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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O Submarino Pietro Calvi - o Italiano que afundou o Petroleiro do Acaraú

por Augusto César Bastos
Smg. Pietro Calvi, o algoz do Petroleiro do Acaraú, sendo o mesmo o navio americano Eugene V. R. Thayer, e também do Balkis, na costa do Ceará. Fotos: Con la pelle appesa a un chiodo

Em julho de 1942, depois de um turno de trabalho e de manutenção, o Calvi zarpou de Bordeaux sob o comando do Capitão de Fragata Primo Longobardo, diretamente para zona de operação nos mares dos Caraíbas (Pequenas Antilhas). O comandante Longobardo, que já tinha atuado no Atlântico comandando o LuisiTorelli, afundando quatro navios mercantes (o Nemea, o Brask, o Urla e o NimolaosFilinis) em uma só missão, já era para estar servindo em terra no Alto Comando da Força Submarina, em função de sua idade (41 anos, mais velho que a maioria dos jovens oficiais no comando de submarinos e pela necessária resistência física exigida para as missões no atlântico).

Em um momento de escassez de oficiais, e em seguida ao adoecimento do Comandante do Calvi, Olivieri, pouco depois da partida para missão, o comando do Calvi foi assumido por Longobardo, com o submarino tendo recentemente renovado a tripulação, com a chegada de muitos jovens recrutas de primeira viagem, cuja formação se ocuparia Longobardo; quando uma unidade estava pronta para zarpar, o Comandante reunia a tripulação e oferecia a possibilidade de desembarcar, mas todos estavam dispostos a partir com ele.

Antes da partida enquanto Longobardo falava brevemente com ocomandante do BETASOM, contralmiranteRomoloPolacchini, (quando estava embarcando e a tripulação aguardando), se verificou um pequeno episódio , cuja índole supersticiosa dos marinheiros atribui um mau agoro: um jovem guarda-marinha colocou sobre a torreta do Calvi, uma magnólia branca para celebrar a nova missão, mas foi subitamente criticado pelo Chefe de máquinas, que lhe gritou. “tire isto daí que dá azar”, ordenou ao guarda-marinha, seguido de risos por outros oficiais. Durante a partida de Bordeaux, outros oficiais vieram saudar Longobardo, bem como o Almirante Polacchini.
O Pietro Calvi e sua tripulação.

Em 13 de julho o submarino recebeu ordem para se aproximar de um piroscafo isolado, (um tipo de mercante), do tipo “Andalusia Star”, e rastreá-lo. Na noite entre 13 e 14 de julho o submergível se aproximar do comboio SL 115, que estava na rota de Serra Leoa (Freetown) para o Reino Unido, escoltado pelos Sloopps: Lulwoth, Londonberry, Bideford e Hastings. Cuja localização tinha sido informado no sul dos Açores, pelo submarino alemão U-130, e de atacar só se as condições fossem favoráveis.

O Calvi em dupla com o submarino alemão U-507, se aproximaram para investigar o comboio, avistando às 19:30de 14 de julho, 575 milhas à oeste de Tenerife, vindo se agrupar o U-130. Por volta de duas horas depois, a presença do Calvi foi detectada pelo “radiogoniometro” HF/DF (um aparelho que interceptava os sinais emitidos por rádios, e individualizava a localização e de onde vinham) do HMS Lulworth e esta unidade sob o comando do Capitão de Corveta Clive Gwinner, foi enviada para investigar o forte sinal emitido. O sloop britânico avistou o U-130 e oCalvi que imediatamente fizeram manobras de imersão. Cerca de uma quarto de hora depois, enquanto a tripulação do Calvi estava observando o U-130, que estava passando a aproximadamente 900 metros ao seu lado, não perceberam que o Lulworth navegava com a proa apontada em sua direção. O Comodante Longobardo ordenou novamente submergir, para profundidade de 90 (por outra fonte 75) metros (uma fonte indica às 22:30, como horário de localização do Calvi, mas não especificou o fusohorário). Quando assumiu a cota da manobra o Calvi, navegou em rota oposta, entre 1 e 2 nós. O Lulworth levou uma hora e meia novamente para localizá-lo, e na posição 30 07`N e 26 07`O, iniciou o lançamento de cargas de profundidade reguladas para 15 e 42 metros. O Comandante Longobardo, em seguida ao primeiro ataque (que não havia causado danos), decidiu navegarainda mais fundo, quando então foi atingindo pelo segundo ataque do sloop, com bombas reguladas para profundidades de 45 e 91 metros, sofrendo graves danos e teve avariado seu motor elétrico Calzoni. O Comandante ordenou submergir mais ainda, levando o Calvi para profundidade de 115/120 metros. Medida inútil; a terceira onda de cargas regulada para 105 metros, explodiu muito próximo, fazendo inclinar fortemente para bombordoo submarino, que imergiu para cerca de 200 metros. Com o compartimento de popa alagado (uma fonte já indicava este alagamento na segunda carga), e mesmo com uma tripulação novata em sua primeira missão, não houve pânico. E sim uma certa confusão; o capitão “del gênio navale Ernesto Maccota, ficou tranquilamente apoiado em uma bancada, anotando em seu diário o número de cargas e a profundidade que explodiam em torno do submergível.
A planta do submersível.

Após as avarias foi constatado que não haveria ar suficiente e que o compartimento 3 estava também alagado, comprometendo sua possibilidade de manobra e levando ao risco de afundamento, se permanecesse no fundo. O Comandante Longobardo ordenou emergir rapidamente o submergível, que subiu rapidamente inclinado para esquerda. Com sua metralhadora atingida por uma carga de profundidade e seu canhão também fora de combate, só restou o canhão de popa em funcionamento, com um só motor o Calvi tentava se afastar do Lulworth, avançando lentamente, atirando com o canhão que ainda restava.

