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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Pesquisa científica descreve recife de corais em águas profundas do Ceará

por Marcelo Oliveira 

Mergulhador junto aos recifes do Canal do Uruaú. 

Pesquisa publicada recentemente descreveu a biodiversidade em recifes de corais localizados a cerca de 40 metros de profundidade no litoral leste do Ceará. O trabalho foi feito por pesquisadores do Instituto de Ciências do Mar (Labomar) da Universidade Federal do Ceará (UFC) em parceria com a operadora de Mergulho Mar do Ceará. 

O artigo publicado na revista internacional Marine Biodiversity (Biodiversidade Marinha) com o título Mesophotic ecosystems: Coral and fish assemblages in a tropical marginal reef (northeastern Brazil) - Ecossistemas mesopóticos: Conjuntos de corais e peixes em um recife marginal tropical (Nordeste do Brasil) - descreveu os corais e peixes que vivem associados ao fundo do mar. Os pesquisadores descreveram os recifes através de mergulho autônomo no ponto conhecido como Canal do Uruaú (36m), localizado a cerca de 6 horas de barco a partir de Fortaleza. 

Na pesquisa foram feitas fotografias e vídeos para descrever a área possibilitando um maior conhecimento sobre o ambiente em águas profundas “Observamos uma biodiversidade significativa, principalmente de corais, tubarões, peixes e arraias. Os mergulhadores conhecem a área como um paraíso para as arraias”, aborda o instrutor de mergulho Marcus Davis, um dos autores do estudo. 

Os resultados são importantes, pois fornecem informação sobre a biodiversidade marinha de recifes de corais em águas profundas, os quais estão sendo descritos principalmente nos últimos 10 anos. Este tipo de recife tem sido encontrado em diversas áreas no mundo. No Brasil está em locais como perto da foz do rio Amazonas, litoral da Bahia, Atol das Rocas e o Arquipélago de Fernando de Noronha. 

“O litoral do Ceará possui uma vida marinha rica e pouco conhecida, principalmente em águas mais profundas. O Canal do Uruaú é uma área bastante interessante, porém infelizmente sem qualquer tipo de proteção ambiental, apesar de sua função para que as espécies possam se reproduzir. Seria bastante relevante criar uma unidade de conservação marinha na área ” aborda outro autor do estudo, o Professor Marcelo de Oliveira Soares do Labomar-UFC.

A pesquisa faz parte da rede do INCT (Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia) Ambientes Marinhos Tropicais, que visa analisar os recifes de corais no Nordeste do Brasil. 


Referência do Artigo
Soares, M.O.; Paiva, C.C.; Davis, M.; Carneiro, P.B.M.. Mesophotic ecosystems: Coral and fish assemblages in a tropical marginal reef (northeastern Brazil). Marine biodiversity, 2016. 

Fonte
Instituto de Ciências do Mar (Labomar), Universidade Federal do Ceará (3366.7010)

Fotos
Marcus Davis

Texto 
Marcelo Oliveira

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Onde está o ar respirado pelos peixes e outros organismos aquáticos?

Não é de hoje que sabemos da capacidade que os peixes têm de respirar debaixo d'água. Mas poucos de nós sabe da dificuldade que é respirar dessa maneira. Tudo isso vem da dificuldade de se obter oxigênio na água, pois só é possível captar o oxigênio que esteja dissolvido nela. E isso pode representar problemas para os animais que necessitam dele.

1. Bolhas de ar na água simbolizando os gases dissolvidos nela.
Para os organismos terrestres, o ar está repleto de oxigênio. A composição do ar atmosférico seco, sem umidade, é de 20,95% desse gás, disponível a uma pressão de 760 mmHg. A medida que subimos montanhas essa concentração de quase 21% permanece constante, mas a dificuldade de respirar em altitudes decorre da pressão parcial (pO2) que diminui, dificultando a troca gasosa nos pulmões, que ocorre de onde a pressão é maior para a menor, ou seja, do pulmão (pO2= 104 mmHg) para o sangue (pO2= 40 mmHg).
2. Esquema demonstrando as pressões parciais para ocorrência das trocas gasosas entre o pulmão e o vaso sanguíneo.
Na água, a solubilidade do oxigênio gasoso é de 34,1 ml /litro a 15°C. Isso quer dizer que em 1 litro de água a 15°C podem ser dissolvidos 34,1 ml de gás oxigênio. Isso parece razoável, mas esse valor pode variar conforme os fatores ambientais, entre eles a temperatura, a quantidade de sais e a pressão.

3. Solubilidade dos gases (O2, N2 e CO2) na água.
Quanto mais quente for um líquido que apresenta gás, menos esse gás fica retido, como facilmente podemos notar em um refrigerante quente, que as bolhas saem rapidamente, dando a ideia de que ele 'explodiu'. Quando está no copo, bolhas são vistas subindo nas paredes do copo, pois, a medida que o refrigerante esquenta, o gás perde solubilidade e vai saindo. A diferença é que no refrigerante o gás é o dióxido de carbono, o CO2.

4. Bolhas no refrigerante demosntrando a presença de gás (CO2) dissolvido, perdendo solubilidade a medida que esquenta.
Assim como a temperatura, o aumento da quantidade de sais na água diminui a solubilidade. Por isso na água salgada tem uma quantidade de gases dissolvidos menor que na água doce. Diferentemente da pressão que, quanto maior a pressão, maior a solubilidade do gás naquele meio. 

5. Esquema de experimento mostrando a interferência do aumento da pressão no aumento da solubilidade do gás na água.
Voltando ao refrigerante, quando ele ainda não foi aberto podemos notar que a garrafa PET está mais rígida que quando ele é aberto. Isso deve-se ao fato de, ao ser aberto, aquele 'tchisss' equilibra as pressões internas na garrafa com a do meio externo. Era essa pressão que mantinha parte do gás dissolvido. Tanto que depois de aberto, mesmo que refrigerado, ele fica 'sem gás'.

6. Garrafas PET fechadas mostrando-se mais rígidas devido a pressão interna ser alta. 
Ao nível do mar, a pressão é constante de 760 mmHg, o conhecido 1 ATM. A medida que mergulhamos essa pressão aumenta. Esse aumento ajuda na manutenção de uma quantidade de oxigênio nessas águas. Junto com a profundida, a temperatura normalmente cai, ajudando, também, na solubilidade do oxigênio nessas águas.

