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terça-feira, 8 de março de 2016

A História do Açude Castanhão

Vista aérea do Castanhão com as doze comportas abertas

Localizado entre os municípios de Alto Santo, Jaguaribara, Jaguaribe e Jaguaretama, o Açude Castanhão, ou simplesmente Castanhão, é o maior açude público para múltiplos usos da América Latina e fica à 306,8 km (aproximadamente 4 horas de viagem) de Fortaleza.

A obra foi iniciada em 1995, durante o governo de Tasso Jereissati, e concluída em 23 de dezembro de 2002, pelo governador Beni Veras, em uma parceria entre a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará-SRH-CE e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas-DNOCS.

O açude ganhou esse nome devido ter sido inicialmente idealizado pela família Cunha, família que comandava a oligarquia da região na época e era dona da fazenda Castanhão, que posteriormente teve suas terras submersas quase por inteiro.

A capacidade de armazenamento do Castanhão é de 6.700.000.000 m³. Sozinho, ele tem 37% de toda a capacidade de armazenamento dos 8.000 reservatórios cearenses.

A criação do Castanhão propiciou muitos benefícios para a população cearense, como:

- Irrigação de 43.000ha de terras férteis do chapadão do Castanhão e da Chapada do Apodi;
- Garantia de água para o abastecimento da região Metropolitana de Fortaleza;
- Controle do nível do Rio Jaguaribe, evitando cheias e deixando o rio perene;
- Produção de 3.800t/ano de pescado;
- Instalação de uma usina hidrelétrica, com capacidade para gerar 22,5 megawatts;
- Criação de um polo turístico;
- Reservatório pulmão para transposição de águas (auxiliar na transposição do rio São Francisco);
- Execução de estações sismológicas e climatológicas;

Antes do Castanhão a maior barragem cearense era o Orós, no município de mesmo nome, que também é uma represa no Rio Jaguaribe, mas que comporta pouco mais da metade da capacidade do Castanhão.

O município de Jaguaribara foi submerso para a construção do açude e em substituição à cidade submersa, construíram uma nova sede do município, a Nova Jaguaribara. Mas ainda hoje existem conflitos em relação as terras perdidas que não foram devidamente indenizadas e a todo o patrimônio histórico do município que hoje está submerso e escondido nas águas do açude.

Mergulhador entre as ruínas da cidade submersa 
Devido à capacidade hídrica e a extensão territorial do açude, além da fauna e dos mistérios escondidos nas ruínas da cidade submersa, o lugar é de grande interesse para mergulhadores, a Mar do Ceará já realizou algumas expedições no local como a de mapeamento do açude e de mapeamento das casas submersas.

O Açude Castanhão possui 325 quilômetros quadrados de área inundada, sendo que a linha d’água é de 58 quilômetros em direção NE-SW do leito do Rio Jaguaribe. A profundidade do açude pode chegar a mais de 50 metros. A principal barreira tem 1.500 metros de extensão, 11 de largura, 12 comportas e quatro válvulas dispersoras.

O rio Jaguaribe antes da construção do Castanhão era conhecido como o maior rio seco do mundo, pois era um rio sazonal (tipo de rio que durante o período chuvoso apresenta bastante água, mas que pode desaparecer totalmente durante o período de estiagem) e localizado em um estado de clima semi-árido, o que não favorece a ocorrência de chuvas, mas se tornou perene com a construção do açude, que passou a regular o fluxo da água do rio.

Mapa mostrando a extensão do rio Jaguaribe e a localização do Castanhão

O Jaguaribe é o maior rio do Estado e é de extrema importância para todos os cearenses, ele ocupa cerca de 51,9% da área total do estado, o que equivale a, aproximadamente, 75 669 km². As cabeceiras de suas sub-bacias servem de limite entre o Ceará e os estados do Piauí, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, nasce na Serra da Joaninha na lagoa de Santiago em Tauá, quase na fronteira do Piauí e deságua no Oceano Atlântico no município de Fortim. É o maior curso de água do território cearense com 633 km de extensão.



Mas esse grande rio não tem apenas importância econômica para o estado, ele tem um relevante lado histórico-social , pois assim como na história do surgimento de quase todas as civilizações do mundo, os povoados tendem a surgir próximos aos rios ou ao mar e o rio Jaguaribe tem suas margens habitadas desde o inicio da história do Estado, pois possibilitava uma agricultura mais produtiva e um gado menos magro, facilitando a vida dos cearenses.

Antigamente era comum desmatar a vegetação da margem do rio (mata ciliar) para plantar naquela região, mas com o desmatamento excessivo da vegetação que tem como finalidade proteger o rio, mais sedimento (areia) entra do rio, que aos poucos vai sendo assoreado e se tornando cada vez mais raso. Devido a esse tipo de atitude, hoje em dia alguns trechos do rio não possuem mais que um metro de profundidade.

A Origem do município de Jaguaribara remonta ao final do Século XVII, quando se estabeleceram naquelas terras, algumas fazendas destinada a criação de gado. Em 1694, devido a forte resistência dos índios, donos originais da terra, os fazendeiros foram obrigados a se retirarem para as proximidades de Fortaleza, voltando anos mais tarde após vencida a resistência indígena.

O povoado de Santa Rosa constituiu-se de um desdobramento desta área, a qual foi transferida, em 1786 por doação de um dos herdeiros, para o patrimônio da Igreja católica. Elevada a condição de Vila, Santa Rosa foi inicialmente distrito do município de Frade, posteriormente denominado de Jaguaretama.

Em 31 de outubro de 1824, o povoado foi marcado pelo mais importante embate verificado no Ceará, entre as tropas imperiais e os componentes da Confederação do Equador que foi um movimento de caráter separatista e republicano do Nordeste. Deste embate, realizado as margens do Rio Jaguaribe, resultou a captura e o assassinato de Tristão Gonçalves de Alencar Araripe (também conhecido como Tristão Alencar Araripe), revolucionário que também participou da Revolução Pernambucana (movimento emancipacionista de Pernambuco) em 1817.
Monumento em homenagem ao Tristão Gonçalves 

No ano de 1924, o Instituto Histórico do Ceará, ergueu no local denominado Alto dos Andrade, no Sítio Tapera, zona rural de Jaguaribara, um pequeno monumento ao herói. Supostamente seus restos mortais foram sepultados na capela do povoado, mas que hoje encontra-se submersa pelas águas do Castanhão.

Jaguaribara foi distrito de Jaguaretama, até março de 1957, quando foi promovida a município. O nome da cidade é uma referência a tribo tupi que habitava a região. Etimologicamente Jaguaribara significa Moradores do Rio das Onças. 

Os habitantes de Jaguaribara tiveram que sair de suas casas mas nada do que estava ali foi destruído e nesse período de estiagem, que o estado vem passando por um longo período de seca, partes da cidade podem ser vistas de forma ilhada entre a água do açude, como o monumento no Alto dos Andrades que foi construído em homenagem ao Tristão Gonçalves.

Visite as profundezas do Castanhão com a Mar do Ceará e vá conhecer essa história de perto!





Referencias: 
http://www.repositoriobib.ufc.br/000019/000019ad.pdf
http://sustentabilidade.sebrae.com.br/Sustentabilidade/Neg%C3%B3cios-de-sucesso/Piscis
http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/castanhao-comportas-serao-abertas-parcialmente-nesta-6%C2%AA-feira/
http://cearaemfotos.blogspot.com.br/2011/03/jaguaribara-velha-e-nova.html

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Um Mergulho no Açude Castanhão: o olhar de um biólogo


Levamos um biólogo em nossas expedições o que resultou neste belíssimo texto! 
Aproveite!


por Pedro Bastos de Macedo Carneiro
Biólogo CRBio 59.848/05-D
Universidade Federal do Ceará
Instituto de Ciências do Mar
Laboratório de Macroalgas


O açude Castanhão é imenso. Criaturas as mais diversas dependem das suas águas. Fenômenos variados se sucedem numa intrincada e complexa rede, influenciando muito além das fronteiras da enorme área alagada. Somente alguém muito ingênuo e precipitado se arriscaria a dar respostas prontas para perguntas como: o que acontece quando se alaga uma área tão grande, cobrindo morros e vales, cidade e floresta? 

Não devemos nos enganar. Essa dúvida permanece, mesmo após anos da construção do açude. A incapacidade de entender essa complexidade, ou, pior ainda, a crença equivocada de que já conhecemos e, portanto, controlamos tudo o que ocorre no reservatório pode ser fatal para o mesmo e para as formas de vida que dependem daquela água. 

Por outro lado, acreditamos que é sim possível conhecer alguns dos segredos do reservatório. Principalmente se tivermos os recursos necessários e mantivermos a humildade de reconhecer nossas limitações. 

E é justamente com essa atitude que uma equipe vem se propondo a visitar o Castanhão. Os pontos unificadores desse grupo? A prática do mergulho autônomo e uma vontade despretensiosa de conhecer mais sobre as casas que até hoje resistem sob àquelas águas. Esses mergulhos nos permitem ter uma experiência bastante próxima ao reservatório e nos reafirmam que o maior açude do Ceará é sim bastante rico. 
Água clara no raso

Nos pontos mais profundos (onde se encontram, por exemplo, a maioria das casas submersas) a água é mais turva junto á superfície e mais transparente próximo ao fundo. Essa transparência, no entanto, demanda lanternas para ser notada, já que abaixo dos 5m a água costuma ser bastante escura.

E qual seria a explicação disso? Longe de querer encerrar a questão, podemos supor que algas microscópicas se aglomeram junto á superfície do açude numa disputa pela luz do sol, que é ingrediente fundamental para a fotossíntese.

Essa aglomeração tornaria a água mais turva nos primeiros 5m de profundidade e a disputa acabaria por consumir boa parte da luz ainda nessas partes superiores da coluna d’água. 

No fundo, água limpa mas escura
Já a escuridão impede o crescimento de plantas junto ao fundo do açude. Isso diminui o interesse dos animais pela área e não temos um ambiente particularmente rico em espécies. Com a exceção de numerosos caramujos habitando o fundo lamoso, o que se vê mais são alguns poucos cardumes de tucunaré. Por outro lado é essa aridez que torna a água transparente e permite mergulhos mais agradáveis, com a devida ajuda da luz artificial. 

Essa situação muda em locais mais rasos, próximo à margens do Castanhão. Nesses ambientes, a dinâmica das águas, luz e nutrientes é diferente dos locais mais profundos e é possível observar muitas plantas aquáticas. A maioria dessas cresce enraizada no fundo do açude e, diferentemente das algas, seus corpos e seu hábito foram moldados para permitir a passagem da luz, garantindo assim que toda a planta realize fotossíntese. Isso também permite que elas sirvam de abrigo e alimentação para peixes e mergulhar nelas é como adentrar uma pequena floresta.

No fundo a vida aquática é tímida
O fato de essas plantas estarem enraizadas as diferencia de outros tipos de vegetação aquática flutuante, como os Aguapés, que, por crescerem junto à superfície da água, podem bloquear a luz e empobrecer as regiões mais profundas. Essas plantas flutuantes estão por vezes relacionadas com o aumento da poluição e não as termos encontrado foi uma boa notícia, apesar de serem freqüentes os sinais de ocupação humana próximo às margens. 

Por fim, existem corpos d’água localizados por fora da barragem. Esses pontos recebem grandes cargas de água quando as comportas do açude estão abertas, mas se apresentam como poças rasas nos períodos de estiagem. Essas poças, no entanto, permitem o florescimento de uma vegetação exuberante que destoa da paisagem árida que cerca o Castanhão nesses anos de forte seca. 

Dentro dessas poças é possível encontrar cascudos, pitús e caramujos. Numa olhada rápida, todos esses pertencentes à umas poucas espécies bem adaptadas à um regime de águas variável, mas previsivelmente violento. Quando as comportas são abertas, a água das poças é renovada e o pequeno reservatório recebe nutrientes. Por outro lado é de se esperar que a força bruta das águas cause estragos consideráveis aos seres que lá habitam. Só aqueles capazes de buscar abrigo em águas mais calmas, se agarrar fortemente às rochas e resistir deverão ser observados em futuros mergulhos.

Essa variedade de ambientes e condições, parte pequena da grande complexidade citada mais acima, pôde ser observada em nossos mergulhos. Elas exemplificam e reforçam a necessidade de pensarmos o açude Castanhão tendo sempre em mente que ele se trata de um ambiente vasto e heterogêneo. 

É claro que em nossas visitas despretensiosas não sairíamos conhecendo todo o reservatório. E nem era essa nossa pretensão. Mas observar in loco a diversidade do açude e o esforço em tentar compreendê-la é, de fato, recompensador. E saber que essa visita pode estimular novas incursões mais ainda.


Fotos Marcus Davis

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Curso de Mergulho para Piscicultores em Jaguaribara


Desde a construção do Açude Castanhão que as águas do Rio Jaguaribe possuem diversas finalidades. Uma das atividades que mais se desenvolveu foi a aquicultura (cultivo de peixes) em detrimento da sofrida agricultura. Investidores privados, cooperativas e associações obtêm licença junto ao Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS) para uso das margens do açude e montar suas fazendas empregando milhares de pessoas em sua cadeia produtiva.

As fazendas possuem dezenas de enormes tanques-redes imersos no açude em até 6m de profundidade e criam dentro deles toneladas de peixes que são vendidos no mercado interno e externo. Os funcionários dessas fazendas muitas vezes tem que mergulhar para realizar a manutenção dos tanques e a maioria deles não sabem o mínimo necessário para preservar sua segurança. 

Tal atividade tem se especializado cada vez mais nos últimos anos e diversas inovações tem sido observadas entre os fazendeiros do ramo. A fim de preservar a segurança e aumentar a eficiência de seus funcionários que os proprietários da "Fazenda Jaburu" contrataram a equipe do Mar do Ceará para ministrar curso de mergulho recreativo para seus colaboradores que muitas vezes realizavam tarefas na água sem nenhum treinamento (muitos mergulhavam sem saber técnicas básicas de equalização).

É importante que os funcionários dessas fazendas que exercem tais atividades tenham pleno conhecimento dos perigos inerentes à atividade de mergulho e aprendam seguramente como evitá-los! O curso durou 05 dias com aulas pela manhã e a noite em um total de 30 horas/aula e os candidatos que atingiram a pontuação mínima de 75% foram aprovados! Esperamos que mais piscicultores sigam este exemplo e capacitem seus funcionários e valorizem seu material humano!

Outra capacitação extremamente útil seria o Curso de Primeiros Socorros EFR em que os alunos aprendem técnicas básicas para lidar com vítimas de traumas e enfermidades enquanto chega o socorro médico.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Produção de Cinema no Açude Castanhão: O sertão que virou Mar e vai virar Filme!

O Projeto MapCaSAC vem rendendo frutos para a cultura cearense! Neste mês produzimos imagens para um filme realizado pela produtora Mirada Filmes

Produção de Cinema no Açude Castanhão
Uma equipe multidisciplinar embarcou para Jaguaribara com o objetivo de coletar dados técnicos e imagens sobre as casas que as águas que o Açude Castanhão cobriram. Lá encontramos com a equipe de filmagens da Mirada e juntos fizemos "altas" imagens no fundo e na superfície! Esta é apenas mais uma etapa do Projeto de Mapeamento das Casas Submersas do Açude Castanhão iniciado em novembro do ano passado. Já mapeamos diversas casas que vem sendo exploradas e documentadas, além do trabalho de campo já produzimos um artigo publicado na revista especializada Deco Stop, matérias de jornal e que venha o documentário!


Participaram da Expedição:

Alexandre Martorano .... Cinegrafista Subaquático
Lilia Guedes ................ Arqueóloga Mergulhadora
Pedro Carneiro ............ Biologo Mergulhador, Labomar UFC
Melquíades Junior ....... Jornalista, Jornal Diário do Nordeste
Bruno Gomes ............. Fotógrafo, Jornal Diário do Nordeste
Augusto César ............ Mergulhador Técnico, FPSub
Luciano Andrade ........ Mergulhador Técnico, FPSub
Marcus Davis .........CO de Mergulho, Mar do Ceará
Victor Emanuel ..... Mergulhador de Resgate, Mar do Ceará
Luziana Lima ........ Apoio de Terra, Mar do Ceará

sábado, 9 de março de 2013

Mergulhos no Açude Castanhão: Perguntas e Respostas

Alunos-mergulhadores satisfeitos após conclusão do seu curso avançado no açude!

A visibilidade no açude é boa?
Sim, considerando que são mergulhos em água doce uma visibilidade média de 6m é boa. Nos primeiros 10 metros temos a luz do sol, mas o excesso de matéria orgânica limita a visibilidade a uns 4m. Após esta profundidade a água fica mais limpa, sem excesso de micro-organismos mas temos uma certa ausência de luz natural e uma tonalidade esverdeada predominante. Por este motivo o uso de lanternas é altamente recomendado. 

Qual a profundidade dos mergulhos?
É possível fazermos mergulhos bem rasos e bem fundos, mas a média dos melhores pontos (as casas) é 15m. Lembrando que não temos variação de maré, mas na época das chuvas o açude enche e essa média deve aumentar.

