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sábado, 3 de outubro de 2015

Do Mar ao Museu: A Saga da jangada São Pedro

Os pescadores da jangada Sao Pedro

Em 1941 o Brasil estava em plena Ditadura do Estado Novo, onde o presidente da época, Getúlio Vargas estava controlando todas as formas de mídia e formas artísticas, criou o Departamento de Imprensa e Propaganda para informar os feitos governamentais e fiscalização das publicações sobre o governo, criação do programa A Voz do Brasil onde o povo podia ter acesso as informações parlamentares, repressão a movimentos sociais e também criação de uma nova moeda, o Cruzeiro.

Esse período de 1937 á 1945 foi marcado for um regime ditatorial, mas também teve mudanças significativas como a Consolidação das Leis Trabalhistas, que garantiam direitos aos trabalhadores como a instituição de um salário mínimo, o empresário deveria pagar o mínimo para o trabalhador como foi redigido em lei, foi denominada a jornada de trabalho de 8 horas diárias, houve o reconhecimento de sindicatos e associações de trabalhadores entre outros benefícios trabalhistas, que não se eram abordados antes dessa época conturbada de transição de um Brasil agricultor para um industrial.

O Ceará dessa época era formado também por comunidades que viviam de pesca para a sobrevivência. As leis colocadas por Getúlio ainda não haviam chegado na classe pescadora, assim eles se encontravam desamparados, contavam apenas com a ajuda da Federação Cearense dos Pescadores. Com essa demanda de necessidade surgiu em quatro pescadores do litoral de Fortaleza a vontade de mudar essa realidade, são eles: Manuel Pereira da Silva (Mané Preto), Manuel Olímpio Meira (Jacaré), Jerônimo André de Souza (Mestre Jerônimo) e Raimundo Correia Lima (Tatá).

O sonho
Nos final de 1930 o pescador cearense Manuel Olímpio Meira, o Jacaré, era muito popular na comunidade em que residia na colônia Z-1 e que era o presidente. Ele revelou a professora da escolinha da colônia um sonho que possuía, aprender a escrever e ir pessoalmente ao Rio de Janeiro falar com o presidente Getúlio Vargas sobre os problemas e as dificuldades de seus companheiros pescadores cearenses. A professora logo se dispôs a ajudá-lo na realização de seu sonho, propondo a Jacaré que ao final do turno das crianças ele iria a escola e a professora o ensinaria a ler e escrever.

No primeiro dia de aula Jacaré levou um amigo, Tatá que compartilhava de seu sonho. Jacaré desde o início teve um alto desempenho no aprendizado, não perdendo um dia sequer das aulas, onde dentro de um ano ele já conseguia ler e escrever.

Em 1941 o sonho de Jacaré já não era apenas compartilhado por Tatá, mas também por outros dois amigos pescadores o Mané Preto e Mestre Jerônimo, onde seus planos eram navegar até a cidade do Rio de Janeiro e conversar diretamente com o presidente do Estado Novo.

A sociedade quando tomou consciência do sonho do grupo de pescadores colaborou nessa busca, de pescadores e suas famílias á as autoridades locais deram incentivo aos jangadeiros cearenses. Assim eles fortaleceram seu sonho, planejando-o como iriam realizá-lo.

Os lobos do Mar
Os cearenses aventureiros foram chamados de lobos do mar, intrépidos aventureiros, gigantes bronzeados do sol, heróis bronzeados da praia e outras denominações, esses homens eram pescadores simples da colônia de pesca da praia de Iracema Z-1, exceto o pescador Jerônimo que obtinha filiação a colônia Z-2, no Mucuripe. Trabalhavam e moravam com suas famílias nessas colônias. Os quatro jangadeiros eram homens experientes na arte da pesca e vinham todos de descendência de pescadores.

Tatá era o mais velho do grupo, onde tinha 52 anos na época, pescava desde seus oito anos de idade de onde sempre retirou seu sustento. Era o que possuía melhores condições de vida que os seus companheiros, pois tinha uma jangada e residia em uma casa telhada e com dois quartos. Tinha duas filhas, Antônia de 24 anos e Raimunda de 22 anos.

Manuel Preto tinha 39 anos, onde desde os 6 anos já era iniciado na pesca, no qual ajudava jangadeiros a puxar algumas linhas e na hora da refeição. Tinha três filhos no tempo, Irismar com 17 anos, Dulcinéia com 3 anos e José com 13 anos que já auxiliava seu pai.

Jacaré tinha 38 anos, único que não era cearense de raiz, pescava desde menino. Onde desde a geração de seu bisavô sua família vivia da pesca, possuía oito filhos: Francisco, Maria, José, Raimunda, Maria José, Joaquim, Raimundo e Francisca. Nascendo mais dois filhos após o acontecimento, Maria de Lourdes, que falecerá ainda criança e Pedro.

Mestre Jerônimo tinha 35 anos, teve uma iniciação a arte da pesca diferente, com 18 anos. Por seu horror ao mar, que lhe causava náuseas. Seus parentes constantemente o ameaçavam amarrá-lo no mastro da jangada, ele passou a seguir os companheiros nas pescarias, enjoando diariamente cerca de um mês. Após se acostumar dizia que se pudesse moraria no mar, Na época do raid (evento) da jangada de São Pedro era conhecido como um notável mestre de jangadas. Possuía quatro filhos: Maria com 13 anos, Maria Francisca com 9 anos, José Maria com 9 anos e Maria do Carmo com apenas 5 anos.

Essa saga que os cearenses enfrentaram impressionaram a mídia local e nacional, a sociedade, da elite as comunidades e os seus ancestrais, pela fragilidade da embarcação usada, longa travessia, sem equipamentos técnicos para a localização no mar, como bússola e carta de navegação. Quando lhe era perguntado sobre sua forma de localização os jangadeiros riam e afirmavam sobre os seus conhecimentos das estrelas, onde a verdadeira forma de guia dos homens do mar. Como no depoimento de Tatá ao Diário da Noite (06/11/1941) ''A bússola só serve para atrapalhar a gente... Cada porto tem uma estrela para guiar os jangadeiros.''

A Jangada
Os intrépidos jangadeiros fizeram uso do seu instrumento fundamental em seu trabalho, uma jangada. Eles usaram uma jangada de madeira piúba, que foi importada do estado do Pará, sendo de alto custo de compra, transporte e confecção, custos os quais os pescadores não tinham condições de liquidar,
tornando os pescadores subordinados dos donos de jangadas.

A jangada usada era de madeira piúba que é geralmente a mais usada para essas embarcações, a jangada era feitas de seis paus e não possuía um prego sequer, ondes a estrutura era toda eram encaixadas. Sendo batizada no dia 8 de setembro de 1941, nomeada de jangada de São Pedro, sendo São Pedro o santo mais comum entre a comunidade pesqueira por causa de ser um pescador antes de ser discípulo de Jesus, chegando mais perto da realidade dos pescadores.

A jangada foi feita unicamente para o episódio, sendo financiada por auxílios recebidos de autoridades, comerciantes e membros da sociedade local.  Pensando cerca de 800 quilos medindo 36 palmos de comprimento de 8 de largura, não possuía nenhum prego em estrutura, foi consolidada como a representação de bravura e coragem dos jangadeiros cearenses.

