sábado, 9 de fevereiro de 2013

Mapeamento das Casas Submersas do Açude Castanhão

"O sertão vai virar mar." E de mar nós gostamos!
Mergulhador no Açude castanhão

Porta na Casa Pequena
Um dos maiores do país e o maior do Ceará o açude Castanhão foi construído a partir do represamento do Rio Jaguaribe obra que foi iniciada em 1995 e finalizada em dezembro de 2002. Sua construção objetivava o consumo humano que sofre com as secas frequentes na região. Estas obras se deram em meio a uma grande polemica: a represa iria submergir uma cidade inteira chamada: Jaguaribara!

Em 1957 é criado um novo município: Jaguaribara, que antes era apenas um distrito de Jaguaretama.  Esta região foi habitada no final do século XVII e se desenvolveu nas margens do rio perene que a abastecia: o Jaguaribe. A cidade de nome tupi devido a forte presença indígena na região (Jaguaribara significa "Morada das Onças") foi palco de batalhas históricas durante a Confederação do Equador, um movimento separatista deflagrado em 1824. Um dos líderes do movimento, Tristão Gonçalves de Alencar Araripe foi morto na região durante uma emboscada em local que hoje encontra-se submerso, o "Alto dos Andrade"... A cidade e seus moradores foram levados para uma nova cidade, a primeira projetada do Ceará inicialmente chamada de Nova Jaguaribara.
Mergulhadora na janela

Como mergulhador tanta história sob a água me empolga! O fato de que agora o que está ali está acessível a poucos me fascina. Mas esse fascínio sempre veio com uma decepção quando se tratava de Jaguaribara: a cidade teria sido demolida antes da chagada das águas, e de fato foi. Mas nem tudo estava perdido. Um colega me passou a informação de que casa isoladas, em pequenos povoados distantes da cidade teriam sido ignoradas e deixadas de intactas. A informação precisava ser verificada então organizamos algumas expedições para verificarmos a "mergulhabilidade" do açude Castanhão.

Localizando os pontos com GPS
Em uma primeira expedição verificamos a visibilidade da água que se mantém em torno de 6m; a temperatura estável e quente como no sertão: 29 graus; e profundidade média de alguns pontos, cerca de 16m. Mas nada de casas! Na segunda expedição munidos de coordenadas e GPS partimos para a primeira casa que foi encontrada com sucesso em um rápido mergulho! Uma grande emoção que reside na certeza de termos sido os primeiros (Marcus e o Marlon) a visualizar aquelas portas e janelas onde a dez anos atrás moravam pessoas! Hoje já fizemos três expedições e mapeamos várias casas. Muitas não resistiram ao avanço das águas e a sua frágil estrutura ruiu, outras permanecem parcialmente inteiras e algumas estimamos que estejam mais de 70% preservada!
Filtro de água potável
na Casa dos 18

Algumas casas/pontos:
  • Casa Grande da Fazenda, trata-se da maior construção de onde funcionava uma fazenda que hoje está a cerca de 15m de profundidade. A estrutura está bem demolida, mas sua caixa d'água permanece de pé. Este ponto merece mais alguns mergulhos para um mapeamento completo.
  • Casa Pequena da Fazenda, na verdade são duas casas, distantes cerca de 30m uma da outra. Também na faixa dos 14m.
  • Casa dos Dezoito, assim chamada devido a sua profundidade máxima: dezoito metros. Está mais de 70% preservada, grande parte de seu telhado, sua caixa d'água, e outras estruturas resistiram, nela também foram encontrados artefatos como um ferro de passar roupas, fogão de barro, colher, filtro, cadeira de balanço.
  • Casa do Fogão, sua estrutura de alvenaria está cerca de 30% preservada. Algumas paredes estão de pé e sua instalação elétrica permanece no local (mas não dá choque).
  • Os mergulhadores na primeira
    expedição de mapeamento
  • Casa do Jaburu, está aos 14m de profundidade próxima a Pedra do Jaburu, um lajedo que sobe até a superfície. A cerca do quintal da casa está inteira e pode ser vista, bem como tucunarés e outros peixes. 
  • Pedra do Jaburu, pequeno rochedo, pico de um pequeno morro que emerge da superfície. Um mergulho interessante, cheio de árvores, peixes e até um ninho de cupim submerso!
  • Parede da Barragem, local ideal para ambientação inicial antes de nos aventurarmos nas casas.

A vida aquática é tímida mas podem ser avistadas pequenas agregações de tucunarés com até 10 indivíduos, pequenos pintados, camarões e lesmas bem como uma flora completamente diferente e diversificada. Outro fato interessante é que a madeira resiste muito mais tempo em água doce do que no mar o que resulta num surreal mergulho pela caatinga!! 

Fontes:

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

O Primeiro Croqui do Naufrágio dos Remédios/Cypress

O primeiro croqui do Naufrágio dos Remédios feito em outubro de 2009 após expedição realizada por Marcus Davis, Augusto César e Luciano Andrade. O Naufrágio dos Remédios foi posteriormente identificado pela equipe, originalmente chamado Cypress pertencia ao US Army, evidencia que ainda hoje pode ser encontrada em seu costado.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

3 de Janeiro: Aniversário de Afundamento do Navio do Pecém

Capitão Donald MacCullam,
a bordo de seu navio o SS Baron Dechmont  - Navio do Pecém.
Uma Pequena Homenagem àqueles que no mar pereceram.

"No noite de 3 de janeiro de 1943, logo após o pôr do sol, um zumbido estranho seguido de uma forte explosão deve ter ressoado nos ouvidos de alguns tripulantes do SS Baron Dechmont. O ataque pegou todos de surpresa, o canhão de popa nem chegou a ser armado. Já estavam tão próximos da costa que podiam ver o contorno do litoral. Sete vidas se perderam no ataque: algumas na explosão e outras pela a agonia do afogamento. Muitos ficaram feridos. Logo após o ataque o submarino que observava à distância aproximou-se dos náufragos. Um dos tripulantes alemães perguntou em inglês quem era o shipmaster e após se apresentar MacCullam foi interrogado. Provavelmente ainda em seu bote salva-vidas negou-se a revelar sua carga e porto de destino e foi levado prisioneiro para dentro do submarino. Na manhã seguinte 36 náufragos chegaram à praia com vida e foram recebidos pela população local e encaminhados às autoridades."

Techo do artigo "Naufrágio do Pacém - Vítima da Segunda Guerra Encanta Mergulhadores do Ceará" por Marcus Davis A Braga publicado na Revista Decostop, Ano7, No 30, Nov/Dez/Jan de 2011.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Expedição de Mapeamento do Açude Castanhão


Ferro de Engomar localizado em uma das Casas submersas no Açude Castanhão. Foto: Leonardo Hislei. 

Mergulhadores, 

Teremos mais uma Dive Trip para o Açude Castanhão! Experimente a sensação de mergulhar em água doce, sem balanço, sem mareação e com boa visibilidade! Não fique de fora dessa! Venha localizar casas submersas! Nesta Dive trip iremos localizar uma antiga fazenda que fora engolida pelas águas! Faça parte do Projeto de Mapeamento de Casas Submersas do Açude Castanhão! 

Seguem informações:

Pré-requisitos para Dive Trip

Ser certificado Open Water (nível básico), por qualquer certificadora.

Cronograma da Divetrip 

14/12 - Sexta 
  • 19:00 - Saída de Fortaleza p/ Jaguaribara (Briefing dos Mergulhos durante a Viagem)
  • 23:00 - Previsão de chegada em Jaguaribara
15/12 - Sábado 
  • 07:00 - Café da manhã
  • 08:00 - Saída p/ 01 Mergulho de Ambientação (Flutuabilidade)
  • 11:00: - Almoço
  • 13:00 - Saída p/ 02 Mergulhos na "Fazenda" (Navegação e Busca e Recuperação) 
16/12 - Domingo 
  • 07:00 - Café da manhã
  • 08:00 - Saída p/ 02 Mergulhos nas Casas (Profundo* e Embarcado)
  • 14:00 - Retorno p/ Fortaleza
*Apenas para Avançados

Incluso

Transporte Fortaleza - Jaguaribara - Fortaleza de microonibus com total conforto e segurança
Hospedagem em quarto com ar condicionado e café da manhã
05 Mergulhos Guiados (01 de praia e 04 embarcados)
Lanche durante os mergulhos
Equipe treinada e divertida

Aproveite para fazer seu curso avançado com mergulhos no Açude!!!


Cronograma do Curso Avançado 

Dia 19, 20 e 22 aulas teóricas
Dia 21 prática da piscina
Dias 14/12 ao 16/12 Dive Trip Castanhão para mergulhos do curso


Investimento

Mergulhador Certificado R$ 545,70 em 2x.
Mergulhador em Treinamento (Dive Trip + Curso Avançado PADI) R$ 1.290,70 em 1+3.
Não-Mergulhador R$ 255,70 
Aluguel de Equipamento R$15,00 por peça durante a trip (colete, regulador, roupa ou kit básico)


Não Incluso

Alimentação
Lanternas (Recomendado)
Equipamento de Mergulho Autônomo (Incluso para alunos do curso avançado)

Vagas limitadas! Não fique fora dessa! Ligue agora (85) 8744-7226 / 9764-6553 ou envie um email para mardoceara@gmail.com !

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Expedição de Reconhecimento ao Açude Castanhão


Mergulhador junto a um Cacho de Cupim submerso no Açude Castanhão.
 
 O maior açude do Ceará chama-se Castanhão e fica a 280 km de Fortaleza. Foi construído a partir do represamento do Rio Jaguaribe, o mesmo que desagua próximo a Aracati, no litoral leste do Estado. A construção do Castanhão foi cheia de controvérsias. Isto porque uma antiga cidade chamada Jaguaribara foi completamente submersa pelas águas do grande açude. 

Esta cidade estava bem fincada no cotidiano daqueles que moravam naquela região. No entanto a cidade fora completamente destruída para que suas estruturas não prejudicassem a qualidade da água. Até o cemitério fora completamente transplantado. Tudo foi levado para a nova Jaguaribara, uma cidade planejada para abrigar aqueles que perdiam suas lembranças. A cidade foi palco para a morte de Tristão Gonçalves Alencar Araripe, filho de Barbara de Alencar e um dos líderes da Confederação do Equador, movimento separatista ocorrido no início do século XIX.

Hoje o Castanhão é literalmente uma fonte de vida, suas águas abastecem toda a região principalmente em períodos de seca. Criações de peixes, pesca esportiva e agora o mergulho autônomo se aproveita de suas águas claras. Claras sim, pois a visibilidade gira em torno de 5m horizontais o que proporciona um mergulho confortável. A temperatura da água fica na faixa do 28 graus. A vegetação original que ainda se mantém com seus os galhos apontando para cima agora sendo colonizada por uma nova flora submersa. Tudo isso transforma o mergulho em um surreal passeio pela caatinga submersa. 

Existem barcos que fazem o transporte de passageiros entre as margens e podem ser fretados para pesca esportiva ou mergulho. Mas deve-se ter cuidado com a entrada na água quando mergulhando embarcado justamente pela antiga vegetação, saltos e rolamentos devem ser realizados com cautela.

Mergulhamos na Pedra do Jaburu seguindo uma sugestão dada por nosso amigo e anfitrião Marlon. Foi um mergulho na caatinga surreal, com direito a cupins submersos e tambaquis avistados diversas vezes em formações rochosas que afloram das águas e submergem até os cerca de 18m atingidos por uma das equipes. Depois seguimos para um segundo mergulho nos arredores de viveiros de tilápias a convite do Marlon. Bem interessante conhecer as estruturas utilizadas para o cultivo dessas espécies.

Depois de um bom almoço fizemos mais um mergulho próximo a barragem. Seguimos a margem e observamos suas formações rochosas. Alguns peixes foram avistados pelas equipes. Neste local não havia vegetações somente pedras e um susto: uma rede de pesca rudimentar parcialmente esticada e totalmente submersa, mais uma armadilha da pesca fantasma.

Essa foi a expedição de reconhecimento para o Projeto de Mapeamento de Construções Submersas do Açude Castanhão! Quer Participar? Deixe seu comentário!