Qual a temperatura da água?
A temperatura da água fica em torno dos 29 graus na superfície (bem quente) e diminui cerca de hum grau a cada dez metros.

Nós vamos mergulhar na cidade submersa, a velha Jaguaribara?
Não. A maioria das casa da velha Jaguaribara foram demolidas. As construções em lugarejos distantes são as que foram ignoradas e deixadas a mercê das águas e do tempo. Nós estamos mapeando fazendas, casas pequenas e grandes isoladas de grandes centros urbanos.

As casas estão inteiras?
Algumas estão bem preservadas, outras não resistiram ao avanço das águas e ruíram. Já outras foram desmontadas e seu material de alvenaria cuidadosamente arrumado. Os vestígios humanos são presentes em ferramentas, utensílios domésticos, instalações elétricas, fogões, cercas e estruturas das casas propriamente ditas. Um fato curioso é que ao que parece as estruturas de sustentação das caixas d'água eram as mais fortes, pois em algumas construções foi a única coisa que restou de pé.

Os mergulhos são embarcados ou de praia?
Faremos mergulhos a partir da "praia" e embarcados. Mas a maioria são embarcados.

Faremos mergulho noturno nas trips?
Estamos discutindo a possibilidade. Neste caso os alunos/mergulhadores devem ser certificados avançado e devem providenciar suas próprias lanternas (02 por mergulhador).  

E a vida aquática?
A vida aquática é tímida mas podem ser avistadas agregações de tucunarés com até 10 indivíduos, pequenos pintados, camarões e lesmas bem como uma flora completamente diferente e diversificada. Dizem que existem tambaquís e pirarucus, mas ainda não os vimos.


Quais as vantagens de mergulhar no Castanhão?
Muitas. Por não estar mareado voce está apto a realizar exercícios, planejar seu mergulho, montar seu próprio equipamento de forma clara e consciente. Os pontos deste "parque de diversões" que é o Castanhão, são praticamente intocados desde 2003 quando o açude encheu. Alguns dos pontos são completamente virgens, ou seja: nunca antes mergulhados. Outro fato interessante é que a madeira resiste muito mais tempo em água doce do que no mar o que resulta num surreal mergulho pela caatinga cearense.

Voce experimentará mergulhar em água doce, usar menos lastro e fazer tempos de fundo mais longos, sem correnteza e o receio de ser levado para longe do barco!

Posso levar minha família?
Claro! Teremos um dia para fazermos "Experiência de Mergulho" em quem quiser conhecer o mundo sub!
Fotos:
Ivonilson Gois e Marcus Davis

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Mapeamento das Casas Submersas do Açude Castanhão

"O sertão vai virar mar." E de mar nós gostamos!
Mergulhador no Açude castanhão

Porta na Casa Pequena
Um dos maiores do país e o maior do Ceará o açude Castanhão foi construído a partir do represamento do Rio Jaguaribe obra que foi iniciada em 1995 e finalizada em dezembro de 2002. Sua construção objetivava o consumo humano que sofre com as secas frequentes na região. Estas obras se deram em meio a uma grande polemica: a represa iria submergir uma cidade inteira chamada: Jaguaribara!

Em 1957 é criado um novo município: Jaguaribara, que antes era apenas um distrito de Jaguaretama.  Esta região foi habitada no final do século XVII e se desenvolveu nas margens do rio perene que a abastecia: o Jaguaribe. A cidade de nome tupi devido a forte presença indígena na região (Jaguaribara significa "Morada das Onças") foi palco de batalhas históricas durante a Confederação do Equador, um movimento separatista deflagrado em 1824. Um dos líderes do movimento, Tristão Gonçalves de Alencar Araripe foi morto na região durante uma emboscada em local que hoje encontra-se submerso, o "Alto dos Andrade"... A cidade e seus moradores foram levados para uma nova cidade, a primeira projetada do Ceará inicialmente chamada de Nova Jaguaribara.
Mergulhadora na janela

Como mergulhador tanta história sob a água me empolga! O fato de que agora o que está ali está acessível a poucos me fascina. Mas esse fascínio sempre veio com uma decepção quando se tratava de Jaguaribara: a cidade teria sido demolida antes da chagada das águas, e de fato foi. Mas nem tudo estava perdido. Um colega me passou a informação de que casa isoladas, em pequenos povoados distantes da cidade teriam sido ignoradas e deixadas de intactas. A informação precisava ser verificada então organizamos algumas expedições para verificarmos a "mergulhabilidade" do açude Castanhão.

