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quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Cristais do Navio Amazônia: 35 anos no fundo do mar


Em agosto de 2016 realizamos o resgate das peças de cristal de um dos contêineres do navio Amazônia, naufragado há 35 anos na Enseada do Mucuripe em Fortaleza. 

O Amazônia levava bens produzidos na Zona Franca de Manaus com destino ao Rio de Janeiro. No entanto, ao largo de Fortaleza embarcação teve problemas e adernou na entrada do Porto do Mucuripe. Grande parte de sua carga derivou até as praias do Pirambú, outra afundou na Enseada.

Em 2012 o mergulhador Régis Freitas trouxe para nosso conhecimento a localização de um desses contêineres que carregava produtos de cristal. Começou então uma jornada burocrática para conseguir as devidas autorizações junto ao Estado Maior da Armada liderada pelo pesquisador Augusto César.

Com as autorizações em mão iniciamos o planejamento da operação. Em quatro dias resgatamos do fundo do mar cerca de setecentas peças. Os cristais trabalhados consistem em quatro modelos de petisqueira e fruteiras. Após 35 anos no fundo do mar algumas estão perfeitamente preservadas mas a maioria apresentam algum dano, mesmo mínimo mas que não tira o brilho e a beleza das peças que passaram décadas perdidas e enterradas no fundo da Enseada do Mucuripe e que graças a este trabalho fantástico pode ser apreciado pelo público!

As peças estão divididas em lotes
Primeiro Lote: peças em perfeito estado de conservação ou com algum dano mínimo, ou aquelas do modelo do qual existem menos exemplares .
Segundo Lote: peças com algum dano mínimo.
Terceiro Lote: peças com danos significativos ou com incrustações de seres marinhos.

Modelos
Petisqueira Redonda. Cerca de 28cm de diametro. Grande número de exemplares deste modelo. 1o, 2o e 3o lotes.
Petisqueira Ovalada. Cerca de 28cm x 21cm. Exemplar com o menor número de unidades. 1o lote.
Fruteira Redonda. Cerca de 20cm de diametro. Poucas unidades. 1o lote.
Fruteira Quadrada. Cerca de 21cm de lado, 27cm de diagonal. 1o lote.

Veja a matéria completa!

Gostaria de adquirir um peça com certificado de autenticidade? 
Entre em contato através do email mardoceara@gmail.com ou pelo 85 98844-5180 (oi/wzp).


quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Operação Regaste dos Cristais e o Naufrágio Amazônia

Após 35 sob a água o selo com a marca do fabricante permanece perfeitamente preservado


Em 2 de novembro de 1981 chegava ao Porto do Mucuripe uma embarcação avariada. O navio mercante Amazônia apresentava problemas em suas bombas de esgotamento e já estava um pouco adernado à bombordo quando se aproximava da entrada do porto. Nos momentos finais da aproximação o navio adernou completamente e deitou sobre seu bombordo no fundo da Enseda do Mucuripe. Sua carga foi se desprendendo aos poucos, contêineres e grandes toras de madeira foram despejadas no mar. Começava assim a Operação Resgate dos Cristais!

Alguns contêineres recheados de produtos industrializados na zona franca de Manaus e que antes eram destinados ao Rio de Janeiro flutuaram e foram dar à Praia do Pirambu, assim como sua carga de madeira. A população ficou histérica com a possibilidade de obter algum bem daquele sinistro e a carga foi saqueada! No frenesi do saque algumas pessoas se machucaram seriamente.

No entanto, alguns desses contêineres afundaram antes de chegar a margem levando consigo os produtos que traziam. E eles traziam peças de cristal! Travessas, cinzeiros, recipientes de diversos tamanhos feitos de um material que não se deteriora facilmente sob a água: vidro de alta qualidade, na verdade cristal. Segundo o wikipédia:
"cristal é a denominação popular para um vidro de alta qualidade, transparência e densidade obtido através da adição à massa vítrea (durante a fabricação) de variados sais metálicos e em especial, neste caso, o óxido de chumbo (Pb3O4).[...] Geralmente quando o teor de chumbo é maior que 10% tais vidros ganham a denominação comercial de "cristal", provavelmente se trata de tentativa de conferir uma distinção de "alta qualidade" em comparação aos vidros ditos "comuns". Os teores de óxido de chumbo podem chegar até a 25%."