Nos corpos d'água a quantidade de gases dissolvido é equilibrada constantemente, pois há contato com o ar atmosférico e, até que a água esteja com quantidade máxima de gás dissolvido, chamada de saturada, ocorre intercâmbio entre os gases da água com os do ar. Mantendo esse equilíbrio.

O problema está quando há um aumento da temperatura da água. Comum em poças de água, piscinas na praia, pois a pequena quantidade de água exposta à luz do sol aquece, evapora uma parte e os sais ficam em uma quantidade menor de água. Ou seja, água quente e com mais sais. A solubilidade do oxigênio cai gradativamente. Além disso o consumo desse gás pelos organismos presentes ali ajuda na redução dele na água, podendo levar a morte daqueles organismos.

7. Bolhas de ar formadas na água pelo aumento da temperatura com consequente redução da solubilidade.
O mesmo ocorre em águas onde são descartados resíduos de refrigeração de motores, como em usinas nucleares. A água aquece, reduz a quantidade de oxigênio e alguns organismos sensíveis já morrem pela temperatura, outro morrem pela incapacidade de conseguir o oxigênio que necessita, pois seus órgão respiratórios só conseguem retirar o oxigênio da água.

Quando mergulhamos levamos em nossos cilindros uma reserva de ar para respirarmos durante o mergulho. Logo desenvolveremos tecnologia para retirar o oxigênio da água para usarmos em nossa respiração subaquática. Será? Bem, enquanto isso não ocorre, nos resolvemos com a carga dos cilindros, deixando essa capacidade para seus organismos capacitados naturalmente.


Referências:
Livro: Fisiologia Animal - Adaptação e Meio Ambiente. Knut Schmidt-Nielsen, 5 ed.;
            A Vida dos Vertebrados. F. Harvey Pough, 4 ed.
Imagens:
http://alunosonline.uol.com.br/upload/conteudo_legenda/d9bb470261b63b5bbfd93a57e4b3cf1e.jpg
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAAYfAAA/cap-20-equilibrio-acido-basico-hidro-eletrolitico
http://www.infoescola.com/wp-content/uploads/2010/07/carbonatacao-450x342.jpg
http://images.slideplayer.com.br/30/9522823/slides/slide_5.jpg
http://alunosonline.uol.com.br/upload/conteudo/images/pressao%20de%20um%20gas.jpg
http://lemanjue.com.br/wp-content/uploads/Por-que-nao-devo-consumir-refrigerantes-730x375.jpg
https://desafioint.files.wordpress.com/2014/07/o8exdc.jpg?w=584

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Arraias e tubarões cearenses - características e espécies


Tubarões Lixa no Petroleiro do Acaraú, CE.


O litoral do Estado do Ceará mede aproximadamente 570 km de extensão, onde 19 municípios fazem fronteira com o mar. Apresentando grande extensão de praias arenosas, onde algumas vezes é interrompido por dois tipos de formação: os afloramentos rochosos e os recifes de praia. Diferentes habitats resultam de várias adaptações pelos organismos que buscam condições ambientais propícias para melhor desenvolver suas funções vitais. Isso não é diferente com seres vivos que são encontrados nas aguas marinhas cearense.

Os organismos que mais dominam a maioria dos ecossistemas marinhos são os peixes. A maioria dos peixes marinhos fazem parte da comunidade nectônica, isto é, são seres que têm a capacidade de movimentos ativos e são capazes de nadar e vencer as correntes marítima, e com isso apresentam uma ampla distribuição geográfica, podendo habitar tanto a coluna d’água, quanto apresentar uma estreita relação com o substrato. No Brasil são 1.298 espécies marinhas, mas o conhecimento sobre a diversidade desta fauna ainda não é completamente definido, a cada ano esse número vai aumentando, assim presume-se que a riqueza de peixes seja ainda maior. Para o estado do Ceará são 179 espécies de peixes registradas, dentre eles estão os elasmobrânquios, representados pelas arraias e tubarões.

Os elasmobrânquios são peixes com esqueleto cartilaginoso, possuem grandes maxilares superiores e inferiores, têm de cinco a sete aberturas branquiais separadas. Estão distribuídos em todos os oceanos: em águas tropicais, subtropicais, temperadas e frias. Podem ocorrer desde regiões costeiras até grandes profundidades, ocupando numerosos ambientes como recifes de corais, estuários e águas oceânicas, desde a superfície até áreas profundas.



Função ecológica e a pesca

Os elasmobrânquios constituem um grupo importante para a manutenção dos mecanismos que ocorrem nos ecossistemas aquáticos, motivo esse por ocuparem o topo da cadeia trófica, assim acabam participando de maneira acentuada no equilíbrio de energia no ambiente em que vivem. Essa grande função ocorre também nos mares cearense. Mas os elasmobrânquios estão sofrendo ameaças de sobrepesca existente em aguas alencarinas, isso por conta que de vez ou outra é alvo das pescarias de pequeno porte e na maioria das vezes artesanais, onde quase não existem embarcações munidas especificamente para a pesca de tubarões e raias. Os tubarões são geralmente capturados por barcos que utilizam espinhéis, redes de emalhar ou de arrasto de fundo, com a finalidade de capturar outros recursos pesqueiros. As raias são capturadas principalmente por embarcações artesanais que usam a pesca com anzóis. A sobrepesca além de diminuir o número de indivíduos também atrapalha na identificação dos mesmos, pois muitas das pescas de elasmobrânquio é apenas identificada como cação e raias. 

Uma das alternativas, para tentar reverter o quadro de ameaça sobre as arraias e os tubarões, é o investimento e aplicação do turismo sobre esses animais, onde já acontece em várias regiões do globo terres, como o mergulho, onde é uma boa oportunidade das pessoas conhecerem o verdadeiro temperamento desses animais e estudar esses seres vivos. Segundo registros em literatura cientificas, são cerca de 58 espécies de elasmobrânquios que estão sob o mar cearense. Onde estão distribuídos em 21 famílias, elas são: Hexanchidae; Squalidae; Etmopteridae; Somniosidae; Dalatidae; Ginglymostomatidae; Rhincodontidae; Pseudocarchariidae; Alopiidae; Lamnidae; Triakidae; Scyliorhinidae; Carcharhinidae; Sphyrnidae; Pristidae; Narcinidae; Rhinobatidae; Rajidae; Urolophidae; Dasyatidae; Gymnuridae; Rhinopteridae; Myliobatidae; Mobulidae:



Espécies registradas no Ceará

Tubarões
Os tubarões possuem corpos cilíndricos, com caracteristicas hidrodinâmicos, aberturas branquiais nas laterais da cabeça, nadadeiras destacadas da cabeça e nadadeiras caudais bem desenvolvidas.

  • Hexanchidae:
Heptranchias perlo (Tubarão-de-sete-guelras); Hexanchus griseus (Tubarão-de-seis-guelras); 

  • Squalidae:
Cirrhigaleus asper (Cação-bagre); Squalus cubensis (Galhudo-cubano ou cação-bagre); Squalus grupo megalops (cação–gato); Squalus mitsukurii (Tubarão-bagre ou cação-bagre)

  • Etmopteridae:
Etmopterus bigelowi (Cação-lanterna)

  • Somniosidae: 
Centroscymnus owstoni (xara-preta)

  • Dalatidae:
Isistius brasiliensis (tubarão-charuto)
Tubarão Lixa na Pedra do Paraíso, CE

  • Ginglymostomatidae:
Ginglymostoma cirratum (tubarão-lixa)

  • Rhincodontidae:
Rhincodon typus (tubarão-baleia)

  • Pseudocarchariidae:
Pseudocarcharias kamoharai (tubarão-crocodilo)

  • Alopiidae:
Alopias superciliosus (tubarão-raposa-de-olho-grande ou cação raposa)

  • Lamnidae:
Carcharadon carcharias (tubarão branco); Isurus oxyrinchus (Tubarão-anequim); 

  • Triakidae: 
Mustelus canis (Cação-cola-fina ou boca-de-velha); Mustelus higmani (Cação-diabo)

  • Scyliorhinidae: 
Scyliorhinus sp. (Scyliorhinus besnardi ou Scyliorhinus haeckelii (Cação-gato-pintado))

  • Carcharhinidae:
Carcharhinus acronotus (Tubarão-flamengo); Carcharhinus falciformis (Tubarão-lombo-preto); Carcharhinus leucas (Tubarão-cabeça-chata); Carcharhinus limbatus (Tubarão-salteador ou galha-preta); Carcharhinus longimanus (Tubarão-galha-branca); Carcharhinus obscurus (Tubarão-fidalgo); Carcharhinus perezi (Cação-coralino); Carcharhinus plumbeus (Tubarão-galhudo); Carcharhinus porosus (Cação-azeiteiro); Carcharhinus signatus (Tubarão-toninha); Galeocerdo cuvier (Tubarão-tigre ou jaguara); Negaprion brevirostris (Tubarão-limão); Prionace glauca (Tubarão-azul); Rhizoprionodon lalandii (Cação-frango ou rabo-seco); Rhizoprionodon porosus (Tubarão-pintadinho ou rabo-seco); Carcharhinus maou (Tubarão-galha-branca-oceânico)
Peixe Serra em meio a cardume de xilas

  • Sphyrnidae: (panan/martelo)
Sphyrna lewini (Tubarão-martelo-entalhado); Sphyrna mokarran (Tubarão-martelo-grande); Sphyrna tudes (Cambeva); Sphyrna tiburo (Cambeva-pata); Sphyrna zygaena (Tubarão-martelo-liso); 

  • Pristidae:
Pristis perotteti (Peixe-serra); Pristis pectinata (Peixe-serra)



Arraias
Arraia manteiga no Naufrágio do Pecém
As raias apresentam corpo deprimido dorso-ventralmente, fendas branquiais na porção ventral da cabeça, nadadeiras peitorais fundidas à cabeça e nadadeiras caudais bem desenvolvidas ou em forma de chicote.

  • Narcinidae:
Narcine brasiliensis (Treme-treme)

  • Rhinobatidae:
Rhinobatos lentiginosus; Rhinobatos percellens (cação-viola)
Treme-treme em Abrolhos, BA

  • Rajidae:
Dipturus sp. (Dipturus leptocauda ou Dipturus mennii ou Dipturus trachyderma); Breviraja cf. spinosa

  • Urolophidae:
Urotrygon microphthalmum

  • Dasyatidae:
Dasyatis americana (manteiga); Dasyatis guttata (bico-de-remo); Dasyatis marianae (arraia-de-fogo); Dasyatis geijskesi; Pteroplatytrygon violácea; Himantura cf. schmardae
Cação Viola em Abrolhos, BA 

  • Gymnuridae:
Gymnura altavela; Gymnura micrura

  • Rhinopteridae:
Rhinoptera bonasus; Rhinoptera brasiliensis 

  • Myliobatidae:
Aetobatus narinari (pintada ou chita)

    Arraia de Fogo, Pedra da Risca do Meio, CE
  • Mobulidae:
Manta birostris (Raia-jamanta); Mobula thurstoni (Raia-manta-mirim)






segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Mergulhadores Contra o Lixo - Clean Up Day



Amigos e amigos mergulhadores!

Realizaremos mais uma ação para limpar o mundo e o convidamos para nos ajudar como voluntário! Mergulhadores estão convidados a submergir e retirar todo o lixo que conseguirem do fundo do mar! Não mergulhadores podem participar na limpeza da faixa de praia, e dos calçadões. Praticantes de rapel e escalada podem nos ajudar na limpeza dos paredões rochosos! Faxina completa! Será domingo, dia 25 de setembro de 2016 às 9h, nos encontraremos na Praia do Aterrinho!

Convidamos nossos amigos e clientes mergulhadores a se voluntariar conosco nesta linda ação! 

O Mar do Ceará dispões de 30 vagas para nossos amigos e clientes mergulhadores. Sua reserva deve ser feita através do email mardoceara@gmail.com até o dia 23 de setembro e, logicamente, está condicionada ao número de vagas. Todo o equipamento será fornecido gratuitamente aos participantes pelo Mar do Ceará! As camisetas do evento e as cargas de ar que serão utilizadas pelos mergulhadores foram patrocinadas pelos amigos da Conecta Consultoria ContábilTomodachi Sushibar, Copa Engenharia, Triunfo Tipografia e Contabilidade, Infitech Automação

Outros apoiadores estão contribuindo para esta linda ação: Cagece, Ecofor, Divers for Sharks, Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente,  Paula do Coco e Rede Cativa.

