quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O Submarino Pietro Calvi - o Italiano que afundou o Petroleiro do Acaraú

por Augusto César Bastos
Smg. Pietro Calvi, o algoz do Petroleiro do Acaraú, sendo o mesmo o navio americano Eugene V. R. Thayer, e também do Balkis, na costa do Ceará. Fotos: Con la pelle appesa a un chiodo

Em julho de 1942, depois de um turno de trabalho e de manutenção, o Calvi zarpou de Bordeaux sob o comando do Capitão de Fragata Primo Longobardo, diretamente para zona de operação nos mares dos Caraíbas (Pequenas Antilhas). O comandante Longobardo, que já tinha atuado no Atlântico comandando o LuisiTorelli, afundando quatro navios mercantes (o Nemea, o Brask, o Urla e o NimolaosFilinis) em uma só missão, já era para estar servindo em terra no Alto Comando da Força Submarina, em função de sua idade (41 anos, mais velho que a maioria dos jovens oficiais no comando de submarinos e pela necessária resistência física exigida para as missões no atlântico).

Em um momento de escassez de oficiais, e em seguida ao adoecimento do Comandante do Calvi, Olivieri, pouco depois da partida para missão, o comando do Calvi foi assumido por Longobardo, com o submarino tendo recentemente renovado a tripulação, com a chegada de muitos jovens recrutas de primeira viagem, cuja formação se ocuparia Longobardo; quando uma unidade estava pronta para zarpar, o Comandante reunia a tripulação e oferecia a possibilidade de desembarcar, mas todos estavam dispostos a partir com ele.

Antes da partida enquanto Longobardo falava brevemente com ocomandante do BETASOM, contralmiranteRomoloPolacchini, (quando estava embarcando e a tripulação aguardando), se verificou um pequeno episódio , cuja índole supersticiosa dos marinheiros atribui um mau agoro: um jovem guarda-marinha colocou sobre a torreta do Calvi, uma magnólia branca para celebrar a nova missão, mas foi subitamente criticado pelo Chefe de máquinas, que lhe gritou. “tire isto daí que dá azar”, ordenou ao guarda-marinha, seguido de risos por outros oficiais. Durante a partida de Bordeaux, outros oficiais vieram saudar Longobardo, bem como o Almirante Polacchini.
O Pietro Calvi e sua tripulação.

Em 13 de julho o submarino recebeu ordem para se aproximar de um piroscafo isolado, (um tipo de mercante), do tipo “Andalusia Star”, e rastreá-lo. Na noite entre 13 e 14 de julho o submergível se aproximar do comboio SL 115, que estava na rota de Serra Leoa (Freetown) para o Reino Unido, escoltado pelos Sloopps: Lulwoth, Londonberry, Bideford e Hastings. Cuja localização tinha sido informado no sul dos Açores, pelo submarino alemão U-130, e de atacar só se as condições fossem favoráveis.

O Calvi em dupla com o submarino alemão U-507, se aproximaram para investigar o comboio, avistando às 19:30de 14 de julho, 575 milhas à oeste de Tenerife, vindo se agrupar o U-130. Por volta de duas horas depois, a presença do Calvi foi detectada pelo “radiogoniometro” HF/DF (um aparelho que interceptava os sinais emitidos por rádios, e individualizava a localização e de onde vinham) do HMS Lulworth e esta unidade sob o comando do Capitão de Corveta Clive Gwinner, foi enviada para investigar o forte sinal emitido. O sloop britânico avistou o U-130 e oCalvi que imediatamente fizeram manobras de imersão. Cerca de uma quarto de hora depois, enquanto a tripulação do Calvi estava observando o U-130, que estava passando a aproximadamente 900 metros ao seu lado, não perceberam que o Lulworth navegava com a proa apontada em sua direção. O Comodante Longobardo ordenou novamente submergir, para profundidade de 90 (por outra fonte 75) metros (uma fonte indica às 22:30, como horário de localização do Calvi, mas não especificou o fusohorário). Quando assumiu a cota da manobra o Calvi, navegou em rota oposta, entre 1 e 2 nós. O Lulworth levou uma hora e meia novamente para localizá-lo, e na posição 30 07`N e 26 07`O, iniciou o lançamento de cargas de profundidade reguladas para 15 e 42 metros. O Comandante Longobardo, em seguida ao primeiro ataque (que não havia causado danos), decidiu navegarainda mais fundo, quando então foi atingindo pelo segundo ataque do sloop, com bombas reguladas para profundidades de 45 e 91 metros, sofrendo graves danos e teve avariado seu motor elétrico Calzoni. O Comandante ordenou submergir mais ainda, levando o Calvi para profundidade de 115/120 metros. Medida inútil; a terceira onda de cargas regulada para 105 metros, explodiu muito próximo, fazendo inclinar fortemente para bombordoo submarino, que imergiu para cerca de 200 metros. Com o compartimento de popa alagado (uma fonte já indicava este alagamento na segunda carga), e mesmo com uma tripulação novata em sua primeira missão, não houve pânico. E sim uma certa confusão; o capitão “del gênio navale Ernesto Maccota, ficou tranquilamente apoiado em uma bancada, anotando em seu diário o número de cargas e a profundidade que explodiam em torno do submergível.
A planta do submersível.

Após as avarias foi constatado que não haveria ar suficiente e que o compartimento 3 estava também alagado, comprometendo sua possibilidade de manobra e levando ao risco de afundamento, se permanecesse no fundo. O Comandante Longobardo ordenou emergir rapidamente o submergível, que subiu rapidamente inclinado para esquerda. Com sua metralhadora atingida por uma carga de profundidade e seu canhão também fora de combate, só restou o canhão de popa em funcionamento, com um só motor o Calvi tentava se afastar do Lulworth, avançando lentamente, atirando com o canhão que ainda restava.

Iluminado por um luminoso lançado pelo sloop e depois por um holofote, o Calvi passa a ser atacado. Há menos de 500 metros de distância o Lulworth atingiu a coberta onde estava o canhão de popa do Calvi com uma rajada de metralhadora, ferindo ou matando todos que lá se encontravam. O Calvi na tentativa de escapar lançou dois torpedos dos tubos de popa, obrigando a nave britânica a manobrar rapidamente para evitar ser atingida. Por duas vezes o sloop tentou a colisão, mais o Calvi manobrou e conseguiu escapar habilmente. Na terceira vez no entanto a embarcação britânica colidiu com o submarino destruindo seu hélice direito e arrastando o submergível. ( a colisão também provocou avarias na nave britânica, que ficou todo mês de agostoem reparo).

Dois marinheiros que estavam no canhão de popa, o subtenente Villa e o segundo chefe Marchion, ainda estavam vivos. Vendo sua embarcação imobilizada e em chamas, com armamento em péssimas condições, o comandante Longobardo ordenou a evacuação da tripulação para a coberta e depois abandonar o submergível para depois iniciar o afundamento. Nesse momento um tiro de canhão de 76 mm do Lulworth acertou a torreta do submarino matando ele, o suboficial de rota e também o subtenente Guido Bazzi, deixando a tripulação, conforme publicação do relatório britânico em agosto de 1942, “como uma família sem pai”. O segundo comandante, subtenente GennaroMaffetone, que estava combatendo com seus homens no canhão de popa, levou um tiro e caiu no mar.

Dentro do submergível o diretor de máquinas capitão del gênio navale Aristide Russo, assumiu o comando, abrindo a válvula dos tanques dágua. Os homens que ainda estavam dentro do barco saíram para coberta para evacuação e se lançarem ao mar. O Lulworth comunicou em italiano para ninguém se mover e permanecerem parados, se quisessem sobreviver, lançando uma pequena embarcação ao mar, comandada pelo tenente “divascelo” Frederick Wiliam North, que foi enviado para o submarino; após embarcado com arma na mão. Os ingleses encontraram na ponte de comando cadáveres e fogo na torreta, ordenando a tripulação sobrevivente que ficasse na coberta da popa. Dois membros da tripulação do Lulworth entraram dentro submarino encontrando a luz de emergência ligada. Tudo que encontraram foi uma carta náutica e algumas partes do diário de bordo, na cabine do comandante, quando foram chamados para coberta; o compartimento de popa alagando rapidamente.

Em uma outra versão os homens de North não entraram na embarcação, ficando com a tripulação comandada pelo capitão Russo. O capitão Maccota foi visto a última vez na torre de comando, que após ver a embarcação inglesa partindo, foi completa a manobra realizar o auto afundamento já iniciada, quando o segundo chefe torpedista se aproveitando da confusão, abriu um tubo lança torpedos, provocando novo fluxo de água determinou o fim do submarino. Russo, quando North entrou, iniciou uma luta corporal para impedir a captura do Calvi. A tensão entre os sobreviventes aumentou; muitos deles ainda estavam na coberta, sob o controle de membros da tripulação do Lulworth, enquanto os dois se encontravam lutando dentro do Calvi, e novamente veio a ordem para evacuação. Já no mar os tripulantes sobreviventes do Calvi, viram o submarino submergir na sua frente. Às 00:27 de 15 de julho, o submarino desapareceu no abismo, no ponto 30 35`N e 25 28`O, 480 milhas ao sul de São Miguel (Açores), juntamente com metade de sua tripulação, entre os quais o capitão Russo e North, naufragados juntos enquanto lutavam.

Pouco tempo depois ocorreu uma violenta explosão embaixo dágua, podendo ter sido causada por uma carga de profundidade que tivesse ficado no casco ainda sem explodir. Entretanto o Lulworth junto com o Bideford e Londonberryantes de iniciar o salvamento dos sobreviventes, foi torpedeado pelo U-130, em vã tentativa de ajudar o submarino italiano. Só depois de quatro horas o Bideford e o Londonberry tomaram rumo sul e foram resgatar os sobreviventes ( 03 oficiais, e 32 suboficais e marinheiros). A maioria tinha ficado no mar, 42 mortos do Calvi e o tenente North; em sua maioria vítimas da metralhadora do Lulworth durante o combate. O Londonberry, unidade de escolta, resgatou 02 oficiais. ( “segundo outra versão os sobreviventes foram resgatados pelo Lulworth, depois de ter contra atacado o U-130, o sloop britânico retornou para o local de afundamento do Calvi, para socorrer os sobreviventes, para depois transferi-los para o Londonberry. Os sobreviventes do Calvi foram levados para um campo de prisioneiros nos Estados Unidos e com o passar do tempo alguns foram transferidos para o Reino Unido e posteriormente libertados.


Texto
Augusto César Bastos

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

As estrelas-do-mar: pedacinhos do céu que vivem no mar

Echinaster echinophorus

As estrelas-do-mar são animais que pertencem ao Filo Echinodermata e à Classe Asteroidea, na qual são conhecidas aproximadamente 1.500 espécies viventes de estrelas-do-mar. São parentes próximas de animais como o pepinos-do-mar, a bolacha-da-praia, o ouriço-do-mar, pois pertencem ao mesmo Filo.

Oreaster reticulatus 
Os Asteroidea possuem o corpo em forma de estrela, que se move livremente e que consiste em um conjunto de braços, ou raios que se projetam de um disco que se localiza na parte central do corpo do animal. Apesar do endoesqueleto de carbonato de cálcio, esses animais possuem grande flexibilidade corporal.

São animais que rastejam lentamente sobre rochas, conchas, ou vivem sobre fundos arenosos ou de lama. São encontrados em todo o mundo, inclusive em grande parte da costa cearense, em cidades como Barroquinha, Fortaleza, Caucaia, São Gonçalo do Amarante e Cascavel.

Astropecten marginatus 
A maioria das espécies de Asteroidea possuem cinco braços, mas o número de braços é variável e pode chegar a até quarenta braços ou mais. A coloração também não é padrão, podendo existir animais vermelhos, alaranjados, azuis, roxos ou verdes, ou exibir combinações de cores.

Grande parte das espécies de estrelas-do-mar têm um tamanho por volta de doze a vinte e quatro centímetros de diâmetro, mas existem exceções que o corpo tem menos de dois centímetros de diâmetro, ou espécies como Pycnopodia helianthoides, que é tipicamente vista nos Estados Unidos e no Canadá, que pode ter quase um metro de envergadura.

Luidia senegalensis 


As estrelas que habitam a costa cearense não são nocivas ao ser humano (existe apenas uma espécie de estrela-do-mar que é venenosa e não existem registros dela no Brasil), mas mesmo assim devemos ter cuidado com esses animais, pois manipulando de forma errada, podemos matar ou ferir o animal.

As espécies mais comuns no litoral cearense são Echinaster echinophorus, Luidia senegalensis, Astropecten marginatus e Oreaster reticulatus e podem ser encontradas em praias arenosas, lagoas costeiras, estuários com manguezais, recifes de arenito e recifes de praia. 

Estrelas-do-mar costumam se alimentar de outros animais como corais, ostras e poríferos (esponjas-do-mar).

Bolacha-da-praia
As bolachas-da-praia ou bolacha-do-mar são relativamente parecidas e constantemente confundidas com as estrelas-do-mar, esses animais também são Echinodermatas e assim como as Asteroidea, estão amplamente distribuídas no litoral cearense, inclusive nas praias de Fortaleza. Elas também não oferecem riscos ao ser humano, mas possuem o corpo ainda mais frágil que o das estrelas-do-mar, sendo ainda mais sensíveis ao contato.

Ao retirar esses animais de dentro do mar, eles morem por não conseguirem respirar fora d'água.

Todos os seres vivos têm importância na natureza, e animais como esses são de fundamental importância para o ecossistema marinho, além de deixar o mar colorido e mais bonito. Temos que preservar os oceanos e cuidar desses animais, para sempre termos o que observar ao mergulhar. Além do fato de que quando estamos cuidando da natureza, estamos cuidando da nossa vida na Terra. 


Referências
  • Zoologia dos Invertebrados de Edward E.Ruppert, 7° edição
  • Equinodermos do Ceará: Caracterização dos registros cearenses presentes na Coleção do Laboratório de Invertebrados Marinhos do Ceará (LIMCE). Marcos Vieira da Silva1 , Daislany Andreia da Silva Alves1 , Felipe Augusto C. Monteiro1, 2 & Helena Matthews-Cascon1 . 1. UFC - Universidade Federal do Ceará. 2. IFCE - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará.
  • Biota Marinha da Costa Oeste do Ceara, de Helena Matthews-Cascon e Tito Monteiro da Cruz Lotufo
  • Os animais mortos que foram fotografados pertencem à Coleção do Laboratório de Invertebrados Marinhos do Ceará (LIMCE).
  • Os animais vivos foram fotografados em aulas de campo da Prof. Helena Matthews-Cascon 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Expedição Abrolhos 2017


Expedição Abrolhos 2017
  • 4 dias e 3 noites
  • 4 dias de mergulho no Parque Marinho de Abrolhos
  • Média de 3 mergulhos por dia, sendo 1 noturno e snorkeling todos os dias
  • Desembarque para visitação da Ilha Santa Barbara sob autorização da Marinha do Brasil
  • Embarque na quinta (19) à partir das 7h, mergulhos quinta a domingo - desembarque domingo as 18h
  • Inclui hospedagem com pensão completa, bebídas não alcoolicas, enxoval cama e banho, cilindros e lastro
  • Incluso Hospedagem em Caravelas
  • Incluso Taxas Ibama


Valores e Condições
  • R$ 2.790,00 por pessoa
  • Pagamento pode ser parcelado desde o momento da reserva com quitação até 30 dias antes do embarque
  • Roteiro e pontos de mergulho variam conforme condições de mar
  • Não incluso aluguel de equipamentos, aéreo até Porto Seguro e transfer (Porto Seguro-Caravelas-Porto Seguro)
  • Fecharemos o transfer, valores a ser informados com base no quantitativo do grupo


Reservas e informações!
  • Luciano Andrade (85) 98890-2468 / 99620-5789
  • Mar do Ceará (85) 9976406553 / 98744-7226
  • mardoceara@gmail.com


quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

O Naufrágio do Ruy Wanderley em Bitupitá

Currais em alto mar ao largo de Bitupitá, CE.

texto adaptado do blog Bitupitá Atividades

Em meados da década de 70 existia em Bitupitá uma comunidade de estivadores que trabalhavam intensamente no manuseio da principal produção local: o sal. Transportado pelo o Rio Timonha das salinas de Chaval para navios que ficavam fundeados ao largo da antiga comunidade "Das Almas" (atual Bitupitá) o sal produzido ali era comercializado em todo o Brasil. Era um trabalho rotineiro mas que movimentava a área com barcaças e grande navios.

Entre os dias 26 a 28 de fevereiro de 1972  chegava à costa Bitupitaense o navio chamado Minuano para receber um carregamento de sal, ficou fundeado aproximadamente 5 km da praia, em uma profundidade de 10 a 12 metros. Atualmente fica mais ou menos onde hoje se localizam os currais de número 32 a 40. Fundeado em alto mar, aguardava os navios tipo alvarenga com a carga de sal das salinas de Chaval. Um desses navios-alvarenga era o "Ruy Wanderley" que operava sempre a estiva de “Bitu” na barra do Pontal das Almas.

Em uma tarde comum do dia 5 de março de 1972 com o mar levemente agitado o navio Minuano começava a receber carga do navio Ruy Wanderley à contra-bordo. A carga era içada com guindastes para os porões do navio Minuano, sempre com movimentos cauteloso devido ao balanço do mar. Apesar da cautela nessa movimentação das ondas, os dois navios se chocavam violentamente pelas laterais. Com a pressa para terminar o processo de carregamento o mestre do Ruy não se preocupou muito com as batidas e continuou a manobra. Foi quando um dos operadores de guindaste observou ondas entrando no navio sem escoar.

Por volta das 18hs do mesmo dia começou a manobra alijamento da carga e após a descida da primeira lingada a tripulação sentiu o navio descer devido à sobrecarga, com isso começaram as pressas o trabalho para retirar as caçambas de sal para tentar evitar o naufrágio. No entanto nada adiantou, e um dos estivadores deu o alarme: “O navio esta afundando! Cortas os cabos! Corta os cabos!” Cortaram os cabos para evitar que os dois navios fossem a pique e saltaram para o resgate que foi realizado pelas canoas que pescavam no local. Já era noite quando o navio Ruy Wanderley se despedia do seu trabalho em um trágico acidente, por volta das 19hs só se via uma pequena ponta do mastro do grande Ruy.

O navio Ruy Wanderley naufragou no dia 5 de março de 1972 por volta das 18hs em uma profundidade de 8 metros na maré baixa e em mais ou menos na distância de 5 km da praia, sendo hoje possível ver em um mergulho ao lado do curral de número 32.

O relatório do inquérito atribuiu o acidente as fortes pancadas no Minuano e considerou responsável o mestre João Fagundes de oliveira e o imediato (moço de convés) José felinto da Silva por insistirem no transbordo de cargas naquelas condições, sendo representado contra pela procuradoria por negligencia e imprudência, foram condenados a pena de multa de um salário mínimo.


terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Pesca Fantasma: mais um tubarão solto de redes de pesca abandonadas!

Pequeno tubarão lixa preso nas redes fantasma no Naufrágio Macau. Foto: Marcus Davis.
O naufrágio Macau está localizado no litoral do município de Aracati, localidade detentora de uma das grandes colonias de pesca do Estado. De lá todos os dias partem dezenas de embarcações de pequeno porte para a captura de seres marinhos. Esses pescadores profissionais utilizam diversos métodos para terem sucesso na sua atividade.

O primeiro método que nos vem a cabeça quando pensamos em pesca é a linha e o anzol. Outras estratégias podem ser adotadas pelos pescadores como o uso de manzuás (armadilhas que mantém o pescado vivo até que seja retirado do mar), os currais (armadilhas fixas na área entre marés que aprisionam o pescado durante a preamar para que seja depois recolhido, na baixamar), as redes de espera que são instaladas em determinado local e depois recolhidas com os peixes já mortos em sua malha. Existe ainda outra forma de pesca menos tradicional que é a caça submarina: mergulhadores submergem, escolhem o pescado e o fisgam com arpões. Essas metodologias são as mais comuns em nosso litoral

O problema é que nem sempre tradicional significa sustentável e alguns desses métodos são mais predatórios do que outros. Vamos analisar cada um deles. 

A linha e anzol apesar de ser o método mais popular de captura não é dos mais ecologicamente corretos: mesmo com o uso de iscas específicas qualquer peixe pode ser fisgado, inclusive aqueles que não são o alvo da atividade. Logicamente que os peixes não escolhidos podem ser devolvidos ao mar, mas não antes de sofrer um estresse considerável ao ser fisgado e emergido (sua bexiga natatória pode estourar durante a emersão) que pode ser fatal para a presa não selecionada. Frequentemente linhas, anzóis e chumbadas são perdidas poluindo o leito marinho.

Os manzuás ou armadilhas submersas são posicionadas em determinado local com iscas para atrair as presas que adentram na armadilha e não mais conseguem sair. O pescador retorna um ou dois dias depois e recolhe as armadilhas colhendo o resultado da pesca. Com a escolha da isca pode-se, de certa forma, selecionar as presas. No entanto, caso a boia que marca a localização da armadilha seja perdida, o manzuá pode se tornar uma armadilha fantasma e todo o pescado aprisionado perdido.

Os currais são estruturas construídas na área entre marés e que utilizam suas variações para capturar o pescado. Os peixes entram na estrutura (parecida com um labirinto) durante a maré cheia e ficam aprisionados quando a maré seca. Apesar de ser um método ecologicamente correto pois mantém as presas vivas até que estas possam ser selecionadas e devolvidas ao mar, não é um método muito seletivo pois mesmo que seja solta posteriormente, qualquer espécie pode ser capturada.

A caça submarina se for praticada com consciência, respeito pela legislação vigente e pelos seres marinhos pode ser o mais correto e seletivo método de pesca. Isto por que o mergulhador tem a oportunidade de observar e selecionar com precisão o alvo da sua atividade. No Brasil a caça submarina desportiva só pode ser praticada sem equipamentos de mergulho autônomo (ou seja, o mergulhador não pode respirar embaixo d'água), em outros países a atividade pode ser praticada com o uso de aparelhos de mergulho, mas é extremamente fiscalizada e legislações locais devem ser seguidas a risca. O problema da caça submarina no Brasil é que a grande maioria dos praticantes não tem consciência ambiental, não respeitam o defeso nem as leis que regulam a atividade e não tem respeito pela vida marinha, utilizando equipamentos de mergulho não para selecionar, mas para capturar ecossistemas inteiros.

As redes de espera são possivelmente o método mais cruel, menos seletivo e mais predatório existente. Pescadores posicionam redes imensas (muitas vezes com hum quilometro de extensão) ancoradas e marcadas com boias. Dias depois recolhem as redes e como resultado, toda e qualquer espécie pode ser capturada. Muitas vezes tartarugas e outras espécies protegidas são trazidas para superfície já mortas, afogadas. Apesar do funcionamento normal desta metodologia ser por si só predatório, o grande problema acontece quando as redes se soltam de sua ancoragem e vagam pelo oceano capturando e matando nossas preciosidades da amazônia azul. 

Neste fim de semana retornamos ao Naufrágio Macau após seis meses de inatividade neste ponto para encontrar uma triste realidade: o naufrágio estava completamente coberto por redes fantasma, como acontece todo ano no início da temporada de mergulho. Imagine você, leitor, uma estrutura com mais de cem metros de comprimento completamente tomada por pedaços de redes de pesca. As principais entradas para o naufrágio estavam bloqueadas. Os peixes que tentassem sair ou entrar seriam aprisionados e morreriam. Um pequeno tubarão lixa lutava agoniado contras as redes que o prendiam e outras espécies foram encontradas já mortas. No dia seguinte estaria morto e três dias depois estaria decomposto. Como a decomposição no mar é muito mais rápida que na superfície nos perguntamos quantas outras espécies teriam sido mortas antes da nossa chegada.

Soltamos o bebê-lixa e retiramos 80% das redes fantasmas que estavam depredando o naufrágio apenas para termos a certeza de que em breve o Macau estará novamente coberto por redes. Este é o terceiro tubarão lixa que soltamos de redes fantasma no Naufrágio Macau desde 2011. Quantos outros morreram antes da nossa chegada? 

Esperamos que esta matéria seja um alerta para as autoridades intensificarem a fiscalização e protegem melhor nosso patrimônio. 

Veja também: