sexta-feira, 18 de julho de 2014

Fauna Fluvial Cearense – Pirarucu

Por Paula Christiny

Fonte: http://www.zoochat.com/



Nome científico: Arapaima gigas

Nomes comuns: Pirarucu, também conhecido como Arapaima ou peixe pirosca.

Status internacional: está ameaçado de extinção em virtude da pesca predatória.

Distribuição: é encontrado geralmente na Bacia Amazônica e na parte setentrional da América do Sul.

Habitat: O Pirarucu é um peixe que habita águas rasas e claras de lagos e rios, especificamente nas áreas de várzea, onde as águas são calmas, não sendo encontrado em zona com fortes correntezas e ricas em sedimentos.

Tamanho: Pode atingir até três metros de comprimento.

Peso: Até 200 Kg .

Descrição: Possui grande porte, corpo em forma cilíndrica, alongado e escamoso. Sua cabeça é achatada e ossificada com mandíbulas salientes. Seus olhos tem tons amarelados e pupila azulada. Sua pele tem coloração marrom-esverdeada, sendo escura no dorso a avermelhada nos flancos.

Dieta: É um peixe omnívoro, alimenta-se de peixes, caramujos, camarões de água doce, cágados, cobras, anfíbios, caranguejos, seixos, areia, entre outros.

Curiosidades: Na mitologia indígena existe uma lenda para a origem do peixe. Pirarucu era um índio guerreiro muito valente, orgulhoso que gostava de praticar maldades. Tupã resolveu castigá-lo. Pediu a Deusa Luruauaçu que fizesse cair uma grande tempestade, chamou Polo e ordenou que ele espalhasse seu mais poderoso relâmpago na área inteira. Pirarucu tentou fugir, mas não conseguiu, vencido pela força do vento caiu no chão e um raio partiu uma árvore muito grande que caiu sobre a cabeça do jovem guerreiro, achatando-lhe totalmente. Seu corpo desfalecido, acabou sendo levado para as profundezas do rio, o Deus Tupã ainda não estava satisfeito e resolveu aplicar um castigo mais severo e transformou o jovem guerreiro num peixe avermelhado de grandes escamas e cabeça chata.



quinta-feira, 10 de julho de 2014

Doenças provocadas por pressão em mergulho e a Medicina Hiperbárica

Paula Christiny

HISTÓRICO

Vestígios pré-históricos mostram que há milhares de anos os homens já exploravam o mundo submarino em busca de alimento. A exploração do ambiente subaquático era limitada pela impossibilidade de se respirar dentro d’água e pela pressão que ela exerce no organismo. O desejo e a necessidade fizeram com que os homens buscassem alternativas para superar suas limitações no meio aquático. Disto surgiram equipamentos que permitiriam aumentar o tempo de imersão e a profundidade atingida.
Equipamentos individuais de mergulho já eram utilizados no século IX a.C.. Aristóteles descreveu os sinos de mergulho. Henshaw, em 1662, mostrou o sino de imersão com sistema de ventilação a fole.

Sino de Henshaw. Fonte: www.amazondiver.com.br
No século XIX, com o desenvolvimento de equipamentos de mergulho eficientes e uso de tubulões pneumáticos pressurizados em obras de construções de pontes e minas, foram delineados o potencial e limitações do homem no meio subaquático e pressurizado.
Em virtude das patologias relacionadas ao mergulho, tornou-se necessária a intervenção de médicos e pesquisadores. Trabalhadores de tubulões, depois de trabalhar em ambientes sob pressão e respirar ar comprimido fornecido por compressores desenvolvidos em 1837, foram diagnosticados com sintomas de “reumatismo e frio”.
Somente quase quatro décadas depois, esse fenômeno foi diagnosticado como doença descompressiva. O seu tratamento era feito com o envio dos trabalhadores afetados para o nível de pressão que eles estavam trabalhando,  até que seus sintomas melhorassem. Então eles lentamente voltavam para a superfície. Tal procedimento foi realizado até o início do século XX.
A construção da ponte do Brooklyn. Fonte: http://www.oxibarimed.com.br/

Marca historicamente a origem da fisiologia hiperbárica o livro do fisiologista francês Paul Bert “A Pressão Barométrica”. Esta obra cria a área médica dedicada aos estudos das alterações fisiológicas e metabólicas 
do organismo exposto a pressões superiores a pressão atmosférica e sistematiza a oxigenoterapia hiperbárica, utilizando a inalação de oxigênio puro no ambiente pressurizado.
O uso terapêutico da oxigenioterapia hiperbárica ocorreu em 1937 com Behnke e Shaw, que trataram doenças descompressivas de maneira sistemática utilizando-se tabelas de descompressão. Na década de 30 as marinhas inglesa e americana iniciaram inúmeros estudos para aplicação terapêutica da oxigenioterapia hiperbárica. 


NO BRASIL
O Professor Álvaro Ozório de Almeida (1882-1952), brasileiro, é considerado pioneiro mundial do uso da hiperóxia hiperbárica, tendo realizado na década de 1930 trabalhos clínicos e experimentais, sobre a aplicação da oxigenoterapia hiperbárica na gangrena gasosa e lepra lepromatosa.
Em 1932, Álvaro Ozório de Almeida instala a primeira câmara na América Latina e publica trabalhos sobre tratamentos da hanseníase, sobre os efeitos tóxicos do oxigênio, além de desenvolver em câncer e radioterapia. A partir daí, a medicina hiperbárica brasileira passou a desenvolver-se progressivamente, até que em 1995, o CFM (Conselho Federal de Medicina) publica sua regulamentação.

A MEDICINA HIPERBÁRICA
A medicina hiperbárica está subdividida em duas áreas:  uma é dedicada à atividade profissional e saúde ocupacional. A outra está relacionada ao mergulho, ela trata de pessoas acometidas por doenças próprias da atividade e da prevenção desses agravos. 
A oxigenoterapia hiperbárica (OHB) é uma modalidade terapêutica em que o paciente é submetido à inalação de oxigênio puro em uma pressão maior que a pressão atmosférica em geral de 2 a 3 atm. O equipamento básico da OHB é a câmera hiperbárica. Ela é basicamente um cilindro hermeticamente fechado, resistente à pressão. Sua finalidade, entre outras coisas, é o tratamento de doenças descompressivas e acidentes relacionados ao mergulho.
Câmera Hiperbárica. Fonte: www.amazondiver.com.br
O mecanismo fisiológico da OHB inicia-se com a inalação de oxigênio puro em ambiente hiperbárico, que proporciona o aumento do gás no corpo. O potencial terapêutico da OHB está na capacidade de absorção de alta dose de oxigênio, que pode compensar a hipóxia ( um estado de baixo teor de oxigênio nos tecidos orgânicos).
Existem limites pré-estabelecidos para a exposição à oxigenoterapia hiperbárica referentes ao nível de pressão utilizada e do período de pressão dentro da câmera, visto que podem ocorrer efeitos colaterais envolvendo determinadas regiões e órgãos do corpo. Os efeitos do aumento da OHB no organismo durante o procedimento podem corresponder a barotraumas das cavidades preenchidas como ouvido médio, seios da face e pulmão.

O MAL DESCOMPRESSIVO E SEUS TRATAMENTOS
Mesmo com os tecnológicos computadores de mergulho que fornecem ao mergulhador todas as informações necessárias para uma descida e retorno seguros, o mal descompressivo ainda assusta. Mesmo que sua incidência seja muito baixa é importante conhecê-lo, pois ainda ele é mal interpretado. 
A doença descompressiva (DD) é uma condição perigosa na qual bolhas de nitrogênio se expandem no sangue e ou nos tecidos do corpo, causando lesões em diferentes graus, isso ocorre quando um mergulhador realiza uma subida muito rápida. No mergulho autônomo, o suprimento de ar comprimido provoca saturação de moléculas gasosas no organismo. Quanto mais fundo e mais tempo se permanece ali, mais gases serão absorvidos. O nitrogênio, que não é inerte, não é absorvido pelo organismo. Quando o mergulhador inicia a subida, ocorre descompressão, esse gás se torna mais solúvel e vai se dissolvendo pelos tecidos e corrente sanguínea que se encarrega de expeli-los do corpo. Porém se ocorre uma subida muito rápida a dissolução de nitrogênio ocorre de forma muito rápida, a pressão do gás diminui de forma abrupta e bolhas se formam podendo comprometer nervos, artérias, veias, vasos linfáticos e desencadear reações químicas danosas ao sangue.
Sintoma DD. Fonte: 
http://www.ohb-rio.med.br/
Mesmo com todas as medidas de segurança tomadas, alguns fatores individuais predispõem o mergulhador à doença descompressiva, são eles: obesidade, fadiga, idade, sedentarismo, doenças pulmonares e/ou cardiológicas, ferimentos muscoesqueléticos e o uso recente de álcool. Ainda fatores naturais aumentam a chance de se ter uma DD, água gelada, trabalho pesado submerso, mar perigoso e roupas de mergulho quentes; voo após o mergulho e a ida para grandes altitudes também podem causar DD.
Os sintomas da doença descompressiva podem ser sentidos em 10 minutos após a volta à superfície até horas depois, eventualmente dias depois. Ela pode ser dividida em dois tipos: a tipo 1 é moderada, sendo caracterizada por dor isolada em juntas, vermelhidão da pele com coceira, em geral no tronco ou abdômen, ou ainda inchaço de gânglio linfático. A tipo 2, mais grave, é caracterizada por perda da sensibilidade, que pode evoluir para perda de força e até paralisia dos membros, vertigem, sintomas respiratórios e outras formas mais raras. Porém é consensual que mais importante que classificar é o tratamento imediato e adequado à condição. 

EMBOLIA ARTERIAL GASOSA 
É uma questão ainda polêmica, alguns pesquisadores a consideram um outro tipo de doença descompressiva. Essa condição acontece quando o mergulhador não obedece as normas de descompressão e não respira adequadamente. É causada pela ruptura de veias do interior pulmonar devido à excessiva expansão pulmonar durante a subida de um mergulho que permite que, o gás crie moléculas que vão se expandindo de acordo com a despressurização. Dependendo de onde essas moléculas se alojarem, podem causar problemas como embolia nas artérias coronárias e AVC nas artérias cerebrais.

DIFERENÇAS ENTRE DOENÇA DESCOMPRESSIVA E EMBOLIA ARTERIAL GASOSA 
Na doença descompressiva é preciso ter profundidade e tempo suficientes para saturar o corpo de nitrogênio, seu início acontece em até 36 horas após o mergulho e o déficit neurológico se manifesta na medula espinhal e no cérebro. Já a embolia arterial gasosa pode ocorrer em qualquer tipo de mergulho, se manifesta imediatamente e seu déficit neurológico ocorre apenas no cérebro.

O TRATAMENTO DO MAL DESCOMPRESSIVO
Tanto na doença descompressiva quanto embolia arterial gasosa, o tratamento com oxigenoterapia hiperbárica deve ser iniciado imediatamente. Na DD é necessário a administração de oxigênio puro até poder transportá-lo para uma unidade de urgência, visando reduzir o quadro a níveis mais seguros. Também é recomendado oxigenoterapia hiperbárica o mais rápido possível e a descompressão gradual para a lenta eliminação do nitrogênio. Para a embolia arterial gasosa o rápido tratamento é fundamental e a oxigenoterapia hiperbárica também é indicada nesse procedimento. Estudos mostram que mergulhadores que passaram por recompressão em até 5 minutos tiveram uma diminuição de mortalidade de até 5%. Com o tratamento depois de 5 horas essa taxa sobe para 10%, onde mais de 50% dos que sobreviveram apresentaram sequelas. 

OUTRAS DOENÇAS RELACIONADAS AO MERGULHO

Barotraumas
É a causa mais freqüente de lesões e de desqualificação para o mergulho e para o trabalho em ambientes pressurizados. São causados por obstruções à livre movimentação do ar nos espaços aéreos do organismo, particularmente nas cavidades aéreas cranianas. Podem levar à lesões graves, permanentes e incapacitantes.

Intoxicação por Gases
No mergulho profundo (mergulho saturado) e no trabalho em ambientes pressurizados, o controle da qualidade do ar respirado e de sua composição é freqüentemente feito à partir da superfície e aceita uma margem de erro muito pequena. A intoxicação ou o envenenamento dos trabalhadores devido à falhas neste controle, tem feito vítimas em todo o mundo. Os agentes causais mais comuns são o próprio oxigênio, o nitrogênio, o monóxido e o dióxido de carbono e a poluição (contaminação) dos gases “respirados” pelos mergulhadores.

Síndrome Neurológica das Altas Pressões (SNAP)
É um fenômeno atribuído tanto à um efeito direto das altas pressões hidrostáticas quanto à ventilação (respiração) do gás hélio sob altas pressões, como ocorre no mergulho à grandes profundidades. A síndrome se manifesta por sonolência, tonteira, náuseas, e tremores generalizados com descontrole dos movimentos finos, podendo evoluir para convulsões.

Osteonecrose
É uma doença degenerativa, silenciosa e incapacitante, que acomete principalmente mergulhadores de saturação ou que já tenham sofrido episódios de Doenças Descompressivas. Tem sido atribuída tanto à intoxicação por oxigênio quanto à embolias aéreas, gordurosas e até à fenômenos osmóticos. Ocorre uma destruição e necrose asséptica em áreas específicas de ossos longos dos membros e superfícies articulares, especialmente no fêmur, articulação da bacia, úmero, articulação do ombro e na tíbia, sendo necessário afastar o mergulhador definitivamente da atividade profissional quando a doença é constatada.

Apagamento
É provavelmente a causa mais freqüente de morte em mergulhadores amadores e profissionais adeptos do mergulho em apnéia (desequipado, usa-se apenas o ar contido nos pulmões). Antes de iniciar o mergulho, muitos mergulhadores têm o hábito de hiperventilar repetidamente, na perigosa ilusão de aumentar a quantidade de oxigênio no sangue e com isso prolongar o tempo de fundo. Tudo o que conseguem na verdade é diminuir a tensão parcial do gás carbônico no sangue, retardando o sinal de alerta do centro respiratório, que é o próprio CO2 quando mais elevado. Quando mergulhados, a pressão parcial do oxigênio na circulação cerebral será suficiente para manter a lucidez por algum tempo, mas a pressão parcial do CO2, excessivamente baixa devido à hiperventilação inicial, levará mais tempo para atingir o nível necessário para "acordar" o centro respiratório e provocar nos mergulhadores a necessidade de respirar outra vez. Enquanto isso suas reservas de oxigênio no sangue terão sido consumidas e quando eles iniciarem a subida, não terão oxigênio suficiente para atingir acordados a superfície.

COMO SE PREVENIR
No mundo submerso é assim, parafraseando Fidel Castro, “entrar é fácil, sair é que é pior”. Na maioria dos casos, você não tem a chance de subir e pedir ajuda. Esteja ciente que problemas no fundo devem ser resolvidos por lá mesmo. Seja um mergulhador consciente, siga as regras, evite fatores de risco, aja com prudência. Faça uma subida lenta e gradual, lembre-se da parada de segurança, siga a sua tabela ou computador de mergulho.

Fontes:
http://www.oxibarimed.com.br
http://www.ohb-rio.med.br
http://www.feridologo.com.br
www.planetamergulho.com.br
www.revistamergulho.com.br

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Mergulho Profissional Saturado: um desafio para poucos

Paula Christiny

Fonte: http://buscarempregooffshore.blogspot.com.br/
O que você acha de um trabalho de quatro meses por ano, com bonificações dez vezes maiores que o salário, podendo chegar até R$30.000 e se aposentar com 25 anos de serviço (não estou falando dos políticos brasileiros). Parece ser o trabalho dos sonhos, não é? Não é bem assim. Esse regime de trabalho dos mergulhadores saturados não é tão encantador.

Os gases e a pressão
Já ouviu falar em mergulhos a 300m de profundidade? Isso seria um mergulho saturado: o mergulhador antes de entrar na água, é levado a um grande cilindro e dentro deste é aumentada a pressão ambiente, simulando um mergulho.
O mergulho saturado se baseia no princípio de que a pressão dos gases dissolvidos no sangue e nos tecidos é o mesmo que o gás presente nos pulmões. Ou seja, um mergulhador descerá a uma profundidade, possivelmente a 300 pés (91 m), e continuará lá até que não haja mais gás a ser dissolvido nos que ficarão saturados de nitrogênio.
Fonte: http://buscarempregooffshore.blogspot.com.br/
Quando o mergulhador chega ao ponto de saturação, o tempo necessário para a descompressão será o mesmo não importando o tempo que os mergulhadores permaneçam naquela profundidade, quer seja um minuto ou uma semana. Este princípio tem sido usado por mergulhadores que vivem e trabalham em ambientes subaquáticos extremos.
A ONU considera a profissão de Mergulhador a mais arriscada de todas e na legislação trabalhista brasileira, tida como “atividade insalubre de grau máximo”. Quem trabalha como instrutor do esporte ou na construção e manutenção de pontes, hidrelétricas, embarcações e plataformas de petróleo tem que sobreviver num ambiente extremamente hostil ao corpo humano.
Quando um mergulhador de scuba faz um mergulho superior a 300 pés (91 m) de profundidade, ele sente a pressão da água ao seu redor, que é aproximadamente dez vezes maior que a pressão ao nível do mar. A esta quantidade de pressão, os gases resultantes do ar em seus pulmões, principalmente o nitrogênio, se dissolvem no sangue e nos tecidos. Quando os gases invadem o sangue e os tecidos, o mergulhador pode permanecer àquela profundidade apenas por um curto período de tempo, menos de cinco minutos.
Um exemplo. Quando mergulhamos, até a lei de Boyle atrapalha. Esse cara diz que em temperatura constante o volume de um gás é inversamente proporcional à pressão. Em outras palavras, apertado pela pressão crescente, o ar dentro da máscara vai diminuir de volume. Se o mergulhador não injetar um pouco de ar na máscara pelo nariz, tornando iguais as pressões do mar naquela profundidade e a do ar em sua máscara, a estrutura elástica da borracha comprimirá seu rosto e surgirão hematomas e, claro, vai doer (uma explicação bem convincente para equalizarmos a máscara).

A Rotina do Mergulhador Profissional Saturado
O mergulho de saturação envolve grandes profundidades para atender grande demanda de atividades subaquáticas em principalmente em plataformas de petróleo, mas também em outras áreas profissionais como construção civil, hidrelétricas, pesquisas de universidades e resgates diversos. Ou seja, não falta emprego.
Fonte: http://buscarempregooffshore.blogspot.com.br/

A rotina desse profissional é "mergulhar" a profundidades que podem chegar a 300 metros. Depois disso ir para uma acomodação não muito confortável: um cilindro de aço de 2,5m de largura por 6 metros de comprimento onde ficam até 28 dias, para a realização desses trabalhos em águas profundas. As atividades dos mergulhadores são tão perigosas, que para esses profissionais alcançarem 200 metros de profundidade, é preciso que eles passem por um processo de compressão dentro de uma câmara que dura até 18 horas, apenas para "chegar lá".

A formação dos mergulhadores 
Para atuar profissionalmente como mergulhador raso (até 50 metros de profundidade) é necessário um curso de nove semanas, onde o candidato aprende as técnicas de respiração por ar comprimido e mergulho. Já para o ramo de mergulho saturado, feito a partir de 50 metros até 300 metros de profundidade, o profissional precisa ter dois anos de carteira assinada como mergulhador raso e fazer um novo curso, este de reconhecimento internacional. No entanto aquacidade é virtude essencial para esse profissional. Se deseja entrar para esse mundo a recomendacao é primeiro realizar um curso de mergulho básico recreativo a fim de verificar sua aptidão.
Nesses cursos são abordados temas especiais de mergulho, onde ele aprende todas as técnicas necessárias, estuda tabelas de mergulho, procedimentos de emergência e o manuseio de equipamentos especiais. 

Mergulhador também é gente que sofre
A absorção de gases durante a compressão e descompressão deixa a voz mais aguda e o paladar menos apurado. As refeições, entregues periodicamente através de uma pequena antecâmara, ganham gosto metálico. Os nervos também ficam a flor da pele, o hélio dificulta a regulagem térmica do ambiente, tornando comuns discussões sobre a temperatura. Como adicional, a umidade nas câmaras facilita o ataque de bactérias e fungos à pele, às unhas e aos ouvidos.
Muitas vezes, o peso do confinamento é pior do que os riscos. É comum ouvir choros nos camarotes. Todos eles querem está fora da câmara. Mas para muitos, o alto preço recompensa. A cada saturação de 28 dias, o mergulhador ganha cerca de R$ 32 mil (o governo leva uma boa parte), praticamente dez vezes seu salário mensal, por lei, só é permitido fazer quatro mergulhos desse tipo por ano. É tanto dinheiro que se gasta muito e a vida de alto padrão se torna um vício, o pagamento vai embora com tatuagens, viagens, festas e mulheres. Alguns mergulhadores com anos de profissão não tem nem uma casa própria.

A ciência pode ajudar
Fonte: http://buscarempregooffshore.blogspot.com.br/
Tentando amenizar os riscos do mergulho saturado, pesquisas estão sendo feitas para evitar a necessidade do mergulho saturado e a descompressão: a respiração líquida poderá trazer resultados muito positivos. O mergulhador não respira gás, mas sim composto não compressível, o perfluorocarbono líquido, que contém oxigênio. Nos anos 60, foram feitos estudos com ratos que puderam sobreviver mais de 20 horas imergidos na mistura. Se os estudos derem certo, a respiração líquida pode permitir que mergulhadores atinjam profundidades maiores que 3.000 pés (914m) (não paro de pensar nos naufrágios que podem ser encontrados com esses mergulhos). A respiração líquida ainda está em fase de pesquisa e seu objetivo é ajudar a salvar bebês prematuros e pacientes com traumas pulmonares ou cardíacos graves.

Quero ser mergulhador
Para tornar-se mergulhador é necessário fazer um curso técnico oferecido em escolas especificas para tal. No Brasil existem a Diver University em São Paulo e o SENAI no Rio de Janeiro que oferencem esses curso além da Marinha do Brasil. O curso tem duração de 1 a 3 meses podendo o capacitado realizar outros cursos de especialização. No entanto aquacidade é virtude essencial para esse profissional. Se deseja entrar para esse mundo recomendamos que primeiro realize um curso de mergulho básico recreativo a fim de verificar sua aptidão. Após formar-se Mergulhador Profissional Raso (50m) o candidato pode fazer o curso de Mergulho Saturado (300m) quando o mesmo tem os pré-requisitos necessários.



Fontes de pesquisa:

quinta-feira, 12 de junho de 2014

A Pesca Artesanal e os Mergulhadores de Bitupitá no Extremo Norte do Litoral Cearense


Mergulhador de Nativo de Bitupitá.
Uma pequena e encantadora vila no extremo norte do litoral cearense. Assim pode ser descrita a última praia em nosso litoral antes da divisa com o Piauí. Bitupitá tem um povo simpático e que forma uma comunidade única de pescadores. O nome vem das línguas indígenas e faz referência ao vento que muda a paisagem composta pelo mar e dunas de areia branca.

Os currais em mar aberto não são
visíveis da praia.
Mas o que chama atenção aqui é a tradição pesqueira. Os tradicionais currais de pesca é que se destacam na Praia de Bitupitá. Alias, não se destacam pois não os vemos, eles estão distantes mar adentro. Os currais são armadilhas artesanais para a captura de peixes compostas por um cercado localizado normalmente na área entre marés, onde o peixe entra durante maré alta e fica aprisionado na baixa-mar. O que chama atenção em Bitupitá é a distância que esses currais ficam a partir da costa. Os mais distantes estão a cerca de 10 km e suas estacas estão fincadas entre 8 e 10m de profundidade.
Sua destreza na água é incrível.
O mergulho é o que torna essa pesca especial. Os pescadores tem que mergulhar para fazer a manutenção constante da estrutura e principalmente para recolher os peixes que ficam aprisionados como resultado da pesca. Durante o trabalho a tripulação do curral que pode conter até 12 homens se divide. Cada um parece saber exatamente a sua função: costurar a tela de aço que eventualmente se rompe, fincar e (incrivelmente) martelar as grande toras de madeira que compõem o cercado são partes da faina bem como capturar os peixes, é claro. 

Grandes cardumes entram no curral e são recolhidos com uma grande rede que é manuseada pelos pescadores-mergulhadores de dentro da água. Eles passam a rede para dentro do curral por uma abertura, em um dos compartimentos do curral desenrolam a rede e tangem os peixes para dentro. Repetem esse procedimento uma ou duas vezes e levam os peixeis que são soltos no chão do barco sem muito critério. Sardinhas, xaréu, serra e outros peixes de valor comercial renderam o bom trabalho. Todos os tripulantes mergulham e a maioria possui máscaras adequadas mas nenhum outro equipamento além disso. Outro fato curioso é que assim como Jacques Cousteau todos fumam e parecem não se importar com isso. O clima a bordo é amigável e reina o companheirismo.

Ao aproximar-se da praia a embarcação é tomada de assalto por atravessadores "selvagens" em busca do melhor negócio que é fechado com o Chefe do Curral. Todo o produto da pesca foi vendido para um só atravessador que fez o melhor lance.

Parte do trabalho é fixar as imensas estacas que compoem o cercado.

A tripulação avalia o rendimento do dia.
Um método de pesca único que vem passando de geração a geração mas que corre risco de extinção em virtude da falta de perspectiva da vida no mar. As dificuldades e o perigo são queixas constantes da categoria não só em Bitupitá, mas em todo o Estado. Preservar a pesca artesanal-sustentável é uma estratégia de preservação ambiental que deveria ser mais explorada. A lógica é simples: valorizando a pesca artesanal automaticamente combatemos a pesca predatória.


Pescador orgulhoso com o seu trabalho.
Texto e Fotos
Marcus Davis

sexta-feira, 6 de junho de 2014

A Luta e Resistência da Comunidade do Balbino

Paula Christiny

Praia do Balbino. Fonte: http://revistalitoralleste.blogspot.com.br/
A comunidade de Balbino possui cerca de 960 moradores, abrangendo uma área de 250 hectares no litoral Leste do município de Cascavel e ao distrito de Caponga, localizada a 60 km da capital cearense. Partindo de Fortaleza, os acessos são via BR 116 e CE 040.

O Balbino é formado por mangue, praia e lagoa, formando uma das mais belas paisagens do litoral cearense. É povoada por uma comunidade de pescadores que dependem da pesca artesanal de peixes e crustáceos para o seu sustento.Além do turismo que movimenta as barracas de praia e o comércio local, outra característica da comunidade são suas expressões culturais como a dança do coco, a renda de bilros.

Pescadores do Balbino
descendentes de guerreiros negros e índios.
Fonte: http://revistalitoralleste.blogspot.com.br/
A Origem da Comunidade
Não existem registros escritos sobre origem da comunidade de Balbino. O que se tem acerca do tema é a tradição oral existente na localidade. Segundo os moradores, o surgimento está ligado à existência de um quilombo. Nas lembranças e nas histórias contadas da descendência étnica, de negros e de índios se fala de bravura, luta e resistência. Segundo essas memórias a resistência do povo do Balbino, quando viria dos índios e negros que chegaram ao local fugidos da escravidão e da Guerra do Paraguai, ou seja, foram essas lutas que tornaram seus descendentes um povo guerreiro e forte.

Pode-se perceber, segundo moradores, que a Comunidade do Balbino foi construída partir de ideais pela unidade, identidade e solidariedade. Foi naquela praia que essas pessoas geraram e ciaram seus filhos, pescando, construíram lar e de onde tiram seu sustento.

O Início da Luta
A zona costeira cearense é atingida pela valorização e do desenvolvimento do turismo de alto padrão vindo dos interesses relacionados à especulação imobiliária. A partir dos anos de 1980 a zona costeira cearense é de vez incorporada à economia global. Sendo envolvidas no quadro as comunidades litorâneas cearenses como a Prainha do Canto Verde, Flecheiras, Canoa Quebrada, Balbino, entre outras. Essa fase de ocupação do litoral é caracterizada pelo interesse de especuladores imobiliários em ocupar as terras dos pescadores.

A especulação imobiliária na da zona costeira, nesse período, está ligada a processos de modernização da região Nordeste que estabeleceram o desenvolvimento turístico como perspectiva de geração de lucro. Nessa época surge o ideal do Ceará das grandes e paradisíacas áreas litorâneas com um modelo de turismo baseado no sol e no mar. Esse modelo foi uma das bandeiras levantadas pelos governos de Tasso Jereissati (1987-1990; 1995-1998; 1999-2002) e de Ciro Gomes (1991-1994), considerados como os governos das mudanças em contraposição aos governos dos coronéis do Ceará. Rui Caminha, proprietário da Imobiliária IWA, foi a principal figura do meio imobiliário interessado nas terras do Balbino.

Os conflito sem defesa da Comunidade do Balbino começaram em 1984, intensificando-se em 1986-87, levando à organização da Comunidade a iniciar uma luta pela posse de suas terras, tendo em vista que estavam ocorrendo invasões violentas de empreendimentos imobiliários na localidade.

As terras de Balbino, oficialmente, em parte pertenciam à Marinha do Brasil e outra parte estava sendo ocupada pelos moradores, com alguns processos para conseguir legalizar a sua posse. Assim, diante da ameaça, a Comunidade se organizou politicamente e socialmente junto a entidades governamentais e não governamentais para iniciar uma luta por suas terras. Esses elementos retomam as narrativas de sua origem caraterizada pela participação de um povo guerreiro e resistente em sua constituição.

Em 21 de fevereiro de 1987 os moradores criaram a Associação de Moradores do Povoado de Balbino com o intuito de defender a natureza local, o interesse dos nativos era lutar contra os "predadores e exploradores”, ou seja, contra a especulação imobiliária. Já em 1988, com a interferência da Superintendência Estadual do Meio Ambiente (SEMACE) e do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (CONDEMA), foi criada em 21 de setembro de 1988, através da Lei N° 479, a Área de Proteção Ambiental de Balbino (APA). A APA de Balbino com 250 hectares compostos uma paisagem de dunas, lagos, praias, manguezal, além da fauna existente, sendo a primeira APA do Estado. A sua criação trouxe garantias de que pelo menos as terras próximas à praia não pudessem ser comercializadas, cabendo à Associação de Moradores do povoado a sua administração dessa terra, que seria dada às famílias ou aos indivíduos que necessitassem, tendo como condição para receber a terra ter nascido na localidade.

A associação de moradores.
Fonte: http://revistalitoralleste.blogspot.com.br/
Mesmo com a criação da APA, os moradores do Balbino não tiveram paz. Suas terras ainda permaneceram sofrendo com a especulação imobiliária, principalmente por parte de estrangeiros, que compram áreas do Balbino que haviam sido vendidas antes da criação da Associação de Moradores, impedindo que a mesma interferisse nessa comercialização.

Uma Nova Batalha
Em 2013, a Associação de Moradores recebeu a informação de que a Prefeitura de Cascavel, por meio de sua prefeita Francisca Ivonete Mateus Pereira, havia enviado a Câmara Municipal um Projeto de Lei (mensagem nº 099/2013 de 2 de dezembro de 2013) propondo alterações na Lei nº 1.014 de 28 de junho de 2000 que define o Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo do Município de Cascavel. O que era proposto era a redefinição das áreas e do uso da Zona Especial APA do Balbino – (ZE6), transformando a APA em uma área urbana do município de Cascavel-CE e dividindo-a em Área de Preservação Permanente (APP), Zona de Urbanização Consolidada do Balbino (ZUC01) e Zona de Interesse Turístico (ZIT). Nesta seria permitido o parcelamento do solo para implantação de Condomínio Urbanístico Sustentável.

Mesmo trazendo em seu texto aspectos como desenvolvimento socioeconômico sustentável e bem estar da população do município, o processo de criação do Projeto de Lei foi feito de maneira autoritária, sem consulta e sem diálogo com a Comunidade de Balbino.

Os moradores ficaram sabendo do projeto através de contatos, novamente se organizaram para não ser esquecido por aqueles que defendem interesses de quem visa lucrar através da exploração de homens e de mulheres, da natureza e de suas riquezas, ignorando culturas tradicionais, com propostas excludentes e segregadoras. Como seus antepassados a comunidade reuniu forças e conseguiu a retirada do Projeto de Lei. A Associação dos Moradores do Povoado de Balbino, em nome da população, produziu um documento que trazia história da comunidade e solicitando a não aprovação do projeto. Segundo o documento dos moradores não se quer evitar o turismo, mas sugerem uma proposta que vincule a conservação dos recursos naturais com o conhecimento da cultura local.

O Balbino ainda resiste aos grandes complexos turísticos.
Fonte: http://revistalitoralleste.blogspot.com.br/
A Comunidade Ensina um Novo Caminho
Como forma der não esquecer de celebrar as memórias do povo do Balbino, vem sendo realizado a “Regata Ambiental de Balbino”. Tais eventos trazem diversas atividades: lual na praia, apresentação de dança do coco, venda de culinária tradicional e adivinhações ao redor da fogueira, café da manhã coletivo, caminhada por uma trilha ecológica e brincadeiras na praia, além da regata e da sua premiação. Isso mostra que a comunidade do Balbino está em pleno processo de construção de um modelo de turismo comunitário, sustentável e responsável, que visa à inclusão direta das famílias de Balbino nas atividades turísticas.