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quarta-feira, 11 de maio de 2011

Um Mergulho em Fortaleza: o Naufrágio da Ponte


Imagem da Ponte Metálica, 1908. Navio da Ponte no detalhe.
Artigo publicado em 2006 no BrasilMergulho.com.br

Fortaleza já teve diversos portos, onde dentre estes, destacamos o antigo “Poço da Draga” que serviu até 1906, neste ano foi inaugurada a Ponte Metálica que foi utilizada para o desembarque de cargas e passageiros até 1947. Esta última foi construída devido à crescente necessidade de um porto que permitisse a aproximação de navios maiores. Porém, foi desativada após alguns anos devido ao assoreamento para dar lugar ao atual Porto do Mucuripe.

Nas proximidades da Ponte Metálica é possível avistar os destroços do cargueiro Mara Hope, encalhado na região há 26 anos. Mas o que não se pode ver, pelo menos acima da linha do mar, são outros dois naufrágios. Um deles, batizado como Navio Encantado (também conhecido como Draga) está a 500m da Ponte Metálica. Embora mergulhe há algum tempo no local, eu só soube da sua existência há um ano, e ele ainda permanece não identificado; o outro, para a minha surpresa estava literalmente sob meus olhos o tempo todo!

Detalhe do casco
Conversando com pescadores e mergulhadores da região, soube da existência de uma hélice e algumas ferragens junto à Ponte Metálica, a uns vinte metros da praia. Fui diversas vezes mergulhar lá, porém, a água nunca ajudava. A visibilidade é quase sempre zero devido à proximidade com a praia e o movimento constante das ondas. Ocasionalmente, a visibilidade chega a dois, três metros. Por estes motivos, mergulhar no Navio da Ponte é um pouco complicado e deve ser feito na maré cheia.

Entre março e julho o vento intenso dá uma trégua e a água limpa chega até a costa. Costuma-se alcançar até cinco metros de visibilidade em alguns raros dias. Mais raros ainda, são os dias como hoje em que a visibilidade chegou a 8 metros na beira da praia!

Mergulhador entre os
cabeços de amarração
Eu e Thadeu fomos até a Ponte Metálica para praticar mergulho livre, apenas para nos mantermos molhados. Quando chegamos e vimos a cor da água, não acreditamos! A água estava azul! Não tinha levado a câmera fotográfica e então voltei em casa para pegá-la, pois não podia perder essa oportunidade! No caminho meu receio era que água sujasse nos vinte minutos que levei até retornar à ponte.

Ao voltarmos encontramos um dos piratas locais. Ele vinha trazendo uma escotilha de bronze que havia acabado de retirar do naufrágio em que pretendíamos mergulhar. Ele está sempre no Mara Hope e em outros naufrágios da costa retirando seus metais de valor, como cobre e bronze. Conversando com ele, me disse que uma vez achou até um “Buda” de bronze, pesando vinte e oito quilos, entre o Mara Hope e o Navio Encantado. Quando questionei sobre a veracidade da informação ele disse: “É rapaz! Um Buda! Aquele gordinho sentado...!”.

Hélice do naufrágio
Depois fomos para a água explorar o Navio da Ponte. È um navio de ferro, com uns cinqüenta metros de comprimento e uns quatros ou cinco de largura. Está com a proa virada para a praia e a Ponte Metálica, fazendo um ângulo de cerca de 60 graus. O naufrágio está completamente desmantelado e repousa sobre formações coralíneas a estibordo.

Iniciamos a exploração pela popa onde ainda se encontram o hélice, que foi claramente serrado de seu eixo, e as estruturas do leme. O eixo do hélice ainda está inteiro e segue em direção à proa. Os restos do casco estão dos dois lados, mas estrutura do que seria o fundo ainda está parcialmente inteira. Seguindo o eixo encontramos estruturas que parecem ser do antigo motor. Mais a frente, por bombordo, chegamos a umas engrenagens que parecem ser o cabrestante (maquinário de suspender a âncora). E próximo a ele, ainda por bombordo, encontramos os cabeços de amarração. Sua proa ainda pode ser identificada, mas está bem corroída.

Cabrestante
Perto da popa, a quinze metros do naufrágio, por bombordo, está uma estrutura cilíndrica de uns quatro metros de comprimento por três de diâmetro que se encontra na posição vertical em relação ao fundo, aflorando na maré baixa. Dentro dessa grande estrutura estão três outras estruturas cilíndricas de um metro de diâmetro cada.  

