantou a partiu-se no meio. Fizemos uma curva suave e eu continuei atirando.
     De repente uma mão no meu ombro me puxou e disse “Bill, você está matando os sobreviventes!”. O Sr. Ford desceu para cem pés e ficou voando em círculos [sobre os sobreviventes]. Um rapaz estava agarrado a um tanque de algum tipo e outro nadava em direção a ele. Havia alguns corpos na água, muito óleo e destroços. A água começou a ficar agitada. Passamos novamente sobre eles e eu joguei um bote salva-vidas pela lateral do avião. A correnteza o levou pra longe deles então voamos contra o vento e eu joguei o nosso ultimo bote. Ele se inflou e os dois homens subiram a bordo. Peguei uma lata d’água, amarrei um colete salva-vidas ao redor dela e joguei para eles. Ficou agitado e perdemos o bote de vista. Transmitimos a posição da balsa pelo rádio e seguimos para Fortaleza. Nós pousamos com aproximadamente 8 galões30,29 litros – de gasolina.
     Eu tinha atirado [acidentalmente] na antena [do avião] pela portinhola da sob a asa e nós tivemos que consertá-la.
     Lt. Ford fez reservas na cidade e nós todos fomos. Estávamos todos sentados em uma mesa grande comento o jantar da vitória. Ao final da refeição eu olhei pra cima e nunca vi tanto [medalhas de] latão.
Eu pedi atenção e todos nós nos levantamos. “Descansar e, por favor, sentem-se”. Era o Almirante Ingram (comandante da Marinha dos EUA durante a II Guerra) e sua equipe que manteve a palavra e voou até Fortaleza. A primeira coisa que ele disse foi: “Quem de voces é Goodell e Ford?”. Após apertar a mão de todos eles se foram.
     Levantamos-nos muito cedo na manhã seguinte e fomos para Natal. Os homens ainda estavam nas suas barracas então Ford me disse: “Vamos acordá-los!”. Ele pediu permissão à torre e para fazer a volta da vitória.
     Ele desceu para apenas 50 pés15 metros – e voou sobre as tendas, balançando as asas. Cara, que sensação! Os homens correram se esquivando tentando imaginar o que estava acontecendo!
     Depois soubemos que dois sobreviventes foram resgatados e estavam em Fortaleza. Mandamos um avião e os trouxemos de volta a Natal. Você tem uma foto deles embarcando no avião. Só então soubemos que tínhamos afundado o U-164.


Tradução livre
Marcus Davis Andrade Braga.


Notas
No ataque morreram 54 tripulantes do submarino e 2 sobreviveram.
As coordenadas geográficas para o afundamento são: 1º 58’S / 39º 22’W


Imagens
1- Mapa do Afundamento do U-164.
2- Billie Goodell e "seu avião" catalina 83P2.
3- Prisioneiros sendo transportados para Natal.


Fontes:

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O Ceará e a II Guerra Mundial: O Afundamento do "SS Eugene V R Thayer" e o "Petroleiro do Acaraú" - Mais um navio identificado no Ceará?


Durante os primeiros anos da II Guerra Mundial os submarinos de Hitler aterrorizaram os mares. Essas embarcações deixavam os portos na Europa e singravam os mares à caça de navios militares ou mercantes para afundá-los e assim, minar o esforço de guerra Aliado.
            Mas não foram apenas submarinos alemães que patrulharam os mares durante o conflito. As três principais potências que integravam o “Eixo do Mal” – Alemanha, Itália e Japão – possuíam essas armas e as utilizaram durante a guerra. Destes apenas os Alemães e os Italianos tiveram participações significativas na Batalha do Atlântico Sul.

R.SMG. PIETRO CALVI
O submarino italiano R.SMG. Pietro Calvi – Regia Marina Italiana Sommergíbílí Pietro Calvi – é um nobre desconhecido. Em 1942, com dois anos de serviço já era um veterano de guerra. Entre outras missões, no ano anterior este mesmo submarino participou do resgate dos tripulantes do “Atlantis”, um navio corsário alemão que disfarçado de cargueiro aprisionou e afundou dezenas de navios.
No ínicio de março de 1942 deixou o porto de Le Verdon, na França para sua terceira patrulha. Seu destino era “Cabo Orange”, no Atlântico Sul e, no dia 25 de março, dezoito dias após sua partida, disparou torpedos contra o cargueiro britânico SS Tredinnick, não houve sobreviventes. Quatro dias depois, a tripulação comunicou o torpedeamento de um cargueiro da classe “Huntington”, entretanto o afundamento não foi confirmado pois todos os navios dessa classe já haviam sido afundados no início da guerra.
Eufórica com as vitórias, a tripulação interceptou e torpedeou mais um cargueiro, o T. C. McCob de 7,452 toneladas. Após cinco torpedos e disparos de canhão de 120mm, foi afundado o primeiro navio mercante norte-americano por um submarino italiano.
Após o combate os italianos seguiram rumo sul e alguns dias depois, ao largo da costa cearense, avistaram o navio tanque SS Eugene V. R. Thayer sob comando do Capitão B. S. Svendson, também de bandeira norte-americana, assim como sua vítima anterior.

(Submarino italiano R.SMG. Pietro Calvi e o alemão U-68. Provavelmente durante o transporte dos sobreviventes do corsário alemão Atlantis.) 


SS EUGENE V. R. THAYER
                O Steam Ship Eugene V. R. Thayer fora encomendado pela “US Shipping Board” em 1920 ao estaleiro Bethlehem Steel Co. localizado em WilmingtonDelaware, EUA. Possuía 7,138 toneladas brutas em 430 pés – cerca de 129m – de comprimento por 59 pés – 17,8m – de boca. Seus motores triple expansion lhe permitiam uma velocidade de 11 nós.
              Seu porto de origem era Nova Iorque, de onde pertencia sua tripulação. Estava em rota de Buenos Aires para Caripito, na Venezuela quando foi interceptado pelo submarino Pietro Calvi.


(Imagem disponível associada ao navio tanque SS Eugene V. R. Thayer.) 


O ATAQUE
O ataque aconteceu durante a noite na posição 02° 35’S, 39° 58’W. As 20:35 do dia 9 de abril, a tripulação do Pietro Calvi, sob comando do Capitão de Corveta Emilio Olivieri, lançou um torpedo e efetuou disparos de 120mm contra o petroleiro que navegava desarmado. O navio explodiu em chamas, mas não afundou de imediato. Passaria ainda dois dias queimando à deriva antes de tocar o leito do oceano. As coordenadas geográficas do local do naufrágio registradas na época são 02°36’S, 39°43’W.
Dos trinta e sete tripulantes do petroleiro, onze morreram no ataque. O restante se dividiu em dois pequenos barcos de emergência, treze foram resgatados no dia 11 de abril por um avião catalina, no mesmo dia em que veio a afundar de fato o navio tanque, e outros treze foram resgatados dois dias depois. Os sobreviventes só retornariam aos Estados Unidos no dia 21 de abril, quando chegaram ao aeroporto de Miami as 22:26, horário local.
Depois desta batalha o submarino continuou seguindo para o sul onde afundou dois outros mercantes ambos ao largo do Rio Grande do Norte. Retornou triunfante a Le Verdon em 29 de abril.
A saga deste lobo dos mares terminaria poucos meses depois, na sua quarta e ultima missão. Foi afundado no dia 14 de julho de 1942 nas Antilhas sob o comando do Capitão de Fragata Primo Longobardo.

O PETROLEIRO DO ACARAÚ
             Na região de Itarema, litoral norte do Ceará, existe um navio naufragado a 40km da costa. Segundo pescadores e autores locais trata-se de um navio petroleiro que foi afundado durante a Segunda Guerra Mundial. O naufrágio foi batizado de Petroleiro do Acaraú, por ser este o principal porto da região.
                O caçador submarino Luciano Moreira conta em seu livro que mergulhou várias vezes neste naufrágio. Em uma dessas investidas coletou diversos cacos de porcelana com a seguinte inscrição: “Iroquois – USA – China”.
Por se tratar de um petroleiro é improvável que o navio estivesse carregando uma carga de porcelanas de Nova Iorque, muito menos na rota em que estava.
                Após uma breve pesquisa na web encontrei referências sobre uma empresa que fabricou porcelanas entre 1905 e 1969, chamada Iroquois sediada em Syracuse, no estado de Nova Yorque, EUA. A palavra china significa louça ou porcelana na língua inglesa.
                Fazendo uma triangulação das diferentes coordenadas geográficas disponíveis em bibliografias relacionadas e na web, observamos que a localização conhecida do Petroleiro do Acaraú está no centro.



