domingo, 18 de novembro de 2018

Como interagir com a vida marinha?


Antes de todo mergulho a expectativa é sobre o que se poderá encontrar durante o mergulho. Quem nunca mergulhou ou pelo menos não naquele ponto começa a perguntar: o que eu posso ver aqui. A grande maioria procura os animais, os corais e sempre há esperança de ver animais grandes. Tartarugas, golfinhos, baleias, etc. A maioria fica empolgado com a visão desses animais e nem sempre a interação ser humano/mergulhador com animais é intencionalmente errada. Assim sendo, vale a pena lembrar que há um código de etiqueta a se respeitar quando interagindo com a vida animal.

Mas não é somente mergulhando que encontramos com a vida selvagem. Em muitas praias formam-se poças de marés em piscinas rochosas que juntam peixes, moluscos e outras formas de vida. Mesmo na ausência de poças de marés um banhista pode facilmente encontrar com diferentes formas de vida. E aí? Estou dentro da água e vejo uma tartaruga enorme o que eu faço?

Primeiro: Não tocar! Nunca. Nossa pele tem bactérias e outros organismos que são comuns ao nosso corpo, mas em outros organismos isso pode fazer muito mal para eles. Além disso, nossas unhas podem arranhar e machucar muitas formas de vida. Mesmo se você estiver de luva não é uma boa ideia.

Se você estiver mergulhando nunca fique em pé, ou "pegue" carona ou se agarre com os animais. Isso pode machucá-los e/ou estressá-los. Pense o seguinte: se você estivesse de boas na sua casa e alguém entrasse sem pedir licença e sentasse no seu colo, como você se sentiria? Não somente como mergulhador(a) mas como ser humano, contato com a vida marinha deve ser evitado ao máximo.

Não alimente os animais. Tartarugas comem águas vivas. Alguns peixes comem algas ou corais. Isso não é a mesma coisa que comer pão ou arroz e feijão. Nossa alimentação pode fazer muito mal aos animais. Mesmo animais domésticos como cães e gatos não devem comer a maioria das coisas que os seres humanos comem.

Fica parecendo que na interação humano/mergulhador com os animais não se pode fazer nada. Mas é claro que há muito o que fazer! Tire quantas fotos você conseguir ou quiser. Filme, filme tudo o que vier pela frente! E mostre para todos que puder! Os animais precisam de alguém falando por eles. As pessoas costumam olhar os mares e oceanos e esquecer que há vida aos montes lá. Esquecer que não devemos poluir, pescar demais ou destruir habitats.

Entre para algum grupo de proteção animal. Ou pergunte na sua operadora/escola de mergulho como você pode contribuir para ajudar os animais e a vida marinha.

Aprenda sobre os animais. Sempre que filmar ou fotografar algo diferente pergunte para alguém. Sabendo, conhecendo algo temos a tendência a se preocupar mais e cuidar mais. Garanta que futuras gerações possam desfrutar da companhia do que é uma boa parte dos mergulhos: a vida.


Fonte:
https://www2.padi.com/blog/2018/08/27/responsible-marine-life-interactions-dos-donts/?utm_source=silverpopmailing&utm_medium=email&utm_campaign=WCA64%20-%20PAM%20-%20Dear%20Fellow%20Diver%20-%20en%20-%20Oct%202018%20-%20Web%20(1)&utm_content=americas&spMailingID=20391807&spUserID=NDYwOTYwMzY2MTQ0S0&spJobID=1360873492&spReportId=MTM2MDg3MzQ5MgS2

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Dia Mundia da Limpeza


Há dez anos nascia o movimento Let's do it! um movimento de limpeza para conscientizar as pessoas sobre o descarte de materiais em locais indevidos. Pouco a pouco o mundo foi aderindo e hoje cerca de 150 países fazem parte. No Brasil, quase todos os estados aderiram e foram mais de 360 cidades participando do evento que ocorreu no último sábado, 15 de setembro.
Concentração no Beach Park para a limpeza pela praia.

A Mar do Ceará não podia ficar de fora. E em parceria com o Beach Park foi organizada uma limpeza subaquática contando com a participação de cerca de 16 mergulhadores dos mais diversos níveis de certificação. A concentração ocorreu na área do parque e de lá os grupos dispersaram. A maior parte foi para a areia e os arredores do parque, enquanto os mergulhadores se dirigiram para o estuário do rio Pacoti.


O estuário do Rio Pacoti fica na praia de Cofeco, Fortaleza, Ceará. Para realizar a limpeza no estuário a Mar do Ceará mobilizou cerca de 16 mergulhadores, todos voluntários nos mais diversos níveis de certificação, desde iniciantes a dive masters. Houve o apoio de um jet ski, para recolher lixos maiores (um pneu por exemplo) como já foram encontrados.