Todos unidos por um mundo melhor!

Haverá troca de mudas (de plantas) por recicláveis promovida pela Secretária de Urbanismo e Meio Ambiente (SEUMA)!!

Lembre-se! Não é mergulhador? Você também pode participar do evento! A ação contará com mergulhadores para limpeza submersa, praticantes de rapel para a coleta de resíduos nos quebra-mares e voluntários para coleta na praia e ações de conscientização aos transeuntes!


Reunião dos Mergulhadores
Quinta-feiras, às 20:00, no Tomodachi Sushi Bar (Av. Desembargador Gonzaga, 1426)

Data do Evento
25 de setembro de 2016

Local de Encontro
Praia do Aterrinho, na Barraca Paula do Coco, ao lado do "Espigão" da Rua João Cordeiro.

Checkin: 
9h às 10h

Duração do Evento: 
9h às 15h

Recomendações: 
Boné ou chapéu, protetor solar, luvas.
Chegue no horário pois precisamos dar a confirmação dos participantes e as devidas instruções!

sábado, 17 de setembro de 2016

Recifes Artificiais Marinhos - o que são e como são utilizados

Recife artificial marinho no Cabeço do Arrastado, no Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio.
Os Recifes Artificiais Marinhos são sistemas que visam transformar ambientes marinhos no intuito de obter novos habitats, e também servirem de proteção contra o avanço do mar e proteção para o fundo marinho contra danos da pesca de arrasto. Geralmente são de ações antrópicas, pois trata-se de construção submersas artificialmente, tais como pilares de piers, cascos de navios, colunas e fundações de plataforma de petróleo e estruturas de concreto ou rocha natural.

Essas estruturas irão imitar os substratos rochosos presente no infralitoral, onde atuam como atrações para comunidades biológicas, assim contribuindo para a conservação da biodiversidade local. Alguns órgãos indicam o aproveitamento de recifes artificias, pelas nações, com o intuito de beneficiar-se corretamente de seus recursos marinhos. Além de favorecer como atrativos para uso nas atividades pesqueiras, pois elaboram oportunidades de pesca e diminui o tempo de procura da pesca. Outro benefício que possibilita é o aumento de turismo em torno da região, pois a áreas poderá ser utilizada por mergulhadores recreativos, tendo como incentivo: barcos naufragados e a história entorno do ocorrido, biodiversidade diversifica, e o mergulho diferenciado. O turismo poderá também  ser atraído pela pratica de surf, onde algumas cidades pretendem instalar os recifes artificiais para deixar mais consistente as ondas da região, temos como exemplo a cidade de Maricá (RJ). Sendo provavelmente um importante favorecimento na elaboração de pesquisas cientificas.

Tambor utilizado como recife artificial
Contudo, não é só espalhar os recifes artificiais em todas as praias. Algumas considerações têm que serem estudadas e analisadas para discernir a viabilidade deste incremento no ecossistema marinho, pois isso acarretar alterações na linha da costa, onde altera todo o meio. Também poderá ocorrer perda de estrutura pela inadequação do substrato e condições oceanográficas (regime de correntes, tempestades, altura e período potencial das onda e profundidade), ou até mesmos as estruturas utilizadas podem expor a biota à substâncias químicas e causar poluição do meio, por exemplo temos o uso de tambores que antes poderiam terem armazenado produtos químicos. Outro ponto preocupante é o abuso por captura dos pescados, como já citado anteriormente, os recifes artificiais são grande atrativos para vários indivíduos marinhos, portanto, muitas vezes são utilizados como armadilhas ou até mesmo por pesca de maneira desequilibrada causando diminuição significativa para as espécies do pescado.

Regulamentação mundial e nacional:
Para orientar a utilização de recifes artificiais em águas marinha, em contexto internacional, temos a Convenção de Londres de 1972 abordando normas internacionais que está relacionada com a poluição nos mares e métodos legais para a segurança de operações oceânicas. Outros atos internacionais tratam sobre prevenção e combate de possíveis contaminantes. Como a Convenção Internacional sobre Responsabilidade Civil em Danos Causados por Poluição por Óleo (1969), Convenção sobre Prevenção da Poluição Marinha por Alijamento de Resíduos ou outras Matérias (1972). E também convenção tratando sobre direitos e deveres dos países que é o caso da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM, 1982 – artigos 56, 60, 80 e 210) e dentre outros, todos com intuito de estabelecer procedimentos referente ao meio ambiente marinho e à segurança da navegação. Referente ao Brasil não existem ferramentas específicas para regulamentação dos recifes artificiais marinho. O pais acaba adotando normas acordadas na Convenção de Londres (1972) e regras de prevenção da vida humana, como também referente a poluição ambiental e segurança de navegações. 

Tipos e objetivos:
Os tipos utilizados são bastante diversificados quanto ao tamanho e a composição. Também variam desde simples à complexo modo de preparo. A baixo estão os tipos de recifes artificiais marinho utilizados:

  • Materiais naturais (bambus, folhas e toras de madeira);
  • Tubos de PVC;
  • Tambores de metal
  • Pneus;
  • Concreto;
  • Carcaças;
  • Meios de transporte (embarcações, aviões);

Os tipos de recifes artificiais marinho variam de acordo com os objetivos, onde os principais deles são:

  • Recifes de conservação da biodiversidade
  • Recifes de produção pesqueira;
  • Recifes para atividade de mergulho recreacional;
  • Recifes de proteção da orla

Os recifes artificiais também são utilizados para fins de pesquisas, mas para essa finalidade ainda precisa ter um amadurecimento técnico e cultural, pois essa finalidade é de grande importância, assim podendo esses recifes serem utilizados de maneira controlada e similar ao meio natural, assim possibilitando a estudar e esclarecer melhor todo o ecossistema presente em recifes.

Pontos de mergulhos: Internacional...
Museu subaquático em Mali Losinj
O melhor jeito para sabermos como realmente são os recifes artificiais marinho é por meio da prática do mergulho, pois dessa maneira o praticante tem a oportunidade de observar o ecossistema que fixam nas estruturas artificiais, e até mesmo entender como cada estrutura estão configuradas após ser submersa. Mas os recifes artificiais não são encontrados em todas as praias, e lembrando que existem grande diversidades dessas estruturas, como por exemplo temos na Turquia, na cidade turística de Kusadasi sob o Mar Egeu, um Airbus A300. Já na cidade de Nova York colocarão antigos vagões do metrô no oceano Atlântico para formar recifes artificiais e atrair de volta peixes e animais marinhos que antes habitavam a costa. Os mais famosos recifes artificiais são compostos por navios, e um dos navios que chama atenção, estar na Flórida, na costa de Pensacola, por ser um Porta Aviões construídos na era da Segunda Grande Guerra, possuindo 294 metros de comprimento. No litoral do México, cerca de oito metros de profundidade existem cerca 450 esculturas submersas que além de recifes artificias formam espécie de museu de arte. Há uma tendencia mundial de criar museu subaquático, pois existe um outro na Croácia em Mali Losinj, no local, cerca de 5 a 10 metros de profundidade, existem réplicas de armas navais antigas e réplicas de Apoxyomenos esse ultimo sendo o mais famoso do parque, que tem um percusso cerca de 300 metros de comprimento.

Recife artificial "REEF BALL",
fonte; http://www.reefball.com
... e nacionais
No Brasil também pode-se encontrar mergulhos para conhecer recifes artificiais e toda biodiversidade que essas estruturas formam. A cidade de Recife(PE) é considerada a capital nacional de mergulho em naufrágio. Por possuir mais de 25 naufrágios acabam tendo diversos pontos de mergulhos. No estado do Paraná existem recifes artificiais feitas de concreto, esse concreto tem alta tecnologia para não prejudicar o ecossistema marinho, além de proteger da pesca por redes de arrasto, esses recifes artificias são conhecidos como “REEF BALLS”. Já no Rio de Janeiro utilizam tubos de aço reciclados da indústria de petróleo e concreto para construir recifes artificiais, localizados cerca de 8 quilômetros do litoral de Rio das Ostras no estado fluminense. No estado cearense também pode se encontrar recifes artificiais por naufrágios como também estruturas similares a rochas e sobre os pilares dos piers.

Portanto, o que precisa ser feito antes de qualquer implantação de recifes artificial é o persistente e importante estudo e análise do possível meio a ser ocupado por tal estrutura, assim como também profissionais e estudiosos capacitados para planejamento, elaboração e excursão da engenhosa submersa. Contudo, é necessário elaborar uma legislação especifica para tal atividade, onde regulamente e esclareça todo e qualquer tipo de exploração, por meio dos recifes artificias, assim como também quem poderá se beneficiar das estruturas. E apresentar direitos e deveres para os mesmos.


Referências:

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Livro Infantil sobre Tubarões Lançado em Fortaleza


O tubarão Agripino estava muito triste, pois não conseguia compreender por que as pessoas não gostavam de tubarões. Entretanto, Iara e suas irmãs, Marina e Luana, com a ajuda de um pequeno e sabido companheiro, encontraram uma forma de devolver a Agripino, e aos demais tubarões, o respeito, o carinho e a alegria que, por serem como são, merecem.
Este é o enredo de "Um Cartão para Agripino" preparado pelo querido mergulhador Carlos Velázquez,  com ilustrações de Suzana Paz, está à venda nas livrarias Cultura e Leitura!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Floração de Algas Verdes no Litoral Cearense

Nos meses de junho a agosto os mares cearenses são invadidos por algas verdes filamentosas. Vamos conhecer um pouco mais sobre esses seres vivos.

Algas verdes na Pedra da Botija no PEM da Pedra da Risca do Meio em julho de 2016.
São organismos de hábito aquático, muito encontrados nas praias do litoral cearense. Apresentam ocorrência com ampla variedade de habitats, como, por exemplo, habitat marinho. Apesar de serem comumente encontradas nas areias das praias, as algas verdes estão em sua maioria presente em água doce. Podem ser encontradas em variedades de formas: microalgas, sendo vistas principalmente com ajuda de lupas e microscópios e macroalgas que podem ser vistas a olho nu.

Grande aglomerações de algas na
Pedra da Botija
As macroalgas, dentre elas as algas verdes, pertencentes ao reino protista, são seres fotossintetizantes, liberando oxigênio na água como resultado do processo de fotossíntese. Por apresentarem essa característica, são organismos de extrema importância para a manutenção da vida na terra. São caracterizados como fitoplâncton, fazendo parte da cadeia trófica de diversos organismos, como moluscos, crustáceos, peixes e até mamíferos marinhos. Além de serem o alimento desses animais, as algas verdes, são utilizadas como forma de obrigo e berçário no período reprodutivo desses animais.

São bastante encontradas na região entre-marés, vivendo presas em formações rochosas, em recifes e praias arenosas. No litoral cearense podemos observar esse cenário em muitas praias, dentre elas, Iparana, Pacheco e Pecém. A presença desses organismos nas praias e até em formações rochosas de águas profundas, proporcionam positivamente o desenvolvimento de ambientes diferenciados para espécies que aí habitam.
Mergulhadores envoltos por algas.

Segundo Pedro Carneiro, pesquisador especialista em algas do Instituto de Ciências do Mar da UFC, as algas que aparecem no Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio nos meses de junho a agosto são uma floração do gênero Rhizoclonium. Ele explica:
"Essa forma permite que possam crescer e se reproduzir muito rapidamente, mas elas acabam sendo muito predadas e não conseguem competir muito bem por substrato. Então ela é efêmera, aparece e desaparece rapidamente. Mais perto da praia as florações costumam aparecer nas primeiras chuvas, quando a água recebe nutrientes. Em mar aberto não deve ser esta a causa, mas ainda não sabemos bem o que é. A própria queda da temperatura da água nesse mesmo período do ano pode desencadear isso.  Chamamos de floração esses eventos de crescimento explosivo.
Essa alga é cosmopolita. O gênero tem várias espécies que ocorrem em várias partes no mundo todo, em ambiente marinho, em estuário e em água doce. Como é uma alga muito fina, as vezes é difícil dizer qual a espécie exata."
Caulerpa racemosa, alga verde
facilmente observada no litoral cearense.
Dentre as diversas algas verdes (filo Clorophyta) encontradas no litoral cearense, o gênero Caulerpa sp. é bastante encontrado a beira mar, principalmente a espécie Caulerpa racemosa, conhecida popularmente por Uva-do-Mar, pois, apresenta aparência de um cacho de uva. A espécie é bastante encontrada em regiões tropicais, em muitos países no mundo inteiro, apresentando ciclo de vida muito rápido, em habitat natural, pois se encontra disponível os recursos necessários para o seu desenvolvimento, como a luz solar, justificando a sua grande abundância na natureza. Devido a sua grande disponibilidade nesses habitats, é a base da cadeia alimentar de muitos animais, dentre eles o ouriço-do-mar.

As algas de modo geral (verdes, pardas e vermelhas) são de extrema importância, tanto para o homem como para toda biodiversidade do planeta. Esse grande grupo, atualmente desempenha um grande papel impulsionador da economia das cidades litorâneas do Ceará. Dentre as cidades, temos o município de Flexeiras, em Trairi, onde atualmente possui projeto de cultivo de algas. 

Projeto S.O.S Algas em parceria pela Associação dos Produtores de Algas de Flecheiras e Guajirú(APAFG), Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Energias Renováveis (IDER) eInstituto Terramar.
O projeto S.O.S Algas utiliza de maneira sustentável as algas, promovendo a preservação de espécies que ocorrem na comunidade, e ainda garantindo a subsistência de muitas famílias. Dentre os diversos benefícios proporcionados por esses organismos, às algas são utilizados pela indústria farmacêutica na extração de compostos base para medicamentos; na indústria, na produção de sorvetes, cosméticos, fertilizantes; na medicina; e também, principalmente, na alimentação por serem ricas em proteínas, sais minerais e vitaminas, como exemplo na produção do sushi. 
Sushi envolto por alga.

Diante disso, é notável a grande importância desses seres vivos, pois, além dos diversos benefícios que as algas proporcionam a espécie humana, desempenham papel primordial a manutenção da biodiversidade aquática. Sendo essas, assim como as plantas, as grandes responsáveis pela presença do oxigênio gasoso em todo no planeta. Além do papel de abrigar e refugiar muitos animais, nos diversos ecossistemas naturais.

Referências:
https://marinelifeindia.wordpress.com/2013/01/29/oval-sea-grapes-seaweed-caulerpa-racemosa-forsskal-j-agardh-1873/
S.O.S. Algas - http://sosalgas.blogspot.com.br/

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Aterrinho da Praia de Iracema: a beleza por baixo d'água!

Quem passa pelo aterrinho da Praia de Iracema muitas vezes subestima a beleza viva que pode ser encontrada lá. Pela manhã encontramos uma bela paisagem de uma parte da orla de Fortaleza, com seus grandes de luxuosos hotéis e condomínios contrastando com o brilho do sol do nosso Ceará refletindo no mar, nos Verdes Mares Cearenses. Ao entardecer ficamos deslumbrados com o por-do-sol à oeste em meio a suas cores dispostas no céu e o brilho crepuscular que toca os espigões e a Ponte Metálica.

Por-do-sol no aterro da praia de Iracema. (Foto por Anderson Arcanjo)
À noite, a feirinha movimenta o local, com produtos de artesanato, pessoas caminhando, andando de patins, bicicleta. Ao fim da noite e começo de manhã o movimento cessa como se todo aquele turbilhão de informações que passam durante todo o dia tivesse simplesmente desaparecido. Bem, isso é um rotina que, embora possa ser narrada na voz de belos poetas cearenses chegando ao ponto de se tornar poesia, pode esconder uma beleza infinita: a beleza apenas vista por aqueles que mergulham.

Peixe Cirurgião (Acanthurus chirurgus) encontrado na Praia de Iracema.
Há muita aversão em se banhar nas águas dos aterros da Praia de Iracema. Mas isso decorre do desconhecimento do real potencial natural que há em torno dos espigões que tangencia os aterros. São comuns mergulhadores que, ao concluir seu curso de Open Water Diver ou em seus primeiros mergulhos aqui na orla de Fortaleza, se surpreendem com o que consegue observar em riqueza de peixes, corais, moluscos, algas, e uma infinidade de belezas vistas. Sabemos que a visibilidade varia bastante entre os espigões pois a água apresenta-se mais parada, mas isso pode ser positivo, pois torna-se recanto calmo para reprodução dessas espécies.

Baiacu-de-espinho (Diodon holacanthus).
A depender do dia do mergulho e das condições da água são comuns observar cardumes de peixes, sendo possível nadar ao lado deles. Lagostas, camarões, peixes; são possíveis de ser avistados em mergulhos no aterro.
Peixe Cirurgião (Acanthurus chirurgus) encontrado na Praia de Iracema.
Vale muito conferir todas essas beleza, apesar do principal problemas possível de ser visto: o lixo que é descartado nas proximidades dos aterros como prova do desconhecimento ou desprezo pelas belezas naturais por eles resguardadas.

Lixo em decomposição em meio à vida subaquática no Aterrinho.
Por isso, é fundamental que nós, mergulhadores, tenhamos o cuidado de informar à sociedade como um todo da importância desse ambiente marinho para a conservação da vida marinha, bem como para a manutenção da prática de mergulho em nossa cidade, seja divulgando informações, fotos, vídeos; ou convidando as pessoas para mergulhar em nossa orla. Recai sobre nós a obrigação de monitorar, fiscalizar e cuidar desse nosso objeto de diversão que tanto é importante para a vida de todo o planeta, o ambiente natural marinho.

quarta-feira, 6 de julho de 2016

O aquecimento global e sua influência no sexo das tartarugas



Não é muito difícil ouvir falar do Aquecimento Global em rádios, televisão e na internet. Esse fenômeno consiste no aumento da temperatura média do mar e do ar próximo a superfície do planeta como consequência da emissão de gases de Efeito Estufa, bem como outro poluentes. Que as consequências desse fenômeno são danosas, todos sentimos diariamente ao sair na rua. A cada dia que passa, mais reclamamos do calor, que tá aumentando.

Não é só o ser humano que percebe e sofre com essa variação não. Todos os outros seres vivos do nosso planeta sofrem com essas mudanças. Mas esse aumento de temperatura pode ser danoso principalmente para animais cujo sexo biológico é determinado pela temperatura em que ele é incubado.

Tartaruga em seu habitat natural.
Nos mamíferos, nas aves, o sexo biológico é determinado geneticamente por meio de sequências de DNA presentes nos gametas. Em mamíferos é o espermatozoide do pai que determina o sexo do filho; enquanto que em algumas aves é o gameta materno que exerce essa função. Mas em muitos dos répteis essa determinação é pela temperatura.

