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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Os riscos de um batismo: o barato que pode sair caro

Batismo na Lagoa de Itarema
Num país como o Brasil, com mais de 7 mil km de costa, era inevitável que o mergulho se popularizasse e se tornasse uma opção em várias praias do nosso litoral. No entanto, com a popularização também vieram vários riscos.

O termo batismo no mergulho é quando uma pessoa que nunca fez um curso de mergulho recebe instruções básicas e faz um mergulho acompanhada de um dive master ou instrutor. O problema é que em muitos lugares, não somente no Brasil, mas no mundo, pessoas não certificadas fazem os batismos colocando em risco a vida das pessoas. É a famosa situação em que o barato pode sair caro...e custar sua vida.

Mas quais são os riscos?

Para muitos, um mergulho "raso" parece não apresentar risco algum. Quando a profundidade é de cerca de 6 metros ou menos, a maioria das pessoas relaxa e não se preocupa em exigir certificações ou de investigar a operadora ou pessoa com quem vai fazer o mergulho. O que a maioria esquece é que mesmo uma profundidade de apenas dois metro já apresenta alguns riscos para o mergulhador não preparado. O mergulho é um dos esportes mais seguros que existe, mas se não forem respeitados os limites de profundidade e tempo de fundo a pessoa não somente pode se machucar seriamente, mas coloca sua vida em risco.

Mergulhador exibindo dores de cabeça após
realizar um mergulho sem as paradas de
segurança. 
Pessoas que se dizem instrutores de mergulho oferecem batismos a preços muito menores que um mergulhador certificado. E quem resiste a uma boa pechincha? Mas quando se trata da sua saúde você deveria. Quando optar por fazer um batismo peça a certificação da pessoa que vai com você. Pergunte que curso ele ou ela fez. Peça referências a outras pessoas. E nunca ache caro (o valor que seja) pagar por um profissional devidamente qualificado quando se tratar da sua segurança.

Quem já pulou numa piscina funda deve lembrar de ter sentido dorzinha de cabeça na parte frontal logo acima ou ao redor dos olhos. Nessa região do nosso corpo há ar e quando esse ar é comprimido quando mergulhamos sentimos dor. Essa situação é para ilustrar o que acontecesse com nosso corpo quando mergulhamos. Da mesma forma que a poucos metros já há compressão do ar, quanto mais fundo vamos mais perigoso essa compressão vai ficando. Sem as orientações adequadas, ar pode ficar preso no nosso corpo em diversos locais causando desde problemas "leves" como uma coceira subcutânea até problemas sérios como paralisia ou morte.

Batismo realizado na Lagoa de Itarema
Outra situação é que muitas dessas empresas que se dizem "operadoras" de beira de praia, além de não terem alguém certificado para garantir a segurança de quem faz o batismo, usam equipamentos de baixa qualidade e/ou sem a devida manutenção. Os equipamentos de mergulho são a peça chave para garantir a sua segurança quando debaixo d'água. Sem usar os equipamentos adequados ou sem a devida manutenção coloca-se a vida em risco.

Então fique atento a quem você confia sua vida.

Quando em Fortaleza, procure a Mar do Ceará para um batismo no mar ou no local mais procurado: Itarema! Para maiores informações entre em contato!

Fonte:

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Tenho diabetes, posso mergulhar?

Os dois tipos de diabetes. 
Hoje, quase 7% dos brasileiros têm diabetes. Com tanta gente lidando com essa doença, difícil que alguns não queiram mergulhar. Mas e aí? Quem tem diabetes, pode mergulhar?

No começo, a prática do mergulho era proibida para quem tinha diabetes. Até que em 1996 a DAN (Divers Alert Network) fez uma pesquisa e descobriu que alguns dos mergulhadores cadastrados tinham diabetes. Depois de uma longa e extensiva pesquisa a DAN e a Undersea and Hyperbaric Medical Society criaram diretrizes para que pessoas com diabetes pudessem mergulhar sem problema em 2005. Isso se dois critérios fossem respeitados: 1. a pessoa não tivesse complicações cardíacas e 2. se restringisse ao mergulho recreativo. O mergulho profissional e comercial têm certas exigências que não permitem a prática do mergulho com segurança por quem tem diabetes.
A DAN (Divers Alert Network) recomenda o uso de pulseiras que identifiquem a sua condição de diabético e qual o tipo de diabetes que você tem. 

Para saber mais sobre a doença, consulte o site da Sociedade Brasileira de Diabetes. Existem dois tipos de diabetes, a tipo 1 e a tipo 2. Na tipo 1, a pessoa não produz insulina, que é um hormônio que o corpo usa para colocar glucose da corrente sanguínea dentro da célula. A glucose é um açúcar simples, feito pelo próprio organismo a partir dos açúcares que você ingere quando se alimenta. A diabetes tipo 2 é quando os níveis de açúcar no seu sangue sobem mais do que o normal, causando hiperglicemia. Essa é a forma mais comum de diabetes. Geralmente, ela ocorre porque o seu corpo não consegue produzir as quantidades adequadas de insulina para manter os níveis de glucose dentro do normal.
No Brasil, as pulseiras não são corriqueiras, mas podem salvar sua vida não somente num mergulho. 

A diabetes é uma doença séria que pode levar a morte ou causar danos permanentes no corpo. Apesar de ser facilmente controlada, alguns fatores do mergulho podem dificultar esse controle. No mergulho, por exemplo, é comum estar embarcado o que dificulta acesso a socorro médico. Outro fator a se levar em consideração é o esforço físico, que altera os níveis de açúcar no sangue. Apesar do planejamento correntes inesperadas podem aparecer aumentando o esforço físico. Sem contar que debaixo d'água fica mais difícil monitorar e controlar os níveis de açúcar. Os sintomas como tontura e desorientação podem ser facilmente confundidos com desidratação ou mareação.

