Mostrando postagens com marcador Mar. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mar. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 29 de março de 2019

Misteriosas caixas aparecem no litoral nordestino

Caixa encontrada na Barra do Cauípe, Ceará; Fonte: Acervo de Cynthia Ogawa

Desde outubro de 2018, tem aparecido em alguns jornais notícias sobre misteriosos blocos de borracha encontrados nas praias do litoral nordestino. No dia 19 de março essa que vos escreve também encontrou algumas dessas caixas na Barra do Cauípe, próximo ao Porto do Pecém, Ceará. O instrutor da Mar do Ceará Carlos Júnior foi o primeiro a avistar as caixas. Ele encontrou uma mais exposta e bem preservada um pouco acima da linha da maré. Quando caminhamos mais um pouco pela praia encontramos outras três caixas parcialmente enterradas. 

O mais provável é que essas caixas se tratem de material que estava sendo transportado em alto mar e que por algum motivo (tempestade, não estar devidamente acondicionadas, etc.) caíram do navio e derivaram. Ainda não se sabe ao certo a origem desse material pois não há qualquer etiqueta ou placa de identificação. 
Barra do Cauípe, Ceará; Fonte: Acervo de Cynthia Ogawa

Testes preliminares divulgados pelo IBAMA confirmam a natureza de borracha desses misteriosos pacotes. Se quiser saber mais você pode conferir na reportagem de um jornal local de novembro do ano passado clicando AQUI

Caixa encontrada na Barra do Cauípe, Ceará;
Fonte: acervo Cynthia Ogawa 
Saber exatamente a origem desse material é difícil. A água no oceano se desloca no que chamamos de correntes. Essas correntes podem carregar materiais por muitos quilômetros. Para se ter uma ideia, meses após o tsunami do Japão em 2011, objetos estavam sendo encontrados na costa dos Estados Unidos. Assim, esses blocos de borracha que estão aparecendo no nosso litoral podem virtualmente ter vindo de qualquer lugar no Oceano Atlântico. Por conta dessas correntes o mais provável é que tenham sua origem no Atlântico Sul, pois as correntes que banham o litoral do Nordeste do Brasil têm sua origem nessa região. Mas, tempestades em alto mar podem temporariamente mudar a direção de objetos na superfície do mar, então, elas também poderiam ter sua origem na região equatorial norte. 

O que se sabe até o momento é que não perigo em se aproximar desses blocos. No entanto, por se tratar de um tipo de borracha ou derivado do petróleo, pode ser extremamente perigoso incinerar esses blocos bem como utilizá-los na fabricação de objetos. A fumaça produzida pela incineração de derivados do petróleo como um todo é altamente tóxica. E sem saber qual a verdadeira natureza desse material, utilizá-lo para produzir objetos que fiquem expostos a temperaturas elevadas ou misturá-los com outras substâncias pode causar a liberação de produtos que façam mal a saúde.

Em resumo, se encontrarem esses blocos na praia, tirem fotos sem problemas e deixem para as autoridades decidirem como vão fazer o descarte adequado.

Fonte:
https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/editorias/metro/online/caixas-misteriosas-encontradas-em-praias-sao-fardos-de-borracha-diz-especialista-1.2028361

quinta-feira, 16 de março de 2017

Misteriosos veleiros franceses encontrados em litoral nordestino: o Luny e o Toumai

O veleiro Toumai no porto em Areia Branca. É possível observar que os tripulantes não saíram às pressas: o mastro cuidadosamente amarrado à embarcação. Fonte Whatssup.

Neste semana um veleiro francês foi encontrado sem tripulação no nordeste brasileiro. Não é a primeira vez que isso acontece!
Fonte: Whatssup.

Os tripulantes do veleiro pediram socorro por rádio até que abandonaram seu veleiro "Toumai" ao serem resgatados pelo mercante "Noni"no dia 22 de janeiro de 2017. Sua embarcação ficou abandonada à deriva até ser encontrada por pescadores do Rio Grande do Norte e levada para Areia Branca.

Não é a primeira vez que isso acontece em litoral nordestino. 

Em janeiro de 1994 o veleiro "Luny" foi encontrado na sem tripulação na Praia de Almofala, no Ceará. Segundo a polícia, a embarcação estava abandonada há pelo menos uma semana e tinha mantimentos para aproximadamente quatro dias. Estava registrado em nome de Gerard Jean Gilbert, francês de 47 anos, e partira de Gibraltar com destino a Montevidéu em 21 de setembro de 1993. A polícia encontrou diversas fotos e documentos que indicam que o proprietário estava viajando com a espora e uma pessoa idosa.  
O proprietário e tripulação do veleiro
 Luny desapareceram em 1994.

E de quem é a embarcação encontrada abandonada à deriva? Segundo os advogados José Augusto Mendes Marques e Rute de Los Santos Sarmento em estudo de caso publicado no site Popa em 2008: 

O incidente envolvendo o veleiro argentino Ilikai, ocorrido no dia 31.05.08, a 64 milhas da costa gaúcha, foi amplamente divulgado pelos meios de comunicação de todo o país e despertou a curiosidade de muitos.
Mas, afinal, o dito popular “achado não é roubado” poderia ser aplicado no caso da embarcação Ilikai, caso alguém venha a encontrá-la em alto-mar?Após enfrentar uma tempestade durante o “Crucero de la Amistad” (Cruzeiro da Amizade), que reúne veleiros da Argentina e do Uruguai em passeio pela costa brasileira, o veleiro Ilikai sofreu diversas avarias que obrigaram a tripulação a abandonar em alto-mar o barco de 41 pés, avaliado em US$ 200 mil.
De acordo com a doutrina pátria, não se admite a aquisição da propriedade por ocupação ou salvamento de embarcação em estado de abandono.
Saliente-se que o salvamento, a ocupação ou posse não legitimam a aquisição da propriedade do navio ou embarcação.
Ademais, conforme dispõe a legislação penal vigente, aquele que se apropriar de coisa alheia vinda ao seu poder por erro, caso fortuito ou força da natureza ou, ainda, aquele que achar coisa alheia perdida e dela se apropriar total ou parcialmente, deixando de restituí-la ao dono ou legítimo possuidor ou de entregá-la à autoridade competente, dentro no prazo de 15 (quinze) dias, poderá incorrer em uma pena de detenção de 1 (um) mês a 1 (um) ano, ou multa.
Embora afastada a hipótese de aquisição de embarcação em estado de abandono por ocupação ou salvamento, releva notar que a Lei n.º 7.203/84, que dispõe sobre a Assistência e Salvamento de Embarcação, Coisa ou Bem em Perigo no Mar, nos Portos e nas Vias Navegáveis Interiores, assegura o direito à remuneração àqueles que prestarem serviços de busca e salvamento e que participarem de operações de assistência e salvamento.
Por fim, importa esclarecer que, de acordo com o referido diploma legal, a remuneração devida pela prestação de serviço de assistência e salvamento será objeto de acordo entre as partes interessadas e, não havendo acordo entre estas, o pagamento será fixado por arbitragem ou por tribunal competente.
O veleiro Luny e os pescadores que o
encontraram em 1994.
O Mistério do Iate Francês foi a primeira matéria publicado no blog em setembro de 2009.

Imagens
Whatssup / Internet
Diário do Nordeste


Fontes
Diário do Nordeste

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Ilhas Oceânicas Brasileiras

Ilhas oceânicas brasileiras
Fonte: http://www.lecar.uff.br/
Se procurarmos o significado da palavra ilha, na internet ou no dicionário, veremos de modo simplificado que ilha é uma extensão de terra firme contornada por água, doce ou salgada. Por sua vez acaba criando um isolamento entre terras. Mas existe dois tipos de ilhas: continentais e oceânicas. As continentais são extensões do território continental que se “isola” após inundações, portanto pertencem a mesma plataforma continental. Já as oceânicas têm a plataforma continental distinta do continente, onde tem origem geológica por surgimento a partir do fundo oceânico, podendo ser vulcânicas formada por erupções vulcânicas ou coralígenos que são formadas pelo acumulo de corais.

Importância biológica
As ilhas oceânicas apresentam uma biodiversidade menor que encontradas no território continental, mas não por isso se torna menos importante, talvez ao contrario, pois essas ilhas já foram, e ainda são, laboratórios para muitos cientistas, como por exemplo Charles Darwin e Alfred Russel Wallace onde elaboraram a teoria da seleção natural. A ilha oceânica é utilizada para estudo do crescimento e a regulação populacional de sua fauna característica, da competição entre as espécies e a interação entre predadores e presas. Outro tipo de pesquisa é sobre a riqueza de espécies endêmicas, esse tipo de pesquisa mostra a importância das ilhas oceânicas. Pois algumas pesquisas já mostraram a superioridade de espécies endêmicas das ilhas oceânicas comparadas as especies endêmicas encontrada em áreas continentais, isto é, certas especies são somente encontradas em regiões pertencentes a ilhas oceânicas.

O Brasil é conhecido por possuir a maior diversidade biológica do mundo, e as ilhas oceânicas possuírem especies endêmicas. As ilhas oceânicas brasileira além de possuírem rica biodiversidade, inclusive as endêmicas, tem um cenário harmônico criado pelos bens da natureza, onde podemos destacar o ambiente marinho como: peixes recifais e esponjas como grupo de endemismo. Alguns pesquisadores explicam que isso acontece, além do isolamento da região, por conta de possuir restritas áreas de substrato consolidado em águas rasas, que acabam sendo fatores relevantes e limitantes para a colonização de larvas e fixação de adultos e juvenis.

As ilhas oceânicas brasileiras compreendem um total de cinco exemplares: arquipélago São Pedro e São Paulo, arquipélago Fernando de Noronha, Atol das Rocas, arquipélago Martin Vaz e ilha da Trindade.

Arquipélago São Pedro e São Paulo
O arquipélago de São Pedro e São Paulo (ASPSP), composto por 5 ilhotas maiores e várias outras de menor tamanho. O arquipélago estar a 330 milhas (531 Km) náuticas do arquipélago de Fernando de Noronha, e a distancia mais próxima do continente é cerca de 510 milhas (820 km) do estado do Rio Grande do Norte, mas o ASPSP pertence ao estado de Pernambuco. 

O arquipélago se destaca por ser a única ilha oceânica de águas profundas do mundo formadas por rochas ultrabásicas, de origem plutônica e não vulcânica. O ASPSP conta com instalação de uma estação científica, a qual é ocupada por três ou quatro pesquisadores e eventualmente militares. Algumas relatos dizem que uma das visitas mais Ilustre foi de Charles Darwin, quando fez sua viajem em volta do mundo. A região tem grande importância cientifica, pois contribuem para o conhecimento da climatologia do Oceano Atlântico e impactos sobre as anomalias do clima, como a seca no Nordeste do Brasil e a formação de tempestades tropicais. Outra contribuição é sobre estudos de oceanografia física, de correntes oceânicas e o relevo submarino. Estudos sobre as especies encontradas no ASPSP tem um grande peso, pois poderão esclarecer questões ainda pendentes em relação à estrutura populacional de espécies para importância das ilhas que compõe e para outras especies de pesquisas relacionadas a movimentos migratórios.

O arquipélago faz parte do ciclo de vida de muitos animais, principalmente espécies marinhas, como peixe-voador que utiliza a região para sua reprodução. Também tem a albacora laje que usufrui do arquipélago para obter alimentação, o mesmo fazem os lagostim, as aves atobá, os quelônios tartaruga-de-pente e os golfinho-nariz-de-garrafa. Outros animais se fazem presente no ASPSP, como o espadarte e espécies bastante raras, como o tubarão-baleia.


Arquipélago de Fernando de Noronha
O arquipélago de Fernando de Noronha estar a 360 km de Natal. A formação do arquipélago está associada à teoria da deriva continental, com a instabilidade da crosta terrestre que possibilitou o extravasamento do magma através de uma fratura. O arquipélago é composta por 20 ilhotas, onde a ilha principal possui cerca de 16,4 km², correspondente a 91% da área emersa.

Fernando de Noronha, talvez seja a mais visitada e famosa das ilhas oceânicas brasileiras, pois recebe constantemente turistas brasileiros e estrangeiros, o motivo das vistas são diversos como: surf, banho nas praias paradisíacas, contemplação da natureza presente no local, mergulho e pesquisa. Charles Darwin visitou o arquipélago, onde posteriormente divulgou suas observações sobre a geologia, petrografia, natureza vulcânica, fauna e flora da ilha principal. A partir daí facilitou bastante saber sobre a natureza do local. Outra facilidade é que as águas são transparentes tendo assim uma grande visibilidade no fundo do mar. Com isso no arquipélago podem ser praticados diversos modalidades de mergulho: o mergulho autônomo, técnico, mergulho livre (apneia) e até mesmo o batismo (Discovery Diver). Essas praticas acabam colaborando para exploração do ecossistema marinho da região.

O arquipélago de Fernando de Noronha conta com cerca de 230 espécimes de peixes, quinze variedade de corais e duas especies de tartaruga. Das especies de peixes encontra-se: guarajuba (Coranx bartholomaei), arraia-prego (Dasyatis americana), peixe-papagaio (Sparisoma amplum), budiões-de-noronha (Thalassoma noronhanum), tubarão cabeça-de-cesto (Carcharhinus perezi) góbios-neon (Elacatinus randalli), o catuá (Cephalopholis fulva) e a moreia-verde (Gymnothorax funebris). As tartarugas celebridade do arquipelago, monitoradas pelo projeto Tamar são: tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) e a tartaruga-verde, ou aruanã (Chelonia mydas) habitam o arquipélago. Outro animal bastante procurado pelos visitante são os golfinhos rotadores (Stenella longirostris).

Atol das Rocas
O Atol das Rocas estar cerca de 145 km de distancia do arquipélago Fernando de Noronha, e é uma elevação da cadeia que pertence ao arquipélago, e cerca de 260 km da da cidade de Natal, no Rio Grande do Norte. As ilhas vulcânicas que recebem nome de atol é por serem ilhas coralígenos com formato anelar, formando pequenas porções de terra ao redor de uma laguna. Atol das Rocas se destaca também por ser o único atol do Atlântico Sul e um dos menores do planeta.

Atol das Rocas é cercada por naufrágios, alguns acreditam que ate mesmos o responsavel pelo seu descobrimento tenha se envolvido em um. Por isso não se sabe ao certo quem foi o responsável pela sua descoberta. A região é composta por duas ilhas: ilha do Farol que possui cerca de 34,6 mil metros quadrados, 1 km de comprimento, por 400 metros de largura - o nome é dado por ter sido o local de instalação do primeiro farol da ilha - e a ilha do Cemitério esta possui cerca de 31,5 mil metros quadrados, 600 metros de comprimento, por 150 metros de largura, tem este nome devido no local estar seputado os faroleiros e seus familiares, assim como algumas vítimas dos diversos naufrágios. 

Atol das Rocas tem a superfície do recife predominantemente recoberta por macroalgas, onde por muitas vezes se apresentam como floresta de algas. Nessa região muitas das algas coralinas apresentam crescimento verticalmente, com taxas relativamente elevadas. Diversos corais podem ser encontrados na região, cerca de 38 espécies, destacando Spirastrella coccinea, Chondrilla nucula e Topsentia ophiraphidites. Crustáceos tipicos de ilhas oceânicas de aproveitam da caracterização da região, como Gecarcinus lagostoma, e o aratu, Grapsus grapsus. A fauna da região também é compostas por aves que utilizam as duas ilhas da região como local de reprodução. Os peixes também compõe a fauna citando: o atum, alguns tipos de agulhões, garoupa rajada, mero e badejo, sendo aproximadamente 147 espécies de peixes na reserva.

Ilha da Trindade / Arquipélago Martin Vaz
O surgimento da ilha da Trindade e do arquipélago Martin Vaz se deu por conta de uma grande extravasamento em escala colossal de magma da fratura na placa sul-americana. A Ilha da Trindade está localizada a 1.167 quilômetros de Vitória (ES) e a 2.400 quilômetros do continente africano. Já o Arquipélago de Martin Vaz situa-se a 47 km a leste de Trindade. Consideradas parte do território da cidade de Vitória (ES), pois o arquipélago pertence a uma cadeia de montanhas submarinas do Atlântico numa linha reta que vai capital do Estado do Espírito Santo em direção à África.

A região é coberta de historia. Desde a origem desta localidade existiu disputa entre Portugal e Inglaterra, onde Portugal teria descoberto primeiro e depois teria vindo a primeira expedição da Inglaterra, que foi realizada pelo famoso astrônomo inglês Edmund Halley ( o mesmo do cometa), e ter se a posado do lugar. Depois da disputa diplomática entre os dois países, Portugal teria ficado com a posse, mas entre essa disputa de posses a região teria sido abandonada e comerciantes de escravos e piratas teriam permanecidos no local, com isso surgiu na região que teria um grande tesouro enterrado pelos piratas, que teriam sido cobiçados por diversas expedições.

O que chama mais atenção na região é a grande abundancia da fauna, principalmente quando falado dos peixes, onde cardumes colossais de sardinha e purfa circulam a região. Outro fato de extrema importância da fauna de peixes é que seis especies são endêmicas dos recifes que circundam essas ilhas, como exemplo temos: peixe-donzela de Trindade (Stegastes trindadensis) e a maria-da-toca ou moreia-de-Trindade (Scartella poiti). O animal de destaque na região são as tartarugas, pois três espécies habitam no local como: tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), que se alimentam de esponjas encontradas nos recifes; a tartaruga-verde (Eretmochelys imbricata) que em Trindade é seu maior sítio reprodutivo do Atlântico Sul e um dos maiores do mundo; e ainda pode se encontrar a tartaruga-gigante ou tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Essa tartaruga é a maior das especies de tartaruga, mas infelizmente, corre grande risco de extinção.

Referências:
http://www.bahia.ws/category/ilhas-brasil-guia-turismo-viagem/
http://maradentro.org.br/ilhasrj/livro/algumas-diferencas-entre-ilhas-costeiras-e-oceanicas-no-brasil
http://www.biomania.com.br/bio/?pg=artigo&cod=2313
http://vida-estilo.estadao.com.br/noticias/geral,ilhas-oceanicas-sao-chave-para-manter-biodiversidade,369984
http://www.aprh.pt/rgci/pdf/rgci-178_Serafini.pdf
http://www.icmbio.gov.br/portal/images/stories/comunicacao/Mohr_et_al_2009.pdf
http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/EnsMed/expensgeo_3e4.pdf
http://ocs.ige.unicamp.br/ojs/terraedidatica/article/viewFile/997/423


sábado, 17 de setembro de 2016

Recifes Artificiais Marinhos - o que são e como são utilizados

Recife artificial marinho no Cabeço do Arrastado, no Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio.
Os Recifes Artificiais Marinhos são sistemas que visam transformar ambientes marinhos no intuito de obter novos habitats, e também servirem de proteção contra o avanço do mar e proteção para o fundo marinho contra danos da pesca de arrasto. Geralmente são de ações antrópicas, pois trata-se de construção submersas artificialmente, tais como pilares de piers, cascos de navios, colunas e fundações de plataforma de petróleo e estruturas de concreto ou rocha natural.

Essas estruturas irão imitar os substratos rochosos presente no infralitoral, onde atuam como atrações para comunidades biológicas, assim contribuindo para a conservação da biodiversidade local. Alguns órgãos indicam o aproveitamento de recifes artificias, pelas nações, com o intuito de beneficiar-se corretamente de seus recursos marinhos. Além de favorecer como atrativos para uso nas atividades pesqueiras, pois elaboram oportunidades de pesca e diminui o tempo de procura da pesca. Outro benefício que possibilita é o aumento de turismo em torno da região, pois a áreas poderá ser utilizada por mergulhadores recreativos, tendo como incentivo: barcos naufragados e a história entorno do ocorrido, biodiversidade diversifica, e o mergulho diferenciado. O turismo poderá também  ser atraído pela pratica de surf, onde algumas cidades pretendem instalar os recifes artificiais para deixar mais consistente as ondas da região, temos como exemplo a cidade de Maricá (RJ). Sendo provavelmente um importante favorecimento na elaboração de pesquisas cientificas.

Tambor utilizado como recife artificial
Contudo, não é só espalhar os recifes artificiais em todas as praias. Algumas considerações têm que serem estudadas e analisadas para discernir a viabilidade deste incremento no ecossistema marinho, pois isso acarretar alterações na linha da costa, onde altera todo o meio. Também poderá ocorrer perda de estrutura pela inadequação do substrato e condições oceanográficas (regime de correntes, tempestades, altura e período potencial das onda e profundidade), ou até mesmos as estruturas utilizadas podem expor a biota à substâncias químicas e causar poluição do meio, por exemplo temos o uso de tambores que antes poderiam terem armazenado produtos químicos. Outro ponto preocupante é o abuso por captura dos pescados, como já citado anteriormente, os recifes artificiais são grande atrativos para vários indivíduos marinhos, portanto, muitas vezes são utilizados como armadilhas ou até mesmo por pesca de maneira desequilibrada causando diminuição significativa para as espécies do pescado.