Iluminado por um luminoso lançado pelo sloop e depois por um holofote, o Calvi passa a ser atacado. Há menos de 500 metros de distância o Lulworth atingiu a coberta onde estava o canhão de popa do Calvi com uma rajada de metralhadora, ferindo ou matando todos que lá se encontravam. O Calvi na tentativa de escapar lançou dois torpedos dos tubos de popa, obrigando a nave britânica a manobrar rapidamente para evitar ser atingida. Por duas vezes o sloop tentou a colisão, mais o Calvi manobrou e conseguiu escapar habilmente. Na terceira vez no entanto a embarcação britânica colidiu com o submarino destruindo seu hélice direito e arrastando o submergível. ( a colisão também provocou avarias na nave britânica, que ficou todo mês de agostoem reparo).

Dois marinheiros que estavam no canhão de popa, o subtenente Villa e o segundo chefe Marchion, ainda estavam vivos. Vendo sua embarcação imobilizada e em chamas, com armamento em péssimas condições, o comandante Longobardo ordenou a evacuação da tripulação para a coberta e depois abandonar o submergível para depois iniciar o afundamento. Nesse momento um tiro de canhão de 76 mm do Lulworth acertou a torreta do submarino matando ele, o suboficial de rota e também o subtenente Guido Bazzi, deixando a tripulação, conforme publicação do relatório britânico em agosto de 1942, “como uma família sem pai”. O segundo comandante, subtenente GennaroMaffetone, que estava combatendo com seus homens no canhão de popa, levou um tiro e caiu no mar.

Dentro do submergível o diretor de máquinas capitão del gênio navale Aristide Russo, assumiu o comando, abrindo a válvula dos tanques dágua. Os homens que ainda estavam dentro do barco saíram para coberta para evacuação e se lançarem ao mar. O Lulworth comunicou em italiano para ninguém se mover e permanecerem parados, se quisessem sobreviver, lançando uma pequena embarcação ao mar, comandada pelo tenente “divascelo” Frederick Wiliam North, que foi enviado para o submarino; após embarcado com arma na mão. Os ingleses encontraram na ponte de comando cadáveres e fogo na torreta, ordenando a tripulação sobrevivente que ficasse na coberta da popa. Dois membros da tripulação do Lulworth entraram dentro submarino encontrando a luz de emergência ligada. Tudo que encontraram foi uma carta náutica e algumas partes do diário de bordo, na cabine do comandante, quando foram chamados para coberta; o compartimento de popa alagando rapidamente.

Em uma outra versão os homens de North não entraram na embarcação, ficando com a tripulação comandada pelo capitão Russo. O capitão Maccota foi visto a última vez na torre de comando, que após ver a embarcação inglesa partindo, foi completa a manobra realizar o auto afundamento já iniciada, quando o segundo chefe torpedista se aproveitando da confusão, abriu um tubo lança torpedos, provocando novo fluxo de água determinou o fim do submarino. Russo, quando North entrou, iniciou uma luta corporal para impedir a captura do Calvi. A tensão entre os sobreviventes aumentou; muitos deles ainda estavam na coberta, sob o controle de membros da tripulação do Lulworth, enquanto os dois se encontravam lutando dentro do Calvi, e novamente veio a ordem para evacuação. Já no mar os tripulantes sobreviventes do Calvi, viram o submarino submergir na sua frente. Às 00:27 de 15 de julho, o submarino desapareceu no abismo, no ponto 30 35`N e 25 28`O, 480 milhas ao sul de São Miguel (Açores), juntamente com metade de sua tripulação, entre os quais o capitão Russo e North, naufragados juntos enquanto lutavam.

Pouco tempo depois ocorreu uma violenta explosão embaixo dágua, podendo ter sido causada por uma carga de profundidade que tivesse ficado no casco ainda sem explodir. Entretanto o Lulworth junto com o Bideford e Londonberryantes de iniciar o salvamento dos sobreviventes, foi torpedeado pelo U-130, em vã tentativa de ajudar o submarino italiano. Só depois de quatro horas o Bideford e o Londonberry tomaram rumo sul e foram resgatar os sobreviventes ( 03 oficiais, e 32 suboficais e marinheiros). A maioria tinha ficado no mar, 42 mortos do Calvi e o tenente North; em sua maioria vítimas da metralhadora do Lulworth durante o combate. O Londonberry, unidade de escolta, resgatou 02 oficiais. ( “segundo outra versão os sobreviventes foram resgatados pelo Lulworth, depois de ter contra atacado o U-130, o sloop britânico retornou para o local de afundamento do Calvi, para socorrer os sobreviventes, para depois transferi-los para o Londonberry. Os sobreviventes do Calvi foram levados para um campo de prisioneiros nos Estados Unidos e com o passar do tempo alguns foram transferidos para o Reino Unido e posteriormente libertados.


Texto
Augusto César Bastos

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Paul Kossel: um barco com casco de concreto

Paul Kossel, o barco com casco de concreto.

Conheça o Paul Kossel um pequeno barco de concreto!

Desafiando as leis da física este barco foi construído utilizando em seu casco uma armação metálica recoberta por concreto em 1920. Era utilizado como rebocador em apoio portuário e tinha 14,30m de comprimento. Foi idealizado pela Kossel & Cie., empresa pertencente a Paul Kossel um dos pioneiros na construção com este material. O pequeno rebocador foi batizado em homenagem a seu criador: MS Paul Kossel.

O estranho barco está em exposição desde 1976 no Museu Marítimo Alemão (Deutsches Schiffahrtsmuseum) um complexo histórico a céu aberto localizado em Bremenhaven no norte da Alemanha.

Detalhes do casco, superestrutura em madeira.



Fotos
Katharina Ockert

Fonte
http://de.inforapid.org/index.php?search=Paul%20Kossel
http://www.best-maritime-employment.info/catalogue_companies_list/company_source_37929_1.html

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Submarinos Alemães da II Guerra - As Armas que Viraram Museus

O U-2540 agora chamado "Wilhelm Bauer" ancorado em Bremerhafen, Alemanha.
Nos dias atuais a Alemanha em nada lembra a nação que levou o mundo a duas Guerras Mundiais. Um pais de fato civilizado e respeitoso para com os seus cidadãos mas que não se permite esquecer do passado. Hoje vários museus nos fazem lembrar dos anos difíceis que o mundo viveu durante a II Guerra. A mensagem é clara: vamos lembrar para que não se repita.

Naqueles tempos o mundo submerso era ainda mais misterioso do que hoje. Ser um submarinista era a profissão mais perigosa do mundo pois somente 1 em cada 4 submarinistas alemães retornou para casa após a Guerra. Os outros - cerca de 30 mil - "continuam em patrulha" como se diz no jargão náutico-militar em referencia aqueles que foram sepultados no leito marinho ou que tem seu destino desconhecido.

Hoje é possível conhecer de perto a tecnologia que assustou o mundo nos primeiros anos da década de 40. No norte da Alemanha existem dois submarinos que foram transformados em museus e estão abertos ao publico para que possamos conhecer até onde pode ir a engenhosidade humana quando habilmente motivada.

Apesar do meu fascínio por essas máquinas ter nascido pela fama dos submarinistas alemães a primeira embarcação deste tipo que visitei foi na verdade um submarino norte-americano. O USS Bowfin operou basicamente no Oceano Pacifico e afundou vários navios japoneses durante a Grande Guerra. Atualmente fora transformado em museu e está aberto a visitação no Complexo Histórico de Pearl Harbor em Oahu, Havaí. O sonho de conhecer as máquinas nazistas ficou ainda mais vivo após essa visita.

Museu Técnico do Submarino Wilhelm Bauer
U-2540
Sala de torpedos de vante
O primeiro submarino alemão que visitei foi inicialmente concebido no fim do conflito sob a sigla U-2540. Com um design inovador para a época foi o percursor dos submarinos modernos. Antes dele os submarinos eram basicamente navios que podiam "se esconder" abaixo da superfície. Essa nova tecnologia permita que essa embarcação pudesse permanecer semanas ou até meses submerso.

Complexo sistema de controle de lastro
Entrou em operação nos últimos meses de 1944 mas enquanto sua tripulação era treinada a guerra chegou ao fim antes que pudessem ter "sangue em suas mãos". Em maio de 1945, quando os nazistas assinaram sua rendição o U-2540 estava em operação no Mar do Norte e sua tripulação o afundou para que tal tecnologia não caísse nas mãos do inimigo.

Compartimento para emissão de mergulhador
Em 1957 foi retirado do fundo do mar em uma complexa operação de resgate e reformado para que servisse de embarcação de treinamento para nova Marinha de Guerra Alemã. O novo submarino entrou em operação em 1960 após longos anos de reparos e reformas sendo batizado "Wilhelm Bauer". Apesar do demorado esforço ficou relativamente poucos anos em serviço até ser descomissionado pela Marinha de Guerra em 1968. Ficou ainda alguns anos como submarino de testes com tripulação civíl até ser vendido com o objetivo de que fosse transformado em museu em 1982.

Hoje o Wihelm Bauer está ancorado em frente ao Museu Naval Alemão em Bremerhafen (que também foi um importante porto e palco de várias batalhas durante a Guerra) e pode ser visitado quase todo o seu interior. Dentro dele destacam-se o torpedo de 9m de comprimento logo na entrada, os espaços diminutos em que viviam seus 52 tripulantes, uma camara para emissão de um mergulhador, equipamentos de escape em emergências e a diminuta cozinha localizada ao lado da central de comando.


O mini-submarino Seehund (Cachorro do Mar) levava apenas dois tripulantes e dois torpedos.
O Seehund
Outro submarino a mostra no museu em Bremerhafen é o Seehund, um pequeno sub que comportava apenas dois tripulantes e dois torpedos destinado a missões especiais. Este sub está dentro do complexo e foi cortado lateralmente para que possamos visualizar seu interior. Se o espaço para tripulação era pequeno no Wilhelm Bauer, nesse é ainda menor.

O U-995 na praia de Laboe em Kiel, Alemanha
O U-995
Torreta com armamento anti-aereo
Outro submarino transformado em museu foi o U-995 tipo VII/C. Esta arma foi comissionada em 1943 e tem nove missões em seu currículo em que foram afundadas ou avariadas seis outras embarcaçoes. Operou basicamente no Oceano Ártico e a maioria de suas vitimas foram navios russos que faziam transporte de suprimentos para União Soviética.

Controle dos lemes de profundidade
Ao termino da Guerra estava ancorado para reparos e rendeu-se sem maiores dificuldades. Foi entregue para a Marinha de Guerra Norueguesa como indenização de guerra mas só entrou em operação em 1952 quando foi rebatizado "Kaura". Ficou em serviço ate 1965 quando foi permanentemente descomissionado. Em 1971 o Kaura foi vendido para o governo alemão pelo preço simbólico de 1 deustchmark (Marco Alemão, moeda que precedeu o atual Euro) com o compromisso de que fosse transformado em museu o que aconteceu no ano seguinte. Esta embarcação está completamente fora da água em uma praia do Mar Leste chamada Laboe, em Kiel, e pode ser visto externa e internamente. Diferente do U-2540 este submarino possui armamento pesado para repelir ataques aéreos. Por dentro algumas diferenças também são visíveis mas ambos tem incomum o diminuto espaço destinado a tripulação.

A pequena cozinha
Algumas curiosidades deste submarino: apesar de possuir dois banheiros ao partir em patrulha um deles era transformado em despensa e os seus 50 tripulantes dividiam apenas um toalete. Outro fato curioso é que trata-se de uma embarcação muito parecida com U-997, submarino suspeito de ter transportado Hitler em fuga para a Argentina por vários estudiosos. No litoral cearense existem dois submarinos alemães naufragados e nao localizados. O U-164 e o U-507, este ultimo afundou diversos navios no litoral brasileiro.

Ainda hoje a industria bélica se empenha na construção de máquinas engenhosas que objetivam a destruição, é a mesma industria que elege presidentes e promove a morte com a desculpa de manter a paz. Que sirva o aprendizado.


Veja como é por dentro do U-995!




Fontes
U-Boats - Mergulhando na Historia, de Nestor Magalhaes
Operação Ultra Mar Sul, de Juan Salinas e Carlos de Napoli
The U-Boat "Wilhelm Bauer" Technology Museum - Information Sumary

quarta-feira, 30 de abril de 2014

O que é a Arqueologia Subaquática das Guerras Mundiais?

por Paula Christiny
Arqueologia Subaquática . Foto: P3
Temas referentes a guerras têm um grande público, são vários sentimentos como dor, medo, fascinação que povoam a mente das pessoas a cerca de quando se fala acerca campanhas militares. Em virtude disso, videogames, sites, inúmeras publicações são feitas todos os anos com um novo aspecto de algum conflito. Muitas fazendo do mesmo um meio de entretenimento.

Tomando como exemplo a Segunda Guerra Mundial, constantemente vemos em bancas de jornal, livrarias ou na TV qualquer coisa referente a isso. Pode ser sobre o Nazismo, o Holocausto, a Bomba Atômica, a atuação dos EUA, a tecnologia armamentista, participação do Brasil no conflito e o que mais se possa imaginar. Mesmo diante de tantas publicações ainda existem muitos aspectos não elucidados acerca desse grande conflito. 

Curso de Arqueologia Subaquática
(Mar do Ceará /UFC/UFPI)
A partir da disso, arqueólogos estão dando sua contribuição para saber mais sobre Segunda Guerra Mundial. Quem pensa que Arqueologia só pesquisa tempos bastante remotos, está bastante enganado. Qualquer época pode ser estuda por essa ciência: que é definida como disciplina que estuda por meio de vestígios materiais, vários aspectos de vidas passadas. Ou seja, nada diz que só se estuda fosseis.

O fato é que muitas recentes descobertas arqueológicas e pesquisas históricas feitas em objetos não bem observados em outros estudos trazem novos conhecimentos importantíssimos sobre o tema. Em mar e terra arqueólogos estão trabalhando no sentido de trazer mais conhecimento sobre períodos belicosos. No campo da Arqueologia Subaquática são estudadas embarcações e outros artefatos bélicos afundados, que são riquíssimas fontes históricas e arqueológicas.

Feitas inicialmente por exploradores, Arqueologia das Guerras realizada nos mares era apenas a identificação e localização de restos de navios para descobrir as causas de naufrágios. Então surge como tema de pesquisa, a Arqueologia Subaquática das Guerras Mundiais que estuda testemunhos materiais de períodos belicosos, tentando abordar o lado social que nesses objetos, abordando aspectos culturais, sociais, econômicos, políticos, religiosos. Tal campo é profundamente frutífero devido gigantesco numero embarcações e aeronaves que foram sobraçadas nos tempos Guerras Mundiais. 

Nos anos finais da década de 80, e início anos 90 do século XX, o NHHC (Naval History and Heritage Command) da Marinha dos Estados Unidos desenvolveu as primeiras pesquisas em sítios de naufrágios formados por restos de navios da Marinha norte-americana e sítios de naufrágios e restos de aviões de seu país oriundos das Guerras Mundiais , sistematizando estudos arqueológicos subaquáticas sistemáticas nessa área .

Canhão de Popa do Navio do Pecém
torpedeado durante a II Guerra
Pode-se pensar que tais afundados ocorridos no período são protegidos por sua importância histórica, porém segundo a UNESCO apenas naufrágios com pelo menos um século são considerados patrimônio subaquático. Entretanto muitos naufrágios sem essa idade sofrem pela própria ação do tempo ou saques. Só para constar, aquele navio “pouco conhecido” chamado de Titanic, afundado em 1912, até dois anos atrás, antes completar 100 anos, segundo a UNESCO não poderia ser poderia receber o título de patrimônio subaquático. Fica a questão o naufrágio não teria importância histórica não mereciam ser protegidos e preservados?

Essa mesma indagação serve aos afundamentos do período da Segunda Guerra. Vamos ao caso do encouraçado alemão Bismarck, moderno navio de combate alemão, posto a pique pela esquadra inglesa do Atlântico em de maio de 1941. Ele fora um dos maiores exemplos das inovações bélicas da guerra e causador uma das maiores batalhas navais do século XX, sendo prioridade máxima da marinha inglesa afundar o Bismarck. Longe de completar um centenário o encouraçado não está nos moldes de patrimônio subaquático. Tal critério de seleção deixa naufrágios de grande significado vulneráveis aos caçadores de tesouros e a venda de espólios. Além disso, se faz necessária a mudança urgente da legislação o material de construção de alguns equipamentos bélicos como aviões são muito frágeis e durante a espera um século abaixo d’agua, pode sofrer a deterioração total.

Até pouco tempo atrás pouco se tinha sido feito para se saber mais sobre aspectos de naufrágios durante Segunda Guerra e outras do século XX. A Arqueologia das Guerras mundiais visa corrigir essa ausência e garantir a preservação desse patrimônio. Dessa forma, fazendo uma contribuição para que os sítios arqueológicos submersos referentes às Guerras sejam classificados como patrimônios culturais da humanidade.

USS Missouri, Navio-Museu em Pearl harbor
Nos Estados Unidos
Um exemplo de sucesso desse tipo de trabalho é o monumento criado em homenagem ao ataque de Pearl Harbor ocorrido na Segunda Guerra Mundial. No dia 7 de dezembro de 1941, a Marinha Imperial Japonesa fez um ataque surpresa contra os Estados Unidos, o alvo foi base de Pearl Harbor, localizada no Havaí, no Oceano Pacífico. Navios de guerra e outros alvos militares oram bombardeados por mais de 350 aviões japoneses, foram usados metralhadoras em alvos estratégicos e lançadas bombas perfurantes e torpedos contra encouraçados e destroieres. Foi um ataque muito bem sucedido, pois, as defesas estadunidenses não estavam preparadas para se defender.

Entrada do Centro Histórico
de Pearl Harbor. Foto: Marcus Davis.
Foram cerca de 2.400 americanos foram mortos no ataque e 1.250 ficaram feridos. Grandes danos sofreu a frota, ficaram danificando gravemente ou destruindo 12 navios de guerra, destruiu 188 aviões, que constituíam quase toda a frota de aeronaves em bases aéreas da área. Depois do ataque, o Japão aos Estados Unidos. No dia seguinte, Roosevelt assinou uma declaração formal de guerra contra o Japão. Dias depois, a Alemanha nazista e a Itália se uniram aos nipônicos e declararam guerra aos Estados Unidos. Esse episódio marcou profundamente os EUA e decretaram sua entrada a Segunda Guerra Mundial. Ele, ainda hoje, comove os estadunidenses que ainda lamentam e tratam o mesmo como uma enorme infâmia.

Visando homenagear as perdas em Pearl Harbor o sítio arqueológico e histórico de naufrágio formado pelos restos do encouraçado da Marinha dos Estados Unidos foi objeto de intensas pesquisas que culminaram na construção do USS Arizona Memorial. 

O USS Arizona era da classe Pennsylvania, construído em 1916, estava equipado com 12 canhões de 14 polegadas (356mm), deslocava 39.200 toneladas, atingindo 21 nós. Lutou na Primeira Guerra Mundial foi naufragado nos 15 minutos iniciais do ataque, ele foi atingido por diversas bombas de aeronaves que danificaram gravemente. Às 08h10min da manha, o bombardeiro japonês Nakajima B5N2 “Kate” lançaria uma bomba de 1.760 libras que penetraria em seu o encouraçado e depois explodiria causando uma grande explosão e um incêndio de dois dias e meio, tirando 1.177 vidas.



USS Arizona ainda sangra no fundo da baía de Pearl Harbor. Foto: Marcus Davis
No local onde o USS Arizona afundou foi construído um memorial em 1962 aproveitando a carcaça em honra a sua tripulação e até hoje o óleo do motor do navio sobe para a superfície. A estrutura do museu é em forma de ponte e atravessa o navio naufragado sem tocá-lo, sendo sustentada nas duas extremidades. Acessível somente por balsas, recebe mais de 1 milhão de visitantes anualmente. Em 1998 foi iniciado projeto de preservação do USS Arizona que busca a preservação dos restos do encouraçado, pesquisas se segue no naufrágio para se obter informações sobre o deterioração do. Tal projeto é uma alternativa de preservação para outros sítios arqueológicos de naufrágios, não se sabe ainda se a mais adequada. Mais do que a iniciativa de preservar, vale a de se pesquisar sobre esses afundamentos. Porém, o mesmo ainda se mostra cheio de desafios e questões, pois setenta anos depois do que ocorreu em Pearl Harbor, é possível ver o óleo que ainda vaza dos destroços do USS Arizona.

Mesmo com relevante papel no conflito, iniciativas na linha de pesquisa (Arqueologia Náutica, Marítima) que abrangem Arqueologia das Guerras Mundiais nos meios acadêmicos estão em estágios iniciais no Brasil. A mais relevante delas, feita pelo Ms. Otávio Arruda Porto traz resultados promissores. O autor apresenta uma significativa contribuição para a Arqueologia Subaquática Brasileira discutindo o estudo da Arqueologia das Guerras e a possibilidades da sua aplicabilidade no Brasil através do levantamento dos sítios de naufrágios da costa de Sergipe no período. Outros trabalhos estão ligados a Marinha do Brasil que produz e distribui texto nas áreas de história naval e tradições navais a maioria delas traz memória da participação da Esquadra Naval Brasileira em batalhas em águas territoriais brasileiras.


No Brasil

Um exemplo de pesquisas feitas sobre Arqueologia de Guerras no Brasil foi a expedição da família Schurmann e pesquisadores da Universidade do Vale do Itajaí que encontram, em julho de 2011, à profundidade de 135 m, submarino nazista U-513, afundado em 1943, na costa catarinense. Desaparecem com o U-boot 46 tripulantes, sobreviveram 7 entre eles o comandante Guggenberger. Era projeto da Família Schürmann, a partir da descoberta, explorar o seu interior. A Marinha brasileira, entretanto, em 2013, negou a licença para explorar o interior do submarino alegando que o mesmo era túmulo de guerra.

Navio inglês SS Baron Dechmond torpedeado a 30km do litoral do Ceará.
No Ceará 
Existem possibilidades amplas para esses estudos. Pode-se citar como exemplo o navio SS Eugene Thayer afundado pelo submarino italiano Pietro Calvi em tempos de guerra no litoral norte do Estado. Outro exemplo é o navio Baron Dechmont (Barão de Dechmont) torpedeado em 3 de Janeiro de 1943 pelo submarino alemão U-507 durante a II Guerra Mundial. Pretendo não me alongar muito no texto, então, quem quiser informações mais detalhadas elas estão aqui no site.

A Necessidade da Pesquisa
Salienta-se que essa pesquisa não se trata de apologia institucional e sim de eventos do cotidiano de homens e mulheres que estiveram presentes em momentos de crise. Artigos relacionados ao tema ficam restritos a publicações militares ou as especializadas em mergulho que fazem importantes trabalhos, porém têm menor circulação, restringindo o número de pessoas que tem acesso a esse tipo de informação. Muito do que se escreve sobre naufrágios vem de fontes oficiais quem em vários casos seguem o modelo da historiografia tradicional. Assim muito do que esses afundamentos podem nos dizer ficam omissos dentro dos relatos das histórias dos vencedores.

O que se buscou com esse artigo mostrar as possibilidades da aplicação da Arqueologia Subaquática das Guerras Mundiais. Por todo mundo existe uma grande diversidade de sítios arqueológicos de naufrágios de diferentes nações ainda sendo desprezados por sua juventude. Mesmo no Brasil, são quase que inexistentes tentativas de pesquisas nessa área.