Se sua diabetes está sob controle e o seu médico disse que você pode mergulhar, então vá nessa! Mas algumas coisas a se levar em consideração ANTES de mergulhar.
Ainda há desinformação e preconceito em relação a diabetes.
Fonte: Sociedade Brasileira de Diabetes

Lembre-se SEMPRE de informar a escola e/ou operadora de mergulho com a qual você for mergulhar sobre a sua condição antes de partir para o mergulho. Converse com o instrutor e deixe-o a par da sua situação. Programe-se e planeje-se levando tudo o que for necessário e leve em consideração que imprevistos podem ocorrer: condições de tempo podem piorar e fazer com que você fique mais tempo em alto mar do que o previsto; as correntes podem ser mais fortes do que o esperado; pode ser que você precise rebocar o seu dupla do mergulho de volta ao barco; etc. Esses e tantos outros imprevistos podem ocorrer e, sem ser pessimista, considere todos os cenários possíveis e vá preparado.

Mergulhando no mar aberto no Ceará é sempre importante lembrar que as correntes serão fortes em 90% das situações. Ou elas serão fortes na superfície ou no fundo. E muitas vezes elas serão fortes nos dois. Sendo assim, pense que o seu esforço mergulhando aqui será maior. Se estiver tudo ok para um primeiro mergulho de repente pode ser uma ótima ideia fazê-lo em uma área abrigada, que no Ceará uma ótima opção é o Córrego da Volta.

Por fim, na dúvida, não mergulhe! Não está se sentindo seguro quantos aos seus níveis de açúcar? Acha que a corrente está mais forte do que o previsto? Não se sentiu bem na véspera ou dias anteriores ao mergulho? Não há nada de errado em deixar para a próxima vez. Segurança SEMPRE em primeiro lugar!







Fonte:
https://www.diabetes.org.br/publico/artigos-sobre-diabetes/711-a-pratica-de-mergulho-por-pessoas-com-diabetes
http://ipadive.com/blog/2016/04/08/diabetico-pode-mergulhar/
https://www.diversalertnetwork.org/emailView/landing/blogs/divingAndDiabetes/index.html
https://www.diversalertnetwork.org/research/projects/diabetes/index.asp
https://controlaradiabetes.pt/entender-a-diabetes/o-que-acontece-na-diabetes-tipo-2
https://www.scubadiving.com/training/basic-skills/diving-diabetes#page-2

quarta-feira, 4 de maio de 2016

"Quero mergulhar, mas sou míope!": Máscara com Grau pode resolver

Não só a miopia, mas a hipermetropia e o astigmatismo são condições de visão cada vez mais comuns e não é muito difícil encontrar alguém que use óculos. Hoje, com ajuda do avanço tecnológico na produção de lentes, não é muito difícil a produção de lentes que auxiliem na correção dessas condições para o dia a dia.

A necessidade do uso de óculos.

Óculos e lentes de contato são facilmente adquiridos para serem usadas em todas as ocasiões, mas será que podem ser usados em mergulho? Bem, os óculos ficam difíceis de usar por baixo da máscara de mergulho, mas e as lentes de contato?

As lentes de contato não são muito recomendadas para mergulhos pelos riscos que envolvem seu uso. O principal é um alagamento acidental da máscara de mergulho, podendo aumentando as chances de perder a lente e ter que interromper o mergulho devido a incapacidade de visualização embaixo d'água. Outro risco é a maior chance de contaminação da lente por bactérias que possam se alojar na lente e gerar infecções oculares.
O uso de lentes de contato.
Quem usa lentes de contato sabe dos desafios diário quanto o assunto é manuseio e higienização delas, uma vez que, se elas entram em contato com algum líquido que não seja a solução fisiológica própria, as lentes podem estragar, comprometendo seu uso.

Para se ter uma noção, a concentração de sais das soluções próprias para lavagem de lentes de contato é cerca de 0,9%, enquanto que a água do mar possui uma média de 3,5% e a água dita 'doce', entre 0,4 e 0,5%. Essas concentrações de sais, tanto da água doce, quanto da salgada, geraria problemas na lente.

 Então quem tem condições especiais de visão não pode mergulhar? Sim, elas podem sim! Pequenos valores de grau podem ser corrigidos pela própria água e pelo "grau" do material em que a máscara é feito, principalmente nos casos leves de hipermetropia. Mas, e se o grau for maior, tem como mergulhar? Sim! Com máscaras de mergulho com grau! Isso mesmo. Lembra sobre o avanço tecnológico na fabricação de lentes? Então, esses avanços também chegam ao mergulho e há óticas especializadas na produção de lentes para serem adaptadas em máscaras de mergulho.

Máscara de mergulho adaptada com grau.
Mas essas adaptações podem não estar acessíveis financeiramente, mas que é vantajoso, é! A ótica Santista Class Optica é tradicional e experiente na fabricação de lentes adaptadas à mascaras de mergulho. A loja é sediada em São Paulo e foi com o responsável técnico Márcio Garcia Groegel que esclarecemos nossas dúvidas. 