Localizando os pontos com GPS
Em uma primeira expedição verificamos a visibilidade da água que se mantém em torno de 6m; a temperatura estável e quente como no sertão: 29 graus; e profundidade média de alguns pontos, cerca de 16m. Mas nada de casas! Na segunda expedição munidos de coordenadas e GPS partimos para a primeira casa que foi encontrada com sucesso em um rápido mergulho! Uma grande emoção que reside na certeza de termos sido os primeiros (Marcus e o Marlon) a visualizar aquelas portas e janelas onde a dez anos atrás moravam pessoas! Hoje já fizemos três expedições e mapeamos várias casas. Muitas não resistiram ao avanço das águas e a sua frágil estrutura ruiu, outras permanecem parcialmente inteiras e algumas estimamos que estejam mais de 70% preservada!
Filtro de água potável
na Casa dos 18

Algumas casas/pontos:
  • Casa Grande da Fazenda, trata-se da maior construção de onde funcionava uma fazenda que hoje está a cerca de 15m de profundidade. A estrutura está bem demolida, mas sua caixa d'água permanece de pé. Este ponto merece mais alguns mergulhos para um mapeamento completo.
  • Casa Pequena da Fazenda, na verdade são duas casas, distantes cerca de 30m uma da outra. Também na faixa dos 14m.
  • Casa dos Dezoito, assim chamada devido a sua profundidade máxima: dezoito metros. Está mais de 70% preservada, grande parte de seu telhado, sua caixa d'água, e outras estruturas resistiram, nela também foram encontrados artefatos como um ferro de passar roupas, fogão de barro, colher, filtro, cadeira de balanço.
  • Casa do Fogão, sua estrutura de alvenaria está cerca de 30% preservada. Algumas paredes estão de pé e sua instalação elétrica permanece no local (mas não dá choque).
  • Os mergulhadores na primeira
    expedição de mapeamento
  • Casa do Jaburu, está aos 14m de profundidade próxima a Pedra do Jaburu, um lajedo que sobe até a superfície. A cerca do quintal da casa está inteira e pode ser vista, bem como tucunarés e outros peixes. 
  • Pedra do Jaburu, pequeno rochedo, pico de um pequeno morro que emerge da superfície. Um mergulho interessante, cheio de árvores, peixes e até um ninho de cupim submerso!
  • Parede da Barragem, local ideal para ambientação inicial antes de nos aventurarmos nas casas.

A vida aquática é tímida mas podem ser avistadas pequenas agregações de tucunarés com até 10 indivíduos, pequenos pintados, camarões e lesmas bem como uma flora completamente diferente e diversificada. Outro fato interessante é que a madeira resiste muito mais tempo em água doce do que no mar o que resulta num surreal mergulho pela caatinga!! 

Fontes:

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Expedição de Mapeamento do Açude Castanhão


Ferro de Engomar localizado em uma das Casas submersas no Açude Castanhão. Foto: Leonardo Hislei. 

Mergulhadores, 

Teremos mais uma Dive Trip para o Açude Castanhão! Experimente a sensação de mergulhar em água doce, sem balanço, sem mareação e com boa visibilidade! Não fique de fora dessa! Venha localizar casas submersas! Nesta Dive trip iremos localizar uma antiga fazenda que fora engolida pelas águas! Faça parte do Projeto de Mapeamento de Casas Submersas do Açude Castanhão! 

Seguem informações:

Pré-requisitos para Dive Trip

Ser certificado Open Water (nível básico), por qualquer certificadora.

Cronograma da Divetrip 

14/12 - Sexta 
  • 19:00 - Saída de Fortaleza p/ Jaguaribara (Briefing dos Mergulhos durante a Viagem)
  • 23:00 - Previsão de chegada em Jaguaribara
15/12 - Sábado 
  • 07:00 - Café da manhã
  • 08:00 - Saída p/ 01 Mergulho de Ambientação (Flutuabilidade)
  • 11:00: - Almoço
  • 13:00 - Saída p/ 02 Mergulhos na "Fazenda" (Navegação e Busca e Recuperação) 
16/12 - Domingo 
  • 07:00 - Café da manhã
  • 08:00 - Saída p/ 02 Mergulhos nas Casas (Profundo* e Embarcado)
  • 14:00 - Retorno p/ Fortaleza
*Apenas para Avançados

Incluso

Transporte Fortaleza - Jaguaribara - Fortaleza de microonibus com total conforto e segurança
Hospedagem em quarto com ar condicionado e café da manhã
05 Mergulhos Guiados (01 de praia e 04 embarcados)
Lanche durante os mergulhos
Equipe treinada e divertida

Aproveite para fazer seu curso avançado com mergulhos no Açude!!!


Cronograma do Curso Avançado 

Dia 19, 20 e 22 aulas teóricas
Dia 21 prática da piscina
Dias 14/12 ao 16/12 Dive Trip Castanhão para mergulhos do curso


Investimento

Mergulhador Certificado R$ 545,70 em 2x.
Mergulhador em Treinamento (Dive Trip + Curso Avançado PADI) R$ 1.290,70 em 1+3.
Não-Mergulhador R$ 255,70 
Aluguel de Equipamento R$15,00 por peça durante a trip (colete, regulador, roupa ou kit básico)


Não Incluso

Alimentação
Lanternas (Recomendado)
Equipamento de Mergulho Autônomo (Incluso para alunos do curso avançado)

Vagas limitadas! Não fique fora dessa! Ligue agora (85) 8744-7226 / 9764-6553 ou envie um email para mardoceara@gmail.com !

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Expedição de Reconhecimento ao Açude Castanhão


Mergulhador junto a um Cacho de Cupim submerso no Açude Castanhão.
 
 O maior açude do Ceará chama-se Castanhão e fica a 280 km de Fortaleza. Foi construído a partir do represamento do Rio Jaguaribe, o mesmo que desagua próximo a Aracati, no litoral leste do Estado. A construção do Castanhão foi cheia de controvérsias. Isto porque uma antiga cidade chamada Jaguaribara foi completamente submersa pelas águas do grande açude. 

Esta cidade estava bem fincada no cotidiano daqueles que moravam naquela região. No entanto a cidade fora completamente destruída para que suas estruturas não prejudicassem a qualidade da água. Até o cemitério fora completamente transplantado. Tudo foi levado para a nova Jaguaribara, uma cidade planejada para abrigar aqueles que perdiam suas lembranças. A cidade foi palco para a morte de Tristão Gonçalves Alencar Araripe, filho de Barbara de Alencar e um dos líderes da Confederação do Equador, movimento separatista ocorrido no início do século XIX.

Hoje o Castanhão é literalmente uma fonte de vida, suas águas abastecem toda a região principalmente em períodos de seca. Criações de peixes, pesca esportiva e agora o mergulho autônomo se aproveita de suas águas claras. Claras sim, pois a visibilidade gira em torno de 5m horizontais o que proporciona um mergulho confortável. A temperatura da água fica na faixa do 28 graus. A vegetação original que ainda se mantém com seus os galhos apontando para cima agora sendo colonizada por uma nova flora submersa. Tudo isso transforma o mergulho em um surreal passeio pela caatinga submersa. 

Existem barcos que fazem o transporte de passageiros entre as margens e podem ser fretados para pesca esportiva ou mergulho. Mas deve-se ter cuidado com a entrada na água quando mergulhando embarcado justamente pela antiga vegetação, saltos e rolamentos devem ser realizados com cautela.

Mergulhamos na Pedra do Jaburu seguindo uma sugestão dada por nosso amigo e anfitrião Marlon. Foi um mergulho na caatinga surreal, com direito a cupins submersos e tambaquis avistados diversas vezes em formações rochosas que afloram das águas e submergem até os cerca de 18m atingidos por uma das equipes. Depois seguimos para um segundo mergulho nos arredores de viveiros de tilápias a convite do Marlon. Bem interessante conhecer as estruturas utilizadas para o cultivo dessas espécies.

Depois de um bom almoço fizemos mais um mergulho próximo a barragem. Seguimos a margem e observamos suas formações rochosas. Alguns peixes foram avistados pelas equipes. Neste local não havia vegetações somente pedras e um susto: uma rede de pesca rudimentar parcialmente esticada e totalmente submersa, mais uma armadilha da pesca fantasma.

Essa foi a expedição de reconhecimento para o Projeto de Mapeamento de Construções Submersas do Açude Castanhão! Quer Participar? Deixe seu comentário!