Para saber mais:
Link dissertação Ótavio Arruda Porto:
http://bdtd.ufs.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=1377
Informações sobre o monumento de Pearl Harbor:
http://www.naturalhistorymag.com/htmlsite/master.html?http://www.naturalhistorymag.com/htmlsite/editors_pick/1991_11_pick.html

Site do U-513:
http://www.u-513.com/

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

U-869 - O Submarino Perdido de Hitler (Documentário em Português)

Se você ainda não leu o livro "Mergulho Na Escuridão" não sabe o que está perdendo! Uma estória emocionante sobre como dois mergulhadores descobriram e identificaram um submarino da Segunda Guerra Mundial! Assista ao documentário completo em Português! 
Fonte:
BrasilMergulho

terça-feira, 21 de junho de 2011

Por Dentro de um Submarino da II Guerra - USS Bowfin

USS Bowfin (SS-287) - The Pearl harbor Avenger
Vista da torre do submarino
Poucos de nós temos a oportunidade de realizar nossos sonhos de criança. Eu tive essa sorte. Filho de mergulhadores, minha infância girou em torno do mar e do mergulho. Filmes de submarinistas e com eles a II Guerra ilustravam minhas brincadeiras de criança com isso veio a curiosidade de desvendar o mistério do interior de um desses vasos de guerra submersíveis. Foi aos 25 anos de idade que realizei esse sonho ao visitar Pearl Harbor, no Havaí, EUA. Esta base militar localizada nestas ilhas paradisíacas foi palco de umas das mais ofensivas batalhas entre japoneses e americanos onde estes últimos foram massacrados. 

Vítimas do SS 287
No aniversário de hum ano desta batalha, em sete de dezembro de 1942 era lançado em algum lugar do território norte americano o submarino USS Bowfin, batizado de submarino da vingança. Seu palco de guerra seria na ásia para combater justamente os japoneses que destruíram Pearl Harbor em um ataque traiçoeiro. O Bowfin teve grande sucesso. Após nove patrulhas chegou ao final da guerra com uma contagem incrível de 39 navios mercantes japoneses, 01 francês que fazia parte de um comboio japonês, 04 navios militares também japoneses além de muitos outros danificados.

O autor no submarino
Hoje o USS Bowfin ou SS-287 faz parte do complexo histórico de Pearl Harbor e está aberto a visitação. É possível percorrer toda a extensão do submarino, desde a sala de torpedos de vante a até a ré. Está perfeitamente conservado e guarda vários objetos da época. As visitas não são guiadas, mas o visitante recebe um rádio ao pagar a taxa de $10 para entrar no sub que dá explicações (em inglês) sobre o que estiver vendo. É sem dúvida uma viagem no tempo.

Além de visitar o submarino, o ticket também dá direito a entrada no Museu de Submarinos do complexo. Nele estão vários objetos e relíquias da evolução dos subs a artefatos pertencentes a tripulação do Bowfin.

Assista agora o vídeo gravado no interior do submarino! 



segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Pearl Harbor: "O dia da Infâmia"

Entrada do Complexo Historico de Pearl Harbor. Detalhe veteranos tem vaga reservada no estacionamento.

O dia era 7 de dezembro de 1941. A Segunda Guerra Mundial devastava a Europa. Alemanha, Japão e Itália se uniram em busca de novos mercados para bens produzidos por suas industrias. Os Estados Unidos da América ainda não entrara no conflito, mas era apenas uma questão de tempo, ou melhor, pouco tempo. Dias antes uma frota de seis porta-aviões carregando 353 aviões japoneses partia de sua terra natal com destino ao seu alvo: a base naval norte americana de Pearl Harbor onde estava ancorada toda a frota Norte Americana do Pacifico, cerca de 30 navios de guerra.

Imagens da Batalha


O Japão ainda não havia declarado guerra aos Estados Unidos, o telegrama formal seria entregue ainda naquela manha, logo após o inicio dos ataques traiçoeiros. 353 aviões japoneses partiram de navios porta-aviões localizados a 12 milhas da ilha de Oahu onde estava a base. As primeiras bombas foram lançadas pela primeira leva de aviões as 7:55 da manha.

Museus, Memoriais, Submarinos e
Navios de Guerra
No ataque vários navios foram afundados, campos de pouso foram destruídos e aeronaves bombardeadas além das perdas materiais cerca de 1.900 marinheiros e soldados americanos perderam suas vidas. Foi o maior e mais traiçoeiro ataque em solo americano arquitetado por uma naçao. Um excelente estratégia de guerra que entrou para a historia "O dia da Infâmia".

Hoje Pearl Harbor além de uma base naval é uma das atraçoes da ilha havaiana de Oahu e um local onde a guerra ainda pode ser vista, sentida e ouvida para que nunca seja esquecida. Museus, memoriais e navios de guerra podem e devem ser visitados.

No complexo "Pearl Harbor Historic Sites" estão verdadeiras relíquias para aficionados em II Guerra e historia naval. Entre elas destacamos o Memorial do USS Arizona, o Museu de Pearl Harbor, o submarino americano USS Bowfin, o Museu de Submarinos, o navio de guerra USS Missouri e o Museu de Aviação do Pacifico.

1.177 homens perderam as vidas e 900 ainda permanecem dentro do naufragio
Memorial do USS Arizona
O Navio de Guerra USS Arizona é um dos símbolos do ataque a Pearl Harbor. Violentas explosões devastaram o navio e sua tripulaçao. O casco do Arizona tocou o fundo nos 20 primeiros minutos do ataque levando consigo 1.177 vidas. O antigo navio ficou completamente destruído e não pode ser reaproveitado, além disso 900 corpos ainda permanecem dentro do navio sendo assim considerado um túmulo de guerra. Em 1957 o governo dos EUA, o governo do Havai e a iniciativa privada construíram o Memorial do Arizona sobre os restos do navio, e um local para relembrarmos as vidas perdidas naquele dia. Os nomes dos marinheiros estão pra sempre gravados nas paredes do memorial e partes do navio emergem na maré seca apenas para lembrarmos que apesar do tempo o massacre aconteceu de verdade.  Para chegarmos até ele é necessário pegar um barco que faz o transporte a cada 15 minutos. Hoje os veteranos que desejarem descansar em paz ao lado dos colegas que se foram podem ter suas cinzas depositadas dentro do interior do naufragio.

O Museu de Pearl Harbor
Ao chegarmos do memorial a visita ao museu de Pearl Harbor se faz necessária. La é possível entender melhor o ataque e observar artefatos retirados do navio. Os restos de um torpedo aéreo japonês que realmente explodiu é um dos artefatos mais interessantes, bem como uma maquete em escala do naufrágio do USS Arizona e do Memorial e roupas manchadas de sangue usadas por aquele quesocorreram os feridos.

USS Bowfin. O Submarino da Vingança
O Submarino USS Bowfin
USS Bowfin vista da torre
O submarino SS287 ou USS Bowfin é também conhecido como o submarino da vingança porque foi o que mais afundou embarcacoes japonesas. O submarino é aberto a visitação e é possível visitar boa parte dele. A visita se inicia pelo convés onde podemos descer para a sala de torpedos de vante, seguimos pelo compartimento dos oficiais, sala de comando, sala de comunicacoes, acomodacoes da tripulação, sala de maquinas, sala de controles eletricos, finalizando com a a sala de torpedos de ré. E incrível imaginarmos a vida a bordo de embarcacoes como essa, observar os detalhes e imaginar a angustia da espera. As tripulacoes de submarinos, seja qual fosse a causa, pela sua coragem são verdadeiros heróis.

Esses copinhos de isopor eram iguais sendo que o da esquerda foi levado a 1300m de profundidade
O Museu de Submarinos
Para mergulhadores é uma atracao a parte. Dezenas de artefatos nos lembram a evolução dessas embarcacoes. Um item exposto é o hélice do primeiro submarino japonês capturado, encalhado em uma das ilhas de Oahu, assim como a ficha do primeiro prisioneiro feito pelos americanos na segunda guerra tripulante do submarino. Outro artefato interessante é um copinho de isopor deformado devido a pressão após ser levado a 1.300m de profundidade.

USS Missouri, onde foi assinada a rendiçao japonesa
USS Missouri
Ao lado do memorial do Arizona esta ancorado o navio de guerra USS Missouri que também se encontrava em Pearl Harbor no dia do ataque. No entanto sua importância se da porque foi em seu convés que foi assinada a rendição japonesa em setembro de 1945, no exato local encontra-se um marco comemorativo do fim da guerra. O navio não esta mais em serviço e esta aberto a visitação, é possível visitar boa parte de suas instalacoes, seu interior, sala de comando, etc. Em seu convés estão seus imensos canhões, metralhadoras em 270m de comprimento e 60 metros de altura.

Novas aeronaves recem adquiridas pelo Museu de Aviação do Pacifico
Museu de Aviação do Pacifico
Varias aeronaves podem ser vistas no museu. São dezenas de aviões, helicópteros e artefatos relacionados a aviação. A direcao do museu recentemente adquiriu novos aviões para exposição. La também se encontram os resto de um Zero, avião japonês que após o ataque fez um pouso forcado na ilha de Ni'hau. Seu piloto escapou do pouso e foi acolhido por descendentes de japoneses que ali moravam. Após ser descoberto foi morto após uma luta difícil pelo havaiano que o descobriu.

Texto e Fotos
Marcus Davis


(Obs.: Teclado em Ingles, desculpem os erros ortograficos)

sábado, 30 de outubro de 2010

A Proteção do Patrimônio Arqueológico Subaquático brasileiro – uma breve avaliação

(Imagem Ilustrativa. Fonte Live Information News)



Daniel M. Gusmão

No último dia 7 de outubro, o jornal O Globo noticiou na sua coluna Ciência/Cultura que o governo da Espanha, por meio de sua Marinha de Guerra, juntamente com o Ministério da Cultura estavam empreendendo um grande trabalho de salvamento do patrimônio cultural subaquático.

Por meio da Campanha de Proteção do Patrimônio Arqueológico Subaquático a Marinha espanhola, com dois navios de guerra e uma lancha hidrográfica, juntamente com seus mergulhadores e arqueólogos subaquáticos do Centro de Arqueologia Subaquática (CAS) pretendem localizar, identificar e quando possível, resgatar naufrágios existentes na plataforma continental do Golfo de Cádiz até uma profundidade de 200 metros. Num segundo momento este trabalho se estenderá a toda costa espanhola.

Esta empreitada da armada espanhola faz parte de um grande projeto denominado Plano Nacional para a Proteção do Patrimônio Arqueológico Subaquático (PNPPAS), aprovado em 20NOV2007 pelo governo espanhol. Este plano prever que sejam adotadas medidas efetivas para a salvaguarda, conservação e difusão do patrimônio espanhol subaquático, no intuito de evitar que as atividades de exploração não afetem diretamente este patrimônio e velar para que as atividades subaquáticas legalmente autorizadas não incidam negativamente em sua conservação.

Cabe destacar, que o governo espanhol desde 06JUN2005 tornou-se um dos países signatários da convenção da UNESCO sobre a Proteção ao Patrimônio Cultural Subaquático aprovada em 02NOV2001. Ratificada por mais de trinta países como Espanha, Portugal, México, dentre outros ela ainda apresenta algumas divergências diante do conceito de “patrimônio da humanidade”, sendo que nações como o Brasil, Inglaterra, Holanda, Alemanha, etc; que mantêm políticas voltadas para o proteção do patrimônio cultural subaquático não ratificaram a presente convenção.

A convenção estabelece como regra básica, a proibição da exploração comercial do patrimônio arqueológico subaquático e regula normas relativas às atividades voltadas para a proteção deste acervo tornando-os patrimônios da humanidade.

A Espanha despertou para a proteção do seu patrimônio cultural subaquático somente depois de ter o seu mar territorial invadido pela empresa de explorações submarinas Odyssey Explorer, sediada na Flórida (EUA). Em 2007, esta empresa localizou e explorou a embarcação de guerra Nuestra Señora de las Mercedes, que naufragou em 1804, atacada por navios ingleses no Estreito de Gilbraltar e dela retirou mais de 500.000 moedas e diversos objetos, desde então o governo espanhol vem travando uma batalha judicial para obter a posse desse seu patrimônio histórico e arqueológico.

Apesar de não ser signatário da convenção da UNESCO, o Brasil vem engatinhando na adoção de medidas para a proteção de seu patrimônio arqueológico subaquático.

No início da década de 80, notícias de saque em naufrágios da costa do nordeste brasileiro mobilizaram um navio de guerra, o Navio de Socorro Submarino Gastão Moutinho, mergulhadores da Marinha do Brasil (MB) e especialistas do então Serviço de Documentação-Geral da Marinha para trabalhos de salvamento dos referidos naufrágios.

A partir deste trabalho de salvamento, o Museu Naval e Oceanográfico inaugurou, em 10DEZ1993, a exposição Arqueologia Subaquática no Brasil, primeira exposição museológica do gênero no País. 
Mesmo sem realizar um projeto arqueológico subaquático dentro dos parâmetros acadêmicos vigentes atualmente, este trabalho de salvamento da Marinha propiciou uma reflexão sobre a atividade arqueológica no Brasil. 

Até meados da década de 80, não havia no País norma especifica que regulamentasse as atividades de arqueologia subaquática. O que havia até então dispunha apenas sobre monumentos arqueológicos e pré-históricos cabendo ao então Ministério de Educação e Cultura, por meio da Diretoria do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional a gerência destas atividades no País.

Foi somente em 1986, que se sancionou lei que dispunha sobre a pesquisa, exploração, remoção e demolição de coisas ou bens afundados, submersos, encalhados e perdidos em águas sob jurisdição nacional, em terreno de marinha e seus acrescidos e em terreno de marinha e seus acrescidos e em terrenos marginais, em decorrência de sinistro, alijamento ou fortuna do mar . A referida lei propunha que a coordenação, controle e fiscalização das atividades subaquáticas passaram a ser de competência do então Ministério da Marinha.

A partir desta lei, iniciava-se uma forma sistemática de proteger o patrimônio cultural subaquático, que ganhou força três após a sua vigência com uma portaria interministerial, aprovando normas comuns, no intuito de 

“(...) estabelecer procedimentos visando à padronização de ações adotadas pelos Ministérios da Marinha e da Cultura quanto à pesquisa, exploração, remoção e demolição de coisas ou bens de valor artístico, de interesse histórico ou arqueológico afundados, submersos, encalhados e perdidos em águas sob jurisdição nacional, em terrenos de marinha e seus acrescidos e em terrenos marginais, em decorrência de sinistro, alijamento ou fortuna do mar ”.

Até então, a proteção do patrimônio cultural subaquático brasileiro estava gerido por um conjunto de regras que o protegiam, pois as citadas normas proibiam a sua comercialização; porém, de acordo com o Livro Amarelo (...) irônica e lamentavelmente, em 27 de dezembro de 2000 (entre as festas de Natal e Ano Novo) foi sancionada a Lei Federal nº 10.166, que alterou significativamente os procedimentos da Lei nº 7.542 .

A lei em vigor, a partir de 2000, propiciou concessão para a realização de operações e atividades de pesquisa, exploração, remoção ou demolição a pessoas físicas ou jurídicas estrangeiras, e também a possibilidade do pagamento de recompensa a terceiros que venham a explorar patrimônio arqueológico subaquático nacional.

Estas mudanças apresentaram um retrocesso pela salvaguarda e proteção do patrimônio cultural. Porém, a partir de 2006, com a iniciativa da Deputada Nice Lobão, encontra-se tramitando no Senado Federal, Projeto de Lei da Câmara nº 45, de 2008, dispondo sobre o patrimônio cultural subaquático brasileiro e revogando os artigos da Lei nº 10.166/2000, que tratam do pagamento de recompensa sobre o referido patrimônio.

Nestes últimos quatros anos, diversos fatores ocorreram que influenciou de maneira positiva ou negativa a atividade arqueológica subaquática no Brasil. 

Em 2007, um dos maiores grupos de pesquisa e explorações subaquáticas do mundo, a empresa húngara Octupus (www.deepresearch.hu), obteve autorização da Marinha do Brasil para localizar uma embarcação holandesa naufragada na costa do Estado do Pernambuco.

Foi a primeira vez, que se concedeu autorização a um grupo estrangeiro para realizar pesquisas arqueológicas subaquáticas em águas jurisdicionais brasileiras.

Nos últimos anos, grupos vêm realizando trabalhos de pesquisa e exploração de naufrágios na costa brasileira. Cabe destacar que estes trabalhos são autorizados pela MB e devem ser acompanhados/fiscalizados, em conjunto pela MB e Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). 

Um exemplo de trabalho que vem sendo bem efetuado e acompanhado pelos órgãos competentes é a atividade de conservação e estudos de um naufrágio localizado na Praia dos Ingleses, na Ilha de Santa Catarina pela Organização Não-Governamental Projeto de Arqueologia Subaquática (ONG PAS) - http://www.ongpas.com/.

Cabe ressaltar, que o domínio das técnicas de atividades aplicadas ao mergulho tem se desenvolvido rapidamente nos últimos anos, propiciando desta forma uma maior permanência do homem no meio subaquático. Desta forma, o patrimônio cultural que permaneceu guardado durante séculos tende-se a ser deteriorado em pouco tempo devido à ação do homem se não for devidamente pesquisa, estudado e conservado.

Exemplo desta ação indevida, fora noticiada recentemente quando da retirada de embarcações e objetos do leito do Rio Paraná por terceiros sem autorização da Autoridade Marítima.

A importância deste segmento para a preservação do patrimônio arqueológico nacional, redundou na criação do Centro Nacional de Arqueologia (CNA), órgão do Ministério da Cultura que se voltará especificamente para as atividades de preservação e proteção do patrimônio arqueológico nacional.
Destarte, cada vez mais os países desenvolvidos estão lançando maciças campanhas de proteção ao patrimônio cultural subaquático notadamente contra a exploração indevida por grandes grupos de caça-tesouros, a exemplo do que a Espanha vem realizando a favor do seu patrimônio. 

Ações como a do governo espanhol, inibirão as atividades de tais grupos, fazendo com que eles se voltem para países, como o nosso, que mantém uma tímida política de proteção ao seu patrimônio, que poderá ser contornada com a aprovação do projeto de lei que tramita no congresso e uma ação mais efetiva do governo brasileiro, assim como fez o governo da Espanha, por meio da utilização dos seus navios de guerra.