Nos anos seguintes mergulhadores amadores localizaram e "fizeram a festa" retirando peças de qualquer maneira e sem as devidas autorizações. Os contêineres foram saqueados. Existem relatos sobre cerca de 200 peças oriundas do Amazônia estão agora em Jericoacoara e que peças foram vendidas pela internet. O problema desta prática é que a legislação brasileira é bem protecionista em relação à bens perdidos no mar. Depois de um certo tempo, qualquer bem perdido ou abandonado no fundo do mar passa a ser propriedade do Estado. Portanto, para retirar qualquer peça do mar são necessárias autorizações dos órgãos competentes, no caso a Marinha do Brasil e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 
O tempo passou e a história foi esquecida. Virou lenda atestada por alguns poucos que ainda lembravam ou conheciam a localização. Em 2006 quando comecei a pesquisar sobre este naufrágio tive dificuldade de encontrar a data mas localizei em jornais antigos fotos do seu afundamento. 

Mais tempo passou e em 2012 Régis Freitas, um mergulhador conhecido como "Régis Doido", trouxe para nosso conhecimento a localização de um desses contêineres. Augusto César Bastos abraçou o projeto de resgatar essas peças com o intuito de doá-las para o futuro Aquário do Ceará.

Augusto batalhou por 4 anos para que seu projeto de exploração fosse aprovado em Brasília. O longo processo burocrático de coleta de assinaturas foi árduo e o documento ainda foi perdido em transito de órgão para outro. Mas em novembro de 2015 ao lado do documentarista Roberto Bonfim, ainda sem a autorização em mãos mas ansiosos à sua espera, lançamos junto com o Atlas de Naufrágios do Ceará o documentário "O Naufrágio Amazônia e o Resgate dos Cristais" em que apresentamos o resgate desta história para o público cearense.

Mas no início de 2016 a autorização estava em mãos e a data escolhida para realizarmos definitivamente o resgate dos cristais. Acertamos meses antes a logística da operação que foi autorizada para ser executada por mergulhadores recreativos. Por este motivo, além do staff da Mar do Ceará, clientes e alunos foram convidados a participar da operação. 

No domingo, 21 de agosto, embarcamos no "Seu Lulu", um traineira de 12m para um curta navegação até o local planejado. Duplas foram definidas assim como suas funções sob a água. A primeira dupla mergulhou para localizar precisamente o contêiner. Fizeram uma busca circular ao redor do local mais indicado e após 20 minutos de busca foi dado o sinal verde. As peças foram colocadas cuidadosamente em caixotes e após alguns mergulhos uma dezena de caixas estavam cheias aguardando uma outra dupla que às elevava para a superfície com o uso de balões infláveis (saco elevatório ou lift bag). Neste dia conseguimos recuperar as peças que estavam expostas na areia.
Interessante observar que grande parte do papelão utilizado para embalar as peças ainda estava preservado e alguns selos com a logomarca do fabricante foram encontrados e é perfeitamente legível o nome "Kaysons Crystal Limitada" e o "CGC 04.299.301/0001-19" mesmo após 35 anos submerso.

Era um contêiner pequeno com mais ou menos 3m x 2m x 2m e toda a sua estrutura se deteriorou exceto sua armação e a parte inferior, enterrada na areia. Por isso nos dias seguintes foi necessário cavar. Utilizamos um sistema de sucção a ar para dragar o fundo  e expor as peças que estavam enterradas. O processo de cavar, coletar, amarrar e içar foi repetido por mais três dias até concluirmos a operação. Foram dias muito divertidos, mergulhos fáceis a 10m de profundidade e com visibilidade média 4m. Após a fase de mergulho, foi necessário limpar e armazenar as peças. 

Parte da carga recuperada será destinada a Marinha que solicitou uma porcentagem. Outra parte será vendida para custear as despesas operacionais. Como não obtivemos resposta do Aquário sobre a nossa oferta de doação idealizamos o "Museu Subaquático de Fortaleza". Mais um projeto de nosso grupo de pesquisas! Aguarde!

Alguns vídeos sobre a Operação Resgate dos Cristais:
Carga de Cristais é Retirada do Fundo do Mar (em 09/11/15)
Operação Conclui Retirada de Cristais do Fundo do Mar (em 26/08/16)

Participaram da Operação
Augusto Bastos
Alexandre Martorano
Alexsander Medeiros
Antônio Frazão
Cynthia Ogwa
Fabiana Santana
Francisco Carlos
Franco Bezerra
Joumar Roussine
Lídia Torquato
Lívia Torquato
Luciano Andrade
Marcondes Férrer
Marcus Davis
Melquíades Junior
Thiago Pereira
Thiago Magalhães
Pedro Emanuel
Rafael Alves

Veja também
Cristais do Navio Amazônia: 35 anos no fundo do mar

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Croqui do Naufrágio do Aterrinho

por João Batista

(Croqui do Naufrágio do Aterrinho por João Batista. Clique na imagem para ampliar. Todos os direitos reservados.

João Batista foi aluno do Curso de Mergulho Avançado e em uma das práticas ele preparou esse super croqui para nos orientarmos durante o nosso mergulho!

Mais sobre o Naufrágio do Aterrinho em:
Naufrágio do Aterrinho

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Lançamento do "Atlas de Naufrágios do Ceará" e o documentário "Naufrágio Amazônia e o Resgate dos Cristais"


Amigos,

É com enorme prazer que os convidamos a participar deste grande evento do mergulho e da história cearense. Dez anos de pesquisas e mergulhos em naufrágios resultaram no Atlas de Naufrágios do Ceará por Marcus Davis e Augusto César Bastos. Resgatamos para vocês histórias fantásticas que aconteceram aqui em nossos mares!

No Atlas de Naufrágios do Ceará você irá encontrar histórias de naufrágios ícones do litoral cearense, muitas vezes tragédias marcantes com perda de vidas humanas mas que foram há muito tempo esquecidas. Homenageamos as vítimas desses acidentes lembrando-as através deste livro com imagens de época e fotos impressionantes de navios que atualmente estão no fundo do mar colonizados pela exuberância da vida subaquática.

Autores convidados provenientes de instituições como o Laboratório de Ciências do Mar da Universidade Federal do Ceará e a Diretoria do Patrimônio Histórico e Cultural da Marinha colaboraram com textos técnicos de diversas áreas relacionadas ao mergulho e à pesquisa de naufrágios.

Também listamos todos os cerca de cem naufrágios conhecidos que ocorreram do Estado. Alguns com dados precisos como data do afundamento e localização por coordenadas geográficas estão listados em um mapa. Mas outros mesmo que uma vez tenham sido estruturas grandiosas da engenharia naval, permanecem anônimos sob os verdes mares cearenses.

Ainda no livro convidamos o leitor leigo para conhecer melhor os navios e naufrágios através do Manual de Reconhecimento de Partes e Peças de Naufrágios com fotos de navios museus espalhados pelo mundo, ou com imagens das peças ainda submersas. Para o leitor mergulhador esta seção torna-se um manual para auxilia-lo a entender melhor essas grandes estruturas submersas e como reconhece-las após anos no mar e assim orientar-se melhor durante seus mergulhos.

Junto com o atlas lançaremos o documentário "Naufrágio Amazônia e o Resgate dos Cristais" um trabalho conjunto do documentarista Roberto Bonfim sobre um naufrágio ícone na história de Fortaleza! 

Ainda no evento nos deslumbraremos com a exposição do fotógrafo cearense Ruver Bandeira com imagens incríveis do mundo subaquático e seus habitantes!

Venha participar desse grande evento da cultura marítima cearense! Um convite especial aos alunos do Clube de Mergulho Mar do Ceará que acreditam em nosso trabalho e fazem parte dessa história. Sua presença é fundamental pois cada um de vocês faz parte deste trabalho!


Livraria Cultura
Av. Dom Luís, 1010 - Shopping Varanda Mall
03 de dezembro de 2015 às 19h

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Mara Hope há 30 anos

O Mara Hope era um navio cargueiro que encalhou em mares cearenses no início da década de 80 e até hoje permanece um marco paisagístico na orla cearense. Nesta foto de 1985 ainda é possível observar a Ponte Metálica. Foto gentilmente cedida por Rogério Nobrega.

1985. Foto gentilmente cedida por Rogério Nobrega.
Molecada que teve a oportunidade de brincar em seu convés! Foto cedida por Rogério Nobrega.

O hélice reserva.  Foto cedida por Rogério Nobrega.

A superestrutura já bastante danificada em 1988.  Foto cedida por Rogério Nobrega.
Nesta foto vemos um rebocador ancorado ao lado do Mara Hope.  Foto cedida por Rogério Nobrega.

Saltos do Mara Hope! Até hoje!  Foto cedida por Rogério Nobrega.

O incêndio em 1985.  Foto cedida por Rogério Nobrega.

A fotos contidas no site são propriedade de Rogério Nobrega e não devem ser reproduzidas sem autorização prévia do mesmo (rogerionobrega@hotmail.com)!

sexta-feira, 21 de março de 2014

Mara Hope: há 30 anos um marco no litoral de Fortaleza


O Mara Hope em 2012
por Paula Christiny

Você sabia que aquele navio naufragado que visualizamos quando estamos nos Espigões da Beira Mar, na Ponte dos Ingleses ou na Ponte Metálica se chama Mara Hope? E que ele está fazendo aniversário? Se você não sabia, ele é uma atração turística e patrimônio histórico da cidade, mesmo que quase ninguém o valorize. Então em virtude desses festejos, o Mar do Ceará que também é cultura vai lhe contar a história do “Gigante de Fortaleza”.

O Mara Hope, é um navio petroleiro que naufragou na costa de Fortaleza No dia 6 de março de 1985, há trinta anos. A embarcação foi fabricada em 1967 pelo estaleiro espanhol Astilleros de Cádiz com o nome de Juan de Austria, porém ao longo de seu período de atividade teve outros nomes, foi chamado de Asian Glory (1979) e de Mara Hope (1983). Nesse período, também teve diferentes empresas proprietárias a Naviera Ibérica, a Bona Shipping, a Carpathia Trading e a Commercial Maritime.

Mara Hope ao sair do estaleiro de Astilleros de Cádiz em 1967
No ano de 1983, quando estava ancorado em Port Neches, no Texas, para reforma, o navio sofreu um incêndio na casa de máquinas. Devido a intensidade do fogo e do risco de explosão as pessoas que moravam nas proximidades do porto foram evacuadas. Ninguém morreu e os 40 tripulantes saíram do navio sem nenhum dano. Depois do incêndio o petroleiro não tinha mais condições de operar e no ano de 1984 saiu rebocado rumo a Kaohsiung, em Taiwan, para desmonte e posterior venda como sucata.

Porém em, 6 de março de 1985, durante a viagem o rebocador do Mara Hope, o Sucess II, teve problemas mecânicos enquanto navegava em águas brasileiras, sendo obrigado a ancorar no estaleiro da Industria Naval do Ceará que se localiza ao lado do Hotel Marina Park, de frente ao local onde o navio viria a encalhar dias depois.

O afundamento do petroleiro se deu dia 21 de março de 1985, período em que Sucess II ficou ancorado em Fortaleza. O Mara Hope soltou-se de suas amarras durante a noite com maré alta e uma forte tempestade, ficando a deriva até encalhar num banco de areia próximo a Praia de Iracema. Há relatos de que houve tentativas de mover o navio, porém todas em vão, devido ao tamanho do banco de areia em que o mesmo e a profundidade que o mesmo tinha encalhado. Ainda existe uma versão não confirmada, de que o rebocador que conduzia o Mara Hope depois de vários problemas soltou suas amarras, deixando o mesmo à deriva.

O Sucess II no estaleiro para reparos e o Mara Hope ao fundo à direita
Depois do encalhe, foi dada perda total no navio, o Mara Hope foi desmantelado pela empresa proprietária para se aproveitar tudo que pudesse, o desmonte foi completado por piratas locais, restando no local apenas a carcaça. 

Anos depois, pouco se encontra da embarcação. Fora d´água pode se visualizar parte da sua proa, seu guindaste e nos dias de maré baixa pedaços do seu motor. Toda sua estrutura está sendo corroída pelo tempo, cheia de buracos e ferrugem. Os porões que carregavam petróleo estão com água. O metal que está debaixo d'água está cheio de corais, ainda hoje cobre e bronze são retirados por piratas. Tais constatações preconizam o fim do gigante. 

Apesar dos riscos banhistas
visitam o local
Propriedade da União, o navio permanecerá até o fim dos seus dias no mesmo local, já que segundo a Capitania dos Portos é inviável a sua recuperação. Até hoje, os vestígios do Mara Hope permanecem encalhados a aproximadamente 700 metros da Ponte Metálica. Tendo como um dos melhores pontos de visualização a Igreja de Santa Edwirges. Ainda assim, o navio se coloca imponente na orla de Fortaleza e é um dos programas de grupo de banhistas e curiosos que o visitam, de barco ou a nado, com intuito, conhecer o navio, ou ver Fortaleza por um novo ângulo e acabam por desafiar perigos saltando de suas partes emersas.

O Mara Hope começou a ruir e o que sobrou não é nem a metade do que foi o petroleiro no seu auge. Sua estrutura está bastante comprometida e sua visitação é desaconselhada. O gigante de Fortaleza está bastante vulnerável, não resistindo nem as ressacas do mar. 

Mas indo embora Mara Hope nos ensina muito sobre interação do Homem com o que ele produz e como esse produto se mistura com a sua existência e sua vida social. Nesses trinta anos o ele teve diferentes significados para o cidadão de Fortaleza, que mudaram ao longo do tempo de sua estadia nessa capital, o mesmo é de uma só vez ponto turístico para visitantes, posto trabalho para pescadores, fonte de renda aos saqueadores, veículo de imaginação para muitos. Pode-se dizer que mais do que objeto material, uma sucata de ferro, o Mara Hope se reinventou, em suas inúmeras apropriações sociais, técnicas de uso e manipulação, importância econômica e a sua necessidade social e cultural. Conclui-se o “Gigante de Fortaleza” precisava estar ali para que ele pudesse movimentar os motores do nosso imaginário.


O fim de um gigante.

Nota do Editor
Há alguns anos entrei em contato com Port Neches, Texas, a fim de localizar alguma imagem do seu incêndio. Para a minha surpresa foi me dito que ainda havia uma foto do Mara Hope queimando na parede da unidade do Corpo de Bombeiros do porto.


Leia também:
Mara Hope há 30 anos
Mara Hope sofre ação do tempo!
Imagens do Mara Hope em 2012
Mara Hope - Mais um desabamento em 2011
Passeio ao Mara Hope - Um pouco da história do Petroleiro
Visitando Antigos Pontos de Mergulho - Serra Pelada e Mara Hope



segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Imagens do Navio Mara Hope em 2012

Esse ano estive pouco por lá mas encontrei algumas imagens de maio de 2012. 


Detalhe dos danos em maio de 2012.

Mara Hope, maio de 2012

Faltando uma "fatia"!

Detalhe do estrago.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A verdade sobre o Seawind - o navio cargueiro que naufragou em Fortaleza

O NM Seawind, dias após seu afundamento. Ainda com a superestrutura em seu lugar em julho de 2012.

O Seawind ancorado no Mucuripe
em setembro de 2011.
Em setembro de 2011 uma produtora da TV Cidade e amiga me convidou para atuar como tradutor em uma reportagem. O assunto: ea questão trabalhista dos marinheiros búlgaros do Navio Mercante (NM) Seawind foi exposto aqui em matéria publicada em outubro daquele ano.


O Seawind era um navio cargueiro que navegava sob bandeira panamenha apesar de pertencer a uma companhia de navegação búlgara assim como também era sua tripulação. Sua história é um tanto curiosa. Seus marinheiros estavam com salários atrasados a meses quando deixaram o porto de Vitória, ES, com o navio carregado com mármore.  Seu destino era algum porto na Itália. Estavam quase sem suprimentos quando fizeram escala em Salvador para reabastecer. Devido a longa espera pelo reabastecimento que atrasou, crustáceos cresceram nas grades das "caixas de mar" que puxam água para refrigeração dos motores. Aí começaram os problemas. Em alto mar as máquinas pouco

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Naufrágios da Enseada do Mucuripe e Ponte Metálica

Naufrágios da Enseada do Mucuripe, Fortaleza-CE. Clique para Ampliar

Como qualquer zona portuária diversas embarcações naufragaram na Enseada do Mucuripe. Segue abaixo uma pequena listagem de naufrágios recentes.

Vapor "Cearense"

Cearense, 1897 - Provavelmente uma draga (embarcação usada para retirada de sedimento do fundo) que deu nome a localidade "Poço da Draga". Seu registro está nos arquivos da marinha bem como sua posição. Trata-se de um navio de mais de 100m de comprimento, possui duas caldeiras, mas sua estrutura está desmantelada. Agrega muita vida marinha mas o mergulho é complicado devido a baixa visibilidade da água na maior parte do ano.

Madeira e cravo de bronze do Rose

Rose, 1897 - Embarcação de casco de madeira que foi recentemente identificada. Trazia uma carga de barris e estes podem ser vistos petrificados após anos submersos. Sua ancora, corrente, cabrestante (usado para suspender a ancora), e cabeços de amarração podem ser observados.

Naufrágio da Ponte, ? - Embarcação com casco de ferro naufragada junto a Ponte Metálica que foi recentemente soterrada por obras da prefeitura que desconhecia a sua existência. Em imagens de 1906 partes do navio já aparecem em fotos de época sugerindo que o sinistro ocorreu antes desta data. Tem cerca de 50m de comprimento, leme, hélice, e outras estruturas podiam ser observadas bem como vida marinha presente no local. Hoje dificilmente identificaremos essa embarcação a partir de estudos da mesma.

Torre de Sondagem, 1932
Torre de Sondagem, 1932 - Restos de uma estrutura que possivelmente trata-se de uma torre usada para sondagens (verificação do tipo de fundo, profundidades, etc) durante o planejamento da construção do Porto do Mucuripe. Esta torre ficava sobre uma plataforma flutuante naufragou em 1932 não sendo recuperada. Durante mergulhos realizados em 2008 localizamos partes da antiga estrutura sobre o Recife do Meireles.

Acidente vira manchete

Avião T-33, 1967 - O avião caça modelo T-33 da Força Aérea Brasileira caiu durante demonstrações da semana da asa em 22 de outubro. A ponta da asa tocou a superfície da água enquanto o piloto executava uma manobra a poucos metros da praia em frente ao clube Náutico. O avião despedaçou-se e o piloto morreu. Acreditamos que restos da aeronave ainda encontram-se no fundo.

Beny naufragado em 1969
Beny, 1969 - Naufragou no dia 18 de janeiro enquanto ancorado para reparos no Porto do Mucuripe. Transportava um carregamento de sal quando chegou do Maranhão seis meses antes. Pela manhã o navio começou a adernar para bombordo. Sua tripulação alijou a carga mas não foi suficiente e no dia seguinte o navio naufragou completamente. Hoje é possível avistarmos partes de sua estrutura (lateral de boreste) fora d'água mas as condições de mergulho são difíceis.

Amazonas adernado
Amazonas, 1981 - Navio cargueiro naufragado em 02 de novembro. Trazia uma grande carga de madeira e conteiners com todo tipo de produtos: eletrodomésticos, televisores, relógios, roupas, peças de cristal, etc. Vinha fazendo água a caminho do Porto do Mucuripe quando adernou à boreste e naufragou. Nos dias que seguiram o sinistro a carga se desprendeu do navio e derivou. Alguns conteiners encalharam nas praias da Leste-Oeste sendo estes saqueados pelos moradores do local. Fato curioso é que alguns saqueadores se machucaram seriamente ao tentar subir nos conteiners pois estes batiam contra as pedras do quebramar com a força das ondas.

O Rb "Sucess" à esquerda e o Mara Hope ao fundo
Mara Hope, 1985 - Era um petroleiro fabricado na Espanha que explodiu e estava sendo rebocado para desmonte pelo rebocador chamado Sucess II, quando este teve problemas. O Mara Hope foi ancorado no Porto do Mucuripe quando se soltou das amarras durante a noite e derivou cerca de 2 milhas antes de encalhar em frente ao Hotel Marina Park. Foi totalmente retalhado a fim de se aproveitar todas as peças e metais.

Naufrágio do Aterrinho, ? - Casco de ferro naufragado a seis metros de profundidade próximo ao "quebramar do lido". Sua registro é desconhecido. Segundo pescadores trata-se de um barco de pesca que se soltou das amarras enquanto era transportado para o estaleiro da Inace. É similar ao casco que atualmente encontra-se encalhado na Beiramar ao lado do quebramar do Aterro.

A balsa Bravamar parcialmente naufragada

Bravamar X, 2009 - Balsa de transporte de carga desprovida de propulsão naufragou em agosto enquanto era rebocada. Após diversas tentativas de reflutuação a balsa permanece no fundo a 10m de profundidade.



quarta-feira, 27 de julho de 2011

A História do Avião Bandeirantes - Naufrágio que Não Existe Mais

Localização do Naufrágio

Matéria Publica na Revista DecoStop em 2010.

