quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O Avião da Enseada do Mucuripe

Corpo do Tenente Renato Ayres sendo desembarcando no Iate Clube
O dia era 22 de outubro de 1967 e milhares de pessoas lotavam a faixa de areia do Iate Clube até a Praia de Iracema para assistir ao show aéreo prometido para aquele dia como parte das comemorações da semana da asa. Dez aeronaves participavam do evento e até um alvo incendiário foi montado dentro da Enseada do Mucuripe para demonstrações de tiro.

Uma dessas aeronaves era o caça não municiado TF-33 da Força Aérea Brasileira sob comando do 1o Tenente Renato Ayres que havia sido incumbido da missão de fazer manobras acrobáticas durante a apresentação. O Ten. Ayres tinha apenas 25 anos de idade mas possuía mais de 2 mil horas de vôo em seu currículo. Ele deveria fazer manobras diversas de modo a "permitir ao público máxima visibilidade das evoluções de seu aparelho".

1o Tenente Renato Arzuaga 
Ayres da Silva 
Mas não foi exatamente isso que aconteceu. Algo deu errado logo após o meio-dia quando o TF-33 se aproximava a baixa altitude em trajetória paralela a linha da praia para uma manobra ousada em que giraria algumas vezes em torno do seu próprio eixo, chamada de "toneaux". A aeronave chocou-se com violência contra os verdes-mares do Mucuripe. O impacto causou uma explosão imediata chocando a população que assistia perplexa. 

O corpo do piloto foi retirado do mar cerca de 30 minutos após o acidente por "homens-rãs" (como eram chamados os mergulhadores) da Marinha e do Corpo de Bombeiros. No entanto, o impacto da explosão foi tão grande que a aeronave se estraçalhou. Nos dias posteriores membros do piloto foram encontrados em praias da capital.

O momento foi capturado pelo experiente
fotógrafo Esdras Guimarães.
Segundo o Coronel-Aviador Edivio Caldas Sanctus que na época era o comandante da Base Aérea de Fortaleza, "o acidente ocorreu quando o avião realizava a segunda virada do dorso, ocasião em que ocorreu uma perda de altitude que os pilotos chamam de 'colherada'. A dois mil metros com o bico do aparelho levantado a manobra não oferece risco. Entretanto o Ten. Ayres realizou a acrobacia a baixa altitude a fim de permitir ao público sua plena visibilidade e o aparelho não teve como compensar a perda de altitude, chocando-se com a água e explodindo imediatamente".
TF-33

O Coronel Sanctus também se queixou da tecnologia obsoleta dos aviões da FAB. Segundo ele, os TF-33 já eram aeronaves obsoletas que se tornavam a principal escolha da FAB devido a seu custo-benefício. 

Uma breve história de família: meu pai que na época tinha pouco mais de 13 anos, havia combinado com meu avô alguns dias antes de assistir as demonstrações da Semana da Asa. No entanto, no dia do evento meu pai por motivo fútil se desentendeu com meu avô e de birra não foi assistir a apresentação das aeronaves. Resultado: deixou de presenciar um dos "maiores" acontecimentos da cidade na época!


Reprodução total ou parcial apenas com autorização. Obrigado!


Pesquisa e Texto:
Marcus Davis


Fontes:
Tribuna do Ceará
Correio do Ceará
Opovo

6 comentários:

  1. Eu me lembro deste fato, não que o tenha presenciado, mas soube da queda do avião e eu e uns amigos de férias passando pela praia do pirambu ali depois da marinha no terceiro quebra-mar achamos na praia uma perna inteira, de pois soube que era deste piloto, estava cortada na altura da coxa. Nós com 6 e 7 anos saimos correndo do local e avisamos aos mais velhos.

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  2. Sabia por alto desse acidente,mas agora soube com mais detalhes.

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  3. Eu que sou um grande apreciador da história de Fortaleza. Parabéns pelo artigo!!!!!

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  4. Tambem lembro_me desse fato, tinha 12 anos e estava na praia de de Iracema na altura da João cordeiro

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  5. Eu estava na esquadrilha, eram 16 aviões, mais o Ayres no avião isolado. Eu era o número 3. Na pápina central da revista O Cruzeiro foi publicada uma foto, tirada da Volta da Jurema, do exato instante em que o avião se choca com o mar.

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