Quando a tartaruga chega a praia, constrói um ninho e põe os ovos nele, ela os enterra na areia para que, com a temperatura do solo, eles sejam incubados e se desenvolvam. Aí que se encontra a problemática, sabe porquê?

Dependendo da temperatura da areia em que esses ovos são incubados, eles podem gerar mais macho do que fêmeas ou o contrário. Estudos recentes apontam que temperaturas acima de 30º C no momento da incubação de ninhos de tartarugas geram um número maior de fêmeas, enquanto que temperaturas menores que 29º C, mais machos. Já entendeu a ligação com o Aquecimento Global?

Então, com o aumento das temperaturas na superfície do planeta, a areia dos ninhos acabam por esquentarem mais que o normal, gerando mais fêmeas e menos machos por ninho. Isso reflete diretamente no equilíbrio ecológico das populações de tartarugas, pois fica mais difícil da fêmea encontrar um macho para copular. Esse desequilíbrio pode estar refletindo no número de indivíduos desses grupos de animais.

Sabemos o quanto entender os fenômenos que envolvem o meio no qual vivemos é importante para a manutenção, não só de nossas vidas, dos meios naturais, principalmente. Assim, a conscientização e a educação ambiental é fundamental para a conservação da natureza. Pesquisar, ler, se informar, isso sim ajuda a melhorar.


Referências:
http://www.tamar.org.br/interna.php?cod=95;
http://www.suapesquisa.com/geografia/aquecimento_global.htm;
Imagens:
http://brasilescola.uol.com.br/upload/conteudo/images/1dabfe6f134e6f57e5c774c5e3672a7e.jpg;
https://lh3.googleusercontent.com/-5Ed_3wPa7ys/S0_Va8-VDCI/AAAAAAAAAg0/x7--GIvR5dwTRXmN4iDtSR40HhzQgq1GgCCo/s640/Parque_Marinho_Risca_do_Meio%2B-%2BAlta%2BResolu%25C3%25A7%25C3%25A3o%2B%252870%2529.jpg;
https://lh3.googleusercontent.com/-fB4qvpg6N0k/Uks5Jp22BFI/AAAAAAAAFzA/3ae9TlHxRcw-LXsiuYWVSc_bO1pLW8bhgCCo/s720/IMG_3832%2Bcopy.jpg;
http://tamar.org.br/fotos/nascimento3.jpg;
http://www.tamar.org.br/fotos/ninho%20e%20postura.jpg;
http://tamar.org.br/fotos/nascimento1.jpg;
http://brasilescola.uol.com.br/upload/conteudo/images/1dabfe6f134e6f57e5c774c5e3672a7e.jpg.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Achados do Mar de Fortaleza - evento de limpeza de praias

Banner do Evento


Limpeza subaquática, limpeza da faixa de praia, palestra educativa para as crianças, exposição do Projeto Tamar e muito mais no evento Achados do Mar de Fortaleza!

Em ação promovida pela Prefeitura de Fortaleza e a ONG Limpa Brasil mergulhadores e voluntários retiraram cerca de 400kg de lixo da Praia do Aterrinho. 

No mínimo uma vez por ano realizamos uma ação como essa em uma das praias de Fortaleza ou Ceará com o objetivo maior de conscientizar a população. Este foi um dos maiores eventos do qual participamos devido a grande mobilização da sociedade civil. Além do apoio da Prefeitura de Fortaleza, pequenas e grandes empresas acreditaram na importância desta ação 100% custeada pela por patrocinadores privados. 

Patrocinadores
Faculdade CDL
C. Rolim Engenharia
Espaço Saúde Corpore
Nacional Gás
Tomodachi Suchi Bar
Unifor
OK Design
Samuca Frutas
Uptime Soluções em Manutenção
Conecta Consultoria Contábil

Apoiadores
Mar do Ceará - Escola e Operadora de Mergulho
Indaía
SVM
RioMar
Beach Park
EcoFor
Esmaltec
HiperCar
Atlantida
GabiRibas Produções
Parceiros
Corpo de Bombeiros do Ceará
Guarda Municipal de Fortaleza
Selletiva
IFCE
Semace
Seuma
Cia Sustentável
Rotaract

Idealizadores
Prefeitura de Fortaleza
ONG Limpa Brasil

Fotógrafos e Cinegrafistas
Ruver Bandeira
Kiko Ribas
George Almeida
Alexandre Martorano

Na Imprensa e outras mídias

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Raias e Tubarões: primos bem próximos

Com o planeta possuindo grandes mares, não é de se espantar que esse ambiente natural possua uma grande diversidade animal. Basta mergulhar para poder desfrutar de toda essa riqueza natural. São cores, formatos, tamanhos; variações que fascinam até o mais experiente mergulhador. Na costa cearense não é diferente!
Diversidade de peixes ósseos no Parque Estadual Marinho da Pedra da Rica do Meio no Ceará!
Não seria espanto falar que os peixes dominam e ocupam muito bem os mares e oceanos do nosso planeta. E são nesses mares onde os animais possuem diferentes modificações corporais para melhor obter alimentos, fugir de predação, conseguir parceiros para reprodução. Mas, muitas vezes, não temos muita noção de quais animais são representantes desses "peixes".


Peixes: quem são?

Didaticamente, o grande grupo dos peixes é dividido em Peixes Cartilaginosos, que são aqueles que não possuem processos de ossificação característico, e os Peixes Ósseos, os que possuem esqueleto ósseo com minerais associados à esses ossos. O Peixes Ósseos correspondem ao padrão de peixe que temos, aqueles animais marinhos ou dulcícolas, possuindo toda aquela estrutura de espinha rígida, variam muito em forma, tamanhos, cores.

Quimera.
Já os Peixes Cartilaginosos, que correspondem aos Tubarões, as Raias e as Quimeras, são animais que possuem uma estrutura corporal sustentada por cartilagem, um tecido pouco rígido, mas bastante flexível.

As Quimeras são exclusivamente marinhos de grande profundidades, com cauda em forma de chicote, nadadeira dorsal com espinhos característico e 3 pares de aberturas laterais, que correspondem à fendas branquiais, para respiração.

Os Tubarões são animais com corpo geralmente fusiforme, marinhos, carnívoros, com nadadeiras peitorais pares e separadas da cabeça e com 5 a 7 pares de fendas branquiais. 

Tubarão com 5 fendas branquiais vistas á direita da nadadeira peitoral.
As Raias possuem essas fendas branquiais ventrais em 5 pares, nadadeiras peitorais grandes e unidas aos lagos da cabeça e corpo achatado.

Mergulhador em contato com raia. 5 pares de fendas branquiais ventrais bem evidentes.
As Quimeras, por apresentar hábito mais profundo, torna sua visualização em mergulho recreativo difícil, sendo bem mais comum observar os Tubarões e as Raias.


Tubarões e Raias: são tão iguais assim? Sim, mas possuem algumas diferenças.

Os Tubarões e as Raias são geralmente chamados de Elasmobrânquios, ou seja, são bem próximos quanto a suas características corporais e genéticas.

O que difere tubarões de raias é claramente o formato de seus corpos. Os tubarões possuem um corpo, como dito, fusiformes, bem característico deles, que corresponde aquele formato parecido com um torpedo; enquanto que as raias são 'achatadas dorso-ventralmente', ou seja, são mais planas. Quanto ao seu formato, tubarões são claramente nadadores e seu formato acaba por melhorar seus cortes na água; já as raias, geralmente ficam enterradas, tendo seu corpo achatado como vantagem.
Corpo achatado da Raia.
Essa diferença de comportamentos foi permitida devido a diversas modificações que ocorreram ao longo do processo evolutivo desses animais. É comum falar que as raias são tubarões achatados! Isso porque houve toda uma movimentação corporal para que esse achatamento favorecesse essa nova atuação das raias.

Tubarões possuem fendas branquiais laterais, enquanto raias possuem essas mesmas fendas branquiais ventrais. Além disso os tubarões possuem um par de nadadeira peitoral visivelmente separada da cabeça, enquanto que nas raias essa diferenciação é dificultada, pois há uma fusão entre essas partes corporais.

Ainda mais, tubarões se locomovem por movimentação de sua nadadeira caudal, já as raias usam as nadadeiras peitorais como 'asas', 'voando' pelas águas. A boca deles possuem localizações diferente: a de tubarões é frontal, a de raias é ventral. Entre outras características que diferenciam Tubarões de Raias.


Certo! Agora, temos como diferenciar machos e fêmeas?

Cláspers presentes no tubarão
macho à esquerda.
A reprodução dos peixes cartilaginosos é feita por fecundação interna, ou seja, o macho introduz seus gametas na fêmea. Produzem normalmente poucos filhotes e, sim, tem como diferenciar machos e fêmeas.

Os machos possuem uma adaptação nas nadadeiras pélvicas chamada de Clásper, que são adaptados para introdução de gametas na cloaca da fêmea. Ou seja, só há presença dessa modificação em machos. Normalmente é de fácil visualização em machos adultos, na região da barriga, ventral, deles.


E sua ecologia e conservação?

Tubarões são tratados como vilões assassinos brutais dos mares. Raias são as vilãs por matarem usando o 'ferrão' da cauda. Bem, sabemos que não é bem assim! (E essa ideia deve ser riscada mesmo!)

"Encantadora de tubarões": mergulhadora em contato com tubarão.
Muito do que tememos nesses animais são consequências da indústria cinematográfica com seus grandes filmes mostrando somente o comportamento selvagem e brutal de alguns indivíduos, de algumas espécies. Mas há uma grande diversidade desses organismos, inclusive para mergulhos recreativos em grandes aquários mundo a fora.

Para quem mergulha com frequência, se deparar com raias e tubarões não é algo tão desesperador. Isso pelo fato de saber que basta não se comportar com movimentos bruscos, não tentar tocar indiscriminadamente nesses animas. São raros os acidentes envolvendo mergulhadores bem treinados e responsáveis e esses animais, ou seja, eles não são vilões!

Modelo realizando ensaio fotográfico
em meio à tubarões.
Mas essa ideia de monstros assombrosos ameaça muitas espécies animais, e com os tubarões a raias não é diferente. Mas já foi dito aqui no blog do Mar do Ceará que não devemos ter medo dos tubarões, ainda mais por saber que os principais registros de visualizações de tubarão no litoral cearense corresponde ao Tubarão-Lixa, que apresenta raros ou nenhum registro de agressividade; sendo inclusive objeto de muitos estudos por apresentar facilidade com a vida em cativeiro para estudos.

Lembrando que ataques, quando ocorrem, são decorrentes de aumento do estresse animal causado por perturbações em seus ambientes naturais.

Agora, sabendo que Tubarões e Raias são tão parecidos, mesmo como suas diferenças; sabendo como identificar e diferenciar machos de fêmeas, e sabendo que eles não são vilões, quando será seu próximo mergulho?

Referências:
Livro: POUGH, F. Harvey; A vida dos vertebrados. 4. ed. - São Paulo : Atheneu Editora, 2008.

Fotos: 
http://misteriosdomundo.org/wp-content/uploads/2016/04/peixes.jpg;
http://1.bp.blogspot.com/-L0ZZFnNxcGs/TZ79deZb75I/AAAAAAAAAkQ/6HxuCKupblw/s1600/quimerabox.jpg;
http://mundo-marinho.mundoentrepatas.com/imagenes/os-tubaroes.jpg?phpMyAdmin=PfqG0iessiXP%2C5Zcan9pxZp0nv2;
http://noticiasdatv.uol.com.br/media/_versions/mega_shark_space_free_big.jpg;
http://tucuna.com.br/portal/wp-content/uploads/2014/09/tumblr_l307eraEEs1qzou5ko1_1280.jpg;
https://thefisheriesblog.files.wordpress.com/2014/07/female-shark-and-male-shark-with-claspers2.jpg;
https://lh3.googleusercontent.com/-S9PugpFSZ_c/TW8BKKCf_JI/AAAAAAAADTg/TValokV_7p8/s1600/Heliotrygon+gomesi.jpg;
http://www.arthurcaliman.com.br/_upload/magazine/news/ft_zoom_ft_zoom_14_AleSocci-GreenPixel_Bahamas--10jpg018122015092044jpg503032016232732.jpg;
http://s2.glbimg.com/w7-N3zj-uQJ0leH3KweAZ05I5Ds=/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2014/08/06/jiquvzyd.jpg.