(Triangulação com as coordenadas geográficas disponíveis referentes ao ataque e afundamento do SS Eugene V. R. Thayer / Petroleiro do Acaraú)

CONCLUSÃO
                De acordo com dados disponíveis podemos supor que o Petroleiro do Acaraú e o SS Eugene V. R. Thayer navegaram na mesma região durante a Grande Guerra. Considerando os métodos rudimentares de estimar a posição geográfica na época, os erros de transcrição que são comuns quando referentes a coordenadas geográficas e o fato de nenhuma referencia geográfica estar a mais de 40km da localização conhecida do naufrágio – outras estão a menos de 10km – é um reforço para situarmos ambos os navios no mesmo lugar e no mesmo espaço de tempo.
                O artefato retirado do local é um indício de que tratar-se de um navio norte-americano, ou seja, da mesma nacionalidade do SS Eugene Thayer.
                Esses dois argumentos são tentadores o bastante para afirmarmos que o naufrágio de Acaraú é o navio tanque norte-americano SS Eugene V. R. Thayer. Entretanto, para termos absoluta certeza é necessária uma expedição para analises aprofundadas no local.  Só após feitas medições de comprimento e boca, após determinarmos o tipo de propulsão e analisarmos a estrutura do naufrágio poderemos comparar com as informações disponíveis do navio tanque norte-americano. 

CRONOLOGIA

7 de março de 1942 - Submarino Italiano Pietro Calvi saiu do porto de "Le Verdon" com destino ao "Cape Orange". Era sua 3a missão.
25 de março - Afundou o cargueiro britânico Tredinnick de 4,589 t. Não houve sobreviventes.
29 de março - Pietro Calvi interceptou e afundou um navio a vapor tipo "Huntington" que foi atacado com torpedos e visto afundar. No entanto o afundamento não foi confirmado. Todos os navios desse tipo haviam sido afundados nos anos anteriores.
31 de março - Interceptou e afundou o cargueiro norte-americano T. C. McCob de 7,452t. Foram disparados 5 torpedos e tiros de 120mm. Foi o primeiro cargueiro americano afundado por um submarino Italiano.
9 de abril – As 20:35 o submarino italiano intercepta o navio tanque Eugene Thayer que navegava desarmado. É iniciado o ataque. A tripulação abandona o navio em chamas na posição 02° 35’S, 39° 58’W. O petroleiro foi torpedeado e metralhado com canhões de 120mm.
11 de abril - Após dois dias queimando a deriva o petroleiro afundou na posição 02°36’S, 39°43’W. Foi o primeiro navio norte-americano afundado por um submarino italiano no Atlântico Sul. No mesmo dia um grupo de 13 membros é resgatado por um avião anfíbio.
13 de abril - Um segundo grupo de sobreviventes é resgatado.
21 de abril - Os sobreviventes do Eugene Thayer chegam a Maimi as 22:26.
29 de abril - O Pietro Calvi chegou ao porto de Le Verdon após afundar dois outros cargueiros ao largo da costa brasileira.
14 de julho de 1942 - O submarino italiano Peitro Calvi é afundado nas Antilhas.


ALGUNS MARINHEIROS QUE PERECERAM NO ATAQUE

NOME
POSTO
ORIGEM
John Edward Morrissey
-
-
Manuel Carneiro Rey
Pumpman
Brookyn, NY, EUA
Frank Vern Roberts
O.S.
San Francisco, CA, EUA
Albert Heis
Pumpman
Brookyn, NY, EUA
Alejandro Mendoza Magno
Messman
San Jose, Filipinas





Pesquisa e Texto:
Marcus Davis Andrade Braga (marcusdab@gmail.com)


Fontes:
GASTALDONE, Ivo; Memórias de Um Piloto de Patrulha.
MOREIRA, Luciano; As Aventuras de um Pescador Sub, Ed. ABC, 2002.
Regia Marina Italiana (fotos do Submarino Pietro Calvi)
Google Earth (mapas)

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Atlantis - O Corsário Alemão


(Atlantis na foto que o condenou em abril de 1941.)


Entre as duas grandes guerras que a Alemanha protagonizou, a segunda foi a mais marcante. Não apenas pelo genocídio de milhões de judeus como também pela guerra marítima. Os sete mares foram o palco de batalhas sangrentas entre diversos tipos de embarcações. Os corsários – piratas financiados por algum governo para saquear e afundar embarcações inimigas – foram “armas” utilizadas durantes os dois conflitos como complemento no esforço de guerra.
O navio corsário alemão com maior sucesso durante a Segunda Guerra foi sem dúvida o Atlantis. No fim de 1939 o cargueiro Goldenfels pertencente à empresa Bremser Hansa Line entrou no estaleiro para reparos ultra-secretos. Apesar de ser um navio novo, com apenas três anos de serviço, o Goldenfels passou 98 dias no estaleiro A. G. em Bremen.
Os “reparos” consistiam em transformar o cargueiro em um navio de guerra disfarçado de navio mercante. Ao fim dos serviços a chaminé poderia ser alongada ou diminuída e uma segunda chaminé fictícia poderia ser facilmente instalada para mascarar sua identidade. Tanques de combustível foram adicionados, tetos desmontáveis foram acrescentados à superestrutura do convés, os mastros e os dutos de ar se tornaram telescópios, na amurada portinholas escondiam um poderoso armamento: seis canhões de 150 mm, um de 75 mm, dois canhões semi-automáticos de 37 mm, quatro metralhadoras e dois tubos lança-torpedos. Além disso, um hidroavião com asas dobráveis ficava escondido sob um dos porões.






(Atlantis com o casco pintado de branco para despistar navios inimigos: uma máquina de guerra quase perfeita.)


O Atlantis deixou seu porto no Elba no fim de março de 1940. Após 17 meses no mar e tendo afundado ou aprisionado 22 navios inimigos o corsário comandado pelo Bernhard Rogge, um marinheiro experiente, foi surpreendido a noroeste das ilhas da Ascenção enquanto reabastecia o submarino alemão U-68 em 22 de novembro de 1941. Apesar dos disfarces o corsário fora fotografado por um repórter da revista Life que estava em dos navios aprisionados. Esta foto foi a sentença de morte do Atlantis, pois permitiu a sua identificação.

(Submarino italiano R.SMG. Pietro Calvi e o alemão U-68. Provavelmente durante o transporte dos sobreviventes do corsário alemão Atlantis.)

Apesar do afundamento, sua tripulação foi transportada a salvo por submarinos italianos - entre eles o Pietro Calvi que mais tarde afundaria vários navios ao largo da costa Brasileira - e chegaram a Saint-Nazaire, na França no natal de 1941.
O Atlantis bateu o recorde de operação ininterrupta: 655 dias no mar tendo afundado mais de 144.5oo toneladas em peso bruto!


Anos depois em junho de 1986 uma senhora contatou um antiquário querendo livrar-se de uma maquete de 1,5 m de um navio sem identificação. Este navio era diferente: portinholas escondiam canhões e metralhadoras, um painel removível revelava um avião, os mastros podiam subir e descer, não era um navio qualquer.
O filho da proprietária da maquete, seu antigo dono, morrera alguns anos antes. Ele era oficial na 3ª D.I.A., a divisão que tomara a região de Berchtesgaden, onde se encontrava o Ninho da Águia, o refúgio de Hitler. Finalmente surgiram as plaquetas de identificação: era uma maquete fiel do corsário alemão Atlantis. Esta maquete ultra-secreta só poderia estar no escritório do próprio Hitler!

Fontes: