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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Os riscos de um batismo: o barato que pode sair caro

Batismo na Lagoa de Itarema
Num país como o Brasil, com mais de 7 mil km de costa, era inevitável que o mergulho se popularizasse e se tornasse uma opção em várias praias do nosso litoral. No entanto, com a popularização também vieram vários riscos.

O termo batismo no mergulho é quando uma pessoa que nunca fez um curso de mergulho recebe instruções básicas e faz um mergulho acompanhada de um dive master ou instrutor. O problema é que em muitos lugares, não somente no Brasil, mas no mundo, pessoas não certificadas fazem os batismos colocando em risco a vida das pessoas. É a famosa situação em que o barato pode sair caro...e custar sua vida.

Mas quais são os riscos?

Para muitos, um mergulho "raso" parece não apresentar risco algum. Quando a profundidade é de cerca de 6 metros ou menos, a maioria das pessoas relaxa e não se preocupa em exigir certificações ou de investigar a operadora ou pessoa com quem vai fazer o mergulho. O que a maioria esquece é que mesmo uma profundidade de apenas dois metro já apresenta alguns riscos para o mergulhador não preparado. O mergulho é um dos esportes mais seguros que existe, mas se não forem respeitados os limites de profundidade e tempo de fundo a pessoa não somente pode se machucar seriamente, mas coloca sua vida em risco.

Mergulhador exibindo dores de cabeça após
realizar um mergulho sem as paradas de
segurança. 
Pessoas que se dizem instrutores de mergulho oferecem batismos a preços muito menores que um mergulhador certificado. E quem resiste a uma boa pechincha? Mas quando se trata da sua saúde você deveria. Quando optar por fazer um batismo peça a certificação da pessoa que vai com você. Pergunte que curso ele ou ela fez. Peça referências a outras pessoas. E nunca ache caro (o valor que seja) pagar por um profissional devidamente qualificado quando se tratar da sua segurança.

Quem já pulou numa piscina funda deve lembrar de ter sentido dorzinha de cabeça na parte frontal logo acima ou ao redor dos olhos. Nessa região do nosso corpo há ar e quando esse ar é comprimido quando mergulhamos sentimos dor. Essa situação é para ilustrar o que acontecesse com nosso corpo quando mergulhamos. Da mesma forma que a poucos metros já há compressão do ar, quanto mais fundo vamos mais perigoso essa compressão vai ficando. Sem as orientações adequadas, ar pode ficar preso no nosso corpo em diversos locais causando desde problemas "leves" como uma coceira subcutânea até problemas sérios como paralisia ou morte.

Batismo realizado na Lagoa de Itarema
Outra situação é que muitas dessas empresas que se dizem "operadoras" de beira de praia, além de não terem alguém certificado para garantir a segurança de quem faz o batismo, usam equipamentos de baixa qualidade e/ou sem a devida manutenção. Os equipamentos de mergulho são a peça chave para garantir a sua segurança quando debaixo d'água. Sem usar os equipamentos adequados ou sem a devida manutenção coloca-se a vida em risco.

Então fique atento a quem você confia sua vida.

Quando em Fortaleza, procure a Mar do Ceará para um batismo no mar ou no local mais procurado: Itarema! Para maiores informações entre em contato!

Fonte:

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Insight sobre mergulho em caverna

Mergulhadores tailandêses verificando o nível da água no túnel.

Este mês, o mundo acompanhou um resgate emocionante na Tailândia. Mergulhadores se tornaram heróis. E mais uma vez se levantou os riscos e perigos do mergulho. Do mergulho em caverna. O mergulho recreativo é estatisticamente considerado um dos esportes mais seguros que existem, enquanto o mergulho em caverna é considerado um dos mais perigosos. Assim sendo, alguns esclarecimentos em relação ao que aconteceu na Tailândia.

Mergulho em caverna. Fonte: https://www.leisurepro.com
Antes de mais nada é preciso lembrar que há vários tipos de mergulho. Mergulho em caverna é uma categoria a parte. Tanto a PADI quanto a NAUI (associações que regulamentam e emitem certificações a mergulhadores) e as outras certificadoras consideram o mergulho em caverna uma especialidade. Algo a se fazer DEPOIS de se ter um curso de mergulho básico. Um tipo de mergulho para o qual é necessário já ter alguma prática e experiência no mergulho recreativo.

De acordo com Clecio Mayrink, um dos idealizadores do site Brasil Mergulho e experiente mergulhador de caverna, uma das principais causas de morte em caverna é a falta de técnica do mergulhador. Isso para se explicar porque tanto nervosismo ao se retirar os meninos da caverna na Tailândia. O mergulho autônomo recreacional por si só já traz suas dificuldades para um iniciante, como se acostumar com o equipamento e a respiração. Num mergulho em caverna em que se requer um mínimo de experiência, explica-se o nervosismo em escolher essa forma de resgate. E por isso se escolheu sedar os meninos. Entrando em pânico durante o mergulho eles colocariam em risco não somente as próprias vidas como as dos mergulhadores de resgate. Assim, desacordados, foi possível se fazer a retiradas deles em segurança.

Entrada da Mina da Passagem, na cidade de Mariana, Minas Gerais 
Apesar de todos os riscos envolvidos num mergulho em caverna (trata-se de um lugar apertado, que muitas vezes tem apenas uma entrada, é em geral escuro, etc.) muitos escolhem esse tipo de mergulho.  Em busca de cenários que não podem ser vistos em nenhum outro lugar, sem contar cenários que poucos terão acesso, todos os anos várias pessoas de diversos países se especializam nessa atividade. Além disso, alguns mergulhadores buscam a emoção de um mergulho que tem mais dificuldades e que forçam os limites de cada um. Esse foi um dos motivos que levou Michael Will, cearense de Fortaleza, farmacêutico, a buscar essa experiência em Minas Gerais, na Mina da Passagem. "Doido pra se tornar instrutor de mergulho" nas palavras dele, fez a escolha desse mergulho por acreditar que melhoria sua habilidade como mergulhador. A maior dificuldade para ele foi se acostumar com locais apertados e o equipamento (mergulho em caverna tem todo um equipamento diferenciado do mergulho autônomo). Ao mesmo tempo ele achou a experiência parecida com o mergulho em naufrágio, atividade para a qual ele já tem certificação.

