segunda-feira, 4 de abril de 2016

Mergulho e pressão: como equalizar o ouvido?



Quando mergulhamos somos submetidos a uma pressão maior da qual o nosso corpo funciona naturalmente. Essa pressão é sentida principalmente nas vias aéreas do corpo. Aquela dor que sentimos ao mergulhar mais fundo ou quando viajamos de avião: isso é o nosso corpo respondendo à pressão.

O corpo humano é, em sua maior parte, composto de água porém existem áreas que possuem ar  ou outros gases como os ouvidos, os seios faciais (espaços dos nossos ossos e crânio preenchidos por ar e que se interligam a cavidade nasal),  pulmões, o estômago e o intestino, e quando usamos equipamentos de mergulho a máscara mantém um espaço aéreo junto a face que compreende o olhos e nariz. Essas áreas com ar são as que mais sentem a pressão exercida no nosso corpo quando mergulhamos. 

O ouvido e o sistema de equilíbrio necessitam ser preparados para receber essa pressão, seja em mergulhos de pouca profundidade até mergulhos com teto, como naufrágios e cavernas. Para regular essa pressão no corpo quando mergulhamos devemos utilizar algumas manobras para equalizar corretamente esses espaços aéreos. A omissão ou a incorreta realização desse procedimento pode levar o mergulhador a sofrer um barotrauma, uma lesão causada pela pressão. No ouvido essa lesão pode ser séria e causar a ruptura do tímpano, nos seios faciais pode causar dores muito fortes na face do rosto, até mesmo hemorragias em casos mais graves. A máscara também deve ser equalizada, e a sua não regulação também pode causar um barotrauma facial.


O primeiro passo para mergulhar é fazer um curso de mergulho para aprender as técnicas básicas corretamente sob a supervisão de um instrutor. Durante a descida melhor método pode variar para cada pessoa. Ao submergir devemos realizar os procedimentos para a regulação dessa pressão a cada metro (ou menos) de profundidade antes mesmo de sentir qualquer desconforto nos ouvidos, nos seios faciais e na máscara.

Algumas formas eficazes de se obter a equalização são:

  • Pinçar as narinas entre os dedos e soprando suavemente contra ele. Este procedimento vai enviar ar para dentro das suas vias aéreas e seios faciais. 
  • Movimentar a mandíbula de uma lado para o outro e engolir saliva. 
  • Fingir um bocejo, mexendo a mandíbula para frente e para baixo. Essa técnica é um pouco mais avançada porque o mergulhador está com o regulador na boca. 
  • Para a máscara, que também deve ser equalizada, a ação de soprar um pouco de ar pelo nariz, assim a máscara será regulada. Mas cuidado para não retirar a máscara. 
  • Desça com os pés para baixo, isso facilita a equalização correta. 
  • Esteja sempre atento se o seu dupla está conseguindo equalizar corretamente, com sinalizações próprias para isso. 


Atenção: nunca force a equalização, se estiver tendo dificuldade para realizar a equalização sinalize para o seu dupla e suba alguns metros, espere alguns minutos e tente novamente.

A equalização para ser bem sucedida não se deve estar com as vias aéreas obstruídas, como gripado, resfriado, com sinusite ou crises alérgicas. Não é recomendado mergulhar com nenhum desses sintomas, ou ter tomado um descongestionante ou remédio que mude esses sintomas, pois quando submerso o seu metabolismo é diferente, assim podendo passar o efeito desse analgésico e o mergulhador não poder equalizar de forma adequada, podendo adquirir alguma lesão.

E durante a subida também preciso equalizar?
Ao emergir normalmente nosso organismo se ajusta naturalmente à pressão. No entanto, se tiver com algum dos sintomas mencionados acima, seu corpo pode ter dificuldade de equalizar naturalmente durante a subida. Isto é chamado bloqueio reverso. Caso isto aconteça o mergulhador não deve deve continuar a subida forçando a equalização desses espaços obstruídos. Ao contrário, ele deve descer alguns metros para aliviar a pressão para só então tentar subir novamente e repetir esse procedimento quantas vezes for necessário.

É aconselhado que antes de mergulhar se tenha dormido oito horas de sono, evitar bebidas alcoólicas na noite anterior e no dia do mergulho, alimentação de coisas leves, pequenas atitudes vão ajudar o corpo na hora de regular a pressão exercida.

A equalização é algo simples a ser executado, porém necessita de atenção, domínio das técnicas e paciência para realizá-la. É muito importante para a saúde do mergulhador aprender e executar corretamente esse procedimento. Entrar na água, mergulhar e sair com saúde é extremamente prazeroso, seguindo esses protocolos básicos o mergulhador pode aproveitar de todas as formas o que o mar tem pra oferecer.

Fique atento ao realizar as manobras de equalização e qualquer dúvida pergunte ao seu instrutor ou à sua escola de mergulho.


Referências:
Manual Open Water Diver PADI

quarta-feira, 30 de março de 2016

Logística e Informações sobre saída de Mergulho para o Naufrágio Macau

Mergulhadora na proa do Naufrágio Macau. Foto: Marcus Davis.


O Ponto de Mergulho
Aracati,CE. Navio cargueiro naufragado em 1961 é a atração aqui. Possui cerca de 100m de comprimento e atrai grande quantidade de tubarões-lixa, cardume diversos como paruns, galos e pirangicas, lagostas, tartarugas e muitas outras espécies. Sem dúvida um dos melhores mergulhos do Ceará. Profundidade 10m - 18m. Nível Básico.
O mastro do navio.


Pré requisito

Incluso
  • Embarcação regulamentada com equipamentos de salvatagem
  • 02 cilindros e lastro
  • Lanche (água, refrigerante, biscoitos, frutas, sanduíches e doce de goiaba) 
  • Instrutor e/ou divemasters para conduzir o mergulho
Píer da Boca da Barra, Fortim, CE.

Não incluso

Datas e Valores

Local de Encontro 
  • Praça da Igreja de Fortim, CE (a 130km de Fortaleza)

Horário de Saída e Previsão de Retorno
  • Normalmente às 6:30 nos encontramos na Praça
  • Saída às 7:00 do Píer da Boca da Barra, na Marina de Fortim
  • Previsão de Retorno as 14:00
  • (horários de saída e retorno podem variar em função a variação de marés)

Cadurme de xilas no naufrágio.
Tempo de Navegação
  • Cerca de 1:45h cada trecho de ida e volta
  • A operação dura em média 7 horas (navegação ida e volta, e operação de mergulho com intervalo de superfície), portanto se sairmos mais tarde, chegaremos mais tarde. 

Recomendações
  • Recomendamos pernoite na Pousada da Eva ou Pousada Kina Fresca em Fortim
  • Caso opte por sair de Fortaleza de madruga para o embarque lembre-se que a viagem de carro pode durar entre 1:30h a 2:00h até Fortim
  • Podemos intermediar caronas junto a outros clientes participantes. 
  • Recomendamos o uso de remédios para enjoo
  • Protetor solar, roupas secas e toalha

terça-feira, 29 de março de 2016

O que afeta a visibilidade da água?

Mergulhadores no Cabeço do Balanço, no Parque Estadual Marinho, com excelente visibilidade, Fortaleza, CE.

A visibilidade da água é basicamente a distância na qual perdemos de vista uma referência, mas essa definição não é universal, pois infelizmente não existe um padrão para essa medida. Alguns mergulhadores dizem que a visibilidade é avaliada de acordo com que se consegue notar a presença de uma pedra por exemplo, enquanto outros mergulhadores dizem que a visibilidade é dada através da distancia que ainda é possível visualizar detalhes, por exemplo, perceber que uma tartaruga estava sobre a pedra.
Partículas em suspensão e
tonalidade esverdeada,
indicam baixa visibilidade.
Naufrágio BravamarX,
Fortaleza, CE.

Determinados sites divulgam a visibilidade de alguns pontos de mergulho no Brasil e no mundo, mas a maioria tem como base dados de institutos de meteorologia que retiram seus dados de fotos de satélite, usando nenhum tipo de fórmula ou aparelho específico para avaliar a visibilidade da água, sendo infelizmente, de pouca exatidão. 

Geralmente é bem confiável tomar como base o depoimento de outros mergulhadores, pois mesmo com a subjetividade de medição, é a fonte mais precisa. 

A visibilidade da água pode variar de zero a sessenta metros e pode mudar de acordo com a profundidade. Mudanças repentinas de temperatura e visibilidade, podem indicar a chegada de uma corrente. 

Em raras situações e em águas abertas, a visibilidade pode cair em questão de segundos, dificultando a orientação embaixo d'água. 

A principal causa de problemas de visibilidade é a existência de sedimento em suspensão na água e isso pode acontecer em ambientes onde o lodo do fundo é facilmente levantado pelo movimento da água. No caso dos rios com correntes não existe muito o que fazer, mas em águas paradas o principal cuidado ao nadar é evitar que o movimento das nadadeiras levante o lodo do fundo. 
A tonalidade esverdeada que observamos
próximo à costa normalmente indica
baixa visibilidade. Naufrágio Bragança,
Fortim, CE.

Muitas vezes a visibilidade em lagos, açudes ou rios com muito sedimento pode variar entre 5 metros e absolutamente zero, mas existem técnicas que mesmo com uma visibilidade um pouco limitada, você pode conseguir aproveitar o mergulho. 

Em águas com muita suspensão, lanternas são praticamente inúteis, já que acabam ofuscando o mergulhador com a luz refletida nas partículas suspensas. 

Existem alguns fatores principais que afetam a visibilidade: 

Movimento da água
As ondas, as correntezas ou até mesmo o movimento das pernas de um mergulhador que não controla bem a sua flutuabilidade ou o seu alinhamento do corpo, podem agitar os sedimentos do fundo e assim deixar a água turva e reduzir a visibilidade. Mas ao mesmo tempo, uma correnteza pode movimentar a água de forma a afastar as águas turvas e substitui-las por águas mais límpidas. 
Em açudes, a água esverdeada pode
indicar a presença de plânctons.
Mergulhador junto a um ninho de cupim
em uma árvore submersa no
Açude Castanhão, CE. 

Condições climáticas
As condições e alterações climáticas podem melhorar ou piorar a visibilidade. Ventos fortes podem tanto movimentar a água formando ondas que geram os problemas citados no item anterior, quanto empurrar as águas da superfície fazendo com que águas mais frias e profundas se elevem á superfície para substitui-las, o que aumenta a visibilidade da água (conhecemos esse fenômeno por ressurgência) . Uma chuva pode fazer com que sedimentos em terra firme escorram para dentro da água. 

Plâncton
O plâncton (organismos microscópicos que vivem em suspensão em água doce, salgada e salobra. Com muito pouca ou nenhuma capacidade de locomoção, sendo transportados pelas correntezas) pode se reproduzir rapidamente quando em condições de sol intenso, deixando a água turva ou com determinadas tonalidades. 

Composição do fundo
Partículas leves ou pequenas, como as encontradas em leitos lodosos, podem permanecer suspensas por longos períodos após alguma agitação. 

A cor da água pode afetar a visibilidade ou indicar como a visibilidade está. A água de um rio, de um açude ou do mar, podem apresentar colorações diferentes dependendo de fatores diversos, por exemplo: 
Água azul indica boa visibilidade e
mergulhos agradáveis.
Naufrágio Rosalinda, BA.

Azul
A água tende a absorver mais cores com comprimento de onda maior, como o vermelho e o laranja. Por isso, ao receber a luz do sol, ela reflete mais o azul, que é uma das cores com menor comprimento de onda do espectro de luz visível a nossos olhos. (a cor azul pode ser vista em águas profundas enquanto a cor vermelha, por exemplo, é absorvida nos 4 primeiros metros). 

