terça-feira, 8 de março de 2016

A História do Açude Castanhão

Vista aérea do Castanhão com as doze comportas abertas

Localizado entre os municípios de Alto Santo, Jaguaribara, Jaguaribe e Jaguaretama, o Açude Castanhão, ou simplesmente Castanhão, é o maior açude público para múltiplos usos da América Latina e fica à 306,8 km (aproximadamente 4 horas de viagem) de Fortaleza.

A obra foi iniciada em 1995, durante o governo de Tasso Jereissati, e concluída em 23 de dezembro de 2002, pelo governador Beni Veras, em uma parceria entre a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará-SRH-CE e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas-DNOCS.

O açude ganhou esse nome devido ter sido inicialmente idealizado pela família Cunha, família que comandava a oligarquia da região na época e era dona da fazenda Castanhão, que posteriormente teve suas terras submersas quase por inteiro.

A capacidade de armazenamento do Castanhão é de 6.700.000.000 m³. Sozinho, ele tem 37% de toda a capacidade de armazenamento dos 8.000 reservatórios cearenses.

A criação do Castanhão propiciou muitos benefícios para a população cearense, como:

- Irrigação de 43.000ha de terras férteis do chapadão do Castanhão e da Chapada do Apodi;
- Garantia de água para o abastecimento da região Metropolitana de Fortaleza;
- Controle do nível do Rio Jaguaribe, evitando cheias e deixando o rio perene;
- Produção de 3.800t/ano de pescado;
- Instalação de uma usina hidrelétrica, com capacidade para gerar 22,5 megawatts;
- Criação de um polo turístico;
- Reservatório pulmão para transposição de águas (auxiliar na transposição do rio São Francisco);
- Execução de estações sismológicas e climatológicas;

Antes do Castanhão a maior barragem cearense era o Orós, no município de mesmo nome, que também é uma represa no Rio Jaguaribe, mas que comporta pouco mais da metade da capacidade do Castanhão.

O município de Jaguaribara foi submerso para a construção do açude e em substituição à cidade submersa, construíram uma nova sede do município, a Nova Jaguaribara. Mas ainda hoje existem conflitos em relação as terras perdidas que não foram devidamente indenizadas e a todo o patrimônio histórico do município que hoje está submerso e escondido nas águas do açude.

Mergulhador entre as ruínas da cidade submersa 
Devido à capacidade hídrica e a extensão territorial do açude, além da fauna e dos mistérios escondidos nas ruínas da cidade submersa, o lugar é de grande interesse para mergulhadores, a Mar do Ceará já realizou algumas expedições no local como a de mapeamento do açude e de mapeamento das casas submersas.

O Açude Castanhão possui 325 quilômetros quadrados de área inundada, sendo que a linha d’água é de 58 quilômetros em direção NE-SW do leito do Rio Jaguaribe. A profundidade do açude pode chegar a mais de 50 metros. A principal barreira tem 1.500 metros de extensão, 11 de largura, 12 comportas e quatro válvulas dispersoras.

O rio Jaguaribe antes da construção do Castanhão era conhecido como o maior rio seco do mundo, pois era um rio sazonal (tipo de rio que durante o período chuvoso apresenta bastante água, mas que pode desaparecer totalmente durante o período de estiagem) e localizado em um estado de clima semi-árido, o que não favorece a ocorrência de chuvas, mas se tornou perene com a construção do açude, que passou a regular o fluxo da água do rio.

Mapa mostrando a extensão do rio Jaguaribe e a localização do Castanhão

O Jaguaribe é o maior rio do Estado e é de extrema importância para todos os cearenses, ele ocupa cerca de 51,9% da área total do estado, o que equivale a, aproximadamente, 75 669 km². As cabeceiras de suas sub-bacias servem de limite entre o Ceará e os estados do Piauí, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, nasce na Serra da Joaninha na lagoa de Santiago em Tauá, quase na fronteira do Piauí e deságua no Oceano Atlântico no município de Fortim. É o maior curso de água do território cearense com 633 km de extensão.



Mas esse grande rio não tem apenas importância econômica para o estado, ele tem um relevante lado histórico-social , pois assim como na história do surgimento de quase todas as civilizações do mundo, os povoados tendem a surgir próximos aos rios ou ao mar e o rio Jaguaribe tem suas margens habitadas desde o inicio da história do Estado, pois possibilitava uma agricultura mais produtiva e um gado menos magro, facilitando a vida dos cearenses.

Antigamente era comum desmatar a vegetação da margem do rio (mata ciliar) para plantar naquela região, mas com o desmatamento excessivo da vegetação que tem como finalidade proteger o rio, mais sedimento (areia) entra do rio, que aos poucos vai sendo assoreado e se tornando cada vez mais raso. Devido a esse tipo de atitude, hoje em dia alguns trechos do rio não possuem mais que um metro de profundidade.

A Origem do município de Jaguaribara remonta ao final do Século XVII, quando se estabeleceram naquelas terras, algumas fazendas destinada a criação de gado. Em 1694, devido a forte resistência dos índios, donos originais da terra, os fazendeiros foram obrigados a se retirarem para as proximidades de Fortaleza, voltando anos mais tarde após vencida a resistência indígena.

O povoado de Santa Rosa constituiu-se de um desdobramento desta área, a qual foi transferida, em 1786 por doação de um dos herdeiros, para o patrimônio da Igreja católica. Elevada a condição de Vila, Santa Rosa foi inicialmente distrito do município de Frade, posteriormente denominado de Jaguaretama.

Em 31 de outubro de 1824, o povoado foi marcado pelo mais importante embate verificado no Ceará, entre as tropas imperiais e os componentes da Confederação do Equador que foi um movimento de caráter separatista e republicano do Nordeste. Deste embate, realizado as margens do Rio Jaguaribe, resultou a captura e o assassinato de Tristão Gonçalves de Alencar Araripe (também conhecido como Tristão Alencar Araripe), revolucionário que também participou da Revolução Pernambucana (movimento emancipacionista de Pernambuco) em 1817.
Monumento em homenagem ao Tristão Gonçalves 

No ano de 1924, o Instituto Histórico do Ceará, ergueu no local denominado Alto dos Andrade, no Sítio Tapera, zona rural de Jaguaribara, um pequeno monumento ao herói. Supostamente seus restos mortais foram sepultados na capela do povoado, mas que hoje encontra-se submersa pelas águas do Castanhão.

Jaguaribara foi distrito de Jaguaretama, até março de 1957, quando foi promovida a município. O nome da cidade é uma referência a tribo tupi que habitava a região. Etimologicamente Jaguaribara significa Moradores do Rio das Onças. 

Os habitantes de Jaguaribara tiveram que sair de suas casas mas nada do que estava ali foi destruído e nesse período de estiagem, que o estado vem passando por um longo período de seca, partes da cidade podem ser vistas de forma ilhada entre a água do açude, como o monumento no Alto dos Andrades que foi construído em homenagem ao Tristão Gonçalves.

Visite as profundezas do Castanhão com a Mar do Ceará e vá conhecer essa história de perto!





Referencias: 
http://www.repositoriobib.ufc.br/000019/000019ad.pdf
http://sustentabilidade.sebrae.com.br/Sustentabilidade/Neg%C3%B3cios-de-sucesso/Piscis
http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/castanhao-comportas-serao-abertas-parcialmente-nesta-6%C2%AA-feira/
http://cearaemfotos.blogspot.com.br/2011/03/jaguaribara-velha-e-nova.html

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