E aí? Como ocorrem a adaptação das lentes?
"A adaptação de lentes corretivas em máscaras de mergulho é um trabalho artesanal e que envolve vários fatores para o sucesso do serviço e consequentemente de uma boa visão subaquática. Atualmente o mercado só fabrica blocos de cristal com diâmetro de 65 milímetros e ainda assim é difícil encontrar, pois esse material esta caindo em desuso, por essa razão as máscaras mais indicadas são as com desenho de olho pequeno, como por exemplo a Omer Bandit."

Modelo mais indicado para o
processo de adaptação.

O que é preciso saber além disso?
"Ainda que o olho da máscara seja pequeno, dependerá muito da distância pupilar do usuário, para saber se a lente corretiva irá cobrir toda a lente da máscara. Outro detalhe é a correção do usuário. Dependerá da receita , saber se é possível ou não fazer o serviço."

Como é feita a lente?
"Nós precisamos fazer uma lente a partir de um bloco bruto de cristal, aonde deixamos uma face da lente plana, para posteriormente fundir essa ao vidro original da máscara. Para um óculos, é diferente, pois a lente possui geralmente as duas faces curvas."

E quanto aos custos e tempo de serviço?

Formato das lentes: plana de um 
lado, curva de outro.
"O valor de um par de lentes em cristal highlite, monofocal é de R$ 380,00. Eu costumo pedir 20 dias de prazo para fazer, pois como comentei anteriormente, é um serviço que está em desuso e preciso parar tudo que estou fazendo para me dedicar somente a esse par de lentes de cristal. Muitas vezes as lentes quebram e precisamos recomeçar do zero todo o processo. Se existir correção para longe e para perto, daí terei que fazer 2 pares de lentes...continuaremos tendo dois focos (bifocal), mas neste caso o valor seria de R$ 760,00, pois precisarei de dois pares de lentes para neutralizar os 'vícios' refrativos do usuário."

Lentes e máscaras em adaptação.

Certo! O que preciso mandar para ter minha máscara adaptada?

"Sempre oriento os clientes, a adquirirem a máscara e, antes de nos enviar, efetuar a marcação de forma correta, da distância pupilar. Com essa informação realizamos algumas ponderações aqui na empresa, pois quando mergulhamos, não estamos na posição ereta...geralmente estamos 'deitados' e muitas vezes olhando pra cima (quando descemos), o que foge muito da nossa maneira de se locomover em terra, onde olhamos sempre pra frente e baixo... É possível ainda fazer correção somente para perto, no caso adicionamos duas películas na parte inferior do vidro da mascara, fazendo uma lente bifocal. Lembro sempre que, cada caso é um caso..."

Então, suas dúvidas foram esclarecidas? Já está pronto para investir em uma máscara de mergulho adaptada e deslumbrar de todas as belezas do Mergulho no Mar do Ceará?
Processo de adaptação: lentes
em montagem na máscara.

Agradecimentos:
Ao responsável técnico da Santista Class Optica, Márcio Garcia Groegel, pela disponibilidade em esclarecer os questionamentos e disponibilizar as imagens das máscaras e montagem. A ótica possui site próprio e responde às dúvidas e pedidos por meio dos contatos disponíveis em seu site.

Referências Fotográficas
Lente: http://imguol.com/2013/01/17/o-estudante-de-fisica-renato-amaro-golin-21-que-usou-lentes-de-contato-validas-por-um-ano-dos-12-aos-17-anos-1358436813661_1024x768.jpg;


Óculos: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgdn3iA5enhi3r9dJv_wKw53I74RnI9XpMVr4EiERS7w0mmRBU0kYrXWXgSeRC3KePdfT_TW0rgijKEDVpf_wfHyGxBs4wUiXdBmkfdxyTS4D5NLUe3Cv7KKMsQSYI6sjrDZhNu8Dn_M9U/s320/u0005230big.jpg

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Mergulho e pressão: como equalizar o ouvido?



Quando mergulhamos somos submetidos a uma pressão maior da qual o nosso corpo funciona naturalmente. Essa pressão é sentida principalmente nas vias aéreas do corpo. Aquela dor que sentimos ao mergulhar mais fundo ou quando viajamos de avião: isso é o nosso corpo respondendo à pressão.

O corpo humano é, em sua maior parte, composto de água porém existem áreas que possuem ar  ou outros gases como os ouvidos, os seios faciais (espaços dos nossos ossos e crânio preenchidos por ar e que se interligam a cavidade nasal),  pulmões, o estômago e o intestino, e quando usamos equipamentos de mergulho a máscara mantém um espaço aéreo junto a face que compreende o olhos e nariz. Essas áreas com ar são as que mais sentem a pressão exercida no nosso corpo quando mergulhamos. 

O ouvido e o sistema de equilíbrio necessitam ser preparados para receber essa pressão, seja em mergulhos de pouca profundidade até mergulhos com teto, como naufrágios e cavernas. Para regular essa pressão no corpo quando mergulhamos devemos utilizar algumas manobras para equalizar corretamente esses espaços aéreos. A omissão ou a incorreta realização desse procedimento pode levar o mergulhador a sofrer um barotrauma, uma lesão causada pela pressão. No ouvido essa lesão pode ser séria e causar a ruptura do tímpano, nos seios faciais pode causar dores muito fortes na face do rosto, até mesmo hemorragias em casos mais graves. A máscara também deve ser equalizada, e a sua não regulação também pode causar um barotrauma facial.


O primeiro passo para mergulhar é fazer um curso de mergulho para aprender as técnicas básicas corretamente sob a supervisão de um instrutor. Durante a descida melhor método pode variar para cada pessoa. Ao submergir devemos realizar os procedimentos para a regulação dessa pressão a cada metro (ou menos) de profundidade antes mesmo de sentir qualquer desconforto nos ouvidos, nos seios faciais e na máscara.

Algumas formas eficazes de se obter a equalização são:

  • Pinçar as narinas entre os dedos e soprando suavemente contra ele. Este procedimento vai enviar ar para dentro das suas vias aéreas e seios faciais. 
  • Movimentar a mandíbula de uma lado para o outro e engolir saliva. 
  • Fingir um bocejo, mexendo a mandíbula para frente e para baixo. Essa técnica é um pouco mais avançada porque o mergulhador está com o regulador na boca. 
  • Para a máscara, que também deve ser equalizada, a ação de soprar um pouco de ar pelo nariz, assim a máscara será regulada. Mas cuidado para não retirar a máscara. 
  • Desça com os pés para baixo, isso facilita a equalização correta. 
  • Esteja sempre atento se o seu dupla está conseguindo equalizar corretamente, com sinalizações próprias para isso. 


Atenção: nunca force a equalização, se estiver tendo dificuldade para realizar a equalização sinalize para o seu dupla e suba alguns metros, espere alguns minutos e tente novamente.

A equalização para ser bem sucedida não se deve estar com as vias aéreas obstruídas, como gripado, resfriado, com sinusite ou crises alérgicas. Não é recomendado mergulhar com nenhum desses sintomas, ou ter tomado um descongestionante ou remédio que mude esses sintomas, pois quando submerso o seu metabolismo é diferente, assim podendo passar o efeito desse analgésico e o mergulhador não poder equalizar de forma adequada, podendo adquirir alguma lesão.

E durante a subida também preciso equalizar?
Ao emergir normalmente nosso organismo se ajusta naturalmente à pressão. No entanto, se tiver com algum dos sintomas mencionados acima, seu corpo pode ter dificuldade de equalizar naturalmente durante a subida. Isto é chamado bloqueio reverso. Caso isto aconteça o mergulhador não deve deve continuar a subida forçando a equalização desses espaços obstruídos. Ao contrário, ele deve descer alguns metros para aliviar a pressão para só então tentar subir novamente e repetir esse procedimento quantas vezes for necessário.

É aconselhado que antes de mergulhar se tenha dormido oito horas de sono, evitar bebidas alcoólicas na noite anterior e no dia do mergulho, alimentação de coisas leves, pequenas atitudes vão ajudar o corpo na hora de regular a pressão exercida.

A equalização é algo simples a ser executado, porém necessita de atenção, domínio das técnicas e paciência para realizá-la. É muito importante para a saúde do mergulhador aprender e executar corretamente esse procedimento. Entrar na água, mergulhar e sair com saúde é extremamente prazeroso, seguindo esses protocolos básicos o mergulhador pode aproveitar de todas as formas o que o mar tem pra oferecer.

Fique atento ao realizar as manobras de equalização e qualquer dúvida pergunte ao seu instrutor ou à sua escola de mergulho.


Referências:
Manual Open Water Diver PADI

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Mulheres no Mergulho



Por ser considerado uma atividade muito "radical" sempre houve mais homens que mulheres se aventurando sob as águas. Até nos registros antigos dos primeiros mergulhos a presença masculina é marcante. Mas essa realidade está mudando a cada dia, como em todas outras áreas que continham essencialmente homens, o sexo feminino está mostrando cada vez mais que também gosta dessas atividades. Da área da computação ao mergulho, mulheres expõem que são tão aptas quanto os homens. Estando presentes em mergulho em apneia à mergulhos avançados, técnicos e exploradores.

Karol Meyer
No passado as mulheres não eram aceitas em competições alegando que o porte físico feminino não era o adequado, mas mesmo assim as mulheres não desistiam e não sendo aceitas nas competições oficiais, competiam por fora dessas competições e mostravam o seu potencial. Ao passar dos anos esse problema foi sendo menos vigente, com a inclusão das mulheres em várias áreas sociais, por meio de protestos das mesmas pedindo a igualdade de gêneros. No mergulho o sexo feminino não era bem visto por seu físico frágil, mas isso não durou muito tempo pois no mergulho com apneia houve muitas mulheres desafiando esse paradigma. Uma pioneira no mergulho foi Cyana que em 500 A.C., mandada pelo Rei Xerxes I, ela e seu pai Scyllias, um mergulhador e escultor, fizeram mergulho em apneia em busca de um tesouro no mar. A francesa Audrey Mestre, que alcançou uma profundidade de 160 metros nessa modalidade, infelizmente morreu em um treinamento para ultrapassar esse recorde, sua história é lembrada e serve de inspiração para atuais e futuras mergulhadoras e atletas. 

No Brasil temos, Karol Meyer que é um fenômeno no mergulho livre, ganhando vários recordes e prêmios mundiais e nacionais também entrando para o livro Guinnes Book Record Holder no livro oficial de 2010. Atualmente ela além desse esporte, é instrutora de mergulho, palestrante e ligada a atividades de preservação dos oceanos.



Sylvia Earle dentro do traje Jim.
Outro destaque é a oceanógrafa, cientista, exploradora e mergulhadora Sylvia Earle que ao se mudar para Clearwater, Florida, no Golfo do México com 13 anos conheceu seu amor mais verdadeiro, o mar. Ela relata que ainda muito nova, não tendo conhecimento sobre mergulhos, quando achava na praia um montinho de algas reunidas era uma alegria ao ver as algas, conchas e animais e sentia-se fascinada. Sylvia contribuiu de formas inexplicáveis a tecnologia de mergulhos que se tem hoje, ela juntamente com outras quatro mulheres passaram duas semanas dentro de uma casa submersa, o projeto Tektite. Em 1979 foi a primeira mulher a entrar em mecanismo pressurizado, parecido com um robô, o Jim terno, para chegar a 1,250 pés abaixo da superfície do mar. Ela descreve que a sensação de se ver o fundo foi fantástica, pediu que desligassem a luz do Jim para que visse a escuridão que era, mas se deparou com milhões de animais que brilhavam de forma mais linda que qualquer luz que ela já viu. Sylvia ainda não parava por ai, em 1980, queria juntamente com seu marido criar um mecanismo que levasse um ser humano a 11 mil metros, criando uma empresa que auxiliou nessa realização, ajudando em pesquisas e mergulhos exploradores.


O sexo feminino atualmente não é mais considerado um sexo frágil, foi mais que provado que as mulheres conseguem desde caminhar com o cilindro e os equipamentos até ir a profundezas do mar. As empresas que fabricam os equipamentos de mergulhos tomaram nota disso e cuidam para que as mulheres tenham sempre a disposição as melhores roupas, máscaras, nadadeiras, todos de todas as cores e formas. Mas alguns médicos advertem algumas precauções que temos que atentar, em relação á ser do sexo feminino e mergulhar em alguns períodos. Existem estudos para a verificação de problemas relacionados ao mergulho e a menstruação, mas não a nada comprovado cientificamente. Onde a mergulhadora não possa mergulhar por estar nesse período, geralmente o que ocorre é o uso de medicamentos para o tratamento de cólicas ou dores de cabeça, que podem perder o efeito após a mudança de pressão, devido ao mergulho. O aconselhado é o mergulho conservadores e mais rasos, para que se a mergulhadora vier e ter algum problema seja mais fácil o acesso a superfície.
No Ceará já é normal a presença feminina desde as áreas das extas aos mergulhos, são essas mulheres cearenses que demonstram ainda mais a força feminina exercida por elas na sociedade. No Mar do Ceará não é diferente temos um grupo feminino forte, como algumas dessas mergulhadoras:

Anelle Ramos em Fernando de Noronha.


Anelle Ramos, Técnica de Comercialização e Logística, formação Mergulho Avançado, Curso de Nitrox e Mergulho em Naufrágios. Sempre teve vontade de mergulhar e seu marido a despertou para esse mundo. Anelle quando mergulha se sente mais leve e encantada por cada descoberta, Sente que faz parte do ambiente, e simplesmente maravilhada.






Lívia Torquato.


Lívia Torquato. Estudante, formação em Mergulho Avançado pela PADI. Seu maior motivo para mergulhar foi conhecer a fauna marinha. Quando mergulha ela relata que sente uma tranquilidade inesquecível, 






Erika Beux.

Erika Beux. Bancária, formação em Divemaster e Open Side Mount. Quando mergulha  Sua motivação para mergulhar foi que o fundo do mar sempre a chamou atenção em reportagens de TV, mas após experimentar o Dicosver Scuba Diver, o batismo, decidiu fazer us cursos de mergulho. Erika relata que o sentimento quando mergulha é o melhor que se possa imaginar, ao mesmo tempo que sente uma sensação de liberdade, de parecer que esta voando, Esquece do restante do mundo e passa a fazer parte do meio marinho. Quando passa no meio de cardumes de peixes, ver tubarões, lagostas, é uma sensação única e inenarrável! Onde se pode se saber experimentando!



Rita Salgueiro.

Rita Salgueiro, Geóloga/Pesquisadora e Professora Universitária, formação em Curso de Mergulho Básico e Avançado, Primeiros Socorros, Mergulho de Resgate e Curso de Mergluo em Naufrágio. Sua maior motivação para mergulhar era um desejo antigo e muitas vezes foi adiado, Rita cresceu vendo os documentários do cineasta e oceanográfo Jacques Costeau, onde sempre ficava fascinada, persistia a vontade de descobrir e explorar esse mundo. Ela relata que quando mergulha é a sua psico-terapia, o resto do mundo desaparece, tudo é muito pacífico.

O mundo do mergulho não restringe sexo, idade, etnia, se tem apenas uma meta contemplar e amar o mar. No mar do Ceará temos cursos do básico aos mais avançados em que se pode aprender várias formas de explorar esse ambiente maravilhoso.

Gostou desta matéria? Leia também Mulheres: como prender o cabelo antes do mergulho?

Ainda não é mergulhadora? Então clique aqui e saiba como conhecer o mundo submarino!

Referências:


terça-feira, 13 de outubro de 2015

Hipotermia no Mergulho: como evitar

Mergulhadores com roupa de exposição seca
Quando mergulhamos, nosso corpo fica em contato direto com a água e o alto calor específico desse líquido permite que ele possa ceder ou absorver muita quantidade de calor sem que haja alteração no seu estado físico, devido a essa característica, a água absorve calor cerca de 20 vezes mais rápido que o ar na mesma temperatura. Isso significa que o seu corpo pode esfriar rapidamente mesmo em águas com temperaturas tão quentes quanto 30°C/86°F.

Sem uma roupa de exposição adequada, seu corpo esfriará depois de algum tempo, embora você possa permanecer confortável tempo o suficiente para aproveitar um mergulho.

Se o seu corpo esfria deliberadamente, você está com hipotermia. A hipotermia é a perda de temperatura corporal e acontece quando a temperatura normal do seu corpo, que é 37°C/98.6°F, fica a uma temperatura inferior a 35°C/97°F e acarreta em uma alteração no seu metabolismo.

Para permanecer confortavelmente aquecido e evitar uma hipotermia enquanto mergulha, você deve escolher uma roupa de exposição adequada para o ambiente que deseja mergulhar - uma roupa úmida ou seca - para isolar termicamente o seu corpo.

A hipotermia pode ser classificada em três tipos: crônica, subaguda e aguda.
A crônica é comumente causada por uma enfermidade como um resfriado e em situações como essas, você não está apto ao mergulho.
A subaguda acontece em escala de horas, comumente por permanecer em ambientes frios por longos períodos de tempo.
A aguda é a mais perigosa, onde há uma brusca queda da temperatura corporal (em segundos ou minutos), por exemplo, se uma pessoa for mergulhar sem uma roupa adequada em águas muito frias.


Os sintomas de um quadro de hipotermia:

Inicialmente
Sensação de frio
Espasmos musculares 
As extremidades do corpo apresentam tonalidade cinzenta ou levemente roxeada
Confusão mental 

Casos intermediários
Sonolência
Rigidez muscular
Alterações na memória e na fala 

Casos críticos
Imobilidade ou inconsciência 
Dilatação das pupilas 
Diminuição da frequência cardíaca

Mergulho com roupa de exposição úmida
Geralmente, você precisa de uma roupa de exposição quando mergulha em águas com temperaturas inferiores à 24°C/75°F, mas mesmo em águas mais quentes, a maioria dos mergulhadores ainda usa uma roupa de exposição para um maior conforto. No Ceará a temperatura média da água fica entre 26°C e 28°C o ano inteiro nos permitindo mergulhos bem a vontade com relação a temperatura.

As roupas secas fornecem o melhor isolamento térmico. Você as usa para mergulhos em águas frias ou mais longos, pois como diz o nome, o seu corpo fica totalmente seco devido ao espaço aéreo que existe dentro da vestimenta.

Mas para utilizar uma roupa seca é necessário treinamento apropriado, pois ela interfere na sua flutuabilidade e você precisa equalizar este espaço aéreo durante a descida e liberar esse ar durante a subida, sendo a roupa ligada ao seu regulador por uma mangueira de inflagem.

Mergulho com roupa de exposição úmida
As roupas úmidas são mais simples mas contemplam uma maior amplitude de temperaturas, porque você pode escolher espessuras diferentes e estilos que cobrem mais ou menos partes do seu corpo. O isolamento térmico dessas roupas é feito por uma espuma de neoprene na qual a água penetra e fica aprisionada entre a sua pele e a espuma. O seu corpo aquece rapidamente a água aprisionada e o neoprene desacelera enormemente a perda de calor.

Antes de usar uma roupa úmida você tem que ter certeza de que está no tamanho adequado para você, pois se estiver folgada ela não servirá como isolante térmico, pois a água não ficará aprisionada entre a sua pele e a espuma de neoprene, mas também deve se certificar de que a roupa não está apertada, pois um roupa pequena para o seu corpo será desconfortável e você não vai aproveitar tão bem o mergulho.

Contudo, se mesmo com a roupa de exposição você estiver apresentando os sintomas de hipotermia, saia imediatamente da água, se seque e busque se aquecer. Você mergulha para se divertir, não para arriscar a sua vida.


Referências

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Doenças provocadas por pressão em mergulho e a Medicina Hiperbárica

Paula Christiny

HISTÓRICO

Vestígios pré-históricos mostram que há milhares de anos os homens já exploravam o mundo submarino em busca de alimento. A exploração do ambiente subaquático era limitada pela impossibilidade de se respirar dentro d’água e pela pressão que ela exerce no organismo. O desejo e a necessidade fizeram com que os homens buscassem alternativas para superar suas limitações no meio aquático. Disto surgiram equipamentos que permitiriam aumentar o tempo de imersão e a profundidade atingida.
Equipamentos individuais de mergulho já eram utilizados no século IX a.C.. Aristóteles descreveu os sinos de mergulho. Henshaw, em 1662, mostrou o sino de imersão com sistema de ventilação a fole.

Sino de Henshaw. Fonte: www.amazondiver.com.br
No século XIX, com o desenvolvimento de equipamentos de mergulho eficientes e uso de tubulões pneumáticos pressurizados em obras de construções de pontes e minas, foram delineados o potencial e limitações do homem no meio subaquático e pressurizado.
Em virtude das patologias relacionadas ao mergulho, tornou-se necessária a intervenção de médicos e pesquisadores. Trabalhadores de tubulões, depois de trabalhar em ambientes sob pressão e respirar ar comprimido fornecido por compressores desenvolvidos em 1837, foram diagnosticados com sintomas de “reumatismo e frio”.
Somente quase quatro décadas depois, esse fenômeno foi diagnosticado como doença descompressiva. O seu tratamento era feito com o envio dos trabalhadores afetados para o nível de pressão que eles estavam trabalhando,  até que seus sintomas melhorassem. Então eles lentamente voltavam para a superfície. Tal procedimento foi realizado até o início do século XX.
A construção da ponte do Brooklyn. Fonte: http://www.oxibarimed.com.br/

Marca historicamente a origem da fisiologia hiperbárica o livro do fisiologista francês Paul Bert “A Pressão Barométrica”. Esta obra cria a área médica dedicada aos estudos das alterações fisiológicas e metabólicas 
do organismo exposto a pressões superiores a pressão atmosférica e sistematiza a oxigenoterapia hiperbárica, utilizando a inalação de oxigênio puro no ambiente pressurizado.
O uso terapêutico da oxigenioterapia hiperbárica ocorreu em 1937 com Behnke e Shaw, que trataram doenças descompressivas de maneira sistemática utilizando-se tabelas de descompressão. Na década de 30 as marinhas inglesa e americana iniciaram inúmeros estudos para aplicação terapêutica da oxigenioterapia hiperbárica. 


NO BRASIL
O Professor Álvaro Ozório de Almeida (1882-1952), brasileiro, é considerado pioneiro mundial do uso da hiperóxia hiperbárica, tendo realizado na década de 1930 trabalhos clínicos e experimentais, sobre a aplicação da oxigenoterapia hiperbárica na gangrena gasosa e lepra lepromatosa.
Em 1932, Álvaro Ozório de Almeida instala a primeira câmara na América Latina e publica trabalhos sobre tratamentos da hanseníase, sobre os efeitos tóxicos do oxigênio, além de desenvolver em câncer e radioterapia. A partir daí, a medicina hiperbárica brasileira passou a desenvolver-se progressivamente, até que em 1995, o CFM (Conselho Federal de Medicina) publica sua regulamentação.

A MEDICINA HIPERBÁRICA
A medicina hiperbárica está subdividida em duas áreas:  uma é dedicada à atividade profissional e saúde ocupacional. A outra está relacionada ao mergulho, ela trata de pessoas acometidas por doenças próprias da atividade e da prevenção desses agravos. 
A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) é uma modalidade terapêutica em que o paciente é submetido à inalação de oxigênio puro em uma pressão maior que a pressão atmosférica em geral de 2 a 3 atm. O equipamento básico da OHB é a câmera hiperbárica. Ela é basicamente um cilindro hermeticamente fechado, resistente à pressão. Sua finalidade, entre outras coisas, é o tratamento de doenças descompressivas e acidentes relacionados ao mergulho.
Câmera Hiperbárica. Fonte: www.amazondiver.com.br
O mecanismo fisiológico da OHB inicia-se com a inalação de oxigênio puro em ambiente hiperbárico, que proporciona o aumento do gás no corpo. O potencial terapêutico da OHB está na capacidade de absorção de alta dose de oxigênio, que pode compensar a hipóxia ( um estado de baixo teor de oxigênio nos tecidos orgânicos).
Existem limites pré-estabelecidos para a exposição à oxigenoterapia hiperbárica referentes ao nível de pressão utilizada e do período de pressão dentro da câmera, visto que podem ocorrer efeitos colaterais envolvendo determinadas regiões e órgãos do corpo. Os efeitos do aumento da OHB no organismo durante o procedimento podem corresponder a barotraumas das cavidades preenchidas como ouvido médio, seios da face e pulmão.

O MAL DESCOMPRESSIVO E SEUS TRATAMENTOS
Mesmo com os tecnológicos computadores de mergulho que fornecem ao mergulhador todas as informações necessárias para uma descida e retorno seguros, o mal descompressivo ainda assusta. Mesmo que sua incidência seja muito baixa é importante conhecê-lo, pois ainda ele é mal interpretado. 
A doença descompressiva (DD) é uma condição perigosa na qual bolhas de nitrogênio se expandem no sangue e ou nos tecidos do corpo, causando lesões em diferentes graus, isso ocorre quando um mergulhador realiza uma subida muito rápida. No mergulho autônomo, o suprimento de ar comprimido provoca saturação de moléculas gasosas no organismo. Quanto mais fundo e mais tempo se permanece ali, mais gases serão absorvidos. O nitrogênio, que não é inerte, não é absorvido pelo organismo. Quando o mergulhador inicia a subida, ocorre descompressão, esse gás se torna mais solúvel e vai se dissolvendo pelos tecidos e corrente sanguínea que se encarrega de expeli-los do corpo. Porém se ocorre uma subida muito rápida a dissolução de nitrogênio ocorre de forma muito rápida, a pressão do gás diminui de forma abrupta e bolhas se formam podendo comprometer nervos, artérias, veias, vasos linfáticos e desencadear reações químicas danosas ao sangue.
Sintoma DD. Fonte: 
http://www.ohb-rio.med.br/
Mesmo com todas as medidas de segurança tomadas, alguns fatores individuais predispõem o mergulhador à doença descompressiva, são eles: obesidade, fadiga, idade, sedentarismo, doenças pulmonares e/ou cardiológicas, ferimentos muscoesqueléticos e o uso recente de álcool. Ainda fatores naturais aumentam a chance de se ter uma DD, água gelada, trabalho pesado submerso, mar perigoso e roupas de mergulho quentes; voo após o mergulho e a ida para grandes altitudes também podem causar DD.
Os sintomas da doença descompressiva podem ser sentidos em 10 minutos após a volta à superfície até horas depois, eventualmente dias depois. Ela pode ser dividida em dois tipos: a tipo 1 é moderada, sendo caracterizada por dor isolada em juntas, vermelhidão da pele com coceira, em geral no tronco ou abdômen, ou ainda inchaço de gânglio linfático. A tipo 2, mais grave, é caracterizada por perda da sensibilidade, que pode evoluir para perda de força e até paralisia dos membros, vertigem, sintomas respiratórios e outras formas mais raras. Porém é consensual que mais importante que classificar é o tratamento imediato e adequado à condição. 

EMBOLIA ARTERIAL GASOSA 
É uma questão ainda polêmica, alguns pesquisadores a consideram um outro tipo de doença descompressiva. Essa condição acontece quando o mergulhador não obedece as normas de descompressão e não respira adequadamente. É causada pela ruptura de veias do interior pulmonar devido à excessiva expansão pulmonar durante a subida de um mergulho que permite que, o gás crie moléculas que vão se expandindo de acordo com a despressurização. Dependendo de onde essas moléculas se alojarem, podem causar problemas como embolia nas artérias coronárias e AVC nas artérias cerebrais.

DIFERENÇAS ENTRE DOENÇA DESCOMPRESSIVA E EMBOLIA ARTERIAL GASOSA 
Na doença descompressiva é preciso ter profundidade e tempo suficientes para saturar o corpo de nitrogênio, seu início acontece em até 36 horas após o mergulho e o déficit neurológico se manifesta na medula espinhal e no cérebro. Já a embolia arterial gasosa pode ocorrer em qualquer tipo de mergulho, se manifesta imediatamente e seu déficit neurológico ocorre apenas no cérebro.

O TRATAMENTO DO MAL DESCOMPRESSIVO
Tanto na doença descompressiva quanto embolia arterial gasosa, o tratamento com oxigenoterapia hiperbárica deve ser iniciado imediatamente. Na DD é necessário a administração de oxigênio puro até poder transportá-lo para uma unidade de urgência, visando reduzir o quadro a níveis mais seguros. Também é recomendado oxigenoterapia hiperbárica o mais rápido possível e a descompressão gradual para a lenta eliminação do nitrogênio. Para a embolia arterial gasosa o rápido tratamento é fundamental e a oxigenoterapia hiperbárica também é indicada nesse procedimento. Estudos mostram que mergulhadores que passaram por recompressão em até 5 minutos tiveram uma diminuição de mortalidade de até 5%. Com o tratamento depois de 5 horas essa taxa sobe para 10%, onde mais de 50% dos que sobreviveram apresentaram sequelas. 

OUTRAS DOENÇAS RELACIONADAS AO MERGULHO

Barotraumas
É a causa mais freqüente de lesões e de desqualificação para o mergulho e para o trabalho em ambientes pressurizados. São causados por obstruções à livre movimentação do ar nos espaços aéreos do organismo, particularmente nas cavidades aéreas cranianas. Podem levar à lesões graves, permanentes e incapacitantes.

Intoxicação por Gases
No mergulho profundo (mergulho saturado) e no trabalho em ambientes pressurizados, o controle da qualidade do ar respirado e de sua composição é freqüentemente feito à partir da superfície e aceita uma margem de erro muito pequena. A intoxicação ou o envenenamento dos trabalhadores devido à falhas neste controle, tem feito vítimas em todo o mundo. Os agentes causais mais comuns são o próprio oxigênio, o nitrogênio, o monóxido e o dióxido de carbono e a poluição (contaminação) dos gases “respirados” pelos mergulhadores.

Síndrome Neurológica das Altas Pressões (SNAP)
É um fenômeno atribuído tanto à um efeito direto das altas pressões hidrostáticas quanto à ventilação (respiração) do gás hélio sob altas pressões, como ocorre no mergulho à grandes profundidades. A síndrome se manifesta por sonolência, tonteira, náuseas, e tremores generalizados com descontrole dos movimentos finos, podendo evoluir para convulsões.

Osteonecrose
É uma doença degenerativa, silenciosa e incapacitante, que acomete principalmente mergulhadores de saturação ou que já tenham sofrido episódios de Doenças Descompressivas. Tem sido atribuída tanto à intoxicação por oxigênio quanto à embolias aéreas, gordurosas e até à fenômenos osmóticos. Ocorre uma destruição e necrose asséptica em áreas específicas de ossos longos dos membros e superfícies articulares, especialmente no fêmur, articulação da bacia, úmero, articulação do ombro e na tíbia, sendo necessário afastar o mergulhador definitivamente da atividade profissional quando a doença é constatada.

Apagamento
É provavelmente a causa mais freqüente de morte em mergulhadores amadores e profissionais adeptos do mergulho em apnéia (desequipado, usa-se apenas o ar contido nos pulmões). Antes de iniciar o mergulho, muitos mergulhadores têm o hábito de hiperventilar repetidamente, na perigosa ilusão de aumentar a quantidade de oxigênio no sangue e com isso prolongar o tempo de fundo. Tudo o que conseguem na verdade é diminuir a tensão parcial do gás carbônico no sangue, retardando o sinal de alerta do centro respiratório, que é o próprio CO2 quando mais elevado. Quando mergulhados, a pressão parcial do oxigênio na circulação cerebral será suficiente para manter a lucidez por algum tempo, mas a pressão parcial do CO2, excessivamente baixa devido à hiperventilação inicial, levará mais tempo para atingir o nível necessário para "acordar" o centro respiratório e provocar nos mergulhadores a necessidade de respirar outra vez. Enquanto isso suas reservas de oxigênio no sangue terão sido consumidas e quando eles iniciarem a subida, não terão oxigênio suficiente para atingir acordados a superfície.

COMO SE PREVENIR
No mundo submerso é assim, parafraseando Fidel Castro, “entrar é fácil, sair é que é pior”. Na maioria dos casos, você não tem a chance de subir e pedir ajuda. Esteja ciente que problemas no fundo devem ser resolvidos por lá mesmo. Seja um mergulhador consciente, siga as regras, evite fatores de risco, aja com prudência. Faça uma subida lenta e gradual, lembre-se da parada de segurança, siga a sua tabela ou computador de mergulho.

Fontes:
http://www.oxibarimed.com.br
http://www.ohb-rio.med.br
http://www.feridologo.com.br
www.planetamergulho.com.br
www.revistamergulho.com.br