Regulamentação mundial e nacional:
Para orientar a utilização de recifes artificiais em águas marinha, em contexto internacional, temos a Convenção de Londres de 1972 abordando normas internacionais que está relacionada com a poluição nos mares e métodos legais para a segurança de operações oceânicas. Outros atos internacionais tratam sobre prevenção e combate de possíveis contaminantes. Como a Convenção Internacional sobre Responsabilidade Civil em Danos Causados por Poluição por Óleo (1969), Convenção sobre Prevenção da Poluição Marinha por Alijamento de Resíduos ou outras Matérias (1972). E também convenção tratando sobre direitos e deveres dos países que é o caso da Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM, 1982 – artigos 56, 60, 80 e 210) e dentre outros, todos com intuito de estabelecer procedimentos referente ao meio ambiente marinho e à segurança da navegação. Referente ao Brasil não existem ferramentas específicas para regulamentação dos recifes artificiais marinho. O pais acaba adotando normas acordadas na Convenção de Londres (1972) e regras de prevenção da vida humana, como também referente a poluição ambiental e segurança de navegações. 

Tipos e objetivos:
Os tipos utilizados são bastante diversificados quanto ao tamanho e a composição. Também variam desde simples à complexo modo de preparo. A baixo estão os tipos de recifes artificiais marinho utilizados:

  • Materiais naturais (bambus, folhas e toras de madeira);
  • Tubos de PVC;
  • Tambores de metal
  • Pneus;
  • Concreto;
  • Carcaças;
  • Meios de transporte (embarcações, aviões);

Os tipos de recifes artificiais marinho variam de acordo com os objetivos, onde os principais deles são:

  • Recifes de conservação da biodiversidade
  • Recifes de produção pesqueira;
  • Recifes para atividade de mergulho recreacional;
  • Recifes de proteção da orla

Os recifes artificiais também são utilizados para fins de pesquisas, mas para essa finalidade ainda precisa ter um amadurecimento técnico e cultural, pois essa finalidade é de grande importância, assim podendo esses recifes serem utilizados de maneira controlada e similar ao meio natural, assim possibilitando a estudar e esclarecer melhor todo o ecossistema presente em recifes.

Pontos de mergulhos: Internacional...
Museu subaquático em Mali Losinj
O melhor jeito para sabermos como realmente são os recifes artificiais marinho é por meio da prática do mergulho, pois dessa maneira o praticante tem a oportunidade de observar o ecossistema que fixam nas estruturas artificiais, e até mesmo entender como cada estrutura estão configuradas após ser submersa. Mas os recifes artificiais não são encontrados em todas as praias, e lembrando que existem grande diversidades dessas estruturas, como por exemplo temos na Turquia, na cidade turística de Kusadasi sob o Mar Egeu, um Airbus A300. Já na cidade de Nova York colocarão antigos vagões do metrô no oceano Atlântico para formar recifes artificiais e atrair de volta peixes e animais marinhos que antes habitavam a costa. Os mais famosos recifes artificiais são compostos por navios, e um dos navios que chama atenção, estar na Flórida, na costa de Pensacola, por ser um Porta Aviões construídos na era da Segunda Grande Guerra, possuindo 294 metros de comprimento. No litoral do México, cerca de oito metros de profundidade existem cerca 450 esculturas submersas que além de recifes artificias formam espécie de museu de arte. Há uma tendencia mundial de criar museu subaquático, pois existe um outro na Croácia em Mali Losinj, no local, cerca de 5 a 10 metros de profundidade, existem réplicas de armas navais antigas e réplicas de Apoxyomenos esse ultimo sendo o mais famoso do parque, que tem um percusso cerca de 300 metros de comprimento.

Recife artificial "REEF BALL",
fonte; http://www.reefball.com
... e nacionais
No Brasil também pode-se encontrar mergulhos para conhecer recifes artificiais e toda biodiversidade que essas estruturas formam. A cidade de Recife(PE) é considerada a capital nacional de mergulho em naufrágio. Por possuir mais de 25 naufrágios acabam tendo diversos pontos de mergulhos. No estado do Paraná existem recifes artificiais feitas de concreto, esse concreto tem alta tecnologia para não prejudicar o ecossistema marinho, além de proteger da pesca por redes de arrasto, esses recifes artificias são conhecidos como “REEF BALLS”. Já no Rio de Janeiro utilizam tubos de aço reciclados da indústria de petróleo e concreto para construir recifes artificiais, localizados cerca de 8 quilômetros do litoral de Rio das Ostras no estado fluminense. No estado cearense também pode se encontrar recifes artificiais por naufrágios como também estruturas similares a rochas e sobre os pilares dos piers.

Portanto, o que precisa ser feito antes de qualquer implantação de recifes artificial é o persistente e importante estudo e análise do possível meio a ser ocupado por tal estrutura, assim como também profissionais e estudiosos capacitados para planejamento, elaboração e excursão da engenhosa submersa. Contudo, é necessário elaborar uma legislação especifica para tal atividade, onde regulamente e esclareça todo e qualquer tipo de exploração, por meio dos recifes artificias, assim como também quem poderá se beneficiar das estruturas. E apresentar direitos e deveres para os mesmos.


Referências:

quarta-feira, 13 de julho de 2016

O navio negreiro inglês Black Prince e o motim na costa do Siará


Mapa antigo da Costa do Ceará.
Navios afundam e o tempo passa. Seus fatos, relatos e estórias incríveis de luta e resistência no mar são perdidos em bibliotecas escuras e empoeiradas até que são redescobertos e trazem para nossos tempos suas memórias muitas vezes cruéis.

Uma mensagem de um amigo pesquisador, Clécio Mayrink, dizia: "Olha isso", seguido de um arquivo. Clécio me passou um artigo de 1890 de autoria do historiador Guilherme Studart que discorria acerca das necessidades de defesa da "Villa de Fortaleza" e do desembarque e naufrágios de navios estrangeiros no litoral cearense. Studart relatou especificamento os casos do naufrágio de "Cajuaes" que será explorado em outro artigo, e do navio inglês Black Prince durante o governo de Antonio José Victoriano Borges da Fonsceca.
Imagem ilustrativa

As informações apresentadas revelam que três navios estrangeiros (dois ingleses e um francês) passaram, e dois deles naufragaram, no litoral cearense. O navio negreiro inglês Black Prince comandado por "William Hawkins" e pilotado por "Thomaz Austin" partiu de Bristol em em 8 de novembro de 1768 e "veio a arribar ao Ceará" segundo uma carta do Conde de Povolide (22 de março de 1769), e foi, dos três, aquele que escapou do naufrágio e do qual trata este artigo

O Black Prince era um navio mercante negreiro mas não se sabe se seu nome (Príncipe Negro) era uma ironia a função ou referência às características físicas da embarcação. Como mercante negreiro o navio fez várias viagens à Africa. Algumas dessas viagens estão bem documentadas como uma feita em 1767 em que uma "carga" de 169 escravos foi comprada no "Senegâmbia" e entregue em Saint Louis, a colônia britânica na America do Norte, e dos que embarcaram apenas 150 chegaram com vida ao destino. Noutra viagem de 1762 o diário de bordo do navio está completamente preservado:
30 de junho ... as 3 da manhã o barco maior veio a bordo com 17 barris de água e alguns negociantes com dois escravos homens...
17 de julho ... Meu negro [seu servo negro] chamado John Prince deu uma resposta impertinente ao Sr. Thomas, terceiro oficial, e por isso estou dando a ele uma punição... pus ele nos ferros, dei uma surra nele no 4o convés e pus ele a dieta de pão e água...
dois escravos, Intregue pôs a maioria dos homens nas correntes para prevenir sua intensão...
22 de fevereiro ... descobri que os escravos estavam planejando se revoltar, botamos todos eles na mira das armas e os aquietamos, um grande número conseguiu quebrar as correntes...

O navio já havia feito mais de 10 viagens para o lucrativo e cruel comércio de escravos quando deixou o porto pela última vez sob a bandeira britânica em 1768. Partiu com seus 44 membros da tripulação entre marinheiros e oficiais e, a menos de uma semana de atracar em seu destino, sua tripulação tomou o controle do navio! Não foi o primeiro motim a bordo do Black Prince, mas foi o primeiro em que os amotinados tiveram sucesso em tomar o navio. O capitão William Hawkins e outros nove membros fiéis foram colocados em uma das embarcações de apoio e largados no Atlântico Sul. Foram forçados a utilizar ao máximo suas habilidades marítimas para retornar à segurança da terra firme.

Os amotinados então pintaram o navio, mudaram o nome para "Liberty" e rumaram para a costa do Brasil onde chegaram pelo nordeste à altura da capitania do "Siara". Parece que já naqueles tempos o Brasil era um bom refúgio para criminosos. Os revoltosos precisavam de mantimentos para seguir viagem e encontrar terras espanholas onde estariam seguros. Ingleses e espanhóis estavam em disputa pelo domínio dos mares do sul e logo os traidores estariam seguros junto aos inimigos da "coroa". 

Para conseguir provisões e continuar a viagem os piratas ingleses venderam na "Villa de Fortaleza" parte da carga que seria originalmente destinada ao comércio negreiro. E enquanto alguns dos seus (inclusive aquele escolhido como o líder do grupo) estavam na praia negociando com os "siarenses" os outros que ficaram embarcados cortaram o cabo da âncora e abandonaram seus colegas. Sabe-se que pelo menos sete foram deixados (ou abandonaram voluntariamente o grupo) no Brasil.

Em seguida os amotinados embarcados tomaram a direção das terras espanholas no caribe, ao norte. Não sem antes fazer vários disparos contra a cidade e perseguir um escuna ainda em mares alencarinos. Os disparos podem ter sido feitos a fim de inviabilizar uma possível força de reação à perseguição da escuna e ao golpe comercial. Pouco se preocuparam com os colegas ingleses deixados na praia a mercê de portugueses furiosos.

Não se sabe ao certo o que aconteceu com a tripulação de revoltosos se conseguiram ou não chegar à "Hispaniola". O The London Gazzete publicou em 29 de agosto de 1769 uma oferta de recompensa de 100 pounds para qualquer pessoa ou pessoas que trouxessem informações que levassem a captura e condenação dos traídores.

Entre os que foram abandonados no Siará segue descrição conforme a publicação da oferta de recompensa das autoridades no The London Gazzete:
William Sullivam, ou Solomon. um homem baixo e magro, rosto suave [pouco marcado], olhos castanhos, pele moreno clara, usa seu próprio cabelo [os nobres ingleses usavam perucas brancas], mais ou menos 25 anos de idade
George Meager, um homem de estatura muito alta, com o rosto [muito] marcado por cicatrizes, pele morena, usa cabelo curto, mais ou menos 30 anos de idade
Henry Beach, escolhido como Capitão [dos amotinados], um homem de estatura pequena e magra, pele morena, rosto pouco marcado, usa cabelo curto, mais ou menos 30 anos
Philip Thompson, um negro de estatura pequena e magra, cicatrizes próximas ao nariz, aproximadamente 5 pés e 4 polegadas [aprox. 1,75m] de altura, mais ou menos 26 anos de idade
Benjamin Rice, escolhido [pelos amotinados] como timoneiro, um homem de estatura pequena e magra, rosto suave [pouco marcado], pele morena clara, usa seu próprio cabelo longo, mais ou menos 28 anos de idade
John Holden, um homem alto e magro, com o rosto muito marcado e pele morena escura, usa seu próprio cabelo preto e longo, mais ou menos 30 anos de idade
Teriam sido presos? Enviados para o Reino? Executados em praça pública? Ou construído uma pousada em Canoa Quebrada?

STUDART, Guilherme;  Antonio José Victoriano Borges da Fonsceca, e seu governo pelo Dr. Guilherme Studart. Instituto do Ceará, ano IV, 3o trimestre de 1890, tomo IV. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Raias e Tubarões: primos bem próximos

Com o planeta possuindo grandes mares, não é de se espantar que esse ambiente natural possua uma grande diversidade animal. Basta mergulhar para poder desfrutar de toda essa riqueza natural. São cores, formatos, tamanhos; variações que fascinam até o mais experiente mergulhador. Na costa cearense não é diferente!
Diversidade de peixes ósseos no Parque Estadual Marinho da Pedra da Rica do Meio no Ceará!
Não seria espanto falar que os peixes dominam e ocupam muito bem os mares e oceanos do nosso planeta. E são nesses mares onde os animais possuem diferentes modificações corporais para melhor obter alimentos, fugir de predação, conseguir parceiros para reprodução. Mas, muitas vezes, não temos muita noção de quais animais são representantes desses "peixes".


Peixes: quem são?

Didaticamente, o grande grupo dos peixes é dividido em Peixes Cartilaginosos, que são aqueles que não possuem processos de ossificação característico, e os Peixes Ósseos, os que possuem esqueleto ósseo com minerais associados à esses ossos. O Peixes Ósseos correspondem ao padrão de peixe que temos, aqueles animais marinhos ou dulcícolas, possuindo toda aquela estrutura de espinha rígida, variam muito em forma, tamanhos, cores.

Quimera.
Já os Peixes Cartilaginosos, que correspondem aos Tubarões, as Raias e as Quimeras, são animais que possuem uma estrutura corporal sustentada por cartilagem, um tecido pouco rígido, mas bastante flexível.

As Quimeras são exclusivamente marinhos de grande profundidades, com cauda em forma de chicote, nadadeira dorsal com espinhos característico e 3 pares de aberturas laterais, que correspondem à fendas branquiais, para respiração.