Michael Will mergulhando na Mina da Passagem, Mariana, Minas Gerais
A Mina da Passagem trata-se de uma categoria dentro do mergulho em cavernas, por tratar-se de uma estrutura feita pelo ser humano, ao contrário das formações naturais. Ainda assim, os riscos e perigos são os mesmos. Este ponto de mergulho assim como outros já teve trechos bem mapeados e que são constantemente monitorados, garantindo assim, segurança para quem começa na atividade. No caso específico da Mina da Passagem uma curiosidade. A partir de um determinado ponto, o mergulho torna-se mais difícil e arriscado, assim o aviso: a partir dali apenas mergulhadores experientes! O que é usado para marcar esse ponto? Um boneco bem assustador.

Para quem não tem medo de lugares apertados e que gosta de um visual cênico bem diferente e único, fica a dica: mergulho em caverna! Em geral, há pouca vida nesses lugares, mas mesmo assim os cenários podem ser belíssimos. 






Fonte:
http://www2.padi.com/blog/2013/03/26/cave-diving-a-hidden-world-awaits/
http://www.brasilmergulho.com/porque-mergulhadores-morrem-em-cavernas/
https://www.thephuketnews.com
https://www.vox.com/2018/7/11/17561932/thai-cave-rescue-boys-stretcher https://www.leisurepro.com/blog/scuba-guides/cave-diving-enter-underground-world/
http://www.divegold.com.br/minadapassagem.html
http://www.altomarmergulho.com.br/cavernas-pelo-mundo-mina-da-passagem/

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Mulheres: como prender o cabelo antes do mergulho?

Nossa querida mergulhadora Lais antes de aprender como controlar os cabelos!

A cabeleira feminina é algo muito difícil de controlar embaixo d'água. Pode se tornar até uma questão de segurança! Sem excluir o uso da tesoura, seguem cinco dicas para dominar os cabelos revoltosos.




1. Faixinha ou bandana. O uso de uma faixa de cabelo ou uma bandana evita que o cabelo entre na máscara ao coloca-la. Esse acessório simples já ajuda bastante mas deve ser usado em conjunto com outras técnicas.





2. Trança Embutida. As tranças são formas bem eficientes de prender o cabelo. Use sua criatividade! Faça uma trança diferente em cada mergulho!






3. Ligas de Cabelo. Ao colocar várias ligas de cabelo você tem a redundância exigida no mergulho técnico! Nossa amiga Anistela Nunes mostra como!






4. Neoprene de Máscara (ou strap mask). Ao colocar uma faixa de neoprene envolvendo as ligas de silicone da máscara você evita que o cabelo "grude" nas ligas, facilitando o uso!


5. Faca ou Tesoura. São ferramentas recomendadas para livrar o mergulhador de um... enrosco! E se seu cabelo enroscar em algo no seu equipamento ou no ambiente? Pode parecer absurdo mas se seu cabelo ficar definitivamente preso o uso de uma faca ou tesoura pode ser a única solução. Por este motivo prefira uma das quatro técnicas anteriores!

* Touca de silicone. Não funciona bem e seu uso não é recomendado. 

Você pode combinar todas as quatro dicas! Mas se ainda assim seu cabelo insiste em se espalhar...


Ainda não é mergulhadora? Clique aqui e saiba como descobrir o mundo submarino!

Gostou desta matéria? Leia também Mulheres no Mergulho!

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Mergulho Consciente: boas práticas para bons momentos

por João Ravelly
Mergulhador no Cabeço do Arrastado, no Parque Estadual Marinho.
Para quem gosta de mergulhar, encontrar uma grande diversidade de animais e vegetais em seus mergulhos é a melhor parte e principal objetivo para a maioria. Não precisa conhecer e conseguir identificar cada ser vivo que conseguimos visualizar para ficarmos encantados com suas diversas formas, cores, movimentos. Peixe cor-de-rocha ao vermelho e amarelo intensos; pequenos e grandes mamíferos; coloridas e curiosas algas.

Sabemos o quão importante são esses seres vivos para a manutenção do equilíbrio do ambiente aquático, bem como sua importância para os animais terrestres, seja como presas ou predadores. Mas nem sempre vemos todos os seres vivos que estão ao nosso redor, e na água não poderia ser diferente.

Diversos animais bem pequeninos tem no solo marinho sua moradia e ambiente para busca de alimento. Outros tem unicamente as rochas, seja pelo fato de não conseguir nadar livremente, seja pelo fato de apenas conseguir andar. E são esses os seres vivos que mais sofrem impactos que podem comprometer suas vidas.

Esponjas e corais encrostados
 em rochas marinhas.
Nos cursos de mergulho aprendemos a manter sempre os nossos equipamentos presos ao nosso corpo, para que eles não saiam arrastando na areia e pedras, danificando a vida subaquática. Mas poucos de nós somos orientados a não mexer em tudo o que vemos. Bem, até somos, mas com o enfoque em nossa segurança, não na preservação do meio.

Mergulhar com equipamentos soltos que arrastam no chão ou que possam bater em rochas; bater as nadadeiras em corais, esponjas; tocar indiscriminadamente nos animais; remover, mover, virar rochas; todas essas ações são potenciais agressoras ao meio ambiente aquático.

Mergulhador próximo ao solo,
 mas mantendo uma boa flutuabilidade.
"Mas, então a solução seria não mergulhar mais?"
Claro que não! O mergulho é motivador de preservação em muitas áreas importantes para a dinâmica ambiental. Além de ser com a ajuda do mergulho que podemos estudar a vida aquática e entender melhor esse ambiente ainda dotado de muitas descobertas!

"Então, como faço pra mergulhar e não prejudicar o meio?"
Então, além de evitar fazer o que já foi dito, entender que toda e qualquer ação tomada em um mergulho acarreta muitas consequências; estar informado das ações que podem ser executadas e, principalmente, das que devem ser evitadas; mergulhar com profissionais qualificados para que possam lhe orientar antes, durante e depois do mergulho.

"Quero mergulhar tranquilo e não quero ficar lembrando de todas essas recomendações! Qual a principal delas?"
Mergulhe conscientizado, principalmente para continuar desfrutando de tudo o que você verá!


quarta-feira, 4 de maio de 2016

"Quero mergulhar, mas sou míope!": Máscara com Grau pode resolver

Não só a miopia, mas a hipermetropia e o astigmatismo são condições de visão cada vez mais comuns e não é muito difícil encontrar alguém que use óculos. Hoje, com ajuda do avanço tecnológico na produção de lentes, não é muito difícil a produção de lentes que auxiliem na correção dessas condições para o dia a dia.

A necessidade do uso de óculos.

Óculos e lentes de contato são facilmente adquiridos para serem usadas em todas as ocasiões, mas será que podem ser usados em mergulho? Bem, os óculos ficam difíceis de usar por baixo da máscara de mergulho, mas e as lentes de contato?

As lentes de contato não são muito recomendadas para mergulhos pelos riscos que envolvem seu uso. O principal é um alagamento acidental da máscara de mergulho, podendo aumentando as chances de perder a lente e ter que interromper o mergulho devido a incapacidade de visualização embaixo d'água. Outro risco é a maior chance de contaminação da lente por bactérias que possam se alojar na lente e gerar infecções oculares.
O uso de lentes de contato.
Quem usa lentes de contato sabe dos desafios diário quanto o assunto é manuseio e higienização delas, uma vez que, se elas entram em contato com algum líquido que não seja a solução fisiológica própria, as lentes podem estragar, comprometendo seu uso.

Para se ter uma noção, a concentração de sais das soluções próprias para lavagem de lentes de contato é cerca de 0,9%, enquanto que a água do mar possui uma média de 3,5% e a água dita 'doce', entre 0,4 e 0,5%. Essas concentrações de sais, tanto da água doce, quanto da salgada, geraria problemas na lente.

 Então quem tem condições especiais de visão não pode mergulhar? Sim, elas podem sim! Pequenos valores de grau podem ser corrigidos pela própria água e pelo "grau" do material em que a máscara é feito, principalmente nos casos leves de hipermetropia. Mas, e se o grau for maior, tem como mergulhar? Sim! Com máscaras de mergulho com grau! Isso mesmo. Lembra sobre o avanço tecnológico na fabricação de lentes? Então, esses avanços também chegam ao mergulho e há óticas especializadas na produção de lentes para serem adaptadas em máscaras de mergulho.

Máscara de mergulho adaptada com grau.
Mas essas adaptações podem não estar acessíveis financeiramente, mas que é vantajoso, é! A ótica Santista Class Optica é tradicional e experiente na fabricação de lentes adaptadas à mascaras de mergulho. A loja é sediada em São Paulo e foi com o responsável técnico Márcio Garcia Groegel que esclarecemos nossas dúvidas. 

E aí? Como ocorrem a adaptação das lentes?
"A adaptação de lentes corretivas em máscaras de mergulho é um trabalho artesanal e que envolve vários fatores para o sucesso do serviço e consequentemente de uma boa visão subaquática. Atualmente o mercado só fabrica blocos de cristal com diâmetro de 65 milímetros e ainda assim é difícil encontrar, pois esse material esta caindo em desuso, por essa razão as máscaras mais indicadas são as com desenho de olho pequeno, como por exemplo a Omer Bandit."

Modelo mais indicado para o
processo de adaptação.

O que é preciso saber além disso?
"Ainda que o olho da máscara seja pequeno, dependerá muito da distância pupilar do usuário, para saber se a lente corretiva irá cobrir toda a lente da máscara. Outro detalhe é a correção do usuário. Dependerá da receita , saber se é possível ou não fazer o serviço."

Como é feita a lente?
"Nós precisamos fazer uma lente a partir de um bloco bruto de cristal, aonde deixamos uma face da lente plana, para posteriormente fundir essa ao vidro original da máscara. Para um óculos, é diferente, pois a lente possui geralmente as duas faces curvas."

E quanto aos custos e tempo de serviço?

Formato das lentes: plana de um 
lado, curva de outro.
"O valor de um par de lentes em cristal highlite, monofocal é de R$ 380,00. Eu costumo pedir 20 dias de prazo para fazer, pois como comentei anteriormente, é um serviço que está em desuso e preciso parar tudo que estou fazendo para me dedicar somente a esse par de lentes de cristal. Muitas vezes as lentes quebram e precisamos recomeçar do zero todo o processo. Se existir correção para longe e para perto, daí terei que fazer 2 pares de lentes...continuaremos tendo dois focos (bifocal), mas neste caso o valor seria de R$ 760,00, pois precisarei de dois pares de lentes para neutralizar os 'vícios' refrativos do usuário."

Lentes e máscaras em adaptação.

Certo! O que preciso mandar para ter minha máscara adaptada?

"Sempre oriento os clientes, a adquirirem a máscara e, antes de nos enviar, efetuar a marcação de forma correta, da distância pupilar. Com essa informação realizamos algumas ponderações aqui na empresa, pois quando mergulhamos, não estamos na posição ereta...geralmente estamos 'deitados' e muitas vezes olhando pra cima (quando descemos), o que foge muito da nossa maneira de se locomover em terra, onde olhamos sempre pra frente e baixo... É possível ainda fazer correção somente para perto, no caso adicionamos duas películas na parte inferior do vidro da mascara, fazendo uma lente bifocal. Lembro sempre que, cada caso é um caso..."

Então, suas dúvidas foram esclarecidas? Já está pronto para investir em uma máscara de mergulho adaptada e deslumbrar de todas as belezas do Mergulho no Mar do Ceará?
Processo de adaptação: lentes
em montagem na máscara.

Agradecimentos:
Ao responsável técnico da Santista Class Optica, Márcio Garcia Groegel, pela disponibilidade em esclarecer os questionamentos e disponibilizar as imagens das máscaras e montagem. A ótica possui site próprio e responde às dúvidas e pedidos por meio dos contatos disponíveis em seu site.

Referências Fotográficas
Lente: http://imguol.com/2013/01/17/o-estudante-de-fisica-renato-amaro-golin-21-que-usou-lentes-de-contato-validas-por-um-ano-dos-12-aos-17-anos-1358436813661_1024x768.jpg;


Óculos: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgdn3iA5enhi3r9dJv_wKw53I74RnI9XpMVr4EiERS7w0mmRBU0kYrXWXgSeRC3KePdfT_TW0rgijKEDVpf_wfHyGxBs4wUiXdBmkfdxyTS4D5NLUe3Cv7KKMsQSYI6sjrDZhNu8Dn_M9U/s320/u0005230big.jpg

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Mergulho e pressão: como equalizar o ouvido?



Quando mergulhamos somos submetidos a uma pressão maior da qual o nosso corpo funciona naturalmente. Essa pressão é sentida principalmente nas vias aéreas do corpo. Aquela dor que sentimos ao mergulhar mais fundo ou quando viajamos de avião: isso é o nosso corpo respondendo à pressão.

O corpo humano é, em sua maior parte, composto de água porém existem áreas que possuem ar  ou outros gases como os ouvidos, os seios faciais (espaços dos nossos ossos e crânio preenchidos por ar e que se interligam a cavidade nasal),  pulmões, o estômago e o intestino, e quando usamos equipamentos de mergulho a máscara mantém um espaço aéreo junto a face que compreende o olhos e nariz. Essas áreas com ar são as que mais sentem a pressão exercida no nosso corpo quando mergulhamos. 

O ouvido e o sistema de equilíbrio necessitam ser preparados para receber essa pressão, seja em mergulhos de pouca profundidade até mergulhos com teto, como naufrágios e cavernas. Para regular essa pressão no corpo quando mergulhamos devemos utilizar algumas manobras para equalizar corretamente esses espaços aéreos. A omissão ou a incorreta realização desse procedimento pode levar o mergulhador a sofrer um barotrauma, uma lesão causada pela pressão. No ouvido essa lesão pode ser séria e causar a ruptura do tímpano, nos seios faciais pode causar dores muito fortes na face do rosto, até mesmo hemorragias em casos mais graves. A máscara também deve ser equalizada, e a sua não regulação também pode causar um barotrauma facial.


O primeiro passo para mergulhar é fazer um curso de mergulho para aprender as técnicas básicas corretamente sob a supervisão de um instrutor. Durante a descida melhor método pode variar para cada pessoa. Ao submergir devemos realizar os procedimentos para a regulação dessa pressão a cada metro (ou menos) de profundidade antes mesmo de sentir qualquer desconforto nos ouvidos, nos seios faciais e na máscara.

Algumas formas eficazes de se obter a equalização são:

  • Pinçar as narinas entre os dedos e soprando suavemente contra ele. Este procedimento vai enviar ar para dentro das suas vias aéreas e seios faciais. 
  • Movimentar a mandíbula de uma lado para o outro e engolir saliva. 
  • Fingir um bocejo, mexendo a mandíbula para frente e para baixo. Essa técnica é um pouco mais avançada porque o mergulhador está com o regulador na boca. 
  • Para a máscara, que também deve ser equalizada, a ação de soprar um pouco de ar pelo nariz, assim a máscara será regulada. Mas cuidado para não retirar a máscara. 
  • Desça com os pés para baixo, isso facilita a equalização correta. 
  • Esteja sempre atento se o seu dupla está conseguindo equalizar corretamente, com sinalizações próprias para isso. 


Atenção: nunca force a equalização, se estiver tendo dificuldade para realizar a equalização sinalize para o seu dupla e suba alguns metros, espere alguns minutos e tente novamente.

A equalização para ser bem sucedida não se deve estar com as vias aéreas obstruídas, como gripado, resfriado, com sinusite ou crises alérgicas. Não é recomendado mergulhar com nenhum desses sintomas, ou ter tomado um descongestionante ou remédio que mude esses sintomas, pois quando submerso o seu metabolismo é diferente, assim podendo passar o efeito desse analgésico e o mergulhador não poder equalizar de forma adequada, podendo adquirir alguma lesão.

E durante a subida também preciso equalizar?
Ao emergir normalmente nosso organismo se ajusta naturalmente à pressão. No entanto, se tiver com algum dos sintomas mencionados acima, seu corpo pode ter dificuldade de equalizar naturalmente durante a subida. Isto é chamado bloqueio reverso. Caso isto aconteça o mergulhador não deve deve continuar a subida forçando a equalização desses espaços obstruídos. Ao contrário, ele deve descer alguns metros para aliviar a pressão para só então tentar subir novamente e repetir esse procedimento quantas vezes for necessário.

É aconselhado que antes de mergulhar se tenha dormido oito horas de sono, evitar bebidas alcoólicas na noite anterior e no dia do mergulho, alimentação de coisas leves, pequenas atitudes vão ajudar o corpo na hora de regular a pressão exercida.

A equalização é algo simples a ser executado, porém necessita de atenção, domínio das técnicas e paciência para realizá-la. É muito importante para a saúde do mergulhador aprender e executar corretamente esse procedimento. Entrar na água, mergulhar e sair com saúde é extremamente prazeroso, seguindo esses protocolos básicos o mergulhador pode aproveitar de todas as formas o que o mar tem pra oferecer.

Fique atento ao realizar as manobras de equalização e qualquer dúvida pergunte ao seu instrutor ou à sua escola de mergulho.


Referências:
Manual Open Water Diver PADI

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Porque não devemos ter medo de tubarões?

Tubarão Lixe e mergulhador em Fernando de Noronha

Tubarões são animais marinhos, que pertencem ao grupo dos elasmobrânquios, os peixes-cartilaginosos. Esses animais que podem medir de 12 metros de comprimento como o tubarão-baleia, até 20 centímetros de comprimento como o tubarão-lanterna.

No século 16 s tubarões eram chamados de ''cachorros do mar'', o nome tubarão só foi mencionado apenas em 1569 por um marinheiro, Sir John Hawkings, que usou a expressão ''sharke'', tubarão em inglês. Assim firmando um nome oficial ao animal.

Os tubarões atualmente são vistos como um perigo, mas eles exercem funções primordiais dentro do ecossistema marinho. O tubarão-tigre tem grande importância ecológica além de sua estada na cadeia alimentar, onde essa espécie normalmente procura sua caça em águas rasas em formações de camas de algas, ele vai em busca de peixes-boi e tartarugas, que se alimentam dessas camas. Porém os peixes-boi e as tartarugas evitam esses locais para não serem caçados, então os tubarões-tigre vão em busca em águas mais profundas, deixando a cama de algas livre para peixes e crustáceos se desenvolverem, compactuando com a pescaria humana e o uso recreativo.
Lixas no Naufrágio Macau, em Fortim

Outra função importante desses animais é a manutenção da salubridade dos oceanos, os tubarões como os leões ou outro carnívoro terrestre se alimenta dos animais mais fracos, doentes, feridos ou mortos. contribuindo com a manutenção de infecções e doenças nas populações de peixes e outros animais marinhos. Esses animais são muito visados também na medicina, onde podem exercer várias atividades, uma delas é o extrato da sua cartilagem que é usada no tratamento de doenças osteo-articulares e de queimaduras.

A alimentação desses animais é baseada em:
Os tubarões carnívoros seguem uma dieta regular de peixes, crustáceos, lulas, polvos, tartarugas, 
raias, leões marinhos e outros tubarões.
Os tubarões filtradores se alimentam de animais microscópicos, zooplânctons, fitoplânctons e macro-algas.

Os tubarões são animais tidos como ameaçadores e perigosos, mas poucos tubarões realmente são perigosos e atacam os seres humanos propositalmente, muitos ataques ocorrem como uma forma de erro, como os tubarões carnívoros podem nós confundir com usuais presas, como tartarugas ou leões marinhos. Os tubarões que mais podem exercer ameaça aos humanos são os: Tubarão-branco, tubarão-touro e tubarão-tigre.

O Tubarão-branco quando ataca um ser humano foi por erro de identificação: o surfista, banhista ou mergulhador são confundidos com o potencial alimento. 

O Tubarão-touro também podem atacar por erro de identificação da presa, mas uma das causas de maior ataque é a relação de banhistas ou mergulhadores como invasores, pois essa espécie é bastante territorialista. O tubarão-touro se sente desprotegido com a presença humana. Porém essa é uma informação pouco informada aos frequentadores das prais.

Já o Tubarão-tigre na maioria de seus ataques está em procura de tartarugas pela costa, e por sua visão pouco aguçada como as outras espécies, confundi o surfista, banhista ou mergulhador como uma presa.

A relação dos homens com os tubarões está muito abalada, o motivo são os ataques que os seres humanos sofreram ao longo do tempo desses animais e a pouco informação gerada em cima desses acontecimentos, levando a população ficar desinformada das causas reais dos acontecimentos.  A maioria dos ataques podem não vir dos animais, por se sentirem ameaçados ou com necessidade de alimentação, muitos desses animais não são vilões dos oceanos, são calmos e podem até interagir de forma positiva com banhistas e mergulhadores, como o tubarão-dormidor e o tubarão-lixa, muito
Tubarão-lixa encontrado na Praia de Fortim.
encontrado no Ceará, uma característica desses animais é que ficam no fundo do mar, são formas de atividades noturnas, assim passando a maioria do dia dormindo. Um dos problemas em ataques com essas espécies é de forma provocativa, onde o animal for perturbado de alguma forma, mexendo em sua cabeça ou puxando sua calda. Assim levantando uma questão muito importante relacionada a esses animais e suas interações com os homens: Quem realmente é o vilão?

O mar é o ambiente desses animais, onde eles desempenham suas funções como todo os outros animais, seja marinho ou terrestre. Mas quando há uma perturbação no ambiente esses animais também sofrem, mesmo sendo visto como um animal muito forte. Um dos casos de maior pertubação no ecossistema marinho é na Praia de Boa Viagem em Recife, onde há um número elevado de registros de ataques desses animais. Porém as causas porque esses ataques ocorrem não é totalmente difundida, assim levando o animal a ser caçado e ainda mais reforçando a imagem vilã do tubarão.

O que provavelmente ocorreu na Praia de Boa Viagem foi o fechamento dos rios que desaguavam no mar, impedindo o acesso dos animais aos rios em busca de alimento, a criação do Porto de Suape que acaba trazendo muitos detritos com os navios, esses detritos acabam sejam despejados no mar, sem acesso aos rios os tubarões vão em busca de alimento onde há mais incidência de peixes e outros animais, perto da orla, pois onde estão os detritos deixados pelos navios criando um novo ecossistema. Sem fazer um apontamento da pesca desenfreada e sem fiscalização, mais um fator importante nessa perturbação, retirando o alimento desses animais.

O Ataque em Fernando de Noronha
Fernando de Noronha é muito visado por suas belezas naturais e por não haver essa ''ameaça animal'' aos frequentadores. Após 20 anos de monitoramento na área foi registrado o primeiro ataque a um banhista no mês de dezembro de 2015. Fernando de Noronha é um local muito preservado, onde se há um equilíbrio entre a vida marinha e a interatividade humana, quando se pretende mergulhar há uma precaução, onde o mergulhador deve contatar uma empresa regularizada para poder fazer seu mergulho. Os banhistas não fogem as regulamentações do lugar, onde todos devem usar coletes para poder desfrutar as belezas naturais do local.

O ataque ao banhista ocorreu no dia 21 de dezembro deste ano, ao um turista que estava na praia do Sueste, uma das mais frequentadas do lugar. A vítima foi o contador Márcio de Castro Palmas, de 32 anos. Onde ele relata que estava no mar com profundidade de dois metros observando os peixes, quando observou uma movimentação, com a água turva ele não pode observar o animal de fato. Mas ele relata que não foi muito bem informado sobre tubarões na área, sendo restrita apenas ao fato que haviam tubarões pequenos e que não tinham força de lhe machucar. O animal que atacou o turista foi um tubarão-tigre, que foi constatado pela mordida do animal. Como citado anteriormente esses animais tem a visão pouco limitada, e a água com visibilidade turva como relatada pelo turista evidencia o fator de o tubarão estaria em busca de seu alimento, as tartarugas. Confundindo o contador que estava de colete salva-vidas com uma presa. O que é mal informado pela mídia é o fato de que na praia do Sueste não ocorrem apenas tubarões-lima e tubarão-lixa, que vivem em águas mais profundas, e não possuem dentição para arrancar algum membro de uma pessoa ou animal, por sua adaptação de alimentação. Ocorre também o tubarão-tigre, como é omitido pela mídia, no local há um grande número de tartarugas que são alimento pra esse animal, assim um turista observando essas tartarugas se torna visado, sendo confundido com uma.

Ataques no Ceará
Na nossa terra também temos tubarões, mas há poucos ataques aos frequentadores das praias, onde quando se mergulha se encontra em maior quantidade o tubarão-lixa, que é um animal dócil e de fácil interação. Onde cabe ao frequentador se informar do histórico da praia com um salva-vidas ou bombeiros, para saber os riscos de sofrer um ataque.
Tubarão-lixa preso em rede fantasma.


Devemos atentar que esses animais são silvestres e seguem seu instinto de alimentação como outros animais, a maioria dos problemas de ataques é a interação de forma totalmente negativa a vida marinha. Essa vida está sendo ameaçada de todas as formas possíveis, onde ela é frágil e tende a se desenvolver menos. Não só os tubarões sofrem com a pesca desenfreada, a descarga de lixo nos mares, teste com bombas em meio aos mares fragilizando e matando muitas formas marinhas.


Os tubarões são pescados a toneladas todos os dias, e mutilados, para o uso no prato de sopa de barbatana de tubarão. Não se descrimina fêmeas grávidas, filhotes ou adultos em períodos reprodutivos, não se tem nem a pesca de forma sustentável, sendo criada em cativeiro o que seria o correto para o consumo, não sendo retirada de seu habitat natural para o prato de alguém. Mas isso ocorre com qualquer vida terrestre. Foi capturado mais de 1,500 toneladas de tubarões azuis para o uso em culinária, em 2008, como informa o Ministério do Meio Ambiente. Tentando combater esse crime ambiental em 2014 foi publicada uma Instrução Normativa Interministerial, pelos Ministério da Pesca e Aquicultura e do Meio Ambiente, exigindo o desembarque de tubarões e raias com todas as nadadeiras aderidas ao corpo, sendo retiradas após fiscalização, garantindo a erradicação da prática errônea.

Mergulhador Ruver Bandeira mergulhando com tubarões-cinzentos-do-recife, Em Nassau, Bahamas.
É importante atentar que esses animais, quando em seus ecossistemas totalmente equilibrados e não sofrendo essa interação negativa, são totalmente estáveis e pode-se mergulhar e observa-los de perto com pouca porcentagem de risco, como são animais silvestres deve-se sempre atentar a instruções de como agir e obedecê-las, tendo precaução em todos os momentos em que estiver em contato com os animais, conversar com mergulhadores experientes e buscar instrução é a melhor forma de se obter essa experiência única e engrandecedora da observação e conhecimento da vida marinha.

Os mergulhadores tem esse prazer de ver mais de perto esses animais, o mergulho com tubarões é totalmente viável, quando se  tem consciência ecológica de preservação, o vislumbre dessas formas de vida já uma dádiva concedida. 

Mergulho com tubarão Galha Preta em Abrolhos (BA).


Tubarão-Lixa solto de uma Rede de Pesca por Mergulhadores, Naufrágio Macau.
              
Referências:
http://noticias.terra.com.br/ciencia/animais/nao-ha-motivo-para-ter-medo-de-tubarao-afirma-biologo,781eb30ff54f0410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html
http://pt.wikihow.com/Superar-o-Medo-de-Tubar%C3%B5es
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/e-para-ter-medo/
http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/ameaca_a_tubaroes_desestabilizam_ecossistemas.html
http://topbiologia.com/menor-tubarao-do-mundo/
http://www.mundodosanimais.pt/peixes/fotos-tubaroes/
http://mundo-marinho.mundoentrepatas.com/os-tubaroes.htm
http://www.naturezaeconservacao.eco.br/2015/02/tubaroes-sera-mesmo-que-sao-os.html
http://www.saudeanimal.com.br/tubarao.htm
http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/ameaca_a_tubaroes_desestabilizam_ecossistemas.html
http://www.felixlandiamg.com.br/portal/index.php/component/content/article/22-ultimasnoticias/938-por-que-os-tubaroes-atacam-os-seres-humanos
http://www.biologo.com.br/tubarao/ataque.html
https://pt.wikipedia.org/wiki/Tubar%C3%A3o#Etimologia_e_significado
http://navegadormarroquino.blogspot.com.br/2013/01/brasil-tubaroes-assassinos-ou-vitimas.html
http://ambienteediversidade.blogspot.com.br/2013/07/causas-dos-ataques-de-tubarao-em-recife.html
http://www.oeco.org.br/blogs/especies-em-risco/27234-o-pacifico-tubarao-lixa/
http://ciencia.hsw.uol.com.br/ataques-de-tubarao.htm
http://g1.globo.com/pernambuco/noticia/2015/12/bati-nele-para-soltar-mas-ja-estava-sem-braco-diz-vitima-de-tubarao.html
http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2015/12/banhista-atacado-por-tubarao-em-fernando-de-noronha-perde-um-braco.html
http://www.opovo.com.br/app/fortaleza/2015/01/30/noticiafortaleza,3385593/relembre-casos-de-tubarao-na-orla-cearense.shtml

terça-feira, 13 de outubro de 2015

Hipotermia no Mergulho: como evitar

Mergulhadores com roupa de exposição seca
Quando mergulhamos, nosso corpo fica em contato direto com a água e o alto calor específico desse líquido permite que ele possa ceder ou absorver muita quantidade de calor sem que haja alteração no seu estado físico, devido a essa característica, a água absorve calor cerca de 20 vezes mais rápido que o ar na mesma temperatura. Isso significa que o seu corpo pode esfriar rapidamente mesmo em águas com temperaturas tão quentes quanto 30°C/86°F.

Sem uma roupa de exposição adequada, seu corpo esfriará depois de algum tempo, embora você possa permanecer confortável tempo o suficiente para aproveitar um mergulho.

Se o seu corpo esfria deliberadamente, você está com hipotermia. A hipotermia é a perda de temperatura corporal e acontece quando a temperatura normal do seu corpo, que é 37°C/98.6°F, fica a uma temperatura inferior a 35°C/97°F e acarreta em uma alteração no seu metabolismo.

Para permanecer confortavelmente aquecido e evitar uma hipotermia enquanto mergulha, você deve escolher uma roupa de exposição adequada para o ambiente que deseja mergulhar - uma roupa úmida ou seca - para isolar termicamente o seu corpo.

A hipotermia pode ser classificada em três tipos: crônica, subaguda e aguda.
A crônica é comumente causada por uma enfermidade como um resfriado e em situações como essas, você não está apto ao mergulho.
A subaguda acontece em escala de horas, comumente por permanecer em ambientes frios por longos períodos de tempo.
A aguda é a mais perigosa, onde há uma brusca queda da temperatura corporal (em segundos ou minutos), por exemplo, se uma pessoa for mergulhar sem uma roupa adequada em águas muito frias.


Os sintomas de um quadro de hipotermia:

Inicialmente
Sensação de frio
Espasmos musculares 
As extremidades do corpo apresentam tonalidade cinzenta ou levemente roxeada
Confusão mental 

Casos intermediários
Sonolência
Rigidez muscular
Alterações na memória e na fala 

Casos críticos
Imobilidade ou inconsciência 
Dilatação das pupilas 
Diminuição da frequência cardíaca

Mergulho com roupa de exposição úmida
Geralmente, você precisa de uma roupa de exposição quando mergulha em águas com temperaturas inferiores à 24°C/75°F, mas mesmo em águas mais quentes, a maioria dos mergulhadores ainda usa uma roupa de exposição para um maior conforto. No Ceará a temperatura média da água fica entre 26°C e 28°C o ano inteiro nos permitindo mergulhos bem a vontade com relação a temperatura.

As roupas secas fornecem o melhor isolamento térmico. Você as usa para mergulhos em águas frias ou mais longos, pois como diz o nome, o seu corpo fica totalmente seco devido ao espaço aéreo que existe dentro da vestimenta.

Mas para utilizar uma roupa seca é necessário treinamento apropriado, pois ela interfere na sua flutuabilidade e você precisa equalizar este espaço aéreo durante a descida e liberar esse ar durante a subida, sendo a roupa ligada ao seu regulador por uma mangueira de inflagem.

Mergulho com roupa de exposição úmida
As roupas úmidas são mais simples mas contemplam uma maior amplitude de temperaturas, porque você pode escolher espessuras diferentes e estilos que cobrem mais ou menos partes do seu corpo. O isolamento térmico dessas roupas é feito por uma espuma de neoprene na qual a água penetra e fica aprisionada entre a sua pele e a espuma. O seu corpo aquece rapidamente a água aprisionada e o neoprene desacelera enormemente a perda de calor.

Antes de usar uma roupa úmida você tem que ter certeza de que está no tamanho adequado para você, pois se estiver folgada ela não servirá como isolante térmico, pois a água não ficará aprisionada entre a sua pele e a espuma de neoprene, mas também deve se certificar de que a roupa não está apertada, pois um roupa pequena para o seu corpo será desconfortável e você não vai aproveitar tão bem o mergulho.

Contudo, se mesmo com a roupa de exposição você estiver apresentando os sintomas de hipotermia, saia imediatamente da água, se seque e busque se aquecer. Você mergulha para se divertir, não para arriscar a sua vida.


Referências

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

O que são Algas Urtigantes?

Por João Ravelly

Diversidade de Cnidários.
O filo Cnidaria corresponde ao grupo que engloba as conhecidas “Algas urticantes”, as hidras, as caravelas portuguesas, os corais, as anêmonas e as águas-vivas. São animais aquáticos com dez mil espécies marinhas e cerca de vinte espécies representantes de água doce; destes, quatrocentos e setenta marinhos e somente sete de água doce são encontrados no Brasil.

 Apresentam duas formas corporais típicas: Pólipo e Medusa. Os Pólipos são tubulares, possuem boca cercada por tentáculos, podendo ser solitários ou viver em colônias e são os organismos sésseis. Enquanto que as Medusas apresentam forma que se assemelha a um sino, com tentáculos, possuindo capacidade de locomoção ao impulsionar a água do meio para mover seu corpo lentamente, como vemos em águas-vivas. Grande parte dos cnidários possui muda entre medusa e pólipo durante seu desenvolvimento, sendo uma dessas formas dominante.


Descrição
Formas de Pólipo e Medusa.
Seu nome deriva do grego (Knide = irritante), são animais que apresentam uma estrutura chamada de ‘Cnidócito’ que corresponde a uma cápsula que armazena um filamento chamado de ‘Nematocisto’. No nematocisto encontra-se uma substancia que gera irritação quando em contato com a pele. O cnidócito é acionado rapidamente por contato, sendo caracterizado como uma estrutura de defesa do animal, podendo estar relacionado também com a captura de alimento quando apresenta substância adesiva ao invés de urticante.

Cnidócito acionado ao ser pressionado
e liberando substância urticante.
São animais relativamente simples, mas não podemos desvalorizá-los, pois apresentam um sistema nervoso difuso em todo seu corpo com estruturas sensoriais para percepção do meio, como Estatocistos, responsáveis por manutenção do equilíbrio, e Ocelos, estruturas fotossensíveis. Apresentam também sistema muscular com duas camadas de fibras musculares que são importantes para movimentação do indivíduo. Quanto à reprodução eles podem se reproduzir a partir da produção de gametas que podem ser liberados na coluna d’água ou por meio de brotamento, quando o indivíduo gera uma cópia de si em seu próprio corpo para depois liberar.

Esse filo apresenta uma grande diversidade de representantes, sendo subdividido em cinco outros grupos menores, a saber: Hydrozoa, que corresponde às hidras e caravelas; Scyphozoa, correspondendo as grandes medusas/águas-vivas; Antozoa, os corais e as anêmonas do mar; Staurozoa, as medusas que possuem pedúnculo, e Cubozoa, as águas-vivas normais.

Diversidade de Cnidários. Os dois da margem superior são comuns no litoral cearense.

Os cnidários são carnívoros e se alimentam de pequenos outros animais presentes na água, podendo ser peixes, pequenos mariscos; de forma que usam os tentáculos para captá-los e introduzi-los em sua cavidade gástrica para que ocorra a digestão.

Alguns animais utilizam pólipos sésseis de cnidários para defesa, colocando-os sobre si mesmo para evitar que predadores os ataquem, em troca os pólipos são deslocados de um lugar para outro. Outros, como o conhecido Peixe-Palhaço, se protegem entre os tentáculos das anêmonas, enquanto as protege do peixe-borboleta.

Acidentes e Primeiros Socorros
Anualmente ocorrem diversos acidentes envolvendo cnidários. Parte deles é por falta de informação. Muitas pessoas não sabem que os tentáculos de águas-vivas e caravelas podem ser maiores que o próprio animal, ou mesmo não sabem identificar um cnidário e acabam tocando em um animal colorido e se machucando gravemente.

Em caso de acidentes com cnidários recomenda-se lavar com água do mar e/ou realizar compressas com água do mar preferencialmente gelada; não utilizar água-doce, pois a mesma provoca o disparo dos nematocistos ainda aderidos ao corpo; retirar cuidadosamente com o auxílio de algum objeto os pedaços dos tentáculos se ainda estiverem aderidos ao corpo, nunca diretamente com a mão, evitando pressioná-los; aplicar vinagre, pois aliviará as dores e a inflamação, além de inativar a toxina residual dos nematocistos ainda não disparados, e nunca lave a área atingida com urina!

É importante entender que os cnidários apresentam grande papel para o ecossistema aquático, seja marinho ou de água doce, principalmente por suas relações com outros indivíduos; e que apenas se defendem ao contato, por isso é importante evitar tocar indiscriminadamente em qualquer coisa que vemos no mar, lembre-se: os animais mais perigosos tendem a ser bonitinhos e coloridinhos ou feiosos e com cores vibrantes.
Medusa com longos tentáculos.
Caravela-Portuguesa na água com tentáculos submersos. 
Caravela-Portuguesa encalhada na areia. (Atenção: mesmo que o animal esteja aparentando estar morto, não entre em contato pois sei cnidócitos ainda podem estar carregados)
Coral em desenvolvimento.
Diversidade de Cnidários: hidrozoa marinho.
Diversidade de Cnidários: Hydra fusca.
Diversidade de Cnidários: Hydra litorallis.
Octocorallia, tipo de cnidário, no porto do pecém.

Nota do Editor
São muitas vezes confundidos com algas visto que algumas espécies de vida séssil possuem forma semelhante às algas marinhas. Cnidários urtigantes séssis são observados em todo o litoral cearense sendo muito comuns em naufrágios. No entanto, quando a vítima não é alergica o efeito da peçonha é passageiro.

Fontes:
Livro - Zoologia dos Invertebrados Barnes, Robert D. - Ruppert, Edward E. - Fox, Richard S.;
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