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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

O Afundamento do Petroleiro do Acaraú - o Eugene V. R. Thayer

A proa do Eugene V. R. Thayer aponta para a superfície.

Maquete do navio em revista
na década de 30.
Nome: Eugene V. R. Thayer
Posição: 30 milhas de Itarema, CE
Capitão: Bodvar F. Svenson
Fabricado: 1920
Tipo: Petroleiro
Carga: Água de Lastro (o navio não estava carregado)
Propulsão: Vapor
Dimensões: 135,6m x 18m x 10m
Data do Ataque/Afundamento: 09/04/1942 e 11/04/1942
Observações: navegava à 12 kt quando atacado

O Eugene V. R. Thayer foi atacado pelo submarino Italiano Pietro Calvi (Olivieri) enquanto navegava de Buenos Aires, Argentina, para Caripito, Venezuela.

A cana do leme na popa destruída
do navio.
Enquanto o Thayer navegava sem manobras evasivas e com todas as luzes acesas, o submarino se aproximou por boreste, em paralelo ao petroleiro e segundo alguns relatos, disparou um torpedo que atingiu o navio. Uma explosão aconteceu logo em seguida iniciando uma perseguição.
O navio tentou manter o submarino à ré enquanto este salpicava o navio com suas armas de convés e metralhadoras. O rádio operador do Thayer mandou vários sinais de SOS enquanto o submarino atirava contra o navio.
Sem o conhecimento do capitão, no ápice do ataque, dez membros da tripulação entraram em pânico e tentaram lançar um barco salva vidas sem ordens. Estilhaços devem ter atingido e matado um ou dois desses homens enquanto preparavam o bote para evacuar o navio. Quando eles lançaram o bote o petroleiro ainda estava navegando em velocidade máxima e o barco salva vidas afundou ao bater na água. Todos os homens desse bote se afogaram.
Os pistões que moviam o petroleiro.
O capitão ordenou o abandono do navio às 22:45h depois que os esforços de despistar o submarino falharam. Os tripulantes remanescentes, oito oficiais e dezenove marinheiros abandonaram o navio em dois barcos salva vidas. O Calvi atirou cerca de trinta rodadas antes da tripulação abandonar o petroleiro, e o navio pegou fogo cerca de dezenove minutos após o início do ataque.
Ao meio dia da manhã seguinte dois avião localizaram um dos barcos com treze sobreviventes. Um pousou e os levou para Natal, RN. Trinta e seis horas após o ataque os outros treze sobreviventes chegaram à costa, sete milhas ao  norte de Aracati, CE [sic*]. O Eugene V. R. Thayer naufragou dois dias depois. Um oficial e dez homens morreram no ataque.
* É impossível que tenham chegado a Aracati. O afundamento se deu no litoral oeste e Aracati está no litoral leste, na direção contraria às correntezas predominantes.

Tradução Livre
Marcus Davis

Fonte
United States Merchant Marine Casualites of World War II, por Robert M. Browning Jr.

Um guincho de âncora totalmente coberto por corais no convés da proa. Esta é a área do navio que está melhor preservada.

Possui três caldeiras.

Escotilha de acesso aos compartimentos de carga.

Algumas partes estão bem destruídas

Confirmação da identidade do naufrágio.

Mergulhadores junto ao costado.

Há fortes correntezas no local.

Veja também
O Ceará e a II Guerra Mundial: O Afundamento do "SS Eugene V R Thayer" e o "Petroleiro do Acaraú" - Mais um navio identificado no Ceará?
Uma imagem do navio Eugene V R Thayer: o Petroleiro do Acaraú


domingo, 12 de fevereiro de 2017

Uma imagem do navio Eugene V R Thayer: o Petroleiro do Acaraú

Imagem da maquete do Eugene V R Thayer, o Petroleiro do Acaraú. Agradecimento a Claudio Braga. Legenda: "Modelo do Eugene V. R. Thayer, o primeiro da nova série de navios petroleiro da Sinclair Oil que encorpa varias novas melhorias nunca antes empregadas na construção de um navio petroleiro."

O Petroleiro do Acaraú sempre encantou os mergulhadores cearenses. É um mergulho difícil por estar muito distante da costa e pela presença de fortes correntezas. Está naufragado desde 1942 quando foi torpedeado por um submarino italiano durante a Segunda Guerra Mundial. Tratava-se de um petroleiro movido a vapor de nacionalidade americana chamado Eugene V R Thayer. Hoje é habitado por arraias, barracudas e uma fauna marinha diversificada.
Imagem disponível anteriormente.

Sua história foi contada aqui no blog e no Atlas de Naufrágios do Ceará, publicado em 2015.
Recentemente passamos a organizar expedições para este naufrágio e identificamos a presença de uma espécie invasora de coral: o "coral sol", alvo de artigo científico publicado em parceria com Universidade Federal do Ceará.

As imagens conhecidas desde navio ainda em operação eram de baixíssima qualidade e desejávamos uma imagem mais nítida. Contatei meu tio Claudio Braga que mora nos EUA e é também um curioso sobre assuntos relacionados a Grande Guerra. Ele nos conseguiu uma imagem de uma revista da década de 30 em que aparece uma maquete do Eugene Thayer!


terça-feira, 31 de maio de 2016

Logística e Informações sobre Saída de Mergulho para o Petroleiro do Acaraú (Eugene V R Thayer)

Mergulhador junto a proa do Petroleiro do Acaraú. Foto: Marcus Davis.

Ponto de Mergulho
As letras thaYER podem ser lidas.
O Petroleiro do Acaraú é um dos naufrágios mais misteriosos do Ceará. Apesar de ter sua identidade conhecida está localizado a mais de 20mn da costa e a outros 230km de Fortaleza e é considerado um dos "Everests" do mergulho brasileiro. É definitivamente um mergulho para avançados pela distância da costa, longa navegação e a presença de correntezas na superfície e no fundo.

Toda essa dificuldade vale a pena. É um mergulho na história. O petroleiro norte americano Eugene V R Thayer foi afundado abril de 1942 pelo submarino italiano Pietro Calvi. Antes de naufragar, passou dois dias em chamas a deriva. Onze membros de sua tripulação pareceram no sinistro. É um link com os acontecimentos da II Guerra que aconteceram em nosso litoral 70 anos atrás. Evidências dessa batalha podem ser vistas no lugar.
Colônias de Coral Sol.

História a parte, o mergulho é incrível! Barracudas, tartarugas, tubarões lixas, beijupirás, esponjas e corais encantam o cenário.

Recentemente nossa equipe descobriu a existencia de uma espécie invasora de coral no local. O coral sol nativo do Oceano Pacifico Sul vem invadindo o Atlântico nas últimas décadas e até então não era conhecida a sua existência ao norte de Sergipe.



Pré requisito

Incluso
  • Embarcação regulamentada com equipamentos de salvatagem
  • 02 cilindros e lastro
  • Lanche (água, refrigerante, biscoitos, frutas, sanduíches e doce de goiaba) 
  • Instrutor e/ou divemasters para conduzir o mergulho
  • Hospedagem em pousada com ar condicionado e café da manhã para dois pernoites na véspera e após a saída (sexta para sábado e sábado para domingo).

Não incluso

Datas e Valores

Local de Encontro 

Horário de Saída e Previsão de Retorno
  • Encontro às 7:30h na Pousada Oásis 
  • Saída às 8:00h no Porto dos Barcos em Itarema 
  • Previsão de Retorno às 20:30h no Porto dos Barcos, em Itarema.
  • Os horários de saída e retorno podem sofrer variações e serão confirmados na véspera

Tempo de Navegação
  • Em média 4:30h de ida. 
  • Em média 4h de volta.
  • A operação no mar dura em média 12:00 horas (navegação ida e volta, e operação de mergulho com intervalo de superfície), portanto se sairmos mais tarde, chegaremos mais tarde. Por este motivo o pernoite na véspera e após a saída está incluso.

Recomendações
  • Recomendamos o uso de remédios para enjoo
  • Protetor solar, roupas secas e toalha
  • Pernoite na véspera e na volta estão inclusos e são fortemente recomendados em vista a longa viagem de carro para Fortaleza.

terça-feira, 24 de maio de 2016

Ameaça: Coral Sol identificado no Ceará

Coral-Sol do gênero Tubastraea no Petroleiro do Acaraú, no Ceará. Foto: Marcus Davis. Todos os direitos reservados.

No Ceará existe naufragado a 20 milhas náuticas da costo um navio conhecido como Petroleiro do Acaraú. Este naufrágio permanecia sem identidade até ser corretamente identificado como o petroleiro norte americano Eugene V R Thayer naufragado em abril de 1942 quando foi canhonado por um submarino italiano... tudo isso aconteceu aqui no litoral cearense e sua história foi recentemente publicada no Atlas de Naufrágios do Ceará.
O petroleiro Eugene V R Thayer.

Fantásticas histórias a parte, passados os tempos sombrios da Segunda Guerra Mundial, agora a ameaça é outra. O litoral brasileiro vem sendo colonizado por espécies invasoras que habitam outros mares e, quando chegam aqui, causam um desequilíbrio ambiental.

O coral-sol é uma espécie que pertence ao gênero Tubastraea, natural do Oceano Pacifico. As espécies localizadas no Petroleiro do Acaraú por Marcus Davis e confirmadas pelos doutores Marcelo Oliveira Soares e Pedro Carneiro do Laboratório de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará são Tubastraea tagusensis e T. coccinea. Elas tiveram seus primeiros registros no Brasil pela Bacia de Campos provavelmente trazidos por incrustação em plataformas de petróleo. Em 2006 foi identificada por pesquisadores na Bahia e em 2014 em Sergipe. Acreditava-se que ele não havia ultrapassado o litoral de Pernambuco... até agora.

Compartimentos do naufrágio completamente tomados pelo Coral-Sol. Foto: Marcus Davis. Todos os direitos reservados.

A notícia é vista com receio pela comunidade científica:
Pelo jeito é Tubastraea tagusensis; muito triste que chegou no Ceará, temos até então apenas registros em plataformas de Sergipe o mais para nordeste. O MMA, Ibama e Icmbio estão bem sensibilizados e fazendo um Plano Nacional de Monitoramento e Controle do Coral-Sol no Brasil. Este registro é importante neste sentido. Esclareço que o vetor de introdução é incrustação em plataforma de petróleo e etc, não é agua de lastro. Vocês podem ver maiores informações no Facebook do Projeto Coral Sol (Joel Creed, UERJ)
Foto: Marcus Davis.
Todos os direitos reservados.
Resta saber como ele chegou aqui. Este foi o único avistamento, e não são conhecidos outros locais colonizados pela espécie. No entanto, os porões e áreas abrigadas do naufrágio estão completamente tomados por ele. Nesse caso a história do navio também pode ajudar. O Eugene VR Thayer estava em rota da Argentina para Venezuela, é possível que a espécie tenha sido introduzida ainda neste período? Ou sua chegada é mais recente? 

Existem outros locais na área habitados por este ser? Como salvar as espécies nativas? Segundo pesquisadores os corais-sóis são agressivos a espécies nativas, como o coral-cérebro do gênero Mussismilia, espécies endêmicas do litoral brasileiro que agora estão em risco. Essas questões estão sendo estudas por especialistas, mas normalmente este é um caminho sem volta como o caso do peixe-leão no Caribe.

Saiba mais
O Ceará e a II Guerra Mundial: O Afundamento do "SS Eugene V R Thayer" e o "Petroleiro do Acaraú" - Mais um navio identificado no Ceará?

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O Submarino Pietro Calvi - o Italiano que afundou o Petroleiro do Acaraú

por Augusto César Bastos
Smg. Pietro Calvi, o algoz do Petroleiro do Acaraú, sendo o mesmo o navio americano Eugene V. R. Thayer, e também do Balkis, na costa do Ceará. Fotos: Con la pelle appesa a un chiodo

Em julho de 1942, depois de um turno de trabalho e de manutenção, o Calvi zarpou de Bordeaux sob o comando do Capitão de Fragata Primo Longobardo, diretamente para zona de operação nos mares dos Caraíbas (Pequenas Antilhas). O comandante Longobardo, que já tinha atuado no Atlântico comandando o LuisiTorelli, afundando quatro navios mercantes (o Nemea, o Brask, o Urla e o NimolaosFilinis) em uma só missão, já era para estar servindo em terra no Alto Comando da Força Submarina, em função de sua idade (41 anos, mais velho que a maioria dos jovens oficiais no comando de submarinos e pela necessária resistência física exigida para as missões no atlântico).

Em um momento de escassez de oficiais, e em seguida ao adoecimento do Comandante do Calvi, Olivieri, pouco depois da partida para missão, o comando do Calvi foi assumido por Longobardo, com o submarino tendo recentemente renovado a tripulação, com a chegada de muitos jovens recrutas de primeira viagem, cuja formação se ocuparia Longobardo; quando uma unidade estava pronta para zarpar, o Comandante reunia a tripulação e oferecia a possibilidade de desembarcar, mas todos estavam dispostos a partir com ele.

Antes da partida enquanto Longobardo falava brevemente com ocomandante do BETASOM, contralmiranteRomoloPolacchini, (quando estava embarcando e a tripulação aguardando), se verificou um pequeno episódio , cuja índole supersticiosa dos marinheiros atribui um mau agoro: um jovem guarda-marinha colocou sobre a torreta do Calvi, uma magnólia branca para celebrar a nova missão, mas foi subitamente criticado pelo Chefe de máquinas, que lhe gritou. “tire isto daí que dá azar”, ordenou ao guarda-marinha, seguido de risos por outros oficiais. Durante a partida de Bordeaux, outros oficiais vieram saudar Longobardo, bem como o Almirante Polacchini.
O Pietro Calvi e sua tripulação.

Em 13 de julho o submarino recebeu ordem para se aproximar de um piroscafo isolado, (um tipo de mercante), do tipo “Andalusia Star”, e rastreá-lo. Na noite entre 13 e 14 de julho o submergível se aproximar do comboio SL 115, que estava na rota de Serra Leoa (Freetown) para o Reino Unido, escoltado pelos Sloopps: Lulwoth, Londonberry, Bideford e Hastings. Cuja localização tinha sido informado no sul dos Açores, pelo submarino alemão U-130, e de atacar só se as condições fossem favoráveis.

O Calvi em dupla com o submarino alemão U-507, se aproximaram para investigar o comboio, avistando às 19:30de 14 de julho, 575 milhas à oeste de Tenerife, vindo se agrupar o U-130. Por volta de duas horas depois, a presença do Calvi foi detectada pelo “radiogoniometro” HF/DF (um aparelho que interceptava os sinais emitidos por rádios, e individualizava a localização e de onde vinham) do HMS Lulworth e esta unidade sob o comando do Capitão de Corveta Clive Gwinner, foi enviada para investigar o forte sinal emitido. O sloop britânico avistou o U-130 e oCalvi que imediatamente fizeram manobras de imersão. Cerca de uma quarto de hora depois, enquanto a tripulação do Calvi estava observando o U-130, que estava passando a aproximadamente 900 metros ao seu lado, não perceberam que o Lulworth navegava com a proa apontada em sua direção. O Comodante Longobardo ordenou novamente submergir, para profundidade de 90 (por outra fonte 75) metros (uma fonte indica às 22:30, como horário de localização do Calvi, mas não especificou o fusohorário). Quando assumiu a cota da manobra o Calvi, navegou em rota oposta, entre 1 e 2 nós. O Lulworth levou uma hora e meia novamente para localizá-lo, e na posição 30 07`N e 26 07`O, iniciou o lançamento de cargas de profundidade reguladas para 15 e 42 metros. O Comandante Longobardo, em seguida ao primeiro ataque (que não havia causado danos), decidiu navegarainda mais fundo, quando então foi atingindo pelo segundo ataque do sloop, com bombas reguladas para profundidades de 45 e 91 metros, sofrendo graves danos e teve avariado seu motor elétrico Calzoni. O Comandante ordenou submergir mais ainda, levando o Calvi para profundidade de 115/120 metros. Medida inútil; a terceira onda de cargas regulada para 105 metros, explodiu muito próximo, fazendo inclinar fortemente para bombordoo submarino, que imergiu para cerca de 200 metros. Com o compartimento de popa alagado (uma fonte já indicava este alagamento na segunda carga), e mesmo com uma tripulação novata em sua primeira missão, não houve pânico. E sim uma certa confusão; o capitão “del gênio navale Ernesto Maccota, ficou tranquilamente apoiado em uma bancada, anotando em seu diário o número de cargas e a profundidade que explodiam em torno do submergível.
A planta do submersível.

Após as avarias foi constatado que não haveria ar suficiente e que o compartimento 3 estava também alagado, comprometendo sua possibilidade de manobra e levando ao risco de afundamento, se permanecesse no fundo. O Comandante Longobardo ordenou emergir rapidamente o submergível, que subiu rapidamente inclinado para esquerda. Com sua metralhadora atingida por uma carga de profundidade e seu canhão também fora de combate, só restou o canhão de popa em funcionamento, com um só motor o Calvi tentava se afastar do Lulworth, avançando lentamente, atirando com o canhão que ainda restava.

Iluminado por um luminoso lançado pelo sloop e depois por um holofote, o Calvi passa a ser atacado. Há menos de 500 metros de distância o Lulworth atingiu a coberta onde estava o canhão de popa do Calvi com uma rajada de metralhadora, ferindo ou matando todos que lá se encontravam. O Calvi na tentativa de escapar lançou dois torpedos dos tubos de popa, obrigando a nave britânica a manobrar rapidamente para evitar ser atingida. Por duas vezes o sloop tentou a colisão, mais o Calvi manobrou e conseguiu escapar habilmente. Na terceira vez no entanto a embarcação britânica colidiu com o submarino destruindo seu hélice direito e arrastando o submergível. ( a colisão também provocou avarias na nave britânica, que ficou todo mês de agostoem reparo).

Dois marinheiros que estavam no canhão de popa, o subtenente Villa e o segundo chefe Marchion, ainda estavam vivos. Vendo sua embarcação imobilizada e em chamas, com armamento em péssimas condições, o comandante Longobardo ordenou a evacuação da tripulação para a coberta e depois abandonar o submergível para depois iniciar o afundamento. Nesse momento um tiro de canhão de 76 mm do Lulworth acertou a torreta do submarino matando ele, o suboficial de rota e também o subtenente Guido Bazzi, deixando a tripulação, conforme publicação do relatório britânico em agosto de 1942, “como uma família sem pai”. O segundo comandante, subtenente GennaroMaffetone, que estava combatendo com seus homens no canhão de popa, levou um tiro e caiu no mar.

Dentro do submergível o diretor de máquinas capitão del gênio navale Aristide Russo, assumiu o comando, abrindo a válvula dos tanques dágua. Os homens que ainda estavam dentro do barco saíram para coberta para evacuação e se lançarem ao mar. O Lulworth comunicou em italiano para ninguém se mover e permanecerem parados, se quisessem sobreviver, lançando uma pequena embarcação ao mar, comandada pelo tenente “divascelo” Frederick Wiliam North, que foi enviado para o submarino; após embarcado com arma na mão. Os ingleses encontraram na ponte de comando cadáveres e fogo na torreta, ordenando a tripulação sobrevivente que ficasse na coberta da popa. Dois membros da tripulação do Lulworth entraram dentro submarino encontrando a luz de emergência ligada. Tudo que encontraram foi uma carta náutica e algumas partes do diário de bordo, na cabine do comandante, quando foram chamados para coberta; o compartimento de popa alagando rapidamente.

Em uma outra versão os homens de North não entraram na embarcação, ficando com a tripulação comandada pelo capitão Russo. O capitão Maccota foi visto a última vez na torre de comando, que após ver a embarcação inglesa partindo, foi completa a manobra realizar o auto afundamento já iniciada, quando o segundo chefe torpedista se aproveitando da confusão, abriu um tubo lança torpedos, provocando novo fluxo de água determinou o fim do submarino. Russo, quando North entrou, iniciou uma luta corporal para impedir a captura do Calvi. A tensão entre os sobreviventes aumentou; muitos deles ainda estavam na coberta, sob o controle de membros da tripulação do Lulworth, enquanto os dois se encontravam lutando dentro do Calvi, e novamente veio a ordem para evacuação. Já no mar os tripulantes sobreviventes do Calvi, viram o submarino submergir na sua frente. Às 00:27 de 15 de julho, o submarino desapareceu no abismo, no ponto 30 35`N e 25 28`O, 480 milhas ao sul de São Miguel (Açores), juntamente com metade de sua tripulação, entre os quais o capitão Russo e North, naufragados juntos enquanto lutavam.

Pouco tempo depois ocorreu uma violenta explosão embaixo dágua, podendo ter sido causada por uma carga de profundidade que tivesse ficado no casco ainda sem explodir. Entretanto o Lulworth junto com o Bideford e Londonberryantes de iniciar o salvamento dos sobreviventes, foi torpedeado pelo U-130, em vã tentativa de ajudar o submarino italiano. Só depois de quatro horas o Bideford e o Londonberry tomaram rumo sul e foram resgatar os sobreviventes ( 03 oficiais, e 32 suboficais e marinheiros). A maioria tinha ficado no mar, 42 mortos do Calvi e o tenente North; em sua maioria vítimas da metralhadora do Lulworth durante o combate. O Londonberry, unidade de escolta, resgatou 02 oficiais. ( “segundo outra versão os sobreviventes foram resgatados pelo Lulworth, depois de ter contra atacado o U-130, o sloop britânico retornou para o local de afundamento do Calvi, para socorrer os sobreviventes, para depois transferi-los para o Londonberry. Os sobreviventes do Calvi foram levados para um campo de prisioneiros nos Estados Unidos e com o passar do tempo alguns foram transferidos para o Reino Unido e posteriormente libertados.


Texto
Augusto César Bastos

segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Atlas de Naufrágios do Ceará: histórias dos mares cearenses!





No Atlas de Naufrágios do Ceará você encontrará relatos de naufrágios históricos que ocorreram no litoral cearense. Você lerá sobre o naufrágio Amazônia e o que aconteceu com sua carga de cristais e conhecerá o Baron Dechmont, o navio inglês que foi torpedeado durante a Segunda Guerra Mundial e hoje chama-se Naufrágio do Pecém. Também contamos a história do vapor Siqueira Campos e elucidamos o mistério do iate Cisne Branco. O Petroleiro do Acaraú, Macau e Naufrágio dos Remédios agora tem seus últimos momentos contados para o público em geral.

Além das aventuras em pesquisar, descobrir e mergulhar nesses navios afundados, apresentamos textos técnicos para um aprofundamento no estudo e pesquisa arqueológica não invasiva de naufrágios.

Os naufrágios dos quais temos registros são listados e apresentados em um mapa da costa do Ceará. São apresentados dados inéditos na historiografia naval cearense, alguns com datas, motivo do sinistro e localização por coordenadas geográficas. Outros ainda permanecem as margens da história indicados por um nome qualquer.

Ainda no livro o leitor encontrará um Manual de Reconhecimento de Partes e Peças de Naufrágios para conhecer mais da estrutura de navios naufragados ou não.

Junto com o livro você também adquire o documentário sobre o Naufrágio Amazônia e o Resgate dos Cristais do documentarista Roberto Bonfim. Nele foi resgatada a história do navio que afundou em 1981 na entrada do Porto do Mucuripe e o que aconteceu com sua carga misteriosa.

Para adquirir o livro e o documentário por R$ 100,00 (+ despesas de envio) mande um email para mardoceara@gmail.com com sua solicitação e endereço. A pagamento poderá ser feito por transferência bancária, boleto ou cartão (quando em Fortaleza).

The Atlas is written in portuguese and english!


Você também pode adquiri-lo em livrarias e lojas de Fortaleza:

Livraria Acadêmica
Rua Pereira Filgueiras, 1300 - Meireles
Rua Costa Barros, 901 - Meireles

Livraria Cultura
Av. Dom Luis, 1010 - Shopping Varanda

Armazém Canidé
Rua Conde D´Eu, 513 - Centro

Orcopel
Rua Conde D´Eu, 599 - Centro

Casa Donato
Rua Conde D'Eu, 535 - Centro

E no MercadoLivre!!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O Ceará e a II Guerra Mundial: O Afundamento do "SS Eugene V R Thayer" e o "Petroleiro do Acaraú" - Mais um navio identificado no Ceará?


Durante os primeiros anos da II Guerra Mundial os submarinos de Hitler aterrorizaram os mares. Essas embarcações deixavam os portos na Europa e singravam os mares à caça de navios militares ou mercantes para afundá-los e assim, minar o esforço de guerra Aliado.
            Mas não foram apenas submarinos alemães que patrulharam os mares durante o conflito. As três principais potências que integravam o “Eixo do Mal” – Alemanha, Itália e Japão – possuíam essas armas e as utilizaram durante a guerra. Destes apenas os Alemães e os Italianos tiveram participações significativas na Batalha do Atlântico Sul.

R.SMG. PIETRO CALVI
O submarino italiano R.SMG. Pietro Calvi – Regia Marina Italiana Sommergíbílí Pietro Calvi – é um nobre desconhecido. Em 1942, com dois anos de serviço já era um veterano de guerra. Entre outras missões, no ano anterior este mesmo submarino participou do resgate dos tripulantes do “Atlantis”, um navio corsário alemão que disfarçado de cargueiro aprisionou e afundou dezenas de navios.
No ínicio de março de 1942 deixou o porto de Le Verdon, na França para sua terceira patrulha. Seu destino era “Cabo Orange”, no Atlântico Sul e, no dia 25 de março, dezoito dias após sua partida, disparou torpedos contra o cargueiro britânico SS Tredinnick, não houve sobreviventes. Quatro dias depois, a tripulação comunicou o torpedeamento de um cargueiro da classe “Huntington”, entretanto o afundamento não foi confirmado pois todos os navios dessa classe já haviam sido afundados no início da guerra.
Eufórica com as vitórias, a tripulação interceptou e torpedeou mais um cargueiro, o T. C. McCob de 7,452 toneladas. Após cinco torpedos e disparos de canhão de 120mm, foi afundado o primeiro navio mercante norte-americano por um submarino italiano.
Após o combate os italianos seguiram rumo sul e alguns dias depois, ao largo da costa cearense, avistaram o navio tanque SS Eugene V. R. Thayer sob comando do Capitão B. S. Svendson, também de bandeira norte-americana, assim como sua vítima anterior.

(Submarino italiano R.SMG. Pietro Calvi e o alemão U-68. Provavelmente durante o transporte dos sobreviventes do corsário alemão Atlantis.) 


SS EUGENE V. R. THAYER
                O Steam Ship Eugene V. R. Thayer fora encomendado pela “US Shipping Board” em 1920 ao estaleiro Bethlehem Steel Co. localizado em WilmingtonDelaware, EUA. Possuía 7,138 toneladas brutas em 430 pés – cerca de 129m – de comprimento por 59 pés – 17,8m – de boca. Seus motores triple expansion lhe permitiam uma velocidade de 11 nós.
              Seu porto de origem era Nova Iorque, de onde pertencia sua tripulação. Estava em rota de Buenos Aires para Caripito, na Venezuela quando foi interceptado pelo submarino Pietro Calvi.


(Imagem disponível associada ao navio tanque SS Eugene V. R. Thayer.) 


O ATAQUE
O ataque aconteceu durante a noite na posição 02° 35’S, 39° 58’W. As 20:35 do dia 9 de abril, a tripulação do Pietro Calvi, sob comando do Capitão de Corveta Emilio Olivieri, lançou um torpedo e efetuou disparos de 120mm contra o petroleiro que navegava desarmado. O navio explodiu em chamas, mas não afundou de imediato. Passaria ainda dois dias queimando à deriva antes de tocar o leito do oceano. As coordenadas geográficas do local do naufrágio registradas na época são 02°36’S, 39°43’W.
Dos trinta e sete tripulantes do petroleiro, onze morreram no ataque. O restante se dividiu em dois pequenos barcos de emergência, treze foram resgatados no dia 11 de abril por um avião catalina, no mesmo dia em que veio a afundar de fato o navio tanque, e outros treze foram resgatados dois dias depois. Os sobreviventes só retornariam aos Estados Unidos no dia 21 de abril, quando chegaram ao aeroporto de Miami as 22:26, horário local.
Depois desta batalha o submarino continuou seguindo para o sul onde afundou dois outros mercantes ambos ao largo do Rio Grande do Norte. Retornou triunfante a Le Verdon em 29 de abril.
A saga deste lobo dos mares terminaria poucos meses depois, na sua quarta e ultima missão. Foi afundado no dia 14 de julho de 1942 nas Antilhas sob o comando do Capitão de Fragata Primo Longobardo.

O PETROLEIRO DO ACARAÚ
             Na região de Itarema, litoral norte do Ceará, existe um navio naufragado a 40km da costa. Segundo pescadores e autores locais trata-se de um navio petroleiro que foi afundado durante a Segunda Guerra Mundial. O naufrágio foi batizado de Petroleiro do Acaraú, por ser este o principal porto da região.
                O caçador submarino Luciano Moreira conta em seu livro que mergulhou várias vezes neste naufrágio. Em uma dessas investidas coletou diversos cacos de porcelana com a seguinte inscrição: “Iroquois – USA – China”.
Por se tratar de um petroleiro é improvável que o navio estivesse carregando uma carga de porcelanas de Nova Iorque, muito menos na rota em que estava.
                Após uma breve pesquisa na web encontrei referências sobre uma empresa que fabricou porcelanas entre 1905 e 1969, chamada Iroquois sediada em Syracuse, no estado de Nova Yorque, EUA. A palavra china significa louça ou porcelana na língua inglesa.
                Fazendo uma triangulação das diferentes coordenadas geográficas disponíveis em bibliografias relacionadas e na web, observamos que a localização conhecida do Petroleiro do Acaraú está no centro.



(Triangulação com as coordenadas geográficas disponíveis referentes ao ataque e afundamento do SS Eugene V. R. Thayer / Petroleiro do Acaraú)

CONCLUSÃO
                De acordo com dados disponíveis podemos supor que o Petroleiro do Acaraú e o SS Eugene V. R. Thayer navegaram na mesma região durante a Grande Guerra. Considerando os métodos rudimentares de estimar a posição geográfica na época, os erros de transcrição que são comuns quando referentes a coordenadas geográficas e o fato de nenhuma referencia geográfica estar a mais de 40km da localização conhecida do naufrágio – outras estão a menos de 10km – é um reforço para situarmos ambos os navios no mesmo lugar e no mesmo espaço de tempo.
                O artefato retirado do local é um indício de que tratar-se de um navio norte-americano, ou seja, da mesma nacionalidade do SS Eugene Thayer.
                Esses dois argumentos são tentadores o bastante para afirmarmos que o naufrágio de Acaraú é o navio tanque norte-americano SS Eugene V. R. Thayer. Entretanto, para termos absoluta certeza é necessária uma expedição para analises aprofundadas no local.  Só após feitas medições de comprimento e boca, após determinarmos o tipo de propulsão e analisarmos a estrutura do naufrágio poderemos comparar com as informações disponíveis do navio tanque norte-americano. 

CRONOLOGIA

7 de março de 1942 - Submarino Italiano Pietro Calvi saiu do porto de "Le Verdon" com destino ao "Cape Orange". Era sua 3a missão.
25 de março - Afundou o cargueiro britânico Tredinnick de 4,589 t. Não houve sobreviventes.
29 de março - Pietro Calvi interceptou e afundou um navio a vapor tipo "Huntington" que foi atacado com torpedos e visto afundar. No entanto o afundamento não foi confirmado. Todos os navios desse tipo haviam sido afundados nos anos anteriores.
31 de março - Interceptou e afundou o cargueiro norte-americano T. C. McCob de 7,452t. Foram disparados 5 torpedos e tiros de 120mm. Foi o primeiro cargueiro americano afundado por um submarino Italiano.
9 de abril – As 20:35 o submarino italiano intercepta o navio tanque Eugene Thayer que navegava desarmado. É iniciado o ataque. A tripulação abandona o navio em chamas na posição 02° 35’S, 39° 58’W. O petroleiro foi torpedeado e metralhado com canhões de 120mm.
11 de abril - Após dois dias queimando a deriva o petroleiro afundou na posição 02°36’S, 39°43’W. Foi o primeiro navio norte-americano afundado por um submarino italiano no Atlântico Sul. No mesmo dia um grupo de 13 membros é resgatado por um avião anfíbio.
13 de abril - Um segundo grupo de sobreviventes é resgatado.
21 de abril - Os sobreviventes do Eugene Thayer chegam a Maimi as 22:26.
29 de abril - O Pietro Calvi chegou ao porto de Le Verdon após afundar dois outros cargueiros ao largo da costa brasileira.
14 de julho de 1942 - O submarino italiano Peitro Calvi é afundado nas Antilhas.


ALGUNS MARINHEIROS QUE PERECERAM NO ATAQUE

NOME
POSTO
ORIGEM
John Edward Morrissey
-
-
Manuel Carneiro Rey
Pumpman
Brookyn, NY, EUA
Frank Vern Roberts
O.S.
San Francisco, CA, EUA
Albert Heis
Pumpman
Brookyn, NY, EUA
Alejandro Mendoza Magno
Messman
San Jose, Filipinas





Pesquisa e Texto:
Marcus Davis Andrade Braga (marcusdab@gmail.com)


Fontes:
GASTALDONE, Ivo; Memórias de Um Piloto de Patrulha.
MOREIRA, Luciano; As Aventuras de um Pescador Sub, Ed. ABC, 2002.
Regia Marina Italiana (fotos do Submarino Pietro Calvi)
Google Earth (mapas)