domingo, 20 de março de 2016

Golfinhos na Beira Mar em Fortaleza: quem são os botos-cinza?

Boto-cinza Sotalia guianensis. (Foto: O Povo)
O boto-cinza (Sotalia guianensis) é um golfinho de pequeno porte que apresenta uma coloração acinzentada podendo variar de tom para mais claro ou mais escuro e com nadadeira dorsal triangular e pequena. É um mamífero aquático que pode atingir pouco mais de 2 m de comprimento, pesando cerca de 120 kg. Sua distribuição é costeira da América Central (Nicarágua) até o sul do Brasil (Santa Catarina).

Boto-cinza na enseada do Mucuripe.
(Foto: O Povo)
São, muitas vezes, vistos bem próximos da orla, geralmente pela manhã bem cedo e fim de tarde. Em pesquisas recentes, foi constatada uma preferência de ocorrência desses animais por cerca de 800m de distância da costa, quase sempre próximos a construções humanas como espigões, portos, marinas e estaleiros, pois essas construções os auxiliam no aprisionamento e captura de peixes.

Possuem expectativa de vida de cerca de 30 anos e idade média de maturação sexual começando com cerca de sete anos nos machos e entre cinco e oito anos nas fêmeas. A gestação deles pode durar 12 meses e os filhotes já nascem com cerca de 90 cm.

Grupo de boto-cinza. (Foto: Opovo)
São predadores considerados de topo, ou seja, está mais alto na cadeia alimentar, alimentando-se de peixes, crustáceos, moluscos, geralmente encontrados em regiões mais fundas, podendo ainda ser obtidas por meio de interações com outros botos do seu grupo.

São animais que vivem em grupos que podem conter, em média, 15 indivíduos e procuram, na costa, águas mais amena para sua sobrevivência, mas são bastante afetados pelas ações humanas que, podem algumas vezes ajudar, mas na maioria delas atrapalham na manutenção da vida desses animais.


O Risco
Mancha de resíduos levados ao
mar por água de chuva em Fortaleza.
A poluição da costa com o despejo irregular de esgoto, bem como de águas poluídas provindas de rios e galerias de chuva também poluída são o principal agressor desses animais, uma vez que as águas poluídas levam micro-organismos que geram doenças nos botos.

O avanço humano ao mar com a construção de espigões, marinas e estaleiros, acaba por fragilizar os ambientes ao quais os Botos-cinza estão presentes, dificultando na exploração do ambiente e obtenção de alimentos desses animais.

A presença de lixo sólido também agride sua integridade. Ao estudar o conteúdo estomacal de botos-cinza que morreram encalhados, pesquisadores constataram a presença de plástico, podendo relacionar a morte e posterior encalhe do animal com o material encontrado.

Lixo descartado irregularmente na
Beira Mar de Fortaleza.

Além disso, a pesca desordenada também representa perigo para o boto-cinza, seja reduzindo seus recursos ou mesmo na morte de alguns indivíduos, o que prejudica ainda mais na manutenção de grupo animal na nossa costa.


A importância
Como falado anteriormente, os Botos-Cinza (Sotalia guianensis) são predadores de topo, o que acarreta numa grande importância ecológica: a manutenção do equilíbrio do ecossistema. Assim, o boto-cinza regula a quantidade de organismos que vivem próximos a eles, seja predando diretamente, seja predando seus predadores.
Boto-cinza encontrado morto na
Beira Mar de Fortaleza apresentando
 marcas de rede de pesca.

A manutenção do equilíbrio costeiro que é realizada em parte pelos botos-cinza é fundamental para a continuidade de uma importante atividade econômica do estado do Ceará: a pesca. Um desequilíbrio desse ecossistema acarretaria um prejuízo ecológico e financeiro de grande proporção.

Além disso, o turismo é uma fonte econômica importante e a presença desses animais na nossa orla de Fortaleza pode ainda atrair o turismo com a demonstração de belezas naturais do nosso estado, com os incríveis saltos fora da água que eles podem fazer, divertindo a todos que os visualizam.

Boto-cinza observado na enseada
 do mucuripe. Foto por Yuri Alexsander, em 24/06/2011.