 Eram oito horas da manhã de uma quinta-feira de junho de 1985 quando decolou do Aeroporto Militar da Base Aérea de Fortaleza o avião de patrulhamento marítimo EP-95 prefixo 7053 da Força Aérea Brasileira, com quatro tripulantes a bordo. Sua missão seria participar de um exercício de treinamento em conjunto com a Marinha de Guerra chamado ‘Operação Costeirex Nordeste 85’ cujo objetivo consistia na defesa do Porto do Mucuripe e das plataformas da Petrobrás nos campos de Curimã e Xaréu, ambos em Paracuru.  
Pouco mais de duas horas após decolar, cerca de 10:20 da manhã, o sinal da aeronave desapareceu do radar a cerca de 18 milhas náuticas do litoral de Fortaleza. O curioso é que não houve nenhum contato da tripulação com a torre de comando antes do desaparecimento do sinal do avião.
Ainda pela manhã diversas embarcações e aeronaves de resgate se dirigiram ao local estimado do acidente e deram início às buscas. O corpo do mecânico de vôo, Suboficial Gildo Zanin Pistolato de 44 anos logo foi encontrado, retirado do mar e trazido pelo navio patrulha LP Poty para o Porto do Mucuripe e enviado a Salvador, cidade que sediava o 1º Esquadrão do 7º Grupamento de Aviação, e à qual pertencia toda a tripulação.
Beijupirás seguem arraia no Avião.
Foto: Marcus Davis 2004
No dia seguinte mergulhadores encontraram os destroços da aeronave a 29 metros de profundidade e também o corpo do Sargento Renato Ribeiro do Santos de 24 anos. No terceiro dia de buscas foi encontrado o corpo do Tenente Aviador Marcelo Luis Lemos de 30 anos. A localização do quarto tripulante, Vinicius Santos do Nascimento de 28 anos não foi noticiada.
Pelas características da aeronave no fundo do mar pode se ter uma idéia da brutalidade do acidente que tirou a vida dos quatro militares. O pequeno avião está partido ao meio na altura das asas, separando a cauda do restante da fuselagem. Uma das asas e seu motor se encontram juntos do corpo do avião. Segundo relatos de mergulhadores a outra asa está a mais de 500m a nordeste dos destroços.
O acidente aconteceu no dia 27 de junho de 1985 às 10:20. O avião EMB-111 EP-95 fabricado pela Empresa Brasileira de Aeronáutica – Embraer – sob encomenda do Ministério da Aeronáutica é projetado para vôos rasantes – essenciais para o patrulhamento marítimo. O sinal do radar desapareceu bruscamente sem contato com a torre de comando antes do acidente. Esses dois fatos somados às características da aeronave no fundo indicam que o piloto poderia ter encostado a ponta da asa na crista de uma onda maior durante um vôo rasante. Os jornais da época falaram em erro humano.
O avião bandeirante foi por muitos anos um dos melhores pontos do Parque. Acreditávamos que por  estar dentro dos limites do Parque Estadual Marinho da Pedra da Risca do Meio ele estava protegido. Mas estávamos enganados...
Em março de 2010 retornamos ao avião após anos de inatividade de mergulho recreacional neste local especifico. Ao descer para amarrar o cabo ao naufrágio, tive uma triste supresa: não restava quase nada do do avião, que uma vez fora um dos melhores pontos de mergulho de Fortaleza. Foram removidos a asa, o motor e o restante da estrutura foi dinamitado! Um absurdo! Veja o vídeo!

O Avião
Nome: EMB-111 EP-95 prefixo 7053
Data do Afundamento: 27/06/1985 as 10:20
Localização: 18 milhas do Porto do Mucuripe
Profundidade: 29m
Estado: Desmantelado
Carga: Passageiros
Tipo: EMB-111, Avião Bandeirante de Esclarecimento Marítimo
Nacionalidade: Brasileiro
Dimensões: 14,91m / 15,95m / 4,8m
Deslocamento(t): 7
Armador: Base Aérea de Salvador – FAB
Propulsão: 2 turboélices Pratt & Whitney, Canadá PT6A-34 com 750shp cada
Características: É a versão do bandeirante para patrulhamento marítimo, o P-95 “Bandeirulha” veio ocupar a lacuna da FAB com a desativação dos Neptune P-15. Seu desempenho é superior ao do avião que lhe deu origem, em razão dos motores PT-6A-34 e dos tanques das pontas das asas, que aumentam sua autonomia de vôo para sete horas e vinte minutos.
Equipado com um potente aparelho de radar colocado no nariz, e pontos “duros”sob as asas para lançamento de foguetes. Os Bandeirulhas patrulham a costa, executam a identificação e o controle de tráfego mercante e se adestram em operações de busca e salvamento.

Tripulação:
Piloto: 1o Ten Aviador Marcelo Luís Lemos, 30 anos
Co-Piloto: 1o Ten Aviador Vinicius Santos do Nascimento, 28 anos
Mecânico de Vôo: Sub Oficial Gildo Zanin Pistolato, 44 anos
PAX: 3o Sgt Renato Ribeiro dos Santos, 24 anos

Fontes:
BrasilMergulho – http://www.brasilmergulho.com.br
Desastres Aéreos – http://www.desastresaereos.net
Jornal O Povo
Jornal O Estado