Os Tubarões são animais com corpo geralmente fusiforme, marinhos, carnívoros, com nadadeiras peitorais pares e separadas da cabeça e com 5 a 7 pares de fendas branquiais. 

Tubarão com 5 fendas branquiais vistas á direita da nadadeira peitoral.
As Raias possuem essas fendas branquiais ventrais em 5 pares, nadadeiras peitorais grandes e unidas aos lagos da cabeça e corpo achatado.

Mergulhador em contato com raia. 5 pares de fendas branquiais ventrais bem evidentes.
As Quimeras, por apresentar hábito mais profundo, torna sua visualização em mergulho recreativo difícil, sendo bem mais comum observar os Tubarões e as Raias.


Tubarões e Raias: são tão iguais assim? Sim, mas possuem algumas diferenças.

Os Tubarões e as Raias são geralmente chamados de Elasmobrânquios, ou seja, são bem próximos quanto a suas características corporais e genéticas.

O que difere tubarões de raias é claramente o formato de seus corpos. Os tubarões possuem um corpo, como dito, fusiformes, bem característico deles, que corresponde aquele formato parecido com um torpedo; enquanto que as raias são 'achatadas dorso-ventralmente', ou seja, são mais planas. Quanto ao seu formato, tubarões são claramente nadadores e seu formato acaba por melhorar seus cortes na água; já as raias, geralmente ficam enterradas, tendo seu corpo achatado como vantagem.
Corpo achatado da Raia.
Essa diferença de comportamentos foi permitida devido a diversas modificações que ocorreram ao longo do processo evolutivo desses animais. É comum falar que as raias são tubarões achatados! Isso porque houve toda uma movimentação corporal para que esse achatamento favorecesse essa nova atuação das raias.

Tubarões possuem fendas branquiais laterais, enquanto raias possuem essas mesmas fendas branquiais ventrais. Além disso os tubarões possuem um par de nadadeira peitoral visivelmente separada da cabeça, enquanto que nas raias essa diferenciação é dificultada, pois há uma fusão entre essas partes corporais.

Ainda mais, tubarões se locomovem por movimentação de sua nadadeira caudal, já as raias usam as nadadeiras peitorais como 'asas', 'voando' pelas águas. A boca deles possuem localizações diferente: a de tubarões é frontal, a de raias é ventral. Entre outras características que diferenciam Tubarões de Raias.


Certo! Agora, temos como diferenciar machos e fêmeas?

Cláspers presentes no tubarão
macho à esquerda.
A reprodução dos peixes cartilaginosos é feita por fecundação interna, ou seja, o macho introduz seus gametas na fêmea. Produzem normalmente poucos filhotes e, sim, tem como diferenciar machos e fêmeas.

Os machos possuem uma adaptação nas nadadeiras pélvicas chamada de Clásper, que são adaptados para introdução de gametas na cloaca da fêmea. Ou seja, só há presença dessa modificação em machos. Normalmente é de fácil visualização em machos adultos, na região da barriga, ventral, deles.


E sua ecologia e conservação?

Tubarões são tratados como vilões assassinos brutais dos mares. Raias são as vilãs por matarem usando o 'ferrão' da cauda. Bem, sabemos que não é bem assim! (E essa ideia deve ser riscada mesmo!)

"Encantadora de tubarões": mergulhadora em contato com tubarão.
Muito do que tememos nesses animais são consequências da indústria cinematográfica com seus grandes filmes mostrando somente o comportamento selvagem e brutal de alguns indivíduos, de algumas espécies. Mas há uma grande diversidade desses organismos, inclusive para mergulhos recreativos em grandes aquários mundo a fora.

Para quem mergulha com frequência, se deparar com raias e tubarões não é algo tão desesperador. Isso pelo fato de saber que basta não se comportar com movimentos bruscos, não tentar tocar indiscriminadamente nesses animas. São raros os acidentes envolvendo mergulhadores bem treinados e responsáveis e esses animais, ou seja, eles não são vilões!

Modelo realizando ensaio fotográfico
em meio à tubarões.
Mas essa ideia de monstros assombrosos ameaça muitas espécies animais, e com os tubarões a raias não é diferente. Mas já foi dito aqui no blog do Mar do Ceará que não devemos ter medo dos tubarões, ainda mais por saber que os principais registros de visualizações de tubarão no litoral cearense corresponde ao Tubarão-Lixa, que apresenta raros ou nenhum registro de agressividade; sendo inclusive objeto de muitos estudos por apresentar facilidade com a vida em cativeiro para estudos.

Lembrando que ataques, quando ocorrem, são decorrentes de aumento do estresse animal causado por perturbações em seus ambientes naturais.

Agora, sabendo que Tubarões e Raias são tão parecidos, mesmo como suas diferenças; sabendo como identificar e diferenciar machos de fêmeas, e sabendo que eles não são vilões, quando será seu próximo mergulho?

Referências:
Livro: POUGH, F. Harvey; A vida dos vertebrados. 4. ed. - São Paulo : Atheneu Editora, 2008.

Fotos: 
http://misteriosdomundo.org/wp-content/uploads/2016/04/peixes.jpg;
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEjsbVQ3WNJQDsPJZ7JxNPESSeUsKJNpQDIA4X0x_HXU4A8bTYVK_cWEg8QOfc_PXDlMWNlYohW7_4s3s5Q-uHjqYksO-ubPbrvYhPeCZzjYuqW-R9g-zZaOQpRh_XR9yiuVFW1E3rHj71c/s1600/quimerabox.jpg;
http://mundo-marinho.mundoentrepatas.com/imagenes/os-tubaroes.jpg?phpMyAdmin=PfqG0iessiXP%2C5Zcan9pxZp0nv2;
http://noticiasdatv.uol.com.br/media/_versions/mega_shark_space_free_big.jpg;
http://tucuna.com.br/portal/wp-content/uploads/2014/09/tumblr_l307eraEEs1qzou5ko1_1280.jpg;
https://thefisheriesblog.files.wordpress.com/2014/07/female-shark-and-male-shark-with-claspers2.jpg;
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgrqSO1H7WVWgRf6_DS6ad2P1CEl7hySgdX5e2Vrij2EKUD6lLO9zE2fQ-H06uSBHdEzNMvcXvXMQRRuO5mDHoWsPw1GVS9lyQnGzuIZw_ILzjBFc9YRYwN8DC6VPU37t7TK6PusnjKFh0/s1600/Heliotrygon+gomesi.jpg;
http://www.arthurcaliman.com.br/_upload/magazine/news/ft_zoom_ft_zoom_14_AleSocci-GreenPixel_Bahamas--10jpg018122015092044jpg503032016232732.jpg;
http://s2.glbimg.com/w7-N3zj-uQJ0leH3KweAZ05I5Ds=/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2014/08/06/jiquvzyd.jpg.

terça-feira, 29 de março de 2016

O que afeta a visibilidade da água?

Mergulhadores no Cabeço do Balanço, no Parque Estadual Marinho, com excelente visibilidade, Fortaleza, CE.

A visibilidade da água é basicamente a distância na qual perdemos de vista uma referência, mas essa definição não é universal, pois infelizmente não existe um padrão para essa medida. Alguns mergulhadores dizem que a visibilidade é avaliada de acordo com que se consegue notar a presença de uma pedra por exemplo, enquanto outros mergulhadores dizem que a visibilidade é dada através da distancia que ainda é possível visualizar detalhes, por exemplo, perceber que uma tartaruga estava sobre a pedra.
Partículas em suspensão e
tonalidade esverdeada,
indicam baixa visibilidade.
Naufrágio BravamarX,
Fortaleza, CE.

Determinados sites divulgam a visibilidade de alguns pontos de mergulho no Brasil e no mundo, mas a maioria tem como base dados de institutos de meteorologia que retiram seus dados de fotos de satélite, usando nenhum tipo de fórmula ou aparelho específico para avaliar a visibilidade da água, sendo infelizmente, de pouca exatidão. 

Geralmente é bem confiável tomar como base o depoimento de outros mergulhadores, pois mesmo com a subjetividade de medição, é a fonte mais precisa. 

A visibilidade da água pode variar de zero a sessenta metros e pode mudar de acordo com a profundidade. Mudanças repentinas de temperatura e visibilidade, podem indicar a chegada de uma corrente. 

Em raras situações e em águas abertas, a visibilidade pode cair em questão de segundos, dificultando a orientação embaixo d'água. 

A principal causa de problemas de visibilidade é a existência de sedimento em suspensão na água e isso pode acontecer em ambientes onde o lodo do fundo é facilmente levantado pelo movimento da água. No caso dos rios com correntes não existe muito o que fazer, mas em águas paradas o principal cuidado ao nadar é evitar que o movimento das nadadeiras levante o lodo do fundo. 
A tonalidade esverdeada que observamos
próximo à costa normalmente indica
baixa visibilidade. Naufrágio Bragança,
Fortim, CE.

Muitas vezes a visibilidade em lagos, açudes ou rios com muito sedimento pode variar entre 5 metros e absolutamente zero, mas existem técnicas que mesmo com uma visibilidade um pouco limitada, você pode conseguir aproveitar o mergulho. 

Em águas com muita suspensão, lanternas são praticamente inúteis, já que acabam ofuscando o mergulhador com a luz refletida nas partículas suspensas. 

Existem alguns fatores principais que afetam a visibilidade

Movimento da água
As ondas, as correntezas ou até mesmo o movimento das pernas de um mergulhador que não controla bem a sua flutuabilidade ou o seu alinhamento do corpo, podem agitar os sedimentos do fundo e assim deixar a água turva e reduzir a visibilidade. Mas ao mesmo tempo, uma correnteza pode movimentar a água de forma a afastar as águas turvas e substitui-las por águas mais límpidas. 
Em açudes, a água esverdeada pode
indicar a presença de plânctons.
Mergulhador junto a um ninho de cupim
em uma árvore submersa no
Açude Castanhão, CE. 

Condições climáticas
As condições e alterações climáticas podem melhorar ou piorar a visibilidade. Ventos fortes podem tanto movimentar a água formando ondas que geram os problemas citados no item anterior, quanto empurrar as águas da superfície fazendo com que águas mais frias e profundas se elevem á superfície para substitui-las, o que aumenta a visibilidade da água (conhecemos esse fenômeno por ressurgência) . Uma chuva pode fazer com que sedimentos em terra firme escorram para dentro da água. 

Plâncton
O plâncton (organismos microscópicos que vivem em suspensão em água doce, salgada e salobra. Com muito pouca ou nenhuma capacidade de locomoção, sendo transportados pelas correntezas) pode se reproduzir rapidamente quando em condições de sol intenso, deixando a água turva ou com determinadas tonalidades. 

Composição do fundo
Partículas leves ou pequenas, como as encontradas em leitos lodosos, podem permanecer suspensas por longos períodos após alguma agitação. 

A cor da água pode afetar a visibilidade ou indicar como a visibilidade está. A água de um rio, de um açude ou do mar, podem apresentar colorações diferentes dependendo de fatores diversos, por exemplo: 
Água azul indica boa visibilidade e
mergulhos agradáveis.
Naufrágio Rosalinda, BA.

Azul
A água tende a absorver mais cores com comprimento de onda maior, como o vermelho e o laranja. Por isso, ao receber a luz do sol, ela reflete mais o azul, que é uma das cores com menor comprimento de onda do espectro de luz visível a nossos olhos. (a cor azul pode ser vista em águas profundas enquanto a cor vermelha, por exemplo, é absorvida nos 4 primeiros metros). 

Verde
O tom esverdeado é na maioria das vezes originário da presença de fitoplâncton, que é basicamente um conjunto de organismos microscópicos aquáticos que têm capacidade de realizar fotossíntese, vivem flutuando na água e que possuem um pigmento verde chamado de clorofila, fornecendo essa tonalidade à água. No mar a água esverdeada pode indicar a presença de areia em suspensão.
A água escura do Açude Castanhão.

Marrom
Essa tonalidade de água é comum em áreas próximas à foz de rios, onde existe uma grande quantidade de sedimentos minerais ricos em ferro, que fornecem essa cor escura. 

Preto
A água com essa cor é comum em mangues, devido à presença de ácido húmico, que é resultado da biodegradação de matéria orgânica (animais e vegetais em decomposição). Mas a água também pode assumir colorações escuras devido ao excesso de sedimentos minerais com a mesma tonalidade. 

No Ceará
Um dos lugares com melhor visibilidade no mundo é o Caribe pois a visibilidade caribenha oscila entre 30 e 40 metros na horizontal, mas no Ceará exitem locais com visibilidade excelente, como o Parque Estadual Marinho Pedra da Risca do Meio, que é formado por belíssimos recifes submersos (com uma riquíssima biodiversidade) e tem uma visibilidade subaquática impressionante, variando de 15 a 30 metros. 

Tonalidade azul escuro é sinônimo de
bons mergulhos. Mergulhadores em
Recife, PE.
Ao observarmos as praias cearenses notamos uma coloração esverdeada na superfície do mar. Os verdes mares bravios do Ceará indicam a presença de partículas em suspensão, algo que não é muito favorável para uma boa visibilidade. Ao nos afastarmos da costa observamos que a água torna-se azul. Às vezes a mudança na tonalidade da água é perfeitamente perceptível: a água verde "encosta" na água azul oceânica a cerca de 5 km da costa. Esse "encosto" é perfeitamente perceptível devido a diferenças de aspectos físicos e químicos da água. Após essa "linha divisória" quanto mais nos afastarmos da costa mais azul escuro revela-se a água do mar normalmente indicando uma boa visibilidade durante o mergulho.

Existem muitos pontos de mergulho de ótima visibilidade no estado do Ceará, como os da tabela abaixo. 


Aproveite as opções de mergulho que o estado do Ceará oferece, seja no mar ou em um rio. Confira os mergulhos que a Mar do Ceará oferece! 