Em um recente levantamento desses animais, apenas 41 deles foram foto-identificados na enseada do Mucuripe, aqui em Fortaleza-CE, e esse número é bastante preocupante uma vez que não era tão difícil assim vê-los na Praia de Iracema, na Beira Mar, mas as visualizações estão cada vez mais reduzidas.

A conservação
Os Botos-Cinza foram declarados Patrimônio Natural de Fortaleza por meio da Lei nº 9949 de 13 de dezembro de 2012. A lei, além de objetivar proteger o boto-cinza na enseada do Mucuripe, tornou o dia 8 de junho, dia considerado como Dia Mundial dos Oceanos, como o Dia do Boto-Cinza Sotalia Guianensis.

Lei que declara o boto-cinza patrimônio natural de Fortaleza (Diário Oficial, 14/12/12).

A Aquasis possui um programa de monitoramento do Boto-cinza (Sotalia guianensis) desde 2009, observando, acompanhando e fazendo estudos com esse grupo de animais. O Projeto Manatii, também da Aquasis, trabalha no manejo, resgate, acompanhamento, estudo, de alguns mamíferos marinhos, entre eles o peixe-boi e o boto-cinza.

Então, não há dúvidas da importância da manutenção das espécies marinhas para a permanência desse ecossistema que tanto utilizamos, seja mergulhando, pescando ou mesmo num simples banho de praia, por isso é fundamental desenvolvermos consciência do uso desses ambientes a fim de reduzir ao máximo a degradação que podemos gerar neles.

Boto-cinza com filhote.
Conheça mais!
Referências:
Imagens:


terça-feira, 8 de março de 2016

A História do Açude Castanhão

Vista aérea do Castanhão com as doze comportas abertas

Localizado entre os municípios de Alto Santo, Jaguaribara, Jaguaribe e Jaguaretama, o Açude Castanhão, ou simplesmente Castanhão, é o maior açude público para múltiplos usos da América Latina e fica à 306,8 km (aproximadamente 4 horas de viagem) de Fortaleza.

A obra foi iniciada em 1995, durante o governo de Tasso Jereissati, e concluída em 23 de dezembro de 2002, pelo governador Beni Veras, em uma parceria entre a Secretaria de Recursos Hídricos do Ceará-SRH-CE e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas-DNOCS.

O açude ganhou esse nome devido ter sido inicialmente idealizado pela família Cunha, família que comandava a oligarquia da região na época e era dona da fazenda Castanhão, que posteriormente teve suas terras submersas quase por inteiro.

A capacidade de armazenamento do Castanhão é de 6.700.000.000 m³. Sozinho, ele tem 37% de toda a capacidade de armazenamento dos 8.000 reservatórios cearenses.

A criação do Castanhão propiciou muitos benefícios para a população cearense, como:

- Irrigação de 43.000ha de terras férteis do chapadão do Castanhão e da Chapada do Apodi;
- Garantia de água para o abastecimento da região Metropolitana de Fortaleza;
- Controle do nível do Rio Jaguaribe, evitando cheias e deixando o rio perene;
- Produção de 3.800t/ano de pescado;
- Instalação de uma usina hidrelétrica, com capacidade para gerar 22,5 megawatts;
- Criação de um polo turístico;
- Reservatório pulmão para transposição de águas (auxiliar na transposição do rio São Francisco);
- Execução de estações sismológicas e climatológicas;

Antes do Castanhão a maior barragem cearense era o Orós, no município de mesmo nome, que também é uma represa no Rio Jaguaribe, mas que comporta pouco mais da metade da capacidade do Castanhão.

O município de Jaguaribara foi submerso para a construção do açude e em substituição à cidade submersa, construíram uma nova sede do município, a Nova Jaguaribara. Mas ainda hoje existem conflitos em relação as terras perdidas que não foram devidamente indenizadas e a todo o patrimônio histórico do município que hoje está submerso e escondido nas águas do açude.

Mergulhador entre as ruínas da cidade submersa 
Devido à capacidade hídrica e a extensão territorial do açude, além da fauna e dos mistérios escondidos nas ruínas da cidade submersa, o lugar é de grande interesse para mergulhadores, a Mar do Ceará já realizou algumas expedições no local como a de mapeamento do açude e de mapeamento das casas submersas.

O Açude Castanhão possui 325 quilômetros quadrados de área inundada, sendo que a linha d’água é de 58 quilômetros em direção NE-SW do leito do Rio Jaguaribe. A profundidade do açude pode chegar a mais de 50 metros. A principal barreira tem 1.500 metros de extensão, 11 de largura, 12 comportas e quatro válvulas dispersoras.

O rio Jaguaribe antes da construção do Castanhão era conhecido como o maior rio seco do mundo, pois era um rio sazonal (tipo de rio que durante o período chuvoso apresenta bastante água, mas que pode desaparecer totalmente durante o período de estiagem) e localizado em um estado de clima semi-árido, o que não favorece a ocorrência de chuvas, mas se tornou perene com a construção do açude, que passou a regular o fluxo da água do rio.

Mapa mostrando a extensão do rio Jaguaribe e a localização do Castanhão

O Jaguaribe é o maior rio do Estado e é de extrema importância para todos os cearenses, ele ocupa cerca de 51,9% da área total do estado, o que equivale a, aproximadamente, 75 669 km². As cabeceiras de suas sub-bacias servem de limite entre o Ceará e os estados do Piauí, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, nasce na Serra da Joaninha na lagoa de Santiago em Tauá, quase na fronteira do Piauí e deságua no Oceano Atlântico no município de Fortim. É o maior curso de água do território cearense com 633 km de extensão.



Mas esse grande rio não tem apenas importância econômica para o estado, ele tem um relevante lado histórico-social , pois assim como na história do surgimento de quase todas as civilizações do mundo, os povoados tendem a surgir próximos aos rios ou ao mar e o rio Jaguaribe tem suas margens habitadas desde o inicio da história do Estado, pois possibilitava uma agricultura mais produtiva e um gado menos magro, facilitando a vida dos cearenses.

Antigamente era comum desmatar a vegetação da margem do rio (mata ciliar) para plantar naquela região, mas com o desmatamento excessivo da vegetação que tem como finalidade proteger o rio, mais sedimento (areia) entra do rio, que aos poucos vai sendo assoreado e se tornando cada vez mais raso. Devido a esse tipo de atitude, hoje em dia alguns trechos do rio não possuem mais que um metro de profundidade.

A Origem do município de Jaguaribara remonta ao final do Século XVII, quando se estabeleceram naquelas terras, algumas fazendas destinada a criação de gado. Em 1694, devido a forte resistência dos índios, donos originais da terra, os fazendeiros foram obrigados a se retirarem para as proximidades de Fortaleza, voltando anos mais tarde após vencida a resistência indígena.

O povoado de Santa Rosa constituiu-se de um desdobramento desta área, a qual foi transferida, em 1786 por doação de um dos herdeiros, para o patrimônio da Igreja católica. Elevada a condição de Vila, Santa Rosa foi inicialmente distrito do município de Frade, posteriormente denominado de Jaguaretama.

Em 31 de outubro de 1824, o povoado foi marcado pelo mais importante embate verificado no Ceará, entre as tropas imperiais e os componentes da Confederação do Equador que foi um movimento de caráter separatista e republicano do Nordeste. Deste embate, realizado as margens do Rio Jaguaribe, resultou a captura e o assassinato de Tristão Gonçalves de Alencar Araripe (também conhecido como Tristão Alencar Araripe), revolucionário que também participou da Revolução Pernambucana (movimento emancipacionista de Pernambuco) em 1817.
Monumento em homenagem ao Tristão Gonçalves 

No ano de 1924, o Instituto Histórico do Ceará, ergueu no local denominado Alto dos Andrade, no Sítio Tapera, zona rural de Jaguaribara, um pequeno monumento ao herói. Supostamente seus restos mortais foram sepultados na capela do povoado, mas que hoje encontra-se submersa pelas águas do Castanhão.

Jaguaribara foi distrito de Jaguaretama, até março de 1957, quando foi promovida a município. O nome da cidade é uma referência a tribo tupi que habitava a região. Etimologicamente Jaguaribara significa Moradores do Rio das Onças. 

Os habitantes de Jaguaribara tiveram que sair de suas casas mas nada do que estava ali foi destruído e nesse período de estiagem, que o estado vem passando por um longo período de seca, partes da cidade podem ser vistas de forma ilhada entre a água do açude, como o monumento no Alto dos Andrades que foi construído em homenagem ao Tristão Gonçalves.

Visite as profundezas do Castanhão com a Mar do Ceará e vá conhecer essa história de perto!





Referencias: 
http://www.repositoriobib.ufc.br/000019/000019ad.pdf
http://sustentabilidade.sebrae.com.br/Sustentabilidade/Neg%C3%B3cios-de-sucesso/Piscis
http://blog.opovo.com.br/blogdoeliomar/castanhao-comportas-serao-abertas-parcialmente-nesta-6%C2%AA-feira/
http://cearaemfotos.blogspot.com.br/2011/03/jaguaribara-velha-e-nova.html

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O Submarino Pietro Calvi - o Italiano que afundou o Petroleiro do Acaraú

por Augusto César Bastos
Smg. Pietro Calvi, o algoz do Petroleiro do Acaraú, sendo o mesmo o navio americano Eugene V. R. Thayer, e também do Balkis, na costa do Ceará. Fotos: Con la pelle appesa a un chiodo

Em julho de 1942, depois de um turno de trabalho e de manutenção, o Calvi zarpou de Bordeaux sob o comando do Capitão de Fragata Primo Longobardo, diretamente para zona de operação nos mares dos Caraíbas (Pequenas Antilhas). O comandante Longobardo, que já tinha atuado no Atlântico comandando o LuisiTorelli, afundando quatro navios mercantes (o Nemea, o Brask, o Urla e o NimolaosFilinis) em uma só missão, já era para estar servindo em terra no Alto Comando da Força Submarina, em função de sua idade (41 anos, mais velho que a maioria dos jovens oficiais no comando de submarinos e pela necessária resistência física exigida para as missões no atlântico).

Em um momento de escassez de oficiais, e em seguida ao adoecimento do Comandante do Calvi, Olivieri, pouco depois da partida para missão, o comando do Calvi foi assumido por Longobardo, com o submarino tendo recentemente renovado a tripulação, com a chegada de muitos jovens recrutas de primeira viagem, cuja formação se ocuparia Longobardo; quando uma unidade estava pronta para zarpar, o Comandante reunia a tripulação e oferecia a possibilidade de desembarcar, mas todos estavam dispostos a partir com ele.

Antes da partida enquanto Longobardo falava brevemente com ocomandante do BETASOM, contralmiranteRomoloPolacchini, (quando estava embarcando e a tripulação aguardando), se verificou um pequeno episódio , cuja índole supersticiosa dos marinheiros atribui um mau agoro: um jovem guarda-marinha colocou sobre a torreta do Calvi, uma magnólia branca para celebrar a nova missão, mas foi subitamente criticado pelo Chefe de máquinas, que lhe gritou. “tire isto daí que dá azar”, ordenou ao guarda-marinha, seguido de risos por outros oficiais. Durante a partida de Bordeaux, outros oficiais vieram saudar Longobardo, bem como o Almirante Polacchini.
O Pietro Calvi e sua tripulação.

Em 13 de julho o submarino recebeu ordem para se aproximar de um piroscafo isolado, (um tipo de mercante), do tipo “Andalusia Star”, e rastreá-lo. Na noite entre 13 e 14 de julho o submergível se aproximar do comboio SL 115, que estava na rota de Serra Leoa (Freetown) para o Reino Unido, escoltado pelos Sloopps: Lulwoth, Londonberry, Bideford e Hastings. Cuja localização tinha sido informado no sul dos Açores, pelo submarino alemão U-130, e de atacar só se as condições fossem favoráveis.

O Calvi em dupla com o submarino alemão U-507, se aproximaram para investigar o comboio, avistando às 19:30de 14 de julho, 575 milhas à oeste de Tenerife, vindo se agrupar o U-130. Por volta de duas horas depois, a presença do Calvi foi detectada pelo “radiogoniometro” HF/DF (um aparelho que interceptava os sinais emitidos por rádios, e individualizava a localização e de onde vinham) do HMS Lulworth e esta unidade sob o comando do Capitão de Corveta Clive Gwinner, foi enviada para investigar o forte sinal emitido. O sloop britânico avistou o U-130 e oCalvi que imediatamente fizeram manobras de imersão. Cerca de uma quarto de hora depois, enquanto a tripulação do Calvi estava observando o U-130, que estava passando a aproximadamente 900 metros ao seu lado, não perceberam que o Lulworth navegava com a proa apontada em sua direção. O Comodante Longobardo ordenou novamente submergir, para profundidade de 90 (por outra fonte 75) metros (uma fonte indica às 22:30, como horário de localização do Calvi, mas não especificou o fusohorário). Quando assumiu a cota da manobra o Calvi, navegou em rota oposta, entre 1 e 2 nós. O Lulworth levou uma hora e meia novamente para localizá-lo, e na posição 30 07`N e 26 07`O, iniciou o lançamento de cargas de profundidade reguladas para 15 e 42 metros. O Comandante Longobardo, em seguida ao primeiro ataque (que não havia causado danos), decidiu navegarainda mais fundo, quando então foi atingindo pelo segundo ataque do sloop, com bombas reguladas para profundidades de 45 e 91 metros, sofrendo graves danos e teve avariado seu motor elétrico Calzoni. O Comandante ordenou submergir mais ainda, levando o Calvi para profundidade de 115/120 metros. Medida inútil; a terceira onda de cargas regulada para 105 metros, explodiu muito próximo, fazendo inclinar fortemente para bombordoo submarino, que imergiu para cerca de 200 metros. Com o compartimento de popa alagado (uma fonte já indicava este alagamento na segunda carga), e mesmo com uma tripulação novata em sua primeira missão, não houve pânico. E sim uma certa confusão; o capitão “del gênio navale Ernesto Maccota, ficou tranquilamente apoiado em uma bancada, anotando em seu diário o número de cargas e a profundidade que explodiam em torno do submergível.
A planta do submersível.

Após as avarias foi constatado que não haveria ar suficiente e que o compartimento 3 estava também alagado, comprometendo sua possibilidade de manobra e levando ao risco de afundamento, se permanecesse no fundo. O Comandante Longobardo ordenou emergir rapidamente o submergível, que subiu rapidamente inclinado para esquerda. Com sua metralhadora atingida por uma carga de profundidade e seu canhão também fora de combate, só restou o canhão de popa em funcionamento, com um só motor o Calvi tentava se afastar do Lulworth, avançando lentamente, atirando com o canhão que ainda restava.

Iluminado por um luminoso lançado pelo sloop e depois por um holofote, o Calvi passa a ser atacado. Há menos de 500 metros de distância o Lulworth atingiu a coberta onde estava o canhão de popa do Calvi com uma rajada de metralhadora, ferindo ou matando todos que lá se encontravam. O Calvi na tentativa de escapar lançou dois torpedos dos tubos de popa, obrigando a nave britânica a manobrar rapidamente para evitar ser atingida. Por duas vezes o sloop tentou a colisão, mais o Calvi manobrou e conseguiu escapar habilmente. Na terceira vez no entanto a embarcação britânica colidiu com o submarino destruindo seu hélice direito e arrastando o submergível. ( a colisão também provocou avarias na nave britânica, que ficou todo mês de agostoem reparo).

Dois marinheiros que estavam no canhão de popa, o subtenente Villa e o segundo chefe Marchion, ainda estavam vivos. Vendo sua embarcação imobilizada e em chamas, com armamento em péssimas condições, o comandante Longobardo ordenou a evacuação da tripulação para a coberta e depois abandonar o submergível para depois iniciar o afundamento. Nesse momento um tiro de canhão de 76 mm do Lulworth acertou a torreta do submarino matando ele, o suboficial de rota e também o subtenente Guido Bazzi, deixando a tripulação, conforme publicação do relatório britânico em agosto de 1942, “como uma família sem pai”. O segundo comandante, subtenente GennaroMaffetone, que estava combatendo com seus homens no canhão de popa, levou um tiro e caiu no mar.

Dentro do submergível o diretor de máquinas capitão del gênio navale Aristide Russo, assumiu o comando, abrindo a válvula dos tanques dágua. Os homens que ainda estavam dentro do barco saíram para coberta para evacuação e se lançarem ao mar. O Lulworth comunicou em italiano para ninguém se mover e permanecerem parados, se quisessem sobreviver, lançando uma pequena embarcação ao mar, comandada pelo tenente “divascelo” Frederick Wiliam North, que foi enviado para o submarino; após embarcado com arma na mão. Os ingleses encontraram na ponte de comando cadáveres e fogo na torreta, ordenando a tripulação sobrevivente que ficasse na coberta da popa. Dois membros da tripulação do Lulworth entraram dentro submarino encontrando a luz de emergência ligada. Tudo que encontraram foi uma carta náutica e algumas partes do diário de bordo, na cabine do comandante, quando foram chamados para coberta; o compartimento de popa alagando rapidamente.

Em uma outra versão os homens de North não entraram na embarcação, ficando com a tripulação comandada pelo capitão Russo. O capitão Maccota foi visto a última vez na torre de comando, que após ver a embarcação inglesa partindo, foi completa a manobra realizar o auto afundamento já iniciada, quando o segundo chefe torpedista se aproveitando da confusão, abriu um tubo lança torpedos, provocando novo fluxo de água determinou o fim do submarino. Russo, quando North entrou, iniciou uma luta corporal para impedir a captura do Calvi. A tensão entre os sobreviventes aumentou; muitos deles ainda estavam na coberta, sob o controle de membros da tripulação do Lulworth, enquanto os dois se encontravam lutando dentro do Calvi, e novamente veio a ordem para evacuação. Já no mar os tripulantes sobreviventes do Calvi, viram o submarino submergir na sua frente. Às 00:27 de 15 de julho, o submarino desapareceu no abismo, no ponto 30 35`N e 25 28`O, 480 milhas ao sul de São Miguel (Açores), juntamente com metade de sua tripulação, entre os quais o capitão Russo e North, naufragados juntos enquanto lutavam.

Pouco tempo depois ocorreu uma violenta explosão embaixo dágua, podendo ter sido causada por uma carga de profundidade que tivesse ficado no casco ainda sem explodir. Entretanto o Lulworth junto com o Bideford e Londonberryantes de iniciar o salvamento dos sobreviventes, foi torpedeado pelo U-130, em vã tentativa de ajudar o submarino italiano. Só depois de quatro horas o Bideford e o Londonberry tomaram rumo sul e foram resgatar os sobreviventes ( 03 oficiais, e 32 suboficais e marinheiros). A maioria tinha ficado no mar, 42 mortos do Calvi e o tenente North; em sua maioria vítimas da metralhadora do Lulworth durante o combate. O Londonberry, unidade de escolta, resgatou 02 oficiais. ( “segundo outra versão os sobreviventes foram resgatados pelo Lulworth, depois de ter contra atacado o U-130, o sloop britânico retornou para o local de afundamento do Calvi, para socorrer os sobreviventes, para depois transferi-los para o Londonberry. Os sobreviventes do Calvi foram levados para um campo de prisioneiros nos Estados Unidos e com o passar do tempo alguns foram transferidos para o Reino Unido e posteriormente libertados.


Texto
Augusto César Bastos

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

As estrelas-do-mar: pedacinhos do céu que vivem no mar

Echinaster echinophorus

As estrelas-do-mar são animais que pertencem ao Filo Echinodermata e à Classe Asteroidea, na qual são conhecidas aproximadamente 1.500 espécies viventes de estrelas-do-mar. São parentes próximas de animais como o pepinos-do-mar, a bolacha-da-praia, o ouriço-do-mar, pois pertencem ao mesmo Filo.

Oreaster reticulatus 
Os Asteroidea possuem o corpo em forma de estrela, que se move livremente e que consiste em um conjunto de braços, ou raios que se projetam de um disco que se localiza na parte central do corpo do animal. Apesar do endoesqueleto de carbonato de cálcio, esses animais possuem grande flexibilidade corporal.

São animais que rastejam lentamente sobre rochas, conchas, ou vivem sobre fundos arenosos ou de lama. São encontrados em todo o mundo, inclusive em grande parte da costa cearense, em cidades como Barroquinha, Fortaleza, Caucaia, São Gonçalo do Amarante e Cascavel.

Astropecten marginatus 
A maioria das espécies de Asteroidea possuem cinco braços, mas o número de braços é variável e pode chegar a até quarenta braços ou mais. A coloração também não é padrão, podendo existir animais vermelhos, alaranjados, azuis, roxos ou verdes, ou exibir combinações de cores.

Grande parte das espécies de estrelas-do-mar têm um tamanho por volta de doze a vinte e quatro centímetros de diâmetro, mas existem exceções que o corpo tem menos de dois centímetros de diâmetro, ou espécies como Pycnopodia helianthoides, que é tipicamente vista nos Estados Unidos e no Canadá, que pode ter quase um metro de envergadura.

Luidia senegalensis 


As estrelas que habitam a costa cearense não são nocivas ao ser humano (existe apenas uma espécie de estrela-do-mar que é venenosa e não existem registros dela no Brasil), mas mesmo assim devemos ter cuidado com esses animais, pois manipulando de forma errada, podemos matar ou ferir o animal.

As espécies mais comuns no litoral cearense são Echinaster echinophorus, Luidia senegalensis, Astropecten marginatus e Oreaster reticulatus e podem ser encontradas em praias arenosas, lagoas costeiras, estuários com manguezais, recifes de arenito e recifes de praia. 

Estrelas-do-mar costumam se alimentar de outros animais como corais, ostras e poríferos (esponjas-do-mar).

Bolacha-da-praia
As bolachas-da-praia ou bolacha-do-mar são relativamente parecidas e constantemente confundidas com as estrelas-do-mar, esses animais também são Echinodermatas e assim como as Asteroidea, estão amplamente distribuídas no litoral cearense, inclusive nas praias de Fortaleza. Elas também não oferecem riscos ao ser humano, mas possuem o corpo ainda mais frágil que o das estrelas-do-mar, sendo ainda mais sensíveis ao contato.

Ao retirar esses animais de dentro do mar, eles morem por não conseguirem respirar fora d'água.

Todos os seres vivos têm importância na natureza, e animais como esses são de fundamental importância para o ecossistema marinho, além de deixar o mar colorido e mais bonito. Temos que preservar os oceanos e cuidar desses animais, para sempre termos o que observar ao mergulhar. Além do fato de que quando estamos cuidando da natureza, estamos cuidando da nossa vida na Terra. 


Referências
  • Zoologia dos Invertebrados de Edward E.Ruppert, 7° edição
  • Equinodermos do Ceará: Caracterização dos registros cearenses presentes na Coleção do Laboratório de Invertebrados Marinhos do Ceará (LIMCE). Marcos Vieira da Silva1 , Daislany Andreia da Silva Alves1 , Felipe Augusto C. Monteiro1, 2 & Helena Matthews-Cascon1 . 1. UFC - Universidade Federal do Ceará. 2. IFCE - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará.
  • Biota Marinha da Costa Oeste do Ceara, de Helena Matthews-Cascon e Tito Monteiro da Cruz Lotufo
  • Os animais mortos que foram fotografados pertencem à Coleção do Laboratório de Invertebrados Marinhos do Ceará (LIMCE).
  • Os animais vivos foram fotografados em aulas de campo da Prof. Helena Matthews-Cascon 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Expedição Abrolhos 2017


Expedição Abrolhos 2017
  • 4 dias e 3 noites
  • 4 dias de mergulho no Parque Marinho de Abrolhos
  • Média de 3 mergulhos por dia, sendo 1 noturno e snorkeling todos os dias
  • Desembarque para visitação da Ilha Santa Barbara sob autorização da Marinha do Brasil
  • Embarque na quinta (19) à partir das 7h, mergulhos quinta a domingo - desembarque domingo as 18h
  • Inclui hospedagem com pensão completa, bebídas não alcoolicas, enxoval cama e banho, cilindros e lastro
  • Incluso Hospedagem em Caravelas
  • Incluso Taxas Ibama


Valores e Condições
  • R$ 2.790,00 por pessoa
  • Pagamento pode ser parcelado desde o momento da reserva com quitação até 30 dias antes do embarque
  • Roteiro e pontos de mergulho variam conforme condições de mar
  • Não incluso aluguel de equipamentos, aéreo até Porto Seguro e transfer (Porto Seguro-Caravelas-Porto Seguro)
  • Fecharemos o transfer, valores a ser informados com base no quantitativo do grupo


Reservas e informações!
  • Luciano Andrade (85) 98890-2468 / 99620-5789
  • Mar do Ceará (85) 9976406553 / 98744-7226
  • mardoceara@gmail.com