segunda-feira, 13 de maio de 2019

Ação contra o aterro - Assine a petição

Fotografia da petição contra o aterro

Mar do Ceará envolvida nas ações contra o aterro
Nos últimos dias temos tratado aqui no blog da situação do aterro da Beira Mar, Fortaleza, Ceará. Domingo passado tivemos uma ação na praia do Náutico, Fortaleza, na tentativa de conscientizar a população e impedir que o aterro se concretize. Várias instituições participaram e foi com muita alegria que a Mar do Ceará esteve representada em peso por vários mergulhadores e mergulhadoras.

Lixo recolhido na ação conjunta de limpeza da praia
A ação teve mergulhadores dentro da água fazendo uma limpeza sub para mostrar os impactos que a área já sofre. Teve ação na praia também, com limpeza da praia, movimentação de pessoas e palestras. Outras entidades estavam envolvidas. Somando todo o lixo que foi retirado, da limpeza sub e da limpeza da praia, cerca de 78 kg foram recolhidos.

Como resultado dessas ações está rolando na Internet uma petição solicitando a intervenção do procurador da justiça estado do Ceará. Para assinar basta clicar AQUI. Lá também consta algumas outras informações como mais justificativas para ser contra o aterro. Se você ainda tem alguma dúvida dá uma lida.  Várias entidades estão se movendo para que o aterro não seja aprovado e vida marinha seja perdida.
Equipe de mergulhadores que participou da limpeza sub. 

Faça você também a sua parte! Assine a petição! Converse com outras pessoas sobre o que está acontecendo.

ASSINE A PETIÇÃO - Clique aqui





quarta-feira, 1 de maio de 2019

Chamada URGENTE!

Junte-se a todos preocupados com a preservação da vida na orla marítima de Fortaleza!

Alguns dias atrás neste blog foi publicada a notícia das intenções da prefeitura de Fortaleza em aterrar uma área rica em vida, no intuito de alargar a faixa de praia. Diversos grupos decidiram não ficar calados e parados diante dessa situação e se organizaram para uma manifestação no Espigão do Náutico no próximo domingo dia 05/05. 

A ideia é conscientizar as pessoas para o que acontecerá, a riqueza de vida que será perdida com essa atitude. Junte-se você também! Não deixe que todo um ecossistema seja aterrado. Diga não ao aterro! 

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Prefeitura de Fortaleza irá soterrar recifes de coral

https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/2018/07/26/prefeitura-assina-ordem-de-servico-para-obras-da-nova-beira-mar.ghtml

Quanto vale o metro quadrado no bairro mais nobre de Fortaleza? Isso é algo fácil de ser precificado. Sabemos precificar bens e serviços que utilizamos diretamente em nosso dia. Mas quanto vale o metro quadro de floresta amazônica? Não só o terreno, mas a floresta em si e os serviços biológicos que esta presta para a humanidade. A Amazônia já foi (e talvez ainda seja) considerada o pulmão do mundo e ainda assim sofre constantemente com a degradação do desmatamento, construção de barragens, etc. A floresta Amazônia está acima do solo e à vista de todos. Ainda assim o cenário é péssimo, o que nos levam a pensar na riqueza biológica escondida sob o mar. Todos aqueles peixes, recifes de coral, esponjas, tartarugas, lagostas, golfinhos... A riqueza biológica presente em um metro quadrado de um recife biológico é mil vezes maior que a riqueza presente na mesma área de floresta amazônica. Isto significava a grosso modo que existe mil vezes mais elementos vivos em uma porção de um recife biológico do que na mesma área de floresta amazônica.

Dia 12 de abril de 2019, o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio irá assinar os contratos da obra de engorda da faixa de praia que vai soterrar diversos recifes de corais existentes na orla. Um crime ambiental desse porte no meio da cidade de Fortaleza só é possível porque está escondido dos olhos da maioria. Há alguns anos atrás os protestos foram intensos ante a construção do viaduto na Avenida Engenheiro Santana Junior para desafogar o tráfego na região nas proximidades do Shopping Iguatemi. Claro que não deu em nada e o viaduto foi construído da mesma forma. Nada estranho aí visto que pouco depois o foi construída uma torre empresarial praticamente dentro do Rio Cocó, o que também não traz espanto já que em 2011 foi soterrado um naufrágio possivelmente secular ao lado da Ponte Metálica

Nada estranho acontece hoje em Fortaleza, cidade do boto-cinza, patrimônio natural do município.

O trecho da faixa de praia a ser ampliado corresponde à Avenida Desembargador Moreira, no Meireles, até o espigão da Rua João Cordeiro, na Praia de Iracema, com o aumento de 80 metros da faixa de areia mar adentro.
A obra de engorda será dividida em dois trechos: o primeiro compreendido entre os espigões da Rua João Cordeiro e da Avenida Rui Barbosa, prevê o acréscimo da faixa de praia e o Aterro da Praia de Iracema ficará com uma área total de 71 mil m² de área.
O segundo trecho consiste no aumento da faixa de praia entre a Av. Rui Barbosa e a Av. Desembargador Moreira, criando assim um novo aterro com cerca de 81 mil m² de área, possibilitando a ampliação do calçadão. (Prefeitura de Fortaleza, https://www.fortaleza.ce.gov.br/noticias/prefeitura-de-fortaleza-apresenta-projeto-de-requalificacao-da-avenida-beira-mar, acessado em 11/04/2019)

Alguns vídeos do que será soterrado:




Em 2016 um grupo organizado por mergulhadores, biólogos e especialistas prôpos a Prefeitura a criação de um Santuário Marinho na mesma área proposta. Aparentemente é obvio que a cidade não precisa de santuários marinhos.

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Pesca fantasma ameaça fauna do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio

Rede retirada do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio
No último domingo, dia 31 de março, a Mar do Ceará fez uma operação para o Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio. O ponto de mergulho era a pedra que dá nome ao parque. O que deveria ter sido mais um mergulho, numa área de proteção, tornou-se uma operação de retirada de uma rede de pesca, com um momento triste.

O mar estava excelente, tranquilo e sem ondas. Pouco vento facilitando a navegação e quando caímos na água visibilidade de mais de 15 m. A primeira coisa que eu notei é que a quantidade de peixes na pedra havia reduzido. Eu mergulho no parque desde 1999 e notei logo que o fundo estava um pouco deserto. Mesmo assim, alguns peixes, umas barracudas e muita vida encrustada: esponjas, algas e os
Tartaruga morre presa em rede de pesca
corais recobrindo a pedra. Bonito como sempre.

Mas com pouco tempo a visão de uma rede começa a estragar o mergulho. Uma rede de pesca que não deveria estar no parque. Não bastasse a rede, uma vítima. Presa a rede o corpo de uma tartaruga já começava a mostrar sinais de decomposição. Para ver o vídeo completo clique AQUI.

Quando uma rede é abandonada, ficando presa no fundo ou flutuando, ela continua de certa forma pescando e denominada pesca fantasma. Para saber mais sobre pesca fantasma clique AQUI e sobre a pesca fantasma no litoral cearense. A Mar do Ceará já fez outras operações de resgate de animais e retiradas de rede de pesca. Sempre que possível e com todo o cuidado necessário mergulhadores não só da Mar do Ceará recolhem redes e armadilhas de pesca.

Além disso, pesquisas recentes mostram que mais de 46% do lixo plástico do Pacífico é composto de restos de artes de pescas (redes, linhas e afins). Fazendo milhares de vítimas ao longo do ano, esse lixo é uma ameaça real.

Repensar nossa alimentação, o que comemos, de onde vem o que comemos é muito importante para garantir recursos para o futuro. Redes que pescam indiscriminadamente deveriam ser banidas e alternativas implementadas. A pesca predatório e o abandono de redes combatido. Da próxima vez que for consumir um pescado qualquer que seja reflita sobre suas escolhas, pesquise, se informe e se possível procure as autoridades responsáveis e pressione para que atividades prejudiciais ao meio ambiente sejam erradicadas.
Galera presente na operação de 31 de março


Fonte:
https://www.bloomberg.com/opinion/articles/2018-06-07/plastic-straws-aren-t-the-problem
https://mercyforanimals.org/straws-arent-the-real-problem-fishing-nets

sexta-feira, 29 de março de 2019

Misteriosas caixas aparecem no litoral nordestino

Caixa encontrada na Barra do Cauípe, Ceará; Fonte: Acervo de Cynthia Ogawa

Desde outubro de 2018, tem aparecido em alguns jornais notícias sobre misteriosos blocos de borracha encontrados nas praias do litoral nordestino. No dia 19 de março essa que vos escreve também encontrou algumas dessas caixas na Barra do Cauípe, próximo ao Porto do Pecém, Ceará. O instrutor da Mar do Ceará Carlos Júnior foi o primeiro a avistar as caixas. Ele encontrou uma mais exposta e bem preservada um pouco acima da linha da maré. Quando caminhamos mais um pouco pela praia encontramos outras três caixas parcialmente enterradas. 

O mais provável é que essas caixas se tratem de material que estava sendo transportado em alto mar e que por algum motivo (tempestade, não estar devidamente acondicionadas, etc.) caíram do navio e derivaram. Ainda não se sabe ao certo a origem desse material pois não há qualquer etiqueta ou placa de identificação. 
Barra do Cauípe, Ceará; Fonte: Acervo de Cynthia Ogawa

Testes preliminares divulgados pelo IBAMA confirmam a natureza de borracha desses misteriosos pacotes. Se quiser saber mais você pode conferir na reportagem de um jornal local de novembro do ano passado clicando AQUI

Caixa encontrada na Barra do Cauípe, Ceará;
Fonte: acervo Cynthia Ogawa 
Saber exatamente a origem desse material é difícil. A água no oceano se desloca no que chamamos de correntes. Essas correntes podem carregar materiais por muitos quilômetros. Para se ter uma ideia, meses após o tsunami do Japão em 2011, objetos estavam sendo encontrados na costa dos Estados Unidos. Assim, esses blocos de borracha que estão aparecendo no nosso litoral podem virtualmente ter vindo de qualquer lugar no Oceano Atlântico. Por conta dessas correntes o mais provável é que tenham sua origem no Atlântico Sul, pois as correntes que banham o litoral do Nordeste do Brasil têm sua origem nessa região. Mas, tempestades em alto mar podem temporariamente mudar a direção de objetos na superfície do mar, então, elas também poderiam ter sua origem na região equatorial norte. 

O que se sabe até o momento é que não perigo em se aproximar desses blocos. No entanto, por se tratar de um tipo de borracha ou derivado do petróleo, pode ser extremamente perigoso incinerar esses blocos bem como utilizá-los na fabricação de objetos. A fumaça produzida pela incineração de derivados do petróleo como um todo é altamente tóxica. E sem saber qual a verdadeira natureza desse material, utilizá-lo para produzir objetos que fiquem expostos a temperaturas elevadas ou misturá-los com outras substâncias pode causar a liberação de produtos que façam mal a saúde.

Em resumo, se encontrarem esses blocos na praia, tirem fotos sem problemas e deixem para as autoridades decidirem como vão fazer o descarte adequado.

Fonte:
https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/metro/online/caixas-misteriosas-encontradas-em-praias-sao-fardos-de-borracha-diz-especialista-1.2028361