Verde
O tom esverdeado é na maioria das vezes originário da presença de fitoplâncton, que é basicamente um conjunto de organismos microscópicos aquáticos que têm capacidade de realizar fotossíntese, vivem flutuando na água e que possuem um pigmento verde chamado de clorofila, fornecendo essa tonalidade à água. No mar a água esverdeada pode indicar a presença de areia em suspensão.
A água escura do Açude Castanhão.

Marrom
Essa tonalidade de água é comum em áreas próximas à foz de rios, onde existe uma grande quantidade de sedimentos minerais ricos em ferro, que fornecem essa cor escura. 

Preto
A água com essa cor é comum em mangues, devido à presença de ácido húmico, que é resultado da biodegradação de matéria orgânica (animais e vegetais em decomposição). Mas a água também pode assumir colorações escuras devido ao excesso de sedimentos minerais com a mesma tonalidade. 

No Ceará
Um dos lugares com melhor visibilidade no mundo é o Caribe pois a visibilidade caribenha oscila entre 30 e 40 metros na horizontal, mas no Ceará exitem locais com visibilidade excelente, como o Parque Estadual Marinho Pedra da Risca do Meio, que é formado por belíssimos recifes submersos (com uma riquíssima biodiversidade) e tem uma visibilidade subaquática impressionante, variando de 15 a 30 metros. 

Tonalidade azul escuro é sinônimo de
bons mergulhos. Mergulhadores em
Recife, PE.
Ao observarmos as praias cearenses notamos uma coloração esverdeada na superfície do mar. Os verdes mares bravios do Ceará indicam a presença de partículas em suspensão, algo que não é muito favorável para uma boa visibilidade. Ao nos afastarmos da costa observamos que a água torna-se azul. Às vezes a mudança na tonalidade da água é perfeitamente perceptível: a água verde "encosta" na água azul oceânica a cerca de 5 km da costa. Esse "encosto" é perfeitamente perceptível devido a diferenças de aspectos físicos e químicos da água. Após essa "linha divisória" quanto mais nos afastarmos da costa mais azul escuro revela-se a água do mar normalmente indicando uma boa visibilidade durante o mergulho.

Existem muitos pontos de mergulho de ótima visibilidade no estado do Ceará, como os da tabela abaixo. 


Aproveite as opções de mergulho que o estado do Ceará oferece, seja no mar ou em um rio. Confira os mergulhos que a Mar do Ceará oferece! 


Referências: 

terça-feira, 22 de março de 2016

O Barco de Acaraú seria o famoso Iate Palpite?


Mergulhador junto a estruturas do naufrágio O Barco de Acaraú. 

Segundo artigo publicado neste site por Augusto César Baros, "em 1859 foi criada uma comissão com o objetivo de fazer um levantamento nas províncias do Norte do Brasil, para pesquisar sobre os recursos minerais, hidrográficos, botânicos e mais outros, que sob o patrocínio de Dom Pedro II, amante da ciência, foi denominada de “Comissão Científica Exploradora”.

Esta comissão foi motivo de grande discussão no Império, sendo inclusive chamada de “Comissão das Borboletas”, devido à controvérsia sobre o seu trabalho. Composta por renomados profissionais de sua época, dentre eles, Gonçalves Dias, Barão de Capanema, o pintor José dos Reis Veloso, e depois objeto do trabalho de escritores como Gustavo Barroso, Renato Braga, Barão de Studart, o fato é que parte deste material produzido foi á pique junto com o barco que o transportava.

O Palpite
Iniciou no Ceará passando por Baturité, Guaramiranga, Ibiapaba, e, em Camocim, à partir da conclusão de seus trabalhos, formando assim um acervo de informações. Capanema contratou o transporte de parte desse material de Camocim para Fortaleza por via marítima através de uma embarcação tipo iate denominada "Palpite"."

Capanema foi um dos mais controversos membros desta comissão sendo atribuída a ele uma total falta de compromisso com os estudos propostos por Dom Pedro II. Ainda, foi especulado se o motivo do transporte marítimo de carga tão valiosa teria sido um naufrágio intencional visto a baixíssima produção cientifica realizada por este cientista.

O fato é que o Barão de Capanema contratou um barco chamado Palpite para transportar parte do resultado de seus estudos para Fortaleza e este barco naufragou no dia 13 de março de 1861 próximo da foz do Rio Acaraú (CAVALCANTE, 2012). Freire Alemão registrou em seu diário a notícia publicada pelo jornal "O Cearense". Um outro registro de Eduardo Campos também menciona a construção de uma embarcação chamada Palpite em meados da década de 1840.
Naufrágio: Pelo último vapor do norte receberam-se cartas da Granja por via de Maranhão noticiando a perda do iate Palpite que vinha para esta capital e trazia a bordo toda a bagagem que o Dr. Capanema não quis levar consigo para a Serra Grande, onde tencionava fazer uma excursão rápida, e em estação invernosa temiam achar todos os rios cheios. Entre os objetos perdidos vinha nas malas de roupa o livro de registro de todas as observações meteorológicas que cita até Sobral, da mesma sorte as observações astronômicas, e a descrição geológica da província, todos os manuscritos; e enfim as notas que serviam para passar o tempo quando [ilegível] demora em qualquer lugar [ilegível]. Perdeu-se igualmente toda a coleção fotográfica, uma série de vistas de nossas cidades e povoações, tipos, dendrológicos, utensílios usados pelo nosso povo, mas [apagado] etc. Assim como algumas fotografias de objetos microscópicos. Alguns instrumentos, livros, objetos preparados para analise química, entre eles os gases e águas do Pagé, varias plantas medicinais, e a maior parte das coleções de Sobral e Meruoca. Em um momento perderam-se trabalhos, que custaram tantas fadigas ao Sr. Capanema, e seu Adjunto o Cap. Coutinho, e muitas vezes foram eles eficazmente auxiliados pelo bom amigo, e companheiro de viagem o Dr. Dias; ao todo 13 volumes. Segundo notícias, que correm apenas escapou a tripulação do Navio. (Diário de Freire Alemão)
Esboço do croqui do naufrágio com indicações das estruturas principais. Por Marcus Davis. Todos os direitos reservados. 
O Barco de Acaraú
Atualmente a cerca de 4 milhas náuticas da foz do Rio Acaraú existe um naufrágio conhecido como "O Barco" ou "O Barco de Acaraú". Seguindo indicações do engenheiro de pesca Toivi Masih Neto que conhece bem a região fomos até o local. O naufrágio está a 7m de profundidade e completamente destruído. O sítio tem aproximadamente 35m de comprimento por 6m em sua largura máxima. É possível reconhecer o molinete da âncora, correntes (com elos característicos de um período passado) e uma grande âncora tipo almirantado. 
Molinete da Âncora

Os cavernames (as "costelas") de metal estão presentes mas não há sinal do casco, o que sugere que este revestimento fosse de madeira que é rapidamente decomposta no mar. Pelo posicionamento das estruturas é possível deduzir que o navio tocou o fundo sobre seu boreste colapsando aos poucos devido as forças da correntezas passam no local. 

Apesar de uma estrutura metálica cilíndrica na área da proa, há uma completa ausência de estruturas associadas a motores, tais como hélice, eixo, máquinas, etc, o que sugere uma embarcação à vela de grande porte. Essa estrutura cilíndrica metálica apresenta rebites em suas juntas o que indica que não foi construída utilizando métodos modernos de soldagem empregados a partir do início do século XX.
Abundância de peixes recifais

Uma explosão de vida marinha é observada na forma de pequenos peixes recifais, moreias e frequente visita de arraias.  

O local e condições conhecidas do afundamento do Iate Palpite em muito coincidem com as encontradas no naufrágio chamado "O Barco de Acaraú". O tamanho do sítio, o tipo de estruturas encontradas no local são fortes indícios de que tenhamos encontrado o famoso Iate Palpite. Estudos mais acurados e pesquisas inloco se fazem necessárias para só então podermos afirmar com certeza que encontramos o controverso Iate Palpite.

Vídeo do sítio.


Participaram da expedição
Franco Bezerra
Junior Alves
Marcus Davis

Texto e Fotos
Marcus Davis

Fontes
O Naufrágio do Iate Palpite ou seria o Iate Invencível?

Jornal O Povo
Percepções e Limites do Fazer Científico: o caso da imperial comissão científica de exploração (1859-1861)
A Fortaleza Provincial, Eduardo Campos, 1988
“O Brasil é o Ceará”:as notas de viagem de Freire Alemão e Capanema e suasimpressões sobre o Ceará (1859-1861), Francisca Cavalcante, 2012

segunda-feira, 21 de março de 2016

Mergulhamos no Naufrágio Ruy Wanderley em Bitupitá


Mergulhador junto a popa do naufrágio Ruy Wanderley. Acima é possível observar os dois lemes do navio.


Recentemente publicamos a história do naufrágio Ruy Wanderley ao largo de Bitupitá, a última vila do Ceará antes da divisa com o Piauí. Ao conhecermos sua história a curiosidade aumentou e embarcamos numa viagem de 400 km por terra e mais 4 milhas náuticas por mar até o local em que se encontra o naufrágio.

Tratava-se realmente de uma chata de de transporte de cargas em águas rasas. Possui o fundo plano (chato) e uma proa retangular e inclinada para superfície para facilitar o encalhe. O naufrágio está emborcado e mantém preservados proa e popa. Seu convés está destruído, possivelmente por ter ficado suspenso, apoiado entre proa e popa. Possuía cerca de 40m de comprimento e uns 4m de boca. Sua popa estreita possui cerca de 3m de comprimento e uma breve penetração é possível nesta seção do naufrágio onde é possível observar suas máquinas.

A vida marinha é abundante na forma de pequenos peixes, alguns crustáceos, corais e gorgônias.


Esboço do croqui do naufrágio. Por Marcus Davis. Todos os direitos reservados.

Peixe Morcego no
compartimento da pro.
"Em uma tarde comum do dia 5 de março de 1972 com o mar levemente agitado o navio Minuano começava a receber carga do navio Ruy Wanderley à contra-bordo. A carga era içada com guindastes para os porões do navio Minuano, sempre com movimentos cauteloso devido ao balanço do mar. Apesar da cautela nessa movimentação das ondas, os dois navios se chocavam violentamente pelas laterais. Com a pressa para terminar o processo de carregamento o mestre do Ruy não se preocupou muito com as batidas e continuou a manobra. Foi quando um dos operadores de guindaste observou ondas entrando no navio sem escoar.
Por volta das 18hs do mesmo dia começou a manobra alijamento da carga e após a descida da primeira lingada a tripulação sentiu o navio descer devido à sobrecarga, com isso começaram as pressas o trabalho para retirar as caçambas de sal para tentar evitar o naufrágio. No entanto nada adiantou, e um dos estivadores deu o alarme: “O navio está afundando! Cortas os cabos! Corta os cabos!” Cortaram os cabos para evitar que os dois navios fossem a pique e saltaram para o resgate que foi realizado pelas canoas que pescavam no local. Já era noite quando o navio Ruy Wanderley se despedia do seu trabalho em um trágico acidente, por volta das 19hs só se via uma pequena ponta do mastro do grande Ruy.
O navio Ruy Wanderley naufragou no dia 5 de março de 1972 por volta das 18hs em uma profundidade de 8 metros na baixamar e em mais ou menos na distancia de 5 km da praia, sendo hoje possível ver em um mergulho ao lado do curral de numero 32.
O relatório do inquérito atribuiu o acidente as fortes pancadas no Minuano e considerou responsável o mestre João Fagundes de Oliveira e o imediato (moço de convés) José felinto da Silva por insistirem no transbordo de cargas naquelas condições, sendo representado contra pela procuradoria por negligencia e imprudência, foram condenados a pena de multa de um salário mínimo."