Por tradição a jangada foi batizada, assim podendo haver uma relação entre a elite e a comunidade pesqueira da época, onde Dona Mariinha Holanda foi a escolhida para esse papel, sendo uma pessoa muito importante na defesa dos trabalhadores e na alta sociedade, onde ajudou no recolhimento de quantias para os quatro jangadeiros e suas famílias.

A saga da Jangada de São Pedro e os jangadeiros:
A partida da jangada e seus tripulantes se deu tardia pois houve problemas com a liberação da autorização da Comissão da Marinha Mercante. mesmo com o apoio do Interventor Menezes Pimentel que junto aos jangadeiros redigiu um telegrama com o pedido da autorização ao Ministro da Marinha, onde a autorização só veio chegar após a denúncia feita pelo jornal, Correio do Ceará, em 10/09/1941), relatando que a Federação dos Pescadores do Ceará estaria contra essa viagem, assim colocando barreiras para a sua realização. A Federação se pronunciou a favor dos pescadores e da viagem, elogiando a coragem e o propósito dos mesmos.

Finalmente tudo é acertado, com a autorização em mãos, Tatá, Mestre Jerônimo, Manuel Preto e Jacaré partem da Praia de Iracema no dia 14 de outubro de 1941. Desde o anúncio do sonho dos pescadores a partida da jangada, teve uma grande cobertura de notícias dos jornais, quando ainda era sonho apenas os jornais cearenses falavam sobre, mas quando passou a ser realizado jornais nacionais publicavam sobre a partida da jangada.

Os jangadeiros velejaram 61 dias, enfrentando o mar apenas com uma precária jangada de piúba. Os momentos da navegação é relatada no Diário de Bordo de Jacaré, descrevendo o vento, o tempo, os elementos da natureza e o estado de espirito dos tripulantes, que sentiam saudades de suas famílias e relatavam que estavam em paz na viagem por ter dois guardiões de suas famílias, Senhor Fernando Pinto e Dona Mariinha Holanda. O citado Fernando Pinto era o diretor do Jangada Club e auxiliou na obtenção da quantia para a realização do raid. O diário fazia menção também a outro jangadeiro Dragão do Mar, que era dito como um herói para os pescadores, onde Jacaré escreve esse trecho: ''Ia me esquecendo de dizer uma coisa. Se os ventos tivessem sido nossos amigos teríamos ido a Aracati, no Rio Jaguaribe, a terra do 'Dragão do Mar' jangadeiro e nosso simbolo''.

A parte mais complicada da saga foi entre Bahia e Vitória onde tiveram que enfrentar um forte temporal e ficando por um longo tempo cercados por bandos de enormes tubarões, de que fizeram um grande esforço para fugir, relatando que se cansaram muito e fizeram muito esforço remando por um longo período por não haver ventos.

A saga possuiu outro diário o Diário do Raid que contém depoimentos e impressões de autoridades e demais membros da sociedade de alguns lugares em que os pescadores estiveram. Além desses manuscritos também contém colados fragmentos selecionados de jornais.

Os quatro jangadeiros onde passaram foram bem recebidos, todos queriam saber como estava sendo a jornada, os jornais faziam muitas perguntas e publicavam tudo sobre isso, haviam pessoas esperando-os zapar em suas cidades, pessoas da alta sociedade os convidavam a passear na cidade e fazer-lhes companhia em suas refeições. Mas os jangadeiros por onde passavam percebiam que as dificuldades dos pescadores não se delimitava apenas ao Ceará, mas era de uma maior amplitude, assim eles tomaram mais força para ir em frente com o sonho, de relatar pessoalmente ao presidente esses problemas.

A chegada ao Rio de Janeiro
Na capital, a comissão de preparação dos festejos, que era composta pela Colônia de Cearenses que moravam no Rio e membros das federações estaduais de pesca, esperava ansiosa juntamente com a multidão moradora da cidade maravilhosa que esperavam os jangadeiros adentrarem no final da tarde a Baía de Guanabara, no dia 15 de novembro de 1941. A mídia cobria todos os passos dos
jangadeiros desde  chegada no cais e os discursos feitos pelo representante do Ministro do Trabalho, Luiz Augusto do Rego Monteiro, Ademar Beltrão, filiado a Federação dos Sindicatos trabalhistas, e até Jacaré, que era o porta-voz dos quatro jangadeiros, pois ele o que mais possuía o dom da fala, sempre era o que se comunicava com os jornais e com o consenso dos companheiros iria falar por todos com o presidente.

Chegando ao Palácio da Guanabara, os jangadeiros estavam acompanhados de representantes do governo e federações, foram ao encontro do presidente. Á multidão se amontoava para poder ver os heróis cearenses. Quando finalmente encontraram o presidente Getúlio Vargas, Jacaré como porta-voz do grupo lhe contou sobre as condições de miséria em que viviam, não possuindo uma casa digna e sem assistência social. Os trabalhadores diariamente ao saírem para pescar, enfrentavam um problema que era a divisão do pescado com os donos das embarcações, assim muitas vezes voltando sem nada para suas famílias, problema vigente por não estarem dentro das politicas sociais implementadas por Vargas, não possuíam aposentadoria, nem férias e décimo terceiro, Jacaré enfatizou que os obstáculos dos pescadores não se delimitam apenas ao litoral do Ceará mas por todo o Brasil em que os pescadores lhe pediram que o porta-voz falasse por eles nesse encontro.

O presidente enquanto ouvia o relato, tinha um sorriso leve em seu rosto, de forma a confortar os pescadores. Já Jacaré indo de forma direta e simples ao propósito do raid.

A esperada resposta do Presidente
O presidente Getúlio Vargas falou aos jangadeiros da legislação trabalhista brasileira, que iria estudar a situação relatada, adiantando a eles que com certeza a classe seria amparada. Recebeu o documento das mãos de Jacaré, pedindo -lhes que esperassem providências do Governo Federal.

O documento recebido de inicio expõe o sentimento daqueles que foram solicitar o amparo, e
explícita o caráter de homenagem ao Chefe da Nação. Também presenteando o presidente ou sua esposa com uma jangada de pesca cearense. Após essa mensagem de louvor ao presidente e ao ''Brasil Novo'', os trabalhadores enfatizam o sofrimento de sua classe. Pedindo de forma documentada para que o presidente olhasse por eles.

Após três dias depois do encontro, o presidente assina um Decreto-Lei onde inclui os jangadeiros no Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Marítimos. Ficando também instituído o salário base, onde também decreta que dentro das possibilidades, o Instituto deveria mandar instalar postos médicos para o atendimentos dos associados.

Para os pescadores essa atitude rápida do presidente foi como um presente do céu, onde eles falavam que Getúlio era como um pai para eles, atendendo o pedido de forma rápida e que a justiça quando solicitada era feita e justa.

O retorno
Voltaram para a Praia de Iracema de avião da Navegação Aérea Brasileira, percorrendo em menos de oito horas o trajeto. Consequentemente após o amparo do presidente foi formada uma rede de solidariedade as colônias de pescadores, todos queriam fazer parte do que estava acontecendo, dando sua parte.

Os jangadeiros voltaram como heróis, revolucionários, os benefícios eram vistos pela comunidade pesqueira, faziam festas, poemas e canções para agradecer o feito.

Mas nem tudo era um mar de rosas, desde o início do sonho, Jacaré já fazia acusações sobre a Federação de pescadores cearenses, em que os deixavam desamparados, relatando também a sociedade do Rio, após seu retorno o clima ficou mais conturbado, tanto Jacaré como os outros membros do grupo iam periodicamente aos jornais afirmar as denúncias realizadas. A federação se pronunciou explanou que as acusações feitas não tinham fundos e que a federação fazia o máximo para dar amparo a comunidade. Foi aberto um inquérito administrativo para a averiguação das acusações feitas, para reforçar a denúncia Jacaré e Manuel Preto visitaram trinta colônias pesqueiras, no qual queriam juntar elementos para demonstrar o estado de miséria que viviam os pescadores e famílias cearenses, enfatizando a abertura de uma inquérito verdadeiro para essas averiguações,

O filme e o trágico fim
Outro fato que ocorreu foi a vinda do cineasta Orson Welles para a realização de uma filme da saga da jangada de São Pedro, levando os quatro jangadeiros novamente ao Rio de Janeiro, onde na
gravação terminou de forma trágica levando a morte de Jacaré. O filme foi finalizado onde reconstitui o universo praieiro dos jangadeiros, a rotina de pesca, o trabalho feminino, a fragilidade da jangada, a vida complicada, as casas cobertas de palha de carnaúba. Os quatro jangadeiros, seu sonho de mudança, a ameaça no mar, a ida ao Rio de Janeiro, a morte no mar. Esse filme relata a manifestação de afirmação do trabalho feito por esses homens que enfrentam todos os dias o mar.

Após mais de 70 anos desse evento, que é lembrado com louvor, mudando a vida de muitos jangadeiros e dando esperança a outras classes sociais. Os quatro jangadeiros que realizaram esse feito não estão mais vivos, mas permanecem na vida e memória de muitos,

Essa saga foi parar no Museu do Ceará, sendo expressa no Diário do Raid, levado por Dona Mariinha Holanda. Possibilitando aos historiadores e frequentadores do museu estudarem e tomarem consciência de seus antepassados cearenses e seus feitos pela sociedade.  O povo cearense tem em sua história muitas lutas por reconhecimento, levantando e moldando a sociedade atual.

Os quatro intrépidos jangadeiros.

Livro relatando á situação brasileira e a saga dos jangadeiros.

Antiga Praia dos Peixes, onde se iniciou a saga dos cearenses.


Referências:
http://www.infoescola.com/brasil-republicano/estado-novo/
http://www.tst.jus.br/web/70-anos-clt/historia
http://www.suapesquisa.com/historiadobrasil/estado_novo.htm
Neves, Berenice Abreu de Castro. Do Mar ao Museu: A saga da jangada de São Pedro. Fortaleza: - Museu do Ceará / Secretária da Cultura e Desporto do Ceará, 2001.
Fotos:
http://1.bp.blogspot.com/-YHlr5OWijlg/UyyQLa74kYI/AAAAAAAAdrs/VudVpw3m26Y/s1600/55.jpg
https://cinemaemovimentoblog.files.wordpress.com/2015/04/film-it-s-all-true2.jpg
http://4.bp.blogspot.com/-No7xTrqaXpw/UTIfldwRf4I/AAAAAAAABpw/t2lT_bjcPzM/s400/Os+jangadeiros+ap%C3%B3s+61+dias+de+viagem.JPG
http://1.bp.blogspot.com/_oQA37DW0jt0/S9WPEyKSmBI/AAAAAAAAAKI/f8rjq5njSrc/s1600/Jangadeiros.jpg
http://copacabana.com/rua-jangadeiros/
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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

Dragão do Mar: Quem foi Chico da Matilde?


Estatua do Chico da Matilde no Centro Cultural Dragão do Mar

Nascido em 15 de abril de 1839, em Canoa Quebrada na Vila de Aracati, o famoso Dragão do Mar foi um homem que se tornou famoso no Estado no fim do século XIX, durante o início dos movimentos abolicionistas no Brasil. Seu nome era Francisco José do Nascimento mas como era filho de Matilde Maria da Conceição, era conhecido como o Chico da Matilde.

Ainda criança perdeu o pai, Manoel do Nascimento, que era um jangadeiro mas que com a alta da borracha no Estado do Amazonas foi para o norte do país a procura de melhoria de vida, mas infelizmente faleceu. Sua mãe, agora viúva, decide deixar Francisco aos cuidados de um senhor que era dono de uma embarcação que realizava transportes na costa nordestina e devido a isso, Chico começou desde cedo a trabalhar nesse meio, principalmente como menino de recados e assim foi convivendo com trabalhadores do mar e a vivenciando o tráfico negreiro desde a infância.

Em 1874 foi nomeado prático da Capitania dos Portos e convivia com escravos, jangadeiros, marinheiros e segundo alguns relatos, apesar de ter se alfabetizado somente aos 20 anos, devido ao seu contato direto com marinheiros de outras nacionalidades, falava inglês e um pouco de alemão.

Também tinha um vasto conhecimento sobre geografia física e navegação, pois como prático do porto, era responsável por auxiliar principalmente embarcações de grande porte a navegar pela costa e a entrar e sair dos portos. Além de entender de navegação, um prático de porto tem que ter conhecimento da geografia física daquele local, pois sua principal função é impedir que as embarcações de grande porte venham a ser danificadas por algum banco de areia, formação rochosa, naufrágio ou até por uma corrente marinha.


O Movimento Abolicionista
Chico da Matilde

Na década de quarenta nos anos de 1800, a base da economia brasileira estava na exploração da mão de obra escrava, naquela época o governo imperial era dominado pelos interesses dos latifundiários escravagistas, mesmo assim, alguns políticos já haviam começado a debater a abolição na assembleia geral. Porque existia um interesse por parte de países como a Inglaterra que tinham um forte comércio e visavam aumentar o seu mercado para arrecadar lucros. Com a abolição dos escravos, aumentaria o número de trabalhadores e consumidores e movimentaria o comércio.

Além das elites letradas da época que tinham um discurso que valorizava os direitos humanos e que visavam acabar com a escravidão brasileira que já vinha diminuindo no Nordeste devido à seca que tornava caro e dispendioso sustento de escravos. Ao decorrer do tempo o governo foi tomando medidas que caminhavam para a abolição, como a criação da Lei Eusébio de Queiroz que proibia o tráfico de africanos para o Brasil.

No Ceará
Com a proibição do tráfico da África para o Brasil se intensificou o tráfico dentro do próprio Brasil, sendo o Ceará um grande exportador de escravos. Nessa época, Chico da Matilde trabalhava como prático da Capitania dos Portos e era proprietário de algumas jangadas e devido a isso convivia com escravos e traficantes de escravos, pois o transporte de escravos era muitas vezes feito por jangadeiros que levavam os escravos até barcos maiores (que precisavam do prático do porto para navegarem com segurança próximo à costa) para serem levados até outras regiões do país.

Fortaleza era sede de várias sociedades abolicionistas nos meados do século XIX, que eram basicamente grupos da elite que arrecadavam fundos para comprar a alforria de escravos e que foram de fundamental importância no movimento abolicionista cearense.

O início da divulgação de pensamentos e atitudes abolicionistas por parte da população do município de Fortaleza foi desencadeada por um dos membros de uma dessas sociedades, da Sociedade Cearense Libertadora, que sugeriu em um discurso no Teatro São Luiz que os jangadeiros poderiam ajudar a impedir o tráfico de escravos.

A partir desse discurso foi proposta uma paralisação dos jangadeiros e que agora não fossem mais embarcados escravos no porto de Fortaleza. Um escravo recém alforriado chamado José Napoleão foi convocado para ser o líder dos jangadeiros no movimento, o representante abolicionista na praia, mas ele se recusa humildemente e indica o Chico da Matilde para essa função. 

Sociedade Cearense Libertadora

Chico da Matilde não assumiu efetivamente a liderança dos jangadeiros porque possuía o cargo de prático do porto na Capitania dos Portos, mas assistiu à paralisação e deixou suas duas jangadas a disposição do movimento. E só alguns meses depois que ele toma a frente da segunda greve dos trabalhadores do porto e participa efetivamente dos movimentos abolicionistas. Mas essa participação não agrada o Presidente da Província do Ceará e Chico da Matilde perde o seu cargo público na Capitania dos Portos.

Após essa série de acontecimentos, Chico da Matilde se agrega a uma dessas sociedades abolicionistas e passa a ser uma referência do marco da resistência popular. Unido aos demais integrantes da sociedade abolicionista, alforriam todos os escravos da Vila do Acarape que após esse movimento ganhou o nome de Redenção, que é conhecida por ser a primeira cidade no país que aboliu a escravidão.


Representação do Dragão do Mar entre as jangadas


A abolição dos escravos da Vila do Acarape foi seguida por uma série de movimentos abolicionistas que fez com que em 25 de março de 1884 fosse abolida a escravidão em toda a província do Ceará. Após essa data, a província do Ceará se tornou uma referência nacional em relação a abolição, e os integrantes dos movimentos abolicionistas cearenses foram convidados a se reunir no Rio de Janeiro para falar sobre a abolição da escravidão na província do Ceará, e foi nesse momento que o Chico da Matilde ficou conhecido como o Dragão do Mar e a província do Ceará ficou conhecida como Terra da Luz.

Fim de sua vida
Existem diferentes versões sobre o vida do Chico da Matilde após o sucesso movimento abolicionista cearense até a sua morte. Alguns estudiosos relatam que após esse momento de glória e intensa participação em movimentos revolucionários, Chico da Matilde perde muito de sua fama. Que apesar de seu envolvimento com a Sociedade Cearense Liberta e o título de um verdadeiro herói popular, perdeu o seu emprego e passou a seguir a vida como seu pai, vivendo com base na pesca.

Enquanto outros dizem que por ordem de Dom Pedro II ele foi reconduzido ao cargo de prático da Capitania dos Portos em 1889 e que pouco tempo depois, durante o regime republicano, recebeu a patente de Major-Ajudante de Ordem do Secretariado Geral do Comando Superior da Guarda Nacional do Estado do Ceará.

Chico da Matilde morreu aos 75 anos de idade, no dia 5 de março de 1914, naquele dia ele não foi lembrado como um dos líderes da abolição, pois Fortaleza estava passando por um momento de revolução política que era liderada por Padre Cicero e outros homens influentes que visavam a deposição do atual governador do Ceará, Franco Rabelo.

Apesar de não termos conhecimento exato de como Chico da Matilde viveu seus últimos anos de vida, sabemos que ele não recebeu a devida atenção após sua morte, mas mesmo assim, não podemos deixar de ressaltar que o Dragão do Mar foi e continua a ser um verdadeiro ícone na cidade de Fortaleza. O Centro Cultural Dragão do Mar tem esse nome em referência a esse homem que se tornou um representante do movimento abolicionista cearense, o Dragão do Mar também deu nome à rádio, farmácia, escola, rua e prédios públicos no Estado.

Nota
Apesar de falarem que o Dragão do Mar é um mito e o texto comprovar que ele não foi o mentor do movimento abolicionista cearense e que sozinho não teria movido a abolição. Acredito que esse herói popular não perde o seu mérito. Pois afinal, Chico da Matilde participou do movimento abolicionista cearense, foi o líder dos jangadeiros e foi o representante do Ceará em um encontro no município do Rio de Janeiro sobre o movimento abolicionista brasileiro.


Referências:
https://www.youtube.com/watch?v=Pju_WvYfhp8
https://www.youtube.com/watch?v=k-_otlBt4Ds
http://www.dragaodomar.org.br/concurso_text.php
http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/mito-do-heroi-jangadeiro-1.701370
http://anpuh.org/anais/wp-content/uploads/mp/pdf/ANPUH.S25.0389.pdf

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Pesquisa de Doutorado sobre Mergulho Recreativo no Ceará: Participe!



Sou mergulhadora e faço doutorado em Ciências Marinhas Tropicais no LABOMAR -UFC cujo tema busca caracterizar a situação atual do Mergulho Recreativo em Fortaleza. 

O mergulho recreativo é uma atividade que tem cada dia mais praticantes no Brasil. Além de ser uma atividade de lazer e contemplação também pode ser uma ferramenta para o desenvolvimento socioeconômico sustentável e a educação ambiental.

Se você já mergulhou no Ceará e puder responder ao questionário (leva apenas 3 minutos) estará me ajudando a aprimorar meu trabalho de pesquisa e a apresentar sugestões para o desenvolvimento da atividade em Fortaleza. 
Muito obrigada por sua participação!

Link do questionário:
http://goo.gl/forms/G27r8sPIm6
(O questionário estará disponível até o fim de julho e as respostas são confidenciais e nem mesmo o pesquisador tem acesso a identidade dos participantes).

Ana Flavia Pantalena
Mestre e doutoranda em Ciências Marinhas Tropicais pelo Labomar -UFC.

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Paul Kossel: um barco com casco de concreto

Paul Kossel, o barco com casco de concreto.

Conheça o Paul Kossel um pequeno barco de concreto!

Desafiando as leis da física este barco foi construído utilizando em seu casco uma armação metálica recoberta por concreto em 1920. Era utilizado como rebocador em apoio portuário e tinha 14,30m de comprimento. Foi idealizado pela Kossel & Cie., empresa pertencente a Paul Kossel um dos pioneiros na construção com este material. O pequeno rebocador foi batizado em homenagem a seu criador: MS Paul Kossel.

O estranho barco está em exposição desde 1976 no Museu Marítimo Alemão (Deutsches Schiffahrtsmuseum) um complexo histórico a céu aberto localizado em Bremenhaven no norte da Alemanha.

Detalhes do casco, superestrutura em madeira.



Fotos
Katharina Ockert

Fonte
http://de.inforapid.org/index.php?search=Paul%20Kossel
http://www.best-maritime-employment.info/catalogue_companies_list/company_source_37929_1.html

quarta-feira, 26 de março de 2014

Clean Up - Operação de Limpeza na Pedra da Risca do Meio

Linhas de nylon e outros resíduos de pesca retirados do Parque Estadual Marinho
Para abrir a temporada de mergulho a equipe do Mar do Ceará aproveitou um curso de Mergulho Profundo Deep Diver PADI para realizar uma limpeza no coração do Parque Estadual Marinho da Risca do Meio.

No início deste mês recebemos quatro servidores da Secretária do Meio Ambiente do Maranhão para realizar treinamento em mergulho profundo e primeiros socorros a fim de incrementar o poder de atuação do órgão visando principalmente a fiscalização do Parcel do Manuel Luís em seu Estado. Nos primeiros mergulhos observamos uma grande quantidade de resíduos de pesca poluindo a Pedra da Risca do Meio. Decidimos que algo deveria ser feito!

Cardume de Parú-Branco
na Pedra da Risca do Meio
A Pedra da Risca do Meio é o coração do Parque Estadual Marinho que é batizado com este mesmo nome. O PEM da Pedra da Risca do Meio se localiza em alto mar à cerca de 18km do Porto do Mucuripe. Trata-se de uma área de preservação delimitada em carta náutica com cerca de 33 km2 onde não é permitida a pesca industrial, a caça submarina, o fundeio de grandes embarcações, a limpeza de porões de navios, etc. Nesta grande área existem diversos pontos submersos marcados através de GPS onde são extremamente favoráveis a prática de mergulho autônomo mostrando uma vida marinha exuberante. 

Apesar de a pesca industrial e da caça submarina não serem permitidas a pesca artesanal é, o que resulta em um grande acumulo de resíduos desta prática. O pescador posiciona sua linha de nylon munida de azol e chumbada, o peixe morde a isca, é fisgado e tenta fugir. Nesta fuga a linha se enrosca em uma esponja ou pedra e o pescador não consegue recolhe-la, descartando-a no mar. Perde-se assim o peixe, a linha a chumbada... O anzol é rapidamente degradado pelo ambiente, mas o nylon e o chumbo podem levar centenas de anos para se decompor. As linhas soltas enroscam-se outras esponjas e corais promovendo um grande impacto no ambiente.

Nossa equipe decidiu retirar o que pudéssemos desses resíduos. Aproveitamos os últimos mergulhos do nosso treinamento e, munidos de facas e sacolas, descemos os 24 metros que separam os corais da superfície e iniciamos o corte e remoção dos materiais. Fizemos dois mergulhos de aproximadamente 30 minutos cada e retiramos cerca de 5 kg de resíduos.

Carretilha de PVC com Nylon

Chumbadas

Linhas de Nylon
Dias depois retornamos ao mesmo ponto com a mesma finalidade: finalizar o trabalho iniciado anteriormente e outros 5 quilos de resíduos de pesca foram removidos do coração do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio.

sábado, 15 de março de 2014

A Batalha Naval dos Abrolhos

Combate Naval de Abrolhos - Juan de la Corte (1597-1660), Museu Naval, Madrid.

por Paula Christiny

O Arquipélago de Abrolhos está localizado no município de Caravelas, no sul do litoral do estado da Bahia, Brasil. O local foi a primeira área do Brasil a receber o título de “Parque Nacional Marinho” devido a seu ecossistema marinho constituído por riquíssimos recifes de corais, variedade de fauna marinha e pelas aves que habitam as ilhas. Além disso, possui uma das melhores áreas de mergulho para a exploração de naufrágios no Brasil.
São enormes os impactos ambientais causados pela poluição e aquecimento globais constantemente sofridos por Abrolhos. Além disso, interferem negativamente no equilíbrio ecológico do ambiente a pesca, turismo predatório e a exploração de petróleo e gás. Na contramão vem a luta de ambientalistas, que tentam mostrar importância ecológica do local e de sua preservação. 
Hoje o arquipélago abriga uma
base da Marinha do Brasil 
O que muita gente não sabe é que Abrolhos nos períodos iniciais de sua ocupação já foi palco de outras batalhas. Durante o século XVII, o arquipélago vivenciou um grande combate naval entre potências europeias que ansiavam pelo domínio de territórios, rotas comerciais e acesso a matérias-primas.

Holandeses e a União Ibérica
A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, formada por mercadores holandeses em busca de expansão comercial, tinha como objetivo atacar os principais pontos do império de Espanha e Portugal que estavam unidos sob a União Ibérica (1580-1640), dessa forma, ampliando os diferentes postos de comércio estabelecidos pelos seus mercadores.
Os ataques da ação da Companhia as Índias Ocidentais feitos ao Brasil, especialmente ao litoral do Nordeste, foram contra Salvador e Pernambuco pelo fato dos mesmos serem detentores do monopólio da produção do açúcar, produto principal na pauta de exportação das terras brasileiras. 
Bandeira da
Companhia Holandesa das Índias Ocidentais

A Batalha
O entrave que ficou conhecido como Batalha dos Abrolhos foi um conflito ocorrido em 12 de setembro de 1631 pondo em confronto as forças conjuntas de Portugal e Espanha que até 1640 estavam unidas para recuperar territórios de Pernambuco, comandada por Antônio de Oquendo, contra a esquadra holandesa liderada por Adrien Hanspater.
O almirante espanhol Antônio de Oquendo foi escolhido pelo conselho de guerra espanhol para a missão de barrar dos holandeses que já ocupavam Olinda, a capital da capitania pernambucana na época, e bloqueavam o litoral brasileiro para os luso-espanhóis. Sob o seu comando vieram ao Brasil 19 navios de guerra em comboio com mais 35 embarcações com um reforço total de 3000 homens. Nesse período eram comuns conflitos marítimos de maneira que as embarcações mercantis navegavam junto a navios de guerra em comboios. Pelo lado holandês vinha Hanspater que saíra de Recife, Pernambuco, com dezesseis navios somando um contingente de 2.200 marinheiros e soldados a bordo.
Almirante espanhol
Antônio de Oquendo
O início da batalha se deu na manhã, quando houve a primeira investida de uma embarcação holandesa contra uma espanhola, porém o ataque foi revidado por um inimigo espanhol. O navio atingindo foi o de almirante Hanspater que naufragou e afundou junto com o seu barco. O embate durou o dia todo e terminou sem um vencedor, porém se tem relatos que o almirante Oquendo ainda conseguiu levar seus reforços ao arraial do Bom Jesus e a capitania de Pernambuco, que estavam lutando contra invasão holandesa. Em virtude das baixas sofridas nesse combate as tropas holandesas, procuraram reorganizar sua disposição no território brasileiro e deixaram Olinda se fortificaram em Recife, temendo ataque por mar e terra.

O Resultado
Segundo estudiosos durante o conflito foram a pique embarcações dos dois lados. Entre elas estão a nau capitânia Prins Wilhelm, munido de 46 canhões e 300 tripulantes, e o Provincie van Utrecht, com 38 canhões e 262 tripulantes da frota holandesa. Entre os luso-espanhóis afundaram a nau San Antonio, com 28 canhões e 344 tripulantes mais o N.S. dos Prazeres Menor, de 8 canhões 188 tripulantes. Tais naufrágios de inestimável valor histórico nunca foram encontrados, o que se sabe são vagas informações acerca da localização das mesmas. Elas estariam 150 e 200 metros de profundidade, numa distância media de 80 léguas a leste dos Abrolhos. Além desses, muitos outros navios, caravelas, naus e galeões, de mais diversos usos, naufragaram durante o período conturbado da História brasileira durante a ocupação do Nordeste pela Companhia das Índias Ocidentais holandesa, no século XVII.

terça-feira, 11 de março de 2014

Fugas Espetaculares pela Água Durante a Guerra Fria


A divisão entre o lado Ocidental e Oriental.
O muro hoje.
Logo após a Segunda Guerra Mundial o mundo foi novamente dividido entre dois regimes: o capitalista cujo seu melhor exemplo eram os Estados Unidos e o comunista encabeçado pela União Soviética, começava a Guerra Fria. Não era uma divisão virtual: em 1961 foi construído o Muro de Berlim, que dividia "ao meio" a Alemanha e sua capital entre esses dois regimes. Os moradores foram pouco a pouco sendo completamente proibidos de cruzar entre o lado Leste (socialista) e o Oeste (capitalista). 

Não tardou para que os moradores da Berlim do Leste quisessem se mudar para o lado capitalista, cheio de liberdades e opções de consumo. No entanto os lideres socialistas temendo uma evasão em massa, restringiram quase completamente a emissões de "vistos" para seus cidadãos, proibindo que cruzassem o famoso Muro de Berlim.
Aeronave usada em uma fuga.

O regime opressor resultou em criativas tentativas de fuga que muitas vezes terminavam tragicamente. Mas vários também obtiveram sucesso. Foram muitos os que escaparam por terra: túneis, esconderijos secretos em veículos autorizados, escadas articuladas, etc; por ar: aviões monomotores, ultraleves, parapente, etc; e pela água: sim, água! É aí que começa a parte que nos interessa. As tentativas de fuga pelo Mar Báltico (ao norte da Alemanha)  resultaram em aparatos muito engenhosos que foram posteriormente patenteados e se tornaram produtos industrializados de sucesso.

Peter Faust e seu caiaque inflável.
Caiaque Inflável
Peter Faust preparou sua fuga por mais de seis meses. Sua mulher conseguiu uma permissão para atravessar para o lado capitalista e não mais voltou. Como nunca conseguiria uma permissão planejou sua fuga com um caiaque inflável contrabandeado para o leste. Ele vestiu uma roupa de neoprene para aguentar o frio do Mar Báltico e partiu com seu caiaque inflável modificado para portar um pequeno velame. Teve de se esquivar de barcos patrulha, enfrentou uma tempestade com ondas de mais de 2,5 metros e após 15 horas no mar foi resgatado por um navio próximo da costa da Suécia.

Equipamento construído
para a fuga subaquática.
Equipamento de Mergulho Autônomo
Um engenhoso homem não identificado construiu um equipamento de mergulho autônomo para atravessar com sucesso por baixo da água. Ele juntou um cilindro de oxigênio usado em hospitais com redutor de pressão que conseguiu no Corpo de Bombeiros, um absorvente para retirar a umidade usado em equipamento de aviação, um tubo para passagem de ar e um bocal de uma loja de esportes, uma válvula de uma oficina e construiu um equipamento de mergulho totalmente funcional! Ele não poderia esquecer dos seus documentos e construiu uma bolsa impermeável com uma câmara de ar! Incrível! 

Um Mini-Submarino
O primeiro mini-submarino com combustão interna (a gasolina) foi construído por Bernd Bottger em sua tentativa bem sucedida de escapar do Leste. Bernd foi expulso da faculdade de engenharia por "motivos técnicos e disciplinares" e foi graduado pelo Estado Socialista como "Salva-vidas e Dançarino". Insatisfeito com o regime em que vivia construiu um mini-submarino com o qual atravessou na noite de 9 de setembro de 1968 as 16 milhas que separavam a Alemanha da Dinamarca. Seu equipamento que carregava até duas pessoas em uma velocidade de até 3 milhas por hora foi patentiado e industrializado. Posteriormente uma versão militar foi desenvolvida fazendo a incrível velocidade de 11 milhas por hora.

O Mini-Submarino de Bernd e o modelo industrializado.
Prevendo essas tentativas várias contra-medidas e enormes somas de valores foram gastos pelos socialistas para evitar a fuga de seus cidadãos como grades submersas posicionadas nos rios para capturar fatalmente aqueles que tentavam fugir a nado.

Grade submersas visavam impedir fugas.
Alguns números para lembrarmos da vida em um regime opressor: entre 1961 e 1989 ocorreram 913 fugas bem sucedidas através do Mar Báltico, 4.522 pessoas foram presas tentando escapar ou enquanto se preparavam e outras 187 pessoas se afogaram enquanto tentavam escapar pelo mar.


Texto e Fotos:
Marcus Davis

Fonte:

segunda-feira, 1 de abril de 2013

O Primeiro Mergulho com Escafandro Registrado no Brasil

O primeiro mergulho com escafandro que se tem notícia no Brasil foi realizado por um inglês.

Anthony Knivet era uma jovem inglês que, a procura de aventura, embarcou com o pirata Thomas Cavendish para uma viagem de volta ao mundo em busca de riquezas. No entanto, como era comum nos idos de 1590 a viagem sofreu vários revezes e Anthony acabou aprisionado por colonizadores portugueses que habitavam a costa brasileira. Passou quase uma década como escravo antes de conseguir retornar à Inglaterra.

Knivet deixou um relato importante sobre suas aventuras e passagens pelo Brasil colonial em obra intitulada  As Incríveis Aventuras e Estranhos Infortúnios de Anthony Knivet, recentemente publicado pela editora Zahar e organizado por Sheila Moura Hue. Esta obra trata-se de um relevante testemunho do Brasil colonial e seus primeiros habitantes. Apesar de um tanto fantasiosa, trata-se de um dos poucos documentos descritivos do Brasil colonial.

Em  uma das passagens de seu relato, Knivet narra um mergulho com um escafandro rudimentar para resgatar peças de artilharia que teriam ido parar no fundo da Baía de Guanabara após o deslizamento de um forte devido a força do mar. Leia o relato de Knivet sobre o primeiro mergulho com escafandro supostamente realizado no Brasil em 1597:

"(...) O governador ordenou, às suas próprias expensas, que se construísse um forte sobre uma pedra que ficava na entrada do porto [a Fortaleza da Laje]. No entanto, ficava tão perto da margem que três meses depois de pronto o forte, o mar o destruiu, levando toda a artilharia que la se achava.(...) Esse homem [um inglês chamado Andrew Towers] propôs-se a criar um artifício para resgatar as peças de artilharia do fundo do mar. Era assim: mandou fazer uma roupa de couro, toda recoberta de graxa e piche, de modo que água nenhuma pudesse penetrá-la. Então ele mandou fazer um capacete muito grande todo coberto de piche. com um nariz grande onde colocou três balões de ar, e na boca dois. Ele me convenceu a tentar mergulhar no mar vestindo aquilo, dizendo-me que seria muito bem recompensado, eu arriscaria minha vida na tentativa. Então ele avisou ao governador que, se fosse bem pago, eu arriscaria minha vida. O governador me chamou e disse: 'Vou te dar dez mil coroas e um passaporte para voltar à tua terra, ou para onde quiseres ir, se enganchares essa argola na boca de um dos canhões.' Eu disse a ele que tentaria fazer o melhor possível, com a ajuda de Deus.
     Depois que a roupa ficou pronta, a maioria dos portugueses se dirigiu para o lugar onde as peças de artilharia tinham afundado e, com grandes solenidades, rezaram a Deus para que me desse sorte. Uma vez dentro da roupa de couro, fui jogado no mar e afundei cerca de dezoito braças, com uma pedra enorme amarrada na cintura. O capacete era tão grande, todo coberto de piche e alcatrão, que, enquanto o peso da pedra (que era muito grande) me puxava para baixo, a água me puxava para cima de modo que parecia que eu acabaria despedaçado pela corda amarrada na minha cintura. Quando me vi em tais apuros, tomei a faca que trazia amarrada na mão e cortei a corda. Assim que subi a tona arranquei os balões de ar de meu rosto e cortei a roupa , pois estava a ponto de sufocar, e por um mês depois disso fiquei desorientado."

Fonte:
HUE, Sheila Moura; As Incríveis Aventuras e Estranhos Infortúnio de Anthony Knivet, editora Zahar.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Avanço do mar no Ceará não é causado apenas por intervenções humanas, segundo pesquisador

EM 25/02/2011
Texto retirado do site FCiência
Por Sílvio Mauro
As alterações observadas no litoral do Ceará, principalmente o avanço do mar, são frequentemente interpretadas pelo senso comum como uma consequência direta do aquecimento global e das intervenções humanas. Para muitas pessoas, ambos os fatores estariam aumentando o volume do mar ou desviando a força das ondas, causando a destruição das praias. À luz da ciência, no entanto, a explicação não é tão simples quanto parece.
Segundo Alexandre Medeiros, geólogo do Instituto de Ciências do Mar (Labomar), instituição vinculada à Universidade Federal do Ceará (UFC) e autor do estudo “Controle tectônico na morfodinâmica costeira de Icapuí”, o litoral do município, uma das áreas onde tem sido observado um preocupante avanço do mar sobre casas e barracas de praia, a explicação para o fenômeno vai muito além do aquecimento global ou da ocupação da faixa litorânea por grandes obras. Na verdade, o que acontece por lá é uma conjunção de fatores relacionados com aspectos geológicos, a dinâmica dos ventos e a própria estruturação da bacia sedimentar que existe na região.
Apesar do território brasileiro ser localizado sobre uma base de terrenos muito antigos e relativamente estáveis, ainda há movimentação de placas tectônicas (porções formadoras da crosta terrestre) no processo de afastamento entre os continentes americanos e africanos. As conseqüências vão dos pequenos tremores em Sobral e na serra da Meruoca às mudanças estruturais pouco perceptíveis que ocorrem no litoral, principalmente em regiões de bacias sedimentares, a exemplo de Icapuí....

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Mar Calmo e Água Limpa - Começou a Temporada de Mergulho!

(Mergulhador e cardume de parúns. Foto Marcus Davis)
O Ceará é famoso entre os mergulhadores do país por suas águas agitadas. Isto é verdade apenas no período de agosto a janeiro quando fortes ventos tornam desagradável a navegação até os pontos de mergulho. No entanto, o que muitos não sabem é que de março a julho os ventos cessam e o mar fica calmo como uma piscina

Foi o que testemunhamos ontem em uma saída de mergulho. Mar calmo, vento brando e água muito limpa no naufrágio do Macau em Aracati. A navegação fácil, sem nenhum vento e muita vida marinha. O naufrágio fica a 10 milhas da costa e abriga grande quantidade de vida marinha: imensos cardumes de guaraximboras, parúns e galos tornaram o mergulho fantástico sem contar com a visibilidade que estava em torno de 15m. Tubarões-lixa e peixes-morcego são característicos do local foram vistos em abundância isso sem falar na surpresa do dia: um grande e gordo mero, com aproximadamente 150kg foi visto no local. Ele se mostrou brevemente antes de se esconder. Fazendo a alegria dos poucos que o viram!

Mergulho no Ceará é assim, vida marinha farta, visibilidade extrema e temperatura agradável. Neste período de vento brando, é também o período que nossas águas apresentam temperaturas mais elevadas tornando o mergulho ainda mais confortável. Se voce nunca mergulhou apenas de bermuda e camiseta aqui é possível! 

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Mar do Ceará apóia Circuito Surf Pesca



Neste fim de semana aconteceu na Praia da Taíba a 9a edição do Circuito Surf Pesca organizado pelos alunos do Curso de Engenharia de Pesca da UFC. O Clube do Mar do Ceará que não poderia ficar de fora, apoiou este evento com a premiação de um kit de mergulho básico para o vencedor.



segunda-feira, 28 de junho de 2010

I Festival Gastronômico de Arraia de Barra Nova, CE


Acontecerá nos dias 1, 2 e 3 de julho na Praia de Barra Nova em Cascavel o I Festival Gastronomico da Arraia. Festivais gastronômicos são excelentes medidas para apresentar o que o Ceará tem de melhor e estimular o turismo, muitas vezes estagnado apesar das belas paisagens. Foi com este intuito que empreendedores da região se uniram a cerca de 7 meses e criaram a ACPTur - Associação da Cadeia Produtiva do Turismo do distrito de Jacarecoara. A ACPTur em conjunto com a Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Cascavel idealizaram o Festival da Arraia a exemplo de outros festivais como o do Escargot, na Praia da Taíba.
Para a realização do evento a Secretaria de Turismo da região procurou o Sebrae Ceará para qualificação do destino, trabalhando o associativismo entre o empresariado para assim fortalece-lo. Também foram realizados cursos capacitação culinária e higiene na manipulação de alimentos.
Além da degustação de pratos à base de arraia, haverá atrações artísticas e palestras técnicas. Jean Pierry e Banda, Cabra da Peste, Chapéu de Couro, Banda Veneno, João Bandeira, Bruno e Leonardo, Forró Rekebra e Forró da Boa animaram o evento.
A arraia mais consumida no litoral cearense é a Arraia-Manteiga. Prima do tubarão, é largamente pescada em todo o litoral brasileiro. Nota-se uma redução significativa na quantidade de indivíduos observados por mergulhadores recreacionais.

Aqueles que forem comparecer ao mergulho marcado para sábado, dia 03/07, pode ser uma boa idéia pernoitar em Barra Nova e aproveitar o Festival!

Texto e Foto
Marcus Davis


Fontes:
Diário do Nordeste

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Férias Frustradas para Passageiros de Cruzeiro



Cerca de 120 turistas que deveriam embarcar no navio cruzeiro italiano MSC Melody para um cruzeiro de 7 dias pela costa do Nordeste foram abandonados no Porto do Mucuripe.

O navio MSC Melody chegou ao Porto do Mucuripe por volta das 7:30 do dia 16 de fevereiro. O embarque dos passageiros deveria acontecer até as 16 horas. No entanto o capitão do navio decidiu deixar o porto antes por causa das “condições climáticas” – fortes ventos – abandonando tripulantes e cerca de 150 passageiros que pagaram de R$ 1.500 a R$ 2.200 reais pelo pacote à empresa MSC Cruzeiros.

O cruzeiro deixou o Porto do Mucuripe e seguiu para João Pessoa e de lá para Recife, Maceió, Salvador retornando a Fortaleza.

Os passageiros esquecidos ficaram indignados. Muitos que vieram de outras cidades do país para embarcar no cruzeiro entrarão na justiça com ações indenizatórias contra a empresa.

Segundo a MSC Cruzeiros, empresa responsável pela venda dos pacotes, nenhum passageiro embarcou no Porto do Mucuripe por questões de segurança e todos serão ressarcidos. Foi oferecido ainda um ônibus para levar os passageiros até João Pessoa para tentar embarcar, mas nenhuma garantia foi oferecida.Um grupo que optou seguir para João Pessoa conseguiu embarcar.

O MSC Melody é um navio cruzeiro italiano com 204m de comprimento e 538 cabines.



Fontes:

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Temporada de Mergulho em Fortaleza - Água limpa!

(Tubarão Lixa no Cabeço do Balanço, 18m. Foto: Marcus Davis. Todos os direitos reservados.)


Na manhã terça-feira fizemos uma operação especial com um casal de mineiros em que fizemos o reconhecimento dos pontos de mergulho para nos prepararmos para o início da temporada de mergulho em Fortaleza que vai de fevereiro a julho.

Embarcamos as 8:00 com mar calmo e vento brando com destino ao Naufrágio do Titanzinho onde fizemos um mergulho de aproximadamente 25 minutos de fundo. Constatamos uma visibilidade de 5 m e grande diminuição na vida marinha neste naufrágio: os sargos-de-beiço que sempre ficam nos porões sumiram e apenas alguns robalinhos ainda estão lá. Parace que a boa visibilidade também atrai visitas indesejadas. No entanto cardumes de xilas, galos e parús encantaram o mergulho.

Depois, seguimos com destino ao Parque Marinho da Risca do Meio onde fizemos mais duas imersões de aproximadamente 25 minutos de fundo. O mar estava calmo como uma lagoa, a temperatura da água extremamente agradável e a visibilidade melhor ainda: 15 m!

Muita vida marinha: cirugiões e dentões de bom tamanho, cardumes de parús, xilas, galos e um pequeno lixa em uma das locas. Sem contar com as pequenas lagostinhas que enfeitam o recife.

Nada como um excelente dia de mergulho!

(Peixe-Anjo, Cabeço do Balanço, 18m. Foto: Marcus Davis. Todos os direitos reservados.)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Mapa de Mergulho do Litoral de Fortaleza - CE

(Mapa de Mergulho do Litoral de Fortaleza-CE. Todos os Direitos Reservados.)

O Mapa de Mergulho do Litoral de Fortaleza-CE é resultado de um projeto realizado em 2006 que consistiu na catalogação de pontos adequados para prática de mergulho na capital.

Estão cadastrados 40 pontos de mergulho e locais de interesse em uma área que vai da da Praia do Cumbuco a Fortaleza. No mapa colorido em tamanho “A3” (29,7 cm x 42 cm) são disponibilizadas informações sobre a “temporada” de mergulho, ou seja, dicas sobre a melhor época para prática de mergulho no Estado bem como um breve texto informativo sobre cada local cadastrado contendo profundidades e características do relevo.

É uma importante ferramenta para consulta na hora de planejar seus mergulhos no litoral cearense! Também pode ser emoldurado para enfeitar sua sala de estar ou biblioteca!
O Mapa de Mergulho do Litoral de Fortaleza-CE é um produto exclusivo do Clube do Mar do Ceará e pode ser adquirido através do telefone (85) 98744-7226 / 99764-6553 ou em nosso escritório.

Voce também pode nos enviar um email mardoceara@gmail.com


(Detalhe do Litoral de Fortaleza. Todos os Direitos Reservados)


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quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Guerra da Lagosta em Icapuí, CE – A Revolta de Redonda

(Palavras de ordem pintadas em um dos barcos "apreendidos" na Praia de Redonda, em Icapuí-CE)

Aconteceu durante a temporada de pesca da lagosta, no segundo semestre de 2009. Os pescadores artesanais da Praia de Redonda, município de Icapuí, se revoltaram contra o método de pesca com compressor que é ilegal e é praticada por outros pescadores na mesma localidade.

Os pescadores artesanais utilizam os manzuás que são armadilhas feitas por eles para a captura da lagosta. Eles colocam as armadilhas no mar com as iscas e retornam um ou dois dias depois para conferir o resultado. Chegam a pegar dezenas de lagostas por manzuá no início da temporada. Este método de pesca é utilizado em todo o litoral cearense e é permitido por lei.

Já os pescadores de compressor usam equipamentos de mergulho rudimentares – os compressores de ar – instalados nos barcos para mergulhar até o fundo do mar respirando por mangueiras e capturarem as lagostas. Este método predatório de pesca tem gerado grandes conflitos em todo o litoral brasileiro. Além do risco extremo que os mergulhadores se submetem por não conhecerem as técnicas corretas de mergulho, é considerada uma forma desleal de pesca porque proporcionam a captura de colônias inteiras do crustáceo. Pesquisadores afirmam que a pesca com compressor é o motivo do “sumiço” da lagosta nas praias do litoral cearense. Várias colônias de pesca já se renderam às “facilidades” da utilização do compressor.

A Praia de Redonda em Icapuí é talvez um dos últimos redutos de resistência. Nesta última temporada de pesca o clima esquentou. Pescadores artesanais se revoltaram contra a pesca desleal. Fecharam as estradas de acesso à praia, atearam fogo em dois barcos a vela e um a motor e retiram seis outros barcos da água – inclusive o do vice-prefeito e o de um vereador sob a alegação de que todos eles estariam utilizando compressores para pescar lagosta. As embarcações estão "apreendidas" e podem ser vistas amontoadas e danificadas à beira mar. Estas ações foram noticiadas por vários jornais em outubro e novembro de 2009.

Sob pressão o Ibama realizou várias operações de combate à pesca ilegal na região. Além da logística em terra, uma lancha rápida equipada com dois motores de alta potência foi empregada para perseguir os infratores em alto mar. A bordo da lancha-rápida mergulhadores de resgate do Corpo de Bombeiros do Ceará para se certificar de que nenhuma “prova” fosse descartada no mar pelos infratores. Prisões foram realizadas em baixo d’água pelos mergulhadores do CBCE em um exemplo magnífico do correto emprego das ferramentas do Estado no combate a pesca predatória.

(Barcos "apreendidos" na Praia de Redonda)

Apesar das inovações poucos barcos foram apreendidos. A “Revolta de Redonda” parece ter sido mais eficiente do que todo o aparato do Ibama. Talvez a solução seja educar em terra ao invés de perseguir no mar.


(Barco do vice-preifeito e do vereador, autoridades envolvidas na Guerra da Lagosta, Icapuí-CE)


Texto e Fotos: Marcus Davis