Matéria publicada no blog Contexto Esportivo em 06 de novembro de 2010.
por André Pinheiro (Zizou)
Navio encalhado há 25 anos é utilizado como ponto de apoio ao turismo ecológico na orla marítima de Fortaleza
Visitar a cidade de Fortaleza sem conhecer o litoral da capital Cearense é um “pecado”. Milhares de turistas locais e não locais visitam diariamente um dos cartões postais mais importantes do estado: a Avenida Beira mar. Do Mucuripe à Ponte metálica muitas atrações turísticas como comida regional, artesanato local e show de humor são oferecidas aos turistas, porém nada que associe nossa cultura com a beleza natural de nosso litoral e sua fauna marinha. Para quem pensa em visitar a orla marítima de Fortaleza, em especial a praia de Iracema e não vê atrações que estejam diretamente ligadas à natureza é porque ainda não foi informado dos passeios de barco ao Mara Hope, um petroleiro que encalhou há 25 anos em um barranco de areia próximo ao estaleiro na praia de Iracema.
Foi pensando em divulgar o mar do ceará e a história do Mara Hope, que o Instrutor de mergulho, Marcus Davis, teve a idéia de juntar a beleza natural da orla marítima de fortaleza com a curiosidade que as pessoas tinham sobre aquele “monstro de ferro” que há 25 anos está no mesmo local. “As pessoas sempre me questionaram sobre o Mara Hope, muitos sequer sabiam que era um navio”, Disse Marcus. Em Agosto de 2009, Marcus tira do papel o projeto de realizar passeios de barco ao navio encalhado e junto com uma equipe de profissionais, inicia os passeios ao Mara hope.
Os passeios ao Mara hope são realizados em média 2 vezes ao mês e são divulgados através do site da própria empresa, www.mardoceara.com.br e através de outra mídias sociais como Orkut e Tweeter. Os interessados fazem a reserva através do telefone do “Mar do Ceará” e chegam com meia hora de antecedência do embarque ao local marcado, que fica localizado no calçadão da beira mar em frente à escola de Wind surf nº 4320. O passeio dura em média 3 horas, sendo 45 minutos até chegar ao Mara Hope onde a embarcação é ancorada por mais ou menos 1 hora e 15 minutos e o retorno leva em média 1 hora até o ponto de onde a embarcação saiu.
Feito o briefing e recolhido os termos de responsabilidade, a embarcação segue em direção ao Mara hope. Durante o percurso, a beleza da cidade vista do mar é exuberante e quando golfinhos aparecem para completar a bela paisagem é como se Picasso cumprimentasse Portinari. Aos marinheiros de primeira viajem o início do passeio parece não agradar muito, pois com o balanço do barco logo ficam enjoados, contudo, a equipe conta com a presença da socorrista Karla Prudente, que acompanha durante todo o passeio aqueles que passam mal, os auxiliando com medicamento contra náuseas além de instruções para o bem estar dos mesmos.
A aventura ecológica parece chegar ao seu ápice quando o Trimarã vai se aproximando do Mara Hope. Ao ver de perto aquele “monstro de ferro” já deteriorado pela ferrugem, logo começam as indagações a respeito de sua história. O coordenador do passeio, Marcus Davis, além de mergulhador profissional é também um historiador de naufrágios e está extremamente gabaritado para fornecer aos visitantes informações, bem como respostas satisfatórias pertinentes ao Mara Hope. “Estar em contato com o Mara já é emocionante e quando se conhece um pouco mais da história dele, o passeio se torna mais interessante.” Comenta Marcus.
Lançar âncora! A ordem do comandante é a alegria dos que estão a bordo da embarcação. Todos recebem coletes salva-vidas e buscam da melhor maneira que lhes apraz desfrutar do ambiente natural no qual está inserido o navio encalhado. Alguns poucos contidos resolvem apreciar a paisagem sem sair do Trimarã. Outros se satisfazem com um mergulho raso no mar. Já para a maioria, o interessante mesmo é subir nos caiaques ou até mesmo nadando, irem conferir de perto o “gigante de ferro”. Esses de espírito mais aventureiro chegam a subir ao convés do navio e são contemplados com uma vista inigualável. “Já tinha visto o pôr do sol de Fortaleza na ponte metálica, mas do convés do Mara Hope, a visão e a sensação são indescritíveis.” Disse o turista do Rio Grande do Sul, Mário Hoffmann, 30. Outros ainda mais aventureiros, não só sobem ao convés como também arriscam um salto de aproximadamente 10 metros de altura. Eles sobem por uma escada na lateral do navio com bastante cuidado, pois apesar dela estar sempre sob reparos é sempre bom estar atento para não escorregar e provocar algum acidente mais de maior gravidade. No mais, tomando todas as precauções necessárias é só aproveitar cada momento que o passeio lhe proporcionar. “Curtir as belezas naturais dessa cidade já é muito prazeroso e quando você junta esse prazer com a adrenalina de saltar do convés do Mara, a aventura fica completa.” Explanou o Mineiro de Belo Horizonte, Carlos Saldanha, 27.
É, mas infelizmente momentos como esse não duram para sempre e como diz o ditado popular: “Tudo o que é bom, dura pouco.” Assim, um misto de sentimentos como euforia e saudosismo transparece nas faces dos aventureiros que após 2 horas de aventura, vêem o passeio chegando ao seu final. “É algo que estará registrado pra sempre em minha retina.” Falou emocionada e com os olhos marejados a estudante paulista Érica Quagliato, 19.
Quase uma hora depois de deixar o Mara Hope a embarcação retorna, trazendo consigo pessoas que certamente levarão pra sempre em suas memórias esses momentos de contato com a natureza que fazem com que o ser humano reavalie suas condutas e pensamentos, procurando sempre zelar por aquilo que ainda lhes proporciona qualidade de vida e bem estar: o meio ambiente.
Segundo Marcus, o turismo ecológico na orla marítima de Fortaleza vem passando por um processo de revitalização e conscientização da preservação do local. Ele relata que as visitas ao Mara Hope vêem contribuindo para esse processo e que quanto maior o número de pessoas que façam essa releitura da praia de Iracema, melhor será para o nosso ecossistema marinho. “O turismo ecológico é uma forma estratégica para preservarmos o meio ambiente” Concluiu.
Um breve histórico do navio Mara Hope:
Em 1985 o petroleiro Mara Hope que após pegar fogo e incendiar durante 3 dias em um porto do Texas nos E.U.A e ser vendido como sucata para uma empresa na África do Sul, estava sendo rebocado quando seu rebocador teve problemas nas máquinas e parou na indústria naval do ceará (INACE) em 8 de março de 1985 , para reparos. Já o petroleiro foi fundeado no Porto do Mucuripe, quando em na noite do dia 21 de março de 1985, durante forte tempestade, o Mara Hope soltou-se de suas amarras e derivou dois quilômetros encalhando em frente ao estaleiro onde estava seu rebocador. O banco de areia no qual o navio encalhou era muito extenso e o navio estava profundamente atolado. Após várias tentativas inúteis de movê-lo foi constatada a perda do navio.
Fontes: Internet e Marcus Davis (Coordenador do “Mar do Ceará”).
Prestação de serviço:
O passeio ao Mara Hope é organizado pelo Clube do mar do Ceará e custa R$30,00 por pessoa, onde o visitante terá direito a 3 horas de passeio e toda segurança e conforto que a embarcação Trimarã lhe proporciona, além dos passeios de caiaque próximo ao navio encalhado e a subida ao convés. A bordo, são vendidos refrigerantes, água mineral e cerveja.
Mais Informações:
Telefones: (85) 8744-7226 / 9764-6553
E-mail: mardoceara@gmail.com
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