Cruzamos com poucos peixes durante os mergulhos. Apenas alguns ‘cirurgiões’ e um ‘frade’. Algumas lagostinhas também moram por lá, mas fora isso, parece um deserto comparado aos mergulhos no Naufrágio dos Remédios e no Macau.

De onde será esse navio? Qual será a sua nacionalidade? Quando e por que naufragou? Teria encalhado nos recifes fruto de uma fundeação mal feita? Qual era sua carga?


Texto e Fotos 
Marcus Davis

domingo, 17 de abril de 2011

Naufrágio da Praia da Abreulândia

Praia da Abreulândia, Fortaleza, CE. Foto: Luciano Barros 

A praia da Abreulândia é desconhecida de muitos cearenses. Localizada entre a foz do Rio Cocó e do Rio Pacoti possui muitas pedras no encontro com o mar e por isso o banho não é muito agradável, além disso, sua localização remota não a torna muito segura pra visitantes desavisados e por estes motivos é frequentada apenas por moradores locais e alguns poucos visitantes de Fortaleza.


Talvez estas também sejam as razões para esta praia guardar tão bem um de seus mistérios. Ao que tudo indica um naufrágio aconteceu ali, bem próximo a praia rochosa. A cerca de trezentos metros do antigo Clube da Telemar ferros são expostos na maré baixa. O Mergulhador "Mar do Ceará" Luciano Barros que entrevistou alguns pescadores nativos, trata-se de um navio que encalhou carregado possivelmente durante a década de quarenta. O pescador disse ainda que sua carga teria sido completamente saqueada por moradores locais!

Formato semelhante ao de uma âncora
Durante a maré baixa, bem no meio da arrebentação um ferro com formato de âncora aparece. Não sabemos ao certo se é uma âncora de fato, mas provavelmente temos mais um naufrágio completamente desconhecido pelo publico geral.

Consultando publicações da marinha encontramos quatro naufrágios cuja as características dos sinistros se assemelham as encontradas na Abreulândia.
  • Rio Formoso, 1913 - A embarcação a vapor teria encalhado nos arredores de Fortaleza
  • Sobral, 1925 - Encalhou por imperícia do prático
  • São João, 1925 - Cúter brasileiro encalhou por desgoverno
  • Dona Luíza, 1889 - Barcaça encalhou a costa por Oeste de Fortaleza
Sua localização assim como possíveis correntezas dificultam qualquer mergulho no local, mas em breve, com muito cuidado e planejamento traremos novas informação sobre o Naufrágio da Abreulândia!

Fonte
Luciano Barros
Subsídios para História Marítima Brasileira

Fotos 
Luciano Barros  

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Naufrágio Localizado e Identificado em Fortaleza: barcaça Rose naufragada em 1897

Estruturas de madeira do Rose. Note a ponta de um cravo de bronze no centro da estrutura à direita.

Um caçador subaquático afirmar ter localizado e identificado a barcaça de origem alemã Rose naufragada em 1897.

Os verdes mares bravios do Ceará escondem belezas e mistérios. A chamada costa "leste-oeste" era temida por navegadores da era do descobrimento. Seus ventos, seus habitantes e seus recifes submersos apresentavam hostilidades suficientes para serem evitadas. Séculos depois colonizada alguns desses perigos ainda são reais para esse trecho do litoral e muitas embarcações que naufragaram foram lembradas em seu momento para depois serem quase completamente esquecidas. Apenas quando nos aventuramos no mundo subaquático podemos ter uma verdadeira noção do que nossos mares escondem.

É o caso da barcaça Rose. Naufragada a mais de um século, seu registro ainda pode ser observado na relação de embarcações naufragadas da Marinha do Brasil. Mas o que eram apenas indicadores de um antigo sinistro veio a tona para mostrar que a historia de fato aconteceu. 

Segundo os registros uma barcaça de origem alemã de nome "Rose" naufragou no Recife Grande em Fortaleza no ano de 1897. Não existem dados sobre sua localização precisa, carga, tripulação ou motivo do sinistro. Apenas algumas poucas palavras mantinham este fato na historia cearense. Isso até março de 2010.

No início deste ano um conhecido caçador sub nos informou ter localizado um naufrágio. Ao mergulhar no local nos deparamos com uma grande âncora submersa a cerca de hum metro da superfície na maré baixa nos arredores do Recife Grande. Durante o mergulho localizamos outra âncora, alguns metros de corrente com grossos elos, estruturas que parecem ser o maquinário de suspender a âncora, cravos e pregos de bronze espalhados e incrustados nos corais. O relevo também se mostrava peculiar. As massas de corais tinham formatos semelhantes que pareciam com barris e se estendiam por uma grande área. Ao raspar um pouco de incrustação de um desses "barris" chegamos a uma massa cinzenta que confirmava não se tratar de material orgânico evidenciando estruturas feitas pelo homem.

Pronto, estava localizado o naufrágio, mas qual? Uma breve pesquisa apontou para algumas possibilidades mas paravam por aí. O naufrágio estava fadado ao anonimato quando meses depois fui informado que um objeto com formato de um sino havia sido encontrado por um pescador no local dos destroços. No início não tivemos muitas expectativas pois existe muito lixo naquela área. Mas após uma breve limpeza no objeto pelos feita pescadores soube tratar-se de um sino com um nome gravado em letras estilizadas: "Rose".

Estava identificado mais uma peça de um grande quebra cabeças. Mais estudos e pesquisas estão sendo realizados e esperamos com isso enriquecer ainda mais a Historia Naval Cearense. 

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sucata de barco está à espera da Justiça para ser retirada

O barco está encalhado há cerca de 10 anos, segundo o Movimento Amigos da Beira Mar (FOTO: GEORGIA SANTIAGO
)
O barco está encalhado há cerca de 10 anos, segundo o Movimento Amigos da Beira Mar (FOTO: GEORGIA SANTIAGO )

Indiferente aos golpes das ondas e ao olhar de quem passa, ele jaz no começo da avenida Beira Mar, em frente ao Hotel Esplanada. Apesar de quieto, o barco encalhado no local há cerca de dez anos – ou o que sobrou dele – incomoda visitantes e moradores, que pedem sua remoção imediata. 

Quem puxa o movimento é Tadashi Enomoto, coordenador do movimento Amigos da Beira Mar. Segundo ele, há pelo menos dez anos a retirada da embarcação é aguardada pelos moradores. “Está atrapalhando demais. Todo mundo reclama disso”, cita. Ele diz que a presença do barco é tão incompreensível como um carro velho abandonado num estacionamento de shopping. “Estamos numa praia que é das mais bonitas do Nordeste e tem uma sucata jogada no meio do mar”, indigna-se.

Para ele, o principal problema do barco enferrujado é visual. “É horrível. Estão fazendo toda a parte urbanística, com cerâmica nova, e está lá o monstrengo”, aponta Tadashi, que promete acionar o Ministério Público Federal em busca de respostas sobre a responsabilidade de retirada do barco. Outro problema, continua ele, é o potencial perigo para banhistas, porque, em períodos de maré baixa, forma-se uma pequena praia no local do encalhe.

A doméstica Vanda Alves, 39, endossa as críticas de Tadashi. Para ela, o barco já deveria ter sido retirado da área, porque, segundo ela, o local serve de abrigo para pessoas usarem drogas e até para encontros amorosos. “Se fosse pelo menos algo de novidade, mas não, vai fazer 12 anos que eu trabalho por aqui e ele continua aí”.

Autorização
De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Executiva Regional II, a retirada da embarcação encalhada, que recebe a denominação de Alimar VII, depende apenas de autorização da 13ª Vara Cível para a quebra em vários pedaços. 

Segundo a prefeitura, a Justiça autorizou a retirada do equipamento e sua armazenagem em um depósito da Empresa Municipal de Limpeza e Urbanização (Emlurb), mas ainda não deu resposta a ofício enviado no dia 15 de abril deste ano pedindo autorização para a quebra.

De acordo com a assessoria de imprensa do Fórum Clóvis Beviláquia, o barco é objeto de penhora de uma dívida da empresa Alimar Pesca e Exportação ao Banco do Estado de São Paulo. A assessoria confirma o recebimento do ofício do pedido de fragmentação para retirada e completa que o processo está na mesa da juíza para análise, sem prazo específico para a decisão.

Onde

ENTENDA A NOTÍCIA
A Beira Mar de Fortaleza é o principal cartão postal da cidade. O barco está encalhado em frente ao Hotel Esplanada. Moradores da área, reclamam do perigo que a embarcação pode causar a banhistas

SAIBA MAIS
Para o instrutor de mergulho Marcus Davis, existem duas hipóteses para o barco enferrujado ter parado lá.

A primeira é ele ter encalhado enquanto estava sendo rebocado. A segunda hipótese é ele ter sido levado pela maré enquanto estava sendo desmontado para ser vendido como sucata.

Ainda segundo ele, por conta do estado de conservação, não há mais condições de levar o barco para alto-mar e naufragá-lo, o que ajudaria para torna-lo abrigo para peixes. “O único caminho é retirar dali”, avalia o instrutor.

A embarcação, chamada de Alimar VII,é objeto de penhora de uma dívida da empresa Alimar Pesca e Exportação ao Banco do Estado de São Paulo. Não se sabe ao certo como ela foi parar no local, em plena Beira Mar de Fortaleza, próximo ao Hotel Esplanada.
Thiago Mendes
thiagomendes@opovo.com.br

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Avião da Enseada do Mucuripe

Corpo do Tenente Renato Ayres sendo desembarcando no Iate Clube
O dia era 22 de outubro de 1967 e milhares de pessoas lotavam a faixa de areia do Iate Clube até a Praia de Iracema para assistir ao show aéreo prometido para aquele dia como parte das comemorações da semana da asa. Dez aeronaves participavam do evento e até um alvo incendiário foi montado dentro da Enseada do Mucuripe para demonstrações de tiro.

Uma dessas aeronaves era o caça não municiado TF-33 da Força Aérea Brasileira sob comando do 1o Tenente Renato Ayres que havia sido incumbido da missão de fazer manobras acrobáticas durante a apresentação. O Ten. Ayres tinha apenas 25 anos de idade mas possuía mais de 2 mil horas de vôo em seu currículo. Ele deveria fazer manobras diversas de modo a "permitir ao público máxima visibilidade das evoluções de seu aparelho".

1o Tenente Renato Arzuaga 
Ayres da Silva 
Mas não foi exatamente isso que aconteceu. Algo deu errado logo após o meio-dia quando o TF-33 se aproximava a baixa altitude em trajetória paralela a linha da praia para uma manobra ousada em que giraria algumas vezes em torno do seu próprio eixo, chamada de "toneaux". A aeronave chocou-se com violência contra os verdes-mares do Mucuripe. O impacto causou uma explosão imediata chocando a população que assistia perplexa. 

O corpo do piloto foi retirado do mar cerca de 30 minutos após o acidente por "homens-rãs" (como eram chamados os mergulhadores) da Marinha e do Corpo de Bombeiros. No entanto, o impacto da explosão foi tão grande que a aeronave se estraçalhou. Nos dias posteriores membros do piloto foram encontrados em praias da capital.

O momento foi capturado pelo experiente
fotógrafo Esdras Guimarães.
Segundo o Coronel-Aviador Edivio Caldas Sanctus que na época era o comandante da Base Aérea de Fortaleza, "o acidente ocorreu quando o avião realizava a segunda virada do dorso, ocasião em que ocorreu uma perda de altitude que os pilotos chamam de 'colherada'. A dois mil metros com o bico do aparelho levantado a manobra não oferece risco. Entretanto o Ten. Ayres realizou a acrobacia a baixa altitude a fim de permitir ao público sua plena visibilidade e o aparelho não teve como compensar a perda de altitude, chocando-se com a água e explodindo imediatamente".
TF-33

O Coronel Sanctus também se queixou da tecnologia obsoleta dos aviões da FAB. Segundo ele, os TF-33 já eram aeronaves obsoletas que se tornavam a principal escolha da FAB devido a seu custo-benefício. 

Uma breve história de família: meu pai que na época tinha pouco mais de 13 anos, havia combinado com meu avô alguns dias antes de assistir as demonstrações da Semana da Asa. No entanto, no dia do evento meu pai por motivo fútil se desentendeu com meu avô e de birra não foi assistir a apresentação das aeronaves. Resultado: deixou de presenciar um dos "maiores" acontecimentos da cidade na época!


Reprodução total ou parcial apenas com autorização. Obrigado!


Pesquisa e Texto:
Marcus Davis


Fontes:
Tribuna do Ceará
Correio do Ceará
Opovo

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Naufrágio da Santa Edwiges

Mergulhadore sobre os destroços do "Naufrágio da Santa Ewirges"
Os verdes mares cearenses já foram temas para diversos escritores e poetas. No entanto a tonalidade marrom-esverdeada que muitas vezes se mantém próxima à costa do Ceará é característica de pouca visibilidade enquanto submersos. Para nossa sorte em alguns períodos do ano águas mais claras chegam a nosso litoral revelando mistérios a muitos anos escondidos.

No fim do século XIX e início do século XX a área onde foi construído o hotel Marina Park e o local onde hoje funciona a Indústria Naval do Ceará - INACE era conhecida como Poço da Draga. Fortaleza ainda não possuia instalações portuárias adequadas e este local funcionava como ancoradouro natural. Muitas embarcações de diversos tamanhos terminaram seus dias ali, incógnitas. 

E foi num desses naufrágios que uma equipe do Mar do Ceará mergulhou, uma embarcação a muito tempo esquecida que é trazida de volta para nossos livros de história. São estruturas de aço localizadas em frente a estátua da Santa Edwiges, ao lado do hotel. A dica veio de pescadores que há muito tempo conhecem bem o local e nos informaram da existência de "uns ferros" naquela área.

Mergulhadore entre as "pás" do hélice
A área dos destroços se estende por cerca de 30m de comprimento. A proa está voltada para praia em um ângulo aproximado de 60 graus para boreste. O tamanho do hélice parcialmente enterrado coincide com as estimativas de comprimento. A embarcação está completamente destruída mas algumas estruturas ainda puderam ser observadas apesar da precária visibilidade: cabeços de amarração que sempre são deixados pra trás e são uma boa forma de se orientar em um naufrágio, estruturas do leme, quilhas e cavernames. 

O único motivo do hélice não ter sido levado por saqueadores é que ele não foi feito de metais nobres ou seja, sem valor comercial. Parte do seu eixo também foi identificada, mas nada dos seus motores. As chapas que constituíam o casco parecem ter sido soldadas e não pregadas com rebites, o que nos dar uma pista quanto a sua idade.

Lancetas nos destroços do naufrágio
Existe uma grande possibilidade de tratar-se o pequeno vapor Rio Formoso, pertencente a Companhia Pernambucana de Navegação e que encalhou em uma praia nos arredores do "Porto do Ceará" em 1913.  

A vida marinha é tímida, pequenas lagostinhas, lancetas e outros pequenos peixes recifáis. 

É importante lembrarmos que todas as embarcações naufragadas guardam uma pequena parte do quebra cabeças da nossa história marítima e devem ser preservadas.

Ficha Técnica
Nome: Naufrágio da Santa Edwiges (nome real desconhecido)
Localização: Em frente a estátua da Santa Edwirgens, na Av. Leste-Oeste.
Data: desconhecida
Tamanho: aproximadamente 30m de comprimento
Estruturas localizadas: hélice, leme, quilha, cavernames cabeços de amarração da popa.
Profundidade: 1m - 4m
Visibilidade: 0m - 2m




Texto e fotos
Marcus Davis A Braga

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Mar do Ceará na Revista Náutica!

O Mar do Ceará foi fonte para matéria publicada na Revista Náutica!

O artigo sobre o veleiro One Dream, One Mission postado em 29 de setembro de 2009 no blog Mar do Ceará foi fonte para matéria publicada na Náutica em junho de 2010 por Gilberto Ungaretti. O artigo conta a história do veleiro e do infortúnio de seu dono que teve que abandona-lo próximo do seu destino final. Compre a revista para ler a matéria ou leia aqui o artigo: 'One Dream, One Mission - O naufrágio que ainda não aconteceu' !


quarta-feira, 16 de junho de 2010

Mais um: Naufrágio do Aterrinho

(Água limpa chega a costa cearense. Foto: Marcus Davis)

Nesta semana os mares cearenses foram agraciados com uma água "caribenha", coisa rara em nosso Estado. Uma água limpa assim só chega a costa 3 ou 4 vezes por ano. Quando isto acontece é hora de calçar as nadadeiras e molhar as escamas! E foi aproveitando esse embalo que a equipe do Mar do Ceará botou a mão na massa e revelou mais um naufrágio para os nosso leitores! 

Trata-se do Naufrágio do Aterrinho, localizado no lado leste do espigão (muralha de pedras que se prolonga mar adentro) entre a Praia de Iracema e a Praia do Aterrinho. É um pequeno barco de pesca afundado a 300m da praia e a uma profundidade média de 6m. Está deitado no fundo em posição de navegação, um pouco inclinado para bombordo, com a proa voltada para leste. A cabine de comando que ficava na proa já desapareceu. Motor, leme, hélice e demais estruturas foram removidas, apenas o casco de aço com cerca de 10m de comprimento permanece no fundo.


Na maré seca parte de suas estruturas ficam a 1m da superfície. Devido a boa visibilidade de fora d'água era possível avistar uma mancha escura no local do naufrágio. Um caçador submarino que costuma mergulhar lá disse-me que o pequeno barco provavelmente bateu em recifes submersos próximos a praia e afundou rapidamente.


Suas estruturas são praticamente idênticas ao Encalhe da Beiramar, um casco de aço encalhado desde 2007 ao lado do espigão da beiramar (entre a Praia do Aterro e a Praia da Beiramar). Fato curioso é que antes de encalhar na praia este barco estava sendo desmontado no cais pesqueiro, entre o Porto do Mucuripe e o Pier da Marinha. Provavelmente este casco flutuou durante uma maré cheia e derivou até encalhar na Beiramar. 

A vida marinha é pobre. Apenas algumas salemas, lancetas (cirurgiões), sargentinhos e outros pequenos peixes recifáis. Atenção às algas* urtigantes, presentes na maioria dos naufrágios cearenses também cobrem todo o Naufrágio do Aterrinho.

Se quer mergulhar neste naufrágio aproveite! Essa é a hora!












Ficha Técnica
Nome: Naufrágio do Aterrinho.
Localização: A 300m da Praia do Aterrinho ao lado do Espigão da Praia de Iracema..
Profundidade: 1 - 7m.
Visibilidade: 0 - 4m.
Estado: Semi-inteiro.
Tipo: Pesqueiro de aço com cabine na proa.
Dimensões: 9m - 3m - 4m

Legenda das Imagens 
Principal: Água limpa no lado oeste do Espigão da Praia de Iracema.
Segunda: Localização do naufrágio, lado leste do Espigão.
Terceira: Mergulhador dentro do porão e escada de acesso ao convés.
Quarta: Mergulhador na proa.
Quinta: Encalhe da Beiramar.
Sexta : Algas urtigantes, na verdade são cnidários, ou seja um animal e não uma planta*.
Sétima: Fauna marinha no Naufrágio do Aterrinho: lanceta, salema, sargentinho e batata.

Texto e Fotos: Marcus Davis

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Passeio ao Mara Hope! Sábado, 26/06!

(Foto: Marcus Davis)


No sábado dia 26/06 vamos fazer mais um passeio de trimarã até o Mara Hope!

Sairemos da beiramar as 15:00, navegaremos pela orla de Fortaleza até o Mara Hope (restos do navio encalhado em frente ao marina park), um dos cartões postais da cidade e visitado apenas por poucos! Chegando lá lançaremos a ancora e subiremos em grupos no antigo navio para conhecermos e fotografarmos (aqueles que não quiserem subir poderão ficar no barco).

De lá retornaremos para a beiramar. Previsão de retorno: 18:00.

O trimarã (um barco com três cascos) está totalmente equipado com equipamentos de segurança, boias, caiaques, radio, GPS, motor e vela.

DIVERSÃO! AVENTURA! NÃO FIQUE DE FORA! 


Data e horário:
- 26/06/10 embarque a partir das 14:00hrs

Local:
- Calçadão da Av. Beiramar em frente ao número 4344. (Av. Beiramar, 4344)

Está incluso:
- o passeio de barco
- subida ao Mara Hope
- caiaques
- 3hrs de passeio
Valor:
- R$ 30,00 por pessoa.
- Água, refrigerante e cerveja vendidos a bordo.

Ponto de Vendas 
- Rossi Informática (Rua Pa Valdevino, 1785)


segunda-feira, 29 de março de 2010

Mergulhamos na Balsa Bravamar-X

(Mergulhador no Naufrágio Bravamar-X, Fortaleza-CE)


    Aproveitando a temporada de águas limpas que chegam ao litoral cearense mergulhamos em alguns pontos de grande interesse neste fim de semana. Destes podemos destacar o mergulho realizado na balsa Bravamar-X que afundou em setembro de 2009. 
    Apesar da boa visibilidade nos primeiros metros, no fundo não chegava a mais que 2m. Descemos por um cabo preso a um dos cabeços de amarração na proa que se mantém muito bem conservada voltada para noroeste. A balsa está deitada no fundo em posição de navegação. Por bombordo logo observamos os buracos feitos no casco pela equipe de savatagem. Alguns tambores de plástico presos por redes evidenciavam um trabalho pouco minuscioso. A popa está bem danificada.
    A vida marinha começa a povoar o novo naufrágio que já está coberto por "cracas". Pequenos peixes e lagostins já o utilizam como abrigo. 
    Segundo o vigia que a meses reside em um pequeno veleiro ancorado sobre o naufrágio, uma equipe de Pernambuco está vindo para inspecionar a embarcação e decidir sobre seu futuro. Dificilmente ela será reaproveitada. 
    Mergulhadores e pescadores esperam anciosos por este ponto!


Nome: Bravamar-X
Data: 28/08/2009
Profundidade máx.: 11m
Tipo: Balsa de Transporte
Estado: Inteiro
Dimensões aprox.: 20m x 7m x 2m
Visibilidade: 0m - 2m


Mergulhadores:
Leornardo, Luciano, Marcus, e Régis


Texto e Fotos:

terça-feira, 16 de março de 2010

Novo Naufrágio no Ceará - "BRAVAMAR-X"

    Em setembro de 2009 afundou em frente a Praia de Iracema uma Balsa - tipo de embarcação sem motor utilizada para transporte de materiais ou equipamentos - aproximadamente 1,5km da praia. Uma empresa de mergulho profissional foi contratada para faze-la flutuar novamente e reaproveita-la. Após meses de trabalhos submersos os proprietários desistiram da operação em virtude dos altos custos envolvidos. Foi então constata a perda total da balsa "BRAVAMAR-X" e Fortaleza ganhou mais um naufrágio.

    Atualmente encontra-se ancorado um pequeno veleiro a fim de sinalizar o local do naufrágio e evitar acidentes com outras embarcações. Em breve a marinha deve providenciar uma bóia de sinalização para o local. Segundo mergulhadores que já estiveram no local, o naufrágio já está sendo povoado por um grande cardume de xilas.

    Apesar de termos nos equivocado quanto ao nome da balsa, em setembro o MAR do CEARÁ noticiou o afundamento no artigo Objeto Não Identificado na Orla de Fortaleza.

    As coordenadas geográficas do afundamento publicada no "Aviso aos Navegantes" da Marinha do Brasil são: 03° 32,00S / 38° 31,00W. Em breve teremos imagens, aguardem!

    Com este afundamento temos, pelo menos, 7 naufrágios apenas na orla de Fortaleza!

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

O "Primeiro" Mergulho no Mar do Ceará - A intrepidez do Caboclo Cearense

(Trecho do Livro "Álbum de Fortaleza" de 1931)
Foi em Novembro de 1929 quando o navio "Higho"de nacionalidade desconhecida fundeou ao largo de Fortaleza trazendo consigo duas enormes caldeiras para a "Rede de Viação Cearense". Durante o desembarque as duas caldeiras soltaram-se dos guindastes e caíram no mar submergindo rapidamente a uma profundidade de 20 "braças" - aproximadamente 36 metros.
Pois foi então que o caboclo João Miguel, um catraiêiro* de muita coragem se dispôs a mergulhar e prender os cabos do guindate às caldeiras. Inicialmente visto com desconfiança João mergulhava durante o período de baixa da maré o que diminuia a profundidade e, utilizando somente o ar dos seus pulmões e um equipamento de mergulho rudimentar passava de 2,5 a 3 minutos submerso.

Após três dias de intensos trabalhos as caldeiras puderam ser içadas com êxito do fundo do oceano. O feito de João Miguel nos verdes mares cearenses foi tão admirável que ficou registrado em livros da época sobre história do Ceará.


(João Miguel, o mergulhador "catraiêiro")


*Catraiêiro. "Catraia" é como é chamada um tipo de jangada movida a remo utilizada para o embarque e desembarque de pessoas ou materiais. O catraieiro é quem rema a catraia.


Fonte:
Biblioteca Menezes Pimentel - Álbum de Fortaleza, 1931

terça-feira, 3 de novembro de 2009

O Submarino e o Jangadeiro - Um possível encontro

(Imagem Ilustrativa)

6 de julho de 1943. 5:00 horas da manhã.

O sol começa a lançar seus primeiros raios e Toinho, um pescador de rosto marcado prepara sua jangada para mais um dia no mar. Ele aproveita o vento terral, abre a vela e, passando pelas obras do Porto do Mucuripe, encara o mar aberto. É junho e o vento está brando, porém uma ameaça diferente assombra os pescadores: os temidos submarinos de Hitler.

Na praia, comentários entre os pescadores sobre afundamentos são constantes. A marinha os preparou, mostrando slides com imagens de submarinos e os instruindo a relatar qualquer encontro com essas embarcações.

Toinho sai sem medo. Uma vida inteira o ensinou a respeitar, mais do que temer, o mar do qual tira seu sustento. Hoje ele vai para um ponto de pesca chamado Pedra do Urubu, 30 graus ao norte de Fortaleza, um pesqueiro que sempre lhe rende bons sirigados e que anos depois viria a se chamar Pedra da Risca do Meio.

O vento brando faz com que a viagem seja mais lenta que o normal e por volta das 9 horas Toinho larga a ancora artesanal, feita com uma pedra grande envolta por madeiras. Logo que coloca a primeira isca na água os peixes começam a morder e após poucos minutos vem o primeiro. Pelo peso da linha e pelo modo como o peixe luta contra seu destino, ele já sabe o tamanho e a espécie da presa. E logo vem o segundo e o terceiro e isso prossegue por algumas horas.

Perto do meio-dia, com o sol a pino, os peixes pararam de morder e sumiram. O pescador se sente sozinho pela primeira vez no dia, pois o sumiço dos peixes é sinal que algo estranho está para acontecer. Momentos depois ele começa a escutar um zumbido distante! Com o olhar treinado, procura ao redor em busca de um navio, mas nada vê. Rapidamente puxa a linha da água e corre para puxar a ancora: seja lá o que for ele quer sair de lá o mais depressa possível! O barulho está ficando mais intenso enquanto puxa o cabo da ancora. De repente, um monstro azul-marinho enorme projeta-se para fora d’água a apenas poucos metros da pequena embarcação enquanto Toinho observa paralisado! Logo sua pequena jangada começa a balançar com as ondas provocadas pelo submarino!

O submarino emerge e prossegue indiferente ao pobre jangadeiro petrificado que não consegue fazer nada a não ser observar o monstro azul passar por ele. Nunca tinha visto um “barcão” como esse. Mesmo com sua jangada balançando como uma rolha, Toinho equilibra-se indiferente às ondas observando enquanto o submarino segue para noroeste, costeando o litoral cearense.

Quando retorna a si, o pescador volta a puxar a ancora, arma a vela com impressionante rapidez até mesmo para um jangadeiro e segue para a terra. Não consegue pensar em outra coisa, apenas naquele monstro azul com dois canhões e dois periscópios.

A viagem é lenta e Toinho chega à praia no começo da noite. Imediatamente, antes mesmo de levar seus peixes pra casa, se dirige até o posto da marinha e informa o acontecido. É levado para a base e interrogado minuciosamente durante a noite.

Aos primeiros raios de sol do dia seguinte, aviões norte-americanos sediados em Fortaleza decolam da Base Aérea e iniciam as buscas pelo submarino inimigo.

Apenas dois dias depois, no dia 9 de junho, pilotos norte-americanos avistam um submarino ao largo de Fortaleza. O inimigo mergulha evitando o confronto direto. Os pilotos instintivamente iniciam o ataque com cargas de profundidade e logo avistam uma mancha de óleo e alguns destroços na água. Tinham afundado um submarino a poucos quilômetros da costa do Ceará. No entanto, mais tarde no mesmo dia outro avião naval americano avista um periscópio a algumas dezenas de quilômetros da batalha inicial, mas, ao iniciar o ataque, o submarino mergulha a grande profundidade e se esquiva do combate.


A mancha de óleo e os destroços avistados após o primeiro combate faziam parte de uma medida defensiva alemã: após serem atacados os submarinos lançavam destroços pelos tubos de torpedos para enganar as patrulhas aliadas. O submarino não afundou neste combate.

O inimigo continuava lá, incógnito sob as águas, à espera de um navio mercante, fácil de afundar e extremamente necessário para o esforço de guerra aliado. Enquanto Toinho foi pescar no dia seguinte, satisfeito por ter participado de alguma maneira daquela guerra que seria lembrada pra sempre.

Crônica fictícia baseada em fatos reais.

Fontes:

Diversos pescadores já afirmaram a existência de um submarino afundado entre as praias da Taíba e Pécem, a oeste de Fortaleza. No entanto a história nunca foi confirmada in loco ou em registros oficiais.


Subsídios para a História Marítima Brasileira, vol. XII; Ministério da Marinha – Serviço de Documentação Geral da Marinha; Imprensa Naval, Rio de Janeiro, 1953. Pág. 197. Trechos do livro:

- No dia 6 [de julho de 1943] um pescador às 12h, avistou um submarino na superfície, o qual quase abalroou uma embarcação; estava a 30`N de Fortaleza. O submarino tinha 2 canhões, 2 periscópios e estava pintado de azul.

- No dia 9 [de julho de 1943] foi afundado submarino por um avião naval americano na posição 03˚ 22` S - 48˚ 28` W [Ao plotar essas coordenadas em carta náutica obtemos um ponto quilômetros terra adentro. No entanto, alterando apenas o primeiro número da longitude obtemos um outro ponto no mar, poucos graus ao norte de Fortaleza o que corrobora a história do pescador e na qual foi baseada esta crônica]. Às 8h 20m, do mesmo dia, foi avistado periscópio por avião naval americano, na posição 03˚ 00` S - 48˚ 44` W [Ao plotar essas coordenadas em carta náutica obtemos ponto quilômetros terra adentro. No entanto, alterando apenas o primeiro número da longitude obtemos um ponto no mar poucos graus ao norte de Fortaleza]. Não foi atacado por ter mergulhado à grande profundidade.

(Coordenadas plotadas com as devidas correções)

Imagens:
Google Earth
Marcus Davis - Texto e Foto