A visibilidade não estava muito boa nesta ocasião, mas ainda assim os mergulhadores conseguiram tirar alguns sacos de lixo. A maior parte do lixo consistia em plástico. Muitas sacolas plásticas, garrafas e tampas e alguns pedaços de plástico.

A ação durou a manhã quase toda. Os mergulhadores, em dupla, percorreram a margem do estuário, por cerca de 30 metros. Muito lixo fica preso nas raízes das árvores de mangue ou nas pedras que margeiam o rio. A pouca visibilidade dificultou a ação e menos do que o que se esperava foi coletado.

Mas fica a mensagem: precisamos repensar o uso de plástico. Principalmente o plástico descartável e de uso único, como as sacolas. Esses materiais geralmente correspondem a maior parte do lixo coletado em ações como essa. Além disso, refletir sobre o que não se pode ver. O estuário encontra-se relativamente longe de aglomerados urbanos e ainda assim a quantidade de lixo é enorme. Não é porque não se vê que não machuca. O lixo que produzimos está por aí. É hora de repensar e reduzir!

Até o próximo ano, quando a ação se repetir e com certeza contar com a adesão de mais pessoas, mais cidades, vamos refletir sobre nossas escolhas. A única maneira de resolver de vez o problema do lixo é reduzir, repensar nossas escolhas todos os dias. Recusar a sacola plástica, a luva plástica, adotar um copo e usar o mesmo copo o máximo de vezes possível.


quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Tenho diabetes, posso mergulhar?

Os dois tipos de diabetes. 
Hoje, quase 7% dos brasileiros têm diabetes. Com tanta gente lidando com essa doença, difícil que alguns não queiram mergulhar. Mas e aí? Quem tem diabetes, pode mergulhar?

No começo, a prática do mergulho era proibida para quem tinha diabetes. Até que em 1996 a DAN (Divers Alert Network) fez uma pesquisa e descobriu que alguns dos mergulhadores cadastrados tinham diabetes. Depois de uma longa e extensiva pesquisa a DAN e a Undersea and Hyperbaric Medical Society criaram diretrizes para que pessoas com diabetes pudessem mergulhar sem problema em 2005. Isso se dois critérios fossem respeitados: 1. a pessoa não tivesse complicações cardíacas e 2. se restringisse ao mergulho recreativo. O mergulho profissional e comercial têm certas exigências que não permitem a prática do mergulho com segurança por quem tem diabetes.
A DAN (Divers Alert Network) recomenda o uso de pulseiras que identifiquem a sua condição de diabético e qual o tipo de diabetes que você tem. 

Para saber mais sobre a doença, consulte o site da Sociedade Brasileira de Diabetes. Existem dois tipos de diabetes, a tipo 1 e a tipo 2. Na tipo 1, a pessoa não produz insulina, que é um hormônio que o corpo usa para colocar glucose da corrente sanguínea dentro da célula. A glucose é um açúcar simples, feito pelo próprio organismo a partir dos açúcares que você ingere quando se alimenta. A diabetes tipo 2 é quando os níveis de açúcar no seu sangue sobem mais do que o normal, causando hiperglicemia. Essa é a forma mais comum de diabetes. Geralmente, ela ocorre porque o seu corpo não consegue produzir as quantidades adequadas de insulina para manter os níveis de glucose dentro do normal.
No Brasil, as pulseiras não são corriqueiras, mas podem salvar sua vida não somente num mergulho. 

A diabetes é uma doença séria que pode levar a morte ou causar danos permanentes no corpo. Apesar de ser facilmente controlada, alguns fatores do mergulho podem dificultar esse controle. No mergulho, por exemplo, é comum estar embarcado o que dificulta acesso a socorro médico. Outro fator a se levar em consideração é o esforço físico, que altera os níveis de açúcar no sangue. Apesar do planejamento correntes inesperadas podem aparecer aumentando o esforço físico. Sem contar que debaixo d'água fica mais difícil monitorar e controlar os níveis de açúcar. Os sintomas como tontura e desorientação podem ser facilmente confundidos com desidratação ou mareação.

Se sua diabetes está sob controle e o seu médico disse que você pode mergulhar, então vá nessa! Mas algumas coisas a se levar em consideração ANTES de mergulhar.
Ainda há desinformação e preconceito em relação a diabetes.
Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes

Lembre-se SEMPRE de informar a escola e/ou operadora de mergulho com a qual você for mergulhar sobre a sua condição antes de partir para o mergulho. Converse com o instrutor e deixe-o a par da sua situação. Programe-se e planeje-se levando tudo o que for necessário e leve em consideração que imprevistos podem ocorrer: condições de tempo podem piorar e fazer com que você fique mais tempo em alto mar do que o previsto; as correntes podem ser mais fortes do que o esperado; pode ser que você precise rebocar o seu dupla do mergulho de volta ao barco; etc. Esses e tantos outros imprevistos podem ocorrer e, sem ser pessimista, considere todos os cenários possíveis e vá preparado.

Mergulhando no mar aberto no Ceará é sempre importante lembrar que as correntes serão fortes em 90% das situações. Ou elas serão fortes na superfície ou no fundo. E muitas vezes elas serão fortes nos dois. Sendo assim, pense que o seu esforço mergulhando aqui será maior. Se estiver tudo ok para um primeiro mergulho de repente pode ser uma ótima ideia fazê-lo em uma área abrigada, que no Ceará uma ótima opção é o Córrego da Volta.

Por fim, na dúvida, não mergulhe! Não está se sentindo seguro quantos aos seus níveis de açúcar? Acha que a corrente está mais forte do que o previsto? Não se sentiu bem na véspera ou dias anteriores ao mergulho? Não há nada de errado em deixar para a próxima vez. Segurança SEMPRE em primeiro lugar!







Fonte:
https://www.diabetes.org.br/publico/artigos-sobre-diabetes/711-a-pratica-de-mergulho-por-pessoas-com-diabetes
http://ipadive.com/blog/2016/04/08/diabetico-pode-mergulhar/
https://www.diversalertnetwork.org/emailView/landing/blogs/divingAndDiabetes/index.html
https://www.diversalertnetwork.org/research/projects/diabetes/index.asp
https://controlaradiabetes.pt/entender-a-diabetes/o-que-acontece-na-diabetes-tipo-2
https://www.scubadiving.com/training/basic-skills/diving-diabetes#page-2

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Insight sobre mergulho em caverna

Mergulhadores tailandêses verificando o nível da água no túnel.

Este mês, o mundo acompanhou um resgate emocionante na Tailândia. Mergulhadores se tornaram heróis. E mais uma vez se levantou os riscos e perigos do mergulho. Do mergulho em caverna. O mergulho recreativo é estatisticamente considerado um dos esportes mais seguros que existem, enquanto o mergulho em caverna é considerado um dos mais perigosos. Assim sendo, alguns esclarecimentos em relação ao que aconteceu na Tailândia.

Mergulho em caverna. Fonte: https://www.leisurepro.com
Antes de mais nada é preciso lembrar que há vários tipos de mergulho. Mergulho em caverna é uma categoria a parte. Tanto a PADI quanto a NAUI (associações que regulamentam e emitem certificações a mergulhadores) e as outras certificadoras consideram o mergulho em caverna uma especialidade. Algo a se fazer DEPOIS de se ter um curso de mergulho básico. Um tipo de mergulho para o qual é necessário já ter alguma prática e experiência no mergulho recreativo.

De acordo com Clecio Mayrink, um dos idealizadores do site Brasil Mergulho e experiente mergulhador de caverna, uma das principais causas de morte em caverna é a falta de técnica do mergulhador. Isso para se explicar porque tanto nervosismo ao se retirar os meninos da caverna na Tailândia. O mergulho autônomo recreacional por si só já traz suas dificuldades para um iniciante, como se acostumar com o equipamento e a respiração. Num mergulho em caverna em que se requer um mínimo de experiência, explica-se o nervosismo em escolher essa forma de resgate. E por isso se escolheu sedar os meninos. Entrando em pânico durante o mergulho eles colocariam em risco não somente as próprias vidas como as dos mergulhadores de resgate. Assim, desacordados, foi possível se fazer a retiradas deles em segurança.

Entrada da Mina da Passagem, na cidade de Mariana, Minas Gerais 
Apesar de todos os riscos envolvidos num mergulho em caverna (trata-se de um lugar apertado, que muitas vezes tem apenas uma entrada, é em geral escuro, etc.) muitos escolhem esse tipo de mergulho.  Em busca de cenários que não podem ser vistos em nenhum outro lugar, sem contar cenários que poucos terão acesso, todos os anos várias pessoas de diversos países se especializam nessa atividade. Além disso, alguns mergulhadores buscam a emoção de um mergulho que tem mais dificuldades e que forçam os limites de cada um. Esse foi um dos motivos que levou Michael Will, cearense de Fortaleza, farmacêutico, a buscar essa experiência em Minas Gerais, na Mina da Passagem. "Doido pra se tornar instrutor de mergulho" nas palavras dele, fez a escolha desse mergulho por acreditar que melhoria sua habilidade como mergulhador. A maior dificuldade para ele foi se acostumar com locais apertados e o equipamento (mergulho em caverna tem todo um equipamento diferenciado do mergulho autônomo). Ao mesmo tempo ele achou a experiência parecida com o mergulho em naufrágio, atividade para a qual ele já tem certificação.

Michael Will mergulhando na Mina da Passagem, Mariana, Minas Gerais
A Mina da Passagem trata-se de uma categoria dentro do mergulho em cavernas, por tratar-se de uma estrutura feita pelo ser humano, ao contrário das formações naturais. Ainda assim, os riscos e perigos são os mesmos. Este ponto de mergulho assim como outros já teve trechos bem mapeados e que são constantemente monitorados, garantindo assim, segurança para quem começa na atividade. No caso específico da Mina da Passagem uma curiosidade. A partir de um determinado ponto, o mergulho torna-se mais difícil e arriscado, assim o aviso: a partir dali apenas mergulhadores experientes! O que é usado para marcar esse ponto? Um boneco bem assustador.

Para quem não tem medo de lugares apertados e que gosta de um visual cênico bem diferente e único, fica a dica: mergulho em caverna! Em geral, há pouca vida nesses lugares, mas mesmo assim os cenários podem ser belíssimos. 






Fonte:
http://www2.padi.com/blog/2013/03/26/cave-diving-a-hidden-world-awaits/
http://www.brasilmergulho.com/porque-mergulhadores-morrem-em-cavernas/
https://www.thephuketnews.com
https://www.vox.com/2018/7/11/17561932/thai-cave-rescue-boys-stretcher https://www.leisurepro.com/blog/scuba-guides/cave-diving-enter-underground-world/
http://www.divegold.com.br/minadapassagem.html
http://www.altomarmergulho.com.br/cavernas-pelo-mundo-mina-da-passagem/

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Cearenses que mergulham longe


Foto da Silfra por Filipe Alencar

Curiosidade, paixão pelo mar ou desejo de aventura estão entre os motivos que levam as pessoas a mergulhar. No geral, acho que todos são movidos pelo desejo ou sonho de mergulhar. Alguns vão mais longe, figurativa e literalmente. Como Anistela Nunes que num espaço de dois anos foi do primeiro mergulho a se formar instrutora de mergulho e ter certificação de mergulhadora técnica. De lá para cá já foram mais de 400 mergulhos e esse ano, um desses foi literalmente longe: na Islândia.

Anistela Nunes mergulhando na Silfra
A Islândia tem um dos mergulhos mais procurados do mundo, pois é possível mergulhar e tocar ao mesmo tempo em duas placas tectônicas: a da Eurásia e a da América do Norte. Localizada no Parque Nacional de Thingvellir, a Silfra, como é chamada a fissura, fornece um dos mergulhos com água mais clara do mundo, podendo passar dos 100 m de visibilidade. A Silfra é preenchida com água derretida originada de uma geleira chamada Langjökull e permanece fria o ano todo com temperatura entre 2°C – 4°C. A temperatura faz com que o mergulhador tenha que estar preparado, usando o equipamento adequado. No entanto, mesmo quando a temperatura do ar cai, a água na fissura não congela pela constante entrada de água derretida da geleira.

Por estar bem na junção das duas placas tectônicas, a Silfra é considerado um local de mergulho vivo, que constantemente muda. Quer seja pelo deslizamento de rochas após um terremoto ou pelo afastamento das placas, é um local de mergulho que vale a pena ser visitado várias vezes. Quiser saber mais sobre esse mergulho clique AQUI (site em inglês). Apesar do lago próximo estar repleto de peixes o charme do lugar é a própria paisagem. Formas de vida limitam-se a algas, que dão um toque especial ao cenário.

Mas não precisa ir tão longe (figurativamente) quanto Anistela para fazer esse mergulho. No caso de Filipe Alencar, o sonho já era esse mergulho na Islândia. O que ele queria era a experiência de mergulhar entre as duas placas, além de uma paixão pelo país. Ele começou a mergulhar em dezembro de 2017 e já em março partiu para realizar esse sonho. O curso básico de mergulho e o curso de "dry suit" ou roupa seca, equipamento necessário para mergulhar em águas tão frias, veio um atrás do outro. Mas a pouca experiência não é nada, quando se tem um sonho. Coragem de ir atrás e um pouco de treino já bastam em várias situações. Verdade que alguns mergulhos ao redor do mundo pedem mais experiência, mas não é o caso de mergulhar na Silfra. 


Filipe Alencar mergulhando na Silfra
Não interessa se você é um mergulhador experiente como Anistela, ou se você está começando sua aventura no mundo dos mergulhos há pouco tempo como Filipe, o que importa é que se você tem um sonho de um mergulho (ou de mergulhar) que você vá atrás! Que você possa ter coragem de fazer como esses dois: ir longe! Se não fez o curso ainda, faça. Se falta algum curso ou certificação, corre atrás. O que você está esperando? 














Fonte:
https://www.dive.is/dive-sites/silfra