Referências: 

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Mulheres no Mergulho



Por ser considerado uma atividade muito "radical" sempre houve mais homens que mulheres se aventurando sob as águas. Até nos registros antigos dos primeiros mergulhos a presença masculina é marcante. Mas essa realidade está mudando a cada dia, como em todas outras áreas que continham essencialmente homens, o sexo feminino está mostrando cada vez mais que também gosta dessas atividades. Da área da computação ao mergulho, mulheres expõem que são tão aptas quanto os homens. Estando presentes em mergulho em apneia à mergulhos avançados, técnicos e exploradores.

Karol Meyer
No passado as mulheres não eram aceitas em competições alegando que o porte físico feminino não era o adequado, mas mesmo assim as mulheres não desistiam e não sendo aceitas nas competições oficiais, competiam por fora dessas competições e mostravam o seu potencial. Ao passar dos anos esse problema foi sendo menos vigente, com a inclusão das mulheres em várias áreas sociais, por meio de protestos das mesmas pedindo a igualdade de gêneros. No mergulho o sexo feminino não era bem visto por seu físico frágil, mas isso não durou muito tempo pois no mergulho com apneia houve muitas mulheres desafiando esse paradigma. Uma pioneira no mergulho foi Cyana que em 500 A.C., mandada pelo Rei Xerxes I, ela e seu pai Scyllias, um mergulhador e escultor, fizeram mergulho em apneia em busca de um tesouro no mar. A francesa Audrey Mestre, que alcançou uma profundidade de 160 metros nessa modalidade, infelizmente morreu em um treinamento para ultrapassar esse recorde, sua história é lembrada e serve de inspiração para atuais e futuras mergulhadoras e atletas. 

No Brasil temos, Karol Meyer que é um fenômeno no mergulho livre, ganhando vários recordes e prêmios mundiais e nacionais também entrando para o livro Guinnes Book Record Holder no livro oficial de 2010. Atualmente ela além desse esporte, é instrutora de mergulho, palestrante e ligada a atividades de preservação dos oceanos.



Sylvia Earle dentro do traje Jim.
Outro destaque é a oceanógrafa, cientista, exploradora e mergulhadora Sylvia Earle que ao se mudar para Clearwater, Florida, no Golfo do México com 13 anos conheceu seu amor mais verdadeiro, o mar. Ela relata que ainda muito nova, não tendo conhecimento sobre mergulhos, quando achava na praia um montinho de algas reunidas era uma alegria ao ver as algas, conchas e animais e sentia-se fascinada. Sylvia contribuiu de formas inexplicáveis a tecnologia de mergulhos que se tem hoje, ela juntamente com outras quatro mulheres passaram duas semanas dentro de uma casa submersa, o projeto Tektite. Em 1979 foi a primeira mulher a entrar em mecanismo pressurizado, parecido com um robô, o Jim terno, para chegar a 1,250 pés abaixo da superfície do mar. Ela descreve que a sensação de se ver o fundo foi fantástica, pediu que desligassem a luz do Jim para que visse a escuridão que era, mas se deparou com milhões de animais que brilhavam de forma mais linda que qualquer luz que ela já viu. Sylvia ainda não parava por ai, em 1980, queria juntamente com seu marido criar um mecanismo que levasse um ser humano a 11 mil metros, criando uma empresa que auxiliou nessa realização, ajudando em pesquisas e mergulhos exploradores.


O sexo feminino atualmente não é mais considerado um sexo frágil, foi mais que provado que as mulheres conseguem desde caminhar com o cilindro e os equipamentos até ir a profundezas do mar. As empresas que fabricam os equipamentos de mergulhos tomaram nota disso e cuidam para que as mulheres tenham sempre a disposição as melhores roupas, máscaras, nadadeiras, todos de todas as cores e formas. Mas alguns médicos advertem algumas precauções que temos que atentar, em relação á ser do sexo feminino e mergulhar em alguns períodos. Existem estudos para a verificação de problemas relacionados ao mergulho e a menstruação, mas não a nada comprovado cientificamente. Onde a mergulhadora não possa mergulhar por estar nesse período, geralmente o que ocorre é o uso de medicamentos para o tratamento de cólicas ou dores de cabeça, que podem perder o efeito após a mudança de pressão, devido ao mergulho. O aconselhado é o mergulho conservadores e mais rasos, para que se a mergulhadora vier e ter algum problema seja mais fácil o acesso a superfície.
No Ceará já é normal a presença feminina desde as áreas das extas aos mergulhos, são essas mulheres cearenses que demonstram ainda mais a força feminina exercida por elas na sociedade. No Mar do Ceará não é diferente temos um grupo feminino forte, como algumas dessas mergulhadoras:

Anelle Ramos em Fernando de Noronha.


Anelle Ramos, Técnica de Comercialização e Logística, formação Mergulho Avançado, Curso de Nitrox e Mergulho em Naufrágios. Sempre teve vontade de mergulhar e seu marido a despertou para esse mundo. Anelle quando mergulha se sente mais leve e encantada por cada descoberta, Sente que faz parte do ambiente, e simplesmente maravilhada.






Lívia Torquato.


Lívia Torquato. Estudante, formação em Mergulho Avançado pela PADI. Seu maior motivo para mergulhar foi conhecer a fauna marinha. Quando mergulha ela relata que sente uma tranquilidade inesquecível, 






Erika Beux.

Erika Beux. Bancária, formação em Divemaster e Open Side Mount. Quando mergulha  Sua motivação para mergulhar foi que o fundo do mar sempre a chamou atenção em reportagens de TV, mas após experimentar o Dicosver Scuba Diver, o batismo, decidiu fazer us cursos de mergulho. Erika relata que o sentimento quando mergulha é o melhor que se possa imaginar, ao mesmo tempo que sente uma sensação de liberdade, de parecer que esta voando, Esquece do restante do mundo e passa a fazer parte do meio marinho. Quando passa no meio de cardumes de peixes, ver tubarões, lagostas, é uma sensação única e inenarrável! Onde se pode se saber experimentando!



Rita Salgueiro.

Rita Salgueiro, Geóloga/Pesquisadora e Professora Universitária, formação em Curso de Mergulho Básico e Avançado, Primeiros Socorros, Mergulho de Resgate e Curso de Mergluo em Naufrágio. Sua maior motivação para mergulhar era um desejo antigo e muitas vezes foi adiado, Rita cresceu vendo os documentários do cineasta e oceanográfo Jacques Costeau, onde sempre ficava fascinada, persistia a vontade de descobrir e explorar esse mundo. Ela relata que quando mergulha é a sua psico-terapia, o resto do mundo desaparece, tudo é muito pacífico.

O mundo do mergulho não restringe sexo, idade, etnia, se tem apenas uma meta contemplar e amar o mar. No mar do Ceará temos cursos do básico aos mais avançados em que se pode aprender várias formas de explorar esse ambiente maravilhoso.

Gostou desta matéria? Leia também Mulheres: como prender o cabelo antes do mergulho?

Ainda não é mergulhadora? Então clique aqui e saiba como conhecer o mundo submarino!

Referências: