Você sabia que aquele navio naufragado que visualizamos quando estamos nos Espigões da Beira Mar, na Ponte dos Ingleses ou na Ponte Metálica se chama Mara Hope? E que ele está fazendo aniversário? Se você não sabia, ele é uma atração turística e patrimônio histórico da cidade, mesmo que quase ninguém o valorize. Então em virtude desses festejos, o Mar do Ceará que também é cultura vai lhe contar a história do “Gigante de Fortaleza”.
O Mara Hope, é um navio petroleiro que naufragou na costa de Fortaleza No dia 6 de março de 1985, há trinta anos. A embarcação foi fabricada em 1967 pelo estaleiro espanhol Astilleros de Cádiz com o nome de Juan de Austria, porém ao longo de seu período de atividade teve outros nomes, foi chamado de Asian Glory (1979) e de Mara Hope (1983). Nesse período, também teve diferentes empresas proprietárias a Naviera Ibérica, a Bona Shipping, a Carpathia Trading e a Commercial Maritime.
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Mara Hope ao sair do estaleiro de Astilleros de Cádiz em 1967 |
No ano de 1983, quando estava ancorado em Port Neches, no Texas, para reforma, o navio sofreu um incêndio na casa de máquinas. Devido a intensidade do fogo e do risco de explosão as pessoas que moravam nas proximidades do porto foram evacuadas. Ninguém morreu e os 40 tripulantes saíram do navio sem nenhum dano. Depois do incêndio o petroleiro não tinha mais condições de operar e no ano de 1984 saiu rebocado rumo a Kaohsiung, em Taiwan, para desmonte e posterior venda como sucata.
Porém em, 6 de março de 1985, durante a viagem o rebocador do Mara Hope, o Sucess II, teve problemas mecânicos enquanto navegava em águas brasileiras, sendo obrigado a ancorar no estaleiro da Industria Naval do Ceará que se localiza ao lado do Hotel Marina Park, de frente ao local onde o navio viria a encalhar dias depois.
O afundamento do petroleiro se deu dia 21 de março de 1985, período em que Sucess II ficou ancorado em Fortaleza. O Mara Hope soltou-se de suas amarras durante a noite com maré alta e uma forte tempestade, ficando a deriva até encalhar num banco de areia próximo a Praia de Iracema. Há relatos de que houve tentativas de mover o navio, porém todas em vão, devido ao tamanho do banco de areia em que o mesmo e a profundidade que o mesmo tinha encalhado. Ainda existe uma versão não confirmada, de que o rebocador que conduzia o Mara Hope depois de vários problemas soltou suas amarras, deixando o mesmo à deriva.
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O Sucess II no estaleiro para reparos e o Mara Hope ao fundo à direita |
Depois do encalhe, foi dada perda total no navio, o Mara Hope foi desmantelado pela empresa proprietária para se aproveitar tudo que pudesse, o desmonte foi completado por piratas locais, restando no local apenas a carcaça.
Anos depois, pouco se encontra da embarcação. Fora d´água pode se visualizar parte da sua proa, seu guindaste e nos dias de maré baixa pedaços do seu motor. Toda sua estrutura está sendo corroída pelo tempo, cheia de buracos e ferrugem. Os porões que carregavam petróleo estão com água. O metal que está debaixo d'água está cheio de corais, ainda hoje cobre e bronze são retirados por piratas. Tais constatações preconizam o fim do gigante.
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Apesar dos riscos banhistas
visitam o local |
Propriedade da União, o navio permanecerá até o fim dos seus dias no mesmo local, já que segundo a Capitania dos Portos é inviável a sua recuperação. Até hoje, os vestígios do Mara Hope permanecem encalhados a aproximadamente 700 metros da Ponte Metálica. Tendo como um dos melhores pontos de visualização a Igreja de Santa Edwirges. Ainda assim, o navio se coloca imponente na orla de Fortaleza e é um dos programas de grupo de banhistas e curiosos que o visitam, de barco ou a nado, com intuito, conhecer o navio, ou ver Fortaleza por um novo ângulo e acabam por desafiar perigos saltando de suas partes emersas.
O Mara Hope começou a ruir e o que sobrou não é nem a metade do que foi o petroleiro no seu auge. Sua estrutura está bastante comprometida e sua visitação é desaconselhada. O gigante de Fortaleza está bastante vulnerável, não resistindo nem as ressacas do mar.
Mas indo embora Mara Hope nos ensina muito sobre interação do Homem com o que ele produz e como esse produto se mistura com a sua existência e sua vida social. Nesses trinta anos o ele teve diferentes significados para o cidadão de Fortaleza, que mudaram ao longo do tempo de sua estadia nessa capital, o mesmo é de uma só vez ponto turístico para visitantes, posto trabalho para pescadores, fonte de renda aos saqueadores, veículo de imaginação para muitos. Pode-se dizer que mais do que objeto material, uma sucata de ferro, o Mara Hope se reinventou, em suas inúmeras apropriações sociais, técnicas de uso e manipulação, importância econômica e a sua necessidade social e cultural. Conclui-se o “Gigante de Fortaleza” precisava estar ali para que ele pudesse movimentar os motores do nosso imaginário.
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O fim de um gigante. |
Nota do Editor
Há alguns anos entrei em contato com Port Neches, Texas, a fim de localizar alguma imagem do seu incêndio. Para a minha surpresa foi me dito que ainda havia uma foto do Mara Hope queimando na parede da unidade do Corpo de Bombeiros do porto.
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